domingo, 29 de novembro de 2015

EXAMES. QUANDO NÃO SE SABE, CONVÉM INVESTIGAR...


Apenas uma nota. Li, na edição de hoje do DN-Madeira, "A semana vista por...", os comentários de Gabriel Pereira, Presidente da Junta de Freguesia do Estreito de Câmara de Lobos. Como má notícia, destacou o "fim dos exames de 4º ano" sublinhando: "(...) Esta medida do novo governo, certamente acarretará prejuízos na educação dos mais novos, não dignificando o ensino português". Discordo, em absoluto. Poderia aqui deixar uma longa justificação baseada em inúmeros investigadores e autores que se pronunciaram sobre a existência de exames face à importância de uma avaliação contínua. Vou, apenas, pela enésima vez, deixar aqui um texto, que já aqui publiquei, e que reproduz o posicionamento de uma investigadora.


Trata-se de um estudo elaborado por Deborah Stipek, docente da Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, que trabalhou o seu estudo ao longo de 35 anos. As referências a esse estudo foram publicadas na revista A Página da Educação, pelo Professor José Pacheco. A autora denuncia o facto de os jovens serem treinados para obterem bons desempenhos em testes e afirma que é aberrante uma educação centrada em resultados mensuráveis e em rankings. E acrescenta que a preparação para exames sufoca a formação de uma personalidade madura e equilibrada. (...) Questiona o Professor José Pacheco: Irá o senhor ministro contrariar dados científicos? E prossegue: (...) Deborah sublinha o facto de o sistema de exames produzir especialistas em provas enquanto prejudicam vidas que poderiam ser promissoras. Em suma, sublinha o Professor José Pacheco, "um ambiente escolar competitivo, voltado para testes e exames é prejudicial à aprendizagem. E quem o afirma é a revista Science que tem por título "Educação não é uma corrida". Escutemos a pesquisadora: "O sistema actual baseado no desempenho em testes, pode prejudicar muito a formação de grandes pensadores. Esta forma de ensino promove um verdadeiro extermínio de grandes mentes. A maneira como a educação é organizada na actualidade faz com que potenciais vencedores do Prémio Nobel sejam perdidos mesmo antes da educação básica, já que o modelo de ensino massacra qualquer outro interesse que não seja o cobrado nos exames. É importante desenvolver talentos. Isso sim tem um papel importante no futuro de alguém". "(...) A maioria dos grandes pensadores que deixaram um legado para a humanidade seguiram caminhos muito diferentes do convencionalmente estabelecido".
Ilustração: Google imagens.

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