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terça-feira, 23 de agosto de 2016

QUANDO SE CONFUNDEM AS ANÁLISES POLÍTICAS COM MISERÁVEIS ATAQUES PESSOAIS


Quem ataca os meus amigos de forma infundada e miserável a mim está a atacar. Por uma simples razão: sou muito selectivo relativamente aos amigos que fiz ao longa da vida. Não por razões elitistas, políticas, partidárias ou quaisquer outras, mas porque a decência, os princípios e os valores que defendem me fazem respeitá-los. A minha Amiga Violante Saramago Matos é uma delas. Ela e o seu marido, o Engº Danilo Matos. São pessoas de uma verticalidade, honestidade e simplicidade que me levam a inscrevê-los na lista muito reduzida dos meus amigos. Tomara que a Madeira tivesse algumas centenas de mulheres como a Drª Violante. Certamente que a Região da Madeira estivesse melhor em muitos sectores, áreas e domínios políticos.


É claro que é legítimo e democrático que alguém, neste caso um tal senhor Nuno Alves Caetano, tenha as suas opiniões completamente divergentes das de outros, mas existem formas de análise política que não extravasam os limites da decência. No caso em apreço, um exemplo: uma coisa é dizer, em abstracto, que "temos à frente deste Governo (Regional) uma cambada de garotos e incompetentes"; outra, é fazer juízos de valor pessoais e políticos, visando, directamente, uma pessoa, designando-a por comunista (e se fosse, qual era o problema?), aproveitadora da "desgraça alheia" e defensora de uma política de "terra queimada". Enquanto, na primeira, tal declaração, claramente política, visa o governo político no seu conjunto, na segunda, o que emerge é um vómito claramente político sobre uma pessoa. Deveria o autor da "carta do leitor" perceber esta diferença, da mesma forma que não me atrevo a tecer considerações, porque seriam abusivas, sobre o senhor Caetano por ter demonstrado um enorme, talvez maior que a ilha, fervor partidário relativamente ao Dr. Miguel Albuquerque, à secretária Rubina Leal ou à Protecção Civil. Está no seu direito que respeito.
É que o senhor Caetano não percebeu o alcance e a verdade daquela afirmação, entre outras. Há dezenas de anos que a Drª Violante Saramago Matos luta, na Assembleia Legislativa, enquanto Vereadora da Câmara Municipal do Funchal, na sua qualidade de Bióloga, em muitos fóruns de debate e sobretudo enquanto CIDADÃ, luta, dizia eu, pelo ordenamento do território da Região Autónoma da Madeira. Está nas actas da Câmara, onde o Dr. Miguel Albuquerque foi presidente e nos Diários das Sessões da Assembleia, onde o Dr. Miguel Albuquerque foi Vice-Presidente, todas as suas propostas e intervenções de chamada de atenção, devidamente estudados e fundamentados. Actuou sempre em defesa da Madeira e se tivesse sido ouvida, tal como outros o fizeram e foram vilipendiados, repito, provavelmente, vários desastres que se abateram sobre a Madeira, poderiam ter sido atenuados, repito, para que fique claro, atenuados.
A terminar, duas notas:
Primeira, o que tem a ver o Prémio Nobel José Saramago com as posições da filha Violante Saramago Matos? É de muito mau gosto. Depois, "só os comunistas têm direito à doutrina, os demais são inimigos". Falso. Falo por experiência própria que tenho amigos em todos os quadrantes políticos. Respeito-os e sinto que sou respeitado.
Segunda: ora bem, neste tempo de calor... tome uma "genebra", porque no que se refere à Drª Violante, tenha a certeza que não degenera nos princípios e valores que a orientam. Ainda bem! 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

UMA CARTA QUE FOI UM TIRO CONTRA O CDS-PP


Não sei se se trata de uma relação de causa-efeito, mas a carta do leitor ontem publicada no DN-Madeira, pelo Dr. Ricardo Vieira (ex-lider do CDS local) pareceu-me uma deliberada resposta à posição do Dr. Cabral Fernandes (ex-líder do CDS local). O Dr. Cabral Fernandes entendeu dizer, publicamente, que não apreciava a posição do seu partido, porque o essencial destas eleições autárquicas, para além da capacidade dos candidatos, obviamente, é tentar acabar com 37 anos de jardinismo. E transmitiu a ideia que o CDS-M não tinha percebido essa dimensão ao afastar-se da coligação pela "Mudança". Por isso mesmo, porque está em causa um regime velho, caduco e que se mostrou destruidor dos equilíbrios que a Região deveria ter (basta olhar para os indicadores e para a dupla austeridade) votará na "Mudança". Do meu ponto de vista, tem toda a razão. A sua decisão coloca em evidência a sua inteligência política que se apresenta muito para além dos interesses meramente partidários. O Dr. Ricardo Vieira, pelo contrário veio falar de "contra-senso", denunciando que se arrepia quando pensa numa "coligação onde se deitam na mesma cama inimigos viscerais". E diz mais, o que para mim é espantoso: "o aliciamento de derrubar o que resta do partido maioritário não é razão suficiente nem necessária para deitar fora memórias e valores!". E aqui questiono, politicamente, o Dr. Ricardo Vieira, mas quais memórias e quais valores? Esquece-se das ofensas feitas contra a sua pessoa? Já não digo contra o seu partido, mas contra a sua pessoa? Esquece-se das ofensas relativamente ao seu Pai? Esquece-se da dívida pública de mais de 6.3 mil milhões de euros (fora as PPP) e o que ela significa de sofrimento para todos os madeirenses e portosantenses? Esquece-se do caudal de ameaças, perseguições, ofensas, insultos e prateleiras, ao longo de tantos anos, contra tantas pessoas de reconhecido mérito da nossa sociedade? Esquece-se o Dr. Ricardo Vieira do que está a acontecer a quase todo o tecido empresarial? Mas se, eventualmente, está a referir-se às "memórias e valores" do seu partido político, ainda assim questiono, então, que razões substantivas levaram a coligar-se com o PS-M naquele ano autárquico de 1989? Ano que, por pouco, essa coligação não ganhou? E em 2001? Pela proximidade ideológica, certamente que não foi!

Desejará o Dr. Ricardo Vieira
continuar a assistir a actos como este,
o de rasgar o DN por não lhe ser subserviente?

Depois, com toda a sinceridade, considero que constitui uma ofensa aos membros da Coligação "Mudança", pessoas oriundas da sociedade, a esmagadora maioria sem passado político e partidariamente activo, falar de um "albergue espanhol" do qual emerge, segundo referiu, a confissão da "incapacidade para, por si sós, lá chegarem". Trata-se de um deslize da sua parte porque, creia, que não é, Dr. Ricardo Vieira, nem uma coisa nem outra. O Dr. Ricardo Vieira sabe, mas tenta esquecer, a monstruosa teia de interesses, controlos e de medos gerados na Madeira que têm cristalizado qualquer hipótese de crescimento de uma alternativa. Portanto, essas pessoas merecem respeito pois não pertencem nem integram um albergue nem são incapazes. Pelo contrário, são pessoas de valor, desprendidas, experientes e que interpretam a política como um serviço público à comunidade. Não estão ali por carreirismo, porque é capaz de dar jeito às suas vidas pessoais e profissionais. Basta olhar e identificar que todos têm a sua profissão e sucesso familiar e profissional. E sendo assim, o que o Dr. Ricardo Vieira deveria aplaudir é o facto de seis partidos terem aberto as suas portas à sociedade, conjugando os pontos comuns e ultrapassando as naturais diferenças. Esse é o grande exemplo de abertura e de cidadania que marcará estas eleições. Vergar-se, Dr. Ricardo Vieira, NUNCA. Se a coligação não sair vitoriosa todos eles regressarão às suas vidas profissionais de onde, aliás, nunca saíram. 
Por fim, espero que PSD e CDS "não se deitem na mesma cama"!
Tenho pelas duas figuras aqui referidas, o Dr. Cabral Fernandes e o Dr. Ricardo Vieira, a maior consideração e estima pessoal, mas não poderia deixar de dizer, pública e democraticamente, a minha discordância pela "carta do leitor" escrita pelo Dr. Ricardo Vieira.

domingo, 8 de novembro de 2009

CADA MACACO NO SEU GALHO

A propósito da carta do leitor que hoje publiquei no DN, um senhor(a) A.Santos comentou, no próprio DN, no espaço destinado a comentários dos leitores, com o seguinte texto:
"O camarada Escórcio canta bem mas não encanta. Enquanto não reconhecer que o caos na educação se deve ao PS em especial à Ministra de má memória não terá grandes seguidores, veja-se o que aconteceu recentemente quando juntou 4 prof. para se manifestar contra o GR enquanto que a nível Nacional essa manifestação reuniu 120 mil prof. Os professores não são tontos e têm memória não pode tranferir responsabilidades que cabem ao seu partido, porque perde credibilidade, nem pode pensar que a educação se resolve com fantasias e aproveitamentos políticos, como escolas pequenas, as fardas os rankings o tudo gratuito são faitdivers pouco originais, a menos que consiga que o seu partido reponha o dinheiro que tirou À MADEIRA p/dar aos Açores socialista".
Bem, as pessoas são livres de comentar e, ainda bem, que o fazem. Lamento dizer que não me parece um comentário sério e sobretudo honesto. Parece-me sermão de encomenda do tipo "Timex", que não adianta nem atrasa. Mas vamos por partes e sequencialmente:
1º Eu não canto, apenos estudo os problemas e tenho uma opinião tão válida quanto outras que por aí andam. Não imponho a minha vontade a ninguém mas sei quem o faça há mais de trinta anos nesta Região.
2º Relativamente à ex-ministra, enquando um responsável do PSD (Deputado) tecia rasgados elogios às suas políticas educativas (vide Jornal da Madeira de 21.06.2006), eu sempre me posicionei contra muitas medidas da equipa ministerial, inclusive, através de vários artigos de opinião publicados no DN, para além de textos lidos na Assembleia Legislativa da Madeira.
3º A Região da Madeira é Autónoma e, por isso, não deve andar à espera do que se passa ao nível nacional. A tipologia das instalações não depende do ministério, a organização interna das escolas idem, a qualidade do ensino também, o número de alunos por escola e por turma idem, as políticas de acção social idem, enfim, há um larguíssimo quadro de intervenções que, na Madeira, de acordo com o Estatuto Político-Administrativo (Artigo 40º), apenas dependem do governo. Ademais, a Educação está REGIONALIZADA.
4º Não convoquei nenhuma concentração de professores. Recebi, por e.mail, de uma colega que conheço, a mensagem de tal concentração. Compareci, porque sou coerente. Se outros descontentes com a política nacional e regional não compareceram, tal situação deve ser motivo de análise às razões que levam as pessoas a terem medo de se manifestar. O problema não é meu. Sou livre e não vendo a ninguém a minha consciência cívica, política e profissional.
5º Considero leviano da sua parte abordar um diploma que desconhece.
6º Quanto a dinheiros, posso dizer-lhe que o problema da Educação, na Região, não é de recursos humanos, materiais e financeiros. É de competência, de inteligência e de respeito pelo princípio das prioridades estruturais.
E fico por aqui, porque o tipo de escrita não merece mais.

EDUCAÇÃO: UMA QUESTÃO MUITO SÉRIA

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."
"A esperança é uma droga alucinógena". Rubem Alves.
Na sequência das declarações produzidas pelo Deputado do PSD-M, Dr. Jorge Moreira, a propósito do Regime Jurídico do Sistema Educativo que o grupo parlamentar do PS apresentou na Assembleia Legislativa da Madeira, solicitei a publicação da seguinte carta do leitor, hoje integrada na edição do DN-M:
"No plano democrático, parece-me lamentável que um diploma estruturante do Sistema Educativo Regional, antes de discutido na generalidade e de ouvidos os parceiros sociais já esteja condenado ao chumbo. E, depois, negam a tal "asfixia democrática". Vamos por partes:
É óbvio que a sobrevivência da Região passa, inevitavelmente, pela Educação. A ignorância é sempre mais cara. Ora, se esse deve ser o desígnio principal da Região, repercutido em sede de orçamento, o que se impõe é um novo paradigma organizacional que torne o sistema mais eficaz e mais eficiente. Nesse conceito, se necessário forem mais docentes, óptimo, desde que os resultados sejam a consequência do rigor, da qualidade e não aqueles que nos colocam, hoje, em desprestigiantes lugares dos "ranking's" nacionais (em 30 escolas do ensino básico, apenas uma está abaixo do 215º lugar e temos 21 entre o 746º e 1236º lugar de uma lista de 1292 escolas. E no secundário (16), a primeira está 135º lugar e temos 13 entre o 305º e 593º lugar de uma listagem de 599 estabelecimentos de ensino. E a culpa não é dos professores é do sistema que impuseram.
O sistema que nós propomos não é o do "facilitismo", antes o da excelência da escola pública. Não existe, por isso, "irrealismo", mas a transposição para o nosso sistema regional autónomo dos caminhos que outros percorreram com total sucesso. É neste pressuposto que defendemos, face à pobreza persistente, o ensino gratuito para os três primeiros escalões do abono de família, a simbólica comparticipação nos restantes, sempre compaginados com o rigor e a responsabilidade parental, de uma escola que forme para a vida. É preciso compreender o que se está a passar na sociedade e sobretudo ler todo o diploma, o qual funciona como um acordeão de medidas. Extrair partes, apenas proporciona confundir e não esclarecer. É o caso da dimensão dos estabelecimentos de ensino e do número de alunos por turma. Com alguma maldade, diz o Dr. Jorge Moreira, que nós advogamos a demolição das escolas Francisco Franco e Jaime Moniz. Não, o que está em causa é o reordenamento da rede escolar, tornando as escolas adequadas a uma gestão pedagógica de qualidade. O grande é ingerível e os alunos e professores tornam-se números.
Finalmente, quatro notas: primeira, o diploma fala de batas e não de uniformes clássicos; segundo, o regime jurídico proposto pelo PSD, em 2007, são dezanove páginas desconexas e que sofriam de "inconstitucionalidade formal, procedimental, orgânica e material". Foi dada razão ao PS e o PSD meteu-o na gaveta; terceiro, não deve o Dr. Jorge Moreira confundir a autonomia das escolas plasmada no Regime com excessiva regulamentação. O que o Regime Jurídico defende, em todos os artigos, são questões de princípio nos planos organizacional, curricular e pedagógico; quarto, trata-se de uma proposta que passou pelo crivo de professores, de juristas e de várias conferências sobre os temas agora condensados em proposta legislativa. Não se trata de uma proposta leviana. O estudo e a sua discussão poderão melhorá-la, substancialmente, porque em causa está o futuro da Região e porque com a Educação não se deve brincar".
Foto: Google Imagens - Olhando o futuro.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

QUESTÃO DE LATA!

Ainda a propósito de uma conferência de imprensa do grupo parlamentar do PSD, publiquei, hoje, no DN-M, a seguinte carta do leitor:
"Declarações falaciosas, lata, má-fé, desfaçatez, matreirice, enfim, tudo saiu pela boca fora de um educador por quem tinha apreço e consideração. Paciência. Desculpo o momento pouco feliz mas vou ter dificuldade em esquecer. Mas será tudo aquilo quando se luta pela Revisão Global do Estatuto da Carreira Docente, por uma avaliação de desempenho de natureza formativa, por quatro anos de serviço em cada escalão que permita atingir o topo da carreira em 32 anos de serviço, pelo fim da iníqua prova pública de acesso ao 6º escalão que mais não pretende do que dividir os professores em titulares ou não, pela contagem integral do tempo de serviço, congelado durante 28 meses, aliás, como aconteceu nos Açores, pelo desagravamento da redução do tempo de serviço em função da idade e do tempo de trabalho, para que o horário de serviço nocturno se inicie às 19 horas e pela alteração legislativa que torne a classificação de bom administrativo eficaz para a transição de escalão, a qual está a criar graves problemas aos docentes? Serão estas propostas tão desfasadas que levam a que o PSD-M as chumbe sem a mínima discussão? Será lata quando se defende um combate à indisciplina e à violência nos espaços escolares, quando se defende a valorização da profissão docente, quando se combate a precariedade dos vínculos laborais e as limitações impostas à formação contínua?
Da minha parte não vou meter a AUTONOMIA na gaveta e vou continuar a defender um sistema educativo próprio, fazendo apelo à inteligência política, coragem, diálogo, respeito pelos parceiros sociais e por todos os partidos representados na Assembleia. Ignorar os problemas nunca constituiu boa solução.