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quinta-feira, 31 de julho de 2014

CLANDESTINIDADE(S)


Depois de ter tido conhecimento de algumas partes do acórdão do Tribunal do Funchal, aquelas que foram públicas, mormente as relacionadas com o Jornal da Madeira, confesso que fiquei entre o pasmado e o sentimento da realidade. É suposto o Tribunal ser independente, mas há decisões, baseadas, certamente, em constatações diárias, que deixam qualquer pessoa com "a pulga atrás da orelha". Afinal, do acórdão, alegadamente, ressalta que todos são cegos ou doentiamente partidários, para falarem de uma atitude política sectária do referido órgão de comunicação social. Se uma juíza, depois de tanta observação e compaginação, para, finalmente, decidir, chegou à conclusão que ao JM pode ser feito o teste do algodão, dir-se-á quem são os comuns mortais para dizerem o contrário? O que se encontra nos relatórios das entidades reguladoras e nas sucessivas chamadas de atenção, o que foi apresentado, factualmente, às instituições nacionais e europeias, o que disseram os partidos políticos em sede de Assembleia Legislativa da Madeira, tudo isso é treta, é "masturbação de garganta", porque se a juíza disse que não há razão para se falar de parcialidade, mesmo no contexto das eleições de 2011, enfim, repito, só posso concluir que o Tribunal considera ridículo que um qualquer madeirense pense o contrário! Quem o disser, pelo que li no sumário publicado dessas partes do acórdão, sublinho, só pode ser, presumo, um anti-PSD, um reles e parcial observador, um anti-democrata, um anti-liberdade, são exactamente isso todos aqueles que se atrevam a falar ou a escrever que o JM é um órgão partidário de um governo suportado por uma maioria PSD. Portanto, essa coisa da Região deter quase 100% do capital social da empresa JM não colhe, porque, talvez por isso mesmo, para o Tribunal, parece que a seriedade e a honestidade de quem governa está acima de qualquer suspeita. Para o Tribunal, concluo eu, modesto cidadão, ainda bem que é assim, pois os madeirenses têm quem os guie na luz do "único importante". 


A decisão foi tomada e os "invasores" do JM punidos, tudo "A bem da Região". Antes de Abril, os despachos e não só, terminavam com um sugestivo "A bem da Nação". Essa malandragem, onde se encontram doutorados, advogados, historiadores, actores, jornalistas e sei lá eu que mais, que não têm com que se entreter na vida, que olhe, de uma vez por todas, para a estátua do Palácio da Justiça e que tome consciência que ela está de "mamas" ao léu, não tem balança nem os olhos vendados. Apenas segura uma afiada espada em defesa do bem-estar do Povo da Região, através da sua Justiça. Perceberam ou querem que a Justiça seja regionalizada?
Outra coisa é a clandestinidade do PND ontem anunciada. Se se tratou de um momento de humor, igual a tantos outros onde disseram coisas muito sérias, embora a brincar, tudo bem. Se, porém, da conferência de imprensa ressalta a transmissão de um sentimento de uma luta que passa por outros contornos, bom, isso aí, cuidado, muito cuidado. Já basta a nuvem de uma "FLAMA" de má memória, de tempos em tempos subtilmente aflorada, já basta o desencanto que paira em milhares de famílias, a dureza de um regime autocrático travestido de democrata, a legião de interesses que pululam pelos quatro cantos, para agora os madeirenses e portosantenses serem confrontados com um grupo na luta clandestina. Só pode, por isso, aquele ser um momento de brilhante humor político. Apenas isso e bem conseguido. A luta de todos os democratas é nas urnas, no dia do voto, tal como aconteceu nas últimas eleições autárquicas. A luta está na união de princípios e de valores, na conjugação de todos os defensores da democracia e da liberdade, sem clandestinidade, frente a frente, olhos-nos-olhos, cara-a-cara com todos os que mentem, aldrabam, subjugam, ofendem e utilizam os dinheiros públicos para a sua propaganda diária. A luta tem de ser feita por aí, com elevação e grande dignidade. Ponto final.
Ilustração: Google Imagens.  

sexta-feira, 25 de julho de 2014

JORNAL DA MADEIRA INVADIDO? OU SERÁ O JM QUE "INVADE" AS CARTEIRAS DOS MADEIRENSES?


Li: "O Tribunal Judicial do Funchal condenou hoje a penas de 40 e 50 dias de multa ou a 26 dias de prisão os oito elementos do PND por terem invadido o Jornal da Madeira", no decorrer da campanha eleitoral de 2011. No total uma multa solidária de 11.339,80 euros. O tribunal decidiu. Não comento. O que, enquanto cidadão observador, me deixa perplexo, é o facto do Jornal da Madeira, ilegitimamente, ser pago com dinheiros públicos, apresentar um capital próprio NEGATIVO de 48.194.732,00 Euros, não cumprir com o Artigo 35º do Código das Sociedades Comerciais, todos os anos levar mais de três milhões dos impostos dos madeirenses e nada, absolutamente nada acontece. Ah, pois... não chegou nada aos tribunais. As instituições reguladoras e os Órgãos de Soberania estão a assobiar para o lado. Deve ser isso. Aliás, o JM, como todos os madeirenses sabem, é um órgão de comunicação social completamente ISENTO. Basta ler o artigo do dr. Jardim: "(...) A sobrevivência do PSD-Madeira como partido hegemónico, autonomista e independente do poder económico, passa por futuro líder que não se baixe ao propósito de encerrar o Jornal da Madeira".


Há situações tão antagónicas quanto absurdas que são motivo de algum espanto. Juridicamente, alguém dirá que não existe qualquer incoerência entre aquelas duas situações, porque as mesmas terão de ser analisadas cada uma no seu contexto. Ao cidadão a perplexidade existe. No caso em apreço, porque o Jornal da Madeira é, pública e notoriamente, um jornal de propaganda do PSD-Madeira e do seu governo, onde a Região detém quase 100% do seu capital social. E foi este aspecto, agravado na decorrência da campanha eleitoral por uma informação abusivamente parcial, que motivou, não a invasão do JM, mas a presença de membros de um partido na sua sede para chamar à atenção para o desvario, a prepotência e o sectarismo. Digamos que o efeito foi punido segundo a interpretação da lei, porém a causa continua a passar em claro. Quase 50 milhões de passivo, retirados dos bolsos dos madeirenses, três milhões anuais subtraídos às carteiras dos que pagam impostos na Região é assunto de somenos importância, eu diria até, LEGAL, mas a reivindicação do pluralismo, a ousadia de querer ver consubstanciada uma informação equilibrada, essa pode levar à prisão os seus autores, pelo crime, julgo eu, de introdução em espaço vedado ao público(!). Os outros, refiro-me aos que utilizam os dinheiros públicos como querem e entendem, podem "invadir" a carteira dos madeirenses, retirar-lhes dos impostos uma parte para a propaganda partidária e, aí, está tudo bem. 
Parece que os Órgãos de Soberania têm medo, que as entidades reguladoras têm receio de actuar, parece que o mentor de tudo isto é rei e senhor e que ninguém lhe vai à mão. É isso que fica como imagem. Por isso, a pacífica "invasão" é punida, mas quem "desvia" dos nossos impostos, segue em frente impune! Vá lá perceber-se porquê?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FICOU CHORAMINGÃO COM O DÓI, DÓI...




O Dr. Jardim ficou choramingão com o "dói, dói..." do cartaz do PND. Interessante, aquela força toda manifestada, durante anos, pela boca fora, aquele ar altivo, aquela crítica sistemática às instituições que deveriam acabar, perdeu-se pelo caminho. Agora, um simples cartaz (Dói, não dói? Vota nos mesmos) motivou uma queixinha a Lisboa. Foi-se o sentido de humor e emergiu, tal como o "azeite" do Bloco de Esquerda (de uma campanha passada) a verdadeira face do "chefe". Quando é de ataque aos outros, tudo bem; quando os outros, subtilmente, pisam-lhe onde dói, alto e parem o baile. Sofre tanto com as dores.
É evidente que dói e é evidente que este governo anda a azedar desde 1978. Imagine ele perante tanto enxovalho feito a tantos adversários e ao longo de tantos anos, a capacidade que não tem sido necessária para aguentar e resistir quase sem pio! 
O que me leva a pensar que a recente reclamação junto da Comissão Nacional de Eleições, constitui um momento politicamente interessante, pois é revelador que a ave perdeu penas, estão velhas e gastas, já não sendo capaz de grandes voos. Anda de ramo(s) em ramo(s). Agora pede socorro por um simples cartaz cheio de humor, politicamente acutilante mas que não ofende, pois sugere que os madeirenses, se não lhes tem doído, pois então, "votem nos mesmos".  

sábado, 22 de dezembro de 2012

ARREPIANTE POBREZA: A DAS FAMÍLIAS E A DOS POLÍTICOS


"Este comportamento vindo do PSD não espanta dado que tem sido o Governo Regional do PSD que, na Região, gastou 51 milhões de euros nos últimos 20 anos no Jornal da Madeira; todavia, no que ao CDS/PP diz respeito, este comportamento revela a habitual bipolaridade e esquizofrenia política do CDS/PP, pois, na Região, têm apregoado aos sete ventos que estão contra a situação do Jornal da Madeira, prometendo aos madeirenses e porto-santenses que vão resolver o problema quando, na hora da verdade, votam contra, como já sucedeu com a legislação aprovada pelo PS no anterior Governo da República, ou, hipocritamente, abstêm-se, revelando cumplicidade com o que constitui um evidente desrespeito aos princípios fundamentais da lei da imprensa, da concorrência e do próprio Estado de Direito."


Olho para isto e sinto-me num país africano
onde as carências não têm fim,
mas onde os senhores do poder ou próximos
fazem fortunas mal explicadas.

Esta foto, editada ontem pelo DN-Madeira, confesso que me tanstornou. Tratou-se de uma distribuição de cabazes de alimentos feita pelo PND. Ali, frente à Assembleia Legislativa da Madeira. Centenas de pessoas em fila, que dobrava para a rua da Alfândega. Impressionante. Dir-se-á que a pobreza e a correspondente fome é muito superior à dignidade das pessoas. Aquilo foi o espelho público da tal "Madeira Nova" que o Dr. Jardim apregoa. Uma situação que não espanta, pois que, um pouco por todo o lado, o mesmo está a acontecer, umas vezes de forma mais recatada, outras, como ontem, com gente, muita gente, sem qualquer problema de assumir, de rosto aberto, a pobreza porque passam. Nunca imaginei que uma situação destas fosse possível na nossa terra, apesar de saber, através da leitura de vários indicadores, que a pobreza está aí, para ficar e por muitos anos, infelizmente. Abraço todos os que têm esse sentimento de ajuda ao próximo. E não venham com essa doentia história que isto é "aproveitamento político". Não, para mim, chama-se solidariedade activa, que corresponde também, é verdade, a uma enorme crítica a este regime político absolutamente irresponsável, decadente e asqueroso.
Mas o mais interessante disto é que, no dia anterior, na Assembleia da República, os parlamentares do PSD e do CDS/PP ao contrário de votarem a favor, abstiveram-se, isto é, lavaram as mãos relativamente a um requerimento apresentado pelo Deputado Dr. Jacinto Serrão, sobre o escandaloso caso do Jornal da Madeira. Um Jornal de propaganda do governo que já levou dos impostos de todos nós, 51 milhões de euros nos últimos 20 anos. Aqui deixo o texto do comunicado que me chegou, para que se fique a saber como é que estes senhores que governam a Madeira e como é que os Deputados da Madeira, na República, tratam os problemas sociais dos madeirenses e porto-santenses.
"1 – Ontem, na Assembleia da República, mais concretamente na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, PSD e CDS/PP mostraram claramente aos madeirenses e porto-santenses a sua indiferença e que não estão preocupados em resolver a escandalosa situação do Jornal da Madeira, já que se abstiveram na votação, aprovada com os votos favoráveis da esquerda, do requerimento apresentado pelo deputado eleito pelo PS-Madeira, Jacinto Serrão, para ouvir a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Autoridade da Concorrência (AdC). Refira-se que já em Junho PSD e CDS tinham votado contra uma iniciativa semelhante, igualmente proposta pelo deputado do PS-Madeira. São, em suma, cúmplices do escândalo que constitui o Jornal da Madeira.
2 – Este comportamento vindo do PSD não espanta dado que tem sido o Governo Regional do PSD que, na Região, gastou 51 milhões de euros nos últimos 20 anos no Jornal da Madeira; todavia, no que ao CDS/PP diz respeito, este comportamento revela a habitual bipolaridade e esquizofrenia política do CDS/PP, pois, na Região, têm apregoado aos sete ventos que estão contra a situação do Jornal da Madeira, prometendo aos madeirenses e porto-santenses que vão resolver o problema quando, na hora da verdade, votam contra, como já sucedeu com a legislação aprovada pelo PS no anterior Governo da República, ou, hipocritamente, abstêm-se, revelando cumplicidade com o que constitui um evidente desrespeito aos princípios fundamentais da lei da imprensa, da concorrência e do próprio Estado de Direito.
3 – O PS-Madeira reafirma o seu inquebrantável propósito de resolver esta situação de, na Região Autónoma da Madeira, o Governo Regional continuar a ser proprietário dum matutino, sem, todavia, cumprir as regras do pluralismo nem da leal concorrência, prejudicando deliberadamente outros órgãos de comunicação social de natureza privada. Esta situação além de estar a prejudicar claramente o pluralismo e independência dos meios de comunicação social existentes, na Região, tem inquestionavelmente minado os direitos dos cidadãos à liberdade de informação pela evidente e propositada distorção do mercado, servindo apenas e tão-somente como um instrumento usado pelo Governo Regional e pelo PSD para se perpetuarem no poder.
4 – Além das razões já referidas, o PS-Madeira entende que face ao passivo desproporcionado apresentado pelo Jornal da Madeira, causando recorrente prejuízo à Região, com as respetivas implicações no défice do país, isto justamente numa Região que atravessa uma fase económica e social muito frágil e preocupante, com cortes generalizados em praticamente todos os setores da economia e com muitas famílias a serem flageladas com o desemprego e graves dificuldades financeiras, literalmente a viver uma situação de calamidade social, os milhões de euros gastos anualmente no Jornal da Madeira (só em 2012 foram 5.051.329 milhões de euros) deveriam ser aplicados em apoios sociais que muito ajudariam os madeirenses e porto-santenses mais necessitados e desprotegidos."
Funchal 21 de Dezembro de 2012
Ilustração: DN/Madeira, com a devida vénia.

terça-feira, 20 de março de 2012

VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA


A Justiça, obviamente, trata dos casos que vão surgindo, mas não trata da questão política, se ela existe! Tampouco, não compete, primeiro, à investigação e, depois, aos juízes, pronunciar-se sobre matéria que são da competência de outras instituições. E é aqui que quero chegar. Vejo, em tudo isto, muitos silêncios comprometedores. Seria bom que aqueles que desfrutam de tribunas privilegiadas para falar ao povo começassem já a fazer a pedagogia da tolerância, do respeito pela diferença de opinião, pelas regras da democracia e pela Palavra. Enquanto é tempo.  


O assunto não é novo. Há uma história que vem desde os tempos pós 25 de Abril. A história da intolerância, do bombismo, dos incêndios nas viaturas daqueles que não alinhavam com o pensamento de uma maioria que lançava a sua estrutura de domínio total, a história da pressão e perseguição a algumas figuras que acabaram por sair da Região, enfim, há uma memória que deve ser tida em conta. É evidente que tudo isso teve um tempo, tendeu para a normalização porque essa maioria impôs-se e conquistou a supremacia que dura há trinta e tal anos. Hoje, por razões múltiplas, depois de um largo período de vacas gordas, paulatinamente, crescem os sinais da decadência política, consubstanciados na preocupante dívida pública, na acelerada diminuição do bem estar das pessoas, na pobreza, etc., fatores aos quais se juntam um evidente cansaço de uma significativa parte da população que olha para estes repetitivos governantes com desconfiança e alguma comiseração. Certo é que, ao longo de três décadas criaram-se muitas estruturas organizacionais, muitos entenderam que os lugares políticos que ocupam constituem um emprego para a vida e, portanto, neste novo contexto, onde o poder absoluto se esboroa, parece-me evidente que o conflito é suscetível de regressar. É natural que grandes e pequenos poderes se tornem muito frágeis. Como, com que meios, qual a dimensão do conflito e através de quê, não sei. Agora, preocupa-me os sinais que vamos tendo de clara intolerância. A vandalização de viaturas, para já, constitui um alerta que deve ser tomado em consideração. Subestimar este quadro, interpretando-o como coisa de somenos importância, passar ao lado porque não se deve extrapolar alegadas questões de retaliação pessoal para um quadro mais alargado da participação política, parece-me inaceitável. A Justiça, obviamente, trata dos casos que vão surgindo, mas não trata da questão política, se ela existe! Tampouco, não compete, primeiro, à investigação e, depois, aos juízes, pronunciar-se sobre matéria que são da competência de outras instituições. E é aqui que quero chegar. Vejo, em tudo isto, muitos silêncios comprometedores. Seria bom que aqueles que desfrutam de tribunas privilegiadas para falar ao povo começassem já a fazer a pedagogia da tolerância, do respeito pela diferença de opinião, pelas regras da democracia e pela Palavra. Enquanto é tempo. 
Ilustração: Google Imagens.      

sábado, 3 de outubro de 2009

UM "COCKTAIL" AMARGO E EXPLOSIVO

Penso que a procissão ainda vai no adro. Eram previsíveis as cenas muito desagradáveis, pelo confronto físico que se verificou, mostradas pelas televisões, aquando da inauguração da via expresso ao porto do Funchal. Era uma questão de tempo, depois da declaração do presidente do governo, há dias, em momento congénere, que a presença daqueles "fascistas" (referia-se aos militantes do PND) tinha passado "a ser um assunto do povo".
Não vou aqui tecer considerações sobre o "modus operandi" político dos dirigentes do PND. Apenas ao partido diz respeito. Estou mais interessado em apreciar factos, as suas causas e respectivas consequências. E desde logo o que se deduz é que este confronto tem causas e raízes muito profundas. As consequências são aquelas que ontem se verificaram e que, infelizmente, penso eu, constituem apenas o rastilho de situações provavelmente muito mais graves. Diz a sabedoria popular que "quem semeia ventos colhe tempestades". Ora, aquilo que é sensível é que, de uma forma crescente, à medida que, por razões múltiplas, crescem os sinais de desconforto no seio do partido maioritário, promovem a ventania pelo que não me admira que, tarde ou cedo, um tufão ponha em cacos esta maneira de fazer política. A ver vamos.
O descarado controlo sobre toda a sociedade, a necessidade de manutenção do poder a qualquer preço, o tom e as descabeladas atitudes discursivas, aquilo que, grosso modo, se passa na Assembleia Legislativa da Madeira no que diz respeito ao condicionamento da palavra e à forma como se votam importantes propostas, a fuga ao debate aberto olhos nos olhos e cara-a-cara com os madeirenses e porto-santenses, tudo isto e muito, muito mais está a gerar posições extremadas entre madeirenses. Simplesmente porque não há diálogo, negociação e tolerância. Há, apenas, poder absoluto. Dir-se-á que para o poder maioritário as oposições devem ser mansas, devem falar baixinho, criticar qb, pois servem, apenas, para legitimar o seu próprio poder. A razão da sua existência é a da legitimação de uma espécie de ditatura branda legitimada pelo voto popular.
A este genérico quadro juntam-se os milhares de pobres e excluídos e os desempregados. Daí que, politicamente, o "cocktail" de sabor bem amargo esteja feito e, portanto, sendo esta conjugação uma mistura explosiva, o mais provável é que perante a intolerância de um poder de tons absolutos a resposta assuma contornos de violência. Por um lado, provocada, quando se critica a Polícia, por outro, quando se abrem as portas à "justiça" feita pelas próprias mãos. E quanto maior for a dose distribuída daquele "cocktail", inevitavelmente, maiores serão os estragos. Foi assim em toda a parte. Lamento, porque nesta terra é possível haver crescimento e desenvolvimento sustentáveis em todos os sectores e áreas, respeito, disciplina e rigor, paz, sossego, bem-estar, vida, vivência e convivência democrática e normal alternância no poder, distante dos sinais de agressividade resultantes da intolerância.
Foto: Google imagens.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

MUITO MAIS QUE TRÊS TIROS

Era intenção dos dirigentes do Partido Nova Democracia colocarem um balão (dirigível), com diversas inscrições de natureza política (PND voa mais alto" e "Olho na ladroagem"), a atravessar o arraial partidário promovido ontem pelo PSD-Madeira. Mas a excelente imaginação do ponto de vista político ficou por terra. Desconhecido(s), segundo a comunicação social, aplicaram três tiros e lá se foi o balão.
Não quero nem esse é o meu interesse tecer qualquer consideração sobre a iniciativa do PND. Não deixo de dizer, no entanto, que se tratou de uma actividade com imaginação que através de um investimento não muito significativo (penso eu), atingiria 30 ou 40.000 participantes no arraial. O que me leva a escrever são os tiros, nada mais. Isso é que a todos deve preocupar.
Há muito que reflicto sobre as consequências de uma mudança de orientação política na Madeira. E a leitura que faço é que o poder regional, maioritário há mais de trinta anos, não está preparado para ser oposição e respeitar as regras da Democracia. Aquela que hoje é oposição, essa, pelo contrário, é a minha mais profunda convicção, assumirá responsabilidades e não terá tentações de vingança e de perseguição. Será tolerante. Há sinais que provam isso. Do mesmo já não estou certo sobre a reacção daqueles que hoje formam a maioria ao perderem as responsabilidades governativas. Penso que não estão preparados para serem oposição. Também há sérios sinais que sustentam a minha convicção. A eventual perda de privilégios, dos jogos de influência e, portanto, o sentirem-se afastados do poder, grande ou pequeno, poderá redundar em situações de instabilidade, conflitualidade e até de sabotagem. É muito provável que isto venha a acontecer.
Por múltiplas razões torna-se importante o exercício pleno da Democracia. A "alma" da Democracia reside na alternância e quando assim é interpretado o poder é sempre considerado efémero. Quando isso não acontece, tendencialmente, emergem as situações extremas oriundas daqueles que nunca conheceram o que é ser oposição. Há gente que exerce o poder que nunca fez outra coisa na vida. A saída do poder constituirá, por isso, uma ameaça à sua própria estabilidade.
Por esta e outras razões entendo, enquanto cidadão, que um povo inteligente concede quatro anos para governar; quando se portam bem, mais quatro, NUNCA mais do que oito. A acomodação ao poder, os interesses que esse poder gera e as raízes que cria acabam sempre por se tornar negativos para a estabilidade e paz social. Ademais, a alternância, em princípio, é sinónima de inovação, de criatividade e de melhor governação. Na alternância não se corre o risco da rotina e dos abusos de poder.
Os tiros no balão constituem um sério aviso. Será de bom senso começar a assumir este tipo de preocupações para esbater a intolerância que por aí vai.
NOTA:
Segunda a Agência LUSA, "o PSD/Madeira anunciou hoje que vai processar criminalmente os responsáveis pelo lançamento de um objecto voador perto do local onde decorria, domingo, a festa anual do partido no Chão da Lagoa.
Em comunicado distribuído no Funchal, os sociais-democratas madeirenses adiantam que esta participação judicial "engloba entidades que tenham subscrito qualquer autorização para o efeito".
Foto transcrita do blogue "Pravda lhéu"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ENTRE O EGOÍSMO E A SOLIDARIEDADE

Não discuto a iniciativa em si mesma. Trata-se de uma opção político-partidária, que diz respeito aos líderes do PND e, portanto, não comento. Agora não me demito de fazer duas leituras que me parecem importantes: primeiro, ela é consequência de uma decisão da maioria parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira, absolutamente condenável, porque se trata de uma abusiva utilização de dinheiros públicos para fins partidários como, do ponto de vista social, é de um total mau senso e oportunidade se considerarmos os tempos difíceis que a Região atravessa; em segundo lugar, a verdade é que foram entregues a 250 idosos, com mais de 70 anos, € 30,00, o que denuncia, claramente, o que significa para muitos este irrisório valor para alguns.
Trinta Euros pode significar o pagamento dos medicamentos do mês; pode significar o pagamento de uma significativa parte do passe nos transportes públicos; pode significar o pagamento de um modesto carro de compras com os produtos alimentares essenciais; pode significar um alívio no pagamento da renda casa. Pode significar, enfim, uma ajuda em algumas despesas obrigatórias, sobretudo as de farmácia.
Vi caras, sem complexos, na longa fila dos pobres, esperando a sua vez. Vi a pobreza, negada por alguns, mas que existe espalhada por aí. E quando olho para isto e dou comigo a reflectir na sistemática negação, pela maioria PSD, à atribuição de um complemento de pensão, no valor de € 50,00 a todos os que auferem pensões inferiores ao salário mínimo, pergunto, que coração tem esta gente, que sensibilidade social evidenciam perante aqueles que levaram uma vida de trabalho para agora sobreviverem, muitos na mais completa solidão. Trinta Euros, em tempo de Natal, fez a diferença entre o egoísmo e a solidariedade.