domingo, 2 de setembro de 2012

"FOSSE ESTE UM POVO, APENAS UM POVO"


Tanto espalhafato, tanta prosápia, tanto palco de ofensa, tanta obra e, afinal, os Açores revelam uma necessidade de tesouraria até 2018 no valor de 437 milhões de euros, enquanto a Madeira terá de descobrir uma "mina" de onde resulte, até 2015, o dinheiro para pagar 3.737 milhões de euros. Ora, quando nas últimas eleições legislativas regionais foi assumido que "A MADEIRA FALIU" e que havia de abrir as portas à mudança, passado menos de um ano, as contas não enganam. Ah, mas o Marítimo está na fase de grupos da Taça UEFA. Pois, só que as pessoas não comem relva nem bola! Comem, sim, do emprego, de menos impostos, da educação que prepara para o futuro e da saúde enquanto direito constitucional.
 
 
Para quê tanta agressividade?
Para quê tanta mentira?
Aí estão as realidades insulares, publicadas na edição de hoje do DN, numa excelente síntese do Jornalista Miguel Fernandes Luís. Uma comparação, qual teste do algodão, que não deixa qualquer margem para dúvidas. Esta comparação é arrasadora para quem governou a Região da Madeira nos últimos 36 anos. Não fico feliz com ela, pois preferia que as contas da Madeira estivessem equilibradas, pois significaria menos austeridade para o povo, mas perante tanta agressividade discursiva, tanta aldrabice, tantas declarações falaciosas, tanta falta de planeamento, tanto querer em ser poder através de um maximizado controlo da sociedade, olho para esta triste realidade e apenas espero que os eleitores abram os olhos. Sejam eles quem forem. 
Todos os indicadores são evidentes do descalabro da política do dr. Alberto João Jardim. Com menos população temos mais funcionários públicos e mais entidades no sector público. Todos os impostos são mais baixos nos Açores que na Madeira, apesar da crise internacional o número de desempregados é menos de metade do que na Madeira e mais significativo é que, com um orçamento inferior ao da Madeira, os Açores "esticam-no" ao ponto de terem de atender às necessidades de nove ilhas espalhadas por 600 km (entre S. Maria e o Corvo).
Feitas as contas, salienta o DN-Madeira, segundo o diagnóstico feito pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), a Região Autónoma da Madeira elabora "orçamentos irrealistas" e apresenta uma dívida global de 6.328 milhões de euros (23.631 euros por cada habitante). Já o Governo dos Açores demonstra "uma relativa adesão à realidade" e acumulou uma dívida de 2.318 milhões de euros (9.394 euros por cada habitante), cita o DN.
Bom, tanto espalhafato, tanta prosápia, tanto palco de ofensa, tanta obra e, afinal, os Açores revelam uma necessidade de tesouraria até 2018 no valor de 437 milhões de euros, enquanto a Madeira terá de descobrir uma "mina" de onde resulte, até 2015, o dinheiro para pagar 3.737 milhões de euros. Ora, quando nas últimas eleições legislativas regionais foi assumido que "A MADEIRA FALIU" (houve quem não entendesse esta mensagem dramática, mas verdadeira) e que havia de abrir as portas à mudança, passado menos de um ano, as contas não enganam.
Ah, mas o Marítimo está na fase de grupos da Taça UEFA. Pois, só que as pessoas não comem relva nem bola! Comem, sim, do emprego, de menos impostos, da educação que prepara para o futuro e da saúde enquanto direito constitucional. As pessoas dependem de uma economia sustentável. E a propósito disso, Eurico Martins, um homem da cultura madeirense, assina hoje um artigo de opinião que deveria ser lido por todos. A páginas tantas, com ironia: "(...) Os senhores da bola por exemplo, não fossem eles tão altos e todos nós seríamos um vulgar povo esquecido no meio do Atlântico. Sem turistas a nos visitar, sem nesga de futuro para os nossos jovens, sem estrelas a quem adorar, sem nada, uma desgraça. A eles se deve tanta felicidade. São eles que com tão suprema influência concedem ao povo o elevado privilégio de ser este a suportar as viagens dos seus craques, os honorários e os vícios de suas altezas e outras coisas que eu cá sei. Fazem-no e o poder agradece. Está nos livros. Sem desporto não há regime que resista.
Fosse este um povo, apenas um povo".
Ilustração: Google Imagens e Quadro publicado no DN-Notícias.

1 comentário:

Espaço do João disse...

Sempre ouvi dizer que em casa de cegos quem tem olho é rei.
Infelizmente o povo Português, só vê Fado Futebol e Fátima. A farra continua e, enquanto este pobre povo não abrir os olhos, nada feito.Pena que aqui no rectângulo, a saga é a mesma.
No entanto faço uma pergunta que considero pertinente:- Numas próximas eleições em que este cavalheiro seja posto a milhas,como poderemos fazer mais alguma coisa? Retiremos as fortunas acumuladas a tantos lacaios e, coloquemos-lhes grilhetas deportando-os para bem longe onde nem os abutres os reconheçam como peças de alimentação. Teremos quanto tempo para pagar estas megalomanias que só despejaram os cofres de estado? UNI-VOS oh povo, peguemos em vara-paus e esmaguemos estes traidores, já que não podemos contar com os braços e as armas que estão ao lado destes malfeitores.