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terça-feira, 15 de março de 2011

PSD CHUMBA, NA ASSEMBLEIA, A CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO DOS EDUCADORES E PROFESSORES



Ninguém nos pode acusar de mau senso, de não termos em consideração a difícil realidade regional. Se este assunto, há muito, deveria ter sido solucionado, estamos agora face a uma proposta equilibrada e que, certamente, mereceria a concordância dos educadores e professores. Isto não basta pregar pelos quatro cantos da Região que o governo está ao lado dos professores. As palavras só têm significado quando compaginadas com atitudes práticas, sérias e honestas e essas andam distantes, não são perceptíveis.

 

Uma vez mais, embora com votos a favor de toda a oposição, a proposta de contagem do tempo de serviço congelado durante 28 meses, foi chumbada pela maioria PSD. Na oportunidade produzi a seguinte intervenção:
Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
O nosso grupo parlamentar lamenta que uma proposta apresentada em 29 de Outubro de 2010, cuja aplicação foi prevista para o presente ano de 2011, portanto, uma proposta que teve tempo suficiente para uma auscultação aos parceiros sociais, a tempo de ser discutida e eventualmente integrada nas preocupações do Plano e Orçamento para 2011, só agora, em meados de Março, se encontre aqui para discussão. Quase cinco meses depois.
E daqui decorrem, desde logo, dois aspectos: primeiro, a dúvida, no plano político, se este deslizar no tempo foi ou não intencional. Por mais justificações que possam ser dadas, a dúvida permanecerá. Quando o PSD ou o Governo querem, quando estão em causa projectos seus, fazem todos os possíveis para que sejam discutidos e aprovados.
Lá do fundo da agenda passam, através de requerimento, para o princípio da agenda. Quando não lhes interessa fazem aquilo que este facto demonstra. Isto é lamentável e não prestigia nem o PSD nem a própria Assembleia, Senhor Presidente.
Este é o primeiro facto. Mas há um segundo, decorrente do primeiro. É que, aprovado o Orçamento Regional, esta proposta, tal como se encontra, perdeu toda a eficácia em função da entrada em vigor e da produção de efeitos. E ficamos, sem que possam ser assacadas culpas a este grupo parlamentar, impedidos, nos termos regimentais, de voltar a apresentar uma proposta idêntica até ao final da presente sessão legislativa.
Digamos que o PSD fez, com este processo, o chamado “três em um”. Adiaram, chumbam e o processo fica arrumado.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, infelizmente, não é nova esta situação. Isto passa-se com os Decretos legislativos Regionais, cuja preocupação deveria ter outro enquadramento político e passa-se, até, com diversos votos, apresentados de acordo com o Regimento. Há uma extensa lista de votos, desde 09 de Novembro de 2010, cuja discussão, porque desfasada no tempo, torna-se, agora, em muitos casos, passados quatro meses, ridícula para a Assembleia.
Mas regresso à contagem do tempo de serviço congelado. Intencionalmente ou não, repetimos, ela foi relegada para data posterior ao Orçamento Regional. Significa que é o PSD que deve, agora, explicações aos educadores e professores da Madeira e a todos os funcionários públicos.
Nós cumprimos a nossa missão de apresentar uma proposta justa e no quadro da Autonomia. Proposta justa que, como sabem, foi apresentada nos Açores e que contou com o voto favorável de todas as bancadas parlamentares. Nos Açores, não só contaram o tempo de serviço como pagaram os retroactivos desse tempo e hoje, todos estão reposicionados nas suas carreiras. E quando dizemos todos, referimo-nos aos professores, enquanto corpo especial da Administração Pública, e restantes funcionários da Administração Pública.
Aqui não, todos os funcionários foram penalizados com a não contagem do tempo de serviço e agora, voltam a ser penalizados com um novo congelamento na progressão, não se sabe por quanto tempo. Como se isto não bastasse, os Senhores Deputados lembram-se também da trapalhada que ainda decorre relativamente à avaliação de desempenho, neste caso, do pessoal docente.
Neste particular, o Governo, apesar de todas as chamadas de atenção produzidas neste Parlamento, atribuiu, durante três anos, um “bom” administrativo que não valeu para nada, muito à pressa validaram-no com um processo muito pouco transparente, daí decorrendo uma significativa demora no processo de legítimo pagamento aos professores.
Mas quanto ao processo de avaliação ele ainda não existe, depois de quase dois anos de trabalho de uma extensa equipa nomeada para o efeito. Queremos com isto sublinhar que para além da falta de respeito pelas propostas da oposição, a situação que se verifica na avaliação de desempenho, traduz a ausência de respeito por parte da Secretaria Regional de Educação e Cultura por toda a classe docente que desempenha funções na Região.
Nós podemos não aceitar a matriz orientadora do processo de avaliação de desempenho constante do Estatuto da Carreira Docente, mas ele existe e deve ser aplicado. Os professores é que não podem nem devem ficar numa situação de impasse com todas as consequências que daí advêm.
Não se percebe, com tantos quadros, assessores e tantos funcionários na Secretaria da Educação, este assunto continue sem solução. Só agora, provavelmente no dia 23, depois de mais seis meses de interrupção, as negociações com os parceiros sociais irão recomeçar.
Vimos a assistir a meses e meses de um silêncio perturbador que apenas está a conduzir à entropia do sistema educativo. Nada é discutido e contextualizado, desde as refeições dos alunos, à falta do gás, à falta de consumíveis, à impossibilidade de realização de visitas de estudo, aos factores geradores de indisciplina, aos milhões de encargos assumidos e não pagos, à falsa autonomia financeira das escolas, tudo anda envolto num silêncio esperando, certamente, que a onda passe. Só que ela não passa, antes agrava-se nas suas dimensões.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, lembram-se, certamente, que esta proposta não é nova. Já a apresentámos por mais de uma vez. Só que agora, ela apresenta uma preocupação diferente. Esta proposta deixa cair o efeito retroactivo, relembro, a retroactividade que nos Açores foi considerada e liquidada. Esta proposta deixa cair esse aspecto e apenas sugere que o tempo de serviço seja contado. Tivemos em consideração as dificuldades de tesouraria do governo e propomos agora que todos possam contar com o tempo de serviço e sejam reposicionados com efeitos somente a partir de Janeiro de 2011, nem que para isso seja necessária, a par de outras propostas, uma nova alteração ao Orçamento da Região.
Ninguém nos pode acusar de mau senso, de não termos em consideração a difícil realidade regional. Se este assunto, há muito, deveria ter sido solucionado, estamos agora face a uma proposta equilibrada e que, certamente, mereceria a concordância dos educadores e professores. Isto não basta pregar pelos quatro cantos da Região que o governo está ao lado dos professores. As palavras só têm significado quando compaginadas com atitudes práticas, sérias e honestas e essas andam distantes, não são perceptíveis.
Não basta responsabilizar o governo da República pelos diversos constrangimentos. A Região tem órgãos de governo próprio e não pode, em circunstância alguma, constituir-se como uma mera caixa de correio de Lisboa. Se tem governo próprio e se desfruta de orçamento próprio, obviamente que deve assumir as responsabilidades próprias definidas em Estatuto. Esta Assembleia não deveria ter um sinal caracteristicamente adaptativo, mas legislativo; não deveria ter um sinal de negação mas de responsabilização perante um quadro de óbvia justiça social.
Só assim é entendível e defensável a existência de um quadro autonómico.

Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CONTAGEM INTEGRAL DO TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO. ABRIU-SE UMA PORTA DE ESPERANÇA!

No debate desta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, onde foi aprovada a proposta de endividamento da Região no valor de 79 milhões de Euros, na discussão na especialidade, o PS-M apresentou uma proposta de aditamento que previa a contagem integral do tempo de serviço congelado na Administração Pública durante 28 meses. A proposta previa o reposicionamento nos novos escalões e o pagamento dos primeiros dois meses, deixando para 2010 e 2011 o reposicionamento dos restantes 26 meses. A proposta foi chumbada pela maioria PSD mas, o Secretário Regional das Finanças, na sua intervenção considerou de bom senso o escalonamento por dois anos daquela situação que, na Região Autónoma dos Açores, há muito que se encontra resolvida.
Aliás, por antecipação, esta proposta foi publicada na edição de hoje do DN-Madeira e não deixa de constituir um sinal de esperança o facto do Secretário Regional da Educação ter comparecido ao debate. Uma vez que esta situação foi, num primeiro momento despoletada pela classe docente, a presença do titular da pasta da Educação não deixa de ter algum significado político. Resta agora saber se, na discussão do Orçamento que amanhã se inicia, aquele foi apenas um sinal de preocupação no sentido da solução deste problema ou se se tratou, apenas, de um deslize nas palavras ditas.
Há que aguardar mas, estou em crer que o Governo não conseguirá aguentar por mais tempo esta pressão que já motivou uma Petição com mais de 4000 assinaturas de docentes da Região Autónoma da Madeira e que a maioria parlamentar fez ouvidos de mercador.
Foto: Google Imagens (verdade ou mentira).

segunda-feira, 16 de março de 2009

PETIÇÃO DOS PROFESSORES PELA CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO

Na próxima Quarta-feira, na Assembleia Legislativa da Madeira, a Comissão de Educação reunirá para analisar e decidir o que fazer da Petição dos Educadores e Professores pela contagem do serviço docente congelado durante 28 meses.
A Petição foi assinada por 4000 educadores e professores da Região. No essencial, pedem os docentes que, tal como aconteceu nos Açores, todos os funcionários públicos onde se incluem os docentes, sejam reposicionados nos novos escalões da carreira de acordo com o tempo de serviço efectivamente prestado. Não está, portanto, em causa qualquer retroactividade de salários mas tão só a contagem do tempo de serviço.
Penso que o PSD-M irá ignorar esta Petição uma vez que, já por três vezes, o PS-M apresentou propostas nesse sentido tendo sido rejeitadas outras tantas. Mas... ainda espero que o bom senso prevaleça e que o grupo parlamentar do PSD-M reveja o seu posicionamento e se abra à negociação com os parceiros sociais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A DECISÃO ESTÁ TOMADA: CONTRA OS PROFESSORES E RESTANTES FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Acabo de participar, na Assembleia Legislativa da Madeira, na audição ao Secretário Regional da Educação. Foram tratados dois temas: Turmas de Elite e Contagem do Tempo de Serviço congelado, para efeitos de reposicionamento nos novos escalões da carreira.
Sobre o tempo de serviço e questionado por mim, se o assunto era dado por encerrado, o Secretário Regional não deixou margem para dúvidas, dizendo que não há abertura para que tal venha a acontecer. Que o problema é do governo da República, sublinhou. Isto, quando toda a gente sabe que, nos Açores, o problema foi ultrapassado através da Autonomia que dispõem. Portanto, concluo, que a PETIÇÃO apresentada na Assembleia tem um destino certo: ARQUIVO. Desta decisão saem penalizados todos os funcionários públicos e, em particular, os docentes. Ainda argumentei de duas formas:
1º Se o problema é de natureza orçamental, trata-se de uma questão de faseamento dessa contagem e de negociação com os parceiros sociais;
2º Se o problema é de (i)legalidade ou (in)constitucionalidade, tal como tantas vezes acontece com outras matérias, o governo que remeta o diploma para o Senhor Representante da República e logo se verá.
Todavia, em vão.
Têm a palavra os funcionários públicos em geral e os sindicatos de professores, em particular o Sindicato de Professores da Madeira que foi quem mobilizou a classe docente para a PETIÇÃO entregue na Presidência da Assembleia.

AFINAL... ESTÃO AO LADO OU CONTRA OS PROFESSORES

Ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, participei num encontro com o Sindicato de Professores da Madeira. O tema central foi a recente PETIÇÃO, subscrita por mais de 4000 educadores e professores da Região, no sentido da contagem integral do tempo de serviço prestado no período de congelamento das carreiras (28 meses).
Trata-se de uma justíssima reivindicação dos docentes que, aliás, já por duas vezes o PS-Madeira apresentou na Assembleia sob a forma de Projecto de Decreto Legislativo Regional e outras tantas foi chumbado pelo PSD. Projectos praticamente idênticos àquele que foi apresentado nos Açores e que mereceu a aprovação da Assembleia açoriana, baseado na adaptação à Região dos Açores da Lei nacional sobre Vínculos, Carreiras e Remunerações.
Nos Açores, o PS e o CDS/PP votaram favoravelmente e o PSD absteve-se. Na Madeira, o PSD votou contra a contagem do tempo de serviço. Nos Açores, os 18.600 funcionários públicos viram todo o tempo de serviço contado para efeitos de reposicionamento nas carreiras. Na Madeira, todos estão lesados na progressão profissional.
A posição do PSD é incompreensível e absurda por dois motivos: primeiro, porque nega a Autonomia nos planos teórico, prático e da própria capacidade legislativa da Assembleia; segundo, porque constitui uma traição aos professores em função das promessas globais feitas na campanha eleitoral de 2007.
Os educadores e professores não estão a pedir nada de especial. Eles estão a reivindicar que contem o tempo de serviço prestado e que esse tempo seja considerado para efeitos de reposicionamento nos novos escalões da carreira. Não estão a pedir retroactivos, estão a solicitar que o tempo prestado durante o congelamento conte. Nos Açores o governo e os sindicatos acordaram na defesa da justiça do que está em jogo. Acordaram até num faseamento, em dois momentos, para que a reposição acontecesse. Ora, se o problema, na Madeira, é orçamental, o governo que considere o tempo de serviço prestado e estipule datas para o reposicionamento.
Argumenta o PSD que está em causa a mobilidade, porque um professor, em termos de concurso, relativamente aos do Continente, ficaria em vantagem. Trata-se de um falso problema, porque todos sabemos que o tempo de serviço congelado conta para efeitos de concurso e de aposentação e apenas não conta para efeitos de progressão. De onde se conclui que, neste processo, houve e há um acto de extrema hipocrisia política, de apresentar duas caras junto dos professores: por um lado, disse o Secretário da Educação, que “a mudança será sempre feita com os professores e nunca contra eles”; por outro, na prática, comporta-se contra os professores. Ao contrário do governante, eu entendo que os professores são uma estrutura do investimento, não são uma estrutura da despesa. É por isso que é no âmbito da Autonomia e das competências legislativas que a Assembleia deve corrigir a injustiça que foi criada.
Nota:
Hoje, pelas 11 horas, sobre esta matéria, o Secretário da Educação é ouvido na Assembleia, em sede de Comissão de Educação. Oxalá coloque um ponto final neste assunto e que não volte a dizer que este é um problema da República.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

FUNÇÃO PÚBLICA: CONTAGEM INTEGRAL DO TEMPO DE SERVIÇO

O assunto não é novo. Transitou da sessão legislativa anterior, no decorrer da qual o PSD chumbou uma proposta do PS-M, no sentido de todo o tempo de serviço efectivamente prestado, durante o período de congelamento das carreiras (30 de Agosto de 2005 e 31 de Dezembro de 2007), contasse para efeitos de reposicionamento nos novos escalões da função pública em geral e dos professores em particular. A iniciativa começou por enquadrar-se no caso dos educadores e professores e, já mais no final da sessão legislativa, estendeu-se a toda a função pública. Esta proposta estará, novamente, em discussão na Assembleia Legislativa Regional. E pelo que tem sido dado a conhecer através de várias iniciativas, todos os partidos da oposição entendem haver justiça nesta proposta. E há justiça porque ninguém está a pedir retroactividade ao nível salarial mas apenas que o tempo de serviço prestado conte para efeitos de reposicionamento e progressão na carreira.
Na Região Autónoma dos Açores, o governo, em articulação com os parceiros sociais, adaptou àquela Região o Decreto-Lei sobre os Vínculos, Carreiras e Remunerações e, a partir daí, contemplou toda a função pública com a contagem do tempo de serviço prestado durante o congelamento. Na Madeira, o governo do PSD e o seu grupo parlamentar, num primeiro momento chumbaram a iniciativa. Espero que este assunto, no regresso aos trabalhos parlamentares, tenha outro entendimento por parte da maioria, até porque se torna necessário enquadrar, na proposta de Orçamento para 2009, as verbas necessárias. Trata-se de um assunto da competência regional, aliás, como ficou provado nos Açores e não da esfera de responsabilidades do governo da República. E que fique claro que não se trata de uma proposta de teor politicamente oportunista do PS-Madeira como ouvi algures, mas de uma proposta sensata e que corresponde ao mais elementar sentido de justiça.
Neste momento decorre uma petição on-line, cuja iniciativa pertence ao Sindicato de Professores da Madeira e que pode ser assinada aqui.