segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O PS-MADEIRA QUEBROU O SILÊNCIO


O PS-Madeira quebrou o silêncio. Ontem, a propósito das próximas eleições legislativas, o líder regional foi claro ao afirmar que "todos sabem que os socialistas na República vão ganhar as eleições legislativas nacionais e é importante que os socialistas, na Madeira, ganhem as eleições regionais para haver uma articulação e consonância com o Governo do PS a nível nacional". Isto quer dizer, não sei se definitivamente, que a proposta do CDS-PP, no sentido do PS-M disponibilizar-se para uma ronda de contactos visando uma coligação de base ABRANGENTE, não tem pernas para andar. Repito, para já. Decisão infeliz e porquê? Simplesmente porque a hora não é de amuos, de ressentimentos do tipo, nas autárquicas não quiseram, agora é que sentem essa necessidade (?), a hora não é de egoísmos saloios, a hora não é de gestão de interesses partidários baseados na distribuição de lugares políticos e a hora não se compadece com pessoas que não conseguem olhar-se ao espelho. A hora é de conjugação de esforços no sentido da promoção dos encontros possíveis que promovam uma saída do buraco no qual a Região mergulhou. Fechar-se entre os poucos de um partido, militantes e simpatizantes, significa a entrega de bandeja do poder a um dos seis ou mais candidatos do PSD, autores de um passado que está a custar os olhos da cara a milhares de madeirenses e portosantenses. Fechar-se em torno de decisões de meia-dúzia, significará abrir a porta, aos mesmos de sempre, agora travestidos de democratas, para continuarem com as suas políticas tresloucadas de espezinhamento. Esses, por mais que falem e digam coisas que fazem sentido, (repetidas ao longo de anos pela oposição) a verdade é que apenas actuarão nas margens, para que possam manter intocáveis os seus interesses e as pressões vindas dos grupos amigos de longa data.


É por isso que a posição do PS-Madeira é ininteligível. A não ser que, por detrás da cortina, ande a trabalhar para um governo do bloco central (PSD/PS). O PSD sabe que a sua popularidade cai vertiginosamente e o CDS também reconhece que o resultado de 2011 foi inesperado e muito dificilmente repetível. A conjuntura nacional fá-los-á cair para uma posição muito desconfortável. Perante esta leitura, é possível que o PS, beneficie da onda nacional e possa registar uma considerável subida nas intenções de voto, embora não me pareça crível que supere o PSD. E neste contexto, a governabilidade ficará mais dependente de uma coligação pós-eleitoral entre o PSD e o PS do que entre o PSD e o CDS. São meras conjecturas minhas, eu sei, mas possíveis através da interpretação dos silêncios e das ânsias de poder a qualquer preço.
Se partirmos desta hipótese de coligação que repudio totalmente, parece-me lógico que não sendo o momento propício a jogadas de bastidores (existem, pois, com certeza que sim!), a proposta do CDS faz todo o sentido quando em causa está um acordo de base ABRANGENTE. Ao contrário da posição do PS-M ontem transmitida à população, todos deveriam ser convocados para um governo que eu designaria de salvação regional. E assim sendo, não percebo de que está o PS à espera, quando o CDS/PP jánantecipou para Dezembro o seu Congresso, de modo a legitimar posições políticas que se jogarão nos próximos tempos!
NOTA
Há mais de cinco anos, a 23 de Maio de 2009, aqui escrevi um texto que falou da prioridade de UM GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL. Um governo onde prevalecesse a conjugação partidária, aberto à sociedade, mas não de entrega àqueles que nunca deram um passo nem emprestaram a sua voz à necessária mudança. Com os que se refugiaram, que se negaram a trabalhar para que o descalabro não acontecesse, todos os madeirenses e portosantenses passam bem!  Deixo aqui o essencial do citado documento que, lamentavelmente, continua actual. Passaram-se, entretanto, cinco anos.

UM GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL


"Basta que tenhamos presente que o espaço geográfico da Madeira é limitadíssimo. Não permite, pois, numa lógica de novas grandes obras, continuados investimentos que absorvam a mão-de-obra que está desempregada. (...) O problema, portanto, não está, do meu ponto de vista, na insistência na obra de natureza pública, porque essa é tendencialmente finita face às limitações espaciais da Região. O que se torna necessário é alterar o paradigma em que assenta a nossa economia. E nesse quadro levamos um atraso de muitos anos, simplesmente porque o sistema educativo regional falhou totalmente, não inovou, não gerou mentalidades e competências para um mundo que não se confina à lógica da argamassa e do funcionário público (esse tempo há muito que acabou), porque esbanjaram muitos milhões em obras e em injustificáveis apoios sem retorno nem económico, nem social, nem cultural, porque falharam na cultura de exigência e de qualidade, porque viveram para dentro e não olharam para além do horizonte visual, porque não criaram equilíbrios entre a oferta e a procura, porque destruíram os sectores produtivos e apostaram, apenas na monocultura do turismo e porque deixaram milhares entrarem no ciclo vicioso da pobreza e da exclusão social. Quando aqui se chega e quando o objectivo continua a ser o de ganhar eleições e não o de desenvolver um povo inteiro, sinceramente, começo a recear pelos próximos anos ou décadas.
Caminhamos para a necessidade de um "governo de salvação regional". Com cofres lisos, montanhas de facturas por pagar, empresários aflitos, desemprego a crescer, uma população maioritariamente sem capacidade para reagir, pergunto, como pensam resolver este quadro? (...)"
Ilustração: Google Imagens.

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