quarta-feira, 17 de abril de 2013

A ASSEMBLEIA É O ESPELHO DE UMA REGIÃO "DEFUNTA"


A proposta de revisão não é mais do que um álibi. De onde se conclui que estando a Madeira paralisada e sem possibilidades de pagar a monstruosa dívida, ele tenta fugir à realidade com essa treta da revisão constitucional. Quando ele sabe que o próprio PSD na República não está para aí virado e quando ele sabe que qualquer revisão necessita do acordo de dois terços dos deputados. Para além de algumas palavras ditas pelo presidente, recordo-me de duas, quando se dirigiu a alguns como "rafeiros" e que "nem lavam os pés", enfim, coisa muito pouco digna para um político, consegui registar duas frases interessantes: a primeira, quando se referiu "à capital do império defunto". Não será aquele espaço, a Assembleia de uma região "defunta", face aos mais de seis mil milhões de dívidas e ao colapso da economia e das finanças? Segundo, "o problema da democracia é a ameaça totalitária". De facto, ele sabe do que fala, ele sabe que hoje um sistema totalitário não precisa de dar um tiro. Ele sabe, tal como disse em tempos, que iria ser mais "raffiné". Exacto. Hoje há mecanismos de organização política que matam a esperança de uma vida digna sem um único tiro. E ele conhece bem o desvirtuamento da democracia na Madeira que conduziu a uma sociedade amorfa, condicionada, apavorada, com medo de uma qualquer reacção. Nisso ele é doutorado por equivalência! Disse: "Isto pode acabar de maneiras que não serão as constitucionalmente previstas". Ai pode, pode... mas não na linha de pensamento do presidente do governo! E a este propósito, enquanto Conselheiro de Estado, que posição assumirá o Presidente da República?

A proposta de revisão constitucional vale zero! 
E se começasse a resolver os problemas 
dos madeirenses e portosantenses?
Este homem já pensou o que significa o aumento
de 50% na venda de anti-depressivos?
Ontem, a Assembleia Legislativa da Madeira viveu um dia de sentido contrário à realidade política, o que equivale dizer que o presidente do governo caminha no sentido contrário dos ponteiros do relógio. E este relógio da vida, o relógio das preocupações diárias não se compadecem de fait-divers, de histórias mal contadas e de poeira para os olhos. Este relógio da vida política, económica, financeira e social, precisa de quem mexa com inteligência em todos os mecanismos de intervenção no sentido de resolver ou, no mínimo, esbater o problema do desemprego, o problema dos empresários, o problema da fome que alastra. Não é perdendo uma manhã com o fantasma da Constituição da República que se resolverá seja lá o que for. Está um povo em colapso, vivem-se tempos difíceis, de desemprego, de fome, de desesperantes carências em todos os sectores da governação e o presidente do governo, face aos problemas reais, responde com uma proposta de revisão constitucional. Como se o povo comesse papéis e palavras! Mas há mais: não foi a Constituição em vigor que lhe permitiu, nas suas palavras, a tal "Madeira Nova" e a tal "Madeira Contemporânea"? Não foi esta Constituição que lhe permitiu o regabofe inauguracionista? Não foi esta Constituição que lhe permitiu endividar a Região até ao tutano, com obras e mais obras de carácter muito duvidoso, entre tantas, as marinas, os heliportos ou as piscinas que não funcionam? Ou será que a actual Constituição é que lhe permitiu ganhar eleições e manter o poder durante quase quarenta anos?
Pergunta-se, ainda, qual a razão de, neste momento de aperto, de degradação da vida económica, financeira e social da Madeira, a apresentação desta proposta de revisão? Encontro dois dois objectivos: primeiro, desviar as atenções sobre aquilo que o povo está a sentir na pele e reclama; segundo, uma tentativa de colocar um escudo de protecção às suas desastradas políticas, atirando para os outros responsabilidades próprias. A proposta de revisão não é mais do que um álibi. De onde se conclui que estando a Madeira paralisada e sem possibilidades de pagar a monstruosa dívida, ele tenta fugir à realidade com essa treta da revisão constitucional. Quando ele sabe que o próprio PSD na República não está para aí virado e quando ele sabe que qualquer revisão necessita do acordo de dois terços dos deputados. 
Para além de algumas palavras ditas pelo presidente, recordo-me de duas, quando se dirigiu a alguns como "rafeiros" e que "nem lavam os pés", enfim, coisa muito pouco digna para um político, consegui registar duas frases interessantes: a primeira, quando se referiu "à capital do império defunto". Ora bem, não será aquele espaço, a Assembleia de uma região defunta, face aos mais de seis mil milhões de dívidas e ao colapso da economia e das finanças? Segundo, "o problema da democracia é a ameaça totalitária". De facto, ele sabe do que fala, ele sabe que hoje um sistema totalitário não precisa de dar um tiro. Ele sabe, tal como disse em tempos, que iria ser mais "raffiné". Exacto. Hoje há mecanismos de organização política que matam a esperança de uma vida digna sem um único tiro. E ele conhece bem o desvirtuamento da democracia na Madeira que conduziu a uma sociedade amorfa, condicionada, apavorada, com medo de uma qualquer reacção. Nisso ele é doutorado por equivalência! Disse: "Isto pode acabar de maneiras que não serão as constitucionalmente previstas". Ai pode, pode... mas não na linha de pensamento do presidente do governo! E a este propósito, enquanto Conselheiro de Estado, que posição assumirá o Presidente da República? Manter-se-á em silêncio? Pelo passado, penso que sim!
Bem poderia ele fechar-se numa sala, convidar quem quisesse e entendesse, falar e falar da sua "constituiçãozinha", mas nunca levar um tema destes para a Assembleia, em nítido prejuízo da actividade parlamentar, quando ali se encontram 99 projectos agendados para debate para além de 43 votos para discutir. Isto diz bem do funcionamento da Assembleia e do comportamento político da maioria! Uma Assembleia completamente castrada que serve de palco a momentos tristes como o de ontem. Obviamente que a Constituição não é uma "Vaca Sagrada". Em tempo próprio, aqui e ali, pode e deve ser melhorada, até porque a Autonomia deve envolver um conceito evolutivo e de concomitante responsabilidade. Só que este não é o tempo próprio, até porque os graves problemas da Madeira não se resolvem com debates em torno de uma hipotética revisão constitucional. É preciso que ele assuma que a Autonomia está, para todos os efeitos, SUSPENSA!
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Uma coisa parece evidente: o homem está mesmo convencido de que é capaz de salvar o país da desgraça que ele ajudou a agravar. E continua a ambicionar o cargo de PM ou mesmo de PR.
Será que não tem espelhos em casa, na Quinta Vigia ou nos hotéis de Bruxelas?

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Espelho ele tem... só que a sua pergunta diária talvez seja esta: espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais poderoso do que eu?
O problema é que definhamos enquanto povinho. Há um provérbio, julgo que chileno, que diz: "povo pequeno, problema grande!"
Um abraço.

jorge figueira disse...

Reza a história que um antigo governador da Índia, sabendo quão perigoso era divulgar os seus pensamentos, contrários à aventura marroquina, em audiência com el-rei D. Sebastião,disse-lhe aquilo que pensava. Comentou mais tarde: "os loucos furiosos não costumam ser manietados? Por que razão terão deixado este andar à solta?" Resultados? Conhecem-nos os meus amigos tão bem como eu.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Nem mais.