sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ENTRE O SALVADOR E O COVEIRO!


Quando não se faz um esforço de contextualização e de análise a todas as variáveis de processo, quando apenas se olha para o resultado, infalivelmente, corre-se o risco de oferecer aos leitores uma posição distorcida. Aliás, o próprio Diário de Notícias conhece, e bem, pela via do espaço comercial, o esforço que foi realizado pelo Dr. Maximiano Martins no sentido de apresentar à população o seu posicionamento político nos sectores determinantes da governação, assim como as PROPOSTAS para um novo ciclo político. O Diário sabe disso. Sabe que a candidatura do PS foi verdadeira, autêntica e não se escondeu atrás de biombos políticos. E tanto assim é que, um Jornalista do Diário, que muito prezo, pela sua competência e respeitabilidade pública, em conversa informal, lembro-me de me ter dito: desta vez, ao contrário de muitas, tiro o chapéu face ao trabalho que estão a fazer (...)

Alguém ainda tem dúvidas que a Madeira faliu
e que alguém tinha de trazer a Esperança e a Confiança?
Que não se tratava de um "salvador", mas de uma personalidade
credível, capaz de dialogar, com responsabilidade,
no sentido de tornar menos gravosas as medidas
de dupla austeridade? E que os problemas da Região
sendo de natureza económica e financeira, um Economista
com uma história profissional e política
estaria em melhores condições para travar essa batalha?
"De salvador da Madeira a coveiro do PS" foi o título dado ao comentário sobre a candidatura e resultados eleitorais conseguidos, no último acto eleitoral, pelo Dr. Maximiano Martins, peça incluída nas 100 personalidades de 2011, publicada pelo DN-Madeira. Não vou aqui, até porque não é meu hábito, tecer considerações relativamente ao texto publicado, não só porque tenho consideração e estima pessoal pelo jornalista que escreveu a peça, mas também pelo facto das apreciações dependerem de muitas variáveis de natureza pessoal. Por uma questão de princípio, respeito, embora discorde. Quero cingir-me ao título, para dizer, desde logo, quanto o mesmo falseia a realidade. Aliás, já aqui descrevi todo o processo de candidatura para que não subsistissem dúvidas, texto que pode ser lido no seguinte endereço: (http://comqueentao.blogspot.com/2011/11/em-defesa-da-verdade-contra-comunicacao.html)
Não sou advogado de defesa do Dr. Maximiano Martins, mas pertenci a uma equipa de trabalho que foi solidária. Daí que volte a este assunto. Ora, quando não se faz um esforço de contextualização e de análise a todas as variáveis de processo, quando apenas se olha para o resultado, de forma fria e distante, infalivelmente, corre-se o risco de oferecer aos leitores uma posição distorcida. Aliás, o próprio Diário de Notícias conhece, e bem, pela via do espaço comercial, o esforço que foi realizado pelo Dr. Maximiano Martins no sentido de apresentar à população o seu posicionamento político nos sectores determinantes da governação, assim como as PROPOSTAS para um novo ciclo político. Nunca antes tinha acontecido. O Diário sabe disso. Os jornalistas sabem disso. O Diário sabe que a candidatura do PS foi verdadeira, autêntica e não se escondeu atrás de biombos políticos. E tanto assim é que, um Jornalista do Diário, que muito prezo, pela sua competência e respeitabilidade pública, em conversa informal, lembro-me de me ter dito: desta vez, ao contrário de muitas, tiro o chapéu face ao trabalho que estão a fazer. Perguntar-se-á, então, por que motivo os resultados se traduziram em escassos 11%? Pois, essa é a questão que deve (deveria) ser colocada e não a de "salvador" ou de "coveiro". Questiono, na mesma linha, se Edgar Silva foi o coveiro do PCP? Se Roberto Almada foi o coveiro do BE? Que mérito político teve o PAN, no quadro das propostas de governação, para eleger um deputado? E como é que, em um momento tão complexo, a população entrega três mandatos ao Partido Trabalhista, facto que nem os próprios acreditavam?
Alguns, dir-me-ão que estas são justificações esfarrapadas. Não são. Há substanciais e históricas razões de natureza educativa, social e cultural para que o desfecho fosse aquele. Mas daí culpar o candidato "por lacunas comunicacionais" é coisa que não aceito. O PS, em termos comunicacionais foi, talvez, o partido que mais documentos produziu e distribuiu. Foram cerca de 500.000! E as gravações das diversas conferências de imprensa, bem como os debates na TSF, RDP e RTP demonstram a capacidade e o raciocínio claro do Dr. Maximiano Martins nos mais variados temas. Basta consultar ou visionar, em último lugar, os tempos de antena. É evidente que sei que a Madeira regista 58.000 pessoas sem instrução (INE) e que, tendo em conta este facto, certamente que muito papel distribuido não foi lido e muitos não foram compreendidos, apesar do cuidado na publicação de textos absolutamente claros e facilmente assimiláveis; é evidente, por outro lado, que sei que a campanha do PSD terá custado 20 vezes a campanha do PS, sem contar com a pouca-vergonha do Jornal da Madeira; eu sei que há sempre uma máquina "oficial" a trabalhar para a candidatura do PSD, desde Juntas, Câmaras, Casas do Povo, clubes e associações desportivas e culturais. E sei que o governo PSD inaugura e tem à sua disposição vários palcos diários para falar directamente às pessoas, desde as inaugurações às festas disto e daquilo. E sei, também, que o candidato do PSD fogiu aos debates, o que impossibilitou qualquer esclarecimento aos olhos do povo. E tudo isto, que eu sei e que todos sabem, constitui uma situação difícil de contornar e que os resultados acabam por espelhar. Até quando não sei.
Dirão, outros, mas o CDS cresceu de dois para nove deputados. Aí só encontro uma justificação que se traduz na deslocação para o CDS, de muitos votos de um PSD descontente com as políticas social-democratas. A proximidade ideológica a isso conduziu. Mas é um voto "vadio", considero eu, é um voto que pouco significa, até porque não me parece haver grandes diferenças entre um e outro partido. Na República têm um "casamento" de conveniência que se estende à Madeira, embora aqui tentem passar a imagem do combate político. A seu tempo, estou certo que o povo se aperceberá.
Basta comparar figura a figura e sector a sector, isto é,
esta equipa proposta pelo PS com a que governa a Madeira.
Pela primeira vez um Partido, antecipadamente,
transmitiu ao eleitorado, para além de um programa,
quem substituiria quem!
Portanto, partindo de todo este contexto, entendo que o Dr. Maximiano Martins poderia ter sido a figura para "salvar" a Madeira. Hoje, está aos olhos de todos que A MADEIRA FALIU e está aos olhos de todos que o "tal conjunto de desconhecidos" (equipa de governo), comparado com as figuras que fazem parte deste governo do PSD, a diferença é abissal na competência técnica e política. Aliás, pergunto, não tem sido a comunicação social que, muitas vezes e com razão, sublinho, assume que os partidos não criam as condições de abertura à sociedade? Esta, portanto, foi uma oportunidade divulgada e perdida. Se tivesse havido mudança, como acontece por aí fora, inclusive, com gente desconhecida, porventura a capacidade de diálogo com a República teria sido outra e menos gravosas poderiam ser as sufocantes medidas impostas à Madeira.
Finalmente, "coveiro do PS" constitui uma expressão deselegante, face a quem se disponibilizou para enfrentar este monstro político que está criado na Madeira. E todos quantos o enfrentam devem ser considerados e respeitados. Que nem tudo decorreu bem, que a candidatura não esteve isenta de erros, obviamente que sim. Qual a candidatura que, perdendo, não encontra aspectos que poderiam ter sido trabalhados de uma forma diferente? Pois, após o jogo todos são treinadores! De resto, o PS tem uma dimensão que deve ser considerada e só perdem aqueles que deixam de lutar pelas convicções. Eu não desisto. Certamente que o Dr. Maximiano também não. Há tantos exemplos, na Europa e fora dela, cujos candidatos, hoje muito considerados, só ganharam à segunda e à terceira vez! Aí sim, talvez o erro do PS seja o de não manter o seu candidado em vários actos eleitorais. Mas, quanto a isso, há que respeitar os órgãos deliberativos do partido. E nesse aspecto não me meto.

1 comentário:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Não se admire do meu silêncio. Na verdade, nem sei o que dizer. Talvez por não saber falar coreano (do norte), se é que tal língua existe.
Se o nosso grande líder morrer, algo que não lhe desejo, vai ser um novo 20 de Fevereiro, com tanta lágrima que vai correr pelas ruas e ribeiras.
De crocodilo, claro.