segunda-feira, 4 de setembro de 2017

PERANTE TANTA PROMESSA, EXISTIRÃO ACORDOS SECRETOS? NA POLÍTICA O SECRETISMO DÁ SEMPRE MAUS RESULTADOS.


É longa a lista de promessas eleitorais da Drª Rubina Leal, candidata do PSD ao município do Funchal. Hoje, li que a candidata promete devolver 4 dos 5% do IRS, deixando 1% para outras funções sociais. Isto significa que, em quatro anos, entende devolver aos contribuintes 4,7 milhões de euros, contra os actuais 1,2 milhões. Rejeita a aplicação da designada "derrama", o que significa devolver às empresas, com elevados saldos positivos, cerca de 1,3 milhões, isto de acordo com a peça hoje publicada, no DN-Madeira, com assinatura do jornalista Roberto Ferreira. A listagem das promessas é tão significativa que vai ao ponto de apoiar o transporte de crianças que residam a 500 metros da escola. Fantástico! Eu também não gosto do IRS, do IMI, da extensa e histórica tabela de taxas e tarifas autárquicas, etc. etc.. O problema que coloco é apenas este: a candidata fala em despesas na ordem dos milhões, mas não fala do campo das receitas, isto é, como irá compatibilizar toda a despesa com os escassos recursos que a Câmara dispõe, face ao enormíssimo peso financeiro das suas responsabilidades, que vão desde o "sagrado" pagamento dos salários aos seus funcionários, à resposta eficaz aos serviços correntes, até à política dos investimentos. Alguns exemplos: a rede de distribuição de água, o ordenamento do território e a requalificação urbana, o dramatismo das zonas altas, acessibilidades e mobilidade, a habitação, o ambiente, a cultura e a ciência, os mercados, as políticas de natureza social, enfim, dentro de cada um do vastíssimo leque de itens, as respectivas áreas e domínios de intervenção. A Câmara é um "mundo"!


Será que a Drª Rubina Leal conta, secretamente, com o apoio do Governo da Região? Se assim é deverá esclarecer todos os eventuais contratos-programa que estejam em negociação ou já foram objecto de definição de apoios. Deve assumir ou negá-los. É que nestas coisas dos dinheiros não existem milagres e o exercício da política não pode estar envolta em secretismo. A receita é x proveniente disto e daquilo e a despesa é y para isto e para aquilo. No final, na Conta de Gerência, o equilíbrio tem de constituir uma preocupação fundamental. Ou, então, se as receitas são inferiores ao montante da despesa, a autarquia, inevitavelmente, voltará a endividar-se. Ainda estão em dívida mais de 60 milhões! A não ser que a Drª Rubina Leal, queira regressar aos cem milhões de euros da dívida deixada pelos executivos a que pertenceu. Acho muito bem que se estabeleçam compromissos, porém com dados concretos e responsáveis. Só na canção do Abrunhosa é  que se ouve o refrão "vamos fazer o que ainda não foi feito". Na Câmara a história é outra. É necessário dinheiro, muitos milhões. Se as palavras das promessas ultrapassarem a realidade, tarde ou cedo serão os cidadãos chamados a pagar a factura. Certo?
Ilustração: Google Imagens.

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