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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

DA TROIKA DA DESTRUIÇÃO (FMI/COMISSÃO EUROPEIA/BCE) À TROIKA DA SALVAÇÃO (PS/BE/PCP)


Não é difícil compreender certos posicionamentos políticos. Mor das vezes basta andar com a fita do tempo para trás, cruzar o que disseram e fizeram com as respectivas consequências e, tal como um puzzle, peça a peça, pacientemente, montar o quadro. Esta manhã ouvi um deputado do CDS, na Assembleia da República, a debitar o seu discurso, cheio de incoerências, intervenção que resumo a um sim ao descongelamento das carreiras profissionais, com contagem desse tempo para efeitos futuros e, simultaneamente, um não ao descongelamento das mesmas. Uma indisfarçável ambiguidade. Percebi a dificuldade do deputado em assumir a questão central e essencial, que o caminho escolhido para Portugal pelo governo PSD/CDS, o percurso da austeridade cega e o da extorsão quase diária de direitos, alguns até constitucionais, não tinham proporcionado bons resultados. E se nele continuássemos, à luz do que hoje se conhece, Portugal, país com limitações várias, provavelmente estaria em uma situação extremamente delicada, desde as pessoas ao sistema empresarial.

É preciso ter memória...

Se, em um determinado momento, face aos sinais e, depois, à eclosão de uma crise externa, ela própria fabricada (quantos com ela ganharam!) e que arrasou as economias europeias e não só, sobretudo as mais vulneráveis, são compreensíveis algumas medidas constrangedoras da nossa vida colectiva, a sua manutenção ad aeternum pressupõe uma arrepiante ausência de princípios e de valores políticos e sobretudo sociais. É como se um político, por outras palavras, dissesse: eu estou bem, os meus não são os vossos direitos e interesses, por isso, comam, calem-se e vivam na sua pobreza ou limitações. Nada, aliás, que não estejamos habituados a ler, ver ou escutar. Ora, a definição de um outro caminho, o da troika da salvação, refiro-me ao acordo de base parlamentar entre o PS, o BE e o PCP/Verdes, por mais que a alguns custe aceitar, demonstrou que era possível recuperar o País sem gerar uma dramática destruição do tecido social. A prova está nas políticas seguidas desde há dois anos por António Costa, em contraponto com a selvática política de roubo e de intencional empobrecimento. Aliás, a este propósito, por uma questão de enquadramento, talvez valha a pena recuperar o que disse o economista João Vieira Pereira (Expresso), em 2016. 
Mas, para certas figuras, como é o caso do Dr. Passos Coelho, no seu artigo de opinião de hoje, as evidências não interessam, o povo sentir que está um pouco melhor não é relevante, daí que continue a designar de "demagogia e populismo" as recentes negociações para a recuperação do tempo de serviço efectivamente prestado pelos trabalhadores da função pública para efeitos de progressão na carreira. Nesse texto, Passos Coelho assume, também, o discurso da ambiguidade, ao defender que "esta não é uma questão de estar a favor ou contra as pretensões (...) mas quanto custa a medida "quer em termos de despesa permanente em salários quer futuramente em pensões". Sempre o raio da austeridade que levou, até, Angela Merkel considerara "lamentável" a atitude de Passos Coelho, nesse tempo, ao mandar chumbar o PEC IV (acordo entre Portugal/UE/BCE e com o acordo da Alemanha, aliás, como preferiu a Espanha). Passos Coelho preferiu a troika da destruição e, ao que parece, continua, irracionalmente, a defendê-la. Ao serviço de quem, não sei. Normalmente, segue-se um lugar ao Sol!
Declaração de Merkel:
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Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SE A DECÊNCIA E O RESPEITO IMPERASSEM ESSES SENHORES DA "TROIKA" NÃO PASSAVAM DO AEROPORTO


Notícia de primeira página do Diário de Notícias de Lisboa dá conta que a famigerada "troika" "está a caminho de Lisboa com uma lista de dezoito exigências". Uma delas tornar, ainda mais, os despedimentos mais fáceis. Portugal deve dinheiro por uma crise que foi fabricada fora de Portugal. É uma terrível mentira que o nosso povo tenha vivido acima das suas possibilidades. Alguns viveram, estou certo que sim, a maioria não. Não foi o povo que faliu os bancos e não foram os quase três milhões de pobres e a dita classe média os causadores dos desequilíbrios. Da mesma forma que não foi o povo da Madeira responsável pelas megalomanias que estão a custar uma dupla e penosa austeridade. Impingiram-nos essa treta para a aceitação de dívidas geradas por irresponsabilidade dos tais "donos disto de tudo". Instalaram o sentimento de culpa e toca a pagar, enquanto os culpados continuam impunes.


Uma vez mais eles estão a caminho trazendo na pasta novas exigências, apesar da tal outra mentira da "saída limpa". Diz o Jornal I de hoje que o bem-estar nos locais de trabalho "é cada vez mais negro", mas não interessa, carreguem em cima deles. Ainda anteontem li uma carta de um leitor (DN-M) dando conta que "(...) a cadeia de supermercados Pingo Doce (...) está a pressionar os seus trabalhadores no sentido de assinarem um documento através do qual aceitam permanecer 10 horas no local de trabalho, impedindo deste modo que os supermercados daquela rede, presumo eu, contratem mais pessoal". 
Ora bem, se o respeito pela independência do Estado Português e a decência imperassem, esses senhores não passavam do aeroporto. Em Portugal devem mandar os portugueses. Uma coisa é ser sério e organizar-se para pagar o que é legítimo pagar, embora uma grande parte da dívida seja, claramente, ILEGÍTIMA, outra é virem cá dentro fazerem de nós gato e sapato! Sou europeu, mas não a qualquer preço. Raios os partam.
O próximo Presidente da República tem o dever de travar o espezinhamento de um povo que não vê hora de recentrar a verdadeira utilidade social da União Europeia.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A SAÍDA INTEIRA E LIMPA, ONDE EMERGIMOS DA NOITE E DA DÍVIDA


"O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo". Não há página de facebook e coluna de opinião que, nos 40 anos do 25 de abril, não tenha citado o poema de Sophia de Mello Breyner. Apesar da sua beleza, até ao enjoo. Mas a excitação eleitoral do PSD está em tal estado e a capacidade de construir realidades virtuais é tanta que ainda o vou ver adaptado a este momento histórico, para celebrar a saída inteira e limpa, onde emergimos da noite e da dívida, e livres habitámos um Portugal renascido. Imagino que 17 de maio poderá vir a ser feriado e Passos Coelho até sussurrou uma inimaginável comparação com o 25 de abril.


Por Daniel Oliveira/ Expresso.
"Em Beja, o PSD já tinha feito a ilustração gráfica da intervenção de Passos Coelho. Mandou colocar um cartaz com um grande cravo ao lado, onde se rezava assim: "Ditadura nunca mais! Espírito de abril, sempre! Devolver Portugal aos portugueses! Adeus troika." Apesar do excesso de pontos de exclamação e da evidente adaptação do discurso ao target local, o cartaz corresponde à narrativa do PSD para esta campanha eleitoral: graças a este governo, estamos finalmente livres da troika. Foi um mal necessário, a culpa não foi do PSD, mas agora o futuro é nosso de novo.
Como diria Rodrigues dos Santos, fui aos "meus arquivos". E nos meus arquivos encontrei isto: "A mudança, hoje, está facilitada por aquilo que é o programa de ajustamento da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Está muito facilitada porque aquilo que eu tenho vindo a dizer que é preciso fazer está, em parte, neste documento. (...) De certa maneira o PSD ganhou um aliado, que foi o programa de ajustamento. (...) O nosso programa vai muito para lá do programa da troika, é verdade." Quem o disse foi Pedro Passos Coelho, a 28 de maio de 2011, ao Expresso. A troika não foi um pesadelo de que nos despedimos. Para o primeiro-ministro foi uma aliada desejada. Não para financiar o País, mas para aplicar parte do programa que ele defendia. Não vale a pena, por isso, reescrever a história.
Ontem assistimos a mais um momento de extraordinário desfasamento com a realidade, em que o governo finge que decidiu alguma coisa sobre a forma como terminamos esta primeira fase de intervenção externa. O assalto aos contribuintes ganha um novo impulso. Mas vende-se a teoria do princípio do fim da crise. Portugal estará sob vigilância até pagar 75% do montante recebido, o que atira o protetorado até 2037. Mas festeja-se a libertação. O Tratado Orçamental (também aprovado pelo Partido Socialista) impede qualquer autonomia política e financeira. Mas Portugal voltou a ser governado pelos portugueses.
E tudo isto com uma "saída limpa". Ou a saída não é limpa e teremos apoios cuja clarificação fica para depois das europeias, para não acordar os discursos populistas no norte da Europa. Ou é limpa seguida de cautelar, o que faz disto um mero intervalo. Ou é mesmo limpa, e iremos pelo cano ao primeiro susto dos mercados com qualquer coisa que aconteça na Europa ou no Mundo. O que aqui digo não é novo. Já em setembro do ano passado escrevia que "entre o segundo resgate e o suposto regresso aos mercados venha o Diabo e escolha". Olhem para a folha de pagamentos até 2023. Olhem para os dados da nossa economia. Vejam os constrangimentos a que a Europa nos obriga. Agora imaginem um qualquer abalo político na Europa que faça disparar as taxas de juro. Privados de todos os instrumentos que nos possam defender, ou a Europa está disponível para intervir rapidamente, ou ficaremos como ficámos em 2011. Talvez um pouco pior, porque estamos muito mais endividados e economicamente mais frágeis.
As taxas de juros muito baixas, que nos estão a ser cobradas, não atestam da nossa boa saúde económica e financeira. A 10 de abril, a Grécia, que está no estado em que está, colocou no mercado 3 mil milhões de euros de dívida. Teve uma procura sete vezes maior. O tesouro grego conseguiu ficar abaixo dos 5% que estavam previstos. Juros impensáveis há muito pouco tempo. Está a sair da crise, diz-se por lá. Quer saída limpa. E qualquer pessoa que olhe com o mínimo de seriedade para a situação grega só pode lamentar tanto engano. Não está a acontecer só na Grécia e em Portugal. Repete-se em Itália, Espanha, Irlanda. Todos estão a conseguir mínimos históricos para os juros das suas dívidas. Porque parece estar a crescer uma bolha especulativa com as dívidas soberanas dos países periféricos. Os mercados, com excesso de liquidez, estão em fuga das economias emergentes e é para aqui que por agora decidiram vir. O "Economist" avisa que "as economias do sul da Europa estão em pior forma do que sugere a queda das yields das obrigações" e todos se devem preparar para a possibilidade de acontecer a esta bolha o que aconteceu a todas as outras: não tendo relação com a realidade económica, acaba por rebentar.
Não é de agora que as nossas taxas de juro têm pouco a ver com o que por aqui se passa. As variações de juros dos vários países europeus em crise têm sido, tirando alguns picos momentâneos de cada uma delas, paralelas. Os juros da dívida a dez anos desceram entre maio de 2012 e maio de 2013, ao mesmo tempo que todas as metas definidas no memorando falhavam. Desceram a partir de maio de 2012 porque o BCE deixou claro que faria tudo para garantir a coesão da zona euro e anunciou as OMT. Terão subido, a partir de maio de 2013, talvez por causa do anúncio falhado de que a Reserva Federal Americana poderia diminuir o ritmo de compra de títulos. Não faltou quem atribuísse essa subida à crise política causada por Paulo Portas e à decisão do Tribunal Constitucional relativa ao Orçamento de Estado. Só que a crise política, que apanhou quase todos de surpresesa, foi em julho e o aumento dos juros em maio. A decisão do Tribunal Constitucional sobre o orçamento foi em abril. Os juros das dívidas continuaram, impassíveis, a cair depois disso. E quando, um mês depois, subiram, subiram em Portugal, Espanha e Itália. O mesmo aconteceu com a decisão do Tribunal Constitucional de dezembro do ano passado. Em vez dos efeitos terríveis que governo e a troika previam, as taxas de juro continuaram, imperturbáveis, a descer.
Claro que os contratempos internos podem ter e até já tiveram alguns efeitos na volatilidade diária das taxas de juros. Mas são marginais e pouco relevantes. O que conta é a Europa e o mundo. Era isso que eu escrevia quando os juros subiam, é isto que escrevo quando eles descem.
Não tendo mudado nada de fundamental, a não ser as taxas de juro, esta "saída limpa" ou é um engodo ou é um salto no escuro. E tem razões políticas europeias. Uma delas foi dada por Olli Rehn, nesta campanha eleitoral. O comissário finlandês, agora candidato, atacou o governo do seu país por empurrar vários países para "saídas limpas". Helsínquia terá exigido, há dois anos, garantias extraordinárias (colateral) dos países que recebem apoios. Disse então o comissário: " O pedido de colateral da Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter um impacto negativo na decisão de Portugal. (...) Para estes países é na prática politicamente mais sensato operar uma saída 'limpa' do programa, mesmo se é economicamente mais arriscado" . São coisas como estas, e não a brilhante situação portuguesa, que determinam a "saída limpa". O programa cautelar advinhava-se, para satisfazer o discurso dominante no norte da Europa, demasiado ruinoso para Portugal. É por isso que a nossa saída é limpa e no governo se fala de um cautelar, caso aconteça o pior. É isto e estarmos em vésperas de eleições. Ninguém, no norte da Europa, quer negociar mais programas. É que, ao contrário do que algumas pessoas mais ingénuas gostam de acreditar, o eleitoralismo está longe de ser um exclusivo nacional.
Tirando as taxas de juro, que, como aqui expliquei, pouco ou nada têm a ver com a nossa situação concreta e interna, e a balança comercial, que resulta sobretudo dos brutais efeitos da crise no consumo e nas importações, tudo o que é fundamental ou está na mesma ou ficou pior. A nossa situação económica, que se degrada desde que entrámos no euro, piorou nos últimos anos. Apesar de, numa descarada mentira, Passos Coelho ter dito ontem que o crescimento da dívida está estancado, a nossa dívida pública cresceu de 90% do PIB para 130%. A nossa dívida externa (privada e pública) continua a ser o mais grave dos nossos problemas e não se começou a resolver. O nosso sistema produtivo continua a ter os mesmos atrasos estruturais. Apenas estamos a viver muito pior. O euro continua a ter os mesmos problemas que tinha para a Europa em geral e para os países periféricos em particular. Sim, a banca alemã e francesa livrou-se da nossa dívida. Os bancos portugueses, quase todos virtualmente falidos, tiveram um balão de oxigénio. Às cavalitas desta intervenção, um grupo de fanáticos encontrou, nas suas próprias palavras, uma importante aliada na troika. Só para eles a saída terá sido limpa.
A partir de amanhã, os meus textos diários estão incluídos no Expresso Diário digital, disponível sempre depois das 18 horas. Para o Expresso, mas também para esta coluna e para mim próprio, é uma nova fase que começa.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-saida-inteira-e-limpa-onde-emergimos-da-noite-e-da-divida=f868392#ixzz30w1jPFkU

terça-feira, 6 de maio de 2014

QUAL A SAÍDA LIMPA NESTE CONSPURCADO LABIRINTO?


Não há "saída limpa" quando o labirinto está completamente conspurcado e cheio de minas. E ouvem-se todos os centros de decisão, do FMI, aos vários sectores da União Europeia, passando por vários países e até comentadores sem pensamento estruturado, os aplausos de uma vitória que não existe. Raios os partam todos, porque mentem, porque aldrabam, porque tentam passar uma mensagem falaciosa da realidade. Como podem congratular-se com os resultados de um programa de assistência quando três anos depois, a dívida aumentou para os 130% do PIB, a taxa de desemprego é assustadora, quando é preciso recuar aos anos 60 do século passado, para estabelecer a comparação com as vagas maciças de emigração, quando a pobreza disparou para valores inimagináveis, quando o tecido empresarial está em completo esgotamento, quando os sistemas de saúde, educação e de protecção social encontram-se em ruptura, quando o país vai continuar sob controlo externo de seis em seis meses, pergunta-se, num quadro destes, de agravamento das desigualdades, se a dita saída não é suja? Muito suja, obviamente! Vários anos de sacrifício, de roubo nos salários, nas pensões de aposentação, de um substancial agravamento de todos os impostos e de um gravoso ataque sem precedentes aos trabalhadores do nosso País, terá alguma verdade aquela conferência de imprensa do primeiro-ministro?

Que trio!
Estamos entregues a gente sem escrúpulos, MENTIROSA e subjugada aos interesses externos da alta finança. Todo o português vê, claramente, que está a ser enganado. E o tempo o dirá. A direita política, a todo o custo, porque há eleições europeias a 25 de Maio, quer fazer passar a ideia de um enorme sucesso das políticas de austeridade impostas nos países sujeitos a ajuda externa, mas essa não corresponde à realidade. Não há um, apenas um indicador económico que prove tal sucesso. Bem pelo contrário, o país está exaurido, sem defesas e sem esperança. Foram três anos perdidos para gáudio da alta finança que aqui encontrou mais um espaço para esmagar e sugar a pouca riqueza do nosso povo. Bastará que passe a euforia das eleições europeias e, eventualmente, a direita política conserve os seus lugares-chave na política económica, e lá aparecerão de novo, os esfaimados do costume, com a benção interna da dupla Passos/Portas, a corroer ainda mais as nossas parcas riquezas. 
Passos Coelho sussurrou que o dia 17 de Maio corresponderá a um novo 25 de Abril. Merecia uma bolachada (em sentido figurado). Saberá o que foi a luta durante dezenas de anos pela verdadeira libertação do povo, amarrado que estava a uma ditadura que marcou e condicionou o seu futuro? Saberá quantos portugueses morreram às mãos dos agentes da polícia política, quantos foram torturados, quantos viveram a tragédia do exílio e do campo de concentração do Tarrafal? Saberá quantos portugueses morreram ou ficaram estropiados numa guerra colonial sem sentido? Saberá o que foi o analfabetismo e os condicionamentos sociais ao longo de meio século de obscurantismo? Saberá o que foram as vagas de emigração forçada? Saberá o que significou de esmagamento pela fabricada trilogia "Deus, Pátria e Família"? Passos Coelho, enfim, não consegue enganar. Nem ele nem Portas. Ambos passam com facilidade a linha vermelha que antes seria inultrapassável, teimam em afirmar que não haverá mais aumentos de impostos e, dias depois, aumentam-nos, ambos são políticos que dizem coisas enquanto mantêm a sua fome de poder, mesmo que esse poder seja efémero e muito pequenino! Não os designo por palhaços pela consideração que tenho à profissão. Apenas por isso. Revolta-me, porque ao contrário deles, eu e muitos milhares de portugueses arriscámos a vida numa guerra estúpida.
É tempo de o povo acordar e acreditar que existem alternativas. Que a Europa precisa de uma substancial mudança que coloque as pessoas no centro das preocupações e não os movimentos financeiros especulativos que trituram os povos. O povo tem essa oportunidade no dia 25 de Maio. Não votar significa, apenas, a possibilidade de mais austeridade e de mais sacrifícios. 
Ilustração:  Google Imagens.

sábado, 29 de junho de 2013

A TROIKA, A EDUCAÇÃO E GOVERNO PORTUGUÊS


Escutei a notícia que uns tais senhores da troika tinham ficado preocupados com a atitude do ministério da Educação relativamente a algumas cedências aos sindicatos de professores. A sua preocupação derivou, penso eu, que as cedências poderão significar perda de autoridade do governo e um revés nas cegas políticas de austeridade, onde se enquadra o despedimento de milhares de professores preconizado por essa gentinha estranha ao nosso País. Entrei para a sessão em algum estado de revolta. Um país que se desse ao respeito já os tinham colocado no sítio, convidando-os a sair rapidamente de Portugal. Simplesmente porque, uma coisa é nós cumprirmos as nossas responsabilidades por um empréstimo, outra é serem definidos os prazos desse cumprimento, outra ainda é essa maltinha entrar num país soberano (e pobre) e ditar as regras de como querem que nós vivamos. Aí, não, temos quase novecentos anos de História e apesar de muitos e muitos momentos de fraqueza, este povo português tem uma dignidade que tomara muitos a tivessem. E neste pressuposto sou implacável, não aceito e não negoceio, quando aos olhos de todos estamos a ser violentados, espezinhados e triturados por uma máquina de promover a pobreza de milhões para gáudio dos milhões que entram nos cofres de uma corja internacional organizada nesse sentido. Rua, deveria ser a palavra de ordem. Basta. Sobretudo porque nos ofendem na dignidade. E aí queria ver como reagiriam os mercados, se não teriam medo do incobrável, se a Europa, pelo efeito dominó não se colocaria em campo para travar o colapso. Gostaria de vê-los de calças na mão. O problema é que não temos governo capaz de, nos fóruns próprios, levantar a voz e dizer-lhes apenas isto: "assim, não". Temos um governo de gentinha serviçal, de autênticos paus-mandados, um Presidente da República faz-de-conta, e, ideologicamente, todos subservientes às causas dos outros. 

Convidaram-me e participei. Fui moderador de um profícuo debate sobre política educativa, no âmbito "Jornadas Parlamentares do PS-Madeira". Vários sindicatos, Universidade da Madeira e a Federação de Pais marcaram presença, entre outras figuras que emprestaram um singular conteúdo a uma manhã de reflexão. 
Às vezes, confesso, escrevo, transmito posições, mas com uma sensação de algum vazio. Bastas vezes interrogo-me se valerá a pena. Pois é evidente que vale. E vale porque quando estas realizações acontecem, sinto que não estamos sós, há muitos a pensar que o rei vai nu, que há milhentas coisas a refazer para que o sistema educativo constitua uma boa resposta aos problemas que enfrentamos. 
Mas antes de entrar para o debate tinha escutado a notícia que uns tais senhores da troika tinham ficado preocupados com a atitude do ministério da Educação relativamente a algumas cedências aos sindicatos de professores. A sua preocupação derivou, penso eu, que as cedências poderão significar perda de autoridade do governo e um revés nas cegas políticas de austeridade, onde se enquadra o despedimento de milhares de professores preconizado por essa gentinha estranha ao nosso País. Entrei para a sessão em algum estado de revolta. Um país que se desse ao respeito já os tinham colocado no sítio, convidando-os a sair rapidamente de Portugal. Simplesmente porque, uma coisa é nós cumprirmos as nossas responsabilidades por um empréstimo, outra é serem definidos os prazos desse cumprimento, outra ainda é essa maltinha entrar num país soberano (e pobre) e ditar as regras de como querem que nós vivamos. 
Aí, não, temos quase novecentos anos de História e apesar de muitos e muitos momentos de fraqueza, este povo português tem uma dignidade que tomara muitos a tivessem. E neste pressuposto sou implacável, não aceito e não negoceio, quando aos olhos de todos estamos a ser violentados, espezinhados e triturados por uma máquina de promover a pobreza de milhões para gáudio dos milhões que entram nos cofres de uma corja internacional organizada nesse sentido. Rua, deveria ser a palavra de ordem. Basta. Sobretudo porque nos ofendem na dignidade. E aí queria ver como reagiriam os mercados, se não teriam medo do incobrável, se a Europa, pelo efeito dominó não se colocaria em campo para travar o colapso. Gostaria de vê-los de calças na mão. O problema é que não temos governo capaz de, nos fóruns próprios, levantar a voz e dizer-lhes apenas isto: "assim, não". Temos um governo de gentinha serviçal, de autênticos paus-mandados, um Presidente da República faz-de-conta, e, ideologicamente, todos subservientes às causas dos outros. 
Regresso à sessão desta manhã. Valeu a pena ouvir professores e políticos ali reunidos comungando do princípio que a Educação tem de ser politizada e não partidarizada. Ouvir testemunhos francos, abertos, sinceros, serenos, sem exaltações de luta política, dizerem o que lhes vai na alma e a ajudarem a construir uma importante reflexão política. Bem hajam.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de março de 2013

OS AL CAPONES DOS NOVOS TEMPOS... TANTO SANGUE SEM UM ÚNICO TIRO!


Milhões de portugueses que não foram sequer clientes do BPN, do Banco Privado ou do Banif, entre outros, estão a pagar dos seus impostos aquilo que outros tramaram nas suas costas, como é o caso da Madeira. Estamos a pagar a factura interna, mas também a factura externa imposta por directórios que querem lá saber da pobreza e da exclusão social! Que razões justificam a generalidade dos portugueses terem de pagar uma coisa para a qual não contribuíram? Equidade, o tanas! Alguém rouba e, por equidade, temos de pagar o buraco? Que razões justificam, perante isto, a mudez do Presidente da República em toda esta história tenebrosa que condena toda a classe média à pobreza, e os pobres à condição de vida miserável? E no meio desta selvajaria, deste gangsterismo, deste núcleo de Al Capones dos novos tempos que matam sem um único tiro, vemos três figurinhas, politicamente repelentes, a entrar no País sob a capa de técnicos da troika, para imporem como é que temos de viver. E o governo aceita. E o governo verga-se. Quando, na verdade, não emprestaram dinheiro a Portugal, venderam sim dinheiro a Portugal. E se venderam, tal como qualquer cidadão quando contratualiza com um banco, tem de haver um ajustamento entre o devedor e o credor. Nunca desta maneira. Mas com a maior desfaçatez dizem que é preciso cortar aqui e ali e o governo corta aqui, ali e acolá! Sempre mais um pouco. E o povo encolhe-se, e o povo emagrece, e o povo suicida-se ao ritmo de cinco por dia, e as crianças passam fome, e os desempregados aumentam, e os empresários desesperam, e os idosos sentem que retiram a protecção à sua velhice, e os jovens emigram, e os sectores estratégicos do Estado e não só são desmantelados para deleite e lucro dos privados. Raios os partam.


O Primeiro-Ministro ficou ofendido pelo facto da Deputada Luísa Apolónia, do partido "Os Verdes", na Assembleia da República, ter referido a palavra "roubo" quando se reportou aos cortes de que são vítimas os portugueses em geral. Não foi a primeira vez que se sentiu incomodado. Felizmente, a Presidente da Assembleia não considerou existir, em função da contextualização, qualquer ofensa. Pessoalmente, digo mais, não se trata de um roubo revestido de legalidade, mas de um confisco. Este governo, em abstracto, não rouba, confisca, isto é, apodera-se dos bens particulares de pessoas indefesas. Não há memória, entre os vivos, de um saque tão premeditado e tão escandaloso. Pé ante pé, ou melhor, de mãozinha subtil, mês após mês, vão retirando aquilo que não pertence ao Estado, que é produto do trabalho com direitos, a não ser que já nos tivessem "nacionalizado". O escândalo deste confisco não está apenas espelhado nas gravosas tabelas de IRS, nas sucessivas taxas e sobretaxas aplicadas, umas por cima das outras onde nada escapa e, ainda, na contribuição extraordinária de solidariedade. O confisco vai mais longe e de forma despudorada. Ele está, por exemplo, nesse vergonhoso IMI, onde milhares de portugueses, espremeram os seus recursos até à última gota para terem a sua habitação e, agora, num ápice, sentem que passaram a pagar uma renda ao Estado. Os valores pagos em Maio e em Setembro, divididos por doze meses configuram que, todos quantos se atreveram a ter casa própria, é hoje inquilino do Estado. Os portugueses pagaram o terreno, pagaram os materiais e a construção, pagaram as taxas municipais, pagaram tudo e, agora, surge o Estado, sorrateiramente, e quase que chama seu aquilo que foi construído pelos cidadãos com enorme sacrifício. Mas há mais. Já não falo sequer do IVA, das taxas moderadoras, do que andam a fazer à saúde e à educação, já não falo do corte sujo nos direitos sociais, iniciado com o perverso código do trabalho onde o trabalhador é, a todo o momento, uma peça descartável, falo antes da constatação do empobrecimento crescente, no desespero das famílias e das pessoas que passam fome, enquanto um grupo come e vive do dinheiro da especulação alardeando, cada vez mais, a ostentação muitas vezes obscena. Isto é roubo, senhor primeiro-ministro (intencionalmente com letra minúscula), isto é um saque que não poupa reformados e pensionistas, gente que durante quarenta e mais anos entregou ao Estado os seus impostos para que agora veja o dinheiro que lhe pertence confiscado. Isto não tem outro nome, é roubo e saque premeditado, por mais que lhe custe ouvir.
Não é "ROUBO",
mas um confisco. Oiça bem...
CONFISCO
Milhões de portugueses que não foram sequer clientes do BPN, do Banco Privado ou do Banif, entre outros, estão a pagar dos seus impostos aquilo que outros tramaram nas suas costas, como é o caso da Madeira. Estamos a pagar a factura interna, mas também a factura externa imposta por directórios que querem lá saber da pobreza e da exclusão social! Que razões justificam a generalidade dos portugueses terem de pagar uma coisa para a qual não contribuíram? Equidade, o tanas! Alguém rouba e, por equidade, temos de pagar o buraco? Que razões justificam, perante isto, a mudez do Presidente da República em toda esta história tenebrosa que condena toda a classe média à pobreza, e os pobres à condição de vida miserável? E no meio desta selvajaria, deste gangsterismo, deste núcleo de Al Capones dos novos tempos que matam sem um único tiro, vemos três figurinhas, politicamente repelentes, entrarem no País sob a capa de técnicos da troika, para imporem como é que temos de viver. E o governo aceita. E o governo verga-se. Quando, na verdade, não emprestaram dinheiro a Portugal, venderam sim dinheiro a Portugal. E se venderam, tal como qualquer cidadão quando contratualiza com um banco, tem de haver um ajustamento entre o devedor e o credor. Nunca desta maneira. Mas com a maior desfaçatez dizem que é preciso cortar aqui e ali e o governo corta aqui, ali e acolá! Sempre mais um pouco. E o povo encolhe-se, e o povo emagrece, e o povo suicida-se ao ritmo de cinco por dia, e as crianças passam fome, e os desempregados aumentam, e os empresários desesperam, e os idosos sentem que retiram a protecção à sua velhice, e os jovens emigram, e os sectores estratégicos do Estado e não só são desmantelados para deleite e lucro dos privados. Raios os partam.
E por aqui fico, do muito que gostaria de dizer, mas oportunidades não faltarão.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 1 de março de 2013

PRECISAMOS DE POLÍTICOS CULTOS


Custa-me aceitar, entre tantos exemplos, que um bando de técnicos da designada "troika" seja recebida com salamaleques e que venha impor, em nome de outros, aquilo que não podemos suportar. Irrita-me, quando temos um povo inteiro encostado à parede, cada vez mais pobre, que os governantes portugueses se verguem aos diversos interesses, sobretudo aos de uma Alemanha, que já fez o que fez, e agora, sem a presença das armas, nos ajoelha sem dó nem piedade. Vejo-os de passo apressado nas repetidas imagens dos canais de televisão, a entrarem no nosso espaço para ditarem ordens e fazerem ouvidos de mercador perante os alertas das diversas instituições. E não há políticos que ponham ordem nisto. Eles entendem que assim está bem, vendem a dignidade de um povo e denunciam que pouco ralados estão que sendo este um processo POLÍTICO sejamos "controlados" por técnicos. Secundarizam a NEGOCIAÇÃO e aceitam a SUBMISSÃO. É evidente que os compromissos assumidos têm de ser liquidados, mas tal como um cidadão vai à banca e negoceia os seus créditos, o mesmo deve-se passar com a negociação entre os países e as instituições financiadoras internacionais. Não é o banco que nos impõe como temos de viver. Que gente ridícula esta que despreza o seu povo em nome dos interesses de outros. Amanhã, nas ruas terão uma resposta.


Segui com grande interesse a entrevista de ontem, na SIC, a Manuel Alegre. De forma impecável esteve a Jornalista Ana Lourenço. Um exemplo de como se deve entrevistar, pois não se coloca como o centro da atenção, antes, de forma serena e acutilante deixa as questões pertinentes, garantindo espaço para que o convidado explane o seu posicionamento. Mas não é esse aspecto que aqui me traz. Ouvi-o e, no final, fiquei com dois sentimentos a bailarem na minha cabeça: primeiro, que estamos a perder, fruto da idade, a participação activa de políticos de mão cheia. Olho em redor e tomo consciência de tantas figuras de saber, de cultura e de experiência política que a velocidade do tempo está a deixá-los nas margens dos processos políticos. É a lei da vida! Quando agora deles precisávamos face à conjuntura, uns já partiram e outros, de quando em vez, aparecem a facultar o testemunho do seu pensamento. Homens e Mulheres, alguns que passaram pela amarga experiência do exílio, que foram presos e torturados, que transportavam ou transportam uma vastíssima leitura histórica dos processos políticos mundiais, que leram, estudaram e conviveram com tantos outros  pensadores, que sofreram por convicções e que possibilitaram, através da sua saudável teimosia, que tivéssemos chegado a Abril de 1974; segundo, em contraponto, que estamos entregues a fraquíssimos continuadores dessa notável obra que teve o ser humano e a nossa Pátria como centro das preocupações. Basta que os confrontemos sem que seja necessário aqui explicitar os seus nomes. É o dia e a noite, na estrutura do pensamento, no conhecimento, na cultura, na capacidade de ir para além das palavras ditas. Não quero com isto dizer que, ontem, tudo era são e que não se conjugavam interesses ideológicos que muito penalizaram os povos. O meu sentimento é que na nossa esfera de portugueses contámos com figuras de proa e que hoje essas figuras escasseiam. Estamos entregues a pessoas de fraca qualificação política, a maioria dos quais apenas desempenha a função de correias de transmissão da engrenagem inteligentemente montada por directórios com sede para além da fronteira. Podem trazer na lapela o pin da bandeira de Portugal, mas é gente sem força, sem convicções e que mais preocupada anda em fazer o trabalhinho sujo para, mais tarde, terem a recompensa que os "mercados" e os grupos de comando ditarão. Políticos que pouco ralados estão que alguns descubram as suas incoerências e fragilidades, o que disseram ontem e o que dizem hoje, a impreparação para compaginar o saber académico com o sentido político da realidade, interessa-lhes, sobretudo, serem referenciados como homens de mão de outros poderes que não olham a meios para atingirem os seus fins.
Custa-me aceitar, entre tantos exemplos, que um bando de técnicos da designada "troika" seja recebida com salamaleques e que venha impor, em nome de outros, aquilo que não podemos suportar. Irrita-me, quando temos um povo inteiro encostado à parede, cada vez mais pobre, que os governantes portugueses se verguem aos diversos interesses, sobretudo aos de uma Alemanha, que já fez o que fez, e agora, sem a presença das armas, nos ajoelha sem dó nem piedade. Vejo-os de passo apressado nas repetidas imagens dos canais de televisão, a entrarem no nosso espaço para ditarem ordens e fazerem ouvidos de mercador perante os alertas das diversas instituições. E não há políticos que ponham ordem nisto. Eles entendem que assim está bem, vendem a dignidade de um povo e denunciam que pouco ralados estão que sendo este um processo POLÍTICO sejamos "controlados" por técnicos. Secundarizam a NEGOCIAÇÃO e aceitam a SUBMISSÃO. É evidente que os compromissos assumidos têm de ser liquidados, mas tal como um cidadão vai à banca e negoceia os seus créditos, o mesmo deve-se passar com a negociação entre os países e as instituições financiadoras internacionais. Não é o banco que nos impõe como temos de viver.
Que gente ridícula esta que despreza o seu povo em nome dos interesses de outros. Amanhã, nas ruas, terão uma resposta.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 20 de janeiro de 2013

"ESTE GOVERNO É COBARDE"


Neles existe uma fúria privatizadora, de entrega aos outros e ao desbarato, das nossas riquezas estratégicas nacionais; uma fúria contra o Estado Social para entrega às seguradoras de todos aqueles direitos conquistados e que fazem parte das obrigações constitucionais; uma fúria contra os pensionistas, roubando-lhes o que descontaram ao longo de quarenta e mais anos; uma fúria contra a estabilidade laboral, fazendo dos trabalhadores peças absolutamente descartáveis; uma fúria contra o legítimo pagamento do trabalho extraordinário; uma fúria contra os empresários exigindo-lhes impostos desproporcionais aos seus desempenhos; uma fúria contra os direitos à saúde e contra a educação através de pagamentos abusivos, entre outros, de taxas, propinas e eliminação de comparticipações que sufocam as famílias; a fúria pelas receitas desde o IVA a esse vergonhoso IMI, onde todos os que têm casa própria passam a ser "inquilinos" do Estado; a fúria que os levou a roubar os subsídios de férias e de Natal, compensadores de outras exigências; a fúria no quadro do agravamento obsceno do IRS, que reduz e liquida qualquer esperança numa vida com dignidade. Ponham-se a andar. Rua!


Não adianta nada, mas sei que estou a chegar ao limite da tolerância. Ainda ontem disse o Sociólogo António Barreto: "Este governo é cobarde". E é! Por mim, como sói dizer-se, desejo vê-los no olho da rua. Rapidamente. Por outro lado, desse no que desse, estes senhores do FMI liderados por um tal funcionário Selassie e apadrinhados pelo governo português, já tinham sido postos a andar. Rua com esta gentalha! Tomaram o freio nos dentes, pensam-se legitimados para impor regras absurdas, muitas obscenas, absolutamente inacreditáveis, porque descontextualizadas da nossa realidade económica, financeira, social e cultural. Entram aí ou, então, à distância, arrogam o direito de imiscuírem-se na vida interna do nosso País, ao ponto desse funcionário, com total desplante, dizer que "não há tempo para complacências" e, entre outros desaforos, já agora, a última, que a "ineficiência na educação fica a se dever ao excesso de professores". Há menos 15.000 professores que há dois anos e este estúpido, naquela ânsia de, por um lado, cortar e, por outro, entregar ao privado o que deve ser público, não consegue ver que o problema da Educação é outro, não é de muitos professores, mas de uma (re)organização do sistema, aos níveis curricular e programático, de novas políticas de família e de uma substancial melhoria das condições de vida. Até o subsídio de maternidade, pasme-se, querem que fique sujeito ao IRS! Que grande filho da mãe este sem sensibilidade por um País que apresenta sucessivos saldos naturais negativos. Em 2011, recordo, as Nações Unidas deram a conhecer um cenário demográfico para Portugal, segundo o qual, até 2100, a população residente poderia perder cerca de 4 milhões de habitantes. Se assim acontecer, Portugal, hoje com mais de 10,5 milhões de habitantes, poderia voltar a um volume populacional idêntico ao dos anos 30, com menos de 7 milhões de residentes. São os óbitos a ultrapassar, claramente, os nascimentos. Terá aquele funcionário de nome Selassie conhecimento deste drama de implicações gravíssimas no contexto em que nos inserimos? Bom, mas esta é outra história. O que me enerva é que venham aqui "arrotar postas de pescada", numa atitude colonizadora, como se este fosse o seu quintal. 
Há uma ajuda financeira em curso, pois sim, existe. Que tem de ser paga, obviamente. Mas não são uns sujeitos vindos de fora, completamente descontextualizados da realidade, apenas obedientes às regras ideológicas e doutrinárias dos grandes senhores da finança internacional, que chegam a Portugal e ditam o que devemos ser enquanto povo. Há regras e compromissos bilaterais a respeitar: se, em momento conturbado, Portugal e muitos países precisam da solidariedade para colmatar erros que foram mais provocados de fora para dentro do que propriamente por situações internas, também as instituições que apoiam, há muito criadas exactamente com esse fim, têm o dever de uma atitude que não se filie naquilo que estamos, todos os dias, a assistir, perante a passividade e cobardia dos governantes rendidos aos grandes interesses externos. Estão à espera de quê? Que o povo se levante e gere o conflito? Que as Forças Armadas considerem que foi atingido o tal limite de que falava Otelo? Que a instabilidade se instale para depois levarem o resto da carne que andam a comer, deixando para aí os ossos? Que raio de gente esta incapaz de (re)negociar um plano decente, ajustado, bem intencionado no tempo e nos juros, susceptível de compatibilizar as possibilidades do país com um crescimento económico sustentável?  
Neles existe uma fúria privatizadora, de entrega aos outros e ao desbarato, das nossas riquezas nacionais; uma fúria contra o Estado Social para entrega às seguradoras de todos aqueles direitos conquistados e que fazem parte das obrigações constitucionais; uma fúria contra os pensionistas, roubando-lhes o que descontaram ao longo de quarenta e mais anos; uma fúria contra a estabilidade laboral, fazendo dos trabalhadores peças absolutamente descartáveis; uma fúria contra o legítimo pagamento do trabalho extraordinário; uma fúria contra os empresários exigindo-lhes impostos desproporcionais aos seus desempenhos; uma fúria contra os direitos à saúde e contra a educação através de pagamentos abusivos, entre outros, de taxas, propinas e eliminação de comparticipações que sufocam as famílias; a fúria pelas receitas desde o IVA a esse vergonhoso IMI, onde todos os que têm casa própria passam a ser "inquilinos" do Estado; a fúria que os levou a roubar os subsídios de férias e de Natal, compensadores de outras exigências; a fúria no quadro do agravamento obsceno do IRS, que reduz e liquida qualquer esperança numa vida com dignidade. Ponham-se a andar. Rua!
Ilustração: Arquivo próprio.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O TEMPO DE TOLERÂNCIA COMEÇA A SER ESCASSO


Não sei onde isto irá parar, mas nada de bom vem por aí. O enervante silêncio do Presidente da República, as movimentações no seio das Forças Armadas, as manifestações populares, sectoriais e globais, que estão a surgir cada vez mais com o recurso a uma certa violência, a ausência de credibilidade do governo da República que denuncia um misto de teimosia e de insegurança, a existência de um governo Regional que, na prática, já não existe, enfim, todo o quadro que está desenhado assume contornos de uma grande preocupação. Existe angústia, irritação, falta de esperança, falta de confiança, fome e a sensação que resta é que o balão vai estoirar. Julgo, por isso, que só há uma forma de travar este processo: renegociar a dívida, prolongar os prazos de pagamento, suavizar a situação global das famílias e das empresas, diminuindo, assim, a severa carga de impostos, concomitantemente, fazendo crescer a economia. Se o caminho for apenas a da austeridade, tarde ou cedo, lamentavelmente, vamos ter conflito e provavelmente sangue.
 
 
Uma mulher de meia idade, bem parecida, em luta pela vida devido a uma doença oncológica, com os olhos rasos de lágrimas, lamentava-se ao jornalista sobre a carestia da vida, sobre o que recebia e o que pagava, que aquilo que estão a fazer ao povo só conduz a "depressões e suicídios" dos mais vulneráveis. Hoje, leio na primeira página do DN-Madeira: "a fome alastra". Compaginado com esta situação, passo os olhos sobre as declarações do Padre Agostinho Jardim Moreira, da Agência Europeia Contra a Pobreza: "a troika está a transformar os portugueses em miseráveis e em escravos, está a exigir o que não podem dar". Folheio mais umas páginas e constato a preocupação de pais aflitos porque não podem pagar o passe escolar, para além do drama dos manuais escolares a que muitos experimentam dificuldades em ter acesso. A completar o ramalhete da desesperança, o anúncio que já vem de ontem que, dos 40.000 dispensados da função pública, largas centenas, com toda a certeza, engrossarão as fileiras do desemprego na Madeira. Tudo isto numa só edição. Nada que não se soubesse, é verdade, mas que, diariamente, nos traz bem vivas as cores negras que embrulham a nossa sociedade.
No meio deste descalabro político, económico, financeiro, social e cultural, surge o governo regional com uma esmolinha de 100.000,00 euros para derramar por 100 famílias no quadro de um apoio aos desempregados. Bom, dirão alguns, mais vale isso que nada. Só que o problema não se resolve com pensos rápidos. Os cem mil, num ápice, desaparecerão e a fome, que não pode esperar, regressará ao seio dessas famílias a muito curto prazo. Por outro lado, esta dádiva, esta esmolinha do governo regional, pouco significado tem no universo dos 23.000 desempregados, quase 50% dos quais, neste momento, não tem direito a subsídio. Basta dividir o dinheiro disponível pela legião de desempregados. Refere o DN, numa peça da Jornalista Marta Caires, que nos primeiros nove meses do ano, foram distribuídas pela Cáritas, oitenta toneladas de alimentos por mil famílias. Este número reflecte a dimensão de um problema que é crescente e que está a tornar remediada e pobre a classe dita média e em escravos todos os outros daí para baixo.
Não sei onde isto irá parar, mas nada de bom vem por aí. O enervante silêncio do Presidente da República, as movimentações no seio das Forças Armadas, as manifestações populares, sectoriais e globais, que estão a surgir cada vez mais com o recurso a uma certa violência, a ausência de credibilidade do governo da República que denuncia um misto de teimosia e de insegurança, a existência de um governo Regional que, na prática, já não existe, enfim, todo o quadro que está desenhado assume contornos de uma grande preocupação. Existe angústia, irritação, falta de esperança, falta de confiança, fome e a sensação que resta é que o balão vai estoirar. Julgo, por isso, que só há uma forma de travar este processo: renegociar a dívida, prolongar os prazos de pagamento, suavizar a situação global das famílias e das empresas, diminuindo, assim, a severa carga de impostos, concomitantemente, fazendo crescer a economia. Se o caminho for apenas a da austeridade, tarde ou cedo, lamentavelmente, vamos ter conflito e provavelmente sangue.
Por aqui, já não há pachorra nem espaço para esta gente que governa há trinta e tal anos consecutivos. Vejo-os na televisão ou nos jornais e metem dó. Aquelas caras repetitivas, que não trazem nada de novo, engasgados pela situação mas agarrados como lapas, devem sair de cena rapidamente, muito rapidamente. Sinto-me perante políticos sem vergonha na cara, medíocres, que actuam na base na mentira, gente de pensamento esclerosado de quem já nada se espera. Fazem da governação um emprego e da Assembleia um poiso de interesses pessoais. Cuidado, muito cuidado, porque a paz, a tranquilidade deve ser preservada e o tempo que resta tudo leva a crer que começa a ser muito escasso.
Ilustração: Arquivo próprio.

domingo, 16 de setembro de 2012

OVERDOSE DE AUSTERIDADE SÓ PODERIA DAR EM REVOLTA


Perante isto, qualquer cidadão interroga-se: se ia à banca e contratualizava a compra de uma casa por 20, 30 e até 40 anos de responsabilidades mensais, de acordo com as possibilidades de cada um, como pode esta Troika exigir o equilíbrio financeiro de um País pobre em escassa meia-dúzia de anos? Tão simples e tão evidente quanto isto.  Este governo Passos Coelho/Paulo Portas está ferido de morte. Não acredito que consiga reconquistar o eleitorado que os levou ao poder.  E o mais interessante, convém não esquecer, é que este Primeiro-Ministro chegou ao governo depois de chumbar o PEC IV do governo de José Sócrates. E entre essas medidas e as que hoje entram, diariamente, casa adentro, não há comparação possível! Entre 2011 e 2013, os portugueses serão espoliados em 14 mil milhões de euros de carga fiscal. 
 
  
 
Este governo Passos Coelho/Paulo Portas está ferido de morte. Não acredito que consiga reconquistar o eleitorado que os levou ao poder. As manifestações de ontem constituíram um sinal claro da total desconfiança na atitude governativa. E não é, apenas, a Taxa Social Única (TSU - agrava em 64%, repito, 64% a contribuição dos trabalhadores, ao mesmo tempo que o governo desagrava as contribuições das empresas) que está em causa. Essa decisão funcionou como o pingo que fez transbordar um copo cheio de angústias e de desconfortos. Há muitas decisões assumidas ao longo deste ano de governo que colocaram a maioria do povo em sobressalto e total desespero. O rol do substancial agravamento do custo de vida é extenso, muito extenso, desde o IVA em geral e, particularmente, para a hotelaria e restauração, ao descarado roubo dos subsídios de férias e de Natal, passando pelas contribuições extraordinárias, mais o preço da energia, transportes, limitação de direitos na saúde e educação, subsídios às famílias, o que aí promete vir no próximo Orçamento de Estado, a espoliação dos pensionistas, tudo o que resulta das novas regras impostas por um desadequado código do trabalho, enfim, as manifestações de ontem são, por isso, o resultado de um somatório muito lato de agravamentos sem noção do equilíbrio e do verdadeiro estado social da população. Não é, apenas pela TSU!
E os sinais de revolta foram dados aos poucos, com a entrega da casa ao banco, o regresso dos jovens (e não só) casais à casa dos pais e avós, o crescimento do desemprego, o aumento da pobreza destruindo os equilíbrios de uma faixa da população considerada da média social, a aflição dos pequenos e médios empresários, a diminuição do consumo e, por extensão, das receitas do Estado, o crescimento da economia paralela (já vai em 25,4% do PIB), a progressiva emigração, os sinais, repito, eram evidentes mas nem por isso o governo arrepiou caminho, antes continuou a sua obstinada saga de ser fraca com os poderosos e muito forte com os fracos. Ontem, o caldinho entornou-se. E perante isto, vê-se muitas personalidades do CDS ao PSD a saltarem do barco, outros, hipocritamente, a querem estar, mas não estando, através de um discurso ambíguo como se fosse possível esquecer estes penosos meses de overdose de austeridade e de completa submissão aos poderes de uma Troika cega e apostada em sacar o máximo em tão curto tempo. Nicolau Santos, no último Expresso, sublinha: "Troika e Passos estão a fazer de Portugal um laboratório de experiências. Somos 10 milhões de ratinhos (...)". E o mais interessante, convém não esquecer, é que este Primeiro-Ministro chegou ao governo  depois de chumbar o PEC IV do governo de José Sócrates. E entre essas medidas e as que hoje entram, diariamente, casa adentro, não há comparação possível! Entre 2011 e 2013, os portugueses serão espoliados em 14 mil milhões de euros através da carga fiscal. E foram os portugueses os culpados da crise internacional? Foi a maioria do povo português que viveu acima das suas possibilidades? Terão sido os portugueses os grandes especuladores que contribuíram para o desastre e para esta economia de guerra?  
E perante isto e muito mais, qualquer cidadão interroga-se: se ia à banca e contratualizava a compra de uma casa por 20, 30 e até 40 anos de responsabilidades mensais, de acordo com as possibilidades de cada um, como pode esta Troika exigir o equilíbrio financeiro de um País em escassa meia-dúzia de anos? Tão simples e tão evidente quanto isto. Obviamente que não temos um governo com capacidade negocial, defensor de direitos, mesmo que mínimos, do povo que o elegeu. Temos um governo peça de uma engrenagem internacional formada por desprezíveis vigaristas. Por isso, não lhe dou muito tempo e sairá.
Ilustração: Arquivo próprio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

GENTE CIVILIZADA... REPITA LÁ OUTRA VEZ!


O problema é que toda a gente por lá já percebeu o esquema, hoje todo ele salamaleques, amanhã, os mesmos levam com chumbo até dizer basta. Tem sido sempre assim, essa postura tem anos, pelo que a repetição dos comportamentos denuncia que não tem emenda. E vem falar de "diálogo civilizado", quando ninguém se esquece do que disse ao Engº António Guterres, o tal que esbateu a dívida da Madeira em 110 milhões de contos e, apesar disso, foi apelidado de mentiroso, caloteiro, fariseu, indivíduo perigoso e aldrabão, entre outros mimos.


Assumiu o presidente do governo regional: "(...) sempre acreditei que do diálogo entre pessoas civilizadas sai sempre luz (...) estou sempre de coração aberto". Oh, senhor presidente, repita lá outra vez porque isso não soa bem nos ouvidos dos madeirenses. Diálogo? Luz através do diálogo? Coração aberto? Mas quando é que isso se verificou ao longo de 35 anos de governação? Na Assembleia Legislativa, nunca. E nos meios de comunicação social só gosta de falar a solo, nunca com a presença de outros com posicionamentos diversos. Nem com aqueles que o rodeiam, coitados, se têm uma opinião diferente! De carrinho vão para o quarto escuro da vida política. Qualquer opinião contrária é entendida como "facadas nas costas" e, portanto, quando se ouve uma declaração de circunstância daquela natureza, o único pensamento que me invade é que já não há paciência para aturar um político com tantos disfarces, tantas máscaras conforme os momentos.
Amanhã terá uma reunião com o Primeiro-Ministro e com o Ministro das Finanças, logo, teve de preparar o terreno, não vá o caldo entornar-se. O problema é que toda a gente por lá já percebeu o esquema, hoje todo ele salamaleques, amanhã, os mesmos levam com chumbo até dizer basta. Tem sido sempre assim, essa postura tem anos, pelo que a repetição dos comportamentos denuncia que não tem emenda. E vem falar de "diálogo civilizado", quando ninguém se esquece do que disse ao Engº António Guterres, o tal que esbateu a dívida da Madeira em 110 milhões de contos e, apesar disso, foi apelidado de mentiroso, caloteiro, fariseu, indivíduo perigoso e aldrabão, entre outros mimos. E, relativamente a Mário Soares e outras personalidades, alguém se esquecerá de expressões do tipo porcos, cabras, burros, traidores, tontos, etc.. E aos jornalistas desde bastardos para não dizer filhos da ... de tudo já se ouviu e leu. E o que disse do Senhor Silva, Presidente da República! Bom, a história dos "mimos" e dos enxovalhos é longa, pelo que este presidente do governo não é um homem politicamente confiável e está, em função da sua própria história, em uma posição de fragilidade para sentar-se a uma mesa de negociações. Até porque negociar não é o seu forte. Numa negociação todos perdem para que alguma coisa todos ganhem. E ele, no sufoco para o qual conduziu a Madeira, precisa mais de ganhar do que perder, enquanto que o governo da república dá indicações de querer fazer da Madeira um exemplo para o país.
Sinceramente, não tenho grandes esperanças na reunião de amanhã. Por um lado, porque o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças, mesmo com alguma benção do Presidente da República, dificilmente aceitarão recuar relativamente às posições iniciais. Poderão verificar-se algumas cedências de pormenor, a questão do IVA, por exemplo, mas, no essencial, no grosso do pacote de reajustamento financeiro, o que vem a caminho é um aperto face ao qual os madeirenses só vão dele tomar consciência dentro de três a quatro meses. 
Lamento a situação na qual o PSD nos fez mergulhar. E lamento, neste momento, que a Madeira não tenha alguém, de cara politicamente lavada, que possa negociar em defesa da população. Oxalá esteja eu enganado, porque não quero ver o desemprego, a fome e a miséria alastrarem-se na Região. Mas, hoje, a um dia das "negociações" coloco muitas reticências. A ver vamos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 31 de dezembro de 2011

HUMILHAÇÃO POLÍTICA TOTAL. RESTA-LHE A DEMISSÃO!


O quero, posso e mando, a arrogância sem limites, o regabofe dos encargos que não respeitam as prioridades e a intolerância da maioria parlamentar na Assembleia Legislativa, que agora não tem um Sócrates para bater, tem os dias contados. A população ainda vai assistir a um certo estrebuchar político ou, qual Tarik Aziz, a dizerem por aí que tudo está sob controlo. O habitual, só que as regras mudaram, por culpa única e exclusiva destes senhores agarrados ao poder que nem lapas à rocha. Tanto fizeram que mataram a Autonomia e fizeram a Madeira retroceder trinta e tal anos. Resta agora saber por quanto tempo.


Afinal, era só garganta!
O presidente do governo regional da Madeira acaba de sofrer mais uma humilhação política. Mas, pior do que essa humilhação pessoal está o povo que vai sofrer e, particularmente, os empresários que esperam e desesperam pela liquidação de milhares de facturas. De uma necessidade imediata de cerca de oitenta milhões, o Ministério das Finanças, ao disponibilizar 19,4 milhões de euros, deu um sinal muito claro que o presidente do governo não mais vai fazer do dinheiro público o que quer e entende. Desta vez, segundo se sabe, o dinheiro nem passará pelos cofres do governo regional, já que será o próprio ministério a liquidar, directamente, o constante das guias de pagamento, onde se incluem o IRS e a Segurança Social dos funcionários (notícia DN-Madeira que pode ser lida aqui).
E tudo leva a crer que, doravante, assim será. O quero, posso e mando, a arrogância sem limites, o regabofe dos encargos que não respeitam as prioridades e a intolerância da maioria parlamentar na Assembleia Legislativa, que agora não tem um Sócrates para bater, tem os dias contados. A população ainda vai assistir a um certo estrebuchar político ou, qual Tarik Aziz, a dizerem por aí que tudo está sob controlo. O habitual, só que as regras mudaram, por culpa única e exclusiva destes senhores agarrados ao poder que nem lapas à rocha. Tanto fizeram que mataram a Autonomia e fizeram a Madeira retroceder trinta e tal anos. Resta agora saber por quanto tempo. Porque o problema, denunciado há muitos anos, é grave e, sem cêntimo que lhes valha, ficámos todos à mercê das imposições de quem empresta o dinheirinho da sobrevivência. Eu que nunca fui e não sou pessoa de vinganças, que fico constrangido quando vejo alguém em apuros, também entendo que estas questões ultrapassam em muito a administração política. A gravosa situação em que se encontram os madeirenses e porto-santenses leva-me a dizer que há políticos que deveriam ser julgados. Julgados nas urnas e na Justiça. Não é admissível que o exercício da política não seja concretizado na base do rigor e da transparência. E se há, porventura, gestão danosa que coloca em causa uma Região de 270.000 pessoas, aí, a Justiça, não sei porque meios e isso a mim não me compete definir, deveria investigar e actuar.
Nesta completa e vergonhosa humilhação, oiço, esta manhã, o Senhor Presidente da Assembleia Legislativa pedir para que o povo RESISTA. Resistir a quê? Resistir a quem a Madeira deve, apoiando as megalomanias concretizadas e que nos levaram à bancarrota? Ora, o problema não é de resistência. O problema é de mudança de governo, mudança de partido e de mudança de personagens, no sentido da credibilidade e da respeitabilidade perante o País e perante a Europa. A Madeira não tem de resistir nem de se subjugar. A Madeira precisa de gente com capacidade negocial, políticos que falem a verdade, que não utilizem a sistemática mentira para se manterem no poder. A Madeira precisa de homens e mulheres de inteligência, com capacidade técnica e política, gente com soluções, gente que não utilize o poder para satisfação pessoal e de grupos. É disso que a Região precisa de gente de bem e com sentido de missão, que entendam que governar não é um emprego para a vida, mas um serviço público à comunidade balizada no tempo. Daí que, resta-lhes a demissão. Se tiverem um pingo de vergonha e de humildade devem partir, porque tudo tem o seu tempo.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SE SE TRATASSE DE UMA BATALHA NAVAL EU DIRIA... DOIS SUBMARINOS AO FUNDO!


Ontem, não vi aquelas imagens das andorinhas que pousaram nas árvores da Coreia, cheias de frio, e que alguns acreditaram terem vindo se despedir de Kim Jong-Il, mas senti e ouvi dois passarinhos a chilrearem e a anunciarem a primavera na Madeira. Isto é, em suma, nada do que está a acontecer será catastrofista como os analistas e partidos da oposição têm vindo a assumir. IVA, IRS, IRC, redução de trabalhadores, cancelamento de contratos, aumento do ISP, cortes na saúde e na educação, privatizações, perda de competências, aumento de 15% nos transportes públicos, subsídio de Natal e de férias, enfim, nada disto assusta, nada disto é preocupante, quando está aos olhos de todos que aqueles constrangimentos irão agravar o já depauperado tecido empresarial, as falências, o aumento do desemprego, da pobreza e, obviamente, da instabilidade social e segurança de pessoas e bens. Só os dois passarinhos que ontem estiveram naquela conferência de imprensa é que não se apercebem (ora se sabem!) do estado de penúria, de degradação política, económica, financeira e social. Falam com uma altivez como se nada estivesse a acontecer (...)

Uma conferência de Imprensa que foi água do Luso!
Estes políticos que governam a Região denotam que não estão bem. Desde há muito, sublinho. Porém, agora, assiste-se a uma espécie de máscara que cai para visualizarmos o que realmente são e perseguem como objectivo político e até de vida pessoal. Ora, a conferência de imprensa de ontem sobre o plano de assistência financeira à Madeira foi patética. A páginas tantas, face a uma pertinente questão da jornalista do DN-Lisboa, Lília Bernardes, atalhou-a no sentido de dizer que ali não era lugar "político" ou para discutir (esclarecer) politicamente as situações. Ora, se as razões que estão na origem da conferência de imprensa não são políticas e de esclarecimento político, o que foram ali fazer?
Salvo as devidas e substanciais proporções, aquela comunicação e respostas aos jornalistas, talvez pela proximidade dos acontecimentos na Coreia do Norte, por vezes, fez passar pela minha consciência algumas pinceladas do regime daquelas bandas. Repito, salvo as devidas proporções e características do poder. Refiro-me, essencialmente, ao autismo, ao desejo de poder que demonstram que os incapacita de ter a noção que o seu tempo já terminou e que as suas políticas apenas conduzem à pobreza. Ontem, não vi aquelas imagens das andorinhas que pousaram nas árvores da Coreia, cheias de frio, e que alguns acreditaram terem vindo se despedir de Kim Jong-Il, mas senti e ouvi dois passarinhos a chilrearem e a anunciarem a primavera na Madeira. Isto é, em suma, nada do que está a acontecer será catastrofista como os analistas e partidos da oposição têm vindo a assumir. IVA, IRS, IRC, redução de trabalhadores, cancelamento de contratos, aumento do ISP, cortes na saúde e na educação, privatizações, perda de competências, aumento de 15% nos transportes públicos, subsídio de Natal e de férias, enfim, nada disto assusta, nada disto é preocupante, quando está aos olhos de todos que aqueles constrangimentos irão agravar o já depauperado tecido empresarial, as falências, o aumento do desemprego, da pobreza e, obviamente, da instabilidade social e segurança de pessoas e bens. Só os dois passarinhos que ontem estiveram naquela conferência de imprensa é que não se apercebem (ora se sabem!) do estado de penúria, de degradação política, económica, financeira e social. Falam com uma altivez como se nada estivesse a acontecer, como se o cofre estivesse a abarrotar de dinheiro, como se não existissem milhares de facturas por pagar, como se o serviço de reembolsos da ADSE, neste momento encerrado, não fosse denunciador de falta de liquidez, como se os empresários andassem aí com uma grande capacidade para suportar novos encargos, como se não tivéssemos mais de 20.000 desempregados, como se as instituições de solidariedade social não andassem numa roda viva para esbater a fome, como se os indicadores de assaltos não fossem preocupantes, como se as famílias andassem aí a viver momentos de grande prosperidade, como se a dívida pública não fosse extremamente preocupante, enfim, como se vivêssemos numa terra com petróleo e ouro. Este autismo é revoltante, quando os dois passarinhos tentaram ontem cantar uma primavera que, há luz do quadro existente, só trará tragédia.
A queda é abrupta, os comentadores são unânimes em condenar os erros políticos, mas o "chefe" e o homem do rosário teimam em dizer que isto vai... O "chefe" chegou ao ponto de assumir que a "Autonomia Política" está nas nossas mãos. A autonomia financeira foi-se e, pergunto, o que será da autonomia política quando a Região perde a capacidade de controlo orçamental e o Instituto de Gestão das Contas Públicas passará a gerir a dívida pública da Madeira? Mas, pensam que enganam quem? Que todos, inclusive, os 58.000 sem instrução são mentecaptos? Que ninguém ainda deu que mentiu antes das eleições e que, agora, continua com o nariz em crescimento acelerado?
Finalmente, uma nota que, pelo rigor e transparência, afigura-se-me absolutamente, acertada. Refiro-me à perda de responsabilidade, espero que temporária, da Direcção Regional de Estatística, para garantia de independência e isenção na produção dos dados estatísticos. Há muito tempo que é evidente a falta de transparência e rigor bem consubstanciado nos dados do desemprego. Pelo menos, a partir de agora, poderemos ter a certeza do que lemos. E no meio de toda esta avalancha de demérito do governo regional, ainda o presidente tem a lata de, esta manhã disparar contra tudo e contra todos os que analisaram e analisam a presente situação. Ridículo! Como sublinhou o analista de economia da SIC, José Gomes Ferreira, Jardim "perdeu em toda a linha e transforma numa vitória". Está tudo dito. Fica a reserva que, entre a "carta de intenções" e o documento final que será obrigado a assinar, é minha convicção que, infelizmente, alguma coisa ainda será motivo de agravamento.
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A MORTE DA AUTONOMIA E O REGRESSO À JUNTA GERAL DO DISTRITO


É que o momento exigia, muito mais do que em qualquer outro, uma palavra séria, honesta, caracterizadora do momento terrível para a Região, uma palavra de esperança, uma palavra de projecto para enfrentar as adversidades de 2012. Mais. Uma palavra para os desempregados, para os pobres, para os das margens da nossa sociedade, para os diversos sectores profissionais e para o os empresários aflitos. O presidente do governo da Madeira abandona-os à sua sorte, como se a vida fosse uma roleta russa. Mas, atenção, quem não tem coragem para dirigir-se ao Povo, constitui um desplante muito grande, no dia 31 de Dezembro, de smoking, aparecer em festa brindando ao ano que se segue. Brindar porquê e por quem? Nas costas do Povo que lhe deu o voto? Esquisito!

Não é que fosse determinante, mas faz parte de uma tradição. Confesso que as mensagens de Natal, do Presidente da República ao Primeiro-Ministro, não me entusiasmam, isto é, não me prendem. Porque são repetitivas e acabam por cair numa lengalenga que nada adianta. Mas, politicamente, constitui uma obrigação, mais que não seja para, olhos nos olhos, no momento que atravessamos, falar de esperança a todo o povo. Ora, o presidente do governo regional ao esquivar-se à mensagem de Natal, demonstra uma atitude que tem um óbvio significado político. Demonstra que está de rastos, que não tem nada para dizer ao povo que enganou, que prefere o silêncio porque a sua palavra é hoje uma letra vencida. Não falar, não dirigir-se a um povo que sofre e sofrerá as consequências das suas megalomanias, coloca-o numa situação de absoluta fragilidade política. É que o momento político exigia, muito mais do que em qualquer outro, uma palavra séria, honesta, caracterizadora da situação terrível para a Região, uma palavra de esperança, uma palavra de projecto para enfrentar as adversidades de 2012. Mais. Uma palavra para os desempregados, para os pobres, para os das margens da nossa sociedade, para os diversos sectores profissionais e para o os empresários aflitos. O presidente do governo da Madeira abandona-os à sua sorte, como se a vida fosse uma roleta russa. Como se não tivessem direito a serem esclarecidos sobre o futuro a partir dos grandes constrangimentos que se avizinham.  
Este é o meu primeiro sentimento, de indignação, em função do povo que sofre. Mas, invade-me um segundo sentimento. É que talvez seja bom poupar a população a esses minutos de contorcionismo político.  Nesta época basta os do circo! Certamente que lá viria com a história dos malandros de Lisboa e isso não só não ajudaria como prejudicaria as relações já de si tensas, entre membros do mesmo partido, com repercussões na vida daqueles que cá vivem. Talvez seja bom não aparecer, por um lado, porque não tem nada para dizer, por outro, só iria, como sempre acontece, lançar mais combustível sobre uma relação política em labaredas. Fica, de qualquer forma, marcada a falta de comparência, a manifestação dos desejos, pelo menos de boa saúde para todos, já que, quanto ao resto, todos terão de aguentar os seus disparates dos quais resultaram mais IRS, IVA, IRC, IMI, taxas moderadoras (afinal, a "troika" manda aqui), subsídio de insularidade, redução do número de funcionários públicos, imposto de circulação nas vias rápida e expresso, enfim, uma dupla e gravosa austeridade. Tudo o que foi negado, vem a caminho. E ontem uma infeliz deputada do PSD, na televisão, quando existe uma perda total da autonomia política e administrativa, veio dizer, em suma, que é preciso aguardar pela assinatura do documento de compromisso de saneamento financeiro. Que espantosa mediocridade e que tamanha falta de lucidez. Tarek Aziz não diria melhor. Infelizmente, não sei por quantos anos, o PSD matou a Autonomia e fez os madeirenses regressarem aos tempos da Junta Geral do Distrito.  
Mas, atenção, quem não tem coragem para dirigir-se ao Povo, constitui um desplante muito grande, no dia 31 de Dezembro, de smoking, aparecer em festa brindando ao ano que se segue. Brindar porquê e por quem? Nas costas do Povo que lhe deu o voto? Esquisito!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 15 de maio de 2011

TROIKA, SALÁRIOS DE JUNHO E A REFORMA ADMINISTRATIVA DA MADEIRA


"(...) Ora, não há mais tempo para esconder a realidade. Cada dia que se passa a angústia aumenta, porque o tecido produtivo foi desmantelado e geraram-se vícios sempre em nome do próximo acto eleitoral. Hoje, o cofre está vazio e as facturas empilhadas às resmas. Seria importante, para descanso dos funcionários públicos, que o Governo dissesse, claramente, se está ou não em causa o pagamento dos salários de Junho, o respectivo 13º mês e como vai soluccionar o problema" (a 06.05.11)

No dia 06 de Maio escrevi um texto subordinado ao título: "E agora... Continhas a pente fino". Nele deixei escapar um pouco do que se tinha passado na reunião do governo regional com a Troika. Escrevi, então:  "(...) Ora, não há mais tempo para esconder a realidade. Cada dia que se passa a angústia aumenta, porque o tecido produtivo foi desmantelado e geraram-se vícios sempre em nome do próximo acto eleitoral. Hoje, o cofre está vazio e as facturas empilhadas às resmas. Seria importante, para descanso dos funcionários públicos, que o Governo dissesse, claramente, se está ou não em causa o pagamento dos salários de Junho, o respectivo 13º mês e como vai soluccionar o problema".
Hoje, o Presidente do Governo Regional dos Açores denunciou que o governo da Madeira, junto da "troika" "(...) apenas apresentou um pedido de financiamento extraordinário à Madeira, porque a Madeira não podia pagar ordenados no próximo mês". Ora, é a este governo da Madeira que estamos entregues. Uma vergonha! E é este mesmo Dr. Jardim que, de cofre vazio e mão estendida, hoje, na "festa do limão", tem a lata de se opor à Reforma Administrativa de todo o País, quando todos sabemos que existem freguesias e câmaras a mais. Disse: "na Região Autónoma da Madeira a competência para criar municípios e freguesias ou para extinguir municípios e freguesias cabe à Assembleia Legislativa da Madeira". (...) "A competência é nossa e, como a competência é nossa, eu quero hoje dizer aqui, na freguesia da Ilha, uma das freguesias que foi criada já sob a égide do meu governo, que não haverá alterações nos municípios e nas freguesias da Madeira" (...)  "Se Lisboa não gostar que mandem a esquadra cercar isto como já mandaram cercar quando foi a Revolução da Madeira, em 1931".
Que o PSD fique sabendo que essa Reforma Administrativa consta das "Bases Programáticas do Programa de Governo do PS-M" (páginas 72 a 74) e que será levada por diante após ponderado estudo. Mas o que mais arrelia é ver que este governante não tem um cêntimo e, no entanto, perdoem-me a palavra, continua a "arrotar" tal como um fidalgo em decadência. Para além deste aspecto, o Dr. Jardim terá presente que, em Outubro, há eleições legislativas regionais? E que perante isso não lhe fica bem essa arrogância de assumir que não haverá reforma administrativa?
Ilustração: Google Imagens.