quinta-feira, 30 de junho de 2016

O DINHEIRINHO DA ISABELINHA



"É uma das maiores empresárias em Portugal. Está a ganhar força política em Angola. Lidera grandes empresas de sectores estratégicos nos dois países. Mas permanecem grandes dúvidas sobre a origem do financiamento e incógnitas sobre o seu poder futuro. Isabel dos Santos, em dois minutos e 59 segundos" - Expresso.

WOLFGANG SCHÄUBLE DOMINA AS FINANÇAS ALEMÃES E AS DOS OUTROS... POR QUE SERÁ?


Portugal precisa de um novo programa de resgate, diz o Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. É por estas e muitas outras que milhões de europeus estão fartos e cheios DESTA Europa. Depois não querem mais referendos! 


Schäuble sabe-a toda. Ele sabe como ganhar com a desgraça, leia-se pobreza, dos outros. Ele transporta no seu nome Wolf(gang) - bando, quadrilha ou corja; grupo organizado que se reúne para prejudicar algo ou alguém - aquilo que algumas figuras europeias de braço dado com o FMI, há muito fazem aos mais vulneráveis. É o caso desse chefe de missão do FMI, Subir Lall que teve o desplante de colocar em causa as 35 horas de trabalho, o que significa ir contra a Assembleia da República e o governo português. "Subir" até pode, mas não à nossa custa.
Enfim, todos com o trabalhinho de casa feito e copiado uns dos outros.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O PAPA FRANCISCO E A CONFUSÃO NA CABEÇA DE JOÃO CÉSAR DAS NEVES


Com que então... há "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", nos debates económicos, ideológicos e políticos? Este economista João César das Neves é espantoso. Posiciona-se como se o Papa não fosse um Homem político como o foi Jesus Cristo. Todos nós, quando nos posicionamos, somos políticos. Como se tudo à nossa volta não tivesse natureza política. Como se tudo o que o Papa Francisco assume já não tivesse sido dito por tantos na nossa História, sobretudo por aqueles que não se encontram, aqui sim, ideologicamente, colados ao Dr. João César das Neves. Se as abordagens do Papa têm como único objectivo "anunciar uma forma diferente de fazer economia", com base na doutrina social da Igreja, que mal existe que outros assumam, claramente, que até o Papa isso defende? Compromete-o no plano ideológico? Deixa-o com algum ciúme, Dr. César?


Obviamente que as instituições, públicas ou privadas, são livres de o convidarem para conferências, seja a que pretexto for. A muitos custa, obviamente, ter de ouvir ou ler autênticos disparates. Um economista que declarou, já tem algum tempo, que "é criminoso subir o salário mínimo", que "é óbvio que os cortes têm de regressar" (...) é já óbvio que a austeridade terá de ser retomada (Maio/2016), ou, então, que "a maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem" e, neste pressuposto, aumentar o salário mínimo “é estragar a vida aos pobres", pergunto, se alguém com este currículo discursivo tem credibilidade, quando há Prémios Nobel a dizerem exactamente o contrário? 
Eu não vou tecer mais considerações sobre as Neves perenes deste César "imperador do conhecimento", apenas vou deixar uma carta publicada em Novembro de 2013 por Carlos Paz, também economista: 
Carta Aberta a um MENTECAPTO: 
Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.
Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUIR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).
És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.
De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS! (...)"
Regresso ao princípio, a João César das Neves e ao Papa Francisco, porque César disse que existe "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", quando no seu ponto de vista "o Papa não está a falar de economia, ele não pretende falar de economia, aliás diz que é alérgico à economia, o objectivo dele é anunciar Jesus Cristo, é a anunciar uma maneira diferente de fazer economia". Que paradoxo de um "académico"! Então, "anunciar uma maneira diferente de fazer economia" não corresponde a posicionar-se sobre a economia, sobre essa economia que nos trouxe "à miséria humana" (palavras suas e contextualizadas) e aos porquês das vagas de "imigrantes, refugiados, pobreza e escravatura" (palavras suas e contextualizadas)?.
Irrita-me este senhor que critica quem fale ou se aproveite das posições do Papa Francisco, quando é o próprio Papa a dizer que "esta economia mata". Não há paciência para este Professor de Economia! Parafraseando a máxima do Professor Abel Salazar, Patrono do Instituto de Ciências Biomédicas, embora em um contexto médico: "Economista que só sabe de Economia nem de Economia sabe."
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

"O NOSSO PLANO A É O PLANO A, É SÓ O PLANO A E NÃO HAVERÁ PLANO B" - ANTÓNIO COSTA.


"A direita errou no défice, a direita errou no investimento, a direita errou nas exportações, a direita errou no desequilíbrio da balança comercial, a direita errou e agora é altura de nós perguntarmos qual é o plano B da direita, depois de ter falhado tão redondamente ao longo de todo o primeiro ano da sessão legislativa". "A verdade é que a direita não tem plano B, a direita só tinha como ânimo o azedume, como objetivo a vingança e como sonho o falhanço do país"

Acompanhei a intervenção de hoje do Secretário Geral do PS, Dr. António Costa, no decorrer das Jornadas Parlamentares do PS-Açores. Pela importância das declarações aqui fica o essencial das suas declarações. 
O défice das administrações públicas, em contas nacionais, foi de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, divulgou, na última sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE). No primeiro trimestre do ano anterior, o défice tinha sido de 5,5% do PIB (-2.344,6 milhões de euros). Face aos números, António Costa disse, então, que é o momento de começar a fazer "o balanço de quem cumpriu o plano A e de quem fracassou na ambição de ter um plano B" (...) "O que nos veio dizer o INE é que tivemos o melhor défice desde 2008". E foi mais longe ao afirmar que se forem descontadas as medidas extraordinárias que existiram em 2008, o país registou "o melhor défice do primeiro trimestre desde 2002", ao contrário "de todas as profecias que a direita ia fazendo, ao contrário de todos os planos B" que pedia ao Governo (...) "O nosso plano A é o plano A, é só o plano A e não haverá plano B". E sendo assim, sublinhou: "A direita errou no défice, a direita errou no investimento, a direita errou nas exportações, a direita errou no desequilíbrio da balança comercial, a direita errou e agora é altura de nós perguntarmos qual é o plano B da direita, depois de ter falhado tão redondamente ao longo de todo o primeiro ano da sessão legislativa". "A verdade é que a direita não tem plano B, a direita só tinha como ânimo o azedume, como objetivo a vingança e como sonho o falhanço do país", sustentando que "ninguém constrói esperança, ninguém tem futuro nesta base" (...) "E é por isso que, tendo apostado sistematicamente e só no nosso falhanço, os grandes falhados são a direita, porque a direita é que não acertou numa única das suas previsões e agora não tem nem medidas adicionais nem plano B para apresentar ao país, está esgotada, amarrada e ficou no passado que os portugueses derrotaram".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 26 de junho de 2016

IGNORAR "RUÍDOS" CORRESPONDE AO ACENTUAR DOS PROBLEMAS


Imagino o sufoco que paira no serviço de saúde da Região, partindo do provérbio "casa onde não há pão, todos brigam (ou ralham) e ninguém tem razão". Imagino como não se sentirão os responsáveis por um sistema com milhares de trabalhadores, mas também com milhares em "listas de espera. Imagino a angústia de querer um fármaco ou de qualquer outra necessidade e não dispor em tempo real. Imagino os que têm responsabilidades, face a uma montanha de facturas alinhadas para um pagamento, mas olhando para um cofre vazio. É desesperante, obviamente. Compreendo. É o que se passa em outros sectores, embora com outros tipos de silêncio e de complexidade.


O que para mim é má política, face a este contexto de sensível degradação do sistema de saúde, é o sistema, ao contrário de se abrir, embora com filtros honestos, que se fale da existência de uma "imagem erroneamente distribuída (...) com interesses estranhos à organização" e que, sendo assim, "o ruído estranho a esta organização será permanentemente ignorado". Ora bem, a imagem pública que existe, até estatisticamente fundamentada, é que o sistema, consequência de uma acumulação de erros durante anos, de posições de quero, posso e mando, de sistemáticos avanços e recuos, gerou essa imagem de insatisfação generalizada. Interna e externa. E sendo assim, na existência de factos e de constantes turbulências, "os ruídos" não podem ser "permanentemente ignorados". Pelo contrário, sublinham.até, os "gurus" da gestão, sejam quais forem os desconfortos, até pela história de todo o processo, os ruídos, leia-se outras posições, devem ser inteligentemente geridos. O isolamento, a lógica das decisões unilaterais, seguida durante quarenta anos, só agravarão um certo estado de caos instalado. Apenas o diálogo e a concertação são susceptíveis de proporcionar a ultrapassagem dos complexos dilemas gestionários e administrativos. O exercício da democracia é difícil, mas é o melhor dos caminhos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 25 de junho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - DESCOBRIRAM O "ALUNÃO". MAIS TRÊS SEMANAS DE AULAS... OU CRIANÇAS EM VIAS DE EXTINÇÃO


Li: "Alunos do 1.º ciclo vão ter mais três semanas de aulas no próximo ano". Lembrei-me de uma "carta do leitor", publicada no DN-Madeira, em 2009 (lamento não ter registado o nome do autor): "(...) Depois do papelão, do vidrão, do embalão e do "velhão", apresento-vos o ALUNÃO. O alunão é um depósito de alunos em que, por impossibilidade profissional ou apenas por falta de vontade, os encarregados de educação transformam as escolas de hoje (...)". Enfim, confirma-se que os governantes descobriram o ALUNÃO e assumem, decididamente, que ser criança está em "vias de extinção", como enalteceu o Psicólogo Eduardo Sá. 


Aumentar o número de dias de escola significa não entender que mais escola não significa melhor escola. Significa não perceber que escolarizar é uma coisa e educar é outra bem diferente. Significa, ainda, não querer assumir uma frase tão simples e tão profunda, a de Merleau-Ponty, um filósofo fenomenologista francês (1908/1961) que bem situou esta questão: "O meu corpo é o centro do Mundo, tomo consciência deste através dele". Como formar essa consciência é a pergunta que deveria ser colocada. Ora, ser criança, é muito mais do que, muitas vezes a martelo, "cumprir um programa", esquecendo-se que "(...) na criança, o jogo (em um sentido lato) é, antes de tudo, prazer. É também uma actividade séria em que o fingir, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil, a exaltação, têm uma importância considerável" - Jean Chateau. Coisas que os políticos não entendem, porque se esqueceram, muito rapidamente, que foram crianças. 
Todos dominamos as razões de mais três semanas de escola (por andas organização social e laboral?), mas teimam em não querer mudar a sociedade, pelo que a criança que se deixe de tretas... torne-se adulto antes do tempo!
Sentado, fico à espera da decisão do secretário da Educação da Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


Tomámos a iniciativa de dirigir uma Carta Aberta ao Senhor Presidente da República, que nos honrará com a sua visita nos dias 1 e 2 de Julho. Pretendemos informá-lo da situação de descontentamento de largos sectores da sociedade madeirense quanto à intervenção desastrosa nas ribeiras da cidade apelando para que, nos termos dos seus poderes constitucionais, possa contribuir para preservar os valores culturais e patrimoniais ameaçados. Apelamos à PARTILHA e divulgação desta Carta que foi ontem remetida, para a Presidência da República, por via informática e pelo serviço CTT expresso. Esperamos, e estamos certos, que o Senhor Presidente a terá em devida atenção.

"Senhor Presidente da República Portuguesa
Excelência

Julgando interpretar os sentimentos democráticos e as tensões que vêm sendo manifestados por largos sectores da sociedade madeirense contra obras em curso nas ribeiras do Funchal, vimos por esta carta-aberta apelar ao Senhor Presidente da República para que na visita que fará nos próximos dias 1 e 2 de Julho a esta Região Autónoma, o que muito nos honra, seja porta-voz das nossas preocupações diligenciando, nos termos dos seus poderes constitucionais, no sentido de que as autoridades regionais revejam vários aspectos daquele projecto, que está a destruir valores patrimoniais e culturais que precisam de ser salvaguardados, porque constituem elementos vivificadores da nossa identidade, regional e nacional.
A 20 de Fevereiro de 2010 a cidade do Funchal foi, como já acontecera várias vezes ao longo da História, fustigada por uma aluvião que causou 43 mortos e 8 desaparecidos, bem como danos emocionais - ainda sentidos, e materiais - ainda não totalmente resolvidos. Um grande movimento de solidariedade nacional, que mereceu também o apoio de V. Exa, ajudou a limpar as lágrimas e a unir esforços e vontades para a reconstrução.
Agora, passados seis anos, iniciou-se, nos troços urbanos das ribeiras do Funchal, por enquanto só nas de Santa Luzia e de São João, uma vasta operação com apoio da Lei de Meios e financiamento da União Europeia num valor estimado de 25 milhões de euros, com base um projecto de 2011 que ninguém conhecia, nem para o qual a sociedade civil foi consultada.
A pouco e pouco, e porque as máquinas não mentem, a cidade começa a interrogar-se ao assistir à destruição irreversível das seculares muralhas de pedra vulcânica mandadas construir pelo Brigadeiro Engenheiro Reinaldo Oudinot para a defesa da cidade na sequência da trágica aluvião de 1803, e a conhecer a sentença que manda demolir seis pontes em arco de pedra natural da região, construídas no último quartel do século XIX. Uma, ainda mais antiga, a do Cidrão, já tinha sido desnecessariamente ‘sacrificada’ em Novembro de 2014. 
Esta é uma obra que ignora o Lugar, a História e o Legado de um povo. Tudo isto, que é para nós um desastre patrimonial, é apresentado em nome da segurança, argumento que contestamos vivamente com base na experiência, em trabalhos e em estudos técnicos e científicos muito rigorosos. De resto, a imprescindível segurança da cidade não obriga a este modelo de intervenção que não constitui a chave para a segurança do Funchal. A segurança está, quanto a nós e como referia sabiamente Reinaldo Oudinot, “lá em cima” onde a aluvião (fluxo extremamente rápido de massas de materiais hiperconcentrados e saturados em água) “se alimenta e engorda”, nas cabeceiras, na erosão hídrica, na falta de ordenamento florestal, nos poios degradados, nos aterros, na falta de cuidado com que se continua a olhar para as nossas serras. Pouco foi feito, não há uma estratégia e é preciso inverter os modelos.
Tudo pode ser recuperado: as muralhas não precisam de ser embrulhadas numa cortina de betão armado e as pontes podem continuar com os seus arcos de cantaria e alvenaria ainda por muitos anos, com alguns trabalhos de reabilitação e restauro. Se o tempo e o protocolo o permitirem, uma visita, mesmo rápida, especialmente à ribeira de Santa Luzia permitirá, estamos certos, constatar o objecto das preocupações dos madeirenses.
A cidade do Funchal, reconhecida como a primeira cidade feita pelos europeus fora da Europa, fundou-se e cresceu tendo como matriz as linhas de água, hoje ribeiras canalizadas, que impuseram uma malha e uma paisagem urbanas muito próprias. Aquelas muralhas e aquelas pedras são as nossas fortalezas e as pontes, os nossos símbolos. Elas cuidaram da cidade durante 212 anos e não é legítimo acusá-las de responsáveis pela falta de segurança, quando várias gerações olharam para elas como guardiães, enquanto outros, no tempo, as desprezaram. Não podemos apagar estas memórias, temos a responsabilidade histórica de evitar que isso aconteça. 
O Funchal é uma cidade atlântica única. E é também uma expressão dos portugueses no mundo. O nosso património é de todos.
Senhor Presidente,
Esta cidade precisa de Vossa Excelência que sempre foi um cidadão atento à defesa do património e da cultura, um amigo do povo insular da Região Autónoma da Madeira, um homem de afectos, que é o que a nossa cidade mais precisa nesta altura quando, julgamos nós, uma parte da nossa identidade está ameaçada. 
Renovamos o nosso apelo para que a cidade possa ainda ser ouvida e o bom senso prevaleça.
Cordiais saudações democráticas e o desejo de uma boa estadia.
Atentamente,
Funchal, 22 de Junho de 2016

Danilo Matos – CC 01161954 6 ZZ6
- Engenheiro civil, antigo director do Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal do Funchal

João Baptista - CC 08432184 9 ZZ0
- Engenheiro geólogo, doutor em geociências, investigador integrado do GEOBIOTEC, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Universidade de Aveiro

Paulo Freitas – BI 11339596
- Arquitecto designer, doutorando em Design – Espaço Público-Baixa da cidade do Funchal, Investigador Centro de Estudos Locais e Regionais, Universidade da Madeira

Raimundo Quintal - CC 04571058 9 ZY4
- Geógrafo, investigador Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa"

BREXIT - BREVE REFLEXÃO AO CORRER DO PENSAMENTO


Tanto esticaram o elástico que ele se rompeu. Era inevitável. Ou de outra maneira, foram os senhores construtores desta Europa que criaram a arma da sua própria destruição. Não foi o povo que a construiu, foi gente sem escrúpulos e ideologicamente bem definida que a fizeram implodir. Lamento, porque os avisos foram muitos e nunca escutados. Não foi esta Europa a sonhada por Jean Monnet e Robert Schuman, uma Europa que se tornou centralizadora e totalitária nas decisões. 


Sendo eu um europeísta convicto, espero, rapidamente, por uma total revisão do Tratado de Lisboa e de outros perversos "acordos", de tal forma que os interesses europeus comuns se sobreponham à excessiva e muito complexa máquina dos interesses de alguns directórios que andam a triturar povos. "Nós queremos de volta o nosso país" - disseram. Eu também desejo, embora fazendo parte daquilo que é essencial defender: liberdade, democracia, circulação de pessoas e bens, paz, SEGURANÇA, controlo de fronteiras, defesa, respeito pelas regras essenciais da União e não ingerência nas decisões internas dos povos. Espezinhamento, não. Subordinações insensatas, não. O dinheiro a comprar consciências políticas, também não. 
Enquanto cidadão preocupa-me (e de que maneira!) os portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido. Que o bom senso prevaleça, que esta Europa renasça das cinzas e que Portugal, seja capaz de os proteger através de novas e consistentes políticas económicas. Como ainda hoje escreveu Nicolau Santos (Expresso), "(...) Há hospitais ingleses onde a maioria dos enfermeiros são portugueses. Vivem nas ilhas cerca de 1500 investigadores, cientistas e estudantes portugueses. E há diversos investimentos nacionais naquele país. (...)". Preocupante.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"EXISTE MUITO MAIS VIDA PARA ALÉM DA ESCOLA"


Será uma questão, da minha parte, de "água mole em pedra dura que tanto bate fura"? Talvez! Assisto a um silêncio deveras preocupante. O silêncio das instituições, dos governantes e até de milhares de professores que preferem a manutenção do erro à experiência criativa e inovadora. Será que ninguém se interroga sobre a desadequação do sistema educativo em função da realidade do nosso tempo? Coloca-se uma foto no facebook e logo aparecem centenas de pessoas manifestando o seu agrado/desagrado; tantos colocam um assunto que a todos diz respeito e aparece uma meia-dúzia de amigos, sempre os mesmos, a comentar e a posicionar-se, de forma concordante ou discordante, obviamente. No tema que me apaixona, parece que o sistema educativo está bem e que se recomenda, quando, manifestamente, está de rastos, exausto e, assim, sem futuro. Há dias publiquei uma pequena parte de um vídeo. Hoje, deixo aqui um mais completo, na esperança que espolete interesse no debate. Pelo menos na reflexão, porque tudo o que hoje fazemos na escola terá, inevitavelmente, reflexos no futuro. Apenas um pormenor: partamos do princípio que existem outros paradigmas e que este, o português, aquele que há anos vivemos, faliu... completamente.

 

PREOCUPANTE REFLEXÃO EM DIA DE BREXIT. A EUROPA EM 2050. PARA OUVIR, MEDITAR E CRUZAR COM OUTROS DADOS.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

BREXIT SIM OU BREXIT NÃO?


É um assunto que, obviamente, diz respeito ao povo da Grã-Bretanha. Porém, são aos "molhos" e de vários quadrantes, o "forcing" final, em um ai Jesus, votem pela permanência, façam a corrente do beijo e tenham em consideração que a desgraça vem a caminho se a maioria disser não a esta Europa. E o problema, parece-me, que está, exactamente, aqui, nesta Europa dos directórios politicamente selvagens. E sobre isto a discussão é pouca ou nula. Não quero, até porque não domino, profundamente, as variáveis que conduzem a milhões de britânicos a se sentirem desconfortáveis, repito, com esta Europa, mas lá terão as suas razões. Talvez seja de trazer à colação as palavras de Abraham Lincoln: "Pode-se enganar todos por algum tempo. Pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo". E o sentimento que existe é que estamos a ser enganados e esmagados, ao mesmo tempo que perdemos, subtilmente, a independência e a capacidade de sermos nós a construir o nosso futuro, tais são as manobras inscritas nos "tratados" e acordos a troco de dinheiro! Hoje, nada se faz sem o consentimento de uns senhores comissários de outros senhores, por exemplo, os escondidos nessa mafiosa engrenagem que é o Bilderberg Group.


São incapazes de discutir as causas desta Europa de nobres e de escravos. Até a França de Holland arrumou na gaveta a divisa da República, Liberté, Égalité, Fraternité", para render-se a Merkel e quejandos e impor as tais reformas laborais, sempre no sentido da perda de direitos sociais conquistados com luta e sangue. Entre outros, Holland é mais um dente dessa poderosa roda trituradora. Enganou-nos a todos! 
Estão apavorados com as consequências de uma eventual saída da Grã-Bretanha, porém, não discutem o essencial: o  regresso ao princípio de uma Europa das pessoas, uma Europa que respeite a identidade de cada país, uma Europa social de liberdade, de fraternidade e de igualdade. É esta Europa que me faz europeísta convicto da paz, da segurança e do progresso, não a outra onde andamos, os mais vulneráveis, todos de mão estendida ou à volta da mesa de onde caem algumas migalhas. 
Se o Povo britânico decidir pela manutenção, o que é provável, pelo menos que aprendam a lição da turbulência. Dificilmente aprenderão, mas espero! Até porque, a continuar assim, tarde ou cedo,outros referendos surgirão.
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

1912 - FUNDAÇÃO DO COMITÉ OLÍMPICO PORTUGUÊS



Um novo livro do meu grande Amigo Professor Doutor Gustavo Pires, Professor Catedrático da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Tive a oportunidade de o ler antes da sua publicação e, agora, estou a "saboreá-lo" enquanto documento histórico. Trata-se de uma matéria sobre a qual não existe paralelo em Portugal no que concerne à profunda investigação sobre o Olimpismo. O livro, prefaciado pelo Professor Doutor Manuel Sérgio, outro Amigo de quem tenho uma profunda saudade de com ele estar e aprender, classifica a presente obra de um "inequívoco rigor científico" que atravessa desde os primórdios do Século XX até aos nossos dias. São 142 páginas de uma relevante importância para quem está, directa ou indirectamente, ligado ao desporto. Mesmo para os que não estão. Parabéns Amigo Gustavo.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA ASSUME QUE ABANDONOU A PECUÁRIA


O secretário regional da Agricultura e Pescas assumiu que o sector da pecuária, na Região Autónoma da Madeira, "(...) sofreu, nos últimos anos, alguns reveses", tendo sido mesmo "abandonada" pelos governos anteriores.


Enquanto cidadão, quero lá saber das eventuais desinteligências pessoais entre membros da família laranja. Que este guerreie aquele, aqueloutro tenha cortado relações com o "amigo" ou que o senhor x, à mesa do café, corte na casaca de outros que saíram da carruagem. Politicamente, tudo isso passa por mim como a água nas penas de um pato! O que já não suporto é que, durante anos a fio, o governo, desde sempre da mesma família política, tivesse feito a propaganda no sentido deste ser o melhor dos mundos e, afinal, passados 40 anos, falem de "abandono". Isto significa que fomos todos enganados e que, se assim aconteceu na pecuária, facilmente se adivinha da existência de muitos outros "abandonos".
Ilustração: Google Imagens.

COMO A DIREITA POLÍTICA MASCAROU AS TAXAS DE DESEMPREGO

Por José Reis, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

domingo, 19 de junho de 2016

NA MADEIRA A EDUCAÇÃO É MASCARADA COM UM FOLCLORE QUE SERVE OS ADULTOS, NÃO AS CRIANÇAS.


Anteontem deixei aqui um vídeo, entre muitos que tenho seguido e que estão disponíveis para quem se interessa pela Educação, neste caso sobre o sistema educativo na Finlândia. Este vídeo é daquele país que tem servido de referência, mas há muitas outras experiências em sistemas de sucesso, mesmo em países com sérios problemas económicos. O embaraçoso disto é que, por aqui, não querem ver e perceber que o mundo mudou e há muito! A ideia que fica da governação é que é mais fácil repetir, mecanicamente, o passado, é mais sereno correr atrás dos problemas, mascará-los e desenvolver os mecanismos que favorecem o folclore que serve, politicamente, os adultos, não as crianças. É a semana disto e daquilo, é a avenida embandeirada de uma ponta a outra, é a música e o desporto, é a arte, as bandeiras verdes e a propaganda, tudo de mãos dadas servindo esse insustentável folclore. No meio disto, questiona-se, então, por que marcamos passo? Quais as razões que conduzem a um permanente amargo quando se olha para a estatística do insucesso, do abandono e do crónico desfazamento entre as necessidades de formação e a empregabilidade?

Hoje li o artigo do senhor director regional da Educação. Confesso que fiquei perplexo. Uma vez mais. Não porque o que lá está escrito possa ser considerado um erro de pensamento. Aliás, quem sou eu para julgar esse domínio. Porém, leiamos: "(...) Centrando a nossa atenção no aluno, convém deste logo referir que o sucesso escolar produz uma auto-imagem positiva deste e promove o desejo de envolvimentos posteriores em atividades académicas mostrando que, de facto, sucesso gera sucesso. Do mesmo modo, pode-se afirmar que, quanto mais orientado for o estudo, por um lado e quanto mais sólidos forem os conhecimentos adquiridos, por outro, melhor estruturado ficará o conhecimento e menos espaço será concedido à possibilidade de fracasso do aluno. O perfil e a postura do aluno face ao estudo e ao saber são a base a partir da qual se pode sedimentar toda a aprendizagem e o posterior sucesso. Desta forma é fundamental um trabalho conjunto do professor, da família e de outros agentes do meio envolvente, no sentido de proporcionar o ambiente necessário para fazer “nascer” um aluno que compreende, aprofunda e que é capaz de mobilizar e transferir conhecimentos de várias matérias para a sua “performance”. A aplicação de capacidades e conhecimentos em novas situações serão atributos de um aluno com vontade de aprender, persistente, capaz de todos os esforços. É preciso muito treino, mas sem descurar aspetos como a análise, a sistematização e a interdisciplinaridade. A perseverança e o espírito de iniciativa precisam igualmente de estar presentes em todos os momentos (...)".
Grosso modo, em abstracto, qualquer pessoa assinaria por baixo. Só que o problema não é este. É muito mais profundo, é de organização de um sistema que, partindo das palavras do articulista, centre a "atenção no aluno", promova o "conhecimento", o "sucesso", os "envolvimentos posteriores", a partir do interesse do "professor, da família e de outros agentes do meio", a "vontade de aprender, persistente, capaz de todos os esforços". Como é que isto se consegue, quando se sabe que uma estrutura organizacional de pensamento do passado, do século XIX, só pode garantir os mesmos resultados atingidos nesse passado. Não basta, senhor director regional, quase por decreto, definir a "perseverança e espírito de iniciativa" para que se obtenham resultados. Isso deve surgir como consequência natural de uma estrutura de pensamento, quer a montante, na sociedade, em geral, quer a jusante, na escola, que espolete o sentido do seu texto. Se assim não acontecer, amanhã, outro escreverá mais ou menos a mesma coisa que hoje publicou. E mais do que ninguém, é quem tem os cordelinhos do sistema educativo que tem o dever de, paulatinamente, mudar o rumo do pensamento e a estrutura na esteira de Aristóteles: "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces" (384 a.C. - 322 a.C.). Ataque(m) o que hoje é amargo.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA. NADA DE NOVO, MAS CONVIDO-VOS A ASSISTIR A ESTE VÍDEO.


Há muitos exemplos. Este é apenas um e em constante mudança. Já que o presidente do governo da Madeira se deslocará à Finlândia, seria óptimo que por lá ficasse duas semanas e visitasse, escutasse e retirasse as conclusões essenciais sobre a Escola que deveríamos ter e aquela que temos. Milhares de crianças nesta terra estão impedidas de viverem e aprenderem com a infância. Dão-lhes "escola" 40 a 50 horas por semana e nem por isso os resultados satisfazem. Porém os trabalhadores da função pública estão sujeitos a 35 horas. A sociedade do futuro vai continuar a pagar bem cara esta leviandade na política educativa, enquanto pensarem que mais escola significa melhor escola. NOTA: Vídeo que me chegou através do meu Amigo Roberto Perestrelo que vive em Tallin/Estónia.

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

EM DEMOCRACIA O RESULTADO NUNCA É ZERO


Do anterior regime político, os ainda vivos, devem ter dado uma gargalhada, ao lerem a infeliz declaração do Dr. Eduardo Jesus, secretário regional da Economia da Madeira. No decorrer do debate sobre a Moção de Censura ao governo regional, proposta pela CDU, a páginas tantas disse: “(...) Vossa Excelência [Ricardo Lume] sabe quanto custa estarmos aqui hoje todos reunidos? Vinte e cinco mil euros! Sabe qual é a consequência disto? Zero!”


Pois, Senhor Dr. Eduardo Jesus, a Democracia é assim, rege-se por princípios constitucionais e estatutários e o seu grande valor é, exactamente, o debate das posições dos diversos pensamentos. Em Democracia o resultado nunca é zero. Há sempre uma consequência, mesmo quando, no somatório dos votos vençam os que têm maioria parlamentar legítima (mesmo que presa por um fio). Simplesmente porque, do debate resultam sempre chamadas de atenção que, por sua vez, fazem o governo corrigir as suas tomadas de posição políticas. Em um regime ditatorial, aí sim, Senhor Secretário, o debate não existe e, por isso, vale zero. 
Eu que vivi a ditadura, que cumpri uma comissão militar em Guileje/Guiné Bissau (o Dr. Eduardo Jesus não sabe o que isso foi), não estou preocupado com os vinte e cinco mil Euros (estou preocupado é como esbanjamento em muitos sectores e áreas, bem com a crónica protecção de alguns grupos económicos), pelo que preferia que o político governante aproveitasse o tempo que levou para chegar a uma tal perversa conclusão, para governar e apresentar soluções para os dramas da Região, cuja maioria do seu povo arrasta consigo uma permanente angústia.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 14 de junho de 2016

VÂNIAS HÁ MUITAS... DE JESUS, POUCAS!



Disse a deputada do PSD-M que "o país está pior e que começa a ser preocupante ver o governo a ceder diariamente aos partidos de esquerda" (transcrição do texto do DN-M). Ora, o que isto quer dizer é que a Senhora Deputada é contra a devolução dos salários roubados, é contra o aumento do salário mínimo, é contra a melhoria dos abonos, de família e complementos, que abrangerão cerca de 35.000 na Região, é contra as alterações em sede de IRS, é contra a baixa do IVA na restauração, é contra as penhoras da habitação, é contra uma posição firme relativamente às imposições de Bruxelas, por extensão, é favor da pobreza, do desemprego e da dupla e continuada austeridade. Está, portanto, pior, em quê? A posição da Deputada equivale assumir, por exemplo, que agora, na Madeira, estamos piores que no tempo de Alberto João Jardim. Atrever-se-á a dizer isso? 


Ser deputado não é ser ventríloquo de pensamentos e palavras de outros. Porque dá jeito, mesmo que isso viole a consciência. Exige-se seriedade nas análises e compromissos. Quando não se concorda, assume-se, com frontalidade. Quando a pressão é alta, então, o melhor é sair, deixar o lugar por respeito a si próprio. Dizer por dizer, porque dá jeito, do meu ponto de vista, não credibiliza nem o exercício da política nem os seus actores. É por isso que seja caso para dizer que "Vânias há muitas... de Jesus, poucas". Porque Jesus, aquele que pregou o bem, a solidariedade, a humildade, a justiça e o amor, não se coaduna com o significado do nome Vânia ("abençoada por Deus" ou "a que traz boas notícias"). Existe aqui uma discrepância significativa, pelo que, repito, parafraseando Vasco Santana, Vânias há muitas"!
Imagine-se, Senhora Deputada, ter como rendimento o salário mínimo nacional, ou, então, o dobro desse salário. Como viveria ou sobreviveria? Mas é assim que a esmagadora maioria das pessoas, os que trabalham, claro, têm de contrapor as dificuldades da habitação, da saúde, da educação, ah... as dificuldades da alimentação, do vestir, do calçar, dos transportes, das comunicações e de tudo o resto. Estamos piores? Claramente, não estamos, mas verdade se diga, muito longe, ainda, dos patamares mínimos que a dignidade humana exige. Não esqueço que, teimosamente, o grupo parlamentar a que pertence, chumba todos os apoios complementares, por exemplo, aos pensionistas e idosos da Região. Ao contrário do que acontece nos Açores, cujo Orçamento Regional destina uma parcela a quem, de facto, está pior. Afinal, de que lado está, do lado da dignidade do ser humano, ou do lado do espezinhamento dos pobres?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - O PROBLEMA É PRECISAMENTE ESSE... NÃO "LEVANTAR ONDAS"


O secretário regional da Educação da Madeira foi considerado, pelo DN-M, "protagonista" da semana finda, segundo o jornalista, no pressuposto que "vai mudando a educação sem levantar ondas". Ora, o problema é precisamente esse, é o silêncio que se torna ensurdecedor e preocupante. Aliás, são muitos os silêncios, os encolher de ombros, os deixa andar, as anestesias de muitos anos que travaram naturais e salutares sobressaltos, os medos espalhados e as angústias sentidas e engolidas, as ideias pré-concebidas, as decisões verticais desarticuladas das horizontais, enfim, uma amálgama de factores que convergem para uma situação anti-democrática de "mudança sem ondas". É o que se designa por "comer e calar", mesmo que a incompetência seja evidente, o avesso desejável para qualquer sector de actividade que pretenda mudar e se desenvolver. O sector da Educação é um deles, até por não existirem verdades absolutas. Agora, do que sei, é da existência de muita investigação, de muitos autores, de muita literatura, de muitos que pensam de forma diferente e, sobretudo, de muitas experiências por esse mundo fora que determinam a necessidade de, por aqui, arrepiar caminho.

Interroguem-se sobre motivo(s)
 de 
muitas crianças considerarem que a "Escola é uma seca"?

Porque esta coisa de fechar escolas ou juntar umas com outras, esse paleio de escudar-se na natalidade (neste momento a taxa está a melhorar) para fundamentar decisões, é o mais fácil, porém, se mergulharmos na realidade, apercebemo-nos que as razões mais substantivas são de natureza economicista e nada têm a ver com a arquitectura de um sistema portador de futuro. Questiono, a título de exemplo: justificam o encerramento de estabelecimentos de ensino pela diminuição do número de alunos, mas existirá, simultaneamente, alguma preocupação em alterar o quadro de estabelecimentos com mais de mil alunos? Ou, então, já agora, se a obrigação de um governo democrático é o de cumprir a Constituição da República, como justificar o encerramento de estabelecimentos de ensino quando se oferece ao privado mais de 25 milhões de euros anuais, descapitalizando a escola pública e reduzindo o número de alunos? Existem muitas outras questões!
Ora, as "mudanças sem ondas" conduziram a que a escola pela qual passaram os meus pais, foi a escola pela qual passei, foi a escola das minhas filhas e é a escola dos meus netos. As "mudanças sem ondas" deram nisto, em novos edifícios mas com lógicas de funcionamento a permanecerem "ad aeternum". Não sou eu que afirmo, são tantos os investigadores que assumem que esta "escola" atravessou o Século XIX, manteve as suas traves-mestras durante o Século XX e permanece, de forma redutora, no Século XXI. Toca-entra-toca-sai, professores que debitam e alunos que escutam programas a cumprir, como se a vida fosse disciplinas em separado. A "mudança sem ondas" apenas impede a ideia que a vida, em todas as suas variáveis e contextos, seja um fenómeno complexo, o que obrigaria, naturalmente, a uma nova concepção do funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino. 
A escola está pintada de fresco, é verdade, dispõe de mais este ou aquele projecto, está mais universal, mais integradora, mas também completamente desadaptada no tempo que vivemos. É esta "mudança sem ondas" que precisamos? Onde tudo parecendo novo, acaba por ser velho e caduco, que mata o prazer pelo conhecimento? É esta "mudança sem ondas" e de "calmaria" que a Madeira precisa, quando o insucesso e o abandono são extremamente preocupantes? É com uma "mudança sem ondas" que se esbaterá, de forma integrada, os dramas sociais que se escondem a montante do sistema?
Nós, madeirenses, pela pequenez do território, poderíamos ser um exemplo nacional e europeu, mas não somos, infelizmente. E teria sido tão fácil. Agora, levará muitos anos, estou certo disso. O problema é que o governo não quer uma escola pública de qualidade, com novos formatos de organização do trabalho de aprendizagem e de intervenção na sociedade. Portanto, "Protagonista" só se for pela manifesta opção pela escola do passado e não pela escola do futuro. O problema da escola do Século XXI não é a do encerramento de estabelecimentos, mas a de abertura da mentalidade, de cultura e de uma visão sistémica inovadora, cada vez mais criativa. E por aqui fico. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 11 de junho de 2016

O ADEUS DO SOCIÓLOGO PAQUETE DE OLIVEIRA


Na sexta-feira, já o seu estado de saúde se agravara, Paquete de Oliveira dirigiu à directora do PÚBLICO (e, por via dela, ao jornal e aos seus leitores) esta carta, que reproduzimos na íntegra.


"Venho por este meio pedir a demissão formal do cargo de Provedor dos Leitores, que vinha desempenhando há quase quatro anos. Igualmente, peço a maior compreensão a todos os profissionais e colaboradores que fazem o PÚBLICO e, ao mesmo tempo, aos seus leitores, pois não era efectivamente desta maneira, quase tão informalmente, que pretendia despedir-me. Todos mereciam mais.
Porém, uma inesperada ordem de internamento por uma medida médica, face a uma doença que me tem vindo a afectar nos últimos tempos, fez com que tudo se precipitasse mais rapidamente.
Esperava acompanhar este meu adeus com as razões explicativas, as perspectivas futuras e sugestões concretas.
Não sei se o momento da morte ainda o consentirá.
Obrigado a todos e ADEUS."
Lisboa, 10 de Junho de 2016
José Manuel Paquete de Oliveira

Nota
Nutria uma grande consideração e estima pelo Sociólogo José Manuel Paquete de Oliveira. Aprendi muito com ele, nos idos anos sessenta, quando ele dirigia o antigo Jornal da Madeira. Aprendi com a sua notável escrita e aprendi com as suas delicadas chamadas de atenção relativamente ao que eu, muito jovem, ia tentando escrever. 

SALVEM A PONTE E DEIXEM O PING-PONG PARA O ANO!


O Dr. Sérgio Marques, secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, que tutela as obras públicas da Região, acaba de rebater as posições da Câmara do Funchal sobre a demolição da Ponte Nova, na sequência de uma pertinente chamada de atenção do Engº Danilo de Matos, publicada no FB, de cujo texto aqui transcrevo a seguinte passagem: "A Ponte Nova tem os dias contados. O camartelo da estupidez e da ignorância assim sentenciou, em nome não se sabe bem de quê. Está a decorrer na Ribeira de Santa Luzia uma operação de destruição cultural e patrimonial como nunca aconteceu na cidade. Voltaremos a esta questão em breve. Agora interessa, porque ainda vamos a tempo, salvar a Ponte Nova. Depois da Ponte do Cidrão, abatida em Novembro de 2014 pelos mesmos predadores culturais, a Ponte Nova, constitui uma peça única que a Cidade não pode perder. Construída no último quartel do século XIX em cantaria vermelha da Região, um arco perfeito duma esbelteza impressionante. (...)"


O secretário reagiu bem ao acto de "cidadania" do Engº Danilo de Matos, mas não gostou do que o Vereador, Engº Miguel Gouveia, assumiu em defesa da Ponte Nova. Um ping-pong político que rigorosamente nada interessa para o caso. O Dr. Sérgio Marques deveria ter presente três aspectos:
1º O "dono da obra" é o governo regional, pelo que lhe competiria, em tempo certo, reunir todos os documentos de defesa do património, o que, manifestamente, parece não ter feito. O governo, na sua estrutura orgânica, até dispõe de uma Direcção Regional dos Assuntos Culturais;
2º Em segundo lugar, olhar para dentro do seu governo para perceber quem foi o autarca que, durante vários mandatos, mais património ignorou e aceitou a sua degradação ao ponto de se tornar irrecuperável. O que significa que, neste aspecto, melhor seria a contenção nas palavras. E deveria ir mais longe e procurar determinar quem foram os políticos, com funções governativas, que permitiram a descaracterização da nossa identidade histórico-cultural. As marcas estão um pouco por toda a Região. 
3º Finalmente, as eleições autárquicas ainda são para o ano, pelo que este tipo de arremesso de culpas não faz sentido. Importante é que seja impedida, como salienta o Engº Danilo de Matos, "a demolição da secular Ponte Nova" que, à hora que escrevo, conta já com 985 partilhas na página de FB. 
O resto, Dr. Sérgio Marques, é treta. Só lhe compete, por uma questão de bom senso, dizer não ao "camartelo da estupidez e da ignorância".
Ilustração: Danilo de Matos.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A ILHA QUE NÃO EXISTE


Apesar de ser uma das regiões portuguesas onde o turismo está presente há mais tempo (pelo menos desde o início do séc. XIX), hoje, uma boa parte da Madeira não é para mostrar. É como se não existisse. No passado, porém, a ilha parece ter sabido promover a imagem da sua arquitectura junto dos potenciais frequentadores: no séc. XIX, tempo das longas estadias invernais, foram os ingleses quem, em guias e relatos de viagem, louvaram e propagandearam as quintas de aluguer que povoavam a encosta do Funchal; na transição para o séc. XX, com o despontar do turismo de lazer, encurta-se a estadia, aumenta o fluxo de passageiros em trânsito e surgem os primeiros hotéis dignos desse nome: o Reid’s, o Monte Palace ou o Bela Vista, todos circularam pelo mundo sob a forma de bilhete postal; a partir da abertura do aeroporto, com a chegada dos primeiros ‘charters’, inicia-se a era do turismo de massas e da arquitectura hoteleira em betão armado, cujo expoente máximo, o hotel do Casino, de Oscar Niemeyer e Viana de Lima, figurava nos postais coloridos dos anos 70, anunciando a qualidade e modernidade do destino.


Ao tentarem adaptar o Funchal às exigências dos turistas, governadores e autarcas parecem ter sido capazes de criar, simultaneamente, belas ‘panorâmicas turísticas’. Entre as reformas que, em meados do século XIX, Silvestre Ribeiro levou a cabo para afeiçoar o Funchal à mobilidade dos ‘doentes do peito’, a abertura da estrada Monumental e da sua ponte foi das que teve mais destaque nos guias turísticos; em 1910, por iniciativa do Visconde da Ribeira Brava, o arquitecto Ventura Terra é incumbido de traçar um Plano de Melhoramentos para a capital do arquipélago, que mais tarde dará origem à Av. do Mar, verdadeiro bilhete postal do Funchal moderno; em finais dos anos 60, sob a presidência de Fernando Couto na Câmara Municipal, a cidade conheceu o seu primeiro Plano Director, onde o arquitecto Rafael Botelho definiu com clareza as novas áreas de expansão turística, cuja desafogada imagem recordamos hoje em alguns postais do Lido.
Por fim, chegada a era dos fundos europeus, assistimos ao ‘boom’ imobiliário e a avultados investimentos em infra-estruturas viárias, aero-portuárias e outros equipamentos (bem documentados pela fotografia de Tiago Casanova). Sulcada por vias rápidas, túneis e viadutos, orlada de obras marítimas e semeada de prédios de habitação, em menos de duas décadas, a ilha viu-se transformada numa dinâmica conurbação polarizada pela sua capital. Porém, a imagem turística que a Madeira decidiu projectar de si própria foi a de paisagens decantadas de tudo quanto fosse obra recente: o parque natural, alguns golfinhos e duas casas de Santana. Parece que o Caniço de cima não existe (nem o de baixo), que as zonas altas não existem, que as vias rápidas não existem e que as ribeiras, depois de betonadas, provavelmente, deixarão também de existir. Ao contrário do que sucedia no passado, as paisagens com as quais os madeirenses convivem quotidianamente não coincidem com as paisagens que promovem a ilha como destino turístico.
NOTA
Artigo de opinião publicado, na edição de hoje, do DN-Madeira, pelo Arqiitecto Rui Campos Marques (Ordem dos Arquitectos)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

LESADOS DAQUI E DACOLÁ... OU A INTELIGÊNCIA DE ROUBAR "LEGALMENTE"?



Absolutamente dramático o que está a acontecer, desde há vários anos, com os portugueses, residentes e emigrantes, levados pelo conto do vigário. Ainda ontem assisti à reportagem "Pecados Capitais" (último episódio), subordinado à "ira", programa que chegou a ser comovente, na sequência das declarações das pessoas lesadas. Ao longo destas reportagens, uma pergunta, a todo o momento, bailou-me na consciência: como foi possível chegar a tanta falência bancária, a tantas manobras perversas, a tanto roubo descarado, a tantos dividendos ilegítimos, sabendo os beneficiários que o quadro era de instabilidade e de falência, a tantos sinais, descurados pelas entidades reguladoras, que evidenciavam manobras ilícitas? Como foi possível, na sequência dos desmandos, criar uma legião de lesados e um povo inteiro a pagar tais falências? A reportagem da SIC, nas suas traves-mestras, espelhou todos os comportamentos corruptos, transversais a uma grande parte do sistema bancário, onde emerge a inteligência de roubar "legalmente".
Ilustração: Google Imagens. 

FANTÁSTICO: A TECNOLOGIA E A BICICLETA

terça-feira, 7 de junho de 2016

ANEDÓTICO: FMI ADMITE QUE AGENDA NEOLIBERAL ELEVA A DESIGUALDADE


Penso não existir outra palavra que caracterize a posição dos economistas do FMI: anedótica. Depois de tantas posições, inclusive através de Prémios Nobel da Economia, sistematicamente ignorados pelo FMI, a comunicação social destacou as declarações assumidas por Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani e Davide Furceri: "(...) Em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em risco uma expansão duradoura". Isto é, as políticas receitadas pelo FMI acabaram por ser criticadas pelos próprios economistas. É de gargalhada, ou então, por detrás destas declarações há mais qualquer coisa que não se descortina.



Resta agora saber se a União Europeia, esmagadoramente neoliberal, o que pensa disto e como é que irá actuar. Continuará a defender a  cega austeridade como medida fundamental para o crescimento? E o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, absoluto defensor de uma agenda política que tem visado o "empobrecimento" (disse-o após as eleições de 2011) de uma grande parte dos portugueses, que resposta tem para estes três economistas? E o que dirá relativamente ao governo da República que nega a austeridade? Sentar-me-ei para assistir.  
Ilustração: Google Imagens.





segunda-feira, 6 de junho de 2016

UM POLÍTICO COM MENTALIDADE DO SÉCULO XIX A GERIR O SISTEMA EDUCATIVO E A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI


O trabalho jornalístico que apresenta várias declarações do secretário da Educação da Madeira, publicada na edição de hoje do DN-Madeira, traduz, inequivocamente, o essencial da realidade do sector. Para mim que acompanho a educação, em geral, e o sistema educativo, em particular, como sói dizer-se, foi a cereja em cima do bolo, já que caracteriza a desastrosa, porque desadequada, mentalidade política que há anos se arrasta. Parabéns à jornalista Paula Henriques, porque trouxe à tona um político com mentalidade do Século XIX a gerir o sistema educativo do Século XXI. As declarações políticas do secretário não se enquadram nas generalidades, mas nas banalidades que, até, a espaços, entram em contradição. Fala de perdas na natalidade e de turmas, por extensão, de fusão, encerramento de escolas e de repercussões directas no sistema de ensino e na necessidade de professores, traduz a jornalista o pensamento do secretário, como se essa fosse a questão central. Não é e, globalmente, nunca foi, até porque, embora de forma ainda que ténue, exprimem os dados estatísticos, a taxa tem vindo a mostrar algum crescimento. Independentemente desse aspecto, cuja inversão é absolutamente natural que se verifique, o fulcro do problema é outro, é de conhecimento, de organização do sistema e de entendimento, em contraponto com a rotineira mentalidade que incapacita perceber que este formato organizacional, curricular e sobretudo pedagógico foi chão que deu uvas.


Se, do ponto de vista curricular, enquanto a Autonomia não é levada a sério, é possível que os estabelecimentos de ensino procedam a meros ajustamentos, já no que concerne à estrutura organizacional e pedagógica trata-se de iniciar um processo de rompimento com a mentalidade vigente. Ficaria satisfeito e entusiasmado se o político tivesse anunciado que iria levantar o dito da cadeira, para realizar uma série de visitas a países de que tanto se fala, mas com os quais pouco temos aprendido na implementação genérica do pensamento. Ficaria também entusiasmado se tivesse anunciado uma relação preferencial com a Universidade da Madeira, cujo Departamento de Ciências da Educação tem trabalho produzido. Abrindo a sua página no sítio da internet leio: "Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. (Paulo Freire)". O que isto significa!
Mas não, continua a conversa de treta, com o fatalismo da baixa natalidade, classificando-a como um "drama" para o sector público, ao mesmo tempo que assume que o Orçamento da Região subsidia 54 estabelecimentos privados, obviamente, muitos de cunho empresarial, que corresponde a um total de mais de 25 milhões de Euros. Ora, constituindo preocupação primeira de um governo o cumprimento do dever constitucional, no sentido da implementação da escola pública, universal e democrática, existindo, como já diversas vezes o secretário afirmou, um parque escolar de excelência, como pode o político argumentar com a baixa taxa da natalidade e mais, ainda, com esta pérola, "menos de quinze alunos (por turma) já é uma ineficiência". Pois é, agora ficou mais claro, trata-se de uma visão basicamente economicista e não de planeamento educativo (a eficiência visa aplicar os recursos para convertê-los em resultados com ganhos económicos) como se a educação, todo o processo de aprendizagem e os ganhos futuros na economia, pudessem assentar em uma lógica industrial. Há políticos que ainda não perceberam que constitui um erro trazer para o sistema educativo a imagem, por exemplo, de uma fábrica de "enchimento de chouriços". E é isso que, genérica e qual metáfora, acontece. A cada 50 minutos enchem-se vinte o mais chouriços (por turma), servindo os alunos de pele onde se colocam os conteúdos.
Mais à frente assume: "Não há volta a dar". Contrario. Existe e são muitas as experiências no sentido de um sistema que funcione com rigor, com qualidade, com inclusão, com eficácia (planeando correctamente, prosseguindo a missão e os objectivos), com democracia, com liberdade e com autonomia gestionária e administrativa. Então, sublinha o político, como "não há volta a dar", refugia-se na palavra "reorganizar", no pressuposto que essa reorganização (turmas e encerramento de estabelecimentos) é importante do ponto de vista pedagógico. Pedagógico? - questiono. Saberá o secretário o que está a dizer? Então a questão pedagógica, enquanto princípio estratégico de transmissão do conhecimento resume-se às médias do número de alunos por turma, ao jeito da história de duas pessoas em que uma come duas galinhas, mas a média é de uma para cada um? 
É tempo do governo começar a falar de  coisas sérias e mais profundas. Há anos que se fala da espuma e não do que a provoca. Vender fumo já deu para enganar no plano eleitoral. Até como refúgio da incompetência política. Daí que se tornem necessárias abordagens que rompam com o passado, que fujam aos "acertos" marginais deixando o âmago por resolver, quer a montante quer a jusante. Estas duas páginas do DN tiveram, indiscutivelmente, o mérito de dizer que ninguém pode esperar inovação, inteligência e sentido prospectivo de uma instituição que anda, politicamente, aos papéis!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 5 de junho de 2016

O PS MAIS NÃO ESTÁ A FAZER DO QUE CUMPRIR A SUA "CARTA DE PRINCÍPIOS"



O Dr. Francisco Assis tem uma posição que, discordando, aceito. Em democracia é assim: o respeito pela diferença de opinião constitui um direito inalienável. Foi coerente, entrou no congresso do PS e disse o que pensa. Lamentavelmente foi apupado. Teria sido melhor o silêncio ou a ausência de aplausos. Eu, se lá estivesse, não me teria manifestado. Era a minha resposta perante a discordância de opinião. Mas a política e as paixões conduzem a manifestações muitas vezes carregadas de uma certa irracionalidade. Eu, quando desempenhei funções políticas, também estive, várias vezes, no campo da discordância. Em algumas situações o tempo deu-me razão. Em outras, mais tarde, pedi desculpa pelos equívocos e análises erradas. Neste caso, penso que o Dr. Francisco Assis não tem razão. Está a cometer um erro de análise. Simplesmente porque, no plano ideológico, o PS não é um partido de direita, mas um partido de esquerda que abrange, no pleno respeito pela sua "Carta de Princípios", uma grande parte do eleitorado do centro. Se as águas tinham de ser separadas, o Dr. António Costa fê-las, correctamente, reposicionando o PS na sua vertente moderada e em função do seu património histórico, onde se enquadra uma enorme e sensata preocupação pelas pessoas e pelas questões sociais. Aliás, interrogo-me: então, são ideológicos os acordos à esquerda e deixam de o ser os acordos à direita? Meu Caro Francisco Assis, tenha presente o que a coligação PSD/CDS fez ao povo português durante quatro anos. Para que serviu tanta austeridade, se ninguém sentiu qualquer melhoria em função do esforço pedido? E a crise, foi fabricada externamente, ou somos todos culpados pelo desastre que varreu tantos países na Europa? E as ziguezagueantes políticas europeias face às quais perdemos muito da nossa identidade de país quase milenar? Ficou a dever-se à esquerda ou à direita? 
Ilustração: Google Imagens. 

sábado, 4 de junho de 2016

ENTRE A VAGUEZA DE "UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO" E UM PENSAMENTO POLÍTICO E CIENTÍFICO PARA A EDUCAÇÃO


Ainda bem que algumas instituições vão debatendo a Educação. Eu preferiria que discutissem o sistema educativo. Agora foi a Associação Nacional de Professores que juntou docentes focados em um tema que designaram por "Um olhar sobre a Educação". Mais um! Ao longo da minha vida profissional é caso para dizer que perdi de vista tantos foram os olhares projectados para qualquer coisa que nos preocupava. Tem sido assim, juntam-se  pessoas, umas por interesse nos temas, algumas por uma questão de aquisição de créditos visando a progressão na carreira docente. Durante alguns dias promovem-se muitas reflexões, algumas profundas, indo às causas e propondo caminhos, outras de interesse reduzido e, no final, é a História que nos diz, "tudo como dantes no quartel de Abrantes". Dezenas e dezenas de iniciativas sem qualquer sucesso prático. O sistema educativo permanece estático, avesso a qualquer mudança, bloqueado, a montante e a jusante, por uma crónica surdez e estrabismo face à investigação científica produzida e ao anúncio de novos paradigmas.


E assim permanece o blá, blá, as concentrações que, não duvido, são realizadas com entusiasmo, mas de efeitos nulos. E a prova está neste governo regional da Madeira, onde a Autonomia, mesmo que limitada, poderia ir muito longe. Ontem, o secretário regional da Educação, pasme-se, veio dizer: "(...) Só com a mudança é possível criar uma sociedade mais capaz e criarmos jovens mais capazes de transformar o futuro, tornando-os competentes para os desafios da sociedade". Trata-se de uma frase, eu diria, metida a martelo, que ninguém contestará, certamente, mas que não adianta nem atrasa. Quais as mudanças a operacionalizar, questiono. Talvez, presumo eu, que o secretário nem saiba e, se sabe, decorrido mais de um ano de mandato político, não existe uma única declaração para, no mínimo, despertar e fazer acreditar que há um caminho construído no quadro da tal "mudança". Aliás, é o próprio secretário que renega uma visão estrutural de futuro, quando leio no DN-Madeira que terá salientado "(...) que a tutela tem estado atenta a essa situação (falava de insucesso) e que já se implementaram medidas para a precaver. Assim, é de ressalvar a criação de turmas que congregam alunos que têm vivido o insucesso escolar, adaptando os programas formativos, de modo a conceder-lhes mais possibilidades de conseguirem terminar o ensino obrigatório com sucesso (...)". O que isto significa é que o responsável político, uma vez mais, confundiu a "mudança" com um "penso rápido" que, obviamente, não resolve a infecção sistémica. 
Ora, o que está em causa não é nada daquilo, mas sim a mudança de rotinas e um enquadramento político assente em uma visão estratégica para uma educação portadora de futuro. E tal não se consegue com blá, blá, palavras de circunstância ou bolas ao poste. Atinge-se com pensamento político, desbravando baldios de consciência, rompendo com as cristalizações, indo ao âmago dos problemas, a montante, junto dos múltiplos factores de natureza social, a jusante, as organizacionais, curriculares e programáticas. Mudam-se os sistemas quando se aceita que temos de operar uma mudança nas nossas próprias convicções. Se assim não acontecer tudo converge para uma conversa de treta, continuando tudo estruturalmente igual, embora com algumas alterações marginais que não resolvem, de todo, a questão de fundo. Mais do que a vagueza de "Um olhar sobre a Educação", precisamos de um pensamento político e científico para a Educação. E este não existe.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O CICLO DE VIDA DESTE GOVERNO REGIONAL ESTÁ NO FIM. RESTA DESLIGAR A MÁQUINA.


O problema das demissões em catadupa no SESARAM é muito mais vasto que o estado da saúde na Região da Madeira. É um problema, diria como metáfora, de "sepsis" no governo. Politicamente, assiste-se a uma disseminação de focos infecciosos que não permitem qualquer recuperação. Fala-se da saúde, como bem primeiro, mas, questiono, como está a educação onde as rotinas pobres e confrangedoras acontecem? E os assuntos sociais cuja secretaria vive, diariamente, da esbaforida e ofegante propaganda, quando tudo permanece igual ao passado? E a economia, cujo secretário parece ter perdido o sentido da responsabilidade e do equilíbrio para passar ao ataque "déjà vu", politiqueiro e sem sentido, face ao qual o povo tem uma tarimba de quase quarenta anos? E alguém já pressentiu alguma substancial alteração nas políticas da agricultura e pescas ou nas políticas ambientais?

A "festa" continua...

Obviamente que a responsabilidade é do presidente do governo que não me parece ter unhas para tocar esta guitarra de cordas desavindas, que esperam uma oportunidade para se fazerem ouvir. Curiosamente, tal como o outro, ele também fala no singular, só que não manda, é mandado. Há, ali, uma manifesta cozedura em lume brando, onde o cidadão fica com o sentimento do cumprimento de serviços mínimos, em uma espécie de um "olho no burro e outro no cigano", enquanto alguns, que ainda estão para perceber como ali chegaram, não vêem a hora de zarpar. Enquanto isto, que é público e notório, há uma velha, caduca, desgastante mas experiente rectaguarda que, no silêncio, na alma do negócio, se movimenta e reorganiza. O que esperar de tudo isto? Faço minhas as palavras de um velho e grande Amigo, nonagenário, que há mais de vinte anos me diz que não sabe quando, mas que vai dar tragédia lá isso vai!
Depois, nesta questão do SESARAM, há um aspecto que me é particularmente sensível: não se questionam as razões mais substantivas das demissões e não se atacam, com verdade e frontalidade, os reais problemas apontados pelos profissionais de saúde, antes nomeia-se quem está mais à mão ou quem está a seguir na lista dos mais próximos. Não é qualquer pessoa, julgo eu, por mais animada que esteja em servir ou com alguma experiência no sector, que tem competência para a complexa tarefa de gerir o sistema de saúde. É preciso conhecimento específico dessa complexidade e uma acrescentada sabedoria para dominar as relações de interdependência. Gerir um sistema com a grandeza e as dificuldades acumuladas ao longo de muitos anos, entre as quais as financeiras, permitam-me a expressão inglesa, necessita de "know-how" que não está ao alcance de qualquer. Há um passado e um conhecimento actualizado que tem de ser tido em conta sob pena de, amanhã, voltar a repetir-se a cena de hoje. Mas há sempre pessoas disponíveis para tudo e sem o sentido mais profundo das responsabilidades que abraçam.
O estado da saúde na Região é, pelo que se sabe, muito débil. Penso que será muito difícil fazê-lo sair do coma induzido por irresponsabilidade governativa. A culpa não é dos médicos, dos enfermeiros e restantes profissionais de saúde, que muito trabalham e têm sido espoliados a todos os  níveis. A culpa é, claramente, política; a culpa é de quem andou e anda a brincar com as finanças públicas; de quem andou anos a fio a dizer amém aos gastos supérfluos que tornou a dívida impagável; a culpa é de quem assume compromissos com a continuação de obras de muito duvidosa prioridade. Os exemplos são aos molhos: ainda ontem, apesar de ser um quantitativo simbólico, o governo atribuiu € 300.000,00 ao Rali Vinho Madeira. E sem qualquer miserabilismo da minha parte, a verdade é que são trezentos aqui, mais trezentos acolá, mais uns milhões para as sociedades anónimas desportivas, mais uns milhões para o Jornal da Madeira, mais vinte e seis milhões para a educação particular, mais umas centenas de milhar para as festas disto e daquilo, enfim, a lista é muito longa. Tudo o que seria dispensável, pelo menos durante algum tempo, visando a solução dos assuntos mais prementes o governo não tem em conta e, por isso, falta onde nunca deveria faltar. Se se exige, e bem, rigor gestionário no SESARAM, ainda mais a quem tem a responsabilidade maior no vértice estratégico governativo. O ciclo de vida deste governo está no fim. Já que de saúde falamos, resta desligar a máquina! Por mim, desligava-a agora mesmo.
Ilustração: Google Imagens.