sexta-feira, 26 de abril de 2013

UM PRESIDENTE SEM CRAVO, MAS QUE CRAVA NOS PORTUGUESES OS ESPINHOS DA AUSTERIDADE


Disse: "Reafirmo a minha profunda convicção de que Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos". Uma frase que é um monumental embuste, uma descarada e grosseira mentira. Se bem analisarmos, temos problema para muitos anos, mas em 2015 realizam-se eleições legislativas nacionais. A levar à letra a posição do Presidente da República, tal significaria que este governo teria de continuar para além de 2015 e as eleições suspensas, naturalmente, por receio da crise política no meio da tempestade que enfrentamos. Trata-se de um discurso ardiloso, porque ele sabe, ora se sabe, que o País não vai parar por causa da marcação de eleições. No contexto em que nos encontramos, importante seria ter um governo de gestão por uns meses, para que a sociedade pudesse respirar dos atentados que, diariamente, são perpetrados contra o bolso dos portugueses, seria bom até para que a Europa e os tais mercados tivessem cuidado com o descarado ataque que estão a fazer às possibilidades de Portugal, cuja palavra que me ocorre é apenas uma: SAQUE!


O Presidente na penumbra.
Presidente de todos os portugueses?
Uma ova!
Revoltou-me o discurso do Presidente da República, Professor Cavaco Silva. Ele que vê, é claro que vê, um povo a definhar, ele que tem conhecimento da situação desastrosa do tecido empresarial e do exponencial crescimento da pobreza, ele que tem consciência que este governo de coligação já não tem base de apoio porque as pessoas afastaram-se, quando seria expectável um discurso independente, próprio de um Presidente da República, acabou por manifestar-se como o mais servil apoiante de um governo que nos desgraça. Demonstrou, uma vez mais, um sentido de vingança pessoal, o desejo de ajustar contas com o passado, clarificou o seu posicionamento partidário, enfim, teve uma atitude descredibilizadora da função que compete ao mais Alto Magistrado da Nação. Só foi alto na sua estatura, de resto, muito rasteiro no que ao Estado diz respeito. Revoltante. Aliás, independentemente da sua intervenção, repito, partidária, este é um homem apavorado. Ele e o Primeiro-Ministro, com desculpas esfarrapadas, ao encerrarem às portas dos jardins de Belém e de S. Bento, num dia que, tradicionalmente, as pessoas os visitam, demonstraram medo do povo, muito medo que não aparecessem por lá grupos a cantar a Grândola ou em manifestações menos favoráveis. Tiveram medo e refugiaram-se na Assembleia da República. Como o governo não toma a palavra nas intervenções da sessão solene comemorativa do 25 de Abril, o Presidente da República acabou por fazer esse trabalhinho sujo, de defensor de um governo que só se aguenta porque, infelizmente, o Presidente não tem coragem e independência político-ideológica para devolver a palavra aos cidadãos.     
Disse: "Reafirmo a minha profunda convicção de que Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos". Uma frase que é um monumental embuste, uma descarada e grosseira mentira. Se bem analisarmos, temos problema para muitos anos, mas em 2015 realizam-se eleições legislativas nacionais. A levar à letra a posição do Presidente da República, tal significaria que este governo teria de continuar para além de 2015 e as eleições suspensas, naturalmente, por receio da crise política no meio da tempestade que enfrentamos. Trata-se, assim, de uma justificação ardilosa, porque ele sabe, ora se sabe, que o País não vai parar por causa da marcação de eleições. No contexto em que nos encontramos, importante seria ter um governo de gestão por uns meses, para que a sociedade pudesse respirar dos atentados que, diariamente, são perpetrados contra o bolso dos portugueses, seria bom até para que a Europa e os tais mercados tivessem cuidado com o descarado ataque que estão a fazer às possibilidades de Portugal, cuja palavra que me ocorre é apenas uma: SAQUE! 
Mas este Presidente prefere a hipocrisia, prefere continuar a sua rota ideológica, prefere estar contra os portugueses e não com os portugueses. É um Presidente sem cravo, mas que crava os espinhos da austeridade na pele dos portugueses. Ao afirmar que "(...) o efeito recessivo das medidas de austeridade inicialmente estabelecidas revelou-se superior ao previsto (...)", demonstrou, inclusive, as suas debilidades na Economia onde é Doutor. Toda a gente via e agora sente que o caminho teria de ser outro, só ele acreditou e continua com um discurso desastroso para Portugal. Ao manhoso consenso segue-se a ruptura completa com a oposição. Politicamente não o suporto e lamento que tivesse começado o seu discurso assim: "Assinalamos hoje o aniversário daquela madrugada que, ao fim de 48 anos de ditadura, nos trouxe a liberdade e a democracia por que tanto ansiávamos". Repita novamente, Senhor Presidente! Mas, oiça lá, não foi Vossa Excelência que entregou, na PIDE, em 1967, a sua inscrição que significava uma adesão aos princípios da ditadura (Procº 461/67)? Pura hipocrisia.
Ilustração: Google Imagens.

5 comentários:

Vico D´Aubignac (O Garajau) disse...

Boa noite Senhor Professor,
Fomos Cavaquistas convictos desde o tempo da faculdade; hoje nem tanto; todavia a expressão que aqui citou do presidente:
"Reafirmo a minha profunda convicção de que Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos".... É para nós inatacável, porque absolutamente verdadeira!!! Voltar a colocar o socialismo no poder em Portugal é como deitar sal numa extensa ferida ainda aberta - passaremos rapidamente para uma terrível gangrena!
Bom...mas este nosso contacto, que já vai longo, tinha apenas o propósito de Lhe perguntar se o Paulo Cafôfo tem algum e-mail expedito para que possamos lhe expressar o nosso apoio convicto?
Cumprimentos e um bom-fim-de-semana.

Vico D´Aubignac (O Garajau) disse...

...Só um pormenor...
conhecemos pessoalmente o Paulo Cafôfo e temos realmente a melhor opinião sobre as suas motivações e as suas reais capacidades.
Sucede porém não lhe passar sequer pela cabeça que é Vico D´Aubignac...
E devemos manter as coisas assim.
Abraço.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Obrigado pelo seu comentário.
Por uma questão de privacidade, como compreenderá, se o endereço pessoal fosse aqui disponibilizado, obviamente que ficaria aberto a todos. Falei com o Paulo, li as suas mensagens, ele agradeceu e pede o favor de, se assim entender, manifestar o seu apoio através da página no facebook:
https://www.facebook.com/pages/Paulo-Caf%C3%B4fo/551079148278123?sk=app_311894908832084
É compreensível.
Quando à outra questão, as declarações do Senhor Presidente da República... ora bem, quero que saiba, embora não nos conheçamos pessoalmente (se calhar até nos conhecemos), pelos seus comentários, tenho uma enorme consideração e respeito. Os seus comentários são sensatos e na esmagadora maioria das vezes assino por baixo. Porém, desta vez, tenho de dizer-lhe que tenho uma opinião diferente. Não por pertencer à família socialista, mas por outras razões. Cada vez mais sou cidadão, embora a costela partidária dos princípios e valores que me orientam, estejam presentes.
É minha convicção que o anterior governo foi mais vítima que culpado. Como sabe, esse governo assumiu a liderança com 6.83% de défice público e, nos primeiros quatro anos, reduziu tal défice para 2.8%. E veio a crise internacional que varreu todo o Mundo. Vejamos o que se passou em Espanha, com Zapatero, cujo primeiro mandato teve superavit e, agora, está numa situação complexa. Vejamos o caso da Irlanda, da Grécia, da França, do Chipre, da Itália, entre outros. Todos por razões internas, certamente, mas também condenados por um denominador comum: a crise internacional, a maior dos últimos 80 anos. Os movimentos internacionais especulativos, assentes numa economia de casino, foram o cadafalso para muitos povos que nunca viveram acima das suas possibilidades.
É evidente que há críticas internas, eu tenho-as e fi-las em tempo próprio. Mas a verdade é que, em contraponto, não posso esquecer tudo quando foi realizado no plano social ao mesmo tempo que reduziam o défice. Tenho um texto de umas jornadas parlamentares que tive a oportunidade de seguir: http://comqueentao.blogspot.pt/2009/04/blog-post.html
Depois, estou certo que compreenderá, sendo grave a situação, nada melhor do que devolver a palavra ao povo. O próprio CDS está, desde há muito, a afastar-se deste caminho suicida. O PSD está isolado. Ainda hoje a divulgação dos desentendimentos ao nível dos ministros, em pleno Conselho de Ministros, demonstram que há necessidade de travar este caminho.
Quem são os senhores que se seguem, ora bem, o povo que decida. Penso existir um largo consenso nacional que este caminho não interessa. Torna-se, então, desnecessário apelar a um consenso impossível. Mas, enfim, estas palavras ao correr do pensamento, são isso mesmo, palavras de quem sente o drama e que gostaria de ver que estamos a deixar um mundo melhor para todos.
Um abraço e bom fim de semana.

Anónimo disse...

Boa noite.
Senhor Professor,
Muito obrigado pela diligência junto do PC e também pelas suas sempre cordiais palavras.
Pelas razões já aduzidas num post recente, de 31 de Março, não tenho nem nunca vou ter Fbook (para tentar manter ainda alguma da sanidade mental que me resta), pelo que a diligência por Si feita junto do PC cumpriu para já o meu propósito relativamente ao e-mail.
Em relação às nossas opiniões divergentes sobre o presidente CSilva … mantemo-nos pois mutuamente convictos de cada uma delas. Mas compreendo o seu ponto de vista!
Um abraço e iguais votos de um excelente fim-de-semana.
V.D`A.

João André Escórcio disse...

Bom dia.
Caríssimo,
Obrigado pelo seu novo comentário. Desejo-lhe um excelente Domingo.