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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"É A VOSSA HORA"!




Cada vida tem o seu pico de glória. E cada morte também.
Mas entre uma e outra estala, como lousa tumular, a inexorável incógnita: “Desse brilho meteórico, o que é que ficou”?
Sic transit gloria mundi – era o ritual da sagração dos Papas: “Assim passa a gloria do mundo”, enquanto o cardeal ajudante incendiava uma trança de estopa branca sobre uma salva de ouro.
Rolou a pedra derradeira sobre o monumento encimado por três jactos luminosos traduzidos simplesmente em três palavras: “FAMÍLIA BARROSO SOARES”.
O Apartamento da “Rua João Soares”, ao Campo Grande, transladou-se para o jardim das memórias que tem por estranho título: “CEMITÉRIO DOS PRAZERES”.
Fechar-se-ão as páginas do Livro dos Pesares, secar-se-ão os rios de tinta nas rotativas dos jornais, apagar-se-ão os holofotes dos emissores televisivos.
E de tudo, tudo, que restará, enfim?... O silêncio?... A pedra marmórea e fria?... As rosas amarelas, as rosas e os cravos vermelhos emurchecidos e mudos, como órfãos abandonados, curtidos de saudade?...
Heróis, sábios, génios e artistas – cada pátria tem os seus. Acompanhando Mário Soares, seguiram o mesmo trilho Daniel Serrão, Zygmunt Baum, Akbar Hachémi Rahsandjani,. E logo antes, Leonard Cohen.
De que valeu a pena tê-los, se deles restou apenas a memória, que um dia será longínqua e que “se esfuma como a brancura da espuma que morre na areia”? …
Mas valeu a pena!
Porque deles ficará para sempre o grito - canto e mandato:
“Sede vós e fazei dos vossos filhos – novos “Serrão”, novos “Zygmunt”, novos “Rafsandjani”, novos “Cohen”, novos “Soares”.
"Agora é a vossa Hora". 
A tua Hora!
Para tanto, basta que “ponhas tudo quanto és no mínimo que fizeres”!
NOTA
Um artigo do Padre Martins Júnior publicado no seu blogue. Aqui.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"MÁRIO SOARES NÃO LEVOU NADA COM ELE. DEIXOU-NOS TUDO"


Mário Soares partiu. Como li em Miguel Esteves Cardoso, "Mário Soares deixou-nos e deixou-nos tudo (...) Mário Soares não levou nada com ele. Deixou tudo connosco. É essa a maior generosidade que uma pessoa pode ter: querer tudo para os outros e dedicar a vida a lutar por isso — e por nós. Mário Soares não se importava que não gostassem dele. Ia em frente, achassem o que achassem. É essa a coragem maravilhosa que deixou: serviu de exemplo da liberdade mais importante de todas, que é a liberdade de sermos como somos e acreditarmos no que acreditamos". 


Milhares e milhares de pessoas renderam-se à figura e à sua história feita de luta durante 32 anos. Preso doze vezes, desterrado e exilado. Bastaria isto, tendo, como pano de fundo, sempre, mas sempre, a LIBERDADE, para que alguns, se coibissem de comentários desajustados na altura da sua morte. Obviamente que são livres de o fazerem, lá está a questão da liberdade, porém, quando se analisa existe um dever óbvio de colocar nos pratos da balança o deve e o haver da VIDA. Saberão, alguns, o que foi o salazarismo, primeiro, e o marcelismo, depois, que deixou Portugal com mais de 74% de analfabetos e uma paisagem de pobreza que conduziu à emigração forçada? Conhecerão a História das colónias portuguesas e a guerra que matou 8.290 militares para além de centenas de civis, gerou cerca de 30.000 deficientes e mais de 100.000 militares com “stress de guerra”? Dominarão o facto de 40% do Orçamento do País, durante treze anos, ter sido destinado ao esforço de uma guerra estúpida? Terão consciência do que foi a PIDE/DGS, o sofrimento de tantos portugueses que se opuseram ao regime, a clandestinidade, o silêncio das prisões, a tortura ordinária e a sangue frio, o Tarrafal, a fome e a morte a espreitar a todo o momento? Talvez não saibam o que foi casar hoje e, um mês depois, estar nas matas de Guiléje, na Guiné, para, diziam, cumprir um "serviço à Pátria"! Foram esses homens de bravura, que tal como escreveu o Miguel Esteves Cardoso, deixaram "tudo connosco". Não levaram nada. Mário Soares foi um deles, o maior da sua geração, o inspirador e disseminador da importância da liberdade. O discurso eloquente do Senhor Presidente da República, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, no Mosteiro dos Jerónimos, testemunhou, exactamente, a grandeza de Mário Soares no quadro da História de Portugal.
Todos somos um misto de virtudes e defeitos. O ser humano é assim. Mas, quando leio alguns comentários de pendor extremamente agressivo, sem nexo, desenterrando, até, inverdades, lembro-me da Escola, da formação básica, essa escola que toca e foge da História com o medo do comprometimento. É essa escola que permite que se chegue a aluno universitário sem conhecer as figuras da História, a confundir acontecimentos e a não ter uma leitura sobre a liberdade e a democracia que dispõem. Mas também folgo ao ver milhares e milhares, por todo o País, líderes mundiais, jornalistas e comentadores a curvarem-se perante a morte de um estadista com uma única palavra: OBRIGADO!
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MÁRIO SOARES - A DESPEDIDA


Do meu Amigo Padre Martins Júnior na hora da despedida de Mário Soares. Juntei as fotos e os belíssimos textos.
Nota: clique na fota para ampliá-la. 

sábado, 23 de novembro de 2013

"SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DEMITA-SE, UMA VEZ QUE NÃO CUMPRE A CONSTITUIÇÃO"


Para alguns, sobretudo quem vive do sistema ou anda próximo da mesa do orçamento, melhor dizendo, para quem, no meio da crise cresce e engorda, torna-se milionário, é evidente que as palavras do Dr. Mário Soares são excessivas, são impróprias para quem já exerceu a mais alta Magistratura da Nação. Para mim e, certamente, para milhões de portugueses e muitos outros milhões que sofrem nesta desgraçada Europa, Mário Soares está cada vez mais lúcido. As suas palavras e as de outros que se reuniram na Aula Magna da Universidade de Lisboa, constituem, apenas, a campainha de alarme de um quadro que pode descambar em violência. É a própria História que nos ensina e aconselha a saber interpretar os sinais. A situação vivida nas escadarias do Parlamento, a generalizada insatisfação de todos os grupos profissionais, o assustador desemprego, a galopante pobreza, o confisco de salários e de pensões, a insuportável carga de impostos, o cinismo e aldrabice discursiva dos governantes, do FMI à Europa, passando pela dupla Passos/Portas e Assembleia da República, por aí fora, coloca o País numa tensão muito próxima da explosão social. Será que há gente que ainda não percebeu isto? Que esta Europa de especuladores não nos interessa, que este governo está fora de prazo, que não podemos estar reféns dos mercados, que é o Euro que está em causa, que temos de lutar pela nossa independência e soberania? É difícil perceber que são exigidas saídas deste drama  que espezinha e tritura povos e que a austeridade não é a solução?

Mário Soares,
uma vida dedicada aos valores da Democracia
e defesa do Estado Social

Trata-se de um quadro que ninguém pode ignorar. O problema é que o próprio Presidente da República ignora-o ao agir partidariamente e não como a figura independente e de garantia do equilíbrio e busca de soluções. Mastiga, gagueja, assobia para o lado, sorri, talvez de si próprio, faz que anda mas não anda, não assume uma palavra em defesa do Tribunal Constitucional, toma por certo um único caminho quando, nesta encruzilhada, são várias as opções possíveis. É pois legítimo que se lhe aponte o dedo acusador, pela mais completa e notória ineficácia. Hoje,  já não é apenas o governo que está em causa, é também o Presidente da República. E quando Mário Soares aponta para a demissão de ambos é pela pública existência de uma cumplicidade que nos está a arrastar para uma situação de difícil regresso. Ainda ontem o Presidente veio apelar à "serenidade" em "tempo que não é fácil". O que é que isto quer dizer e que importância prática têm estas palavras? Zero! Deveria, antes, mostrar-se preocupado com o Relatório Comissão Europeia que se junta ao FMI e ao Governo no sentido de, em uníssono, apertarem o cerco aos juízes do Palácio Ratton. Ele, Presidente, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, pede serenidade ao invés de defender a independência e a soberania nacional. Nem uma palavra relativamente a este grosseiro cerco e intromissão nos desígnios nacionais, tendo em consideração o quadro de desgraça que envolve milhões de portugueses. Ele, Economista, parece não ter presente que a dívida pública, abaixo dos 100%, só lá para 2025, e que este fardo se torna impossível de carregar pelos portugueses. Que uma situação destas equivale matar as esperanças, não dos que têm 60, 70 ou 80 anos, mas a esperança dos adolescentes e de todos aqueles que se encontram na força da idade para produzir e realizar sonhos. 

Cavaco Silva
O pior Presidente da República de sempre!
Mário Soares e muitos outros estão lúcidos, muito lúcidos. Não se trata, como escutei da boca de um comentador (onde estavas no 25 de Abril?), que Soares está a promover, subtilmente, a violência. Entendo as palavras de Soares exactamente de sentido contrário, como uma chamada de atenção para uma alteração dos comportamentos políticos susceptíveis de travarem qualquer espiral de violência que se encontra latente. Por isso, saúdo Mário Soares quando exprime quase em tom  de grito: "Senhor Presidente, demita-se, uma vez que não cumpre a Constituição" (...) "É preciso ter a consciência que a violência está à porta", (...) "Não desgrace mais Portugal, senhor Presidente da República". 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

É TEMPO DE DIZER BASTA, DE AFRONTAR OS MERCADOS E DIZER, CLARAMENTE, ASSIM, NÃO PAGAMOS!


Segui as declarações do Dr. Mário Sares, ex-Presidente da República. Revejo-me, totalmente, no que disse. Mário Soares considera que uma "parte do governo" é "delinquente" e pede o julgamento "a estes senhores depois de saírem do poder" (...) "Como é que é possível que um político como o ministro dos Negócios Estrangeiros, não se demita? Não ter sensibilidade e inteligência para o fazer?", questiona o ex-Presidente que admite que Passos Coelho deveria seguir o mesmo caminho. (...) Como é que é possível que o primeiro-ministro não se demita a ele próprio, depois de saber que é vaiado em toda a parte, que ninguém o toma a sério (...) e continue agarrado ao poder, como uma lapa?" Nem mais. Ainda ontem, no meu último texto, chamei à atenção para o que se passou na Islândia, onde houve gente a contas com a Justiça. Mário Soares disse mais: relativamente a Paulo Portas, o seu regresso como vice-primeiro-ministro "é de gente que não tem valores, princípios, espírito, nem carácter nem nada".

Mário Soares continua a ser uma voz
de grande lucidez política.

Estas declarações poderão parecer excessivas, muito duras e, até certo ponto, deselegantes. Mas não são. As patifarias que desde há dois anos andam fazer aos portugueses merecem aquelas considerações. Simplesmente porque um governo eleito não goza do "direito" totalitário, a todo o momento deve estar sujeito ao escrutínio do povo, em geral, e dos órgãos de comunicação social, em particular. Este governo, de braço dado com interesses políticos estrangeiros, confunde maioria absoluta com poder absoluto. Verga-se a tudo, aceita imposições ilegítimas, numa clara entrega da soberania nacional. Devemos dinheiro, pois bem, é verdade, emprestaram-nos, talvez, melhor dizendo, venderam-nos dinheiro e o dinheiro tem um preço. Certo. Mas onde estão as causas do desastre? Foi Portugal o centro que despoletou a crise? E a crise que paira pela  Grécia, pela Itália, por França, pela Irlanda, por Espanha, teve origem onde? Quem foram os seus causadores? O povo português, historicamente pobre, pode, neste contexto, ser espezinhado, por um  conjunto de interesses de um bando de malfeitores que controlam, especulativamente, as parcas riquezas nacionais? Ora bem, Mário Soares  assume a frase "não pagamos". Eu percebo o  que aquelas palavras querem exprimir. Nestas condições não, absolutamente, não devemos pagar. É aquilo que já por mais de uma vez aqui escrevi, que é tempo dos políticos portugueses, "diplomaticamente", mostrarem os dentes à Europa e ao FMI. E aí gostaria de ver o comportamento dos mercados financeiros em função do medo do efeito dominó. Gostaria de ver como reagiriam os investidores/especuladores, os que não têm pejo algum em impor juros obscenos a um País de baixos recursos. Gostaria de assistir ao comportamento dessa direita política, ideologicamente conluiada com essa economia de casino que varre a Europa.
Faltam políticos como Jorge Sampaio
nesta fase complicada
da vida dos portugueses
Dir-me-ão, e a honradez? Exactamente por isso. Devemos pagar, sim, até ao último cêntimo, mas tendo em consideração o País que somos e as debilidades estruturais, sobretudo porque a crise foi importada em função das políticas de outros. Outra coisa é entrar no País e impor o empobrecimento compulsivo da população, rasgar os contratos de confiança estabelecidos entre o Estado e a população, impor reduções drásticas nos salários, impor o roubo e mesmo o confisco daquilo que ao Estado não pertence, espremer reformados e pensionistas, impor o despedimento tornando os trabalhadores peças descartáveis a qualquer momento. Isto, é que me parece intolerável. 
Como é possível confrontarmo-nos com gente sem escrúpulos que tudo fazem para pressionar os juízes do Tribunal Constitucional. Neste aspecto, acompanho as recentes declarações de um outro ex-Presidente da República, o Dr. Jorge Sampaio, que se referindo às críticas ao Tribunal Constitucional, afirmou: "esta barragem já vai pelo dr. Durão Barroso que nos manda ter juízo, vai pela senhora Lagarde, que não é capaz de dizer isso sobre o equivalente ao Tribunal Constitucional em França, e ninguém o diz na Alemanha" (...) "Eu senti um apelo patriótico, não por causa da decisão A ou da decisão B. É inadmissível que a gente não defenda a nossa democracia e as nossas instituições" (...) "A maneira como se fala do Tribunal Constitucional é uma coisa de uma gravidade extrema". Para Jorge Sampaio, o Tribunal Constitucional "tem dado provas, em largos anos, de uma jurisprudência que tem formatado a vida democrática e constitucional portuguesa" e é "uma peça essencial, sobretudo quando há cortes muito sérios em relação a princípios fundamentais, que têm que ser analisados pela instância que se criou para isso, princípios de justiça e da proporcionalidade". Estou em total acordo. E concordo,  também,  com o antigo presidente da República Dr. Mário Soares, quando critica a postura de Cavaco Silva, que "anda pelo estrangeiro e não diz uma palavra" (...) "É significativo do medo com que está como protector de um Governo que todo o povo odeia".
Começa a ser tempo de colocar um ponto final neste sofrimento colectivo quando se aproxima o debate do Orçamento de Estado para 2014, onde, pelo que se sabe, vem a caminho uma carga de pancada sobre os trabalhadores, sobre as famílias, sobre todos os sistemas e sobre os reformados, pensionistas e generalidade dos idosos. É tempo de colocar esta gentalha na ordem.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MÁRIO SOARES - QUE LUCIDEZ!


A reforma que vai ser apresentada e posta à discussão pública este mês tem esse propósito, segundo o chefe do Executivo: "nós queremos alcançar o entendimento o mais alargado possível, mas não vamos ficar à espera que toda a gente esteja de acordo para poder andar para a frente". Por outras palavras, do meu ponto de vista, isto é claro: o debate está aberto, mas o caminho já está definido. É assim e ponto final. O problema está exactamente aí, isto é, no que significa "andar para a frente". O que sabemos da prática política é a clara tendência para andar para trás, reduzindo direitos, empobrecendo e roubando descaradamente aos reformados e pensionistas. "Andar para a frente" na óptica do primeiro-ministro significa andar para trás na perspectiva dos portugueses em geral. Não tentam nivelar por cima, tudo fazem para que os pobres sejam cada vez mais pobres e os da quase extinta classe média sejam empurrados para os patamares da pobreza. O exercício da política não vai no sentido do bem-estar, antes dirige-se para  as dificuldades crescentes, para a escravização e para a desesperança. E tudo com o discurso falacioso que tem de ser assim, que não existe alternativa e porque temos de pagar o tempo que "vivemos acima das nossas possibilidades". Mas quem e quantos viveram? Quem, no nosso País, fez vida de rico sendo pobre? Que responsabilidades têm as famílias em todo este processo maquiavélico em que governos e banca funcionaram?



O primeiro-ministro de Portugal é uma personalidade política que gera repulsa. Mário Soares, com 88 anos parece um jovem nas análises globais e nas convicções; Passos Coelho com 49 anos parece um velho. Mário Soares sabe do que fala, tem uma história de vida, de luta e de contactos em todo o Mundo, é uma personalidade reconhecidamente culta; Passos Coelho, pergunto, o que pode apresentar no seu currículo que ateste um profundo conhecimento do País e deste mundo em convulsão?  
Trago Mário Soares à colação porque Passos Coelho comentou, em Vila Pouca de Aguiar, as declarações do ex-Presidente da República que, relativamente à política de austeridade da "troika", disse que está a levar o país ao "desastre" e ao "abismo", defendendo que é urgente demitir o Governo "incompetente" e "agarrado" ao poder. Pelo que assisto deve ser uma minoria os portugueses que não aplaude as palavras de Soares. Porém, para Passos Coelho, não, pois "um Governo que está suportado numa maioria do parlamento em eleições que ocorreram há dois anos só pode ser um Governo legítimo. Mal estaria o país se perante as dificuldades, as pessoas entendessem que era convocando eleições que elas se ultrapassavam ou resolviam, julgo mesmo que parte do povo português tem uma noção muito clara de que é exactamente ao contrário". Bom, sem mais comentários, ou é cego ou toma-nos por parvos. Basta seguir um qualquer serviço de notícias, ter em consideração os empresários, cerca de um milhão de desempregados e os números da crescente emigração, para percebermos que o quadro está negro e que este governo já não tem qualquer legitimidade: as promessas eleitorais foram todas deitadas por terra, os indicadores económicos, financeiros e sociais são desastrosos e o que se passa nas ruas e nas casas das pessoas testemunham que uma esmagadora maioria já não os suporta.
Mas ele, de braço dado com o seu amigo e protector Aníbal Cavaco Silva, sabe o que está a fazer. O tempo esvai-se e necessário se torna "rebentar" com os pilares que enformam as características do Estado português. Há gente de fora que o obriga a andar depressa. A proposta de reforma do Estado, para a qual espera, hipocritamente, uma ampla participação dos partidos e de todos os agentes, vem seguida de um aviso: “Não vamos ficar à espera que toda a gente esteja de acordo” para avançar. A reforma que vai ser apresentada e posta à discussão pública este mês tem esse propósito, segundo o chefe do Executivo: "nós queremos alcançar o entendimento o mais alargado possível, mas não vamos ficar à espera que toda a gente esteja de acordo para poder andar para a frente". Por outras palavras, do meu ponto de vista, isto é claro: o debate está aberto, mas o caminho já está definido. É assim e ponto final.
Pois... o nariz anda a crescer!
O problema está exactamente aí, isto é, no que significa "andar para a frente". O que sabemos da prática política é a clara tendência para andar para trás, reduzindo direitos, empobrecendo e roubando descaradamente aos reformados e pensionistas. "Andar para a frente" na óptica do primeiro-ministro significa andar para trás na perspectiva dos portugueses em geral. Não tentam nivelar por cima, tudo fazem para que os pobres sejam cada vez mais pobres e os da quase extinta classe média sejam empurrados para os patamares da pobreza. O exercício da política não vai no sentido do bem-estar, antes dirige-se para  as dificuldades crescentes, para a escravização e para a desesperança. E tudo com o discurso falacioso que tem de ser assim, que não existe alternativa e porque temos de pagar o tempo que "vivemos acima das nossas possibilidades". Mas quem e quantos viveram? Quem, no nosso País, fez vida de rico sendo pobre? Que responsabilidades têm as famílias em todo este processo maquiavélico em que governos e banca funcionaram? Vale a pena ouvir aqueles treze minutos do vídeo que ainda ontem aqui publiquei. Vale a pena, para percebermos quem são os verdadeiros culpados e concluirmos que a esmagadora maioria do povo que sofre não tem responsabilidades pelo caos de uns para grandeza de outros. E sendo assim, peçam responsabilidades a quem as tem, não os pequenos e médios empresários, não aos trabalhadores em geral, não aos funcionários públicos e muito menos aos aposentados e pensionistas. Faço minhas as palavras do Dr. Mário Soares: "desapareçam".
Ilustração: Google Imagens.