terça-feira, 3 de outubro de 2017

CHIÇA, COMO ISTO "TÁ" QUENTE!


"A horda que assaltou o PSD/Madeira, agora nas eleições autárquicas, engoliu o pão que amassou há quatro anos. Traição então organizada para que um apoio à oposição melhor colocada para o efeito, derrotasse os autonomistas sociais-democratas e estes porventura entregassem o poder. Há quatro anos, essa clique exigiu a minha demissão da liderança do Partido, por só termos vencido em quatro Câmaras Municipais. Agora, só com três Câmaras, espero que sejam coerentes. (...) - Dr. Alberto João Jardim, em artigo de opinião. É caso para dizer, chiça como isto "tá" quente!


Em contraponto, Tranquada Gomes, porta-voz da Comissão Política do PSD, adiantou: as eleições autárquicas "são passado" (?) e que "uma coisa são eleições autárquicas, outra são as eleições regionais. Temos todas as condições para ganhar e que o povo, da mesma maneira que ontem decidiu daquela forma, em 2019 terá razões acrescidas para manter o PSD no rumo da governação da Região" (...) "é óbvio que vamos ter uma leitura humilde dos resultados e tomaremos as medidas que entendermos necessárias (...) sabemos aprender com os erros que cometemos".
Ora, o tiro do ex-presidente do governo, traz na bala matéria venenosa e de morte. É uma espécie de "bomba H" política lançada do refúgio do Quebra Costas para a Rua dos Netos. Dificilmente alguém sobreviverá às respectivas consequências políticas. Vir agora falar de "humildade" quando durante quatro dezenas de anos essa palavra foi banida do vocabulário democrático, corresponde a um chorinho que não convence(rá) ninguém. Achei, até, deselegante, o facto do Dr. Tranquada Gomes vir falar que o PSD falhou ao nível da comunicação com os eleitores, porque isso, na prática, corresponde a sacudir para os que aceitaram ser candidatos o peso das responsabilidades pelo desastre eleitoral. Exactamente o mesmo discurso que a oposição, perdedora durante anos, afirmava nas noites eleitorais. Ora, não existe(iu) falha de comunicação, o que foi evidente é que o povo se manifestou cansado de ouvir lérias ao longo dos anos. Assim aconteceu há quatro anos (7-4) nas autárquicas, depois nas legislativas regionais que ganharam por um fio (diferença de dois deputados) e, agora, novamente nas autárquicas, de forma sustentada, o povo voltou a dizer "alto e parem o baile". Um estudo do jornalista Jorge de Sousa, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, dá conta que se fosse o mesmo o sentido de voto nas legislativas de 2019, o PSD-M perderia a maioria absoluta. Trata-se, apenas, de um indicador, mas que não deixa de ser de interessante análise. 
Convençam-se que há um tempo para estar e um tempo para ser oposição. Vir agora dizer que "vamos falar com maior proximidade dos cidadãos" depois de anos de poder centralizador e de medo, não consegue alterar este plano inclinado. Dir-se-á que é a democracia que começou a funcionar e a adultez do povo a vir à tona. O que é bom. No essencial, parece-me que estão a provar o veneno que semearam, a governamentalização e partidarização de tudo, o pé em todas as instituições, desde clubes a casas do povo. O resultado está à vista. As jantaradas já não resolvem, os festins na hora das inaugurações foi chão que deu uvas e as subtis ondas de medo deram lugar à esperança  de que outros são capazes de fazer mais e melhor, porventura com menos encargos. Podem mudar as figuras do governo que não conseguem mudar aquilo que assenta na descoberta que na sociedade há tanta gente bem preparada para assumir os desígnios de uma governação pelas pessoas. 
Uma nota final para o Dr. Tranquada Gomes. O Senhor é o presidente do primeiro órgão de governo próprio da Região. Servir de porta-voz partidário, do meu ponto de vista, fica-lhe muito mal. Chiça, como isto "tá" quente!
Ilustração: Google Imagens.

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