terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MERGULHADO NA MAIS PROFUNDA DESILUSÃO POLÍTICA


É esse o meu "estado"! Desilusão porque olho para trás e interrogo-me se valeu a pena andar preocupado com a "coisa pública"; desilusão por ver a sociedade onde me integro, na generalidade, a vociferar contra isto e aquilo, mas a permitir a "continuidade", como se fosse possível descobrir um "messias" entre os que condenaram esta terra à dupla austeridade; desilusão ao ver alguns, de quem dependia gerar as condições de uma alternativa política de qualidade, completamente desesperados e incapazes de, humildemente, reconhecerem que são um produto fora de prazo; desilusão pela falta de respeito pela memória histórica, por tantos oposicionistas que lutaram pela liberdade, pela democracia, pelo desenvolvimento, que foram presos, torturados e exilados, gente que hoje olha para certos que metem dó, ao se comportarem tal como outros, em velhos tempos, que "lutavam" apenas pela sua vidinha. 


Uma desilusão que, estou certo, vamos pagar bem cara, porque ali não existe nenhum "messias". A sua música política é a mesma, só que em altos decibéis. Por isso mesmo, qual paradoxo, o "messias" fala baixinho, como que a querer passar despercebido. Quanto menos se mexer, melhor - pensará. 
Amigo meu disse-me, um dia, que se o Al Capone regressasse, a primeira pergunta que faria talvez fosse esta: "como é possível fazer tanto sangue, sem um único tiro?" Estou convicto que a metáfora está certa e que o "sangue" vai continuar sem um único "tiro". E a população, como sempre aconteceu, acabará empurrada pela onda do menos mau e por aquilo que lhe bombardeiam nos ouvidos.
Porque este é o meu "estado", hoje, excepcionalmente, vou ser frontal: de que esteve e ainda está à espera o presidente do PS-Madeira? Que a luta de muitos e de muitos anos se desmorone? Quais os seus verdadeiros interesses? Que valores políticos o orientam? Que estratégia zigzagueante é essa, reflectida na atitude de vários partidos e movimentos, que coloca em causa uma solução portadora de futuro? Quem aconselha o Presidente do PS-Madeira ou quem é o estratego mor desta teimosia politicamente suicidária? O líder dos socialistas madeirenses não anda na rua, não contacta com as pessoas e não consegue perceber, pelos sinais, que existe uma onda que não o favorece? E a Comissão Política e o Secretariado deixam-se ir para um buraco de difícil regresso?
Esta é a minha mais profunda desilusão política, quando há soluções. Bastaria um pouco de humildade política e de uma vista com capacidade para além do horizonte!
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Anónimo disse...

Diga lá, sr. professor, o que o move. Diga lá que quer voltar a dar a golpada como fez em 2011 ao afastar Jacinto Serrão, líder do PS/Madeira como legítimo candidato ao Governo Regional. Diga lá que ainda hoje remoi pelo facto de ter sido forçado da deixar a Assembleia Regional, quando Victor Freitas não permitiu que acumulasse reforma e ordenado. Diga lá, sr. professor, que há razões inconfessáveis para as suas posições, que não concordou com Paulo Cafôfo e com a estratégia para o Funchal. Sempre foi contra tudo, mas devia ter espelho para ver a sua prestação e o quanto contribuiu para que o PS tivesse ficado todos estes anos na oposição. Você e outros como os Trindades e os Max, os Caldeiras e outros que se arrogam históricos do PS, deviam ter vergonha da herança que deixaram e do quanto ainda hoje fazem mal ao PS. Não é apenas ao PS, é a Madeira e aos madeirenses. Muito obrigado por tudo, do fundo do coração.

João André Escórcio disse...

Senhora D. Maria Madalena, quanto enganada está a meu respeito.Tenho muitos anos de participação política, mas não me lembro de si. Peço desculpa por não a reconhecer como elemento do Secretariado, da Comissão Política, da Comissão Regional ou de um qualquer gabinete de estudos. Apenas lhe digo que não conhece o meu percurso, as minhas posições e toda a minha colaboração partidária. No fundo a Senhora D. Maria Madalena atribui-me um valor que não tenho nem nunca tive no quadro partidário. Eu presumo que me deve estar a confundir com qualquer outra pessoa. É possível. Porque nunca fiz da política uma carreira, nunca fui candidato à Assembleia da República, muito menos ao PE e na Assembleia Legislativa apenas fiz dois mandatos, com um intervalo de sete anos. Isto apesar de muitas solicitações. E foi, exactamente, o Dr. Jacinto Serrão que me solicitou colaboração para o período 2007/2011. Registe que eu não confundo projectos políticos com ambições pessoais. A cada momento temos o dever de nos sentarmos e tudo colocar em causa. Nunca tive ambições e não as tenho. Após 2011 poderia ter assumido o lugar na Assembleia e prescindi. Foi o Senhor Vítor Freitas que me agradeceu, durante um almoço, não assumir o lugar porque assim resolvia o problema da representatividade (justa) do Porto Santo. Ele precisava e eu também não queria continuar. Falou-me de uma atitude prestigiante e que o partido agradecia. Por outro lado, infelizmente, desconhece o que escrevi e as reuniões que tive com o Presidente da Assembleia para acabar com a situação dos aposentados. Está tudo documentado e tenho em meu poder uma cópia de um parecer de um constitucionalista contratado pela Assembleia. Finalmente, Cara Senhora, não imagina a felicidade que senti ao participar na campanha do Dr. Paulo Cafôfo. Mas tenho de lhe dizer que não gostei de algumas situações iniciais do mandato, porque pressenti que a situação poderia agudizar-se. Felizmente, tudo foi ultrapassado e regozijo-me pelo que estão a realizar. Para terminar, insurge-se contra a minha pessoa por ter opinião, por não estar acomodado, por não me esconder, por querer uma alternativa para a nossa terra e não se insurge contra aqueles que destruíram a esperança dos madeirenses e portosantenses e que estão na calha para permanecer no poder. Ajude-nos a combatê-los politicamente. E esqueça-se que eu existo. Quanto ao actual momento político, por favor, não "bata" também na Concelhia do Funchal por terem opinião, pois um partido calado é um partido doente.

Anónimo disse...

Caro Professor André Escórcio
Tenho o maior respeito e consideração por si, pois os anos de luta contra o regime opressor do Jardinismo em que deu a cara pelo PS merecem o meu agradecimento.
Mas no último ano tenho assistido a uma campanha da sua parte contra a atual direção do PS, que me leva a pensar se neste momento terá real interesse na mudança de cor política na região.
É evidente que estas negociações finais não está a correr bem ao partido socialista, talvez com alguma culpa do atual líder, mas principalmente porque os restantes partidos não têm um real interesse na mudança, mas sim garantir o seu lugarzinho. E os interesses de outros não se consegue controlar.
Relembro que no passado recente em que o PS adoptou uma estratégia em que candidatou alguém que não o líder, o resultado foi o que está representado na Assembleia.

João André Escórcio disse...

Bom dia e obrigado pelo seu comentário. Pela sua importância, responderei em texto separado. Ao longo do dia escreverei o que penso.