quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A GRAVATA


Matteo Renzi, Primeiro-Ministro de Itália ofereceu uma gravata a Alexis Tsipras, recentemente eleito Primeiro-Ministro da Grécia. Tsipras, risonho, recebeu e prometeu usá-la quando for encontrada uma solução para a dívida do seu país. Pessoalmente, considero uma atitude de mau gosto. Se pretendeu, no plano político, ter algum humor, acabou por ser ridículo e desadequado. É chamar-lhe qualquer coisa pejorativa de uma forma alegadamente "elegante". 


As pessoas não valem pela gravata ou pelo lenço que usam. Não valem pela roupa e sapatos de marca que ostentam, ou pelo penteado de um reconhecido cabeleireiro. Pode-se ter uma grande dignidade, mesmo em momentos oficiais, sem salamaleques e respeito por convenções que são apenas isso, convenções. As pessoas valem pelos princípios e pelos valores que defendem, pelos seus comportamentos e verticalidade na vida. Quantos engravatados nos têm andado a tramar? Passemos os olhos pela Europa, por governantes sem escrúpulos e vergonhosos banqueiros! Todos no topo da moda. A lista é infindável. O Primeiro-Ministro italiano que olhe para dentro de casa e analise o "ultra bem vestido" Silvio Berlusconi. De que vale a montra se a loja e o armazém são um desastre?
Uma boa atitude não se mede pela gravata. Convencionou-se que a gravata é um adereço normal e "obrigatório" no vestuário de um homem. Mas isso não traduz a valia e a grandeza de um homem. Olhemos, por exemplo, para José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica, o Presidente do Uruguai que deixa o cargo no dia 01 de Março. Mujica disse à CNN: "o presidente é um funcionário que foi eleito pelas pessoas para um momento e uma etapa" e "ninguém é melhor que ninguém". Em relação aos políticos que gastam muito dinheiro, defendeu que "têm de ser corridos" porque "são um perigo". A política, referiu, "é a luta pela felicidade de todos". Princípios, digo eu, que a gravata e a aparência não resolvem.
Ilustração: Google Imagens.

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