terça-feira, 31 de janeiro de 2017

EM 2017, DOIS CENTENÁRIOS "MUTUAMENTE EXPLOSIVOS"?

Um texto do Padre Martins Júnior, publicado no passado Domingo, no seu blogue Senso&Consenso
Porque hoje é Domingo…
E por sê-lo, o corpo repousa e a mente voa. Livre como um pássaro e desarvorado como o vento, o espírito chega até onde não nos permitem os dias comuns. Por isso não tem mapa de voo, nem sequer heliporto terminal. E aí é que surgem as surpresas mais estranhas, não pensadas, quase esotéricas, saltitando nos lagos imprevistos do pensamento-viajante de fim de semana. Umas vezes, com lampejos inspiradores, outras sem nexo aparente, mas sempre com um que nos interpela e nos persegue.
Foi o que me sucedeu precisamente. Imaginem para onde me levou hoje la folle de la maison (a louca da casa) como ironicamente definia Montaigne a nossa mente?... Fez-me atravessar dez décadas e deixou-me no pico alto do ano 1917. Abriu o livro de memórias e mostrou-me duas paisagens, dois retratos, dois hemisférios radicalmente opostos, qual deles mais contrastante que o outro. E ambos enraizados na encosta do mesmo mês: Outubro de 1917. Um deles, cercado de luz, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, uma azinheira rústica, repousante. O outro, um estouro retumbante, um murro no trono, uma foice e um martelo, uma revolução. “Malhas que o Império tece”…
Já notastes, decerto, que me refiro a dois acontecimentos, plantados ao mesmo tempo, mas de crescimento e frutificação tão diversos! Ocorria o mês de Outubro de 1917. Na Rússia, consumava-se a revolução bolchevique, inspirada no marxismo-leninismo. Em Portugal, na Cova da Iria, dava-se o “milagre do sol”, consumando-se as aparições da Virgem, que passou a chamar-se “de Fátima”.
Este foi o texto linear que a mente, la folle de la maison, me deu a ler no voo sem rumo deste Domingo. Declaro desde já que hoje não tenciono perorar, nem sequer filosofar, sobre tão escaldante dialéctica. Garanto-me, porém, a mim próprio, que farei o maior esforço de hermenêutica para decifrar o enigma da concomitância destes dois pilares históricos que marcaram um século da história e mexeram com as estruturas pensamentais, económicas, culturais e sociais do mundo todo, a partir do continente europeu. É da mais elementar filosofia o conhecido axioma de que “os extremos tocam-se”. Monitorizar as linhas de intersecção onde os dois casos se tocam e se repelem – eis uma tese que se impõe a todo aquele que procura a sabedoria, mesmo que não se assuma como analista arguto dos fenómenos histórico-sociais. Em que medida Rússia e Fátima serviram mutuamente de arma agressora ou de alavanca colaboracionista no seu desenvolvimento, ao longo de cem anos? 
É curioso notar o afã com que os promotores ou propagandistas de um e outro factos se esmeram em programar a secular efeméride, cujo depósito têm à sua guarda. “Pela aragem, conhecer-se-á quem vai na carruagem”, significando este aforismo, no caso vertente, que pelos cerimoniais, pelos discursos, pela opulência (ou não) dos protocolos, será possível detectar aspectos fundamentais que, das duas mensagens, só virtualmente visualizamos. Pela minha parte, guardo na reminiscência da infância, desde os bancos do seminário até aos inflamados sermões das igrejas, a palavra de ordem vigente de que “Nossa Senhora de Fátima veio a Portugal para acabar com a Rússia e que, por isso, era preciso rezar muito”. Desde então, pairou-se-me no subconsciente a ideia de que os dois casos estão ligados um ao outro.
Estas e outras incógnitas, cujos contornos se ramificam superabundantemente, farão parte dos meus projectos, não apenas nos voos de Domingo mas na serena e porfiada análise de cada dia. Seria bom ter alguém por companhia neste exigente percurso.
29.Jan.17
Martins Júnior

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PERDEU A VERGONHA DE VEZ




Como se suspeitava o problema dele não era mesmo a TSU. Era o salário mínimo, contra a subida do qual se opõe agora, e também às metas de subida que o Governo quer concretizar até 2019. (Ver a notícia aqui)
Até aqui andou a esconder e a dar a volta ao texto. Agora, perdeu a vergonha de vez. Antes assim, para que os portugueses saibam quem ele é e o chutem de uma vez por todas para o canto mais longe.
Sempre contra quem trabalha, talvez porque nunca trabalhou e não sabe o que é. Sempre contra os mais carentes porque sempre só soube viver a lamber as botas dos poderosos.
Este gabirú não passa de uma amiba que se julga um grilo falante. Nada diz porque a sua fala é a fala da desumanidade e do desprezo pelos outros. Um pequeno verme, perigoso, ainda assim.Enquanto este pulha não sair dos écrans das televisões e das capas dos jornais o país não estará nunca suficientemente limpo e higienizado. É preciso varrê-lo de vez. A ele a todos os que lhe dão espaço público e tempo de antena.
Só nesse dia poderemos respirar fundo sem receio de contaminação por germes letais e por aragens pouco salubres.
NOTA
Por Estátua de Sal, 29/01/2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

QUE PLANEAMENTO JUSTIFICA A EXISTÊNCIA DE TANTOS "PROJECTOS"?


A palavra "projecto" anda por aí, nas secretarias do governo, na boca dos representantes das muitas instituições, nas escolas, nas entrevistas na rádio, na televisão, nos jornais, por todo o lado, com uma frequência inusitada, o "projecto" virou moda. Ainda ontem escutei uma senhora, eu diria cheia de "projectos", ao ponto de ter dado um exemplo de um "projecto" que, na sua substância, deduzi tratar-se de uma metáfora, assenta mais ou menos nisto: um jovem cai, magoa-se, levanta-se e por aí adquire a experiência que a vida não é uma linha contínua. O "projecto" de que falou, no essencial, filia-se nessa preocupação de transmitir uma mensagem, digo eu, de características fúteis, pois sempre foi assim, mesmo quando não se falava de "projectos" tão amiudadas vezes. 


O problema, porém, que não vejo debatido e equacionado, situa-se a um outro nível,  o do planeamento e o da análise dos resultados. Em síntese, em que planeamento tais projectos se enquadram e qual o balanço no cruzamento de tantos "projectos", traduzido em estudos, números e verificação global das melhorias introduzidas e sentidas. Fico com o sentimento que tal proliferação de "projectos" situa-se mais nos impulsos individuais e dos serviços do que propriamente em consequência de um quadro geral e integrado, repito, geral e integrado, depois de um diagnóstico das situações, de uma visão de conjunto sobre os problemas, de uma detecção antecipada dos problemas, da necessidade de uma intervenção na causa dos problemas, na determinação das prioridades, integração das políticas sectoriais nas políticas globais, enfim, no quadro de um controlo sobre o futuro, tal como escreveu Henry Mintzberg (in Teoria Geral da Administração). Portanto, esta estrutura do pensamento vigente será que assenta nos princípios e nos factores do desenvolvimento que o planeamento deve considerar? Duvido. A percepção que me fica é que cada um anda a "trabalhar" na e para a sua capelinha, desde há muito e para justificar a existência de lugares, certamente animados de nobres preocupações, mas distantes de um quadro geral potenciador do desenvolvimento. E assim, com "projectos" para tudo, se gastam milhares de euros nas suas concretizações e milhares de horas inconsequentes. 
Em conclusão, não se deve falar de PROJECTO, enquanto corpo organizado de tarefas, quando esse corpo não assume uma característica integrada de resposta a um planeamento geral. Alguém conhecerá os desígnios do planeamento global da Região que justifique a existência de tantos e variados "projectos"? Ora, só se deve falar de PROJECTO quando existe uma combinação de tarefas e de recursos coordenados entre si, no espaço e no tempo, com vista a obtenção de um determinado objectivo. Esse objectivo pode ser sectorial, obviamente, mas nunca desligado do leque de princípios orientadores do que se pretende para o futuro. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

GATO POR COELHO


A concertação social não é uma central de interesses partidários. É um instrumento respeitado, útil e indispensável para a construção de políticas compatíveis com o interesse social.


Espernear e esbracejar costuma ser a melhor forma das crianças darem nas vistas, fazerem-se notar, na busca de conforto, carinho ou ajuda. Há por isso nesta dialéctica do PSD algo de pueril: fazer prova de vida parece ser o alfa e o ómega de tanta agitação.
Não vale, por isso, muito a pena discutir a essência da contradição de Passos: defendeu uma política de competitividade das empresas, assente no empobrecimento, através do corte de rendimentos do trabalho, e na redução da TSU. Foi sempre assim, tendo gerado, mesmo, alguns sobressaltos governativos. Este é o caminho preferido da direita, mesmo que pareça, agora, que dá o dito por não dito! É verdade que já nos habituámos às contradições do PSD, conforme lhes dá jeito, mas o caso em análise tem contornos mais delicados. Depois do diabo não ter aparecido, Passos decidiu encarnar o belzebu, cruzando os dedos para que essa entrada pudesse contrariar o que julgo ser, no pensamento passista, a estabilidade irritante da geringonça e, obviamente, do país.
Mas parece que teria sido melhor continuar à espera do diabo, porque o tiro pode sair pela culatra. Afrontar o diálogo social e colocar em causa o esforço de trabalhadores e patrões em torno da política de salário mínimo, e dos mecanismos de competitividade empresarial, não ataca a geringonça, é antes um haraquíri do líder do PSD. Afronta o seu eleitorado mais fiel e não fará com que o centro esquerda caia nos seus braços. A concertação social não é uma central de interesses partidários. É um instrumento respeitado, útil e indispensável para a construção de políticas compatíveis com o interesse social, onde sindicatos e associações patronais procuram pontos de equilíbrio, ajudando a promover a estabilidade do país e o crescimento económico.
Compreendemos melhor, agora, a gritaria do PSD sobre a decisão do Governo em aumentar o salário mínimo, mesmo que falhasse o acordo com trabalhadores e patrões. A estratégia era a mesma, mas com alvos diferentes: apostar no falhanço do diálogo social e puxar pela instabilidade por essa via. Nunca se importaram verdadeiramente com a obtenção de qualquer acordo. Sempre desejaram que as negociações falhassem e isso nada tinha que ver com o salário mínimo ou com a TSU. Era apenas oportunismo partidário puro e duro: seria o motivo que procuravam para agitarem a bandeira da instabilidade e das decisões contrárias à concertação social. O diabo, os reis magos, as agências de notação, a Comissão Europeia, a OCDE e a TSU fazem todos parte da mesma narrativa: de que este Governo, e este acordo parlamentar, provocam instabilidade e desconfiança.
Nunca como agora a estratégia foi tão obtusa. Há uma parte da concertação social que observa este comportamento de Passos como fogo amigo e, não tenho dúvidas, essa parte que participou genuinamente no diálogo social e que contribuiu para uma solução win-win, compreende melhor aqueles que sempre recusaram a redução da TSU, por princípio, do que os que a recusam, por oportunismo.

NOTA
Artigo de Carlos J. Pereira, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS e Presidente do PS-Madeira - 20 Jan 2017/Jornal Económico.
O autor escreve segundo a antiga ortografia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O DISCURSO DE DONALD TRUMP


A OPINIÃO DE




Berlim, Alemanha. Em 30 de Janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeava Adolf Hitler como chanceler.

Nós, os cidadãos desta nação, estamos agora juntos num grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a sua promessa para todo o nosso povo. Juntos, vamos determinar o rumo do país e do mundo para os muitos e muitos anos que aí vêem.
Vamos enfrentar desafios. Vamos confrontar-nos com dificuldades. Mas vamos fazer o que temos que fazer. Contudo, a cerimónia de hoje tem um significado especial. Pois hoje não estamos simplesmente a transferir o poder de um Governo para outro, ou de um partido para outro – estamos a transferir o poder da capital e a devolvê-lo para vocês, o povo.
Durante muito tempo, um pequeno grupo na capital do nosso país colheu as vantagens de governar, enquanto o povo pagou as custas.
A capital floresceu – mas o povo não partilhou dessa riqueza. Os políticos prosperaram – mas os empregos foram-se embora e as fábricas fecharam. O sistema protegeu-se a si próprio, mas não protegeu os cidadãos deste país.
As vitórias deles não foram as nossa vitórias, os seus triunfos não foram os nossos triunfos; e enquanto festejavam na capital, havia muito pouco para festejar nas famílias espalhadas pela nossa terra.
Tudo isso vai mudar – a começar aqui e agora, porque este momento é o vosso momento; pertence a vós. Pertence a todos os que se reuniram aqui hoje e a todos os que nos estão a ver em todo o país.
Este é o nosso dia. A nossa festa. Este país é o nosso país.
O que realmente interessa não é o partido que controla o Governo, mas sim se o Governo é controlado pelo povo.
30 de Janeiro de 1933 será lembrado como o dia em que o povo se tornou novamente o dono desta nação.
Os homens e mulheres do nosso país que foram esquecidos, não serão mais esquecidos.
Agora estamos todos a ouvir-vos.
Vocês vieram às dezenas de milhões para fazer parte dum movimento histórico como o mundo nunca viu.
No centro deste movimento há a convicção fundamental de que uma nação existe para servir os seus cidadãos.
Os cidadãos querem boas escolas para os seus filhos, bairros seguros para as suas famílias e trabalho para si próprios. São exigências justas e razoáveis de pessoas justas e dum público justo.
Mas para demasiados cidadãos existe uma realidade diferente; mães e filhos encurralados na pobreza das cidades degradadas; fábricas enferrujadas espalhadas como pedras lapidares pela paisagem do nosso país; um sistema de educação cheio de dinheiro mas que deixa os nossos jovens e belos estudantes privados de conhecimento; e a delinquência, os gangs e as drogas que roubaram demasiadas vidas e roubaram o nosso país de tanto potencial por realizar.
Esta carnificina nacional acaba aqui mesmo e agora mesmo.
Nós somos uma única nação – e a dor dessas pessoas é a nossa dor. Os seus sonhos são os nossos sonhos e os seus sucessos o nosso sucesso. Partilhamos um coração, um lar e um destino glorioso.
O juramento que faço hoje é um juramento de aliança com todos os cidadãos.
Durante muitas décadas enriquecemos a indústria estrangeira às custas da indústria nacional; subsidiamos exércitos de outros países ao mesmo tempo que permitíamos a triste carência dos nossos militares; defendemos as fronteiras doutros países enquanto nos recusávamos a defender as nossas; e gastamos triliões e triliões no estrangeiro, enquanto as infra-estruturas do nosso território se estragavam e degradavam.
Tornamos ricos outros países enquanto a riqueza, a força e a autoconfiança do nosso país se dissipava no horizonte. Uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram o nosso espaço, sem um pensamento sequer sobre os milhões e milhões de trabalhadores que ficavam para trás.
A riqueza da nossa classe média foi arrancada dos seus lares e redistribuída pelo mundo inteiro.
Mas isso é o passado. Agora estamos a olhar para o futuro.
Nós, os que estamos hoje aqui reunidos, estamos a promulgar um decreto para ser ouvido em todas as cidades, em todas as capitais estrangeiras e em todos os centros de poder.
A partir de hoje, uma nova visão vai governar a nossa terra.
A partir de hoje, vai ser unicamente o nosso país em primeiro lugar, o nosso país primeiro.
Todas as decisões sobre comércio, impostos, imigração e negócios estrangeiros serão tomadas para beneficiar os trabalhadores nacionais e as nossas famílias.
Temos de proteger as nossas fronteiras das incursões de outros países que fazem os nossos produtos, roubam as nossas empresas e destroem os nossos postos de trabalho. O proteccionismo levará a grande prosperidade e poder.
Lutarei por vocês com todas as forças do meu corpo – e nunca, mas nunca, os abandonarei.
O país vai voltar a ganhar, a ganhar como nunca aconteceu.
Vamos trazer de volta os empregos. Vamos restabelecer as nossas fronteiras. Vamos retomar a nossa riqueza. E vamos trazer de volta os nossos sonhos.
Vamos construir novas estradas, auto-estradas, pontes, aeroportos, túneis e vias férreas de ponta a ponta do nosso lindo país.
Tiraremos os nossos trabalhadores do desemprego e de volta ao trabalho - reconstruindo o nosso país com mãos nossas e trabalho nacional.
Seguiremos duas regras simples: compre produtos nacionais e contrate cidadãos nacionais.
Procuraremos a amizade e a boa vontade de todas as nações do mundo – mas fá-lo-emos com a compreensão de que é o direito de todos os países de colocar em primeiro lugar os seus próprios interesses.
Não desejamos impor o nosso modo de vida a ninguém, pois preferimos deixá-lo brilhar como um exemplo a seguir por todos.
(...)
Nas fundações da nossa política está total aliança com a nação, e através da nossa lealdade ao nosso país redescobrimos a lealdade entre cada um de nós.
Quando abrimos o nosso coração ao patriotismo, não há espaço para o preconceito.
A Bíblia diz: “Como é bom e agradável quando o povo de Deus vive unido.”
Devemos dizer o que pensamos abertamente e debater as nossas discordâncias honestamente, mas procurar sempre a solidariedade.
Quando o país está unido, o país é imparável. Não há que ter medo – estamos protegidos, e estaremos sempre protegidos.
Estaremos protegidos pelos grandes homens e mulheres das nossas Forças Armadas e forças da ordem e, o que é mais importante, estaremos protegidos por Deus.
Finalmente, devemos pensar em grande e sonhar em maior ainda.
Neste país, entendemos que uma nação só está viva enquanto progride. Não aceitaremos mais políticos que só falam e não fazem nada – sempre a queixar-se mas sem fazer nada contra isso.
O tempo da conversa fiada acabou-se.
Agora chegou a hora da acção.
Não deixem que lhes digam que não se pode fazer. Não há desafio que chegue para o coração e vença o espírito nacional.
Não falharemos. O nosso país evoluirá e prosperará novamente.
Aqui estamos no começo de um novo milénio, prontos para desvendar os mistérios do espaço, libertar a Terra da miséria das doenças e dominar as energias, as indústrias e a tecnologia do futuro.
O novo orgulho nacional vai animar-nos, aumentar as nossas perspectivas, sarar as nossas divisões. Está na altura de lembrar aquela velha sabedoria que os nossos soldados nunca esquecem: quer se seja branco ou castanho ou negro, todos vertemos o mesmo sangue vermelho dos patriotas, todos beneficiamos das mesmas gloriosas liberdades, e saudamos a mesma gloriosa bandeira.
E quer uma criança nasça nos bairros suburbanos duma grande cidade ou nas planícies ventosas, ambos olham para o mesmo céu nocturno, enchem o coração com os mesmos sonhos e recebem o sopro da vida do mesmo Criador todo poderoso.
Assim, todos os cidadãos, em todas as cidades próximas e longínquas, pequenas e grandes, de montanha a montanha e de oceano a oceano, oiçam estas palavras.
Nunca mais voltarão a ser ignorados.
As vossas vozes, esperanças e sonhos vão definir o nosso destino.
E a vossa coragem, bondade e amor hão-de guiar-nos sempre durante a caminhada.
Juntos, vamos fazer o país novamente forte.
Faremos o país novamente rico.
Faremos o país novamente orgulhoso.
Faremos o país novamente seguro.
E, sim, juntos faremos o país novamente formidável.
Muito obrigado, Deus os abençoe e Deus abençoe a nossa nação.


Como já deve ter percebido, este discurso não foi dito por Adolf Hitler em 1933. Não, foi o discurso de Donald Trump na tomada de posse, em 20 de Janeiro de 2017. A única coisa que fizemos foi substituir “América” por “país” ou “nação” e eliminar uma frase que se referia especificamente à destruição do terrorismo fundamentalista islâmico. Todos os termos e expressões estão traduzidos à letra. Muito se poderia dizer sobre isto, mas deixamos ao leitor as considerações.

NOTA
1. Publicado em Sapo 24

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A EMBRIAGUEZ POLÍTICA QUE CONDUZ PARA SEGUNDO PLANO A VERDADEIRA POLÍTICA


Quão importante é estar junto do povo! Que se beba "um copo de vinho seco se necessário for", disse, há dias, um autarca da zona oeste da Madeira. Vamos a isto, porque ainda ontem "tomei quatro ginjas". É o vinho por um voto ou o voto que "cai que nem ginjas". 


Pois é, olha-se para trás e aquela frase tem muito que se lhe diga. Explica que não é o projecto autárquico que verdadeiramente está em causa, a seriedade de um compromisso para quatro anos a justificar uma eleição, mas uma transação ao preço de um copo ou de um abraço não sentido. A cena normalmente termina com uma palavra: "força". 
A isto não chamo proximidade ao eleitor, mas a hipocrisia servida ou disfarçada pelo calor provocado pelo álcool e um "dentinho". Dir-se-á que são processos antigos que perduram. Lamentavelmente. Passados 40 anos, natural seria que uma parte significativa dos eleitores, hoje com 30 a 60 ou mais anos de idade, tivesse a capacidade de compreender, à distância, o bulir dos beiços de quem compra um voto por um copo! Deveria estar maduro ao ponto de, interiormente, pensar que "bem cantas, mas não me alegras". E assim sendo, seguir o provérbio: "Antes quero asno que me leve do que cavalo que me derrube". 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 22 de janeiro de 2017

MARQUES MENDES, O COMENTADOR DO ÓBVIO


Pela primeira vez, ontem, consegui seguir até ao final, o comentador da SIC Marques Mendes. Terminada a "sessão" questionei-me: com tanta capacidade "vidente" e com tantas certezas, como é que este senhor não vingou? É que ele foi presidente do PSD! Dei, inclusive, uma gargalhada quando se referiu a Donald Trump dizendo que no seu discurso de tomada de posse "tinha entrado com o pé esquerdo". Na verdade, politicamente, Trump entrou com o pé direito e em riste, aliás, outra coisa não seria de esperar, se considerarmos o seu posicionamento político.


Eu espero, sempre, que um comentador me traga o desconhecido, a descodificação daquilo que muitas vezes não conseguimos perceber por ausência de dados contextuais. Repetir o óbvio, o que vem nos jornais, com algumas "buchas" conseguidas através dos amigos e dos "bons telefones", é evidente que não tem, pelo menos para mim, qualquer interesse. Politicamente, é demasiado fraco, porque demasiado óbvio. Um comentador sério não fala, por exemplo, de "geringonça" relativamente à esquerda parlamentar, como não deve fazer abordagens catalogando de "caranguejola" (dita por Carlos César em contraponto a Paulo Portas) relativamente à direita que governou o País. A palavra "geringonça" não é que me chateie, como vulgarmente se diz é para o lado que melhor durmo, mas considero-a um disparate, pelo seu sentido pejorativo e até de ilegitimidade democrática, simplesmente porque é tão aceitável um entendimento à esquerda como à direita. Para Marques Mendes e outros parece que o povo cometeu um "crime" ao colocar na Assembleia da República uma maioria, desta vez à esquerda. Outros ciclos políticos virão com maiorias com outro enquadramento. Marques Mendes nem conta se dá que a tal máquina, depreciativamente apelidada, tem funcionado bem ao ponto de ter conseguido o défice mais baixo (2,3% do PIB) desde há 42  anos. Apesar deste resultado vaticinou um ano "crispado" e radical". Com o défice a baixar, com a economia a crescer, embora devagar, com mais postos de trabalho, com a devolução do roubo que fizeram aos portugueses durante quatro anos, digo eu, oxalá que continue a crispação e o radicalismo no conceito de Marques Mendes. "Ganda noia"!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 21 de janeiro de 2017

O TRUMPISMO E OS OUTROS APÓSTOLOS


O Padre José Luís Rodrigues tem razão. Há muitos "trumpistas" à nossa beira. É evidente que é um problema dos americanos. Mas tal não significa que todos nós não nos mantenhamos em alerta, porque o que se passa no plano interno dos Estados Unidos acaba por ter repercussão em todo o mundo.


Aliás, o discurso de tomada de posse foi tudo menos diplomático. Quando o Mundo está perigoso, sendo muitos os conflitos em função dos interesses económicos e financeiros que estão a tomar conta dos mais elementares direitos dos cidadãos, quando apenas oito personagens têm uma riqueza equivalente ao somatório de metade da população mundial, e quando seria expectável uma atitude de moderação, assistimos a um homem a lançar o combustível da provocação e da guerra, apostado em um imperialismo sustentado na frase "a América em primeiro lugar". Não os americanos, digo eu. Um pequeno exemplo: quando ele quer acabar com o direito à saúde de vinte milhões de americanos pobres, os tais que não podem pagar as seguradoras, penso que existe uma clara discrepância entre a tal América em primeiro lugar e os americanos em geral. Chamam a isto o "sonho americano"!
Por isso, na esteira do Padre José Luís, cuidado com os "trumpistas" em nosso redor (país e região), porque sendo outra a "guerra local", há muitos a quererem tornar a saúde, a educação e a segurança social tendencialmente privadas.

NOTA
"Deixem o Trump da mão... É um problema essencialmente dos americanos. Temos os nossos trumps e precisamos de cuidar deles. A distração não é boa conselheira, se acontece neste caso, está a ajudar os nossos trumpistas." - Padre José Luís no seu FB.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

DEMOCRACIA, RESPEITO E O LONGO CAMINHO A PERCORRER


Passados tantos anos e tanto discurso pelos valores da democracia e da cidadania, genericamente, ainda são sensíveis sinais de agressividade e de intolerância pelos outros. Ter uma opinião diferente, legítima, alicerçada em princípios e valores transmitidos e consolidados nas múltiplas experiências da vida, muitas vezes é recebida com traços de intolerância. No debate político, aí, a situação é mesmo grave. Mor das vezes, lamentavelmente, por mera comparação com o futebol, as paixões pelo emblema a) ou b) acabam por transferir-se para o debate político. As cores toldam e arrasam a tranquilidade que a discussão deveria assumir. E quando falo de tranquilidade isso não significa falta de empenho, acutilância discursiva e frontalidade, mas a vitória do conhecimento e da justificação dos argumentos. Penso que é por aqui que se constrói uma sociedade democrática que conduza ao desígnio máximo do exercício da política: o bem-estar da sociedade.


Às vezes fico com a percepção que um título ou uma fotografia são mais importantes do que o conteúdo do texto. Leio textos com muito interesse, mas com comentários completamente desajustados do essencial. Das duas, uma: ou não foram lidos, ou aquele, porque não é do "meu clube", toca a desancá-lo. Ter "amigos" no facebook ou em um "blog", parece-me óbvio, deveria conduzir a uma outra capacidade de aceitação dos pontos de vista e a uma relação afectiva recíproca. Discordando, mas com respeito. Mas, não é bem assim. Muitas vezes prevalece o sentido de arena romana com gladiadores e não o sentido do debate sério e profundo. Ou, então, a arena do futebol, onde necessário se torna conduzir as claques sob escolta policial, ou, quem nunca chutou uma bola, na bancada, resolve mandar os impropérios que o insensato entusiasmo determina. 
A pergunta que deixo, quarenta anos depois de Abril, no sentido de melhores relações e compreensão dos outros, é esta: o que anda a formação educativa a fazer? Cidadãos bem formados, participativos, atentos, acutilantes ou Michel de Montaigne (1533/1592) continua com razão quando sublinhou: "uma cabeça bem-feita vale mais que uma cabeça cheia".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

UM ESTUDO DE OPINIÃO QUE REVELA MATURIDADE POLÍTICA DOS FUNCHALENSES


O estudo de opinião da responsabilidade do DIÁRIO/TSF, elaborado pela Eurosondagem, hoje publicado, não constitui uma grande novidade. Parece-me óbvia a credibilização pública da actual equipa que lidera a Câmara Municipal do Funchal, pelo menos a três níveis: a substancial redução da dívida herdada (acima de cem milhões de euros); um vasto conjunto de projectos no quadro de uma cidade sustentável, entre outros, os de natureza social que explicam a proximidade da autarquia às pessoas; finalmente, o inteligente somatório de esforços de vários partidos que colocaram os funchalenses em primeiro lugar.  Pelos dados, a palavra "Mudança" continua a ser chave para os funchalenses. É claro que este estudo de opinião, do meu ponto de vista, suscita também, outras leituras, desde logo: primeiro, a crescente e positiva afirmação dos socialistas madeirenses, liderados pelo Dr. Carlos Pereira, junto do eleitorado, depois de vários anos muito conturbados; segundo, por extensão, significa o resultado de um bom sentido organizacional interno, onde cada um trabalha no seu sector sem querer dar passos superiores à perna; terceiro e último, a lástima de uma oposição na Câmara que tem sido tudo menos propositiva. Porém, falta muito caminho a percorrer e muito a fazer no Funchal!     

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

GOVERNANTES OBCECADOS POR CARLOS PEREIRA


Desde há muitas semanas que o governo regional da Madeira parece obcecado pela figura do Dr. Carlos Pereira. Basta o presidente do PS-Madeira abrir a boca ou escrever um texto de análise política e zás, o governo perde uma manhã ou uma tarde para engendrar uma resposta. O governo comporta-se como oposição, de comunicado em comunicado. Dá a entender que governa em insegurança permanente, que não está confiante nas atitudes e opções que toma. Agora foi o hospital, misturando alhos com bugalhos, como se tivesse alguma legitimidade para dele falar, quando revela uma história muito triste, de avanços e de recuos desde o início de 2000! E com alguma latinha à mistura quando fala de uma tentativa de "baralhar a opinião pública". Mas quem anda a "baralhar" há tantos anos? Max, no seu fado 31, não diria melhor... "o meu sargento baralhoua"

Até o Secretário das Finanças, ele que teve responsabilidades políticas nos anteriores governos, agora, também levanta a voz. Com que então... a República é que manda nisto! E a Autonomia onde pára? Não existe ou serve apenas para esgrimir o supérfluo, a conversa de treta? Já passou meio mandato, meus senhores. É tempo de assumirem responsabilidades, porque de comunicados o povo está farto. O Senhor Secretário, aliás, todos, deveriam ler o livro de Carlos Pereira: A Herança. Está tudo lá! Lendo e relendo, certamente, perceberiam quem andou e anda a "baralhar".

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

PERDI UM VERDADEIRO AMIGO


Um Amigo que me considerava irmão. O Franklim Lopes tinha 91 anos. Aprendi muito com ele. Não precisou de uma qualquer licenciatura, mestrado ou doutoramento. Ele fez o seu próprio doutoramento na vida com a imensidão de livros que leu, as revistas e os jornais de referência que assinou, da música ao cinema passando pelo teatro, das letras a todo o movimento político. Era um Homem de princípios, de valores e culto em múltiplas áreas do conhecimento. Viajámos muito, percorrendo de catedrais a museus, da arquitectura das grandes cidades aos olhares sobre preservação dos locais mais recônditos, da História às pessoas. Estou a vê-lo e a senti-lo em um profundo abraço, com as lágrimas nos olhos, tão sensível que era, à saída da pequena mas intimista Basílica do Sangue Sagrado de Bruges, da Galeria degli Uffizi, em Florença, da Capela Sistina, em Roma, da Catedral de Ulm, na Alemanha, frente à Guernica, de Picasso, em Madrid, do Grito de Edvard Munch, em Oslo, ou dos trabalhos de Vicent Van Gogh, em Amesterdão, entre centenas de momentos de exaltação interior. 


Estou a vê-lo e a sentir a sua emoção no jazz ou de quando falava das suas profundas preocupações sociais. Nunca discutimos. Trocámos pontos de vista, sempre com elevada consideração recíproca. Tenho já saudades do seu humor, muitas vezes cáustico perante vozes que cantavam a ignorância, saudades da liberdade do seu pensamento estruturado, da sua capacidade para ver o outro lado das coisas e de antecipação do futuro, do cruzamento da informação e da leitura dos acontecimentos à escala mundial. Um dia, tem já muitos anos, quando ninguém falava de crise económica, em uma das nossas longas conversas, disse-me: “André, isto vai dar tragédia, quando, não sei, mas que vai dar, não tenho dúvidas”. E deu! Tenho já saudades das nossas viagens, do Homem que amava a vida e a sua família, do que vimos, observámos, comentámos e até rimos, do ir e regressar por tantas e desconhecidas estradas que ele aproveitava para falar e falar das inquietações que invadiam o seu mundo e o mundo dos seres humanos, saudades dos nossos hilariantes almoços de uma sandes e um sumo, em um recanto de jardim, por vezes à chuva, porque a ânsia de ver e desfrutar era maior. Tenho saudades dos encontros à Sexta-feira à noite, à volta de um frugal petisco com muita conversa de permeio. Mas a vida é assim. Está limitada no tempo. Estive com ele na antevéspera da sua morte. Apertou-me a mão e disse: “grande amigo, o Homem consegue fazer tudo, é espantoso, mas é tão frágil”. Morreu um grande Amigo. Exactamente há dois anos tinha sido a sua Mulher, a Lídia, que grande Amiga, companheira de viagem e que sofrimento foi a sua partida! E assim sendo, nada mais. Apenas um profundo e amigo abraço à Lena, às suas netas, Sofia e Carolina e ao João. Até sempre, Franklim. A memória, bem gravada, jamais se apagará enquanto por aqui nós andarmos.
NOTA
Imagem do 90ª aniversário.

sábado, 14 de janeiro de 2017

AGÊNCIAS DE EMPREGO OU O ESPELHO QUE MENTE!


FACTO

“Será a FrenteMar Funchal uma agência de emprego para os amigos do senhor presidente da Câmara? Quererá o senhor presidente da Câmara fazer da FrenteMar Funchal um offshore das suas nomeações políticas? Questões que João Paulo Marques deixou, esta manhã, numa conferência do PSD junto à sede da empresa municipal, noticia o DN-Madeira. (http://www.dnoticias.pt/madeira/sera-a-frentemar-uma-agencia-de-emprego-para-os-amigos-de-cafofo-YE745735

PERGUNTA

A resposta, caso assim entendam, pertence ao actual executivo da Câmara do Funchal. Enquanto cidadão, quando li, perpassaram-me tantas perguntas. Uma delas: por agência de emprego político, quem, desde há 40 anos, governamentalizou tudo, "colocando os seus", desde a Assembleia, serviços do governo, autarquias, casas do povo, associações e até clubes?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"É A VOSSA HORA"!




Cada vida tem o seu pico de glória. E cada morte também.
Mas entre uma e outra estala, como lousa tumular, a inexorável incógnita: “Desse brilho meteórico, o que é que ficou”?
Sic transit gloria mundi – era o ritual da sagração dos Papas: “Assim passa a gloria do mundo”, enquanto o cardeal ajudante incendiava uma trança de estopa branca sobre uma salva de ouro.
Rolou a pedra derradeira sobre o monumento encimado por três jactos luminosos traduzidos simplesmente em três palavras: “FAMÍLIA BARROSO SOARES”.
O Apartamento da “Rua João Soares”, ao Campo Grande, transladou-se para o jardim das memórias que tem por estranho título: “CEMITÉRIO DOS PRAZERES”.
Fechar-se-ão as páginas do Livro dos Pesares, secar-se-ão os rios de tinta nas rotativas dos jornais, apagar-se-ão os holofotes dos emissores televisivos.
E de tudo, tudo, que restará, enfim?... O silêncio?... A pedra marmórea e fria?... As rosas amarelas, as rosas e os cravos vermelhos emurchecidos e mudos, como órfãos abandonados, curtidos de saudade?...
Heróis, sábios, génios e artistas – cada pátria tem os seus. Acompanhando Mário Soares, seguiram o mesmo trilho Daniel Serrão, Zygmunt Baum, Akbar Hachémi Rahsandjani,. E logo antes, Leonard Cohen.
De que valeu a pena tê-los, se deles restou apenas a memória, que um dia será longínqua e que “se esfuma como a brancura da espuma que morre na areia”? …
Mas valeu a pena!
Porque deles ficará para sempre o grito - canto e mandato:
“Sede vós e fazei dos vossos filhos – novos “Serrão”, novos “Zygmunt”, novos “Rafsandjani”, novos “Cohen”, novos “Soares”.
"Agora é a vossa Hora". 
A tua Hora!
Para tanto, basta que “ponhas tudo quanto és no mínimo que fizeres”!
NOTA
Um artigo do Padre Martins Júnior publicado no seu blogue. Aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ONDE ESTÁ A VERDADE? A LEI FOI OU NÃO CUMPRIDA?


A tecnológica madeirense ACIN, sediada na Ribeira Brava, a propósito de um concurso da responsabilidade do governo regional, assumiu que o mesmo é uma "aldrabice". O responsável pela ACIN classificou o juri de "faltosos, mentirosos e aldrabões". Na sequência disto, veio a "Secretaria Regional das Finanças e da Administração Pública repudiar totalmente o teor da notícia (...) com base nos valores e princípios porque se rege o desempenho da Secretaria Regional: transparência, legalidade, verticalidade e respeito por todos os cidadãos contribuintes”.


Ficou-se sem saber, ao contrário da explicação dada pela ACIN, "quais são as inverdades e quais são os factos incorrectos que foram, recorde-se, denunciados por Luís Sousa, presidente da ACIN", sublinha uma nota do DIÁRIO.
Do meu ponto de vista, sendo a ACIN uma empresa qualificada e com enormes responsabilidades, e não sendo claro o contraponto do governo regional, é caso para uma comissão de inquérito em sede de Assembleia Legislativa da Madeira, uma vez que se trata de um concurso público.
Onde está a verdade? A lei foi ou não cumprida?
Há que esmiuçar no sentido da transparência.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"MÁRIO SOARES NÃO LEVOU NADA COM ELE. DEIXOU-NOS TUDO"


Mário Soares partiu. Como li em Miguel Esteves Cardoso, "Mário Soares deixou-nos e deixou-nos tudo (...) Mário Soares não levou nada com ele. Deixou tudo connosco. É essa a maior generosidade que uma pessoa pode ter: querer tudo para os outros e dedicar a vida a lutar por isso — e por nós. Mário Soares não se importava que não gostassem dele. Ia em frente, achassem o que achassem. É essa a coragem maravilhosa que deixou: serviu de exemplo da liberdade mais importante de todas, que é a liberdade de sermos como somos e acreditarmos no que acreditamos". 


Milhares e milhares de pessoas renderam-se à figura e à sua história feita de luta durante 32 anos. Preso doze vezes, desterrado e exilado. Bastaria isto, tendo, como pano de fundo, sempre, mas sempre, a LIBERDADE, para que alguns, se coibissem de comentários desajustados na altura da sua morte. Obviamente que são livres de o fazerem, lá está a questão da liberdade, porém, quando se analisa existe um dever óbvio de colocar nos pratos da balança o deve e o haver da VIDA. Saberão, alguns, o que foi o salazarismo, primeiro, e o marcelismo, depois, que deixou Portugal com mais de 74% de analfabetos e uma paisagem de pobreza que conduziu à emigração forçada? Conhecerão a História das colónias portuguesas e a guerra que matou 8.290 militares para além de centenas de civis, gerou cerca de 30.000 deficientes e mais de 100.000 militares com “stress de guerra”? Dominarão o facto de 40% do Orçamento do País, durante treze anos, ter sido destinado ao esforço de uma guerra estúpida? Terão consciência do que foi a PIDE/DGS, o sofrimento de tantos portugueses que se opuseram ao regime, a clandestinidade, o silêncio das prisões, a tortura ordinária e a sangue frio, o Tarrafal, a fome e a morte a espreitar a todo o momento? Talvez não saibam o que foi casar hoje e, um mês depois, estar nas matas de Guiléje, na Guiné, para, diziam, cumprir um "serviço à Pátria"! Foram esses homens de bravura, que tal como escreveu o Miguel Esteves Cardoso, deixaram "tudo connosco". Não levaram nada. Mário Soares foi um deles, o maior da sua geração, o inspirador e disseminador da importância da liberdade. O discurso eloquente do Senhor Presidente da República, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, no Mosteiro dos Jerónimos, testemunhou, exactamente, a grandeza de Mário Soares no quadro da História de Portugal.
Todos somos um misto de virtudes e defeitos. O ser humano é assim. Mas, quando leio alguns comentários de pendor extremamente agressivo, sem nexo, desenterrando, até, inverdades, lembro-me da Escola, da formação básica, essa escola que toca e foge da História com o medo do comprometimento. É essa escola que permite que se chegue a aluno universitário sem conhecer as figuras da História, a confundir acontecimentos e a não ter uma leitura sobre a liberdade e a democracia que dispõem. Mas também folgo ao ver milhares e milhares, por todo o País, líderes mundiais, jornalistas e comentadores a curvarem-se perante a morte de um estadista com uma única palavra: OBRIGADO!
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

62 MULTIMILIONÁRIOS JÁ TÊM MAIS RIQUEZA DO QUE METADE DA POPULAÇÃO MUNDIAL




YANNIS BEHRAKIS/REUTERS
“Não podemos continuar a permitir que centenas de milhões de pessoas passem fome enquanto os recursos que poderiam ser usados para os ajudar são sugados por aqueles no topo”, afirma a diretora da ONG Oxfam, a propósito do relatório que frisa estar a acelerar o aumento das desigualdades a nível mundial.

Por Alexandre Costa

As desigualdades não têm parado de se acentuar e os mais abastados (1% da população mundial) já possuem mais riqueza do que os restantes 99%, um cenário para o qual têm contribuído os paraísos fiscais, segundo indica o relatório da organização não-governamental (ONG) Oxfam, apresentado esta segunda-feira, dois dias antes do arranque de mais um Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça.
Os 62 mais ricos já detêm tanta riqueza como 3,5 mil milhões de pessoas, metade da população mundial. Ao longo dos últimos cinco anos, o nível de aumento da riqueza dos que estão no topo teve correspondência com o nível de empobrecimento dos que estão na metade inferior da escala. A riqueza desses 62 multimilionários aumentou 44% desde 2010, enquanto relativamente aos 3,5 mil milhões de mais pobres desceu 41%.
“A preocupação dos líderes mundiais sobre a escalada da crise das desigualdades ainda não se traduziu até agora em medidas concretas – o mundo tornou-se um sítio muito mais desigual e essa tendência tem estado a acelerar”, refere Winnie Byanima, diretora da Oxfam.
Nos últimos doze meses, o fosso entre os mais ricos e o resto da população aumentou “de forma dramática”, indica relatório da ONG.

METADE DOS SUPER-RICOS ESTÃO NOS ESTADOS UNIDOS

“Nós não podemos continuar a permitir que centenas de milhões de pessoas passem fome enquanto os recursos que poderiam ser usados para os ajudar são sugados por aqueles no topo”, acrescenta Byanima.
Cerca de metade dos 62 super-ricos são dos Estados Unidos, 17 da Europa, e os restantes da China, Brasil, México, Japão e Arábia Saudita.
Cerca de 7 biliões de euros da riqueza de particulares encontra-se em paraísos fiscais e caso fossem taxados fora dessas offshores gerariam mais 174 mil milhões de receitas fiscais anuais, estima Gabriel Zucman, professor assistente da Universidade da Califórnia, Berkeley.
Cerca de 30% de toda a riqueza financeira de África encontra-se em paraísos fiscais, levando a perda anual 13 mil milhões de receitas fiscais, indica a Oxfam, com base nos estudos de Zucman. Dinheiro suficiente para pagar os cuidados de saúde que poderiam salvar anualmente as vidas de quatro milhões de crianças e para pagar a professores que dariam aulas a todas as crianças do continente, indicam ainda as estimativas apresentadas relatório.

OFFSHORES PERMITEM DESVIAR DINHEIRO 
DE QUE AS SOCIEDADES PRECISAM PARA FUNCIONAR

“As multinacionais e elites abastadas estão a jogar com regras diferentes de todos os outros, recusando-se a pagar os impostos que a sociedade precisa para funcionar. O facto de 188 das 201 maiores empresas terem presença em pelo menos um paraíso fiscal mostra que é tempo de agir”, salienta Byanima.
Relativamente às desigualdades, o relatório indica ainda que a maioria dos trabalhadores mais mal remunerados em todo o mundo são mulheres.
Por outro lado, como tendência positiva, os dados mostram que o número de pessoas a viver em extrema pobreza diminuiu em 650 milhões desde 1991, apesar da população mundial ter aumentando 2000 milhões nesse período.
Para essa mudança contribuiu em larga escala o crescimento económico da China.

domingo, 8 de janeiro de 2017

DESABAFO: A LIBERDADE E A RESPONSABILIDADE DE ESCREVER...


Abril trouxe-nos muitos direitos, mas também muitos deveres. Por exemplo, o direito de ser livre e de ter uma opinião. Concomitante com este, o dever de respeito pelos outros. Ora bem, opinar é uma coisa, ofender de forma reles é outra. Eu sei o que isso é, porque passei, há muitos anos, alguns momentos de significativo constrangimento, por ofensas malevolamente dirigidas. Imagino, alguns políticos no activo o que não sofrem, quando se deparam com a maledicência, com a injúria maldosa. Como vulgarmente se diz, torna-se necessário um estômago de boi para digerir e pensar que amanhã é outro dia. 


Escrever, situo-me no plano político, mas poderia ser um qualquer outro, implica muitas vezes ser oportuno, acutilante, incisivo, com argumentos devastadores, mas nunca de forma a denegrir socialmente uma qualquer figura. As pessoas, no desempenho político ou não, merecem respeito. É absolutamente legítimo discordar e existem tantas formas de transmitir a divergência. O que não é legítimo, como li algures, é a utilização da palavra que acaba por ser "mais terrível do que uma agressão física. Muito mais do que o corpo, fere a dignidade humana, conspurca a reputação e destrói existências". 
Recentemente, um programa da RTP teve um título genérico muito interessante: "E se fosse consigo? E se fosse contigo?". 
Porque discordo da maledicência política, pura e dura, assumo, aqui, um retundo NÃO.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DR. EDUARDO JESUS, JÁ ESTUDOU, ESCREVEU E PUBLICOU SOBRE A ECONOMIA E AS FINANÇAS DA REGIÃO? AFINAL, QUEM ESTÁ EM DÉFICE DE ESTUDO?


O Presidente do PS-Madeira assumiu uma posição política. Faz parte da sua actividade enquanto oposição. Remeter-se ao silêncio seria muito grave. Ninguém entenderia. Legítimo é, também, que o governo reaja, mesmo que, face às circunstâncias públicas e notórias da governação, este poder, ao sair a uma porta precise de largos minutos para enrolar o rabo dos desmandos políticos. Mas, tudo bem. O que não me parece correcto, não é a reacção, mas o seu formato e conteúdo. Ao ler a resposta do Dr. Eduardo Jesus fiquei com sensação de estar a ler outros secretários, de outros tempos, de assumida e enervante arrogância política. Veio falar de busca de "protagonismo", de "demagogia", de "desespero pelo palco político", de "irresponsabilidade e, também, de uma completa desactualização", de "disparates", de "falta de acção e de rigor de alguém que se pavoneia em Lisboa". Daí o comunicado do governo para "esclarecer convenientemente a opinião pública". Da minha parte, fiquei esclarecido sobre a angústia do governante.


Fiquei esclarecido que o Dr. Eduardo Jesus gostaria de governar sem oposição, isto é, sem "ruídos" e ao jeito de "magister dixit". Só que, felizmente, a DEMOCRACIA não é assim. Exige vozes, posições antagónicas e outras leituras. Para quem não está habituado, é natural que faça confusão, perturbe o ego, levando a sentir-se acossado, mas, enfim, quem não tem estofo para o contraponto político tem remédio: afasta-se, antes de ser afastado. O exercício da política exige serenidade, aceitação, debate e humildade. Jamais a ofensa directa ou indirecta. Quando faltam estes e outros ingredientes, coitados dos políticos, não passam de meras caixas de ressonância dos interesses partidários, sujeitos às pressões que surgem de todos os cantos de quem à mesa do orçamento se senta. Tem sido assim e talvez esse tenha sido e continua a ser o maior drama da Região.
A páginas tantas, o Dr. Eduardo Jesus refere-se ao Dr. Carlos J. Pereira como um político que "se esqueceu de estudar (...)" os dossiês, naturalmente. Ora bem, se, na Madeira, alguém estudou, exaustivamente, as questões da economia e das finanças, tudo o que daí resulta no quadro da Autonomia e teve a coragem política de publicar, em livro de 316 páginas, passando em revista os anos da fantasia política, esse político tem um nome, Carlos João Pereira. Livro que li duas vezes e a ele retorno sempre que necessário para esbater a minha ignorância. Afinal, o que é que o Dr. Eduardo Jesus estudou, escreveu e publicou sobre economia e finanças? Quem está em défice de estudo? É que não basta blá, blá vociferando contra quem pensa diferente. 
Poderia ir mais longe, mas não quero. Fico por aqui, transcrevendo uma frase que o Deputado Carlos Pereira salienta no capítulo III do livro "A Herança": "Todos têm direito de se enganar nas suas opiniões. Mas ninguém tem o direito de se enganar nos factos" - Bernard Baruch.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

ESTADO DO SISTEMA DE SAÚDE E A DANÇA DE CADEIRAS


Não conheço pessoalmente e, portanto, nego-me a qualquer juízo de valor. Não faz o meu jeito nem é isso que está em causa. Para mim como, aliás, para qualquer cidadão, o que está em causa é a competência para exercer uma função, neste caso, de vértice estratégico administrativo e gestionário. E é, por isso, que me causa apreensão assistir a uma dança de cadeiras sem que os bailarinos demonstrem, através do seu currículo de vida profissional, o imprescindível e sustentado conhecimento que justifique determinadas nomeações. 


Qualquer pessoa bem informada reconhecerá, julgo eu, que administrar a extrema complexidade do sistema de saúde, não é semelhante à direcção de uma escola seja ela de hotelaria ou de música, administrar os portos, gerir a produção de banana ou uma qualquer sociedade de desenvolvimento. Por muita boa vontade e bom senso que os nomeados tenham, há uma história de experiência profissional que se torna determinante para o exercício das funções. As pessoas não são "enciclopédicas", têm uma formação específica e uma experiência de vida que as habilitam para um determinado desempenho e jamais para a polivalência. Ora, quando assisto a uma sistemática dança de cadeiras, sem que determinados pressupostos estejam garantidos, obviamente que é de ficar preocupado. Fico entre duas balizas: ou os mais habilitados não aceitaram, ou a lógica da fidelização partidária sobrepôs-se ao interesse de uma instituição em cacos. No vértice estratégico "não basta vestir a camisola".
Ilustração: Google Imagens.