Adsense

Mostrar mensagens com a etiqueta CDS/PP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CDS/PP. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Chicão: a retórica “sexy” do “carro vassoura da mudança


Por
Daniel Oliveira, 
in Expresso Diário, 
27/01/2020

A melhor forma de saber quem é Francisco Rodrigues dos Santos é ouvir o que dizia antes de ser candidato à liderança do CDS. E não é preciso recuar muito. Apesar de ser evidente que já era essa a sua ambição, ainda há um ano garantia que não estava no seu horizonte próximo o que aconteceu este domingo. Dizia que não tinha pressa. Entrevistei-o para o meu podcast há cerca de um ano. Tenho de dizer que ia com boas referências e fiquei surpreendido. Encontrei um gerador automático de citações, que pode impressionar pessoas com poucas leituras mas não revelou um conservador sólido. O problema não é ser demasiado jovem. Paulo Portas também o era. É ser demasiado jovem e estar muitíssimo longe de ser Paulo Portas.

 
Francisco Rodrigues dos Santos é aquele tipo de políticos que é muito eficaz a falar para dentro da sua própria bolha. Sempre que vocifera contra a direita “apaixonada pela esquerda” anima a cultura tribal e gregária da militância, dando uma ilusão de força que dificilmente funciona para fora. Nem mesmo neste tempo em que cavar trincheiras parece ser a única forma que sobra de fazer política. A enorme vaia a António Pires de Lima, comum em partidos que se enfiam na sua autossuficiência, é o retrato daquilo de que se alimenta o jovem e impreparado Chicão. Cultura que ele alimenta, mesmo que por uns tempos vá fazer a rábula da união de um partido que se adapta sempre aos seus líderes.
Mas a grande acusação que Francisco Rodrigues dos Santos tem a fazer ao seu próprio campo político é a de se ter transformado no “carro vassoura da mudança”. Para lá da retórica e do permanente apelo ao sectarismo identitário, o que fará Chicão para que isso deixe de acontecer? Baseio-me na entrevista que lhe fiz e que, recordo, tem apenas um ano.

Na economia, apesar de ensaiar uma música contra o neoliberalismo, defende o que o CDS sempre defendeu. Com exceção da defesa do Salário Mínimo Nacional, no que diverge de uma posição pontual da Juventude Popular que nunca foi acompanhada pelo partido, é defensor de leis laborais mais flexíveis, da entrada do ensino privado na rede pública que garante o ensino gratuito e até vê com bons olhos uma taxa plana de IRS que baixe radicalmente os impostos para os mais ricos, o que nunca poderia deixar de ter um efeito no Estado Social. Nesta matéria, nada o distingue das posições políticas dos seus adversário internos e do resto da direita. É até mais liberal do que Assunção Cristas e não menos do que Adolfo Mesquita Nunes.

Quando se chega à Europa, Francisco Rodrigues dos Santos volta ao mesmo artifício. A sua retórica é crítica do federalismo, sempre carregada de cores fortes e muitos adjetivos barrocos. Mas quando se vai ao concreto, define-se como uma terceira via entre o federalismo de Lucas Pires e o euroceticismo de Manuel Monteiro. Bem espremido, a posição exata do CDS de há muito tempo.
Chegado à ética política, é forte a falar do clientelismo. Mas, quando confrontado com o cadastro do seu partido, defende-o. Nem o caso da nomeação de Celeste Cardona para a Caixa Geral de Depósitos, totalmente deslocada para o seu currículo, foi capaz de criticar. Os grandes é que pecaram e os militantes do CDS colocados em lugares do Estado distinguiram-se pelo mérito. Nada de novo, portanto. Clientelismo mau é o dos outros.
Mas o mais importante é mesmo aquilo a que chamamos costumes. Até porque Francisco Rodrigues dos Santos recusa que o que separa a esquerda e a direita se resuma à “balança que mede o peso do Estado na economia, a mais ou menos impostos ou meramente numa folha de excel”. Quando olhamos para o embrulho ficamos assustados. As expressões que usa são fortes. A começar na utilização do termo “ideologia de género”, popularizado pelos sectores ultraconservadores e de extrema-direita e que, na entrevista que lhe fiz, percebi que ele julgava ser uma autodefinição da própria esquerda.

Não se entusiasmem, no entanto, os ultraconservadores. Mais uma vez, Chicão compra o verbo, não o ato. É contra o aborto mas não tem qualquer intenção de mudar a lei que o despenalizou. Porque é um conservador e as coisas estão bem como estão. É contra a instituição legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo mas não pretende alterar uma vírgula na lei vigente. E até defende a descriminalização do consumo de droga, a que o CDS se opôs.

Tirando esta exceção, Francisco Rodrigues dos Santos é muito firme na condenação do que se fez mas totalmente demissionário na possibilidade de o desfazer. Sobretudo nas questões de costumes, que aparentemente o diferenciariam das correntes mais liberais do partido (na economia são totalmente confluentes). Discorda de Adolfo Mesquita Nunes em muitas coisas mas, aparentemente, isso não terá qualquer consequência prática, porque não vale a pena tocar no que já mudou. Está resolvido, disse. O que quer dizer que a expressão “carro vassoura da mudança” lhe assenta como uma luva. Mais a ele do que a outros: pelo menos os liberais do CDS concordam com aquilo que não querem mudar e querem mudar aquilo de que discordam.

“Não seremos políticos que aparentam uma grande firmeza nas suas palavras e revelam uma imensa fraqueza quando têm de enfrentar as consequências dessas mesmas palavras”, disse o novo líder do CDS no seu discurso de Aveiro. Foi isso mesmo que encontrei na entrevista que lhe fiz. Da crítica à moleza dos seus opositores internos, tudo se lhe aplica. Sobra a retórica que os congressistas terão achado “sexy". E até o discurso conservador meteu na gaveta quando sentiu que isso lhe poderia retirar votos no congresso.

E porque é assim o novo líder do CDS? Porque Chicão é daqueles políticos que prefere apanhar o ar que se respira em cada tempo em vez de ser ele a definir esse tempo. E o ar do tempo, na direita, faz-se de uma retórica cada vez mais forçadamente radicalizada para travar uma extrema-direita que assim se vê legitimada. Mas o novo líder do CDS, apesar dos tons contrastantes do seu discurso, não tem um rumo estratégico para o CDS. Apenas aproveitou uma profunda crise do partido, repetiu as frases da moda no seu campo político e nem sabe ao certo como ser consequente com elas. O discurso conservador de Chicão é como o discurso revolucionário do PCP: não vale nada para além da estética. Como se percebeu no seu discurso inaugural, o vazio de novidades programáticas para o país é preenchido por chavões e decibéis que simulem uma mudança gritada.
O extremismo retórico de Chicão tem, no entanto, consequências. A facilidade com que abre a porta à proximidade a fenómenos como Bolsonaro, tratando-o como “desbocado” mas “desempoeirado” (ouvir mesma entrevista), e a dificuldade que tem de se distanciar de figuras como Salvini, denuncia até onde pode ir o seu oportunismo político. O objetivo é óbvio: vir a combater o crescimento político do Chega. Chicão partilha com Ventura algum radicalismo discursivo, com diferenças que não desprezo. Mas, acima de tudo, partilha uma enorme facilidade em radicalizar o discurso muito para além das suas convicções profundas, como fica evidente quando se tenta espremer qualquer consequência das suas posições. Só que tem, sobre o seu novo concorrente, uma enorme dificuldade: carrega um partido com contradições e uma história que o impedem de ser consequente. É verdade que o CDS é plástico. Tende a moldar-se às novas lideranças e isso explica a forma como é ciclicamente abandonado por camadas de pessoal político. Mas, ainda assim, há uma tradição que dá ao CDS um peso que não lhe permitirá ser um Chega soft.
Mal sai do discurso sem contraditório para animar uma sala de indefetíveis, Chicão é uma imitação frágil do que já existe, cheia de adversativas confusas e posições de princípio inconsequentes, que não servirão para travar nada. Quanto muito, servem para segurar o pouquíssimo que resta ao CDS e que esteve neste congresso, totalmente alheado do resto do país. Serve para o CDS se acantonar numa identidade que nunca foi a sua. De resto, sobra a personalidade de um líder sem currículo, sem consistência e sem palco no Parlamento. E com uma direção que junta o refugo não utilizado por Portas, o regresso dos mortos vivos de Monteiro e as viúvas de Ribeiro e Castro. Tudo em versão estagiária.
A sua eleição revela um CDS impressionável com jogos pirotécnicos, abandonado por aqueles que lhe davam massa crítica e desesperadamente à procura de um buraco onde se sinta confortavelmente pequeno. Um buraco que, ainda por cima, já está ocupado.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Afinal, o que é que os distingue?


A situação política do CDS/PP Madeira, se já de si era menos confortável por alguma crispação interna, com a integração no governo da região tornou-se complexa. Eu diria muito complexa. Se, no plano da estrutura, com bom senso e diálogo, penso eu, por experiência, mor das vezes é possível o entendimento, já no plano do governo a coisa fica mais nebulosa. Desde logo porque não é fácil gerir tudo quanto foi dito contra a governação do PSD e esquecer tantas ofensas pessoais ao longo dos anos, algumas muito graves, e agora ser obrigado a voar muito rente ao solo, dizendo sim ao que outrora era motivo de sérias acusações políticas; depois, se os actos de governo não decorrerem bem, pode acentuar-se a impaciência interna com as consequências que sempre estão associadas. As migalhas distribuídas e a integração de umas quantas propostas no programa e no orçamento, servirão, apenas, para manter serena a coligação sob a égide de um PSD, também ele em clara quebra de popularidade. Aliás, desde  a tomada de posse que é este o sentimento que emana para o cidadão. 

Até o Presidente do PSD já coloca o polegar como símbolo do CDS!

O CDS/PP Madeira, parece-me, que não percebeu a cilada e caiu. O PSD, com a experiência e a paciência de quarenta anos, permitam-me a expressão, a experiência de "virar frangos", nesta fase de deslumbramento, controla-o com mestria. No governo admitiu dois à mercê de nove e, no parlamento, deixou-o amarrado através do presente envenenado da presidência. Como se isto não bastasse, o PSD nas recentes jornadas do seu grupo parlamentar, chamou-os para o seu espaço de debate político, comprometendo-o. Politicamente, tratou-se de uma situação só explicável à luz de interesses escondidos na manga. Não tem outra explicação, deduzo.

O PSD, matreiramente, está a fazer o embrulho, anda a envolver o parceiro de coligação em celofane e já tem um laço pronto do tamanho da Região. A voz da discordância apagou-se, o discurso da alternativa de poder emudeceu, a mudez nos temas políticos mais gravosos da Região constituirá, certamente, um facto, portanto, o CDS/PP ou ficará diluído na corrente social-democrata ou qualquer afirmação distintiva, segundo os princípios da democracia-cristã, gerará um insanável conflito no seio do partido e da coligação. 

Do meu ponto de vista seria absolutamente aceitável, porque democrático no quadro político da direita, um acordo de incidência parlamentar como tem vindo a acontecer com os governos do Dr. António Costa: primeiro, com um acordo de princípio, agora, através de negociações sectoriais. Nestas circunstâncias, na Madeira, o PSD deveria estar a governar só, com um governo minoritário, o que libertaria o CDS para uma continuada e saudável oposição. Isto obrigaria o governo PSD a ter de negociar todas as suas propostas em sede de parlamento. Seria bom para a Madeira e, no caso em apreço, para o próprio CDS/PP. A opção foi outra, os dias passam-se, e cada vez é mais sensível que os "dinossauros" tomarão conta do espaço político. E se as autárquicas decorrerem mal, presumo, adeus CDS/PP e, talvez, adeus coligação. As culpas por eventuais resultados negativos dificilmente serão divididas. E isso é bem possível que aconteça, a avaliar pela maturidade da população que já denunciou que sabe ler o jogo e sabe quem deseja na Assembleia Municipal, na Câmara, nas Juntas e nas Assembleias de Freguesia. 
Ora, este joguinho político, desenvolvido debaixo dos olhos dos eleitores, é insustentável. Enquanto o PSD, creio, mais cedo que tarde, perderá o poder por esgotamento, o CDS, convicto estou, com esta sua estratégia tendencialmente suicida, pode apagar-se por muitos anos. Se a queda já era evidente nos planos nacional e regional, doravante, porque integra o governo, corre o risco de ser levado na corrente do descontentamento eleitoral. Nestas circunstâncias, parece-me óbvio, crescerão de tom as vozes internas e a travessia do deserto será penosa. A ver vamos. Para já, há um provérbio português que anuncia: "Raposa matreira não fará besteira".
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 2 de março de 2016

UM VOTO DE CONGRATULAÇÃO PARA QUEM CONSIDEROU A MADEIRA UMA "GRANDE AUTARQUIA"


O CDS/PP apresentou, ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, um "Voto de Congratulação" pela eleição do Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República. A páginas tantas do respectivo voto lê-se: "(...) a sua vitória na Região Autónoma da Madeira, com o apoio explícito dos dois maiores partidos, o PSD e do CDS/PP, é também um TRIUNFO DA AUTONOMIA (...)". Obviamente que não coloco em causa a oportunidade do voto. Faz parte do respeito institucional e do respeito pelo vencedor, pelo que compete à Assembleia a dignidade de o cumprimentar. No entanto, outras deveriam ser as palavras porque é necessário ter memória política. Em 2010, o agora eleito Presidente da República, não esqueço as suas palavras, considerou a Madeira uma "grande autarquia" e o presidente do governo regional uma espécie de "líder autárquico em grande". Uma gravíssima desconsideração política em função da dignidade de uma Região Autónoma. Deixo aqui o texto que assinei a 19 de Maio de 2010.


"As recentes declarações do Professor Marcelo Rebelo de Sousa que comparou a Madeira a uma grande autarquia e o seu presidente uma espécie de "líder autárquico em grande", não deixa de constituir uma matéria de alguma relevância e peso político. No programa “Sinais de Fogo” da SIC, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se à Região Autónoma da Madeira como uma grande autarquia e o seu presidente como um líder autárquico em grande. Declarações que não acompanho não só pela dignidade jurídico-constitucional que uma Região Autónoma assume, como pelo seu próprio contexto histórico, político e organizacional.
Do Professor e habitual comentador político, pela sua formação académica e docência universitária, exactamente no âmbito do Direito, conhecedor do processo autonómico enquanto autor de pareceres encomendados e, provavelmente, pagos pela Assembleia Legislativa da Madeira, era expectável uma posição de rigor e de respeito pela histórica luta do Povo da Madeira. Pelo contrário, a atitude assumida acabou por cifrar-se em uma desconsideração à Autonomia, aos órgãos de governo próprio e, por extensão, a todo o Povo da Madeira.
É evidente que subsiste, também, neste processo, uma cultura que a Região Autónoma da Madeira não soube gerar, no plano Nacional, no sentido do reforço dos princípios e valores que enformam a Autonomia Político-Administrativa. As sucessivas declarações proferidas ao longo dos anos pelos representantes do poder regional têm, lamentavelmente, dado azo a comentários pouco abonatórios que conduziram ao desprestígio da Região, mas que de forma alguma justificam posições como aquelas que foram proferidas.
Quem melhor esteve na interpretação dos princípios em que  a AUTONOMIA se funda, foi o Bastonário dos Advogados portugueses, que assumiu que a Autonomia é “património moral da República”.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

VENDERAM A AUTONOMIA E PREGAM A DEFESA DA AUTONOMIA


Em fase de pré-campanha eleitoral julgo que se impõe uma pergunta: o que é que diferencia o PSD e o CDS, ambos da Madeira, do PSD e do CDS na República? Ideologicamente nada, porque pertencem à mesma família política. A opção de, na Madeira, não se apresentarem coligados é apenas estratégica, porque após as eleições, os que forem eleitos integrarão a essência dos princípios políticos que padronizam a sua práxis política. E essa é conhecida dos madeirenses e portosantenses tantas foram as maldades produzidas. 


E vêm os candidatos do PSD da Madeira falar da defesa da Autonomia e do Estatuto Político-Administrativo. É de gargalhada! Simplesmente porque foram aqueles que há 40 anos governam este território que hipotecaram a Autonomia e permitiram, em tantos domínios, que o Estatuto se transformasse em um capacho. Hoje, esse Estatuto não vale nada. Para além de desactualizado é desrespeitado a todo o momento, não apenas pelo governo da República, mas, pasme-se, pelo Tribunal Constitucional. O Estatuto vale zero porque permitiram que assim acontecesse. Se o Professor de Direito e comentador de televisão, Marcelo Rebelo de Sousa, um dia, deselegantemente, sublinhou que a Madeira era uma "grande autarquia", a dupla Passos/Portas fizeram do Estatuto de Região Autónoma uma coisa quase semelhante à antiga Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. A Madeira é autónoma apenas na designação, não na práxis política. Embora os tempos e os processos sejam outros, a conquista dos direitos autonómicos que muito custou a muitos, é hoje vivida no faz-de-conta. Andam todos com o rabinho entre as pernas, silenciosos, sem capacidade de reivindicação e até, subservientemente, de mão estendida. Resta-nos, neste momento, a escultura à Autonomia enquanto símbolo, porque de resto, pergunto, onde pára a Autonomia?
E existindo culpados, como se a memória fosse curta, desatam a dizer que desejam ser eleitos para a Assembleia da República no pressuposto de quererem defender aquilo que mataram e enterraram por muitos anos. É espantoso.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PORTUGAL PODE MAIS? A DÍVIDA, A POBREZA, A EMIGRAÇÃO E A SUBSERVIÊNCIA À EUROPA DEMONSTRAM A NECESSIDADE DE OUTRAS POLÍTICAS


Tenho pelo meu Amigo José Manuel Rodrigues, líder do CDS/PP na Madeira uma muito sincera amizade e estima desde há muitos anos. No plano político sempre nos respeitámos e este aspecto considero muito importante nas relações pessoais. Politicamente, somos diferentes, e ainda bem! É a Democracia. Em alguns aspectos estamos de acordo se considerarmos, por exemplo, a "doutrina social da Igreja"; em muitos outros estamos distantes no pensamento. Ora bem, li, esta tarde, o enaltecimento que fez ao programa da coligação nacional PSD/CDS assumindo que conseguiram "(...) pôr no Programa de Governo da Coligação importantes direitos dos Madeirenses que temos que conquistar e é por isso que os deputados que o partido eleger pela Região, serão os primeiros a exigir do novo Governo Nacional o seu cumprimento". Reconheço que os partidos têm de "vender o seu peixe" em tempo de pré-campanha para as legislativas. Mas, meu Caríssimo Amigo, politicamente, quem pode levar a sério esse programa quando todos estamos lembrados do que foi o martírio para os madeirenses e portosantenses estes últimos quatro anos? 


Quem pode acreditar em um candidato a primeiro-ministro (no youtube estão lá todas as suas declarações) que mentiu descaradamente ao prometer um país de sonho e, afinal, agravou todos os indicadores: a dívida passou de 164.348 ME para 224.155 ME; quando temos de recuar aos anos 60 para termos valores de emigração semelhantes; quando a pobreza disparou para quase três milhões; quando sufocaram as famílias com uma pesadíssima carga fiscal; quando retiraram direitos sociais e penalizaram os reformados e pensionistas; quando deixaram o tecido empresarial mais pobre; quando deixaram o nosso país sem ESPERANÇA?
E deixe-me que lhe pergunte, com toda a sinceridade, que fez Paulo Portas pela Madeira? Nem decência e respeito institucional teve pelo voto contra o Orçamento de Estado, na Assembleia da República, apresentado pelo vosso Deputado eleito pela Madeira. Moveram-lhe um processo. Isto significa que essas medidas inscritas no programa valem, por aqui, enquanto campanha eleitoral, mas não têm qualquer valor no plano da decisão política. Nem Passos Coelho nem Paulo Portas reúnem um histórico de qualquer credibilidade pelo que fizeram à Madeira nestes quatro anos de dupla e penosa austeridade. E se eles são assim tão merecedores de consideração, que razões sustentaram não se apresentarem coligados na Madeira? No dia 04 de Outubro, que fique claro, os eleitores vão julgar estes quatro últimos anos e não os anteriores! 
É por isso e muito mais que o programa "Agora Portugal pode mais" não passa de uma frase oca e sem sentido. Se mal estávamos devido à crise internacional de 2008, agora, por teimosia e subserviência a esta Europa sem norte, pior ainda estamos. E o meu Caríssimo Amigo sabe que tudo isto é verdade. Um grande abraço e de qualquer forma felicidades. 
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O SIGNIFICADO DE UMA ABSTENÇÃO AO PROGRAMA DE GOVERNO


Deixou-me perplexo a votação final do Programa de Governo recentemente debatido na Assembleia Legislativa da Madeira. É evidente que cada partido sabe com linhas se coze, mas é estranho que o CDS e o JPP tivessem preferido a abstenção. A abstenção em um documento estratégico de importância fundamental pode significar que os próprios duvidam do seu próprio programa ou, então, encontram no PSD uma possível solução para a Madeira. É por isso que, face a um programa, um partido tem de ser muito claro, pois não pode ter um pé aqui e outro ali. Ou tem convicções ou não as tem; ou acredita no seu caminho ou, então, deixa transparecer que o caminho dos outros não é mau de todo. Um partido que escolhe a via da abstenção dá a entender que apenas encontra ali algumas fragilidades, todavia, facilmente superáveis. O Programa de Governo é POLÍTICO, é definidor de quatro anos de governo, daí que, para quem está na oposição, o voto terá de ser POLÍTICO. A abstenção não é nada ou, então, pode explicar muita coisa. A abstenção transmite a ideia de "um olho no burro e outro no cigano".


No caso do CDS, a proximidade política e o facto de estar coligado com o PSD na República, não explica tudo. Isto de ser o maior partido da oposição (a votação não deixou dúvidas) implica não ser um mero partido de protesto, mas de proposta. Ora, quando, face a um documento sobre as grandes opções estratégicas, o partido se abstém, a leitura política acaba por ter um enorme significado. Nestes momentos, um partido de proposta não pode vacilar. E o CDS vacilou. Votou no quadro de nem uma coisa nem outra, talvez porque não saiba como resolver o dia de amanhã (eleições legislativas nacionais em Outubro) e, por isso, terão pensado, convém não hostilizar! 
Já no caso do JPP, do meu ponto de vista, é outro o enquadramento político. Uma parte dos militantes de proa do JPP foi militante do PS-M ou, no mínimo, simpatizante. O berço de muitos foi o PS. Penso que aí beberam os valores da respectiva "carta de princípios". Decidiram seguir outro rumo e estão no seu pleno direito de cidadãos. Mas, atenção, na política não basta assumir o papel de fiscalizador, "folha a folha (...) parágrafo a parágrafo", do "Programa de Governo". A fiscalização é inerente à função dos deputados da oposição na Assembleia Legislativa. Nem necessário se torna trazer isso à colação. Quer para o "Programa de Governo" quer para toda a legislação produzida ou a produzir. Compete à oposição, acompanhar, fiscalizar e propor. A questão é, portanto, outra, é de posicionamento político e de convicções sobre o que desejam e projectam para a Região Autónoma. E aí, quando seguem o caminho da abstenção, politicamente, deixam um rasto de dúvidas. A própria designação de "Juntos pelo Povo", do meu ponto de vista, no quadro da análise política, foi atraiçoada, porque ninguém se esquece do que foram os anos de governo do PSD (quase quarenta), a dívida criada, a liberdade condicionada e a governamentalização das instituições, atenção, com os mesmos que hoje chegaram ao poder. Mais, ainda, no plano autárquico, o JPP conhece e domina com foi encontrar, por exemplo, as contas da Câmara Municipal de Santa Cruz. Isto para não falar de múltiplas situações que não abonam nada a política em geral e a autárquica, em particular. 
O próprio presidente da Câmara de Santa Cruz, Filipe Sousa (ex-Deputado do PS-M), escreveu, na edição de ontem do DN-Madeira, um artigo de opinião ("O pão que o PSD amassou"), no qual salienta: "(...) Em plena campanha eleitoral, o atual presidente do Governo Regional disse que a Câmara Municipal de Santa Cruz tem uma gestão simpática, mas com investimento zero. Passados apenas alguns meses, está aí o programa de Governo: simpático, como é aliás este novo executivo, mas com investimento zero. Pois é, caro Miguel Albuquerque, estamos no mesmo barco!"
Mas, enfim, cada um segue o seu caminho. Eu, cada vez estou mais esclarecido sobre os políticos que desejam ser diferentes, todavia, na hora H, concedem o benefício da dúvida àqueles que sempre estiveram à mesa do Orçamento. Interessante, muito interessante, o que se escreve e como se vota!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A OBRIGAÇÃO DE SER CLARIVIDENTE E DE DEIXAR DE OLHAR PARA O UMBIGO


Com eleições legislativas dentro de três meses, parece-me óbvio que a margem de manobra da oposição política regional é demasiado curta. Tantos alertaram, quando era possível, para a necessidade de contrapor, com pessoas e um programa, a previsível onda que as eleições internas no PSD-M iriam gerar. Nada aconteceu no que concerne ao contraponto forte e consistente à luta de galos entre aqueles que "venderam" a Autonomia e conduziram a Madeira à falência política e financeira. O PS alheou-se, fugiu a sete pés de umas primárias regionais, acreditando, penso eu, que o PSD sairia esfrangalhado dessa luta interna. Ignoraram o jardinismo enquanto polvo e que os interesses, pequenos ou grandes, tarde ou cedo voltariam a conjugar esforços, uma vez libertos do moribundo "chefe". Negou uma coligação abrangente e eclipsou-se da luta política alternativa. Um quadro face ao qual vou ser muito sincero: invade-me uma grande angústia política ao prever que o descalabro aconteça. Porque a questão não é ter um bom resultado, isso nem a mim nem à maioria da população para nada serve, mas uma vitória que altere o actual quadro político que vem, ininterruptamente, desde o século passado. Quem assim não vê apenas está a olhar para o seu umbigo e para a gestão de alguns lugares no hemiciclo da Assembleia. Defrauda, desta forma, a população e enterra a alternativa por mais uns largos anos. Restará saber por que razão o faz?


A margem de manobra é curta, repito, porque há uma dinâmica em curso dos mesmos de sempre, apostada em fazer esquecer o seu passado, os evidentes conluios e que alguma comunicação social aproveitou para potenciar. Por outro lado, sabe-se pela experiência e pela cultura que se enraizou, que as pessoas tendem a esquecer as lutas passadas, a pouca-vergonha, a governamentalização de todas as instituições, as ofensas e os erros estratégicos, centrando-se no presente. E que, tal como um qualquer novo produto do mercado comercial, no espaço político, são capazes de "comprar" o aparentemente novo se a figura demonstrar capacidade política e se o projecto tiver alguma credibilidade. 
Não é que a figura política que se apresenta pelo lado da continuidade reúna tais condições, bastará olhar para a situação em que foi deixada a cidade do Funchal, mas no vazio oposicionista, parece-me óbvio que o povo eleitor tenderá a votar no mal menor. O drama é esse, porque se corre o risco da história repetir-se, com umas pianolas de permeio, umas frases feitas e uma mudança de moscas para facultar a ideia que isto nada tem a ver com o passado. Mas tem e terá sempre, porque o jardinismo tem uma complexa mas evidente história de quarenta anos. Os vícios estão lá todos (os que se conhecem), as figuras são as mesmas e daí que os processos tendam a ser semelhantes. Perante isto, pergunto, o que fazer? Deixar andar? Julgo que não.
Embora o tempo escasseie há que ter respeito pelos eleitores. Por aqueles que apostaram na "mudança" nas últimas autárquicas, embora, aqui e ali, sejam sintomáticos alguns tiros nos pés que nada ajudam. Impõe-se, assim, que deixem de olhar para o umbigo, que tenham um momento de consciência e que abram espaço a uma alternativa abrangente, profundamente séria e liderada por alguém credível que possa acabar com um tempo que foi de massacre político, de omnipresença, de compadrio e medo, embora legitimado por regulares eleições. O PS da Madeira não pode ficar fechado na sua concha à espera de uma qualquer dádiva da população. As circunstâncias são tão graves que se pode estar na eminência de uma nova maioria absoluta de uma laranja que foi, continua e continuará a ser amarga. O PS-M, sozinho, não chega lá; o CDS-M pode ficar reduzido por força da imagem da coligação nacional (PSD/CDS) que se repercutiu na vida dos madeirenses e os restantes partidos, muito dificilmente consolidarão os seus eleitorados. Estarei errado? Presumo que não, embora respeite outras legítimas leituras partidárias.
Não é por acaso que o novo líder do PSD-M deseja eleições regionais o mais rapidamente possível. Ele quer fugir da onda das legislativas nacionais que poderá afectá-lo no plano eleitoral. É politicamente óbvio. Daí que nem José Manuel Rodrigues e muito menos Vítor Freitas tenham condições políticas para se imporem neste quadro absolutamente adverso. A bola, permitam-me a analogia, está nas mãos de Vítor Freitas. E neste aspecto só vejo uma saída possível: abandonar, rapidamente, a teimosia e procurar, com inteligência e humildade, uma saída para a situação, que possa conduzir os madeirenses a acreditarem, no pouco tempo que falta, que o novo ciclo de que se fala, não deve ser gerado a partir dos mesmos de sempre, mas a partir de um olhar sobre a sociedade, com novos protagonistas e programas, protagonistas oriundos das suas fileiras e com aqueles cujas qualidades técnicas e políticas a sociedade reconhece. 
Ilustração: Google Imagens.    

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

INSENSIBILIDADE SOCIAL


O Deputado Nuno Magalhães (CDS/PP), citando M. Thatcher, disse que "o socialismo acaba quando termina o dinheiro dos outros". Para já não lhe fica bem este tipo de declaração. Se é verdade o discurso oficial, o CDS/PP diz-se social e que segue a doutrina social da Igreja. Percebe-se, então, que as posições flutuam de acordo com as circunstâncias políticas. Independentemente disso, coloco uma pergunta: mas qual dinheiro dos outros? O dinheiro que é roubado, descaradamente, todos os meses, para alimentar o círculo vicioso de uma austeridade imposta, devido a uma crise FABRICADA externamente? Qual dinheiro dos outros, quando cresce a pobreza e se multiplicam os milionários? 


O Dr. Nuno Magalhães tinha apenas dois anos quando se deu o 25 de Abril. Não sabe nada sobre os 48 anos de ditadura feroz, sobre a estúpida guerra colonial, sobre o analfabetismo e sobre a ausência de direitos. Não sabe nada sobre as significativas bolsas de pobreza que, hoje, se alastram por todo o país e que têm conduzido a uma emigração semelhante àquela que se verificou há 50 anos. E o mais triste do seu discurso, é que ele foi eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, zona do país desde há muito martirizada pela fome. O Deputado parece seguir a lógica política que defende o princípio que determina: primeiro, há que alimentar os tubarões para, depois, os pobres possam ter alguma coisa que vá caindo do faustoso banquete dos senhorios! Não é esse o meu caminho.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O PS-MADEIRA QUEBROU O SILÊNCIO


O PS-Madeira quebrou o silêncio. Ontem, a propósito das próximas eleições legislativas, o líder regional foi claro ao afirmar que "todos sabem que os socialistas na República vão ganhar as eleições legislativas nacionais e é importante que os socialistas, na Madeira, ganhem as eleições regionais para haver uma articulação e consonância com o Governo do PS a nível nacional". Isto quer dizer, não sei se definitivamente, que a proposta do CDS-PP, no sentido do PS-M disponibilizar-se para uma ronda de contactos visando uma coligação de base ABRANGENTE, não tem pernas para andar. Repito, para já. Decisão infeliz e porquê? Simplesmente porque a hora não é de amuos, de ressentimentos do tipo, nas autárquicas não quiseram, agora é que sentem essa necessidade (?), a hora não é de egoísmos saloios, a hora não é de gestão de interesses partidários baseados na distribuição de lugares políticos e a hora não se compadece com pessoas que não conseguem olhar-se ao espelho. A hora é de conjugação de esforços no sentido da promoção dos encontros possíveis que promovam uma saída do buraco no qual a Região mergulhou. Fechar-se entre os poucos de um partido, militantes e simpatizantes, significa a entrega de bandeja do poder a um dos seis ou mais candidatos do PSD, autores de um passado que está a custar os olhos da cara a milhares de madeirenses e portosantenses. Fechar-se em torno de decisões de meia-dúzia, significará abrir a porta, aos mesmos de sempre, agora travestidos de democratas, para continuarem com as suas políticas tresloucadas de espezinhamento. Esses, por mais que falem e digam coisas que fazem sentido, (repetidas ao longo de anos pela oposição) a verdade é que apenas actuarão nas margens, para que possam manter intocáveis os seus interesses e as pressões vindas dos grupos amigos de longa data.


É por isso que a posição do PS-Madeira é ininteligível. A não ser que, por detrás da cortina, ande a trabalhar para um governo do bloco central (PSD/PS). O PSD sabe que a sua popularidade cai vertiginosamente e o CDS também reconhece que o resultado de 2011 foi inesperado e muito dificilmente repetível. A conjuntura nacional fá-los-á cair para uma posição muito desconfortável. Perante esta leitura, é possível que o PS, beneficie da onda nacional e possa registar uma considerável subida nas intenções de voto, embora não me pareça crível que supere o PSD. E neste contexto, a governabilidade ficará mais dependente de uma coligação pós-eleitoral entre o PSD e o PS do que entre o PSD e o CDS. São meras conjecturas minhas, eu sei, mas possíveis através da interpretação dos silêncios e das ânsias de poder a qualquer preço.
Se partirmos desta hipótese de coligação que repudio totalmente, parece-me lógico que não sendo o momento propício a jogadas de bastidores (existem, pois, com certeza que sim!), a proposta do CDS faz todo o sentido quando em causa está um acordo de base ABRANGENTE. Ao contrário da posição do PS-M ontem transmitida à população, todos deveriam ser convocados para um governo que eu designaria de salvação regional. E assim sendo, não percebo de que está o PS à espera, quando o CDS/PP jánantecipou para Dezembro o seu Congresso, de modo a legitimar posições políticas que se jogarão nos próximos tempos!
NOTA
Há mais de cinco anos, a 23 de Maio de 2009, aqui escrevi um texto que falou da prioridade de UM GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL. Um governo onde prevalecesse a conjugação partidária, aberto à sociedade, mas não de entrega àqueles que nunca deram um passo nem emprestaram a sua voz à necessária mudança. Com os que se refugiaram, que se negaram a trabalhar para que o descalabro não acontecesse, todos os madeirenses e portosantenses passam bem!  Deixo aqui o essencial do citado documento que, lamentavelmente, continua actual. Passaram-se, entretanto, cinco anos.

UM GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL


"Basta que tenhamos presente que o espaço geográfico da Madeira é limitadíssimo. Não permite, pois, numa lógica de novas grandes obras, continuados investimentos que absorvam a mão-de-obra que está desempregada. (...) O problema, portanto, não está, do meu ponto de vista, na insistência na obra de natureza pública, porque essa é tendencialmente finita face às limitações espaciais da Região. O que se torna necessário é alterar o paradigma em que assenta a nossa economia. E nesse quadro levamos um atraso de muitos anos, simplesmente porque o sistema educativo regional falhou totalmente, não inovou, não gerou mentalidades e competências para um mundo que não se confina à lógica da argamassa e do funcionário público (esse tempo há muito que acabou), porque esbanjaram muitos milhões em obras e em injustificáveis apoios sem retorno nem económico, nem social, nem cultural, porque falharam na cultura de exigência e de qualidade, porque viveram para dentro e não olharam para além do horizonte visual, porque não criaram equilíbrios entre a oferta e a procura, porque destruíram os sectores produtivos e apostaram, apenas na monocultura do turismo e porque deixaram milhares entrarem no ciclo vicioso da pobreza e da exclusão social. Quando aqui se chega e quando o objectivo continua a ser o de ganhar eleições e não o de desenvolver um povo inteiro, sinceramente, começo a recear pelos próximos anos ou décadas.
Caminhamos para a necessidade de um "governo de salvação regional". Com cofres lisos, montanhas de facturas por pagar, empresários aflitos, desemprego a crescer, uma população maioritariamente sem capacidade para reagir, pergunto, como pensam resolver este quadro? (...)"
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O MOMENTO NÃO É DE EGOÍSMOS PATÉTICOS


Estranho a posição do PS-Madeira relativamente ao convite do CDS-PP, o qual consubstancia a ideia dos dois partidos poderem ser o centro de uma coligação abrangente. Alguém foi logo buscar ao armário historietas passadas para justificar o adiamento de um claro sim ao início das conversações. Podia, até, as vozes vindas da sede socialista, após manifestar interesse, referir que esse acordo já poderia ter sido implementado, por exemplo, nas autárquicas, como um "recadinho" político. Porém, agarrar-se ao passado, neste momento não conduz a sítio algum. A política funciona, também, como a arte da solução do aqui e agora. Não se compadece de histórias ou de incompreensões passadas, porque os eleitores não as percepcionam. Eles querem contributos sérios e viáveis para a solução dos seus problemas para que possam depositar o voto de confiança. É evidente que percebo, politicamente, esta atitude de fazer retardar as negociações. O PS sempre foi o maior partido da oposição, enquanto o CDS, só nas últimas legislativas regionais, por força da queda do PS na República, obteve mais mandatos do que os socialistas da Madeira. Situação que, muito naturalmente, coloca os partidos, mormente o PS-Madeira, numa posição defensiva quanto à "liderança" do processo. Só que este aspecto, em minha opinião, é de menor importância e de entendimento fácil quando o que está em causa é o monstro criado pelo jardinismo e que arrasou a Madeira condenando-a à hipoteca da Autonomia por muitos anos.


Portanto, só existe uma saída possível: a do entendimento, deixando de lado alguns olhares enviesados ou desconfianças que de todo não são favoráveis à Madeira. E o PS-Madeira, neste aspecto, tem responsabilidades acrescidas pelo seu peso na sociedade que elege os deputados. E mais. Erro foi aquele perpetrado em  S. Vicente, nas últimas autárquicas, quando decidiram oferecer todo o apoio a um grupo de "independentes", historicamente ligados ao PSD, sem ter cuidado da sua posição eleitoral no concelho. Entregaram, de bandeja, todas as posições do governo autárquico, quando se sabe que, tarde ou cedo, essas figuras retornarão ao PSD, ficando o PS desprovido de uma posição política forte no concelho. Aqui, o problema é outro, não é autárquico, é de governação global da Região, depois de quase quarenta anos monocolores. Aqui, rapidamente, devem os partidos sentar-se à mesa, gerar as possibilidades de uma coligação o mais abrangente possível que acabe com este jardinismo absolutamente doentio e que levou a Madeira à bancarrota. O momento é de bom senso, de busca de uma figura consensual, de uma equipa de qualidade e de um programa que vá ao encontro de uma Madeira próspera. O momento não é de egoísmos patéticos, de fechar-se na sua capelinha ignorando o que o povo exige. 
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

UM MOMENTO HISTÓRICO


Regresso ao assunto: os madeirenses e porto-santenses estão a atravessar um momento histórico depois de 38 anos de governo de um só partido. Ou aproveitam esta oportunidade ou correm o sério risco de terem pela frente mais uns anos de "laranja amarga". Os mesmos que sob a batuta do "chefe" conduziram o processo, vergando-se e deleitando-se com as vitórias e os lugares políticos, são os mesmos que hoje se colocam ao fresco como não tendo nada a ver com o produto da sua sementeira. No essencial dizem agora aquilo que a generalidade da oposição andou a dizer durante tantos anos. Não acrescentam rigorosamente nada ao pensamento político de crescimento e desenvolvimento da Madeira, naquilo que é estrutural, como evidenciam a realidade sentida, desde sempre, sobre a forma como o seu partido sempre funcionou e estabeleceu os laços com o povo da região. E se quanto à primeira parte os partidos têm sido muito claros, já quanto à segunda não deixa de ser interessante, por uma necessidade de poder, aquilo que agora enaltecem.   

Inteligência política, precisa-se!
A população dispensa todos aqueles
que gerem espaços de interesse pessoal. 

Sobre as maroscas que se diz andarem por detrás da cortina, entre os protagonistas Jardim e Jaime, a "novela" continuou hoje, no DN-Madeira, com mais umas cenas que prometem interessantes capítulos lá para o final de Outono. 
Sérgio Marques - "Cúpula instalada quer perpetuar-se no poder".
Miguel Albuquerque - “O PSD pode implodir e até desaparecer” (...) A ser verdade o que diz a notícia, achamos que se está a brincar com coisas sérias (...)”.
Miguel de Sousa - O povo não está para aturar mais abusos" (...) “Estão a brincar com o fogo. (...) O povo não está para aturar mais abusos” (...) “Jaime Ramos fez do PSD um partido que enjeita a democracia, usa métodos que não são transparentes e ferem a verdade da democracia interna”.
Esta é a realidade. A realidade do conflito interno que tem muitos significados e que não ficará por aqui. Após as eleições prevejo que seja pior. Sem querer fazer futurologia, parece-me óbvio que João Jardim não aceitará ficar a governar a Região com um líder partidário que lhe é politicamente hostil e, no plano das relações pessoais, pouco agradável. E a contrária, relativamente a qualquer um dos outros é verdadeira, sobretudo porque existem promessas para cumprir, mesmo em final de mandato. A situação é claramente explosiva. As relações internas, sobre as quais apenas se conhece missa-metade, estou em crer que tornarão insuportáveis as relações do novo líder (haverá?) com a Assembleia, com o Governo, ou com os dois, o que determinará o colapso da estrutura. Resta saber o que fará a dupla Jardim/Jaime face aos muitos interesses que estão em jogo, sobretudo externos.
No meio desta confusão de fim de ciclo, a questão é determinar como é que a oposição está organizada no sentido de oferecer aos madeirenses, por antecipação, uma alternativa credível. O DN-Madeira deu um primeiro passo ao despoletar um inquérito online: "Deve haver eleições no PS-M após a escolha do líder nacional do partido?" Às 12 horas desta Quinta-feira, 60% tinham votado que sim, 27% que não e 13% "só se o António Costa ganhar" as primárias que decorrem ao nível nacional.
Ora bem, esta "sondagem" constituiu apenas um indicador. Não mais do que isso. Mas é um indicador. E pelos meus contactos, é convicção minha que uma sondagem, com todo o rigor científico, não se afastará daqueles indicadores. O PS pode, então, estar a construir a sua própria derrota. Que lamento. É evidente que desconheço as eventuais negociações que possam estar a ser feitas com outros partidos. Pelas informações que me chegam, o CDS-PP não parece interessado desde que o PS-M mantenha o líder que preside aos seus destinos. E esse é um outro indicador que me leva a prognosticar que nada de bom vem a caminho. Dos outros partidos pouco ou nada se sabe, para além do facto do CDS/PP ser um pretendente natural do PSD-M no que diz respeito à repartição do poder. O namoro existe. Preocupante. E assim, no essencial, a pergunta que fica talvez seja esta: na possibilidade de haver eleições legislativas regionais em Março e não em Outubro, encontrando-se o PSD-M em estilhaços depois de 38 anos de liderança consecutiva, na presença de sondagens e de indicadores que não são favoráveis, face à negativa imagem que o PSD/CDS têm no governo da República com influência directa na Região, que silenciosas manobras políticas se escondem que conduzem a que o PS-Madeira, partido fulcral no futuro da Região, não se mexa no sentido da construção de uma alternativa? Gostaria de conhecer a resposta.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A PROPOSTA DE MÉNAGE DO PSD-MADEIRA


No plano meramente teórico, dificilmente o CDS/PP consentirá um "namoro" (político) com quem, desde sempre, foi tido como um parceiro rasca, ligado aos interesses da "Madeira-Velha", aos senhorios, aos colonos, aos ingleses e à Maçonaria, entre muitas outras e gravíssimas ofensas no plano individual dos seus dirigentes. Seria contranatura um casamento precedido de namoro parlamentar, uma clara falta de respeito por si próprio e um pontapé naquilo que diz ser o seu posicionamento filiado na doutrina social da Igreja. Juntar os trapinhos e entregar-se nos braços de quem faliu a Madeira, gerou desemprego e pobreza, parece-me arrepiante quanto à dignidade política. Mas, na política tudo é possível, pelas forças que se movem e pelas promessas "sinceras" de um "amor eterno" até que a "morte os separe".

Uma AUTONOMIA
que precisa de uma operação mamária!


É evidente que o CDS/PP está entre a espada e a parede. Daí, na óptica do seu líder, José Manuel Rodrigues, a proposta de uma ménage (moradia a três no significado original) porque "a sociedade madeirense está poluída por um ambiente de conflitualidade, radicalismo e agressividade trazido por agentes políticos" e, por isso, essa necessidade de um "ménage à trois", "inadiável" entre o seu partido, o PSD e PS na Madeira para ultrapassar a situação. 
Apesar das palavras de circunstância ditas boca fora, parece-me óbvio que José Manuel Rodrigues não está para aí voltado, por um lado, porque sabe que isso significaria trazer a raposa para dentro do galinheiro e, por outro, a população não veria com bons olhos uma vida de concubinato entre entes que se rejeitam, se ofendem e com longos anos de injúrias e difamações. Repito, alianças dessa natureza são contranaturas e espúrias. Digamos que José Manuel Rodrigues teve de fazer aquele número político, por duas razões: uma, eleitoralista, pois fica sempre bem falar de qualquer coisa que, pressupostamente, revele desprendimento, interesse pela Madeira e que o povo entenda; segundo, por razões de proximidade à coligação nacional. Ainda hoje, sem surpresa, José Manuel Rodrigues reconheceu que "Portugal precisa de uma profunda revisão da sua Constituição" porque a lei fundamental está "desadequada" e porque constitui um entrave à política do Governo da República. O meu Amigo de longa data José Manuel Rodrigues pareceu-me aquele "padre" de aldeia que dizia: "em verdade vos digo que não acredito no que digo". José Manuel Rodrigues disse e, certamente, bebeu água de seguida. Porque ele, inteligente que é, sabe que não é a Constituição que está em causa, mas quem não soube e não sabe governar. Sempre que o árbitro de futebol erra, e isso acontece tantas vezes, não vamos alterar as regras do jogo! José Manuel Rodrigues sabe que assim é e, portanto, quis passar a mão na coligação nacional e dar uma "esperança" ao pedido de namoro do PSD-M que, todos sabemos, vocifera contra a Constituição. 
Extraordinária foi, entretanto, a posição do Deputado Tranquada Gomes (PSD), depois de mil uma alterações ao Regimento da Assembleia, todas ou quase todas com a sua assinatura e sempre no sentido de coarctar a intervenção dos partidos da oposição, venha agora reconhecer que "hoje não basta um partido maioritário para resolver os problemas da Região" porque necessário se torna "um amplo consenso entre os partidos que podem ser alternativa". Isto é, andou anos a fio a "violar" (os textos, claro), a maltratar, por via disso, o debate político e agora, faz aquela declaração de amor, quase dizendo, queridos, eu passei um tempo conturbado, eu fazia sem saber porque fazia, perdoem-me, eu juro fidelidade! Eu estou num grupo onde fazemos terapia, estamos a exorcizar os nossos demónios, creiam que estamos a caminho da cura. Espantoso!
Para mim a situação é muito clara. Espero que o CDS/PP que diz ter "ideias claras" consiga perceber: primeiro, que uma coligação com o PSD-M, a probabilidade é de ambos se afundarem, porque se trata de uma reedição de uma coligação continental face à qual os madeirenses abobinam; segundo, quem foi e é o fulcro do problema, não pode ser elemento da solução; terceiro, que existem outras possibilidades, mais ou menos alargadas, que a humildade política, desde que prevaleça, poderá garantir futuro à Madeira. Finalmente, no que concerne ao PS-Madeira, enquanto partido fundamental, urge uma clarificação interna, devidamente estudada e que não afugente possíveis interessados em acabar com o jardinismo. 

Ilustração: Google Imagens.

sábado, 14 de dezembro de 2013

O CDS QUER A RAPOSA DENTRO DA CAPOEIRA


A questão é outra e designa-se, na minha opinião, por rompimento total com o modelo criado que gerou um monstro indomável. A solução não está em fazer uma "feijoada a três" porque, tendencialmente, de bons odores não será! A receita do PSD está escarrapachada na sua práxis política de muitos anos, na forma como tratou todos os outros partidos da oposição, nos chumbos a todas as propostas legislativas fundamentais e comissões de inquérito, na ocultação da dívida, nas ofensas feitas a todos os líderes da oposição (ou o líder do CDS/PP já se esqueceu das atitudes contra a sua pessoa?), na histórica arrogância e impreparação para viver em democracia, portanto, do PSD nada há a esperar, nem deste grupo que o lidera há quase quarenta anos, nem dessas figuras que se perfilam, uma vez que todos leram a mesma cartilha e todos andaram na mesma escola política. Até alguns que eram oposição lá se acoitaram. Os princípios e os valores são os mesmos, embora pintados de fresco! Por isso, perguntar-se-á, como é possível o CDS/PP pretender acordos com aqueles que nos trouxeram à desgraça, portanto, a toda aquela caracterização que o partido fez? Do meu ponto de vista, sem conhecer outros meandros que a política muitas vezes esconde dos eleitores, eu diria que se trata de uma proposta só possível no Natal, com o Pai Natal de permeio ou, então, salvo as devidas proporções e âmbitos, um toque de Mandela, o Homem do eterno perdão, na semana em que partiu.



Ininteligível a proposta do CDS/PP da Madeira de querer juntar à mesma mesa o PSD e o PS para um compromisso de resgate e aprofundamento da Autonomia, flexibilização do Plano de Ajustamento Financeiro, defesa de um novo quadro de relacionamento entre a Região e o Estado, no sentido de assegurar o cumprimento do princípio da continuidade territorial, e dos direitos fundamentais dos portugueses das ilhas e reestruturação da dívida regional com o apoio da República - sustentou o líder do CDS/PP José Manuel Rodrigues. O tal estúpido "arco da governação" que ainda anteontem aqui escrevi. Isto é o que se chama querer abrir a porta à raposa para que se instale dentro da capoeira. Desconheço se esta proposta configura um isco, porventura se traz alguma outra preocupação ou objectivo não denunciado. Não sei, mas pressuponho que exista, porque não faz sentido, mesmo num quadro de proximidade política ao PSD-M, juntar estruturas de pensamento político que uma história de quase quarenta anos nos diz ser de impossível conciliação. 
Que a situação da Madeira é "insustentável", que "exige a máxima responsabilidade", que o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro está "a deixar em agonia a economia regional e a sociedade madeirense" e que "a Região permanecerá sem sustentabilidade nas finanças públicas", bom, tudo isso é verdade e há que anos é denunciado de forma clara e inequívoca, sobretudo pelo deputado Carlos Pereira do PS-Madeira. Foi ele, a partir de 2007, quando ninguém sequer estimava a dívida, através dos seus estudos, concluiu e apontou para um dívida entre os 5.5 e 6.5 mil milhões. Foi criticado, eu diria, bombardeado, mas a verdade veio pouco tempo depois. Portanto, não existe qualquer novidade naquela caracterização. 
Ora, assim sendo, a questão é outra e designa-se, na minha opinião, por rompimento total com o modelo criado que gerou um monstro indomável. A solução não está em fazer uma "feijoada a três" porque, tendencialmente, de bons odores não será! A receita do PSD está escarrapachada na sua práxis política de muitos anos, na forma como tratou todos os outros partidos da oposição, nos chumbos a todas as propostas legislativas fundamentais e comissões de inquérito, na ocultação da dívida, nas ofensas feitas a todos os líderes da oposição (ou o líder do CDS/PP já se esqueceu das atitudes contra a sua pessoa?), na histórica arrogância e impreparação para viver em democracia, portanto, do PSD nada há a esperar, nem deste grupo que o lidera há quase quarenta anos, nem dessas figuras que se perfilam, uma vez que todos leram a mesma cartilha e todos andaram na mesma escola política. Até alguns que eram oposição lá se acoitaram. Os princípios e os valores são os mesmos, embora pintados de fresco! Por isso, perguntar-se-á, como é possível o CDS/PP pretender acordos com aqueles que nos trouxeram à desgraça, portanto, a toda aquela caracterização que o partido fez? Do meu ponto de vista, sem conhecer outros meandros que a política muitas vezes esconde dos eleitores, eu diria que se trata de uma proposta só possível no Natal, com o Pai Natal de permeio ou, então, salvo as devidas proporções e âmbitos, um toque de Mandela, o Homem do eterno perdão, na semana em que partiu.
Meu Caro José Manuel Rodrigues, a questão da Madeira é, de facto, muito complexa. Os eleitores disseram, em Setembro, que não querem o PSD por perto. De uma assentada lá foram sete municípios. Isto pode significar que o Povo está farto não apenas de um homem, mas de uma política. E sendo este um facto, embora as legislativas tenham um outro enquadramento, pressuponho que essa tendência irá continuar como forma de libertação de um baile pesado e de uma música que já não há paciência para ouvi-la. Pense nisso, Amigo José Manuel Rodrigues.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ARREPIOU-ME... PCP AO LADO DO PSD E DO CDS CONTRA A "MUDANÇA"!


Que o PSD, de forma completamente vergonhosa e imbecil se comporte da maneira como o fez, não estranhei; estranhei, sim, que o PCP se tivesse "aliado" ao CDS e ao PSD contra a "Mudança". Do PSD ninguém pode esperar outra coisa senão aquilo. Existe ali um azedume e uma má digestão da derrota, mesmo por parte de entes que, ainda há poucos anos, me diziam que isto (governo da Madeira) só se resolvia com "luta armada". Mas, enfim, cada um escolhe o caminho que lhe interessa e nada tenho a ver com isso. Apenas lamento os comportamentos políticos. Não deixa de ser muito grave e vergonhoso que os vereadores, na reunião de Câmara, tivessem votado a favor da manutenção dos 5% e, depois, votado contra na Assembleia Municipal. Politicamente, é INQUALIFICÁVEL e, por mim, estão definidos. Da mesma forma um outro vogal municipal, agora, do CDS/PP, ex-militante do Partido Socialista, autor da proposta de fazer baixar 1% do IRS no Funchal. Ele não se insurgiu contra o agravamento fiscal em sede do IRS, que todos os madeirenses estão a sofrer através da dupla austeridade, pelos erros cometidos pelo governo liderado por Alberto João Jardim, apenas fechou os olhos e, como se uma oposição responsável por aí devesse caminhar, zás, toma lá esta, porque só estão em causa um milhão por ano. Continue assim, porque vai no bom caminho da total descredibilização pessoal e política.



Já aqui referi, mas volto a assumir: tenho, de longa data, uma enorme consideração pelo trabalho político do PCP na Madeira. Tal como tenho pelo Bloco de Esquerda e todos quantos lutam por uma sociedade melhor. Mas o que aqui me traz é o PCP. Considero a sua luta persistente junto das pessoas, calcorreando sítios onde as margens são esquecidas e considero a sua luta pela correcção das injustiças sociais através da fiscalização dos actos políticos. Até aí, nota máxima, muitas vezes não compreendida pelo povo. Porém, há quadros que me deixam absolutamente desconcertado. Nos últimos meses aconteceram várias situações. Aceito que não tivessem querido participar na Coligação "MUDANÇA". Pessoalmente considerei e considero um erro, mas respeito a opção política, até porque não domino o processo que conduziu a tal decisão. Depois de eleitos, sinceramente, não esperava as atitudes que têm vindo a ser assumidas. Parece que a "Mudança" é o PSD no governo camarário, onde tudo há que fazer para os combater. Fiquei estupefacto, como é possível, numa Câmara com preocupações sociais, impedir uma receita de cerca de um milhão de euros através do IRS! Ainda por cima quando a autarquia tem mais de cem milhões em dívidas. Obviamente que o ideal seria que a Câmara devolvesse não 1% mas os 5% aos munícipes do concelho do Funchal. Julgo até que, na génese, esse foi o princípio que orientou a possibilidade de devolução aos municípios até àquela percentagem máxima. Só que a degradação das contas, no caso concreto da Câmara do Funchal, torna inviável tal preocupação, não apenas pelas responsabilidades financeiras imediatas, mas também pelas preocupações sociais que desde o primeiro momento o novo Executivo tem evidenciado. Que o PSD, de forma completamente vergonhosa e imbecil se comporte da maneira como o fez, não estranhei; estranhei, sim, que o PCP se tivesse "aliado" ao CDS e ao PSD contra a "Mudança". 
Do PSD ninguém pode esperar outra coisa senão aquilo. Existe ali um azedume e uma má digestão da derrota, mesmo por parte de entes que, ainda há poucos anos, me diziam que isto (governo da Madeira) só se resolvia com "luta armada". Mas, enfim, cada um escolhe o caminho que lhe interessa e nada tenho a ver com isso. Apenas lamento os comportamentos políticos. Não deixa de ser muito grave e vergonhoso que os vereadores, na reunião de Câmara, tivessem votado a favor da manutenção dos 5% e, depois, votado contra na Assembleia Municipal. Politicamente, é INQUALIFICÁVEL e, por mim, estão definidos. Da mesma forma um outro vogal municipal, agora, do CDS/PP, ex-militante do Partido Socialista, autor da proposta de fazer baixar 1% do IRS no Funchal. Ele não se insurgiu contra o agravamento fiscal em sede do IRS, que todos os madeirenses estão a sofrer através da dupla austeridade, pelos erros cometidos pelo governo liderado por Alberto João Jardim, apenas fechou os olhos e, como se uma oposição responsável por aí devesse caminhar, zás, toma lá esta, porque só estão em causa um milhão por ano. Continue assim, porque vai no bom caminho da total descredibilização pessoal e política. 
Ora o PCP, desculpem-me as pessoas com quem tenho consideração e estima, parece-me que tem de mudar a agulha do combate político. Propor e fiscalizar os actos da Câmara com muito rigor é uma coisa; encostá-la à parede é outra. Os seis partidos que deram, humilde e democraticamente corpo à "MUDANÇA"  não são o PSD que lá  esteve durante 37 anos! Aos meus olhos e aos de tantos outros com quem cruzo informação, estão a fazer um favor ao PSD-M. A imagem que fica é essa, embora possa não ser verdade. Só falta agora, como no tempo do PSD, na reunião aberta aos munícipes, o PCP encher a sala de reuniões com dezenas de munícipes para combater o Executivo que, neste momento, apenas tem um mês de trabalho. Ora, estar ao lado do PSD e do CDS numa votação daquela importância, eu que norteio os meus princípios e valores sociais pela "Esquerda", senti uma incontida revolta. 
Há dias, o PSD criticou o Executivo liderado pelo Dr. Paulo Cafôfo pela diminuição da taxa do IMI, por poder vir a ter efeitos no equilíbrio financeiro do município. O Dr. Atouguia considerou "precipitado e pouco ponderado", a Câmara Municipal do Funchal decidir neste momento sobre a descida do IMI", ainda para mais "num contexto em que todas as principais receitas municipais têm vindo a diminuir". O PCP queria uma percentagem ainda maior na descida do IMI, isto é, por um lado, demonstra preocupações sociais, por outro limita a Câmara ao nível das receitas capazes de colmatarem os graves problemas que por aí andam. Agora, é com o IRS! E já anunciaram que desejam 70% do investimento inscrito no Orçamento de 2014 vise o atendimento aos dramas das zonas altas (DN-Madeira) e de outras de grande fragilidade social, quando a "Mudança" sempre anunciou uma percentagem do Orçamento destinada à participação das propostas dos cidadãos. E mais, tenham atenção, reordenar as zonas altas leva tantos anos ou mais quantos de democracia temos. E para isso  torna-se necessário muito, mas muito dinheiro. E sendo assim, afinal, pergunto, a "guerra" política do PCP é contra quem? Começo a ficar desiludido com algumas atitudes de algumas pessoas. Por aí perderão as batalhas e, naturalmente, a guerra.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

NÃO É CERCEANDO PODERES QUE MELHOR SE FISCALIZA. NEM É POR AÍ QUE O NOVO EXECUTIVO DA CÂMARA DO FUNCHAL DEIXARÁ DE CUMPRIR O SEU PROGRAMA.


O Dr. Bruno Pereira e o Engº João Rodrigues, num ápice, esqueceram-se daquilo que entenderam como fundamental na agilização dos procedimentos administrativos, quando tiveram responsabilidades executivas e, numa postura criticável, tentaram, por aí, estrangular o normal funcionamento da Câmara. Como se as novas dinâmicas políticas se esgotassem na delegação de poderes. De todo, não se esgotam. De qualquer forma ficou evidente a existência de um tom de ressabiamento político pela perda da Câmara na sequência do acto eleitoral. Uma espécie de vingançazinha a frio! Que lhes sairá caro, simplesmente porque o povo está atento e as notícias correm à velocidade da luz. Admito, obviamente que sim, que o corte com o passado viesse a impor uma nova reconfiguração na atribuição delegada de poderes. Caso concreto, a aprovação de projectos até 5.000 m2. O reajustamento era necessário por uma questão de transparência e até em defesa do próprio executivo. O que me causa espanto não é isso, é a disparidade entre as posições assumidas e impostas ontem, relativamente às de hoje. O problema reside aí, no comportamento, o que arrasta consigo um enorme significado político por parte de quem olha para a democracia de uma forma enviesada, segundo os interesses do momento e apenas com os olhos partidários do "chefe" que os abençoa! O tal que mandou fazer oposição feroz. Pergunto: e se tivessem tido uma nova maioria absoluta? Teria sido aquele o seu comportamento? Obviamente que não, teriam imposto as regras do passado, teriam feito valer a força do voto e nem o jardim de S. Luzia tinha sido retirado da esfera de responsabilidade da Câmara. O Dr. Bruno Pereira e o Engº João Rodrigues, pessoas com quem sempre mantive laços de cordialidade, desiludiram-me, não no plano político-partidário, mas como pessoas capazes de não entrarem nos espaços da porcaria que invade o exercício da politiquice regional.

Ao serviço do "chefe"

Afinal, senhores vereadores do CDS e do PCP, querem devolver o poder autárquico ao PSD-M?  Que história é essa da drástica limitação de poderes relativamente ao presidente da Câmara Municipal do Funchal? Apenas uma palavra: ininteligível! Que os vereadores do PSD façam "trinta por uma linha" para boicotar a acção da Câmara, penso que ninguém estaria à espera de outra coisa, embora daí resulte uma enorme falta de coerência com a atitude que sempre reivindicaram, agora o CDS e o PCP? 
A peça do jornalista Miguel Fernandes Luís, ontem publicada na edição do DN-Madeira, traduz essa falta de ombridade dos vereadores do PSD-M que, ainda há pouco tempo, lideravam os destinos da autarquia. O DIÁRIO destacou quatro exemplos:
1. Autorizar obras de empreitadas públicas. Paulo Cafôfo, até € 250.000,00; Amílcar Gonçalves (PSD), até  € 748.197,00.
2. Despesas com a locação e aquisição de bens e serviços: Paulo Cafôfo, até € 250.000,00; Pedro Calado, até € 748.197,00.
3. Adquirir ou alienar imóveis: Paulo Cafôfo, até € 242.500,00; Bruno Pereira, até € 343.280,00.
4. Aprovar projectos de construção: Paulo Cafôfo, até 2.000 m2; João Rodrigues, até 5.000 m2. 
O Dr. Bruno Pereira e o Engº João Rodrigues, sobretudo estes, num ápice, esqueceram-se daquilo que entenderam como fundamental na agilização dos procedimentos administrativos, quando tiveram responsabilidades executivas e, numa postura criticável, tentaram, por aí, estrangular o normal funcionamento da Câmara. Como se as novas dinâmicas políticas se esgotassem na delegação de poderes! De todo não se esgotam. Ficou evidente a existência de um tom de ressabiamento político pela perda da Câmara na sequência do acto eleitoral. Uma espécie de vingançazinha a frio! Que lhes sairá caro, simplesmente porque o povo está atento e as notícias correm à velocidade da luz. Admito, obviamente que sim, que o corte com o passado viesse a impor uma nova reconfiguração na atribuição delegada de poderes. Caso concreto, a aprovação de projectos até 5.000 m2. O reajustamento era, portanto, necessário por uma questão de transparência e até em defesa do próprio executivo. O que me causa espanto não é isso, é a disparidade entre as posições assumidas e impostas ontem, relativamente às de hoje. O problema reside aí, no comportamento, o que arrasta consigo um enorme significado político por parte de quem olha para a democracia de uma forma enviesada, segundo os interesses do momento e apenas com os olhos partidários do "chefe" que os abençoa! O tal que mandou fazer oposição feroz. Pergunto: e se tivessem tido uma nova maioria absoluta? Teria sido aquele o seu comportamento? Obviamente que não, teriam imposto as regras do passado, teriam feito valer a força do voto e nem o jardim de S. Luzia tinha sido retirado da esfera de responsabilidade da Câmara. O Dr. Bruno Pereira e o Engº João Rodrigues, pessoas com quem sempre mantive laços de cordialidade (e que desejo manter), desiludiram-me, não no plano político-partidário, mas como pessoas capazes de não entrarem nos espaços da porcaria que invade o exercício da politiquice regional.

Lamento, porque a afirmação da esquerda
não se constrói contra a MUDANÇA.
Mas que os eleitos do PSD se comportem daquela maneira não constitui motivo de estranheza. Pior, muito pior, é o comportamento daqueles que dizem ser oposição responsável. Pouco me interessam os argumentos deste ou daquele, pois o que fica para a história é o voto final. Aquela disparidade é significativa e pode conduzir a diversas leituras políticas. Até porque, com maior ou menor reajustamento na delegação de competências, a todo o momento, nas reuniões plenárias semanais, o executivo está sempre sob forte escrutínio por parte da maioria na oposição. A todo o momento podem questionar decisões, colocando-as em causa e divulgando-as para que os eleitores conheçam as suas posições e examinem o comportamento da Coligação Mudança. Até por aí podiam estar juntos numa oposição fiscalizadora dos actos, por extensão, importante para a cidade. 
Os eleitores já disseram que,
doravante, estão atentos e que não desejam
conluios, directos ou indirectos, com o passado.
 
O CDS e o PCP não foram eleitos pelo povo apenas para fazerem oposição, pura e dura, à Câmara presidida pelo Dr. Paulo Cafôfo. Foram eleitos para servirem a cidade ao mesmo tempo que têm um mandato para fiscalizarem o dia-a-dia dos vereadores com funções executivas. Daquela forma não cumprem esses desideratos. Demonstram mau perder, quando as atitudes não são devidamente esclarecidas. Se é esse o entendimento que têm da democracia, desculpem-me, eu vou ali e já volto. E falo disto com total desprendimento e em consonância com a atitude que assumi no passado enquanto vereador da oposição: nunca me preocupou a delegação de poderes, mas estive ou tentei estar sempre atento a tudo o que à Câmara dizia respeito. Votei muitas vezes contra decisões que me pareceram erradas, mas também votei a favor de outras que, devidamente analisadas, não colocavam em causa o crescimento e o desenvolvimento da cidade. Foi essa a postura de todas as equipas que integrei. As minhas posições, as da Drª Violante Saramago Matos, do Dr. Gualberto Soares, do Dr. José António Cardoso, do Engº Arlindo Oliveira, do Engº João Londral, entre outras figuras, estão em acta, devidamente fundamentadas. Dessas posições demos conhecimento público através de comunicados e de conferências de imprensa. Portanto, considero de mau gosto, nesta hora de consolidação da democracia na Madeira, que alguns se entretenham a fazer oposição àqueles que foram oposição até ao dia 29 de Setembro. Podem dizer o que disserem, mas não tem sentido esta forma de estar na política. E, finalmente, não é cerceando poderes que melhor se fiscaliza. Nem é por aí que o novo executivo deixará de cumprir o seu programa. De qualquer forma, sublinho, estão no seu legítimo direito de assim procederem.
Ilustração: Google imagens.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

UMA CARTA QUE FOI UM TIRO CONTRA O CDS-PP


Não sei se se trata de uma relação de causa-efeito, mas a carta do leitor ontem publicada no DN-Madeira, pelo Dr. Ricardo Vieira (ex-lider do CDS local) pareceu-me uma deliberada resposta à posição do Dr. Cabral Fernandes (ex-líder do CDS local). O Dr. Cabral Fernandes entendeu dizer, publicamente, que não apreciava a posição do seu partido, porque o essencial destas eleições autárquicas, para além da capacidade dos candidatos, obviamente, é tentar acabar com 37 anos de jardinismo. E transmitiu a ideia que o CDS-M não tinha percebido essa dimensão ao afastar-se da coligação pela "Mudança". Por isso mesmo, porque está em causa um regime velho, caduco e que se mostrou destruidor dos equilíbrios que a Região deveria ter (basta olhar para os indicadores e para a dupla austeridade) votará na "Mudança". Do meu ponto de vista, tem toda a razão. A sua decisão coloca em evidência a sua inteligência política que se apresenta muito para além dos interesses meramente partidários. O Dr. Ricardo Vieira, pelo contrário veio falar de "contra-senso", denunciando que se arrepia quando pensa numa "coligação onde se deitam na mesma cama inimigos viscerais". E diz mais, o que para mim é espantoso: "o aliciamento de derrubar o que resta do partido maioritário não é razão suficiente nem necessária para deitar fora memórias e valores!". E aqui questiono, politicamente, o Dr. Ricardo Vieira, mas quais memórias e quais valores? Esquece-se das ofensas feitas contra a sua pessoa? Já não digo contra o seu partido, mas contra a sua pessoa? Esquece-se das ofensas relativamente ao seu Pai? Esquece-se da dívida pública de mais de 6.3 mil milhões de euros (fora as PPP) e o que ela significa de sofrimento para todos os madeirenses e portosantenses? Esquece-se do caudal de ameaças, perseguições, ofensas, insultos e prateleiras, ao longo de tantos anos, contra tantas pessoas de reconhecido mérito da nossa sociedade? Esquece-se o Dr. Ricardo Vieira do que está a acontecer a quase todo o tecido empresarial? Mas se, eventualmente, está a referir-se às "memórias e valores" do seu partido político, ainda assim questiono, então, que razões substantivas levaram a coligar-se com o PS-M naquele ano autárquico de 1989? Ano que, por pouco, essa coligação não ganhou? E em 2001? Pela proximidade ideológica, certamente que não foi!

Desejará o Dr. Ricardo Vieira
continuar a assistir a actos como este,
o de rasgar o DN por não lhe ser subserviente?

Depois, com toda a sinceridade, considero que constitui uma ofensa aos membros da Coligação "Mudança", pessoas oriundas da sociedade, a esmagadora maioria sem passado político e partidariamente activo, falar de um "albergue espanhol" do qual emerge, segundo referiu, a confissão da "incapacidade para, por si sós, lá chegarem". Trata-se de um deslize da sua parte porque, creia, que não é, Dr. Ricardo Vieira, nem uma coisa nem outra. O Dr. Ricardo Vieira sabe, mas tenta esquecer, a monstruosa teia de interesses, controlos e de medos gerados na Madeira que têm cristalizado qualquer hipótese de crescimento de uma alternativa. Portanto, essas pessoas merecem respeito pois não pertencem nem integram um albergue nem são incapazes. Pelo contrário, são pessoas de valor, desprendidas, experientes e que interpretam a política como um serviço público à comunidade. Não estão ali por carreirismo, porque é capaz de dar jeito às suas vidas pessoais e profissionais. Basta olhar e identificar que todos têm a sua profissão e sucesso familiar e profissional. E sendo assim, o que o Dr. Ricardo Vieira deveria aplaudir é o facto de seis partidos terem aberto as suas portas à sociedade, conjugando os pontos comuns e ultrapassando as naturais diferenças. Esse é o grande exemplo de abertura e de cidadania que marcará estas eleições. Vergar-se, Dr. Ricardo Vieira, NUNCA. Se a coligação não sair vitoriosa todos eles regressarão às suas vidas profissionais de onde, aliás, nunca saíram. 
Por fim, espero que PSD e CDS "não se deitem na mesma cama"!
Tenho pelas duas figuras aqui referidas, o Dr. Cabral Fernandes e o Dr. Ricardo Vieira, a maior consideração e estima pessoal, mas não poderia deixar de dizer, pública e democraticamente, a minha discordância pela "carta do leitor" escrita pelo Dr. Ricardo Vieira.