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domingo, 21 de janeiro de 2018

ONDE SE FALA DE COSTA(S) LARGAS E DE BICICLETAS BT(T)


Escrevo com a liberdade de pensamento que me assiste. Entendo que respeitar a democracia é uma coisa, reflectir sobre o futuro é outra. E essa leitura posso e devo fazê-la. É-me legítima. Os militantes do PS-Madeira votaram no senhor Emanuel Câmara. Fizeram a sua escolha. Está feita e ponto final. Diferente da minha. Oxalá esteja eu completamente enganado, mas estes resultados, infelizmente, não auguram nada de bom. Continuo a defender que o político mais bem preparado para governar foi, internamente, preterido. A Madeira precisava de um político de qualidade no sentido do pleno domínio de todos os dossiês da governação, coisa que, obviamente, não se aprende de um dia para o outro, nem com blá, blá, sobretudo no concernente a dossiês determinantes, caso concreto, da Economia e Finanças, verdadeiro calcanhar de Aquiles da Região. Fazer projectos no papel, estou a falar da elaboração de "moções" é uma coisa, possuir inteligência política para os implementar é outra. Aliás, os vencedores sabem-no bem, que o exercício da política séria e consequente não se consegue, apenas, com largos sorrisos e "soundbytes" de circunstância.


Não quero saber das razões mais substantivas, das maquiavelices ou da opacidade de todo o percurso que, aliás, foi público e notório. Há muito que é assim, que o subterrâneo funciona. Foram perceptíveis algumas passagens na comunicação social. Percebeu-se que houve e que há "costa's" largas neste processo e, como hei-de dizer, bicicletas todo o terreno, de marca BT(T) a funcionar de acordo com inegáveis interesses pessoais e até com pontinhas de vingança relativamente a etapas anteriores. Mas isso é passado. De que vale chorar sobre o leite derramado, questiono-me. Porém, não esqueço as históricas habilidades no bas-fond. Fala-se, agora, de uma tal estratégia ganhadora e que, doravante, isto será sempre a abrir! Oxalá não fique a restar a continuidade dos estratagemas. Por aí será muito difícil atingir seja que objectivo for. É preciso qualidade, muita qualidade técnica e política para marcar a diferença. E a propósito, enaltece a edição de hoje do DN-Madeira: Carlos Pereira "fez crescer o PS-Madeira e deu-lhe credibilidade. E tanto assim foi que tornou a liderança apetecida. Perdeu mas deixa a fasquia alta (...)".  
Quem, um dia, se predispuser a fazer a História, do Surdo à Alfândega, certamente que terá de escrever sobre acções ardilosas e armadilhadas que agora atingiu o seu apogeu. Não tenho paciência para chafurdar nas maquiavelices, mas  preocupa-me o futuro. O meu Amigo Arquitecto Luís Vilhena escreveu que nas recentes eleições ficou claro que "o PS Madeira não estava preparado para o Carlos. E apesar de todos reconhecerem a sua competência, era-lhes muito difícil engolir isso". Eu penso que sim. Essa foi a posição de toque à qual se juntou a luta pela continuidade de um emprego na política. Por conseguinte, qual estratégia! 
Seja como for, depois desta vitória do senhor Emanuel Câmara, bom seria que mudasse de opinião (penso, também, que é tarde) apresentando-se, em 2019, com a tal estratégia ganhadora, como cabeça de lista e candidato a presidente do governo. E que o Dr. Paulo Cafôfo regressasse à sua predisposição inicial, isto é, a de governar a cidade do Funchal, o melhor possível, até ao final do mandato, com possibilidades de renovar o mandato. Diz o provérbio "quem tudo quer, tudo perde". E a tal "estratégia" pode conduzir a dois pássaros a voar. Cuidado. 
Jamais voltarei a escrever sobre este tema. Se, em Outubro de 2019, não tiver razão, oxalá não tenha, obviamente, que aqui virei exultar a vitória do meu partido político. Para já, com toda a minha sinceridade, deixei aqui o que penso. Que sejam felizes!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

DEIXEM O EMANUEL CÂMARA ONDE ESTÁ


Há para aí quem ande a patrocinar uma candidatura de Emanuel Câmara à presidência do Partido Socialista na Madeira. Percebo o jogo de quem não tendo coragem para assumir, sugere outro, na lógica de eu não estou, mas está alguém que não me levantará problemas face aos meus desígnios. Como se o Emanuel fosse influenciável. Ora bem, deixem o Emanuel Câmara onde está. Ele que, desde 1993, numa apaixonada teimosia que durou vinte anos, soube esperar pela onda que o conduziu à presidência da Câmara do Porto Moniz. Só por isso, pela sua persistência nutro consideração e respeito político, coisa que não tenho por outros, que parece quererem oferecer-lhe um presente envenenado. 


Emanuel Câmara não voltou a cara à luta, não se escondeu, não se fez caro, não aparece apenas ao lado de figuras nacionais, não se tornou, infantilmente, "O Desejado", pelo contrário, fugiu sempre da penumbra e assumiu, com todos os riscos pessoais, uma posição clara, mesmo no tempo em que nem militante partidário era. Num concelho como o do Porto Moniz onde se ganha uma eleição por escassa diferença de votos, é de muito mau senso, quando o seu mandato ainda nem a meio vai, sugerir o seu nome para uma corrida que, estou certo, só lhe trará mais consequências negativas do que positivas. 
O momento que o Partido Socialista atravessa é muito delicado. Eu diria que é complexo face aos vícios que se instalaram. Romper com essa teia de mediocridades não se me afigura tarefa fácil. É meu entendimento que a hora é de reunir personalidades que ao longo dos anos se afastaram ou foram subtilmente afastados, mas tal só será concretizável com muito bom senso e tomada de consciência da sua importância na afirmação pública dos socialistas. Não sei se estarão dispostos, porque, entretanto, fizeram outras opções na sua vida (inclusive, político-partidárias), gente magoada, facto que remete para uma posição de enorme responsabilidade. Sair de uma situação que gerou sofrimento para muitos, para uma sociedade em sofrimento e que deseja uma alternativa consistente, para se meter numa outra que não seja portadora de futuro, como se o PS fosse um partido marginal e sem vocação de poder, um clube de bairro, parece-me constituir uma inexplicável imprudência.
A liderança de um partido com a história do Partido Socialista na sociedade portuguesa não é para qualquer um. Existem três pressupostos fundamentais: credibilidade técnica, política e notoriedade social. Há quem não goste que assim seja, mas é a realidade. De resto, o PS não pode ser um ninho de interesses pessoais, gerido com amadorismo e por pessoas que a população não lhes reconhece confiança. E quanto àquele(s) que funciona(m) por detrás da cortina, que nunca se assume(m), esse(s) que o diga(m), claramente, não contem comigo, nem directa nem indirectamente. Nem aqui nem no plano nacional. Por isso, desampare(m) a loja.
Ilustração: Google Imagens.