quarta-feira, 16 de maio de 2012

ATÉ NA MORTE SÃO DESPREZÍVEIS


O cofre está cada vez mais vazio e a angústia cresce a olhos vistos. De tal forma que, ainda ontem, o Deputado Guilherme Silva, no programa Parlamento (RTP-M) falava, se bem percebi, da necessidade de uma convergência entre partidos no sentido da Região surgir forte no plano nacional. Sintonizei o programa quase nesse momento e mudei de canal. É porque não há pachorra para ouvir discursos destes, quando levaram 36 anos a espezinhar a oposição. Quando nesse mesmo dia, na Assembleia, perante um diploma do governo, sobre o corte de alguns subsídios aos médicos e enfermeiros, o titular da pasta, como habitualmente, primou pela ausência, desrespeitando o primeiro órgão de governo próprio, como, ainda hoje, um voto de pesar, repito, um voto de pesar a um juiz madeirense (Dr. José Manuel Martins, irmão dos ex-Deputados Padre Martins Júnior e Dr. Bernardo Martins) foi rejeitado pelo PSD, e um outro, por Miguel Portas (BE), contou com a abstenção desse mesmo partido, vergonhosamente, apenas com dez Deputados na sala. Até na morte são assim. E perante comportamentos destes, com uma incomensurável lata, vem aquele servil deputado falar de convergência!


A necessidade de libertação
de um poder castrador e abjeto.
Dívidas e mais dívidas por liquidar, a empresas, associativismo, aos cidadãos que desesperam pelos reembolsos das despesas de saúde, enfim,  será melhor perguntar a quem o governo não deve! Em contraponto a esta situação, todos os dias, ouve-se este e aquele representante direto ou indireto do governo regional, a dizer que o dinheirinho ainda não veio de Lisboa e que, finalmente, há uma promessa de uma primeira tranche lá para o final de Maio. Bom, como cidadão, oiço isto, olho para o montante do primeiro empréstimo, confronto esse montante com o número de bocas famintas por dinheiro fresco e questiono-me sobre a desproporção entre as necessidades e o montante disponibilizado. E a pergunta surge: com tanta promessa de liquidação de encargos, com tantos a dizerem que aguardam pelo dinheirinho para poderem pagar, não andarão a enganar as pessoas? Eu considero que sim, pois o volume de encargos é tão alto e tão desproporcional às responsabilidades assumidas que a maioria ficará a aguardar melhores dias. E, entretanto, continuarão a encerrar empresas, todo o associativismo desportivo e cultural continuará estrangulado e, na saúde, com toda a certeza, funcionará o sistema de gota a gota. Não há milagres com o dinheiro, simplesmente porque não tem capacidade elástica. Mas o que é espantoso é que todos prometem pagamentos, todos empurram os problemas com a barriga, ao invés de assumirem que esse é um problema cuja resposta deve ser dada pelo presidente do governo! Foi ele que gerou esta situação, pois foi a sua megalomania pela obra e pelas inaugurações que gerou à aflição de todos, a pobreza e a mão estendida à solidariedade.
Tenho falado com empresários, com profissionais da educação e da saúde, com políticos e não há um que não se lamente pela situação que vivem nos seus locais de trabalho. O cofre está cada vez mais vazio e a angústia cresce a olhos vistos. De tal forma que, ainda ontem, o Deputado Guilherme Silva, no programa Parlamento (RTP-M) falava, se bem percebi, da necessidade de uma convergência entre partidos no sentido da Região surgir forte no plano nacional. Sintonizei o programa quase nesse momento e, perante postura, mudei de canal. É porque não há pachorra para ouvir discursos destes, quando levaram 36 anos a espezinhar a oposição. Quando nesse mesmo dia, na Assembleia, perante um diploma do governo sobre o corte de alguns subsídios aos médicos e enfermeiros, o titular da pasta, como habitualmente, primou pela ausência, desrespeitando o primeiro órgão de governo próprio, como, ainda hoje, um voto de pesar, repito, um voto de pesar a um juiz madeirense (Dr. José Manuel Martins, irmão dos ex-Deputados Padre Martins Júnior e Dr. Bernardo Martins) foi rejeitado pelo PSD, e um outro, por Miguel Portas (BE), contou com a abstenção desse mesmo partido, vergonhosamente, apenas com dez Deputados na sala. Até na morte são assim. E perante comportamentos destes, com uma incomensurável lata, vem aquele servil deputado falar de convergência! A convergência existirá, mas para substituir todos quantos mal fizeram à Madeira e ao Porto Santo, empurrando a Região, apesar dos avisos de longa data, para uma catástrofe social que levará muitos anos a recuperar.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Se a indústria dos funerais não fosse lucrativa para a diocese, só seriam enterrados nos cemitérios madeirenses os mortos do jardinal. Os outros iriam a "tupir ao calhau", como os "grados" (é assim que se escreve?.)
Assim vai a mesquinhez dessa gente.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É verdade, trata-se de atitudes muito mesquinhas. E se não respeitam os mortos como poderão respeitar os vivos?