segunda-feira, 19 de março de 2012

ESCOLAS COM TELEFONES CORTADOS! E O RESTO QUE ESTÁ "CORTADO"?


É claro que este quadro, sumariamente descrito, coloca em causa um outro muito mais grave: o cumprimento dos projetos educativos. Sem dinheiro, gerido com rigor e disciplina orçamental, obviamente que o processo ensino-aprendizagem se ressente. Dir-se-á que se remedeia ou, na expressão do Dr. Jaime de Freitas, conduz-nos ao que ele considera de "serviços mínimos". Lamentavelmente, é o próprio responsável máximo que pede "serviços mínimos", como se a Escola fosse a empresa "Horários do Funchal" em situação de greve e o governo determinasse o cumprimento da lei das ligações mínimas. Na escola, com uma agravante, a imposição de serviços mínimos tem caráter permanente!


Resta utilizar a criatividade dos meninos!
Desenrasquem-se, estamos com "serviços mínimos"
Noticia a edição de hoje do DN que mais quatro escolas estão com os telefones cortados. Nem recebem, nem podem chamar. Isto é, os professores, em geral, os conselhos executivos e os diretores de turma em particular, se, por necessidade de trabalho necessitarem de estabelecer contatos urgentes, diz o governo... paguem do seu bolso, utilizem o seu telemóvel, ou sejam criativos! E as comunicações não são aspeto de menor importância numa escola: é o acidente que implica solicitar socorro, é o contato com o encarregado de educação por varíadíssimos motivos, desde o processo de aprendizagem às questões de saúde ou de indisciplina.
Pode ter existido, aceito, aqui e ali, algum abuso na utilização dos meios, confesso, facto que nunca percecionei. Fiz muitas chamadas pessoais do telefone fixo da escola, mas sempre me exigiram o respetivo valor. Sou testemunha disso. Mas o problema ultrapassa a questão dos telefones serem cortados por falta de pagamento. O problema é muito mais grave. Quem estiver com atenção tomará consciência que a escola está a rebentar pelas costuras. Basta estar atento à comunicação social. Ontem foi o gás, hoje é o telefone, a reprografia não tem dinheiro para o toner e para o papel, o higiénico falta nas casas de banho, os fornecedores do pãozinho, alguns, não recebem há um ano, os fornecedores em geral levam muitos meses de atraso, os consumos de água e energia elétrica somam meses de faturas pregadas no teto, as empresas de transportes reclamam dívidas pelos transportes no âmbito da Ação Social Escolar, há escolas que, após a aula de Educação Física, os alunos das duas, uma: ou não tomam banho ou a água fria é a solução, há preocupantes saldos negativos a transitarem de ano para ano, enfim, vive-se uma situação de descalabro no sistema, sublinho, há muito denunciado e sempre escondido ou desvalorizado.
É claro que este quadro, sumariamente descrito, coloca em causa um outro muito mais grave: o cumprimento dos projetos educativos. Sem dinheiro, gerido com rigor e disciplina orçamental, obviamente que o processo ensino-aprendizagem se ressente. Dir-se-á que se remedeia ou, na expressão do Dr. Jaime de Freitas, conduz-nos ao que ele considera de "serviços mínimos". Lamentavelmente, é o próprio responsável máximo que pede "serviços mínimos", como se a Escola fosse a empresa "Horários do Funchal" em situação de greve e o governo determinasse o cumprimento da lei das ligações mínimas. Na escola, com uma agravante, a imposição de serviços mínimos tem caráter permanente!
Mas a situação é, ainda muito mais grave do que a descrita. Durante 28 meses os docentes tiveram as progressões na carreira docente completamente bloqueadas. Nos Açores, o governo, através dos mecanismos autonómicos, não só entendeu que todo esse tempo deveria contar para efeitos de contagem de tempo para a progressão, como também os deveria pagar, por tranches acordadas com os parceiros sociais, toda essa "dívida". E pagou aos docentes e a todos os funcionários públicos, recolocando-os nas suas carreiras de acordo com o tempo efetivamente prestado. Na Madeira, não só o tempo não contou, como não pagou, como, após o desbloqueamento do congelamento, aos que foram avaliados e demonstraram estar em condições de progredirem na carreira, mantém uma dídida aos professores de mais de seis milhões de euros. Qualquer pessoa, mesmo que militante do PSD, ao olhar para um quadro destes, penso que a sua consciência ficará atormentada. São dívidas que o presidente do governo não pode, em defesa do seu coração, pedir aos credores para irem a Lisboa sacar o dinheiro!
O que decorre desta situação, no essencial,  é que o governo e a maioria na Assembleia, andam a brincar com o sistema educativo em geral e com os professores em particular. E cada dia que se passa, por um lado, a fatura aumenta e, naturalmente, também, os "serviços mínimos". Tudo isto tem de ser esclarecido. O sistema não aguenta por muito mais tempo este abandalhamento.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

E o U.I quer ter um sistema de educação próprio e finge que apoia os professores!? O U.I está é louco e tem de ser internado compulsivamente ....

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Penso que a Madeira, para sair deste sufoco e para ter um Sistema Educativo que garanta futuro, tem de procurar novos atores políticos. Com estes, a História prova que não chegaremos lá.