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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

UM CANDIDATO ENTRE O JAZZ E A MÚSICA PIMBA


O mais interessante disto é que o candidato Dr. Bruno Pereira vai nessa história. Ele quer ser presidente de uma câmara que oscila entre um magnífico espectáculo anual de jazz e uma repelente música pimba. Melhor que Carreira é o artista Jardim que fez "Carreira" política e que, embora mantendo o mesmo espectáculo de há 37 anos, é hoje fonte de humor, de divertimento, capaz de interpretar a tragédia e a comédia como poucos. Mas a política de certos senhores sempre foi feita assim. Não têm € 66.000,00 para a Fundação (os responsáveis estão nos dois ambientes) pagar as contas de água e de energia eléctrica, mas têm quarenta mil para dar a um sujeito para, no intervalo, tentarem vender um produto político completamente fora de prazo. Falta-lhes um mínimo de pudor. Não tenho dúvidas que a praça se encherá, mas o sentido de voto não se alterará com essa manifestação que constitui, do meu ponto de vista, uma provocação aos que nada têm, um acto incompreensível por quem quer e não pode pagar as suas obrigações mensais, quer alimentar os filhos e depende da solidariedade, que desejam adquirir os cadernos e livros para a escola que se aproxima e sentem os bolsos vazios. Que reles e oportunistas são! 




Não tenho a certeza se aqui já contei a situação que vou tentar narrar. Envolveu uma campanha eleitoral, comícios-festa e artistas convidados. A história já tem uns anos. Antes de mais fica aqui o registo que sempre tive dúvidas sobre a relação custo-benefício relativamente às acções de campanha com artistas vindos de fora. Porém, quando assumi responsabilidades dessa natureza, a vontade dos grupos de trabalho que integrei foram sempre determinantes. Lembro-me de ter estabelecido um contacto com o Sérgio Godinho que acedeu participar num comício. Não sei precisar o cachet, mas tenho a noção que foi irrisório, um pouco por amor à camisola na luta por uma sociedade melhor. Tratava-se de um artista com muitas canções de intervenção política, portanto, pensei eu, adequado para o comício ali junto à Assembleia Legislativa da Madeira. Convidei, também, um grupo de músicos da Madeira, que formavam um conjunto de irrepreensível qualidade, para a primeira parte do referido comício-festa. Lamento não lembrar-me o seu nome. Ora, estava este grupo em palco, decorriam já uns quinze a vinte minutos de espectáculo e um sujeito abeira-se e pergunta-me: olhe, a que horas é que isto começa? Respondi-lhe: já começou. Ele retorquiu: eles estão ainda a ensaiar, não estão? Na altura, ainda para ele olhei, para perceber se estava no gozo comigo. Não estava. A sua cultura musical é que era outra. Possivelmente, mais pimba!  
Frente ao palco, mesmo quando o Sérgio Godinho actuava, talvez estivessem umas trezentas pessoas. Algumas outras dezenas sentadas nas esplanadas vizinhas. Mas ali junto ao palco, os do partido e, provavelmente, aquelas pessoas mais sensíveis à Revolução de Abril e às letras que muito disseram e continuam a dizer. Aquele episódio do homem que desesperava por ouvir qualquer musiquinha conhecida, ao jeito, certamente, da música pedida das estações de rádio, fez-me reflectir e mesmo confirmar que os comícios com artistas de qualidade não valem a pena. Os outros, com música pimba, de choradinhos ou de versos brejeiros, as pessoas acorrem pelas mais diversas razões, mas o efeito eleitoral não tem a expressão que os partidos pretendem. Estou convencido que é dinheiro mal gasto. Hoje, ainda por cima, em um momento de clara tragédia económica, financeira e social, como ontem foi público, o PSD gastar € 40.000,00 com um sujeito, penso ser ofensivamente pornográfico. Não tenho dúvidas que a praça se encherá, mas o sentido de voto não se alterará com essa manifestação que constitui, do meu ponto de vista, uma provocação aos que nada têm, um acto abstruso por quem quer e não pode pagar as suas obrigações mensais, quer alimentar os filhos e depende da solidariedade, que desejam adquirir os cadernos e livros para a escola que se aproxima e sentem os bolsos vazios. Que reles e oportunistas são!
O mais interessante disto é que o candidato Dr. Bruno Pereira vai nessa história. Ele quer ser presidente de uma câmara que oscila entre um magnífico espectáculo anual de jazz e uma repelente música pimba. Melhor que Carreira é o artista Jardim que fez "carreira" política e que, embora mantendo o mesmo espectáculo de há 37 anos, é hoje fonte de humor, de divertimento, capaz de interpretar em cima do palco a tragédia e a comédia como poucos. Mas a política de certos senhores sempre foi feita assim. Não têm € 66.000,00, segundo o DN-Madeira, para a Fundação (os responsáveis estão nos dois ambientes) pagar as contas de água e de energia eléctrica, mas têm para dar quarenta mil a um sujeito para, no intervalo, tentar vender um produto político completamente fora de prazo. Falta-lhes um mínimo de pudor.
Assumiu, ontem, o candidato Dr. Paulo Cafôfo e com toda a razão: "(...) Estamos um pouco cansados de homens de gravata e cinto largo nas calças, que só procuram a sua carreira política. O objectivo deve ser servir o público e não servir-se do público", pelo que "esta é a hora da mudança" (...) "Somos os únicos em condições de derrotar o poder estabelecido, de derrotar o dr. Bruno Pereira que é o procurador do dr. Jardim". Concordo.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DE QUANDO EM VEZ CONVÉM RELER A HISTÓRIA




Estou a reler este livro de Ribeiro Cardoso. A memória, muitas vezes, atraiçoa-nos. Não é que a história não seja conhecida de fio a pavio, mas a par de outras leituras de teor não político, quando vivemos um período de relevante importância para o nosso futuro colectivo, entendo que é importante cruzar o que por aí vai acontecendo com a fraude política que foi todos estes anos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A "UNIDADE IMPECÁVEL"


Assume Alberto João Jardim, salienta o "insuspeito" Jornal da Madeira, que o PSD-M está com uma "unidade impecável". Nem precisaria de o dizer, pois vê-se à vista desarmada. É público e notório que não existem divisões internas. Basta ter em consideração que ele apenas tem o apoio de 50% e uns pozinhos dos militantes. Clara como água que a unidade é impecável! Depois, é mentira o que andam por aí a dizer relativamente ao rol de expulsões por "delito de opinião", é uma gravíssima calúnia que não existe um conflito entre barões deputados ou deputados barões, assunto que anda pelo Tribunal, é falso que existam candidaturas independentes com origem em militantes do PSD, enfim, tudo mentiras inventadas certamente pela Maçonaria, pelo Senhor Blandy ou pelos inimigos da "Madeira Nova". Oh presidente faz-de-conta, e se fosse bugiar com essa treta? O que está a acontecer é que o senhor já não tem mão no partido, não é respeitado (se alguma vez o foi!) e ainda não se deu conta que meia-dúzia ainda o aguentam, vá lá saber-se porquê? Aliás, politicamente, nunca foi líder. Foi um chefe. Há uma diferença substancial nos conceitos. Leia Chester Barnard ou Jon Katzenbach para perceber o que é um líder. Mas não quero por aí entrar. Centro-me, essencialmente, na manutenção de um discurso de fumo, como se toda a população fosse mentecapta, porventura como desejaria que fosse. 


Ainda ontem li, na edição do DN-Madeira, uma "carta do leitor", assinada por LM, muito interessante e reveladora da instabilidade emocional do ainda presidente. Escreve a leitora:
"Como é habitual, o presidente da R.A.M. marcou presença no areal do Porto Santo, no último fim de semana de Agosto. Eu, uma campista assídua do único parque de campismo nesta ilha, abordei de forma educada o Drº Alberto João Jardim, solicitando a sua intervenção na requalificação deste espaço. O Drº Alberto João disse não tratar desses assuntos “na areia” e que esse género de turismo não lhe interessa, sendo provável o encerramento do referido parque. 
Considerei o seu tom e atitude muito bruscos e pouco respeitosos para a minha, uma abordagem respeitosa. Penso que apesar de não tratar de assuntos no areal, pode ouvir as preocupações das pessoas que representa, sem atitudes altivas e de desprezo.
Quando o Drº Alberto João fazia o sentido inverso, procurei abordá-lo novamente, apenas para demonstrar que devia ouvir o que preocupa os madeirenses, não apenas quando faz campanha nem nos seus arraiais. Se muitos tiveram que o ouvir nos adros das igrejas (que à semelhança do que me disse “não é local para tratar destes assuntos”), também ele pode ouvir-nos na praia. Quando me aproximava ouvi-o comentar com a sua mini-comitiva se queriam "peixeirada". Um dos seguranças aproximou-se, questionando-me se já não tinha desabafado. Respondi que não faltei ao respeito ao Drº Alberto João, sendo interrompida pelo segurança que disse "está mas é caladinha"! 
Penso que o tempo de estarmos calados perante estas “Eminências” já acabou e que um povo cada vez mais informado não pode permitir autoritarismos e poderes perpétuos".
Pois, tem razão a leitora, é tempo de acabar com esta gente armada em régulos de tabanca e que nunca chegarão a líderes de coisa alguma. Nas eleições autárquicas do final deste mês o Povo tem aí uma oportunidade para MUDAR. 
NOTA:
"Há uns herbívoros que resolvem gritar porque outra coisa não sabem fazer" - Palavras de Alberto João Jardim, por ocasião de uma manifestação, no acto inaugural de uma obra da Empresa de Electricidade da Madeira. Os herbívoros certamente que lhe darão a resposta.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

MAS O QUE É REFORMAR O ESTADO?


Não é um catraio, um traquinas ou um rapaz rebelde. Não, ele sabe o que anda a fazer e por quem anda a fazer. Daí que demonstre, debaixo daquela cara de anjinho, por vezes com um ligeiro sorriso, que é, politicamente, um sujeito a evitar. Detesto mentirosos, gente que promete e não cumpre, que aldraba através da palavra (ver aqui), gente que incute o medo ao jeito de, se não for assim, pior será! Repudio políticos com responsabilidades governativas, eleitos segundo os normativos constitucionais e que, depois, vociferam contra a Lei das Leis, a nossa Constituição. Passos Coelho ainda ontem disse: "(...) É um absurdo" que o Governo não possa reformar o Estado, deixando críticas ao Tribunal Constitucional pela interpretação da Lei Fundamental. Mas quem é este senhor, que qualificações académicas tem para dizer que falta bom senso aos juízes do Tribunal Constitucional? Por outro lado, o que é reformar o Estado? É garantir o despedimento rasgando os contratos celebrados? É entregar, de mão beijada, os sectores estratégicos de desenvolvimento do País aos privados? É cortar, sem dó nem piedade, nos direitos sociais adquiridos? É promover a mobilidade dos cidadãos, colocando-os na antecâmara do despedimento, fragilizando a estrutura da família? É roubar ou confiscar as pensões de quem trabalhou quarenta e mais anos, entregando valores porque acreditando que o Estado era pessoa de bem? É impor uma insuportável carga fiscal? Oh Dr. Passos Coelho e Dr. Paulo Portas, por favor, desamparem-nos a loja!


Daniel Oliveira, jornalista do Expresso, publicou um texto sobre o primeiro-ministro. Deixo-o aqui à consideração dos que por aqui passarem.
"Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis.
Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas.
E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. São rapazolas.
Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições.
Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco"?
Sobre a caracterização que Passos Coelho fez, na sua intervenção, dos portugueses, que não merecia, pela sua indigência, um segundo do tempo de ninguém se fosse feita na mesa de um café, escreverei depois. Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir:
Como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro?"

A propósito do dito...

Nome: Pedro Passos Coelho
Data de nascimento: 24 de Julho de 1964
Formação Académica: Licenciatura em Economia pela Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade)
Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD.
A partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Eng.º Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado moço-de-fretes, tais como:
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2007-2009) Presidente da HLC Tejo, SA;
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest;
(2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente, SA;
(2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA;
(2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA;
(2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo, SA.
E é este homem que:
Nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade!
Mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa universidade privada) aos 37 anos de idade!
Sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como ADMINISTRADOR!
E se atreve a:
Falar de mérito profissional e de esforço na vida!
Pretender dar lições de vida a milhares de trabalhadores deste país que nunca chegarão a administradores de coisa alguma, mas que labutam arduamente há muitos anos, ganhando salários de sobrevivência! 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 1 de setembro de 2013

DR. BRUNO PEREIRA, O QUE É UMA CAMPANHA ALEGRE E COLORIDA? SERÁ DIVERTIR-SE COM O DESASTRE SOCIAL?


Dr. Bruno Pereira, senhor candidato, não podemos brincar com coisas que são muito sérias. O momento não é de funeral no sentido que o termo significa, mas é de ruptura com o passado para que possamos todos, todos os madeirenses e portosantenses, sobreviver e reganhar a Autonomia perdida. Mas se falarmos de funeral sempre digo que os cangalheiros da nossa sociedade, os cangalheiros da economia, das finanças, do desemprego e da pobreza estão perfeitamente identificados. Por isso, não se pode ser "alegre e colorido" numa campanha quando o momento é de falar sério, sem papas na língua e desmascarando quem aqui nos trouxe. O padrinho e os afilhados políticos da tal "Madeira Nova". E pergunto: como alguém pode falar sério e de forma credível se pertence ao grupo que conduziu a Madeira à falência? Como alguém pode falar de um programa eleitoral "realista" se o seu histórico é de megalomanias que conduziu a Madeira à dupla austeridade? Como alguém pode dizer ser necessário "trabalho, trabalho, trabalho... ninguém faz nada sem trabalho", quando os eleitores olham para trás e sentem que, com tanto trabalho alegadamente feito, existem milhares no desespero do desemprego? Que estranha contradição!


Disse o candidato Bruno Pereira: "(...) Não estamos a concorrer para um funeral ou uma cerimónia", pelo que a campanha tem de ser feita de forma "alegre e colorida e não em tons dramáticos". Perante o dramatismo da situação regional, sinceramente, não sei o que é uma campanha alegre, colorida e festiva, certamente! Não sei. Isto faz-me lembrar um pouco o antigo hino da Mocidade Portuguesa do regime anterior a 1974, que sublinhava: "Lá vamos, cantando e rindo, levados, levados, sim (...)". Mais tarde, já adultos e compreendendo toda a marosca, nós dizíamos: levados, levados... e de que maneira! 
Dr. Bruno Pereira, senhor candidato, não podemos brincar com coisas que são muito sérias. O momento não é de funeral no sentido que o termo significa, mas é de ruptura com o passado para que possamos todos, todos os madeirenses e portosantenses, sobreviver e reganhar a Autonomia perdida. Mas se falarmos de funeral sempre digo que os cangalheiros da nossa sociedade, os cangalheiros da economia, das finanças, do desemprego e da pobreza estão perfeitamente identificados. Por isso, não se pode ser "alegre e colorido" numa campanha quando o momento é de falar sério, sem papas na língua e desmascarando quem aqui nos trouxe. O padrinho e os afilhados políticos. E pergunto: como alguém pode falar sério e de forma credível se pertence ao grupo que conduziu a Madeira à falência? Como alguém pode falar de um programa eleitoral "realista" se o seu histórico é de megalomanias que conduziu a Madeira à dupla austeridade? Como alguém pode dizer ser necessário "trabalho, trabalho, trabalho. Ninguém faz nada sem trabalho", quando os eleitores olham para trás e sentem que, com tanto trabalho alegadamente feito, existem milhares no desespero do desemprego? Que estranha contradição!
A talhe de foice, confesso, disse ontem palavrão quando ouvi o vice-presidente do governo destacar, na inauguração de uma rua em S. Cruz que "só a cooperação entre a Câmara e o Governo nesta altura de grandes dificuldades, possibilitou que, com sucesso, satisfizéssemos esta reivindicação da Câmara". Isto é, uma vez mais, a ameaça subtil ao jeito, senhores eleitores vejam lá em quem votam, porque só câmara e governo da mesma cor política possibilita a realização de obras. Uma vice-presidência que desgraçou a Madeira com as Sociedades de Desenvolvimento, as quais, muito rapidamente, se tornaram em sociedades de endividamento, teima em não olhar-se ao espelho. Que estranha forma de interpretar a democracia! Que forma hábil de fazer política através do medo! Só pode haver uma solução para quem assim se comporta na vida política: MUDANÇA.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 31 de agosto de 2013

ESTOU EM CRER QUE PAULO CAFÔFO SERÁ O PRÓXIMO PRESIDENTE DA CÂMARA DO FUNCHAL


"É um facto: Cafôfo tem tudo para cavalgar a onda popular que se esboça no panorama eleitoral funchalense. E ainda falta os partidos da coligação, em conjunto e a solo, colocarem no terreno atributos revelados em outras ocasiões, em certa parte premiados pelo eleitorado" - Luís Calisto, Jornalista. Trata-se de uma análise que subscrevo. Por partes: primeiro, há um evidente e crescente descontentamento com Alberto João Jardim. As suas atitudes, as constantes provocações, a forma como se desresponsabiliza dos actos da governação, parece-me óbvio que serão castigadas nas urnas; segundo, o candidato Bruno Pereira significa a continuidade do erro. Politicamente, o travestismo dificilmente passa. Aquilo que se é, no plano ideológico, claro, tarde ou cedo é percepcionado pelos eleitores. O Dr. Bruno Pereira esteve lá, incompatibilizou-se com Miguel Albuquerque e colocou-se ao lado de Jardim. Penso que essa atitude ser-lhe-á fatal. Na política não basta ser boa pessoa ou pessoa de bem, pois os comportamentos contam muito e acabam por definir o perfil do candidato; terceiro, trinta e sete anos de poder absoluto exige, naturalmente, que a mudança aconteça. As raízes tornaram-se grossas, profundas e a rede de interesses tentacular. Se, desta vez, tal não acontecer, então a população deixará de ter fundadas razões para se queixar. De resto, pergunto, onde se encontram os desempregados, os empresários, os professores, os engenheiros, os arquitectos, os reformados e pensionistas, enfim, tanta gente que anda a passar mal consequência de políticas tresloucadas?; quarto, a coligação PSD/CDS, na República, que tanto mal tem feito ao povo português, em geral, e, em particular, ao povo da Madeira, deverá ser entendida como uma extensão de interesses políticos a evitar; entre outros aspectos, finalmente, o PS, só, já obteve valores acima dos 28%, portanto, é lógico que a coligação "Mudança", formada por seis partidos, possa vir a atingir uma cifra que lhe garanta a vitória. Que será muito disputada, não tenho dúvidas! 


Da sondagem revelada ao início da noite de ontem pelo Expresso e a SIC fica claro que a presidência da Câmara Municipal do Funchal é uma questão em aberto. Segundo o estudo realizado pela Eurosondagem, o PSD, se as eleições fossem ontem, não teria maioria absoluta. Ficava-se, para já, com 36,4%, Paulo Cafôfo, líder da Coligação Mudança chegaria aos 28,8% e José Manuel Rodrigues teria cerca de 24,8%. Finalmente, a CDU teria 6,9% dos votos. Mas, com toda a certeza, estes não serão os resultados finais. O sentimento de mudança é de tal ordem que Bruno Pereira, o candidato indicado por Alberto João Jardim, dificilmente resistirá à pressão de Paulo Cafôfo. Sobre esta matéria li, esta manhã, um texto do Jornalista Luís Calisto com o qual me identifico: "(...) Falta um mês, praticamente, para o dia de votar. Cada força concorrente saberá que trunfos tem para puxar ainda. Porém, pelo que percebemos na vida real, cresce um sentimento favorável à novidade, à mudança. E "Mudança", na verdadeira acepção do termo, é a proposta pela coligação dos partidos de oposição - PS, BE, PTP, PND, MTP e PAN. Conhecemos muita gente do próprio PPD que não esconde uma simpatia em crescendo pela candidatura de Paulo Cafôfo. Notamo-lo desde que o cabeça-de-lista começou a dar-se a conhecer um pouco mais, em entrevistas e contactos directos com a população. Ainda aqui vamos. É um facto: Cafôfo tem tudo para cavalgar a onda popular que se esboça no panorama eleitoral funchalense. E ainda falta os partidos da coligação, em conjunto e a solo, colocarem no terreno atributos revelados em outras ocasiões, em certa parte premiados pelo eleitorado". 
Trata-se de uma análise que subscrevo. Por partes: primeiro, há um evidente e crescente descontentamento com Alberto João Jardim. As suas atitudes, as constantes provocações, a forma como se desresponsabiliza dos actos da governação, parece-me óbvio que serão castigadas nas urnas; segundo, o candidato Bruno Pereira significa a continuidade do erro. Politicamente, o travestismo dificilmente passa. Aquilo que se é, no plano ideológico, claro, tarde ou cedo é percepcionado pelos eleitores. O Dr. Bruno Pereira esteve lá, incompatibilizou-se com Miguel Albuquerque e colocou-se ao lado de Jardim. Penso que essa atitude ser-lhe-á fatal. Na política não basta ser boa pessoa ou pessoa de bem, pois os comportamentos contam muito e acabam por definir o perfil do candidato; terceiro, trinta e sete anos de poder absoluto exige, naturalmente, que a mudança aconteça. As raízes tornaram-se grossas, profundas e a rede de interesses tentacular. Se, desta vez, tal não acontecer, então a população deixará de ter fundadas razões para se queixar. De resto, pergunto, onde se encontram os desempregados, os empresários, os professores, os engenheiros, os arquitectos, os reformados e pensionistas, enfim, tanta gente que anda a passar mal consequência de políticas tresloucadas?; quarto, a coligação PSD/CDS, na República, que tanto mal tem feito ao povo português, em geral, e, em particular, ao povo da Madeira, deverá ser entendida como uma extensão de interesses políticos a evitar; entre outros aspectos, finalmente, o PS, só, já obteve valores acima dos 28%, portanto, parece-me óbvio que a coligação "Mudança", formada por seis partidos, possa vir a atingir uma cifra que lhe garanta a vitória. Que será muito disputada, não tenho dúvidas! 
Ora, perante este sumário de factos, o candidato Paulo Cafôfo, independente e apoiado por seis partidos, com um discurso propositivo, sensato, inteligente, de rigor e de esperança, parece-me natural que venha a superar o candidato do regime. O CDS, é minha opinião, que descerá significativamente. Não será fácil a luta entre Cafôfo e Bruno dada a desproporção de meios, mas que é possível a "Mudança" ganhar, é! Veremos. As próximas semanas serão determinantes.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

POLÍTICOS DE AVIÁRIO E FORA DA LEI


Portugal tem um governo fora da Lei. Estes senhores, muitos deles políticos de aviário, que da vida real pouco ou nada sabem, que ascenderam não pela via do mérito, das qualificações e do reconhecimento público, mas porque servem monumentais interesses que se jogam fora das fronteiras, têm a distinta lata de assumir que a Constituição da República é que está errada! Para os seus desígnios, obviamente que está. Só que foram eleitos jurando "por minha honra" cumprir "com lealdade as funções confiadas". Ora, essa lealdade assenta, sobretudo, no quadro da lei constitucional vigente e não no princípio que maioria absoluta significa poder absoluto. Para estes malvados a solução está no empobrecimento da maioria do povo, no recibo verde, no despedimento precário, no aumento das horas de trabalho, no não pagamento das horas extraordinárias (banco de horas), no eufemismo da requalificação que significa "vai morrer para longe", no programa de despedimentos sob a ilusão de uma mixuruca compensação financeira, na baixa dos salários, no roubo dos benefícios sociais, na sucessiva e gravosa carga de impostos e no rompimento dos compromissos assumidos com os reformados e pensionistas. Ainda bem que o Tribunal Constitucional, uma vez mais, não se mostrou pressionável. Conferiu a lei e ditou o Acórdão. Ponto final. 

Duas notas:

Primeira. A dívida total da Fundação Social-Democrata da Madeira, sem juros e outros custos, é de 26.326 euros e diz respeito a seis consumidores. As contas em dívida mais antigas são de Março de 2012, quase há um ano e meio, noticia o DN-Madeira de ontem. Nada que cause espanto. Se os mesmos que governam não respeitam os empresários que prestaram serviços, passará pela cabeça de alguém que assumam comportamentos correctos perante as autarquias que, politicamente, são da mesma cor política? Obviamente que não. Só que, agora, encontraram, face às tensas relações com a Câmara do Funchal, uma resistência que ajudou a desmascará-los. Entretanto, falta apurar quanto devem a outras instituições fornecedoras de bens e de serviços. E falta apurar, também, quanto devem os hospitais, estabelecimentos de educação e ensino e outros a quem a Câmara fornece e não recebe! Seria interessante apurar esses números. No caso da Fundação do PSD a situação é clamorosa. Devem uma pipa de massa e ainda recorrem ao Tribunal pelo corte no fornecimento, por tratar-se de uma "(...) atitude ilegal, arbitrária e de vingança a uma instituição que nada tem a ver com interesses políticos e ou partidários". Se um cidadão, pobre e sem vintém, que se atrase na liquidação de uma factura leva logo com juros de mora, o que é que a Fundação estava à espera? Que a Câmara perdoasse a dívida? Que os colocasse no rol das dívidas incobráveis?
Todos os dias cresce o nariz!
Segunda. Provadíssimo. Portugal tem um governo fora da Lei. Estes senhores, muitos deles políticos de aviário, que da vida real pouco ou nada sabem, que ascenderam não pela via do mérito, das qualificações e do reconhecimento público, mas porque servem monumentais interesses que se jogam fora das fronteiras, têm a distinta lata de assumir que a Constituição da República é que está errada! Para os seus desígnios, obviamente  que está. Só que foram eleitos jurando "por minha honra" cumprir "com lealdade as funções confiadas". Ora, essa lealdade assenta, sobretudo, no quadro da lei constitucional vigente e não no princípio que maioria absoluta significa poder absoluto. Para estes malvados a solução está no empobrecimento da maioria do povo, no recibo verde, no despedimento precário, no aumento das horas de trabalho, no não pagamento das horas extraordinárias (banco de horas), no eufemismo da requalificação que significa "vai morrer para longe", programa de despedimentos sob a ilusão de uma mixuruca compensação financeira, na baixa dos salários, no roubo dos benefícios sociais, na sucessiva e gravosa carga de impostos e no rompimento dos compromissos assumidos com os reformados e pensionistas. Ainda bem que o Tribunal Constitucional, uma vez mais, não se mostrou pressionável à patética intervenção vinda do Pontal. Conferiu a lei e ditou o Acórdão. Ponto final. 
Foram eleitos com um programa e com um discurso cheio de soluções. O povo não lhes concedeu um voto para fazerem o que lhes dá na real gana, para se submeterem aos interesses vindos de fora, mas para cumprirem o que prometeram. Se não sabem, ora bem, assumam-no e devolvam a palavra aos portugueses. 
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"DISPARATES DE LISBOA"


"Disparates de Lisboa" - disse. Como se Lisboa tivesse imposto o desordenamento do território, autorizado as obras, os endividamentos, os swaps, o "factoring", as ruinosas parcerias público-privadas, a subsidiodependência, as facturas escondidas, os favores à (e da) Igreja, a política de saúde e de educação, o Jornal da Madeira, enfim, Lisboa, quanto muito, foi culpada, isso sim, pela falta de democracia na Região e por ter engolido, desde o Presidente da República aos diversos governos, as sistemáticas bojardas que dele partiram. Haverá dúvidas?


Cruzei-me com um empresário com algumas dezenas de colaboradores à sua responsabilidade. Homem sereno, íntegro e extremamente preocupado com a situação económica e financeira da Madeira. Uma conversa demorada, amena e enriquecedora. A páginas tantas lamentou-se, dizendo que bastaria que o governo regional pagasse uma significativa parte dos trabalhos realizados e tudo estaria na normalidade, inclusive, não sentiria a angustiante necessidade de despedir. Ora, este é, se não o principal um dos maiores problemas da Madeira, o da sustentabilidade da sua economia e da concomitante empregabilidade. Mas o homem que diz que governa isto continua a repetir, vezes sem conta, que a culpa é da maçonaria e das sociedades secretas. Meteu-se-lhe isto na cabeça e nós temos que gramar esta repetida cantilena. Neste aspecto é portador da tecnologia de um relógio suíço. Repete e repete indiferente ao tempo. No Porto Santo, reclamou por mais Autonomia porque não está para aturar os "disparates de Lisboa".
Endividou a Região até ao tutano, serviu-se dos empresários, muitos, de boa-fé, concorreram, ganharam os concursos, prestaram os serviços e, agora, estão de mãos a abanar à espera que sua excelência tenha um gesto de sensibilidade política mandando pagar aquilo que a Região deve. Quer mais autonomia para quê? Para gastar à fartazana nas suas megalomanias que apenas servem os momentos de inauguração? O que têm a ver a Maçonaria e as sociedades secretas com o polvo de interesses que aqui estabeleceu e que desgraçou a Madeira com o selo da sua desastrosa governação? Este homem que diz governar a Região ainda não percebeu que não é vítima? Que a culpa é dele e de todos os outros, alguns pintados de fresco, que beberam e se vergaram durante anos à sua cartilha? Que a dupla austeridade tem raiz nos problemas que criou e que se uma mais alargada Autonomia não dispomos, antes hipotecou-a, é consequência da sua histórica incapacidade no plano negocial?
"Disparates de Lisboa" - disse. Como se Lisboa tivesse imposto o desordenamento do território, autorizado as obras, os endividamentos, os swaps, o "factoring", as ruinosas parcerias público-privadas, a subsidiodependência, as facturas escondidas, os favores à (e da) Igreja, a política de saúde e de educação, o Jornal da Madeira, enfim, Lisboa, quanto muito, foi culpada, isso sim, pela falta de democracia na Região e por ter engolido, desde o Presidente da República aos diversos governos, as sistemáticas bojardas que dele partiram. Haverá dúvidas?
Ilustração: Google Imagens.
Nota: Opinião da minha responsabilidade publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

NÃO O CONHEÇO, POR ISSO VOTO NELE!


Distante de qualquer envolvimento partidário, elejo a frase de Miguel Sá, lida na sua página do facebook, como a melhor desta campanha eleitoral autárquica. Diz Miguel Sá: "Eu voto Cafôfo porque eu não o conheço. Eu não voto nos outros porque já os conheço há demasiado tempo! Voto pela diferença e pela Mudança. Dou o benefício da dúvida". Excelente. Vota porque não o conhece, porque tudo o resto este eleitor domina, os passados e posicionamentos políticos. Considero aquela frase de Miguel Sá, no actual contexto político, de uma enorme inteligência. Ela significa que, enquanto eleitor, não embarca em tretas, não se deixa ir em figuras repetidas, preferindo conceder o "benefício da dúvida" ao novo, àquilo que pode trazer alguma esperança. E por que é que disto escrevo? Simplesmente porque cruzo-me com algumas pessoas que, talvez irreflectidamente, me dizem: "mas quem é o Paulo Cafôfo?". A minha resposta é sempre a mesma: leiam ou escutem o que a comunicação social vai divulgando, leiam os documentos que vos chega a casa, busquem na página de facebook, tentem inteirar-se do seu passado e das suas propostas. Tão fácil quanto isto. E se o digo é porque considero menos bem pensadas algumas atitudes, como se fosse possível ir a uma olaria produzir o candidato ideal, aquele que está de acordo com todas as virtudes que conceptualizamos de um candidato. 



No fundo porque os eleitores ao negarem uma alternativa de mudança, questionando os que livremente brotam da sociedade, implicitamente, estão a conceder o voto aos mesmos de sempre, àqueles que, por todas as esquinas, criticam por esta ou aqueloutra razão. A posição de Miguel Sá é assim clarinha como água bacteriologicamente pura. Miguel Sá não fica à espera da última moda para fazer um fato novo, antes aposta naquilo que existe, concede o benefício da dúvida, porque está farto que lhe imponham uma vestimenta da qual está farto de usar!
No meio disto, leio, por exemplo e a propósito, que Alberto João Jardim elogiou a obra feita pelos presidentes da Câmara do Funchal João Dantas e Virgílio Pereira. É por estas e muitas outras que a observação que os eleitores fazem dos políticos anda pela via da amargura! João Dantas saiu da Câmara do Funchal, em 1993, claramente empurrado por Alberto João Jardim (por algum motivo) e Virgílio Pereira que o substituiu nesse ano, aguentou oito meses e mandou Jardim às malvas, depois deste ter dito que um bom presidente é o que governa sem dinheiro. Virgílio andava aflito com as dívidas deixadas por João Dantas e Jardim não cumprira o que lhe tinha prometido ao nível da assistência financeira. Podem alguns dizer que se tratou de um bicada política em Miguel Albuquerque, pois, é uma hipótese, mas mesmo por aí, Miguel Sá tem razão, conhecendo-os de ginjeira, prefere apostar no desconhecido relativamente ao conhecido, porque está farto destes jogos de poder e da intriga caseira que nada adianta para que a população seja feliz. 
Mas há mais. Quando um presidente do governo regional, no Porto Santo, terra aflita, sem emprego, com empresários com o nó na garganta, famílias inteiras na pobreza ou dependentes como nunca, ao invés de fazer propostas sérias e portadores de alguma esperança, pelo contrário, inaugura divisórias subterrâneas para acomodação de contentores para deposição de resíduos, penso que está tudo dito. Politicamente, esta gentinha não serve, tem de ir embora. O lixo está primeiro que as pessoas e, neste contexto, disse: "mais uma vez, Porto Santo está na crista da onda e vai à frente"! Vai à frente de quê, pergunto. Uma situação que deveria ser da normalidade gestionária da autarquia presta-se a inaugurar com alguma pompa. Inaugurou o lixo! Só faltou a fanfarra. Deveria o presidente, talvez aqui sim, "inaugurar" a pobreza que criou e o desemprego que gerou. O Porto Santo poderia estar na crista da onda se a sua economia estivesse sustentável, se as famílias vivessem com menos dificuldades, se os jovens não tivessem de sair e não tivessem de enfrentar uma tripla austeridade criada por este tipo de políticos e de políticas. Como compreendo Miguel Sá!
Ilustração: FB de Miguel Sá.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

SE ASSIM FALA, DEVE PEDIR PERDÃO AO POVO!


Com que então... uma sociedade democrática tem o direito de cultivar a diferença! Com que então... todas as sociedades que se consentem viver na obsessão patológica de destruir pessoas por causa de pontos de vista diferentes... blá, blá, blá, blá...  são sociedades em auto destruição! Mas o que é que o autor de tais declarações, politicamente, tem feito ao longo de trinta e tal anos? Não tem sido exactamente o que agora anda a apregoar? Quantos, na diferença, foram atirados à "fogueira", quantos foram ostracizados, quantos foram vilipendiados na praça pública por terem opinião diferente, quantos foram atirados para a lama por apresentarem posições técnica e cientificamente correctas? Quantos? Reconhecimento democrático seria, esse sim, aceitar os homens e mulheres de ciência, aceitar os tais pontos de vista de todos aqueles que não comungam dos princípios, valores e projectos de quem governa. Reconhecimento democrático seria não chumbar por chumbar todos os projectos apresentados pela oposição na Assembleia Legislativa da Madeira. Reconhecimento democrático seria apresentar-se quinzenalmente na Assembleia para um debate sobre questões de oportunidade, cara a cara e olhos nos olhos, sem subterfúgios regimentais que impeçam o debate plural e as intervenções a solo. Reconhecimento democrático seria não gastar milhões no Jornal da Madeira e permitir que o mercado da comunicação social funcionasse livremente. Cultivar a diferença não pode nem deve ficar-se, portanto, pela retórica discursiva, no caso em apreço, no Dia da Cidade. O respeito pela diferença tem de ser diário, desde as pequenas às grandes atitudes, pois tudo o resto traz o cheiro da hipocrisia e gera repulsa.




Estive com esta "loja" fechada durante alguns dias. Por razões óbvias. A morte de um ente muito querido não só prostrou-me como seria insensato por aqui andar com reflexões de ordem política. Regresso, hoje, também porque o mar amainou e o barco da vida tem de continuar. Com memória!
Depois da "Grândola", "abaixo a mamadeira", "Jardim para a rua" e de dois vereadores (um do PSD e outro do PND) terem saído da sala em sinal de desprezo pelo presidente do governo regional da Madeira, questiono-me, uma vez mais, sobre o que conduz um homem a se querer manter na desengonçada cadeira do poder? Tem medo de quê? O que o atormenta e condiciona? O que esconde? É refém de quê? Se pergunto é porque não se trata de um propalado "amor à Madeira" (se tivesse amor a esta terra tinha interrompido as férias aquando dos incêndios) mas um significativo sinal que não sabe viver sem uma ida diária à Quinta Vigia (com humor já dizem ser mais centro de dia do que centro de decisão política), uns discursos de circunstância normalmente repetitivos e a transmissão do sentimento que deseja sair, mas por cima. A ideia que fica da sua proverbial lengalenga é que anda em busca de uma onda positiva que lhe garanta deixar o comando do navio em condições de navegabilidade, e com uma imagem de salvador que conduza a uma outra de eterno reconhecimento da população pela "obra feita". Só que isso não vai acontecer não só pela conjuntura económica e financeira, como pelo facto da República não perdoar parte da dívida, como pelo cansaço das pessoas que, de forma crescente, estão a formar a ideia de que foram, politicamente, enganadas. E quando isso acontece já não há nada a fazer. Pressuponho, por isso, e esta é apenas uma mera especulação política, que Jardim é refém dos interesses gerados à sua beira e que, politicamente, o povo e os partidos não sabem missa meia destes trinta e tal anos de poder. E talvez por isso lhe invada um sentimento de medo que outras verdades sejam conhecidas. É possível que sim. Só que a natureza é implacável. Ou pela via do voto ou pela via da lei da vida, tarde ou cedo, o fim da linha política chegará, inevitavelmente.
E vem isto a propósito da intervenção que o presidente do governo proferiu no Dia da Cidade do Funchal. Logo a abrir disse: "(...) Uma sociedade democrática tem o Direito de cultivar a diferença, de opor pontos de vista alternativos, até de inflamar discussões na diversidade dos temperamentos. Mas, sobretudo, tem a obrigação ética de saber mostrar Reconhecimento àqueles que serviram o Povo. Todas as sociedades que se consentem viver na obsessão patológica de destruir pessoas por causa de pontos de vista diferentes, que não são capazes de reconhecer quaisquer quotas de Mérito a quem trabalha para a comunidade, são sociedades em auto destruição". Sinceramente, se me tivessem contado talvez colocasse algumas reticências sobre estas declarações, talvez procurasse, primeiro, ler, para depois ter a certeza do que efectivamente foi dito. Li e aqui transcrevi. Só um pormenor: e aquela plateia aplaudiu, desde militares, à Igreja, passando por muita gente que deveria manter-se discreta. Ou não ouviram, ou qualquer coisa não bate certo!
Com que então... uma sociedade democrática tem o direito de cultivar a diferença! Com que então... todas as sociedades que se consentem viver na obsessão patológica de destruir pessoas por causa de pontos de vista diferentes... blá, blá, blá, blá...  são sociedades em auto destruição! Mas o que é que o autor de tais declarações, politicamente, tem feito ao longo de trinta e tal anos? Não tem sido exactamente o que agora anda a apregoar? Quantos, na diferença, foram atirados à "fogueira", quantos foram ostracizados, quantos foram vilipendiados na praça pública por terem opinião diferente, quantos foram atirados para a lama por apresentarem posições técnica e cientificamente correctas? Quantos? Reconhecimento democrático seria, esse sim, aceitar os homens e mulheres de ciência, aceitar os tais pontos de vista de todos aqueles que não comungam dos princípios, valores e projectos de quem governa. Reconhecimento democrático seria não chumbar por chumbar todos os projectos apresentados pela oposição na Assembleia Legislativa da Madeira. Reconhecimento democrático seria apresentar-se quinzenalmente na Assembleia para um debate sobre questões de oportunidade, cara a cara e olhos nos olhos, sem subterfúgios regimentais que impeçam o debate plural e as intervenções a solo. Reconhecimento democrático seria não gastar milhões no Jornal da Madeira e permitir que o mercado da comunicação social funcionasse livremente. Cultivar a diferença não pode nem deve ficar-se, portanto, pela retórica discursiva, no caso em apreço, no Dia da Cidade. O respeito pela diferença tem de ser diário, desde as pequenas às grandes atitudes, pois tudo o resto traz o cheiro da hipocrisia e gera repulsa. Mas se falou a verdade, então, peça desculpa por tudo quanto andou a fazer e a dizer.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de agosto de 2013

A CELEBRAÇÃO DA VIDA E DA MORTE


Foi lindo, ver mais de uma trintena de embarcações, muitas engalanadas, cheias de amigos de calções e chinelos, perfiladas frente ao Jardim do Mar, com o “Stress Zero” no centro, a música, os sons da gaita-de-foles, o fogo-de-artifício, as palmas, a pequena urna de pedra descendo mar abaixo, os abraços e beijos da sentida despedida, as gargantas a chamar por “Testas…Testas”, as flores que encheram o espaço circundante e tantos jogando-se de imediato ao mar num gesto de indescritível sentimento de amizade, como que o abraçando e se divertindo com a figura que ali, fisicamente, já não estava, mas estava repousando lá no fundo! Depois, esse ror de amigos, já em terra, no Portinho do Jardim do Mar, confraternizando e mantendo viva a memória, tal como o Miguel sempre fazia com os seus amigos. Porque a vida é sempre um instante e a amizade não deve ser perdida. Verdadeiramente fantástico e emocionalmente indescritível, repito.


Ontem, mesmo em dia trágico, concederam-me a possibilidade de viver um dos momentos mais bonitos e sentidos da minha vida. É muito difícil descrever por palavras o turbilhão de emoções na despedida do meu querido Amigo e cunhado Miguel Jardim (carinhosamente conhecido por "Testas"). Momentos, repito, trágicos pelo desaparecimento físico de uma pessoa, mas inesquecíveis pela forma como tudo se processou. Momentos que, certamente, a todos proporcionou uma reflexão sobre a fugaz vida no contexto do tempo cósmico e a celebração do instante da morte. Se a vida deveria ser vivida como Miguel a construiu, a morte terrena também deveria ser, sem excepção, a manifestação do carinho de todos quantos tiveram a possibilidade de com ele viver e conviver. Uma vida cheia de amigos, sem ódios e sem rancores, oferecendo a camisa pelo outro, trabalhado duro, muito duro, mas gozando também os momentos de lazer, comedidamente, embora com enorme intensidade. Foi lindo, ver mais de uma trintena de embarcações, muitas engalanadas, cheias de amigos de calções e chinelos, perfiladas frente ao Jardim do Mar, com o “Stress Zero” no centro, a música, os sons da gaita-de-foles, o fogo-de-artifício, as palmas, a pequena urna de pedra descendo mar abaixo, os abraços e beijos da sentida despedida, as gargantas a chamar por “Testas…Testas”, as flores que encheram o espaço circundante e tantos jogando-se de imediato ao mar num gesto de indescritível sentimento de amizade, como que o abraçando e se divertindo com a figura que ali, fisicamente, já não estava, mas estava repousando lá no fundo! Depois, esse ror de amigos, já em terra, no Portinho do Jardim do Mar, confraternizando e mantendo viva a memória, tal como o Miguel sempre fazia com os seus amigos. Porque a vida é sempre um instante e a amizade não deve ser perdida. Verdadeiramente fantástico e emocionalmente indescritível, repito. 
Por extensão, esta cerimónia acabou por ser uma lição para reflectir em contraponto com a imagem que temos de um funeral. Ali, as emoções de profunda tristeza misturaram-se com a alegria, a cerimónia pesada de um cemitério, os cumprimentos de pesar junto aos da primeira fila, os terríveis sons dos passos no areão até à pavorosa descida à terra, deram lugar à explosão de cores, a um sentimento de profundíssima amizade em memória de um homem que não se esquece. Lindo. As convicções de cada um, sejam elas quais forem, integralmente respeitadas, a celebração da vida e da morte, essa foi diferente. Jamais esquecerei. Até sempre, MIGUEL.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ADEUS MIGUEL





Até que me passe esta profunda dor pela morte do meu Amigo e cunhado Miguel Jardim, só regressarei a este espaço quando sentir força e disposição para o fazer. Um abraço.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

DIA DA CIDADE COM CHEIRO A PÓLVORA!


Discursos inócuos e com olhares políticos enviesados, com algum "omo - lava tudo", como pudesse ser passada uma esponja branqueadora sobre 37 anos de atentados vários, no ordenamento do território, na secundarização do planeamento, na suspensão do PDM, sempre que deu jeito, nos atentados ao património, na ausência de requalificação das zonas altas, no encolher de ombros relativamente à necessidade de um plano estratégico de ordenamento do comércio, nas cedências a lóbis, enfim, do meu ponto de vista, o Funchal, nos últimos vinte anos, perdeu uma oportunidade única de criar cidade. Em 1993 o actual presidente foi candidato sob o slogan “Funchal, de alto a baixo”. Esta mensagem pressuporia uma mudança radical na atitude de pensar a cidade. Por um lado, o slogan era o reconhecimento do desastre da governação autárquica nos dezassete anos anteriores, por outro, a esperança de um tempo de mudança na atitude política a começar pelas zonas altas. Nos primórdios dos anos 90 ainda era possível, agora, torna-se muito mais complicado, porque se perdeu o sentido de escala da cidade, cometeram-se erros grosseiros e os recursos financeiros são cada vez mais escassos. Aliás, tanto assim é que, quando a tragédia acontece a nu ficam todas as fragilidades desse "Funchal, de alto a baixo". De resto, uma sessão solene onde o Presidente do Governo ouviu a "Grândola", alguns vereadores voltaram-lhe as costas, ouviu-se "abaixo a mamadeira" e "Jardim para a rua". Significativo da necessidade de uma "MUDANÇA".


Uma cidade não se constrói com atitudes de maquilhagem, com cedências, porque fica mais bonitinho, mas com pensamento estratégico transversal e sectorialmente integrado, não apenas no plano urbanístico, mas em todos os outros planos de análise. O ordenamento do território foi secundarizado, o PDM suspenso em determinadas zonas, o planeamento geral e específico ignorado, o património muito pouco cuidado e as pessoas, as pessoas que deveriam ser o centro de onde deveriam partir as políticas, ficaram sempre para depois. 
Não se pode avaliar o resultado de uma política olhando apenas para o alargamento de uma acessibilidade, a legalização da habitação espontânea ou porque o centro está agradável. A cidade é muito mais do que qualquer atitude de cosmética. Eu diria que foi realizado o mais fácil e o estruturante, aquilo que permite bem-estar, qualidade de vida, segurança e futuro foi, sucessivamente, adiado ou mesmo ignorado. Aquilo que deveria ficar como marca indelével destes vinte anos não existe. A Câmara que deveria ter sido o motor que deveria puxar pela cidade, deixou-se ultrapassar pela pressão dos interesses, pelos lóbis sedentos de riqueza fácil, o que conduzirá a que os próximos responsáveis tenham de correr atrás do prejuízo. Corolário de políticas que não tiveram em conta as pessoas que a habitam, temos uma cidade sem alma, dividida, sem vida, dinamismo, apresentando-se morta a partir do final da tarde e aos fins-de-semana. 
Destes vinte anos fica-me a memória de quatro aspectos que me merecem elogio: o trabalho realizado na sequência do 20 de Fevereiro de 2010, no sentido de devolver a cidade ao que era. Em poucas semanas foi atenuada a angústia e devolvida a esperança; em segundo lugar, o investimento no parque habitacional; terceiro, o esforço realizado no sentido da renovação da rede de águas, evitando perdas que eram significativas. Um trabalho invisível, de pesados encargos, mas importante; quarto, o facto de ter batido o pé à Valor Ambiente, na defesa de uma gestão autónoma e menos dispendiosa. E se isto merece que seja reconhecido, falo também, pela negativa, de muito património que se perdeu ou que se deixou degradar. A lista é longa, quando uma cidade, a primeira fora da Europa, deveria impor-se pela sua singularidade, autenticidade, identidade e particularidades. 
Mas há outros domínios que merecem reflexão. Por exemplo a mobilidade na cidade. Não tanto nos fluxos horizontais aos concelhos limítrofes, onde se fixaram muitas centenas de famílias, mas nos movimentos pendulares e nos novos hábitos a aprender para circular e estacionar no interior da baixa funchalense. Levaram vários anos para concretizar o “estudo de mobilidade”, mas continua a não ser sensível uma estratégia. Assistiu-se a várias opções claramente experimentalistas e sucessivamente abandonadas por clara ausência de uma visão de conjunto e integrada. A falência do park & ride explica, entre outros, que a Câmara andou aos soluços e nunca assumiu uma estratégia integrada e articulada no tempo. Nesta área de intervenção está quase tudo por fazer. 
Lamento, por outro lado, a falta de coragem política na implementação de um plano estratégico de ordenamento do comércio. Era essencial e determinante. O problema não está no aumento dos percursos pedonais no centro do Funchal. Ainda bem que a cidade se tornou mais pedonal. O problema está na ausência de um Plano de Ordenamento do Comércio. Não é admissível, numa procura que sempre foi limitadíssima, condicionada pelo número de habitantes da Região, terem autorizado tantas superfícies comerciais ao ponto de, hoje, a proporção entre o comércio tradicional e as grandes superfícies que deveria ser de, aproximadamente, 50%, seja já de 1/3 para o comércio tradicional contra 2/3 das grandes superfícies. Acresce a esta oferta, superior à procura (há um estudo que demonstra que a Madeira tem uma oferta quatro vezes superior à população, pelo que basta fazer a proporção para o Funchal), uma degradação do poder de compra, a que não é alheia, por outro lado, a existência de milhares de pobres e a bola de neve da crise empresarial geradora de desemprego. Confrontamo-nos, hoje, com o encerramento de centenas de empresas, o despedimento de alguns milhares de empregados do comércio tradicional, onde, maioritariamente, os empregos eram estáveis. A Câmara tem a sua quota-parte de responsabilidades neste processo. 
Por outro lado, não é aceitável, porque a cidade são as pessoas que nela habitam, o crescimento de bolsas de pobreza. Que o combate não depende apenas da Câmara, obviamente que sim, mas não aceito que se tivessem passado tantos anos ignorando a necessidade de criação de condições visando a empregabilidade. 
Da mesma forma condeno a atitude passiva face ao Banco Alimentar Contra a Fome. Podiam ter assumido a disponibilização de um espaço para o seu funcionamento, para que pudessem iniciar, de forma independente dos poderes, político e religioso, a sua missão assistencialista. Uma autarquia tem o dever primeiro de olhar pelas pessoas, de entrar pelos becos, travessas, impasses e entradas, conhecer a realidade e denunciá-la junto do governo, ao mesmo tempo que deve assumir as suas responsabilidades políticas. 
Finalmente, a dívida da Câmara que já é superior a cem milhões de euros. Uma dívida comercial e financeira, preocupante, porque coloca em causa os pequenos e médios empresários. Tem sido um erro a Câmara dizer que tem capacidade de endividamento, pois tem, mas não pode esquecer-se que toda a dívida tem de ser paga e com juros. Não é que esteja falida, mas está impedida de ser promotora do desenvolvimento. 
Conclusão sumária: a cidade não pode ser uma coutada de uns poucos, mas na verdade é. A cidade não pode ser vendida aos bocados e aos interesses, mas na verdade foi. A cidade na baixa não basta estar "bonita" ("limpinha") por fora quando está corroída por dentro nos planos económico, social e cultural de “alto a baixo”. A cidade deveria ser hoje muito mais do que automóveis em circulação, intranquilidade, poluição visual e sonora, mas na verdade é. A cidade não deveria ser pobre (a população) mas na verdade é pelos desequilíbrios gerados no seu crescimento pela ausência de planeamento. A cidade não deveria desprezar um compromisso com o emprego, mas, infelizmente encolhe os ombros.
Pergunto:
"Por que raio são assim, que nem os bons exemplos de preservação e de respeito pela identidade são capazes de adoptar? Por que raio alguns políticos só vêem nos materiais de construção o desenvolvimento? Por que raio não entendem que cada vez menos as pessoas visitam as cidades onde tudo é igual às outras, no nosso caso, muitas vezes para pior? Por que raio não entendem que a "cimentização" da paisagem (a zona do Lido, por exemplo, está um descalabro) cada vez vende menos e a cultura, isto é, a identidade das cidades, cada vez vende mais? Por que raio não respeitam o sentido de escala da nossa cidade? Por que raio querem fazer de uma cidade pequena, implantada numa orografia complexa, um espaço de megalomanias sem sentido, sem alma, isto é, uma cidade cheia de coisas mas vazia de significado? Por que raio ainda não entenderam que as zonas altas da cidade não precisam, num primeiro momento, da oferta aos mais pobres, qual dádiva com os olhos postos no dia das eleições, de projectos, de telha, cimento, areia, blocos e ferro, antes precisam de ordenamento, planeamento e respeito pela dignidade e segurança das pessoas? Por que raio não pensam que se torna necessário dispor de um plano estratégico de ordenamento comercial? É difícil entender por que raio não entendem! Mas eu entendo, tal como tantos outros que se preocupam com a cidade".
Nota:
Neste Dia da Cidade, deixo, neste último parágrafo, o fragmento de um texto aqui publicado em 21.08.2009!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A HIPOCRISIA DO SECRETÁRIO MANUEL ANTÓNIO


Confissão: gosto de escrever, mas não me apetece. Sinto um vazio e uma pressão que tem origem na acumulação de causas várias. Os incêndios, as vidas destroçadas de quem viu tudo, lutou e ficou a zero na contabilidade da vida. As lágrimas de desespero pela morte inesperada de um veículo desgovernado... não bastassem as agruras da vida, a pobreza geradora de pobreza, a limitação dos direitos sociais, o desemprego, a fuga para a emigração, os madeirenses que dormem nas ruas de Londres (e de outras cidades), os suicídios, a mão estendida à caridade, os discursos políticos ocos e despidos de sentimentos humanistas, a hipocrisia, enfim, tudo isto, nem com uma dose cavalar de um qualquer sedativo consegue adormecer a revolta. 


Quando existem milhares para pagar de expropriações, quando há dezenas à espera que atenuem as consequências do 20 de Fevereiro de 2010, quando a dívida da Região é assustadora e impagável, quando todos sabemos que o cofre está vazio, vem o secretário Manuel António Correia, com a força da falsidade das palavras dizer à população atingida pela tragédia: "(...) No âmbito específico das florestas e considerando que a maioria dos terrenos atingidos são de particulares, o Governo Regional, através da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, concederá apoio financeiro, aos proprietários e possuidores, no montante de 100% do investimento, para a realização dos investimentos necessários à recuperação das áreas florestais atingidas" (...) e que "elaborará, gratuitamente, os projectos florestais necessários para os promotores promoverem as respectivas candidaturas". 
Oxalá assim fosse, só que não será, mesmo com apoios comunitários. É uma vez mais o senhor milhões a falar, a prometer e a querer dar um sinal diário que ele é o senhor que se segue na cadeira do poder. Que gente! Basta olhar para trás, olhar para o comportamento político do governo, passar os olhos pela realidade que nos circunda, ter presente a marosca política no sentido de ganhar algum avanço entre os demais confrades para, facilmente, apercebermo-nos da hipocrisia, do teatrinho de má qualidade que estes actores andam a promover com o selo e o carimbo vindos do Porto Santo. Fico por aqui.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

JUSTIÇA PELAS PRÓPRIAS MÃOS


A questão que se coloca é esta: sendo punível o incentivo à violência (crimes contra a paz pública), o Ministério Público ficará de braços cruzados? Deixará passar uma situação destas, porque, enfim, saiu da boca de uma pessoa que evidencia constantes sinais de provocação, mas que não devem ser levados a sério? E se um outro qualquer cidadão entender levar longe a sugestão do presidente? Um atirou-lhe um copo de cerveja à cara e ficou a contas com a Justiça. E quem instiga passará em claro?


O Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira, ainda em exercício de funções, definitivamente, deveria sair de cena, pelos seus próprios pés ou por uma de duas acções: através da pressão dos Órgãos de Soberania nacionais ou pela acção (pacífica) do próprio povo. As suas declarações no Porto Santo são lastimáveis. Não foi a primeira vez que falou de justiça pelas próprias mãos, repetiu e incentivou, em alto e bom som, aos madeirenses e portosantenses que descubram: "os terroristas incendiários e que os castigue porque quem os devia castigar, não sabe, nem tem competência para fazê-lo". Este é um claro incentivo à violência. Ora bem, que os pirómanos, identificados como tal, sejam punidos e bem punidos, não tenho a menor dúvida. Se se trata de doença psiquiátrica que sejam internados, tratados e acompanhados. E para tal existe a JUSTIÇA e os Tribunais que, para os governantes que não saibam, constituem "Órgão de Soberania". Ele pode tecer considerações políticas sobre a (in)capacidade da Justiça, pode lamentar que não seja célere, que não disponha de meios suficientes, não pode, isso não, sugerir que as pessoas façam justiça pelas próprias mãos. Não faltará muito tempo e sugerirá as brigadas de freguesia contra os "infiéis" oposicionistas, uma espécie de jiade madeirense, capaz de desenvolver uma "guerra santa" que salvaguarde os grandes e pequenos interesses políticos do regime jardinista. Estou, politicamente, a especular, é certo, mas também parece-me óbvio que se questione se este pedido do presidente do governo se estende aos "incendiários da política", os que colocaram 25.000 no desemprego, geraram uma legião de desempregados e pobreza por todo o lado? Ele terá reflectido que no meio de tantas agruras, de tantos constrangimentos, alguém poderá fazer justiça pelas próprias mãos junto daqueles que consideram ser os responsáveis pelo fogo que devora famílias inteiras? Cuidado com o que se diz, porque esta tem de ser uma terra de paz. A Madeira não pode ser um far west, uma terra sem lei do tipo "olho por olho, dente por dente". Cuidado, porque as palavras, por vezes, fazem ricochete.
Para além destas considerações a questão que se coloca é esta: sendo punível o incentivo à violência (crimes contra a paz pública), o Ministério Público ficará de braços cruzados? Deixará passar uma situação destas, porque, enfim, saiu da boca de uma pessoa que evidencia constantes sinais de provocação, mas que não devem ser levados a sério? E se um outro qualquer cidadão entender levar longe a sugestão do presidente? Um atirou-lhe um copo de cerveja à cara e ficou a contas com a Justiça. E quem instiga passará em claro?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 18 de agosto de 2013

DÁ QUE PENSAR


"Hoje a situação, em termos de carga humana e urbana, é preocupante, a mancha de óleo continua a crescer e a cortina verde a recuar. A meu ver, as medidas mais urgentes a pôr no terreno devem ser: conter a expansão, continuar o trabalho de reabilitação e requalificação, um banco de solos alternativo, acelerar o plano de reconversão florestal da cortina verde da cidade para uma floresta endémica, elaborar a Carta de Riscos contra incêndios e colocar a zona numa moratória de, pelo menos, cinco anos. Ao mesmo tempo, é preciso ver que numa zona com aquela orografia e características, o desenvolvimento do fogo, depois de deflagrado, é muito imprevisível, daí que a aposta na prevenção/limpeza, vigilância educação, etc, é uma questão decisiva para evitar males maiores, como felizmente não aconteceu nesta noite. Apliquemos os milhões da Cota 500, via megalómana e inútil, nestes planos".


Li na página de facebook do Engº Danilo Matos, um texto que deveria ser do conhecimento de muitos que por aí vão fazendo de conta que governam. Transcrevo-o pela sua importância. 
"Nos últimos três anos, o Funchal viveu situações extremamente dramáticas. Em 2010 com a aluvião e os incêndios nas serras e no Parque Ecológico e, em 2011, com os incêndios na Boa Nova e no Palheiro Ferreiro. Há governantes que continuam a acusar a Justiça e os pirómanos, porque querem esconder as causas; com isso temos de concordar que os verdadeiros pirómanos são eles. Em termos genéricos, as causas mais profundas estão na falta de um verdadeiro ordenamento do território. Em termos mais concretos temos de olhar para o anfiteatro da cidade de forma muito diferente.Temos de classificar as Zonas Altas e a Cortina Verde como Zonas de Risco, com tudo o que isso acarreta em termos de gestão urbanística. Julgo que um olhar sério sobre o que se passou esta noite leva-nos a essa necessidade,sob pena de virmos a assistir no futuro a situações gravíssimas. Em 1984 , como técnico da CMF, fiz parte de um gabinete, coordenado pelo Arqº Rafael Botelho, pai do anterior Plano Director da Cidade, onde analisámos, com base num inquérito local, a situação das Zonas Altas. Propusemos: conter a mancha de óleo urbana que subia o anfiteatro, requalificar a zona e criar um banco de solos para servir de alternativa a quem desejasse construir. Era preciso conter e requalificar aquela construção espontânea, que teve, como sabemos, alguns aspectos positivos no pós 25 de Abril. As medidas ficaram no papel e, mais tarde. em 1997, o PDM retomou-as e definiu um cordão limite de ocupação urbana , bem com uma série de propostas para a cortina verde da cidade. Nada disto foi feito e a Câmara, pelo contrário, continuou a facilitar, inclusive, elaborando projectos para os munícipes. Hoje a situação, em termos de carga humana e urbana, é preocupante, a mancha de óleo continua a crescer e a cortina verde a recuar. A meu ver, as medidas mais urgentes a pôr no terreno devem ser: conter a expansão, continuar o trabalho de reabilitação e requalificação, um banco de solos alternativo, acelerar o plano de reconversão florestal da cortina verde da cidade para uma floresta endémica, elaborar a Carta de Riscos contra incêndios e colocar a zona numa moratória de, pelo menos, cinco anos. Ao mesmo tempo, é preciso ver que numa zona com aquela orografia e características, o desenvolvimento do fogo, depois de deflagrado, é muito imprevisível, daí que a aposta na prevenção/limpeza, vigilância educação, etc, é uma questão decisiva para evitar males maiores, como felizmente não aconteceu nesta noite. Apliquemos os milhões da Cota 500, via megalómana e inútil, nestes planos. Os residentes nas Zonas Altas e no Funchal merecem. Finalmente, um pequeno pormenor, como é que, depois de declarado o Alerta Amarelo, a Protecção Civil não impediu o lançamento de foguetes no arraial do Monte, será que isso não tem a ver com o incêndio?

O MEU COMENTÁRIO


Assino por baixo. O drama é o Funchal e, de resto, toda a Região, infelizmente, ter sido bom pasto para os vários interesses em jogo por uma trupe que não olhou a meios para atingir os seus fins. E hoje o Funchal passou a ser também pasto mas de chamas favorecidas pelo sensível desordenamento. Qualquer pessoa, a partir do teu texto percebe que, em primeiro lugar, os espaços devem ser ordenados e infraestruturados e, só depois, devem surgir as habitações. Daí a tal necessidade de um grande banco de solos. Fizeram ao contrário, permitiram o crescimento, inclusive, o de natureza espontânea, fechando os olhos ao não autorizado, depois, viram-se na contingência de ter de levar a estrada, o saneamento, a energia eléctrica, a água e a recolha de resíduos. Tudo ao contrário. Natural, portanto, que venham agora pedir para as pessoas não estacionarem as viaturas para os veículos pesados dos bombeiros passarem. Não culpo as pessoas que procuraram resolver a sua situação habitacional, muitos com enormes sacrifícios, não perdoo aqueles que não souberam ter uma leitura correcta do espaço territorial. Por motivações diversas, inclusive, eleitorais, deixaram aquilo lá por cima sem regras e, cá em baixo, dividiram a cidade em coutadas de interesse. Entretanto, atacaram tudo e todos, engenheiros, arquitectos, professores universitários, organizações de defesa do ambiente, todos levaram de forma contundente com a palavra perversa que escondia outros interesses. Assisti à luta semanal, extremamente difícil, de tua Mulher Violante Saramago Matos quando comigo fomos vereadores na Câmara do Funchal, na sua atitude propositiva e de permanente chamada de atenção para as questões do ordenamento, do planeamento e para a capacidade de saber dizer não, mas apresentando alternativas. De que valeu ou de que tem valido essa luta de tantos, neste caso, por um Funchal de crescimento sustentável e de desenvolvimento assente em pressupostos adequados àquilo que um dia sugeriste: uma cidade atlântica, europeia e turística. E o problema é que muitos se agacharam e hoje aparecem aí a querer disputar lideranças diversas quando, por mais que abramos os olhos não descortinamos as diferenças. Quando, depois do que se passou na zona do Lido (toda a Estrada Monumental e toda aquela pavorosa densidade) o presidente do governo veio dizer que havia que sacrificar uma zona... foi aquela... ponto final, penso que está tudo dito. Nem ele nem outros foram capazes de perceber que aquela deveria ser uma zona de excelência. Quem permite o que ali foi construído, poderia e deveria ter, primeiro, estudado, ordenado, planeado e só depois autorizado no sentido da excelência. Se pensaram assim para uma zona tão sensível, pergunto, iriam ter posições estruturantes para as zonas altas? Estamos a pagar os erros e esses erros tornam-se genericamente mais visíveis quando se dão os desastres. De facto, Danilo, DÁ QUE PENSAR.
Ilustração: Arquivo próprio.

sábado, 17 de agosto de 2013

RESCALDO



Não é hora para grandes balanços face a esta nova tragédia que se abateu sobre o Funchal. Quem o fizer corre o risco de ser mal interpretado e tido como abutre da política. Não o quero fazer, por uma questão até de respeito pelas pessoas que perderam tudo ou quase tudo, e por todos aqueles, protecção civil, bombeiros, médicos, enfermeiros, forças de segurança e populares que tudo deram (e continuam) no sentido de atenuarem, esta sim, enorme facada nas costas dos funchalenses. Não deixo, porém, de deixar aqui registados dois aspectos que devem merecer reflexão: primeiro, continuamos a não aprender com a História, continuamos a aceitar que a vida de todos nós tem de ser vivida em permanente risco e continuamos, por extensão, a não querer ver que o desordenamento territorial favorece momentos de tragédia. Passaram-se mais de trinta anos a sugerir um "plano integrado de desenvolvimento para as zonas altas"; segundo, é-me difícil compreender que o Funchal estivesse a arder e que o "chefe" da Região não interrompesse as férias. Pelo contrário tivesse continuado a "tocar harpa" com um discurso oco e sem sentido quando resolveu atirar, uma vez mais, para a Justiça da República Portuguesa uma certa culpa, porque "continuamos a ter indícios de criminalidade nestas coisas". E as Forças Armadas até lhe disponibilizaram um avião para trazê-lo ao Funchal. Não que viesse ajudar a apagar os fogos, mas daria um sinal, no mínimo, de solidariedade para com as vítimas desta situação. Deixou tal responsabilidade ao seu colega de governo, o secretário regional dos Assuntos Sociais que tem a tutela da Protecção Civil. Deste, a única coisa que se ouviu foi a declaração patética para "todos, todos os madeirenses, evitarem fazer fogos, porque está vento e calor". Revoltante.
Como salientei, há muito para equacionar depois de mais esta tragédia. Ficará para depois, com a serenidade possível, depois de olharmos para o negro da paisagem e descomprimirmos a revolta. 
Ilustração: Arquivo próprio.