sábado, 31 de dezembro de 2011

APESAR DE TUDO... UM BOM ANO!

Ilustração: Google Imagens.

HUMILHAÇÃO POLÍTICA TOTAL. RESTA-LHE A DEMISSÃO!


O quero, posso e mando, a arrogância sem limites, o regabofe dos encargos que não respeitam as prioridades e a intolerância da maioria parlamentar na Assembleia Legislativa, que agora não tem um Sócrates para bater, tem os dias contados. A população ainda vai assistir a um certo estrebuchar político ou, qual Tarik Aziz, a dizerem por aí que tudo está sob controlo. O habitual, só que as regras mudaram, por culpa única e exclusiva destes senhores agarrados ao poder que nem lapas à rocha. Tanto fizeram que mataram a Autonomia e fizeram a Madeira retroceder trinta e tal anos. Resta agora saber por quanto tempo.


Afinal, era só garganta!
O presidente do governo regional da Madeira acaba de sofrer mais uma humilhação política. Mas, pior do que essa humilhação pessoal está o povo que vai sofrer e, particularmente, os empresários que esperam e desesperam pela liquidação de milhares de facturas. De uma necessidade imediata de cerca de oitenta milhões, o Ministério das Finanças, ao disponibilizar 19,4 milhões de euros, deu um sinal muito claro que o presidente do governo não mais vai fazer do dinheiro público o que quer e entende. Desta vez, segundo se sabe, o dinheiro nem passará pelos cofres do governo regional, já que será o próprio ministério a liquidar, directamente, o constante das guias de pagamento, onde se incluem o IRS e a Segurança Social dos funcionários (notícia DN-Madeira que pode ser lida aqui).
E tudo leva a crer que, doravante, assim será. O quero, posso e mando, a arrogância sem limites, o regabofe dos encargos que não respeitam as prioridades e a intolerância da maioria parlamentar na Assembleia Legislativa, que agora não tem um Sócrates para bater, tem os dias contados. A população ainda vai assistir a um certo estrebuchar político ou, qual Tarik Aziz, a dizerem por aí que tudo está sob controlo. O habitual, só que as regras mudaram, por culpa única e exclusiva destes senhores agarrados ao poder que nem lapas à rocha. Tanto fizeram que mataram a Autonomia e fizeram a Madeira retroceder trinta e tal anos. Resta agora saber por quanto tempo. Porque o problema, denunciado há muitos anos, é grave e, sem cêntimo que lhes valha, ficámos todos à mercê das imposições de quem empresta o dinheirinho da sobrevivência. Eu que nunca fui e não sou pessoa de vinganças, que fico constrangido quando vejo alguém em apuros, também entendo que estas questões ultrapassam em muito a administração política. A gravosa situação em que se encontram os madeirenses e porto-santenses leva-me a dizer que há políticos que deveriam ser julgados. Julgados nas urnas e na Justiça. Não é admissível que o exercício da política não seja concretizado na base do rigor e da transparência. E se há, porventura, gestão danosa que coloca em causa uma Região de 270.000 pessoas, aí, a Justiça, não sei porque meios e isso a mim não me compete definir, deveria investigar e actuar.
Nesta completa e vergonhosa humilhação, oiço, esta manhã, o Senhor Presidente da Assembleia Legislativa pedir para que o povo RESISTA. Resistir a quê? Resistir a quem a Madeira deve, apoiando as megalomanias concretizadas e que nos levaram à bancarrota? Ora, o problema não é de resistência. O problema é de mudança de governo, mudança de partido e de mudança de personagens, no sentido da credibilidade e da respeitabilidade perante o País e perante a Europa. A Madeira não tem de resistir nem de se subjugar. A Madeira precisa de gente com capacidade negocial, políticos que falem a verdade, que não utilizem a sistemática mentira para se manterem no poder. A Madeira precisa de homens e mulheres de inteligência, com capacidade técnica e política, gente com soluções, gente que não utilize o poder para satisfação pessoal e de grupos. É disso que a Região precisa de gente de bem e com sentido de missão, que entendam que governar não é um emprego para a vida, mas um serviço público à comunidade balizada no tempo. Daí que, resta-lhes a demissão. Se tiverem um pingo de vergonha e de humildade devem partir, porque tudo tem o seu tempo.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PRESÉPIO NO CURRAL DAS FREIRAS

Tive a possibilidade de visitar o presépio do Curral das Freiras. Excelente. Vale a pena uma visita. Sem colocar em causa o notável esforço da equipa que, uma vez mais, concretizou o presépio da Casa de Saúde de S. João de Deus (Trapiche), o do Curral merece a minha simpatia. A minha e a dos netos que me acompanharam. Vinte valores.
Clique sobre a foto para ampliá-la. 

PSD/CDS COLOCAM A MADEIRA NUMA SITUAÇÃO DRAMÁTICA

ENTRE O SALVADOR E O COVEIRO!


Quando não se faz um esforço de contextualização e de análise a todas as variáveis de processo, quando apenas se olha para o resultado, infalivelmente, corre-se o risco de oferecer aos leitores uma posição distorcida. Aliás, o próprio Diário de Notícias conhece, e bem, pela via do espaço comercial, o esforço que foi realizado pelo Dr. Maximiano Martins no sentido de apresentar à população o seu posicionamento político nos sectores determinantes da governação, assim como as PROPOSTAS para um novo ciclo político. O Diário sabe disso. Sabe que a candidatura do PS foi verdadeira, autêntica e não se escondeu atrás de biombos políticos. E tanto assim é que, um Jornalista do Diário, que muito prezo, pela sua competência e respeitabilidade pública, em conversa informal, lembro-me de me ter dito: desta vez, ao contrário de muitas, tiro o chapéu face ao trabalho que estão a fazer (...)

Alguém ainda tem dúvidas que a Madeira faliu
e que alguém tinha de trazer a Esperança e a Confiança?
Que não se tratava de um "salvador", mas de uma personalidade
credível, capaz de dialogar, com responsabilidade,
no sentido de tornar menos gravosas as medidas
de dupla austeridade? E que os problemas da Região
sendo de natureza económica e financeira, um Economista
com uma história profissional e política
estaria em melhores condições para travar essa batalha?
"De salvador da Madeira a coveiro do PS" foi o título dado ao comentário sobre a candidatura e resultados eleitorais conseguidos, no último acto eleitoral, pelo Dr. Maximiano Martins, peça incluída nas 100 personalidades de 2011, publicada pelo DN-Madeira. Não vou aqui, até porque não é meu hábito, tecer considerações relativamente ao texto publicado, não só porque tenho consideração e estima pessoal pelo jornalista que escreveu a peça, mas também pelo facto das apreciações dependerem de muitas variáveis de natureza pessoal. Por uma questão de princípio, respeito, embora discorde. Quero cingir-me ao título, para dizer, desde logo, quanto o mesmo falseia a realidade. Aliás, já aqui descrevi todo o processo de candidatura para que não subsistissem dúvidas, texto que pode ser lido no seguinte endereço: (http://comqueentao.blogspot.com/2011/11/em-defesa-da-verdade-contra-comunicacao.html)
Não sou advogado de defesa do Dr. Maximiano Martins, mas pertenci a uma equipa de trabalho que foi solidária. Daí que volte a este assunto. Ora, quando não se faz um esforço de contextualização e de análise a todas as variáveis de processo, quando apenas se olha para o resultado, de forma fria e distante, infalivelmente, corre-se o risco de oferecer aos leitores uma posição distorcida. Aliás, o próprio Diário de Notícias conhece, e bem, pela via do espaço comercial, o esforço que foi realizado pelo Dr. Maximiano Martins no sentido de apresentar à população o seu posicionamento político nos sectores determinantes da governação, assim como as PROPOSTAS para um novo ciclo político. Nunca antes tinha acontecido. O Diário sabe disso. Os jornalistas sabem disso. O Diário sabe que a candidatura do PS foi verdadeira, autêntica e não se escondeu atrás de biombos políticos. E tanto assim é que, um Jornalista do Diário, que muito prezo, pela sua competência e respeitabilidade pública, em conversa informal, lembro-me de me ter dito: desta vez, ao contrário de muitas, tiro o chapéu face ao trabalho que estão a fazer. Perguntar-se-á, então, por que motivo os resultados se traduziram em escassos 11%? Pois, essa é a questão que deve (deveria) ser colocada e não a de "salvador" ou de "coveiro". Questiono, na mesma linha, se Edgar Silva foi o coveiro do PCP? Se Roberto Almada foi o coveiro do BE? Que mérito político teve o PAN, no quadro das propostas de governação, para eleger um deputado? E como é que, em um momento tão complexo, a população entrega três mandatos ao Partido Trabalhista, facto que nem os próprios acreditavam?
Alguns, dir-me-ão que estas são justificações esfarrapadas. Não são. Há substanciais e históricas razões de natureza educativa, social e cultural para que o desfecho fosse aquele. Mas daí culpar o candidato "por lacunas comunicacionais" é coisa que não aceito. O PS, em termos comunicacionais foi, talvez, o partido que mais documentos produziu e distribuiu. Foram cerca de 500.000! E as gravações das diversas conferências de imprensa, bem como os debates na TSF, RDP e RTP demonstram a capacidade e o raciocínio claro do Dr. Maximiano Martins nos mais variados temas. Basta consultar ou visionar, em último lugar, os tempos de antena. É evidente que sei que a Madeira regista 58.000 pessoas sem instrução (INE) e que, tendo em conta este facto, certamente que muito papel distribuido não foi lido e muitos não foram compreendidos, apesar do cuidado na publicação de textos absolutamente claros e facilmente assimiláveis; é evidente, por outro lado, que sei que a campanha do PSD terá custado 20 vezes a campanha do PS, sem contar com a pouca-vergonha do Jornal da Madeira; eu sei que há sempre uma máquina "oficial" a trabalhar para a candidatura do PSD, desde Juntas, Câmaras, Casas do Povo, clubes e associações desportivas e culturais. E sei que o governo PSD inaugura e tem à sua disposição vários palcos diários para falar directamente às pessoas, desde as inaugurações às festas disto e daquilo. E sei, também, que o candidato do PSD fogiu aos debates, o que impossibilitou qualquer esclarecimento aos olhos do povo. E tudo isto, que eu sei e que todos sabem, constitui uma situação difícil de contornar e que os resultados acabam por espelhar. Até quando não sei.
Dirão, outros, mas o CDS cresceu de dois para nove deputados. Aí só encontro uma justificação que se traduz na deslocação para o CDS, de muitos votos de um PSD descontente com as políticas social-democratas. A proximidade ideológica a isso conduziu. Mas é um voto "vadio", considero eu, é um voto que pouco significa, até porque não me parece haver grandes diferenças entre um e outro partido. Na República têm um "casamento" de conveniência que se estende à Madeira, embora aqui tentem passar a imagem do combate político. A seu tempo, estou certo que o povo se aperceberá.
Basta comparar figura a figura e sector a sector, isto é,
esta equipa proposta pelo PS com a que governa a Madeira.
Pela primeira vez um Partido, antecipadamente,
transmitiu ao eleitorado, para além de um programa,
quem substituiria quem!
Portanto, partindo de todo este contexto, entendo que o Dr. Maximiano Martins poderia ter sido a figura para "salvar" a Madeira. Hoje, está aos olhos de todos que A MADEIRA FALIU e está aos olhos de todos que o "tal conjunto de desconhecidos" (equipa de governo), comparado com as figuras que fazem parte deste governo do PSD, a diferença é abissal na competência técnica e política. Aliás, pergunto, não tem sido a comunicação social que, muitas vezes e com razão, sublinho, assume que os partidos não criam as condições de abertura à sociedade? Esta, portanto, foi uma oportunidade divulgada e perdida. Se tivesse havido mudança, como acontece por aí fora, inclusive, com gente desconhecida, porventura a capacidade de diálogo com a República teria sido outra e menos gravosas poderiam ser as sufocantes medidas impostas à Madeira.
Finalmente, "coveiro do PS" constitui uma expressão deselegante, face a quem se disponibilizou para enfrentar este monstro político que está criado na Madeira. E todos quantos o enfrentam devem ser considerados e respeitados. Que nem tudo decorreu bem, que a candidatura não esteve isenta de erros, obviamente que sim. Qual a candidatura que, perdendo, não encontra aspectos que poderiam ter sido trabalhados de uma forma diferente? Pois, após o jogo todos são treinadores! De resto, o PS tem uma dimensão que deve ser considerada e só perdem aqueles que deixam de lutar pelas convicções. Eu não desisto. Certamente que o Dr. Maximiano também não. Há tantos exemplos, na Europa e fora dela, cujos candidatos, hoje muito considerados, só ganharam à segunda e à terceira vez! Aí sim, talvez o erro do PS seja o de não manter o seu candidado em vários actos eleitorais. Mas, quanto a isso, há que respeitar os órgãos deliberativos do partido. E nesse aspecto não me meto.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"ESPÍRITOS MALIGNOS"


Vamos todos esconjurar esse alegado "demónio" que inferniza a vida de todos os madeirenses e porto-santenses. Não é que eu acredite nessas coisas face às quais o presidente parece ser doutorado, tantas são as vezes que fala em "mau olhado", na inveja e agora nos espíritos, mas se diz, repito, vamos a isso. E desde logo com uma preocupação, a de cortar o mal pela raiz, questionando-se o povo onde se escondem esses tais "espíritos malignos". No essencial, e no contexto em que foi dita aquela expressão, quem é que tornou, ao longo de 35 anos, a "vida escura"? E é esse "espírito" que devem exorcizar, vomitando tudo quanto engoliram ao longo desses anos e que veio a redundar nessa "vida escura". Abram bem a boca como disse o presidente e deitam para fora, de uma vez por todas, esse estado demoníaco.


Agora, o ainda presidente do governo, fala dos "espíritos malignos" que atacam e tornam a "vida escura" na Madeira. Exactamente. O que toda a Região precisa é de fazer um exorcismo político desses espíritos de que o presidente do governo diz estar "possuída". E algum "demónio", penso eu na minha ignorância sobre essas áreas, terá exercido esse poder através de um sistema de crenças. É esse "demónio", pois então, que todos devem esconjurar, uma vez que, na palavra da ilustre personagem, está a tornar a "vida escura" na Madeira. Portanto, do meu ponto de vista, tomando como certa a perspectiva do douto presidente do governo, ele acaba por tocar no ponto certo. Vamos a isso, vamos todos esconjurar esse alegado "demónio" que inferniza a vida de todos os madeirenses e porto-santenses. Não é que eu acredite nessas coisas face às quais o presidente parece ser doutorado, tantas são as vezes que fala em "mau olhado", na inveja e agora nos espíritos, mas se diz, repito, vamos a isso.
E desde logo com uma preocupação, a de cortar o mal pela raiz, questionando-se o povo onde se escondem esses tais "espíritos malignos". No essencial, e no contexto em que foi dita aquela expressão, quem é que tornou, ao longo de 35 anos, a "vida escura"? E é esse "espírito" que devem exorcizar, vomitando tudo quanto engoliram ao longo desses anos e que veio a redundar nessa "vida escura". Abram bem a boca como disse o presidente e deitam para fora, de uma vez por todas, esse estado demoníaco.
Oh Senhor Presidente, eu bem percebo o que pretende. Eu sei que sabe jogar com as crenças, com a religião e com o estado de pobreza cultural. Quem estiver minimamente atento percebe que tenta actuar no campo do obscurantismo, não no campo da ciência política, não no conhecimento, não na racionalidade das acções governativas. O seu jogo, demasiado evidente e repetitivo, é o de pontapé para cima e para a frente e logo se verá! Sempre foi assim, sempre jogou as suas responsabilidades para longe, e os tais "espíritos malignos" trazem no seu bojo a ideia de passar incólume perante uma situação grave que é da sua inteira responsabilidade. A Economia e as Finanças chegaram ao ponto que chegaram na Região, não pelos "espíritos malignos", mas pela incapacidade de governar, pela leviandade e irresponsabilidade, pela persistente mentira, pela roda dos milhões e dos interesses que configuraram o exercício da política na Região. E como sempre só teve uma única resposta para problemas diversos, chegado ao limite, ao fim da linha da mentira, só lhe resta jogar no campo rasteiro das crenças como alívio da sua própria consciência.
Mas, já agora, se acredita nas orações a São Miguel Arcanjo, peça a alguém disponível, para esconjurar os males de que diz o povo estar a sofrer com a seguinte "oração" (Wikipédia): "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen! Grande e glorioso Príncipe dos exércitos celestes, São Miguel Arcanjo, defendei-nos "Porque para nós a luta não é contra a carne e o sangue, mas sim contra as potestades, contra os poderes mundanos destas trevas, contra os espíritos da maldade celeste." [Efes. 6, 12] (...). Ensine, divulgue, faça um comunicado oficial, porque pode constituir uma ajuda no sentido do povo "vomitar" o "demónio" que o senhor deixa transparecer no seu discurso!
Oh Presidente... deixe-se de tretas e governe!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SE SE TRATASSE DE UMA BATALHA NAVAL EU DIRIA... DOIS SUBMARINOS AO FUNDO!


Ontem, não vi aquelas imagens das andorinhas que pousaram nas árvores da Coreia, cheias de frio, e que alguns acreditaram terem vindo se despedir de Kim Jong-Il, mas senti e ouvi dois passarinhos a chilrearem e a anunciarem a primavera na Madeira. Isto é, em suma, nada do que está a acontecer será catastrofista como os analistas e partidos da oposição têm vindo a assumir. IVA, IRS, IRC, redução de trabalhadores, cancelamento de contratos, aumento do ISP, cortes na saúde e na educação, privatizações, perda de competências, aumento de 15% nos transportes públicos, subsídio de Natal e de férias, enfim, nada disto assusta, nada disto é preocupante, quando está aos olhos de todos que aqueles constrangimentos irão agravar o já depauperado tecido empresarial, as falências, o aumento do desemprego, da pobreza e, obviamente, da instabilidade social e segurança de pessoas e bens. Só os dois passarinhos que ontem estiveram naquela conferência de imprensa é que não se apercebem (ora se sabem!) do estado de penúria, de degradação política, económica, financeira e social. Falam com uma altivez como se nada estivesse a acontecer (...)

Uma conferência de Imprensa que foi água do Luso!
Estes políticos que governam a Região denotam que não estão bem. Desde há muito, sublinho. Porém, agora, assiste-se a uma espécie de máscara que cai para visualizarmos o que realmente são e perseguem como objectivo político e até de vida pessoal. Ora, a conferência de imprensa de ontem sobre o plano de assistência financeira à Madeira foi patética. A páginas tantas, face a uma pertinente questão da jornalista do DN-Lisboa, Lília Bernardes, atalhou-a no sentido de dizer que ali não era lugar "político" ou para discutir (esclarecer) politicamente as situações. Ora, se as razões que estão na origem da conferência de imprensa não são políticas e de esclarecimento político, o que foram ali fazer?
Salvo as devidas e substanciais proporções, aquela comunicação e respostas aos jornalistas, talvez pela proximidade dos acontecimentos na Coreia do Norte, por vezes, fez passar pela minha consciência algumas pinceladas do regime daquelas bandas. Repito, salvo as devidas proporções e características do poder. Refiro-me, essencialmente, ao autismo, ao desejo de poder que demonstram que os incapacita de ter a noção que o seu tempo já terminou e que as suas políticas apenas conduzem à pobreza. Ontem, não vi aquelas imagens das andorinhas que pousaram nas árvores da Coreia, cheias de frio, e que alguns acreditaram terem vindo se despedir de Kim Jong-Il, mas senti e ouvi dois passarinhos a chilrearem e a anunciarem a primavera na Madeira. Isto é, em suma, nada do que está a acontecer será catastrofista como os analistas e partidos da oposição têm vindo a assumir. IVA, IRS, IRC, redução de trabalhadores, cancelamento de contratos, aumento do ISP, cortes na saúde e na educação, privatizações, perda de competências, aumento de 15% nos transportes públicos, subsídio de Natal e de férias, enfim, nada disto assusta, nada disto é preocupante, quando está aos olhos de todos que aqueles constrangimentos irão agravar o já depauperado tecido empresarial, as falências, o aumento do desemprego, da pobreza e, obviamente, da instabilidade social e segurança de pessoas e bens. Só os dois passarinhos que ontem estiveram naquela conferência de imprensa é que não se apercebem (ora se sabem!) do estado de penúria, de degradação política, económica, financeira e social. Falam com uma altivez como se nada estivesse a acontecer, como se o cofre estivesse a abarrotar de dinheiro, como se não existissem milhares de facturas por pagar, como se o serviço de reembolsos da ADSE, neste momento encerrado, não fosse denunciador de falta de liquidez, como se os empresários andassem aí com uma grande capacidade para suportar novos encargos, como se não tivéssemos mais de 20.000 desempregados, como se as instituições de solidariedade social não andassem numa roda viva para esbater a fome, como se os indicadores de assaltos não fossem preocupantes, como se as famílias andassem aí a viver momentos de grande prosperidade, como se a dívida pública não fosse extremamente preocupante, enfim, como se vivêssemos numa terra com petróleo e ouro. Este autismo é revoltante, quando os dois passarinhos tentaram ontem cantar uma primavera que, há luz do quadro existente, só trará tragédia.
A queda é abrupta, os comentadores são unânimes em condenar os erros políticos, mas o "chefe" e o homem do rosário teimam em dizer que isto vai... O "chefe" chegou ao ponto de assumir que a "Autonomia Política" está nas nossas mãos. A autonomia financeira foi-se e, pergunto, o que será da autonomia política quando a Região perde a capacidade de controlo orçamental e o Instituto de Gestão das Contas Públicas passará a gerir a dívida pública da Madeira? Mas, pensam que enganam quem? Que todos, inclusive, os 58.000 sem instrução são mentecaptos? Que ninguém ainda deu que mentiu antes das eleições e que, agora, continua com o nariz em crescimento acelerado?
Finalmente, uma nota que, pelo rigor e transparência, afigura-se-me absolutamente, acertada. Refiro-me à perda de responsabilidade, espero que temporária, da Direcção Regional de Estatística, para garantia de independência e isenção na produção dos dados estatísticos. Há muito tempo que é evidente a falta de transparência e rigor bem consubstanciado nos dados do desemprego. Pelo menos, a partir de agora, poderemos ter a certeza do que lemos. E no meio de toda esta avalancha de demérito do governo regional, ainda o presidente tem a lata de, esta manhã disparar contra tudo e contra todos os que analisaram e analisam a presente situação. Ridículo! Como sublinhou o analista de economia da SIC, José Gomes Ferreira, Jardim "perdeu em toda a linha e transforma numa vitória". Está tudo dito. Fica a reserva que, entre a "carta de intenções" e o documento final que será obrigado a assinar, é minha convicção que, infelizmente, alguma coisa ainda será motivo de agravamento.
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

VOAM BAIXINHO


Tanto fizeram que, hoje, estão de cócoras, no meio de um deserto de ideias, escravos de si próprios, sem bússola que os oriente nem estrela que os conduza. Andam ao Deus dará, em estado de penúria e entregues à sua sorte.

O “chefe” anda a voar baixo porque, cansado e sem asas, não lhe resta senão a possibilidade quase rastejante; um outro só fala de milhões para os “senhores agricultores”, numa diabólica azáfama diária por um minuto de televisão; a Senhora entretém-se com as pobres taxas de ocupação hoteleira, não com o futuro do sector; o lugar-tenente olha para os empresários aflitos e para as grandes obras do regime e sente um calafrio espinha acima de tirar o sono; outro, anda com o rosário das contas, dá a volta, percorre a cruz e regressa à estaca zero, pelo que lhe resta empurrar com a barriga; outro, ainda, jovem nas andanças, coitado, não vai além das promessas de diálogo, como se o sistema não necessitasse de grandes opções estratégicas, contas em dia, antes que a dita paz social estoire; finalmente, o tal da “troika” que não manda aqui, diz-se, que não há “alka-seltzer” que digira tanto problema. E assim se passam os dias e os meses, no meio de uma absurda paz podre, de decadência e falência político-administrativa, onde nem os cânticos da época que ecoam, prenhes de esperança, conseguem disfarçar o mundo das realidades sentidas.
Pois é, a mentira tem sempre perna curta e o mal é alguns pensarem que o exercício da política é uma profissão. Ficam ali, amarrados, cristalizados e subservientes, porque o poder é uma espécie de estupefaciente, na esteira de Émile Chartier, quando sem controlo conduz à loucura. Dir-se-á que a alimentação do eu se sobrepõe à alimentação da sociedade. Concomitantemente, o apelo pela “máfia boazinha”, esse pensamento anormal na condução da sociedade, torna-se superior aos desígnios de um poder ao serviço das pessoas.
Tanto fizeram que, hoje, estão de cócoras, no meio de um deserto de ideias, escravos de si próprios, sem bússola que os oriente nem estrela que os conduza. Andam ao Deus dará, em estado de penúria e entregues à sua sorte.
NOTA:
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-M
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 24 de dezembro de 2011

SAÚDE E ESPERANÇA


Vamos todos esperar que a ESPERANÇA, vinda ou não do frio da Lapónia, seja devolvida a todos os madeirenses e porto-santenses. Os tempos que se avizinham revestem-se de tonalidades muito sombrias, mas que haja SAÚDE. É este o meu maior desejo para todos os que tiverem a oportunidade de ler esta mensagem. Um grande abraço e BOM NATAL.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BOM NATAL

O FANTASMA DE PARIS


(…) José Sócrates começou a governar em 2004, recebendo um país com um défice de 6,2%, após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. Para mascarar um défice inexplicável, os ministros da Finanças desses governos, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, foram pioneiros na descoberta de truques de engenharia orçamental para encobrir a verdadeira dimensão das coisas: despesas para o ano seguinte e receitas antecipadas, e nacionalização de fundos de pensões particulares, como agora. 
Em 2008, quando terminou o seu primeiro mandato e se reapresentou a eleições, o governo de José Sócrates tinha baixado o défice para 2,8%, sendo o primeiro em muitos anos a cumprir as regras da moeda única.


O consenso em roda da política orçamental prosseguida e do desempenho do ministro Teixeira dos Santos era tal que as únicas propostas e discordâncias, de direita e de esquerda, consistiam sistematicamente em propor mais despesa pública. E quando se chegou às eleições, o défice nem foi tema de campanha, substituído pelo da “ameaça às liberdades” (…)
Logo depois, rebentou a crise do subprime nos Estados Unidos e Sócrates e todos os primeiro-ministros da Europa receberam de Bruxelas ordens exactamente opostas às que dá agora a srª Merkel: era preciso e urgente acorrer à banca, retomar em força o investimento público e pôr fim à contenção de despesa, sob pena de se arrastar toda a União para uma recessão pior do que a de 1929. E assim ele fez, como fizeram todos os outros, até que, menos dum ano decorrido, os mercados e as agências se lembraram de questionar subitamente a capacidade de endividamento dos países: assim nasceu a crise das dívidas soberanas. Porém não me lembro de alguém ter questionado, nesse ano de 2009, a política despesista que Sócrates adoptou a conselho de Bruxelas. Pelo contrário, quando Teixeira dos Santos (…) começou a avançar com PEC, todo o país – partidário, autárquico, empresarial, corporativo e civil – se levantou, indignado, a protestar contra os “sacrifícios” e a suave subida de impostos. Passos Coelho quase chorou, a pedir desculpa aos portugueses por viabilizar o PEC 3 que subia as taxas máximas de IRS de 45 para 46,5% (que saudades!) (…) O erro de Sócrates foi exactamente o de não ter tido a coragem de governar contra o facilitismo geral (não concordo. Sócrates combateu privilégios instalados, como nenhum outro primeiro-ministro o fez, nem de perto nem de longe. Daí o ódio que lhe tinham, veja-se o caso dos professores, associação de farmácias, magistrados, etc., etc. - para além do mais, teve contra si uma oposição estrategicamente unida, uma maioria relativa, e uma forte oposição interna – Seguro à direita e Alegre à esquerda. Se o governo não caísse com o chumbo do Pec. 4, cairia seguramente com uma moção de censura) e a antiquíssima maldição de permitir que tudo em Portugal gire à volta do Estado (…). Quando ele, na senda dos seus antecessores desde Cavaco Silva (que foi o pai do sistema) se lançou na política de grandes empreitadas e obras públicas (…) o que me lembro de ter visto, então, foi toda a gente (…) explicar veementemente que não se podia parar com o “investimento público”, e vi todas as corporações do país (…) baterem-se com unhas e dentes e apoiados pelos partidos de direita e de esquerda contra qualquer tentativa de reforma que pusesse em causa os seus privilégios sustentados pelos dinheiros públicos. O erro de Sócrates foi ter desistido e cedido a essa unanimidade de interesses instalados, que confunde o crescimento económico com a habitual tratação entre o Estado e os seus protegidos. Mas ainda me lembro de um Governo presidido por Santana Lopes apresentar um projecto de TGV que propunha não uma linha Lisboa-Madrid, mas cinco linhas, incluindo a fantástica ligação Faro-Huelva em alta velocidade. E o país, embasbacado, a aplaudir!
(Depois de vendido o património e sugado o povo, o que resta para pagar a dívida? O facto de Portugal ser um país periférico da Europa foi sempre uma desvantagem e um dos factores do nosso atraso. Tudo se passava para além dos Pirenéus. Por isso era fundamental o aproveitamento geográfico do país. Com a sua fronteira para o Atlântico, Portugal pode vir a ser uma importante porta da Europa. Para isso é necessário modernizar os portos, ter um aeroporto estratégico em termos europeus e um comboio de alta-velocidade para transporte de passageiros, e, principalmente, de mercadorias. A linha férrea a unir as duas capitais, Lisboa/Madrid, é parte integrante deste projecto. A EU apoiava e incentivava este plano de aproveitamento geográfico do país para a criação de mais-valias. Com o chumbo do Pec. 4 tudo isto se desmoronou. O chumbo do Pec. 4 foi uma tragédia para o país, que havemos de pagar bem caro, ou melhor, já estamos a pagar. 
Não é possível um país desenvolver-se sem empresas fortes e saudáveis. Sócrates tentou incentivar vários “cluters” que pudessem ser o motor da economia. O que se passou com os computadores “Magalhães” foi vergonhoso e exemplar. Toda a gente ridicularizou uma iniciativa que distribuiu um milhão e oitocentos mil computadores por um estrato social que não os poderia comprar a preço normal. Hoje o J. P. Sá Couto só consegue vender computadores no estrangeiro. É o país que temos…)   Diferente disso é a crença actual de que a dívida virtuosa – a que é aplicada no crescimento sustentado da economia e assegura retorno – não é essencial e que a única coisa que agora interessa é poupar dinheiro seja como for, sufocando o país de impostos e abdicando de qualquer investimento público que garanta algum futuro. Doentia é esta crença de que governar bem é empobrecer o país. Doente é um governante que aconselha os jovens a largarem a “zona de conforto do desemprego” e emigrarem. Doente é um governo que, confrontado com mais de 700.000 desempregados e 16.000 novos cada mês, acha que o que importa é reduzir o montante, a duração e a cobertura do subsídio de desemprego. Doente é um governo que, tendo desistido do projecto de transformar Portugal num país pioneiro dos automóveis eléctricos, vê a Nissan abandonar, consequentemente, o projecto de fábrica de baterias de Aveiro, e encolhe os ombros, dizendo que era mais um dos “projectos no papel do engº Sócrates”. Doente é um governo que acredita poder salvar as finanças públicas matando a economia.
O fantasma do engº Sócrates pode servir para o prof. Freitas do Amaral mostrar mais uma vez de que massa é feito, pode servir para uns pobres secretários de Estado se armarem em estadistas ou para os jornais populistas instigarem a execução sumária do homem. Pode servir para reescrever a história de acordo com a urgência actual, pode servir para apagar o cadastro e as memórias inconvenientes e serve, certamente, para desresponsabilizar todos e cada um: somos uns coitadinhos, que subitamente nos achámos devedores de 160.000 milhões de euros que ninguém, excepto o engº Sócrates, sabe em que foram gastos. Ninguém sabe?”
Miguel Sousa Tavares
«Expresso», 17 de Dezembro de 2011
Nota: Texto remetido pelo meu Amigo Gil França. Os sublinhados não são do autor do artigo. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"VAMOS SER CLAROS SOBRE ESSA MATÉRIA"... DIZ A DEPUTADA!


Oh senhora deputada, eu sei que tem de defender essas posições porque a cristalização da consciência política e o "livrinho" do bom comportamento assim obriga, apesar disso, pergunto, e se pedisse ao seu líder do grupo parlamentar, Senhor Jaime Ramos, para aplicar uma parte do dinheiro da subvenção nas obras de reconstrução da Madeira que estão por fazer, se pedisse uma parte para levá-lo para a Ribeira Brava onde há gente que desespera desde o 20 de Fevereiro, ou, então, para aplicá-lo nas Corujeiras onde há gente a viver com o credo na boca... seria capaz de exigir isso? Comece por dar o exemplo, antes do debate desse Projecto de Resolução, absolutamente demagógico, obsceno e politicamente despido de qualquer sentido de responsabilidade.

A demagogia do PSD-M não tem fim e não conhece limites. No caso que aqui trago, são autores da proposta inicial que concebeu a fórmula de atribuição das subvenções aos partidos políticos, aprovaram e são os próprios, perante a contestação, que vêm dizer aos críticos para devolverem o dinheiro se o considerarem injusto. Isto é, foram incapazes de negociar, incapazes de ouvir as vozes de protesto, incapazes de considerarem que, em tempos de grande dificuldade (e mesmo que não fossem), a Assembleia deveria dar o primeiro exemplo, e não satisfeitos com este comportamento, uma vez servidos à grande e à francesa, despejam o ónus da situação sobre os restantes partidos políticos. Chegaram lume ao pavio, rebentaram o foguete da sua festa, apanharam a cana, fizeram a joeira, "altearam-na" e assobiam agora para o lado como se não fossem os causadores primeiros da situação. Isto, qual metáfora, para dizer que o problema deveria ter sido resolvido a montante, antes da aprovação, não agora. Parece-me óbvio. A partir da aprovação os partidos são livres de aplicarem o dinheiro como melhor entenderem, desde os actos de solidariedade social até ao pagamento das dívidas aos fornecedores.
Pertenci ao grupo parlamentar do PS nos últimos quatro anos e lembro-me das sucessivas propostas, mormente no decorrer do debate na especialidade do Plano e Orçamento e das reuniões do Conselho Administrativo da ALRAM, de inclusão da proposta de uma redução de 30% nas transferências para os partidos. A verdade é que o PSD-M sempre se opôs à implementação de uma tal medida. Uma proposta que sempre me pareceu razoável tomando em consideração vários aspectos. Desde logo o facto do regime democrático ter os seus custos, pois baseia-se na existência de partidos políticos. E estes precisam do financiamento público para que possam manter a existência de uma sede, de alguns funcionários e dos imprescindíveis serviços administrativos necessários para fazer chegar a sua mensagem política a todos os eleitores. Tudo isto tem custos para o erário público. Sou contra o financiamento privado por múltiplas razões facilmente descortináveis. O problema é quando se ultrapassa aquilo que se considera razoável e entendível como funcionamento base de um partido. Por exemplo, quando abrem sedes em todas as freguesias, quando um partido faz campanhas eleitorais que custam muitos milhões de euros, quando contraem dívidas na banca por via dessas campanhas apenas para manter o poder a todo o custo, aí é óbvio que todo o dinheiro é pouco. Aí, toca a sacar do erário público, neste caso, por força de uma maioria parlamentar, ao mesmo tempo que atiram para os outros responsabilidade próprias. Se há, no contexto da Assembleia, uma responsabilidade pelo designado jackpot, essa pertence ao PSD..
Está em causa o critério em que assenta o cálculo das transferências das subvenções dos partidos e mais, está por definir um teto máximo para essas transferências. Porque o dinheiro não é para alimentar complexas engrenagens e respetivos óleos que possibilitam as vitórias eleitorais, mas para o funcionamento da estrutura base de um partido. É assim que entendo e defendo o financiamento público. Todavia, curiosamente, ou talvez não, no último programa Parlamento da RTP-M escutei uma deputada do PSD-M, que não me recordo o nome, sublinhar, repetidamente, "vamos ser claros sobre essa matéria", que os partidos que não concordam com o critério que devolvam o dinheiro. Oh senhora deputada, eu sei que tem de defender essas posições porque a cristalização da consciência política e o "livrinho" do bom comportamento assim obriga, apesar disso, pergunto, e se pedisse ao seu líder do grupo parlamentar, Senhor Jaime Ramos, para aplicar uma parte do dinheiro da subvenção nas obras de reconstrução da Madeira que estão por fazer, se pedisse uma parte para levá-lo para a Ribeira Brava onde há gente que desespera desde o 20 de Fevereiro, ou, então, para aplicá-lo nas Corujeiras onde há gente a viver com o credo na boca... seria capaz de exigir isso? Comece por dar o exemplo, antes do debate desse Projecto de Resolução, absolutamente demagógico, obsceno e politicamente despido de qualquer sentido de responsabilidade. Exija que o PSD regresse ao princípio e que se sente à mesa para discutir, com seriedade e sentido de responsabilidade uma questão que envergonha no quadro das dificuldades da Região. Aí é que o problema tem de ser resolvido. A distribuição de cabazes de Natal, de computadores ou quaisquer outras iniciativas de solidariedade, por mais louváveis que sejam, desvirtuam, completamente, o sentido do financiamento dos partidos.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A MORTE DA AUTONOMIA E O REGRESSO À JUNTA GERAL DO DISTRITO


É que o momento exigia, muito mais do que em qualquer outro, uma palavra séria, honesta, caracterizadora do momento terrível para a Região, uma palavra de esperança, uma palavra de projecto para enfrentar as adversidades de 2012. Mais. Uma palavra para os desempregados, para os pobres, para os das margens da nossa sociedade, para os diversos sectores profissionais e para o os empresários aflitos. O presidente do governo da Madeira abandona-os à sua sorte, como se a vida fosse uma roleta russa. Mas, atenção, quem não tem coragem para dirigir-se ao Povo, constitui um desplante muito grande, no dia 31 de Dezembro, de smoking, aparecer em festa brindando ao ano que se segue. Brindar porquê e por quem? Nas costas do Povo que lhe deu o voto? Esquisito!

Não é que fosse determinante, mas faz parte de uma tradição. Confesso que as mensagens de Natal, do Presidente da República ao Primeiro-Ministro, não me entusiasmam, isto é, não me prendem. Porque são repetitivas e acabam por cair numa lengalenga que nada adianta. Mas, politicamente, constitui uma obrigação, mais que não seja para, olhos nos olhos, no momento que atravessamos, falar de esperança a todo o povo. Ora, o presidente do governo regional ao esquivar-se à mensagem de Natal, demonstra uma atitude que tem um óbvio significado político. Demonstra que está de rastos, que não tem nada para dizer ao povo que enganou, que prefere o silêncio porque a sua palavra é hoje uma letra vencida. Não falar, não dirigir-se a um povo que sofre e sofrerá as consequências das suas megalomanias, coloca-o numa situação de absoluta fragilidade política. É que o momento político exigia, muito mais do que em qualquer outro, uma palavra séria, honesta, caracterizadora da situação terrível para a Região, uma palavra de esperança, uma palavra de projecto para enfrentar as adversidades de 2012. Mais. Uma palavra para os desempregados, para os pobres, para os das margens da nossa sociedade, para os diversos sectores profissionais e para o os empresários aflitos. O presidente do governo da Madeira abandona-os à sua sorte, como se a vida fosse uma roleta russa. Como se não tivessem direito a serem esclarecidos sobre o futuro a partir dos grandes constrangimentos que se avizinham.  
Este é o meu primeiro sentimento, de indignação, em função do povo que sofre. Mas, invade-me um segundo sentimento. É que talvez seja bom poupar a população a esses minutos de contorcionismo político.  Nesta época basta os do circo! Certamente que lá viria com a história dos malandros de Lisboa e isso não só não ajudaria como prejudicaria as relações já de si tensas, entre membros do mesmo partido, com repercussões na vida daqueles que cá vivem. Talvez seja bom não aparecer, por um lado, porque não tem nada para dizer, por outro, só iria, como sempre acontece, lançar mais combustível sobre uma relação política em labaredas. Fica, de qualquer forma, marcada a falta de comparência, a manifestação dos desejos, pelo menos de boa saúde para todos, já que, quanto ao resto, todos terão de aguentar os seus disparates dos quais resultaram mais IRS, IVA, IRC, IMI, taxas moderadoras (afinal, a "troika" manda aqui), subsídio de insularidade, redução do número de funcionários públicos, imposto de circulação nas vias rápida e expresso, enfim, uma dupla e gravosa austeridade. Tudo o que foi negado, vem a caminho. E ontem uma infeliz deputada do PSD, na televisão, quando existe uma perda total da autonomia política e administrativa, veio dizer, em suma, que é preciso aguardar pela assinatura do documento de compromisso de saneamento financeiro. Que espantosa mediocridade e que tamanha falta de lucidez. Tarek Aziz não diria melhor. Infelizmente, não sei por quantos anos, o PSD matou a Autonomia e fez os madeirenses regressarem aos tempos da Junta Geral do Distrito.  
Mas, atenção, quem não tem coragem para dirigir-se ao Povo, constitui um desplante muito grande, no dia 31 de Dezembro, de smoking, aparecer em festa brindando ao ano que se segue. Brindar porquê e por quem? Nas costas do Povo que lhe deu o voto? Esquisito!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O SISTEMA TREME E O TSUNAMI VEM A CAMINHO


Para ele, bom seria continuar a loucura inauguracionista, bom seria continuar o regabofe dos dinheiros públicos que a todos pertence, bom seria manter a política de subsidiodependência e algumas fortunas mal explicadas, bom era continuar a política que não olha às prioridades mas aos actos eleitorais, bom seria manter a lógica que "a História não fala de dívidas, mas de obras", bom seria que outros pagassem os devaneios, a insensibilidade social. Para ele só há um caminho: mandem o dinheirinho que nós tratamos do resto. Só que não há mais dinheiro no saco e terá de governar com pouco, respeitando as prioridades. Por isso mesmo, o mentor desta monumental engrenagem, está no fim da linha política. O sistema treme e o "tsunami" vem a caminho. Mesmo com a ameaça de procurar a solução no Tribunal.

Acabou o Carnaval!
Quer dizer... sou um gastador inveterado, viciado em "obras" sem cabimento orçamental, gasto sem critério e desrespeito as prioridades, não olho a meios para ganhar eleições, ofendo quem se apresente a contestar tornando-me, por aí, incapaz para negociar, e os outros é que são culpados, os outros é que não me compreendem. Oh Senhor Presidente do Governo Regional e se fosse contar essa história para as Desertas? É que já não se pode com esta ladainha de vitimização baseada na historieta que é "difícil o diálogo com o Estado Central".
Disse que foi preciso infraestruturar. Pois, mas deveria tê-lo feito com peso, conta e medida, com responsabilidade e em função das possibilidades. O que não se pode fazer em quatro faz-se em oito anos. É assim nas famílias equilibradas e deveria ser assim para quem governa. Mas, não, Sua Excelência atira-se a outros, atira-se aos comportamentos políticos dos de lá, mas o que fez e faz por aqui é igual ou pior. E, a propósito, surge a pergunta: qual o triste rol das "sociedades de desenvolvimento"? E quem mandou construir no pressuposto que as gerações futuras teriam de pagar a factura? Quem o autorizou a entrar por esse caminho? Terão sido os de lá ou foi a loucura política que encostou à parede toda a população, com claros prejuízos para a Autonomia Política e Administrativa?
No meio disto, repete e repete a cantilena da Educação e da Saúde. O objectivo é claro: convencer uma parte da população dos seus argumentos. Qual coelho saído da cartola fala de um custo de nove mil milhões ao longo dos anos! A Constituição da República que não presta, afinal, dá jeito! Não apresenta contas, mas adianta que a factura por aí andará. Isto é, nas continhas de mercearia do governo, o Estado ainda está em dívida em uns quantos mil milhões se descontarem os valores do actual buraco financeiro madeirense. Ora, não há paciência para este tipo de discurso falacioso. Regionalizaram e bem no quadro da Autonomia, receberam e bem, altas comparticipações na construção de edifícios, quer escolares quer para as infraestruturas da saúde, entre muitos outros, puderam dispor de todas as receitas dos impostos, enfim, à Madeira chegaram muitos milhões ao longo de muitos anos, mas que foram aplicados de acordo com um único critério: "com milhões faço inaugurações e com inaugurações ganho eleições" e, depois de todo este passado, dos autoelogios à "Madeira Nova", os outros é que são culpados do desnorte, da falência, do buraco e do "diálogo é difícil" com aquela gente!
Ora, para ele, bom seria continuar a loucura inauguracionista, bom seria continuar o regabofe dos dinheiros públicos que a todos pertence, bom seria manter a política de subsidiodependência e algumas fortunas mal explicadas, bom era continuar a política que não olha às prioridades mas aos actos eleitorais, bom seria manter a lógica que "a História não fala de dívidas, mas de obras", bom seria que outros pagassem os devaneios, a insensibilidade social. Para ele só há um caminho: mandem o dinheirinho que nós tratamos do resto. Só que não há mais dinheiro no saco e terá de governar com pouco, respeitando as prioridades. Por isso mesmo, o mentor desta monumental engrenagem, está no fim da linha política. O sistema treme e o "tsunami" vem a caminho. Mesmo com a ameaça de procurar a solução no Tribunal.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

UM SENHOR QUE PARTE... FICA A OBRA

VALE A PENA OUVIR E MEDITAR... ONDE É QUE EU VI ESTE FILME?

GABINETES HÁ MUITOS...


Nunca acreditei na existência de gabinetes ditos de aproximação aos eleitores. Da experiência de muitos anos chego à conclusão que, em termos práticos, são uma treta. A sua criação pode cair bem no eleitor, enquanto notícia, mas os seus efeitos práticos valem zero ou muito próximo disso. Se assim não fosse, os gabinetes autárquicos, as associações cívicas criadas na Madeira, entre outras, já teriam dado a volta a isto.


Os partidos e os respectivos grupos parlamentares não devem transformar-se numa espécie de caixinha de reclamações. Aliás, nunca acreditei na existência de gabinetes ditos de aproximação aos eleitores. Da experiência de muitos anos chego à conclusão que, em termos práticos, são uma treta. A sua criação pode cair bem no eleitor, enquanto notícia, mas os seus efeitos práticos valem zero ou muito próximo disso. Se assim não fosse, os gabinetes autárquicos, as associações cívicas criadas na Madeira, entre outras, já teriam dado a volta a isto. Lembro, aqui, as autênticas "romarias" às sessões públicas das câmaras municipais, consequência da existência de gabinetes com a vocação de equacionar os problemas mais sentidos pelas populações, os quais, no entanto, em pouco ou nada resultaram do ponto de vista eleitoral. Um desses partidos, o mais bem organizado a esse nível, o PCP, depois de um notável trabalho campo, acabou por perder um deputado. E um outro, o BE, perdeu a representação parlamentar. Ora, enquanto a cultura e a mentalidade dominante for esta, os partidos funcionarão como caixa de reclamações, sendo outra a caixa do voto.
Mas isto não significa que os partidos e grupos parlamentares se circunscrevam ao espaço fechado das suas sedes. Não é isso que quero exprimir. Os partidos têm de estar nos sítios, junto das pessoas, mas sobretudo com PROJECTO. Ouvir é uma coisa, ter projecto credível é outra. Escutar, todos o fazem, ser propositivo com pessoas de qualidade que interpretam os sinais e indicam as soluções, é outra coisa bem diferente. É, por isso, que aprecio mais o trabalho de mudança de mentalidade do que a audição de pessoas que vêm colocar o problema particular, da rua, do vizinho, da obra clandestina, de habitação, do pedido de emprego ou de acção social, etc.. Aliás, um grupo parlamentar não é propriamente uma vereação autárquica. Tem outra vocação e missão, que pode ser complexa se assim entenderem, no quadro de Primeiro Órgão de Governo Próprio. Baixar ao nível de Câmara Municipal ou de Junta de Freguesia não me parece um bom sinal. Cada patamar deve assegurar um grau de participação diferenciado. Parece-me óbvio.
Ademais, a Região é demasiado pequena. Todos conhecemos os problemas centrais, os problemas nucleares que determinam, a prazo, a melhoria da qualidade de vida das populações. E um grupo parlamentar deve constituir-se como instituição de cúpula cuja acção deve ser orientada para os grandes sectores da governação. Mas esta é a minha leitura e posição. Há outras que, embora discorde, respeito. Agora, a política séria não se faz com histórias de entretenimento.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 18 de dezembro de 2011

PROFESSORES... EMIGRAI!


Os professores "excedentários" que emigrem, disse o Primeiro-Ministro, porque os países lusófonos bem precisam. Ao invés de procurar as causas da existência de "excedentários" compaginando-os com o sistema que temos, com o facto de sermos o país com menores níveis de escolarização da população, o Primeiro-Ministro aconselha-os a emigrar, porque “(...) sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”. Trata-se da resposta mais fácil, a resposta que chuta para longe o problema fundamental do País, quando o círculo vicioso da pobreza só se rompe através da Educação.


Só o Primeiro-Ministro não sabe o que há muito é sublinhado por muitos pensadores da Educação: Portugal "não tem professores a mais. Tem sistema educativo a menos". Eu concordo com este posicionamento, se considerarmos dois aspectos fundamentais: primeiro, porque somos o país com menores níveis de escolaridade da Europa; segundo, porque o investimento na Educação, independentemente de todas as consequências positivas na dinâmica económica, financeira e social,  "é o nervo fundamental de qualquer política cultural", tal como ainda há dias referiu o próprio Secretário de Estado da Cultura do governo do Dr. Passos Coelho.
Os professores "excedentários" que emigrem, disse o Primeiro-Ministro, porque os países lusófonos bem precisam. Ao invés de procurar as causas da existência de "excedentários" compaginando-os com o sistema que temos, com o facto de sermos o país com menores níveis de escolarização da população, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, publicado no mês passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Primeiro-Ministro aconselha-os a emigrar, porque “(...) sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”. Ora, trata-se da resposta mais fácil, a resposta que chuta para longe o problema fundamental do País, quando o círculo vicioso da pobreza só se rompe através da Educação. Não há outra alternativa possível. Para o nosso "primeiro", importante é reduzir o défice, mesmo que a prazo continuemos na senda da pobreza e na cauda da Europa em todos os sectores, áreas e domínios que propiciam o desenvolvimento. É esta mentalidade que me incomoda.
É evidente que o Estado não pode oferecer emprego a todos, mas também se sabe que, por ausência de planeamento, os sucessivos governos permitiram que a formação de professores ultrapassasse, substancialmente, as necessidades. Mas isso não significa que o sistema não tenha de ser revisto de alto a baixo, por exemplo, no caso em apreço, desde o número de alunos por escola ao número de alunos por turma, passando pelas necessidades de intervenção precoce, logo aos primeiros sinais de desconformidade no processo ensino-aprendizagem e enquanto meio seguro e preventivo do insucesso e do abandono. Não sei quantos mais docentes seriam e serão necessários, mas que o sistema precisa de professores, disso não me restam dúvidas. Não é um caso de decréscimo da natalidade, como referiu o Primeiro-Ministro, que explica os designados "excedentários". O problema é muito mais profundo e que, aliás, o Dr. Nuno Crato, Ministro da Educação, tanto falou naquele programa "Plano Inclinado" da SIC, mas que, hoje, demonstra total impotência para ir às causa do nosso drama educativo. E esse drama não está no aumento da carga horária em algumas disciplinas. Aliás, não precisamos de mais escola, mas de melhor escola!
Ilustração: Google Imagens.  

NATAL

sábado, 17 de dezembro de 2011

MORREU A RAÍNHA DA MORNA... FICA A "SODADE"



Cesária Évora faleceu, hoje, aos 70 anos, devido a "insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada". Fica a memória e a saudade de uma cantora reconhecida em toda a parte.

"NÃO SE ASSUSTEM"


O navio, no meio do atlântico, está claramente a afundar-se, é varrido por ondas gigantes, os passageiros estão no convés, as baleeiras não conseguem descer, não há coletes de salvação para todos, os tripulantes não sabem o que fazer, a ponte de comando não consegue pedir socorro e o "arraz" pega no megafone e diz: "não se assustem". Não assume uma solução, não indica o caminho de uma possível salvação, não disciplina o caos, não fala a verdade e apenas pede serenidade! Foi das declarações menos ofensivas e, no entanto, mais gravosas que escutei nos últimos tempos.


Basta. Isto está a chegar a um ponto de desaforo manifestamente intolerável. As medidas de austeridade do PSD/CDS ao nível nacional constituem, em determinados aspectos, um claro roubo e rombo na carteira dos portugueses, às quais acrescem as medidas que serão, brevemente, impostas aos que aqui vivem em função do descalabro das finanças públicas regionais. E perante este quadro muito complexo para as empresas e para as famílias, vem o presidente do governo dizer à população para não se assustar, embora o que vem aí não seja "coisa muito folgada". Coisa muito folgada? Ora, este senhor ou está a brincar com os madeirenses e porto-santenses, ou, então continua na senda de querer iludir-se e a iludir uma população inteira. Por isso, digo basta de desnorte, de loucura, de mentira, de hipocrisia e de aldrabice política. Por outro lado, é falso, constitui uma grosseira mentira deixar ontem sair boca fora "que a Madeira fez todo este percurso sempre sozinha". Mentira imperdoável de um homem que governa há trinta e três anos. Então as transferências do Orçamento de Estado? Então os significativos montantes comparticipados pela União Europeia? Então os 110 milhões de contos pagos pelo governo do Engº António Guterres para saltar uma grande parte da dívida acumulada? Então a Lei de Meios que serviu para tanta coisa? Então as centenas de protocolos e de benefícios fiscais? Por isso e muito mais, repito, basta de enganar as pessoas com declarações que falseiam a verdade, deturpam a realidade, que vão ao encontro da vitimização e que, intencionalmente, colocam a léguas as responsabilidades de quem teve responsabilidades governativas.
Mas se a austeridade incomoda qualquer pessoa que siga este filme regional, mais grave é vir dizer para não se assustarem. O navio, no meio do atlântico, está claramente a afundar-se, é varrido por ondas gigantes, os passageiros estão no convés, as baleeiras não conseguem descer, não há coletes de salvação para todos, os tripulantes não sabem o que fazer, a ponte de comando não consegue pedir socorro e o "arraz" pega no megafone e diz: "não se assustem". Não assume uma solução, não indica o caminho de uma possível salvação, não disciplina o caos, não fala a verdade e apenas pede serenidade! Foi das declarações menos ofensivas e, no entanto, mais gravosas que escutei nos últimos tempos. Simplesmente porque o problema é muito grave e que aqui tenho vindo a comentar: o desemprego, o desespero dos empresários, a incapacidade financeira para pagar a tempo e horas, a baixa no turismo, os 58.000 da população com gravíssimas lacunas na formação, os baixos salários, a retirada dos subsídios de Natal e de férias, entre outros, o IMI, o IRS, o IRC,  o subsídio de insularidade, tudo vai à vida e o presidente diz para ninguém se assustar. Revoltante, a lata e o desprezo pelo povo que se compaginam, apenas, na lógica de que o poder sou eu. Saberá o presidente o que é estar desempregado, já vestiu a pele do pobre, de uma classe média espezinhada, das famílias que batem à porta de outros para poderem dar o mínimo às crianças, já esteve alguma vez na posição de empresário que quer manter os postos de trabalho e não pode, porque quem governa não paga, já alguma vez andou pelos corredores da segurança social a ouvir os dramas das pessoas?
E o que mais me espanta são aquelas figuras que o acompanham, subservientes, que, cheios de medo juntam os calcanhares e curvam a coluna ao ponto do nariz tocar os joelhos. Estou convencido que já nem é por uma questão de coerência política, de acreditarem no caminho, mas porque são escravos dos seus interesses e porque, lá pensarão, se tudo isto se desmoronar, terão de ir pregar para outra freguesia. O que é difícil face aos seus passados no espaço político.
Àquela foto publicada na edição de hoje do DN (página 11), no decorrer da inauguração do jardim do Amparo, só falta uma mesa e um baralho de cartas. Deixem a governação e entretenham-se com outros divertimentos, porque tudo tem o seu tempo e os senhores(a) já tiveram o seu!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

JUSTIÇA E CARIDADE


Prolifera na sociedade a atitude da caridadezinha, que envergonha e denuncia, claramente, a ausência de justiça na organização social e na distribuição da riqueza. Caridadezinha que não resolve o problema central da pobreza, quanto muito pode aliviar consciências políticas. A justiça, essa sim, conduz os poderes instituídos a organizarem a sociedade em uma perspectiva de trabalho, de ganha pão, de liberdade, de autonomia, de crescimento e sustentabilidade das famílias. Quando os eleitos falham, por incapacidade e egoísmo, obviamente que sobressaem as atitudes de caridade. Vivemos, portanto, numa sociedade onde há mais direitos que justiça.


Esta manhã, pelas 06 horas, participei na Missa do Parto, na igreja de S. Roque. A mais próxima relativamente à minha residência. Igreja cheia e com um ambiente contagiante. Excelente. Gostei e apreciei o agradável convívio pós celebração, nesta manhã fria na zona alta do Funchal. Os cantares, a aguardente de cana, o café, as broas e a conversa com as pessoas foi estimulante. Mas o que mais me prendeu foi a homilia do Senhor Padre José Luís Rodrigues. Falou como gosto de escutar, aproveitando para reflectir à medida que as palavras se soltam. Detesto homílias descontextualizadas da realidade, homilías que repetem, por outras palavras, o narrado das Escrituras. Aprecio quem me faz reflectir. Gosto, quando a Palavra é motivo para uma contextualização na vida de todos e da comunidade que somos. Foi isso que, uma vez mais, ali aconteceu, a partir das Leituras Proféticas sobre a JUSTIÇA e a CARIDADE. Eu diria que, preto no branco, com toda a energia que brota do interior daquele apóstolo de Cristo, com uma enorme força ilocutória, falou da Justiça que precisamos e da negação da Caridade que temos. Assumiu, em palavras simples, directas e sem desnecessários trololós: Deus não quer a caridade, quer a justiça entre os homens.
E é verdade, esta atitude que prolifera na sociedade, a atitude da caridadezinha, que envergonha e denuncia, claramente, a ausência de justiça na organização social e na distribuição da riqueza. Caridadezinha que não resolve o problema central da pobreza, quanto muito pode aliviar consciências políticas. A justiça, essa sim, conduz os poderes instituídos a organizarem a sociedade em uma perspectiva de trabalho, de ganha pão, de liberdade, de autonomia, de crescimento e sustentabilidade das famílias. Quando os eleitos falham, por incapacidade e egoísmo, obviamente que sobressaem as atitudes de caridade. Vivemos, portanto, numa sociedade onde há mais direitos que justiça. E porque assim é, emerge a caridade, crescem como cogumelas as instituições de solidariedade social para esbaterem a fome e todas as necessidades básicas das famílias.
É evidente que todos, naturalmente, saudamos a existência dessas instituições, porque constituem portas para esbaterem a fome e o abrigo dos necessitados, por ausência de justiça. Mas não podemos esquecer que o problema não se resolve por aí, até porque é penoso e sofredor para todos quantos sentem a necessidade de lá baterem. O problema resolve-se com justiça, com políticos apostados na organização social, nos mecanismos económicos geradores de riqueza susceptíveis de garantirem uma distribuição do pão a que todos têm direito. Viver na e da caridade envergonha a sociedade, envergonha os políticos e permite manter um círculo vicioso de pobreza absolutamente condenável.
É evidente que teremos sempre de contar com uma ou outra instituição, porque existem sempre margens muito complexas. Porém, o que denuncia a fragilidade do esfarrapado tecido social é a existência de seis dezenas de instituições de caridade em 54 freguesias da Madeira. Isso denuncia, repito, a existência de uma sociedade doente e de políticos que não cumprem o dever da JUSTIÇA.
Parabéns Padre José Luís Rodrigues pelo brilhantismo e clarividência das palavras. Assim se contrói um Mundo diferente, agindo localmente com um pensamento global.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DESEMPREGO ASSUSTADOR


Tendencialmente, a situação do desemprego tenderá a agravar-se com todas as consequências que daí derivam. O desemprego no sector privado e lá virá o dia do desemprego na função pública. Os milhões em dívida no sector público, por medidas insensatas ao longo de muitos anos, obviamente que serão traduzidas em cortes impostos pela República e pela "troika" que bem conhece o passado destes levianos políticos que têm governado a Região. Políticos que, 35 anos depois, continuam "inimputáveis". Continuam com as rédeas em uma mão e com o chicote na outra, montados em cima de um povo que perdeu o respeito por si próprio.


Eu não sei, porque essa não é a minha área de estudo, onde irão parar os números dos desemprego, mas que continuará a crescer, assustadoramente, disso não tenho dúvidas. As 18.600 pessoas registadas, na Madeira, no passado mês, pecam por defeito, simplesmente porque se está a falar de desemprego registado. Os valores são, certamente, muito superiores, se considerarmos, entre outras situações que não entram para esta contabilidade, os que saíram da Região à procura de emprego. Seja qual for o número que se aproxime da realidade, o que me parece é que esta situação está, politicamente, fora de controlo. Não se assiste a medidas de natureza económica susceptíveis de garantirem, a prazo, uma inversão da marcha avassaladora do despedimento. O presidente do governo foi o primeiro a reconhecer que não sabe o que fazer com os desempregados, por exemplo, da construção civil. E não sabe, neste sector com em todos os outros. Simplesmente porque a governação da Região assentou sempre em uma perspectiva de resultados imediatos e nunca, repito, nunca, em uma lógica económíca sustentável e portadora de futuro. Hoje, ele e todos os outros compadres de governo, todos quantos ao longo de muitos anos se vergaram à sua vontade, estão no meio do fogo que eles próprios atearam.
A propósito, nos últimos dias, tenho-me cruzado com alguns empresários. Tenho entrado em lojas para uma ou outra compra e o diálogo tem, inevitavelmente, caído nas vendas dos últimos meses e, especificamente, desta tradicional quadra festiva. Constrangem-me os depoimentos que escuto. Ainda esta manhã, no centro do Funchal, dizia-me um empresário, com uma longa e prestigiante carreira no comércio que, antes, as famílias trocavam presentes numa base quase individual. Depois, veio o tempo dos presentes por família e, agora, não oferecem e quando oferecem o valor da compra é mínimo, logo com reduzidas margens de lucro. Num tom quase desesperado disse-me: "comparativamente a outros tempos preciso, agora, mais de um mês para atingir o que antes facturava em quatro dias nesta época de Natal" (...) "Tenho vários colaboradores que me ajudaram ao longo dos anos, mas não sei o que fazer com eles, pois têm família...". Saí dali e entrei numa grande superfície comercial e numa loja multinacional bem conhecida. Um empregado que conheço há muito, jovem e competente, sem que lhe tivesse perguntado fosse o que fosse, adiantou-me: "isto está muito reles, não sei quanto, mas a quebra nas vendas é visível. Estou preocupado".
Ora, os desabafos desta natureza multiplicam-se a cada loja que se entre. O que significa que, tendencialmente, a situação do desemprego tenderá a agravar-se com todas as consequências que daí derivam. O desemprego no sector privado e lá virá o dia do desemprego na função pública. Os milhões em dívida no sector público, por medidas insensatas ao longo de muitos anos, obviamente que serão traduzidas em cortes impostos pela República e pela "troika" que bem conhece o passado destes levianos políticos que têm governado a Região. Políticos que, 35 anos depois, continuam "inimputáveis". Continuam com as rédeas em uma mão e com o chicote na outra, montados em cima de um povo que perdeu o respeito por si próprio. Nem colocam a exaustivo debate, na Assembleia, o plano de assistência financeira. E depois querem uma Assembleia com dignidade! O Natal das palhinhas, não a da Mensagem, não ajuda, pois não surte qualquer efeito na consciência dos direitos e dos deveres de cada um. E assim vamos...
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FALTA DE COMPARÊNCIA


Mas, curioso, é que os mesmos que conduziram estes processos de falência, que criticaram todos quantos alertaram para um quadro insustentável, que, na Assembleia Legislativa chumbaram todos os diplomas que tenderiam a resolver esta dramática situação financeira, os mesmos, repito, continuam aí, uns em lugares de destaque político, outros, com os seus nomes atribuídos a estabelecimentos de ensino, louvados pelo brilhantismo do seu trabalho, como se todos fossemos uns mentecaptos e não estivéssemos a ver um filme de horror para as actuais e futuras gerações.

Do on-line do DN-Madeira: "O Porto Santo SAD não irá comparecer, esta quarta-feira (14/12), no jogo frente ao HC Braga referente à 8ª jornada do Campeonato Nacional da I Divisão de hóquei patins, “por razões que se prendem com o Orçamento do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira (IDRAM), através da falta de plafond do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira junto das Agências de Viagens”. Trata-se de uma notícia que apenas constitui uma constatação da loucura alimentada durante muitos anos. Sejamos claros: o Porto Santo, tal como a Madeira, saliento, em tantas modalidades e escalões etários, não tem condições para manter um quadro competitivo nacional regular. Ainda por cima, tendo por base atletas que, em determinadas modalidades, nem oriundos são da Região.
Desde os primórdios dos anos 80, inclusive, no longo período de vacas gordas, foram publicadas inúmeras reflexões que chamavam à atenção para o caminho errado que estava a ser seguido. Ninguém teve em consideração que a Madeira é uma região pobre, assimétrica, dependente e com graves problemas por ultrapassar. E nesta loucura, neste pontapé para a frente ou, melhor, no caso em apreço, nestas constantes stickadas para a frente, avolumaram-se as dívidas e, hoje, o monstro é de tal forma que só com muita coragem política, poderá, a prazo, ser controlado. Ao IDRAM, desde há muitos anos, faltou sentido de responsabilidade, por ausência de um projecto sustentável. Aquela instituição, despida de uma qualquer estratégia de desenvolvimento, tornou-se numa casa que recebe ofícios e emite cheques. Não em uma instituição de pensamento político, disciplinadora das mais abstrusas vontades e cautelosa nos investimentos. Enquanto houve dinheiro no saco foram distribuindo, desrespeitando as prioridades essenciais. Entretanto começaram a entrar em colapso e hoje, dizem, as transferências protocolarizadas já têm atrasos de três e quatro anos. Fomentaram a loucura, a competição nacional, preocuparam-se, apenas, com os recordes e com os títulos que são sempre efémeros, e agora, é o que se vê, a falência pura e simples de muitas instituições desportivas, com os dirigentes a se sentirem enganados e responsabilizados. 
Mas, curioso, é que os mesmos que conduziram estes processos de falência, que criticaram todos quantos alertaram para um quadro insustentável, que, na Assembleia Legislativa, chumbaram todos os diplomas que tenderiam a resolver esta dramática situação financeira, os mesmos, repito, continuam aí, uns em lugares de destaque político, outros, com os seus nomes atribuídos a estabelecimentos de ensino, louvados pelo brilhantismo do seu trabalho, como se todos fossemos uns mentecaptos e não estivéssemos a ver um filme de horror para as actuais e futuras gerações. Nem para o gás das piscinas há dinheiro, o que fará para pagar competições fora da Região, ainda por cima com as agências de viagens no limite do crédito suportável! 
Politicamente, repito, politicamente, essa gente que governou e governa, essa gente deveria ser toda responsabilizada e mais, posta a andar. Há centenas de documentos, de entrevistas e livros publicados sobre a política desportiva regional. Há excelentes trabalhos publicados por jornalistas, mas, enfim, foram pérolas dadas a gente que não as apreciava. E, pasme-se, ou talvez não, no meio da desgraça, da aflição, vem o Presidente do Governo Regional falar da continuidade da errada "estratégia", apenas com um ligeiro corte de 15% relativamente à totalidade dos encargos. Se considerarmos que o orçamento do IDRAM, anulamente, em média, ronda os 35 milhões, no próximo orçamento o corte será, sensivelmente, de cinco milhões. E o problema não está sequer aí, está sobretudo ao nível do pensamento político que conduza a Madeira a apresentar uma alta taxa de participação desportiva entendida como bem cultural (neste momento, mais de 70% não tem qualquer actividade física ou desportiva) e com menores encargos. Como? Procurem nas actas das sessões da Assembleia Legislativa. Não sendo um ponto de chegada, é, com toda a certeza um bom ponto de partida.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

AMIGOS UNS DOS OUTROS...


Não é, com toda a certeza, um jantar anual, com palco e discursos enfeitados com palavras enternecedoras que, aliás, um padre melhor não faria, que irá esbater essa fome de muitas coisas que aquela população idosa reclama. A "fome", por exemplo, de poder ir a uma farmácia e adquirir a totalidade dos medicamentos receitados, quando a dívida ao sector farmacêutico já atinge um calote de 77 milhões de euros. Melhor que um jantar teria sido o anúncio de medidas que fossem ao encontro das carências mais sentidas pela população, sobretudo a idosa, bloqueada que está por inúmeros factores.


Com que então... "vamos de ter de ser amigos uns dos outros", assumiu o vice-presidente do governo regional no jantar de Natal que reuniu, segundo li, 1200 idosos do concelho da Calheta. É o espírito natalício no seu melhor, mas que nunca se traduz ao longo do ano nos diversos comportamentos políticos do governo. No "citador" do Google descobri uma frase de Kant, muito sugestiva: "A amizade é semelhante a um bom café: Uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primitivo sabor". Isto é, andaram trinta e tal anos a arrefecer e, agora, o vice pretende a amizade, sinónima de compreensão pelos tempos difíceis que já batem à porta, com o sabor primitivo da palavra amizade! É óbvio que cada vez mais serão aqueles que não vão nessa historieta de circunstância. Este governo não pode passar incólume pelo que fez e por aquilo que deveria ter feito e não concretizou. Se existe drama na sociedade parece-me óbvio que ele se fica a dever aos péssimos actos de governação. E não é, com toda a certeza, um jantar anual, com palco e discursos enfeitados com palavras enternecedoras que, aliás, um padre melhor não faria, que irá esbater essa fome de muitas coisas que aquela população idosa reclama. A "fome", por exemplo, de poder ir a uma farmácia e adquirir a totalidade dos medicamentos receitados, quando a dívida ao sector farmacêutico já atinge um calote de 77 milhões de euros. Melhor que um jantar teria sido o anúncio de medidas que fossem ao encontro das carências mais sentidas pela população, sobretudo a idosa, bloqueada que está por inúmeros factores. Mas o governo prefere tocar outra música, prefere adormecê-los, sedá-los na cumplicidade de um jantar, de um discurso ao jeito de "amai-vos uns aos outros como vos amei", do que enfrentar a situação com coragem e com medidas protetoras da envelhecida população.
Aquele jantar anual, que não o critico se outro fosse o paradigma de governação, traz no seu bojo um claríssimo interesse político. E aí, pelo menos para mim que detesto a hipocrisia, não há amizade que resista. Basta confrontar, melhor, comparar, o discurso do presidente do governo, por ocasião do jantar de Natal dos militantes do PSD-M, com o do vice-presidente. Um, tipo caterpillar desengonçada pelos anos de actividade, outro, de paz e amor, enfim, porque a plateia é diferente e assim exige.  Mas assim se faz esta paupérrima política regional, servida sempre fria e com olhos enviesados, prenhe de discursos ofensivos, mas, pelo Natal, uma política que veste, de acordo com as circunstâncias, a pele de cordeirinho e proclama a amizade, a tolerância, a compreensão, mesmo que nem um cêntimo os pobres pensionistas vejam cair na magra carteira, através do orçamento regional. Faltam só 365 dias para um novo jantar. Até lá, muita amizade entre todos e continuem a comer o pão que o diabo amassou!
Ilustração: Google Imagens.