terça-feira, 18 de novembro de 2014

NÃO HÁ PARTIDOS POLÍTICOS VIRGENS


Em amena cavaqueira, entre um televisor e uma pequena mesa, com um frugal petisco de permeio, um meu Amigo, vai para quarenta anos de diálogos sobre tantos domínios, dizia-me, no seu refinado humor, que há partidos políticos, julgando-se virgens, procuram uma virgem a quem se possam associar, mas que acabarão morrendo virgens, sem terem podido experimentar o prazer e a importância de uma união. Uma metáfora que nos levou a uma gargalhada, porque associada ao contexto da nossa conversa. E, de facto, é assim. Politicamente, ao contrário de mergulharem no que os une, procuram a virgindade de outros, quando há muito a perderam.


No exercício da política e, concomitantemente, nos partidos políticos, não existem virgens. De uma ou de outra maneira, quer no plano interno quer no externo, sabe-se que as suas vidinhas antes de qualquer "casamento", perfurou, e de que maneira, os seus hímenes, melhor dizendo, os seus princípios e valores. Os militantes sabem disso e o povo, tantas vezes enganado, tem essa percepção. O povo sabe que não sabe toda a história. Porque uma coisa é aquilo que é filtrado e que chega ao seu conhecimento; outra, a mais verdadeira, que se esconde no labirinto dos poderes internos, no jogo de influências, no olhar sobre como se movem as pedras do tabuleiro, nas espúrias amizades de circunstância, nas vaidades pessoais, na interpretação que fazem da política como emprego para a vida e não como serviço à comunidade. Estes são os mais descarados, de acordo com a metáfora, os de vida fácil. Mas há outros que discursam a sua virgindade, agarrados a um paleio de infinita pureza, quando se sabe dos seus deslizes ao longo da vida. 
Assisto ao exercício dessa pressuposta pureza quando a todos, repito, todos, não há oceano que os lave. Seria bom para os interesses do povo que dizem servir, olharem-se ao espelho, esconderem as suas fraquezas, olharem para o que os une e colocarem de lado o que os desune. Porque virgens  na política não existem. Fazia-lhes bem um "mea culpa".
Ilustração: Google Imagens. 

Sem comentários: