quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO


Afirma John Dewey com muita propriedade e autenticidade: "(...) Cem gramas de experiência valem mais que uma tonelada de teorias, porque só com a experiência uma teoria tem um significado vital e verificável. Uma experiência, mesmo que uma experiência muito humilde, é capaz de gerar e de conduzir qualquer quantidade de teoria (ou conteúdo intelectual), mas uma teoria separada de uma experiência não pode ser definitivamente compreendida nem como teoria. Tende a tornar-se numa mera fórmula verbal, um conjunto de palavras-chave utilizadas para tornar o pensamento ou a teoria genuína desnecessário e impossível. Devido à nossa educação, empregamos as palavras pensando que são ideias para colocar questões e ao fazê-lo, estamos, na realidade, simplesmente a obscurecer a percepção que nos impede de ver a dificuldade mais aprofundadamente" - in, Democracia e Educação, Plátano Editora, 2007), citado por Emanuel Oliveira Medeiros, em um artigo publicado na Página da Educação, edição de Inverno.


Pois, "cem gramas de experiência valem mais que uma tonelada de teorias". Trago isto à colação porque face a tantas, nobres e verificáveis experiências em políticas de educação, inclusive, em Portugal, os governantes continuam a transportar e a acreditar em toneladas de teorias que nada valem na prática. Tenhamos presente a polémica gerada com a abolição dos exames no ensino básico, com muita gente contra, desde os partidos da oposição, a pais e até alguns professores! São "toneladas" de insustentáveis teorias. Da mesma forma, e aqui está o fulcro da questão, é a teimosa manutenção das características que enformam o actual sistema educativo, como se nenhuma alternativa existisse. Como se as tais "cem gramas" de experiência de nada valessem. A persistência no erro, as tais "toneladas" irracionais e infundamentadas, conduzem a que essa "teoria separada de uma experiência não possa ser definitivamente compreendida nem como teoria".
Ontem, por exemplo, o secretário regional da Educação foi a uma escola entregar livros, levou a comunicação social atrás de si, produziu declarações, cumpriu o número político para que conste que está a fazer alguma coisa (!), todavia, aquilo que seria fundamental, isto é, colocar em causa a teoria que enquadra o sistema, isso aí, não, pois se sempre foi assim, por que raio é que havemos de fazer diferente? Entregou livros diversos. Logo livros! Mais valia que entregasse apenas um que colocasse todos a reflectir sobre o sistema que temos e o sistema que deverá ser projectado. 
Ilustração: Google Imagens.

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