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quinta-feira, 10 de março de 2011

CONTRA A FOME


Isto explica o vergonhoso condicionamento da sociedade madeirense que nem para o exercício da mais salutar e humanista cidadania, por razões diversas, de dependência, de cordões umbilicais ao poder, permite espaço para que as pessoas sejam livres para se dedicarem à solidariedade.


Ao ponto a que chegou o condicionamento da sociedade madeirense! Perante a fome, perante tanta e tanta necessidade básica, perante tanta instituição que precisa de ajuda para que possa ir ao encontro das carências, até agora não houve possibilidade de encontrar uma pessoa, uma única pessoa, liberta desde partidos políticos até à Igreja, para assumir a responsabilidade cívica de liderar a organização local de instalação e funcionamento do Banco Alimentar Contra a Fome.
Todo o País, quase um por distrito, desfruta de um BACF, nos Açores existem dois, mas na Madeira, com tanta pobreza evidente, não tem havido pessoas disponíveis para arrancar com o processo. Ou melhor, uma outra apresentou-se, mas os condicionamentos emperraram a disponibilidade.
Da reunião que eu e o Dr. Bernardo Martins tivemos, esta tarde, com a Drª Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar, o visitante deste espaço que acredite que me senti constrangido. Não vou aqui falar do conteúdo da excelente reunião de quase uma hora e meia, por respeito à instituição que nos recebeu, mas é triste sentir, assumo eu, que é uma colossal mentira, dita no Parlamento, que o facto de não existir um Banco Alimentar tal se devia ao facto do respectivo armazém, por imposição, ter de situar-se dentro do Funchal. Mentira, com todas as letras!
O principal problema é de pessoas e sobretudo dos motivos que levaram algumas que se disponibilizaram a determinada altura desistirem. Há aspectos que vão ter que ser clarificados do ponto de vista político e sê-lo-ão, porque ninguém deve brincar com a fome. Não deixo porém de dizer duas coisas: primeiro, que isto explica o vergonhoso condicionamento da sociedade que nem para o exercício da mais salutar e humanista cidadania, por razões diversas, de dependência, de cordões umbilicais ao poder, permite espaço para que as pessoas sejam livres para se dedicarem à mais genuína solidariedade; em segundo lugar, a minha leitura do processo e que só a mim responsabiliza, é que se confirma que o governo, tal como esconde outras situações, também procura esconder a fome. Isto é execrável, não tem outra palavra que defina esta ausência do Banco Alimentar na Região. Só os excedentes da União Europeia, na ordem das 400 toneladas/ano, justificariam a sua presença na Região. O Banco Alimentar que hoje visitámos distribui, diariamente, 40 toneladas de bens alimentares, que acaba por esbater a fome diária de 50.000 em Lisboa.
Ora, quem assim se comporta, na Madeira, com os seus concidadãos, obviamente que merece a repulsa de todos.
NOTAS:
Para ouvir as declarações do Dr. Bernardo Martins: http://www.psmadeira.com/media/20110310_Bernardo_Martins.mp3

Não deixam de ser curiosos os seguintes dados: Considerando a divisão por regiões baseada nas NUTS II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores) pode-se constatar que o maior número de instituições de Solidariedade Social da amostra apurada se encontra na região de Lisboa e Vale do Tejo (570), seguida da região Norte que apresenta também um número muito próximo do anterior (566). Na região do Alentejo encontram-se 177 instituições apresentando a região Centro também um número muito próximo (116). Por fim, os Açores estão representados por 60 instituições, enquanto a região do Algarve apresenta 54 e a Madeira apenas 17. Por que razão será?
In Centro de Estudos e Sondagens da Universidade Católica.

TRÊS MILHÕES E MEIO...


(...) A Palavra que coloque certos senhores em acto de contrição pela forma como actuam, que coloque em causa os seus actos, que fale aberta e de forma independente dos problemas reais, que toque nas feridas sociais que sangram, que ela nunca seja um meio de estupidificação, mas de libertação, que faça da Igreja um contrapoder ao pensamento oportunista, reles e que nada tem a ver com os princípios orientadores da condução do Homem na Vida. 


Não aceito que um governo, com problemas financeiros até ao céu de boca, se dê ao luxo de aplicar mais três milhões e meio de euros em dois templos. Fora os outros!
Não entendo, por três motivos: primeiro, porque o número de fiéis que cumprem os rituais da Igreja Católica, visivelmente, diminuiram; segundo, porque 3,5 milhões (fora outros) muita falta fazem no combate à pobreza e à fome (2010 foi o ano europeu do combate à pobreza e à exclusão social); terceiro, porque demonstra, inequivocamente, a inversão das prioridades políticas do governo. Se, a essência, digo eu, da Igreja, circuncreve-se à mensagem "amai-vos uns aos outros como vos amei", este sinal dado pelo governo da Madeira, contraria, completamente, aquele nobre princípio, porque ele se inscreve numa lógica não de amor ao próximo e de partilha dos bens públicos, mas de poder. É o PODER político que está em jogo compaginado com a ignorância.
Já há dias disse-o aqui que, no plano da Palavra, sou tão Católico como qualquer outro que, diária ou semanalmente, assista aos rituais. No plano pessoal e familiar a Palavra está sempre presente e não preciso de outras formas, muitas delas exaustivamente repetidas, enviesadas e sem conteúdo que vão sendo propaladas. Preciso, isso sim, de ouvir a Palavra que coloque certos senhores em acto de contrição pela forma como actuam, que coloque em causa os seus actos, que fale aberta e de forma independente dos problemas reais, que toque nas feridas sociais que sangram, que utilizem a Palavra, que ela nunca seja um meio de estupidificação, mas de libertação, que faça da Igreja um contrapoder ao pensamento oportunista, reles e que nada tem a ver com os princípios orientadores da condução do Homem na Vida. E para isto não são necessários mais templos. Necessário se torna, apenas, menos opulência e mais verticalidade, independência e objectividade nas acções.
Ficaria feliz, por exemplo, se esses 3,5 milhões (fora os outros) fossem destinados às crianças com uma alimentação desequilibrada, às famílias desempregadas e aos idosos com pensões de miséria. Aplaudia se esse fosse o gesto.
O problema é que a Madeira tem um governo que conjuga este tipo de apoios com, por exemplo, os muitos milhões (fora outros) ao futebol.  Gastam à tripa forra porque a fome pode esperar. Não é esta a Palavra de Cristo. Pelo menos para mim.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de março de 2011

SOBRESSALTOS DESTE 1985!


Do que ouvi pareceu-me que o Presidente da República concedeu um grande contributo ao seu partido (PSD), pois foram muito claras as posições de pensamento. A espaços fiquei com a sensção que estava a ouvir um candidato a Primeiro-Ministro. E não é isso que se espera de um Presidente. Qualquer pessoa espera que ele seja um árbitro no quadro de uma figura que tem de se mostrar abrangente.


Não gostei da intervenção do Doutor Cavaco Silva na tomada de posse de Presidente da República. Eu diria que se tratou de um discurso a abrir as portas a uma posição drástica quanto ao futuro deste governo.
Que "Portugal vive uma situação de emergência económica e financeira que é já, também, uma situação de emergência social" (...) que o “défice externo é elevado e permanente, por definição, insustentável” (...)  que é necessário "um alargado consenso político e social" (...) que "é preciso valorizar a actividade empresarial" (...) e que não podemos privilegiar grandes investimentos que não temos condições de financiar, que não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego. Não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas (...)". Palavras que cada um diria, mas todas estas passagens, como salientou o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, "pareceram-me excessivamente cruéis no diagnóstico e pouco ousadas na terapêutica" (...) "o país não saiu mais unido desta tomada de posse". Digo eu, pelo contrário.
O Presidente, bem ao seu estilo político, que se esquece do que foi o seu passado enquanto Primeiro-Ministro, tal como outros, fala e fala dos diagnósticos que todos conhecem, mas nunca adianta e não sugere caminhos firmes que, em sua opinião, devem ser seguidos. Esquece-se, até, do gravíssimo problema internacional em que todos os países estão envolvidos. Dir-se-á que não lhe compete governar. Obviamente que sim, mas então não pode, nem deve ser tão cáustico no diagnóstico e tão frágil nas medidas. E neste aspecto, no das medidas, há muitas formas de dizer não dizendo. De chamar à atenção sem criar situações de ruptura. Curiosamente, a edição on-line do SOL dizia hoje que o discurso de Cavaco tinha entusiasmado a "direita". Foi essa a interpretação que fiz. 
Ao Presidente espera-se que não seja partidário, mas um potenciador das energias do País, deixando aos partidos e à Assembleia da República o debate político. Do que ouvi pareceu-me que o Presidente concedeu um grande contributo ao seu partido (PSD), pois foram muito claras as posições de pensamento. A espaços fiquei, inclusive, com a sensção que estava a ouvir um candidato a Primeiro-Ministro. E não é isso que se espera de um Presidente. Qualquer pessoa espera que ele seja um árbitro no quadro de uma figura que tem de se mostrar abrangente.
Com um discurso destes, penso que não há retorno quanto a eleições antecipadas. É esta a minha leitura. Aliás, a chegada atrasada do Primeiro-Ministro à cerimónia denuncia, claramente, que as águas começam a ficar separadas. E digo isto porque, a este nível, o protocolo não pode falhar. E se falhou traz água no bico. Bom, mas se é para clarificar, vamos a isso, quanto antes melhor. Só que o Presidente vai ficar com o odioso na mão: meses com o País em gestão e com resultados nas urnas que não vão alterar seja o que for, no que concerne à correlação de forças no hemiciclo. É a minha convicção.
NOTA:
A edição de hoje (10.03.11) do «El Pais", uns dos jornais com mais tiragem em Espanha, classificou o discurso do Presidente da República de "catastrofista".
Ilustração: Google Imagens.

VOSSA EXCELÊNCIA DISSE... DENEGRIR O CINM?


Ora, se alguém anda a destruir, se alguém, por ausência de um modelo estratégico, desiste do processo, entregando à concessionária SDM, a política orientadora para o CINM, certamente que as culpas vão inteirinhas para o Governo Regional da Madeira e não para o PS, na República ou na Madeira.


Vamos lá ser claros para não andarmos para aqui com "rodriguinhos" que não conduzem a nada. Disse o Senhor Deputado do PSD, Dr. Jaime Filipe Ramos, que os "agentes políticos deveriam estar todos à volta do CINM, no sentido de atrair cada vez mais empresas e segurar os actuais três mil postos de trabalho", lamentando que  outros prefiram "a actividade partidária, denegrindo o trabalho que é feito no CINM".
Não vou aqui tecer as considerações que me apeteciam fazer sobre o CINM. Serão feitas no momento certo e pela pessoa certa. Eu apenas acompanho e porque não sou especialista, deixo para quem sabe. Agora, o que não é estranho para ninguém são as recorrentes notícias de fraudes e de evasão fiscal que têm vindo a manchar aquele que poderia ser um importante instrumento de capitais e de desenvolvimento da Madeira.
Ora, se alguém anda a destruir, se alguém, por ausência de um modelo estratégico, desiste do processo, entregando à concessionária SDM, a política orientadora para o CINM, certamente que as culpas vão inteirinhas para o Governo Regional da Madeira e não para o PS, na República ou na Madeira. Portanto, ninguém anda a "denegrir", Senhor Deputado, apenas a equacionar um problema que é extremamente grave para a imagem e para os resultados. Fico estupefacto que perante resultados desastrosos, não se queira ver o óbvio. Mas o óbvio tem dados absolutamente demolidores. Que razões levam a ignorá-los? E por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

EDUCAÇÃO, FONTE DE DEMOCRACIA. SABERÁ O GOVERNO O QUE ISSO É?



“(…) é forçoso constatar que a escola se esforça sobretudo em formar não-perturbadores, pensando que tanto melhor preservará a saúde da democracia quanto mais produzir conformistas. Nada disso. Ensinando unicamente a norma e não o seu questionamento, instalamos a inevitável entropia: orquestramos o declínio da democracia. (…) É esta a razão pela qual o facto de reflectir sobre as novas práticas inovadoras da pedagogia, é trabalhar directamente sobre a saúde democrática (...)"

Recebi da minha Amiga e Camarada Doutora Ana Benavente, por e.mail, o seu artigo de opinião hoje publicado no PÚBLICO. Pela sua importância e oportunidade, aqui deixo um excerto.

"Para que serve a educação? Na escola e em casa? Para a “empregabilidade” escrava? Para a passividade? Para cultivar silêncios e ausências? Ou serve para compreender o mundo em que vivemos? Para reconhecer o valor da acção individual e colectiva para mudar e melhorar esse mundo, começando pela nossa realidade mais próxima? Cada geração faz o que pode e o que sabe pela que se lhe segue, para o bem e para o mal. Conquistámos a liberdade e a educação. O que querem os mais novos fazer com esses bens? Não venham cantar “que saudades que eu já tinha da minha alegre casinha…”. É a vossa vez de lutar. E se é verdade que há jovens acomodados e sem ambição, outros há, e são muitos, que querem mais e melhor democracia. Para isso, participam, de modos vários, desde a criação individual à participação cívica e política na construção do bem comum.Nem parvos nem escravos seria um bom refrão para um canto quotidiano. Só seremos escravos se formos parvos. E somos parvos se nos deixarmos escravizar.
É verdade que, sendo a educação um bem precioso, a escola actual está longe de responder aos desafios sociais e pessoais. Prisioneira do passado, esmagada de burocracia, asfixiada por governantes sem rumo, debate-se num mal-estar que só terá saída numa visão de escola liberta de interesses particulares e de retóricas passadistas.
Termino com uma citação de Cynthia Fleury (Les Pathologies de la Démocratie, 2005, Paris, ed. Fayard) que me conforta na certeza de não estar só:
“(…) é forçoso constatar que a escola se esforça sobretudo em formar não-perturbadores, pensando que tanto melhor preservará a saúde da democracia quanto mais produzir conformistas. Nada disso. Ensinando unicamente a norma e não o seu questionamento, instalamos a inevitável entropia: orquestramos o declínio da democracia. (…) É esta a razão pela qual o facto de reflectir sobre as novas práticas inovadoras da pedagogia, é trabalhar directamente sobre a saúde democrática, no sentido em que isso significa pensar os fundamentos do projecto democrático. A educação é, por isso, a própria fonte da democracia e não apenas uma consequência da democracia. Assim, se é importante ensinar conteúdos, não é esse o desafio principal do ensino público. (…) É preciso sermos capazes de nos servirmos do que sabemos e saber ainda por que razões e para quê utilizamos esses saberes” (pp. 201-209).
Acabem com a Área de Projecto e com o Estudo Acompanhado, acabem, recusem qualquer mudança inteligente, criminalizem o bullying e verão as gerações do futuro desprezarem a democracia".
Ilustração: Google Imagens e arquivo próprio.

terça-feira, 8 de março de 2011

DIA DE CARNAVAL



Que bom seria que as máscaras caíssem!
Parece um lugar comum, mas não, é o sentimento que paira, estou certo, em todos os madeirenses de boa vontade. Dos madeirenses desiludidos, a quem lhes acenam com palavras de simpatia, mas envenenadas, que lhes vendem sonhos que não passam disso mesmo, que sentem a sua vida mergulhar num imenso pântano que configura o desemprego e a pobreza, devido a políticos que exercem a sua actividade sem um pingo de amor ao próximo. Se as máscaras caíssem significaria respeito pelas prioridades e doação ao próximo. Que bom seria que a máscara do desencanto caísse!
Ilustração: Google Imagens.

CHOPIN NO DIA DA MULHER

DIA DA MULHER

ONDE MUITO HÁ QUE FAZER PELA IGUALDADE!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A SETE MESES DE ELEIÇÕES!!!


Aceito, obviamente, que face a alegadas desconformidades de pensamento político, um eleito prefira afastar-se, cedendo o lugar a outro. É natural e respeitável essa posição. Já não o é quando assume a crítica para o interior do partido, passando a uma espécie de "independente", embora mantendo a filiação partidária. Não aceito.

Tenho dificuldades em perceber e de aceitar que, no decorrer de um qualquer mandato, um militante partidário, eleito para o desempenho de uma dada função, se afaste com críticas ao partido que o elegeu. Aceito, obviamente, que face a alegadas desconformidades de pensamento político, um eleito prefira afastar-se, cedendo o lugar a outro. É natural e respeitável essa posição. Já não o é quando assume a crítica para o interior do partido, passando a uma espécie de "independente", embora mantendo a filiação partidária. Não aceito.
Se um militante discorda da orientação tem o dever nos órgãos próprios de fazer sentir o seu desconforto, ou, então, esgotadas as possibilidades de articulação, abandona a responsabilidade que assumiu, mantendo uma postura de reserva ou, em circunstâncias extremas, procura outros caminhos mais concordantes com o seu posicionamento político. Aliás, um político é eleito pelo povo, é certo, mas é sobretudo eleito pelo partido que o indigitou. No actual sistema organizacional é assim que um político deve considerar a sua postura.
Com a devida consideração que tenho pelas pessoas que, voluntariamente, colaboram e muitas vezes sofrem porque são perseguidas ou olhadas de forma enviesada, sobretudo em concelhos da Madeira, pequenos e limitados, não posso entender que a sete meses de um acto eleitoral, numa Região a necessitar de urgente vassourada política, um militante teça considerações que oferecem, de mão beijada, trunfos ao adversário político que há trinta e tal anos milhares combatem sem sucesso. Haverá outras razões? Não sei, nem para o caso interessa.
Ilustração: Google Imagens.

O POTE, CLARO!


É este sentimento que me repugna no exercício da política, essa política que se desviou do sentido mais puro, enquanto serviço público à comunidade e enveredou pelo aproveitamento dos lugares por razões de status social até outras menos conformes com a res pública.


Ao dizer que o PSD não está desejoso ou "cheio de vontade de ir ao pote", o Dr. Pedro Passos Coelho deixou escapar o sentimento que existe no partido. No PSD isso tem sido muito sensível. Não é por acaso que, em artigo de opinião, o Dr. Santana Lopes venha dizer que é difícil sentir-se «próximo de um partido em que muitos dirigentes se sentam na primeira fila das iniciativas de sucessivos líderes, sempre prontos para servir no Governo, em empresas, institutos públicos ou até embaixadas (...) um partido em que as diferenças programáticas e estratégicas não são as razões principais, está errado. Os partidos devem pensar, sobretudo, no que é importante para o país e não no que interessa a alguns dos que nele militam". Estas declarações compaginam-se, obviamente, com o que se passa no PSD. Aqui, na Região, não querem deixar o pote de maneira alguma e lá a azáfama é evidente.
Aliás, só o facto de dizer que os social-democratas não estão cheios de vontade de se lançarem sobre o pote dos interesses, o pote dos lugares, o pote em que esta política tem sido "generosa", só isso transmite a ideia contrária. Uma pessoa que não transporte esse interesse de rapidamente chegar ao poder, não deixa escapar essa ideia. Eu diria que transmitiu o sentimento existente, inclusive, sei lá, o dele. É este sentimento que me repugna no exercício da política, essa política que se desviou do sentido mais puro, enquanto serviço público à comunidade e enveredou pelo aproveitamento dos lugares por razões de status social até outras menos conformes com a res pública. E, assim, para lá querem ir rapidamente, mesmo que seja a meio de um mandato muito complexo, enquanto outros fazem tudo para não sair, apertando o cerco, controlando a sociedade, utilizando todos os meios disponíveis para controlá-la através das instituições públicas e privadas. É uma questão de Pote, claro!
Ilustração: Google Imagens.

MANTER A ESPERANÇA


"Como bem disse Dom Manuel Martins há uma diferença entre os que acreditam no que dizem e os que são meros funcionários da Igreja"

A propósito da Homilia do Senhor D. António Carrilho, Bispo do Funchal, recupero hoje um artigo de opinião que publiquei na edição do DN-Madeira no dia 28 de Junho de 2007. Um artigo que se baseou nas declarações de D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal. Neste artigo terminei-o dizendo: "A esperança nesta terra passa, também, por aí. Carrilhar é preciso".
"Terão passado despercebidas, ou talvez não, as sábias palavras de Dom Manuel da Silva Martins, Bispo Emérito de Setúbal: '(...) as alternâncias são sempre boas. Por muito boa que seja a pessoa que está, a partir de determinada altura alternar é bom. Já tive essa experiência na minha vida. Fui professor, saí, entrou outro, foi óptimo; fui vigário-geral, saí, entrou outro, foi óptimo; fui bispo em Setúbal, saí, entrou outro, foi óptimo. A alternância é magnífica a todos os níveis e em todos os sectores porque traz novidade, dá esperança, imprime outro ritmo de vida'. Concordo, em absoluto. Não sei se, por detrás das palavras, Dom Manuel, recentemente condecorado com a Grã Cruz da Ordem de Cristo, pelos relevantes serviços prestados ao País, palavras aquelas ditas num determinado contexto, quis também deixar um subtil alerta à Igreja, aos políticos e à população da Madeira. Talvez. Estou em crer que houve ali uma espécie de bilhar às três tabelas. Até pela sua inteligência, argúcia, luta na defesa de princípios e valores, o Bispo vermelho como o apelidaram, porque nunca teve papas na língua, cidadão honorário de várias cidades e, entre outros, nome de uma escola de ensino secundário, do alto dos seus oitenta anos, com toda a experiência de vida e dos comportamentos dos homens, é bem possível que tivesse querido deixar essa mensagem colateral de 'esperança' que poderá, no futuro, imprimir 'outro ritmo de vida' aos madeirenses.
Dom Manuel Martins é um pastor da Igreja católica que me fascina pela clareza do raciocínio, pela doação, simplicidade, humildade e lição de vida ao serviço dos mais carentes, ofendidos e marginalizados. Outros, não reconhecidos pela Nação, porventura ficam na história insulana da pequenez dos favores e dos cúmplices silêncios junto do poder temporal, instituído Deus bem sabe como, repetindo mofas ladainhas que já poucos as compram. Como bem disse Dom Manuel Martins há uma diferença entre os que acreditam no que dizem e os que são meros funcionários da Igreja. Na Madeira temos tido, infelizmente, personagens dessas que, digamos, cumprem, rigorosamente, o horário. Isto porque, quando se tratou e trata de tocar frontal e persistentemente nas feridas sociais que sangram; de conhecer esta laranja, aparentemente limpa e sumarenta mas amarga e corroída por dentro que, dia-a-dia, estraga todo o cesto; de despir as vestes clericais e meter-se nessa Madeira profunda que nasce à nossa ilharga com a tal mensagem de esperança; de sair do paço ou do adro por lealdade e fidelidade à Palavra; de afrontar os poderes, pequenos ou grandes, colocando, serenamente, no seu verdadeiro lugar os jogadores do xadrez político, público e privado, que batem a mão no peito mas, por arrogância, luxúria, avareza e gula fazem xeque-mate à bondade e humildade de um povo... fugiram e fogem como o diabo da cruz. Convenhamos que o comportamento desejável e necessário na condução dos Homens neste conturbado tempo, um tempo do ter antes do ser, um tempo de falsas verdades, não tem sido apanágio de algumas figuras quando compaginadas com a atitude independente e marcadamente humanista do Bispo Emérito de Setúbal.
A Madeira já teve, também, nos longínquos anos de 1849/1858, um Bispo chamado Manuel Martins. Este de sobrenome Manso. Reza a História que governou o bispado madeirense no meio de graves convulsões clericais e sociais. Precisamente um quadro que, embora dissimuladamente, hoje se constata. Ora, a Região não precisa de mais um manso. Precisa de um que cante fora do coro, que desafine pelas suas tomadas de posição, que liberte o povo para a Palavra consequente desamarrada do jogo dos interesses políticos e da subserviência resultante do subsídio, aliás, como muitos, por esse mundo fora, o têm feito e que, por isso, embora criticados pela hierarquia, são merecedores do reconhecimento e veneração públicas. É difícil, então eu não sei! Mas também sei que a esperança de que fala Dom Manuel Martins, "a todos os níveis e em todos os sectores", políticos, sociais, económicos, culturais e até religiosos, constrói-se através da mudança de hábitos, da criatividade, da defesa da honestidade, da educação, da cultura, do abanar das consciências adormecidas e de chamar, educada e solenemente, nos momentos certos, os bois pelos nomes. A esperança nesta terra passa, também, por aí. Carrilhar é preciso!".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 6 de março de 2011

BEETHOVEN

MAIS PS, MAIS PORTUGAL

VIVA O DEBATE INTERNO


Capoulas Santos e Correia de Campos deveriam ter aqui estado nos momentos mais complexos e, curiosamente, nem um nem outro, enquanto Ministros, tiveram a sensibilidade de estabelecerem contactos, pela via partidária (...)

"Nós temos um  líder disponível (...) é preciso gente que não mude de opinião da manhã para a tarde, de uma semana para a outra", vincou o Dr. Correia de Campos, que ontem esteve no Funchal a promover a mensagem que emerge da Moção do Engº José Sócrates a apresentar ao próximo Congresso. 
Fujo a ter "pedras no sapato", mas penso que aquela declaração tem mais a ver com uma resposta à Moção do Dr. Jacinto Serrão do que com os líderes do PSD Nacional. E se assim é, eu lamento a declaração produzida, porque o Dr. Correia de Campos desconhece, completamente, o que foi engolir em seco muitas situações ao longo de anos e demonstrar irrepreensível solidariedade em muitos momentos que nos prejudicaram de forma muito clara. Já aqui o escrevi e não volto a esse triste passado de completo abandono. Aliás, Capoulas Santos e Correia de Campos deveriam ter aqui estado nos momentos mais complexos e, curiosamente, nem um nem outro, enquanto Ministros, tiveram a sensibilidade de estabelecerem contactos, pela via partidária, no sentido do esclarecimento de políticas, note-se, em dois sectores da governação extremamente importantes, respectivamente, Agricultura e Pescas e Saúde.
Esta minha posição é legítima porque estamos em tempo de Congresso, período de reflexão interna que nada tem a ver com divisões internas. O que aqui está em jogo é a correcção dos erros de processo, de pensamento estratégico e até de princípios ideológicos. Não estão em causa pessoas, mas políticas. Portanto, é legítimo o apoio a José Sócrates, como é legítimo que, das Ilhas, surja uma posição não alinhada no sentido do unanimismo. O momento é de discussão, de debate profundo e neste aspecto considero que o PS-Madeira já ganhou, pois está a provocar o desconforto e a inevitável reflexão interna. Talvez, estou em acreditar, que muita coisa será alterada a partir do Congresso de Abril, no Porto.
Ilustração: Google Imagens.

D. FRANCISCO SANTANA, O BISPO CONDICIONADOR DA LIBERDADE


Entendo que D. Francisco Santana foi  um dos culpados pela situação política que enfrentamos, condicionadora da liberdade e da vida democrática culta e plena. E estou à vontade para o dizer porque Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho não é mais Católico do que eu nos princípios e valores que emanam do Evangelho, da Palavra de Cristo.

Politicamente, se calhar, deveria deixar passar em claro. Mas, confesso, não consigo. Acabo de ler as palavras ontem ditas por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho. Falou do Bispo D. Francisco Santana como um homem de "lucidez e coragem" qual "bom pastor que defendeu intrepidamente as suas ovelhas" durante os "conturbados tempos da pós-revolução social e política" do 25 de Abril de 1974.
Ora, eu, como tantos, que conhecemos a História, pelo contrário, entendo que D. Francisco Santana foi  um dos culpados pela situação política que enfrentamos, pelo condicionamento social e pelos constrangimentos da liberdade e da vida democrática culta e plena. E estou à vontade para o dizer, porque Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho não é mais Católico do que eu nos princípios e valores que emanam do Evangelho, da Palavra de Cristo. Pode ser, indiscutivelmente o é, na prática, pela Sua função, nunca nos valores e no pensamento acerca da Vida e da relação com os outros. Somos iguais.
Pode D. António Carrilho falar de um dos seus antecessores como um homem de "bondade e de valores humanos invulgares". Fica-lhe bem e até acredito que sim. Não tenho dados que provem o contrário. Do ponto de vista político, alto, Senhor D. António, o Bispo Santana tem muitas e muitas culpas no cartório por tudo quanto fez e por tudo quanto não fez por uma sociedade livre dos homens e dos políticos que dela se servem. Eu tenho-o bem presente, pois acompanhei o seu Apostolado desde que regressei da guerra na Guiné (Agosto de 1974) até aos seus últimos dias (1982). Lembro-me do que se passou, das claras indicações de sentido de voto e da sua ligação ao poder liderado pelo PSD. Eu diria que a Palavra foi utilizada mais no plano político do que no plano de uma sociedade com valores, liberta seja lá de quem for.
Numa Missa pelos prelados já falecidos, há tantos e tantos que deixaram uma marca de doacção aos outros, de trabalho, muitas vezes não reconhecido, trabalho anónimo, que merecem a nossa vénia e a nossa lembrança como exemplos de vida, de desprendimento, de sacrifício e de entrega à solução dos problemas sociais. Que D. Francisco Santana tem essas qualidades, pois que sejam enaltecidas, mas quanto ao seu passado político seria de bom senso um certo ou total resguardo. A suspensão "a divinis" do Padre Martins Junior constitui, apenas, a ponta de um profundo icebergue.
Depois, considero estranha esta evocação de D. Francisco Santana, a pouco mais de sete meses de eleições regionais. Terá alguma coisa a ver com a outra? Espero que não.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 5 de março de 2011

O NOVO HOSPITAL CENTRAL - UMA PROMESSA NÃO CUMPRIDA

ADVOGADA DAS CAUSAS PERDIDAS


Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declara que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assume que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo diz que, se for eleito gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF refere que o actual hospital está fora de prazo e em Dezembro é anunciado o concurso público e, logo a seguir, oito consórcios mostram-se interessados; por aí fora...

Há Deputados(as) que, das duas, uma: ou defendem o indefensável, aquilo que ninguém entende por falta de razoabiilidade argumentativa, ou estão talhados(as) para as causas perdidas. Ora, a questão do Hospital, afinal, é porque o Governo da República não quis assumir a sua responsabilidade. À posição assumida pela Senhora Deputada Rafaela Fernandes do PSD, acabo de ler algumas mensagens na edição on-line do DN que provam que há muita gente que tem dificuldades em engolir aquele tipo de declarações: "(...) O Governo (3D) Desviar, Devertir, Destrair! e a culpa é dos Cubanos (...) Desculpe mas isso não deve ser verdade, não acredito, nunca até hoje foi noticiado, e isso seria uma notícia que nenhum dos actuais grupos de comunicação social deixaria passar, que o governo da República tornasse público, claramente, que não apoiava a construção do novo hospital, se para mais alguns partidos como o CDS e o PCP desenvolviam esforços nesse sentido, de o projecto ser de interesse comum (PIC), ao que parece os deputados do PSD-M na AR, é que se deitaram à "sombra da bananeira", e talvez receosos do sucesso dos seus colegas da oposição toca "deitar areia em cima", aliás o "PIC" tornou-se foi "PIG" (...) Se há coisa que adoro são tangas... mas não destas! (...) Realmente... a culpa é sempre dos outros. De facto, há outras prioridades....como estádios, marinas,etc... (...) Vira o disco e toca o mesmo! Pois é! Aqueles malandros, sabem que vamos gastar tantos milhões na paradisíaca lixeira do Funchal e outros tantos no indispensável sumidouro do Lugar de Baixo, e nem nos pagam um Hospital! É incrível que mesmo sabendo dessas urgentes e incontornáveis despesas, ainda estejam à espera que tenhamos dinheiro para coisas pouco interessantes como hospitais. O governo central, ao contrário do nosso, não sabe o que são prioridades!!! (...) E o estádio dos Barreiros? Teve apoio da República!? (...) A "metralhadora" de barretes e manobrismo político como tentam fugir à impopularidade é de uma criatividade absolutamente delirante".
A posição do PSD é, de facto delirante. Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada. Entre muitas a das expropriações.
Perante um quadro destes, e lá vão dez anos, vem a Senhora Deputada Rafaela Fernandes dizer que a culpa é de Lisboa. Nem teve presente que a saída das regiões Objectivo 1 da UE, além de ter custado menos 500 milhões de receitas, pode também estar em causa um hospital. Se calhar foi a oposição que esteve em Bruxelas a manifestar a riqueza da Madeira à custa de um PIB empolado pela Zona Franca, portanto uma riqueza que nunca existiu.
Hoje, é Sábado de Carnaval. Este é, apenas, mais um DESFILE.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 4 de março de 2011

NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA SEREM OPOSIÇÃO


O que me leva a escrever são dois factos ocorridos. Primeiro, um requerimento do Grupo Parlamentar do PS que solicitava que a audição fosse aberta à Comunicação Social. Está previsto no Regimento, embora tal fique dependende da vontade da maioria. Colocado o requerimento à votação, o PSD-M chumbou o requerimento, não permitindo, pois, que os órgãos de comunicação social acompanhassem a sessão. Inqualificável.

Hoje, ao final da manhã, FINALMENTE, nove meses depois, o Secretário Regional dos Assuntos Sociais e Saúde dignou-se ir à Assembleia Legislativa da Madeira para uma audição parlamentar. Durante nove meses o PSD-M, na respectiva Comissão Especializada foi empurrando, empurrando até hoje. Uma extensa lista de problemas e, naturalmente, de perguntas, esperavam o Secretário. Aquilo que poderia e deveria ser esclarecido e resolvido no seu tempo próprio, em função dos acontecimentos políticos, acabou por levar três horas e meia de audição. Começou às 11:00 e terminou já depois das 14:30 horas.
Não me vou pronunciar sobre o conteúdo das perguntas, porque essas, os grupos parlamentares colocam-nas e o Secretário responde, pese embora, com a "mania" de sempre que, aliás, este governo não consegue descolar, isto é, de responder em bloco depois de todos colocarem as suas perguntas. Uma situação que, desde logo, inviabiliza o diálogo e o cabal esclarecimento dos assuntos. Trata-se de uma forma habilidosa de responder passando por cima das questões mais embaraçosas. Mas enfim... 
O que me leva a escrever são dois factos ocorridos. Primeiro, um requerimento do Grupo Parlamentar do PS que solicitava que a audição fosse aberta à Comunicação Social. Está previsto no Regimento, embora tal fique dependende da vontade da maioria. Colocado o requerimento à votação, o PSD-M chumbou o requerimento, não permitindo, pois, que os órgãos de comunicação social acompanhassem a sessão. Inqualificável. Ora, quem inviabiliza é porque tem a consciência pesada e teme que os assuntos que a todos diz respeito sejam públicos. Segundo, agastados com a pressão exercida pelo PS-Madeira, a páginas tantas, o PSD-M abandonou a reunião, deixando o Secretário a falar só. Das duas uma, ou até Outubro não há mais audições parlamentares ou, então, haverá lugar a "puxão de orelhas".
Ora, isto significa que esta maioria não está preparada para ser politicamente pressionada, muito menos para ser oposição. Só quando as iniciativas são da sua responsabilidade conseguem aguentar, de resto a situação tende a complicar-se. E dou um exemplo: decorre uma Comissão de Inquérito Parlamentar à Comunicação Social, iniciativa do PSD-M, depois de terem chumbado, meses antes, uma de igual teor apresentada pelo PS-Madeira. Faço parte dessa Comissão. Nas audições ao Presidente do Conselho de Administração do DN-Madeira permaneci na reunião mais de três horas. Com o Administrador do Jornal da Madeira, não me recordo o tempo, mas andou por lá perto. Agora, que se trata de uma audição, protelada durante nove meses, os deputados do PSD-M sentiram que era demais e que havia que terminar, certamente porque o almoço esperava. Curiosamente, ainda ontem, no plenário, a sessão foi prolongada mais uma hora (até cerca das 14:00 h) porque a maioria entendeu que um determinado projecto de decreto legislativo regional, com origem no governo, SOBRE CONCESSÃO DE AVALES (ora, ora...!!!), não podia ficar para a próxima sessão. Tinha de ser aprovado ontem e ponto final.
Dr. Bernardo Martins,
Presidente da 5ª Comissão Especializada
de Assuntos Sociais e Saúde
Mas há mais, fará algum sentido, aquando das declarações à comunicação social pelos diversos partidos, manterem-se por perto para escutarem o que outros estão a dizer, para depois contraporem? Fará algum sentido, repetidamente, quando o Presidente da 5ª Comissão Especializada em Assuntos Sociais e Saúde produz declarações à Comunicação Social, elementos do PSD deixarem-se ficar na sala para ouvir o que ele diz? Para além de deselegante denuncia ausência de respeito e cordialidade. E porque fazem isto? Simplesmente porque o Presidente da Comissão é o Dr. Bernardo Martins, do PS.
Como alguém já o afirmou: continuem a brincar com a guerra, porque quando houver paz será muito difícil para quem leva a vida política de forma prepotente e antidemocrática.
Ilustração: Google Imagens.

64 MINUTOS E 47 SEGUNDOS. SÓ AQUI OU NUM PAÍS DE PARTIDO ÚNICO.


Quando elogia esta nova direcção da RTP-Madeira ele sabe, com toda a certeza, a história do processo. Tão descarado foi aquilo que um programa que tem um formato de 30' para todos os entrevistados, ali, a excepção aconteceu, prolongando-o para o dobro. Não foram mais cinco minutos, foram trinta e quatro minutos a mais!


Estive tentado a escrever sobre a entrevista do Presidente do Governo Regional ao programa "Entrevista" da RTP-Madeira. Frenei o meu impeto sobretudo porque tudo aquilo foi muito mau e, sinceramente, não faz o meu jeito assumir uma crítica cuja leitura possa ser, lá está ele, sempre na crítica. Não gosto. E se hoje torno a esse programa foi porque li, esta manhã, serenamente, o artigo de opinião da Drª Violante Saramago Matos, publicado no DN-Madeira, onde exactamente este tema está em destaque. Não retiro uma vírgula ao texto. E antes demais transcrevo uma parte do primeiro parágrafo do seu artigo: "Ao fim de quatro anos, a RTP-M deu finalmente a palavra ao chefe do governo que, imagine-se, se confessou muito agradecido pela oportunidade que lhe foi concedida esta semana. Podia era ter aproveitado para em vez de assumir um papel de grande estadista que se ocupa durante uma hora a dar lições de história, de economia, da Europa, do mundo, podia ter aproveitado para falar de cá. Do que aqui se passa. Do que aqui falta. Do total desprezo pelo planeamento, sem aceitar que a sua falta potencia os riscos em situações de catástrofe (...)". Foi isto que resultou daquela entrevista, isto é, levou uma hora a falar para fora quando os problemas estão cá dentro. Os problemas das empresas, do desemprego, da pobreza, os problemas de um modelo económico ineficaz, os problemas da falta de transparência do Centro Internacional de Negócios, os verdadeiros problemas da reconstrução, enfim, um infindável número de questões que, esmiuçadas, colocavam o presidente do governo, como vulgarmente se diz, "feito num oito". Simplesmente porque a população já tem a "Missa" de Domingo e ter de assistir a mais esta, convenhamos que é dose a mais.
Toda a entrevista foi de resposta óbvia, como diz o meu Amigo Carlos Pereira, tipo "água do Luso", ou como diz outro, "timex, não adianta nem atrasa", o que levou o presidente do governo a agradecer no final ao jornalista ter colocado as questões que colocou. Ora, quando um entrevistado faz uma referência destas é porque a entrevista constituiu um fatinho à medida. Quando elogia esta nova direcção da RTP-Madeira é porque ele sabe, com toda a certeza, a história do processo. Se sabe! Tão descarado foi aquilo que um programa que tem um formato de 30' para todos os entrevistados, ali, a excepção aconteceu, prolongando-o para o dobro. Não foram mais cinco minutos, foram trinta e quatro minutos a mais (o programa teve 01.04'47'') pode-se constatar no sítio da RTP-Madeira na Internet). Pergunta-se, desde logo, qual a razão? Na RTP, em Lisboa, por exemplo, um programa semelhante, "A Grande Entrevista" tem um formato que dele não sai, esteja lá o Primeiro-Ministro ou qualquer um dos líderes partidários. Mas, aqui, não, o "grande líder" teve direito a cantar a missa como gosta, emendando até o jornalista, puxando a pergunta para a resposta que ele queria dar. 
Lamentavelmente, trata-se de uma RTP-Madeira em completo abuso de antena, claramente ao serviço de uma força partidária. Já não basta o Jornal da Madeira com 15.000 exemplares diários de propaganda, paga com os impostos de todos (3 a 4 milhões de euros por ano), já não basta o serviço de muitas rádios locais, ainda por cima, a RTP-M escancara as portas para ouvir a "missa do senhor governo".
Convidem-no, aí sim, para ali estar frente-a-frente com a oposição, tenham a coragem de deixar a cadeira vazia se, uma vez mais, negar-se a participar como acontece, de forma recorrente, na Assembleia Legislativa. Isto de falar a solo, dizer o que pensa e não ser confrontado com outras leituras políticas, é fácil, muito fácil. O problema está no debate, no confronto, só aí é que o povo se pode aquilatar dos argumentos de uns e de outros. Só que o "serviço público" de rádio e televisão, leva-o ao colo em ano de importante acto eleitoral. A propaganda já começou, a lavagem ao cérebro acelerou, a secundarização de outras vozes prolifera e, portanto, eu diria que a a calendarização dos actos está assumida.
Para quem assim se porta, torna-se necessário que tenham presente que "quem semeia ventos, tarde ou cedo, colhe tempestades". Lembrem-se que o Povo tanto aplaude hoje, como amanhã põe os políticos a milhas. Basta olhar para a História ou, então, olhar para as explosões sociais que estão a acontecer um pouco por todo o lado. Cuidado, meus senhores, cuidado! Não são os socialistas que pagam a RTP-Madeira ao contrário do que disse o presidente do governo, é todo o povo português, porque o "serviço público" de rádio e televisão é CONSTITUCIONAL.
Ilustração: Google Imagens. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

O POVO E O POLVO


Logo a seguir ao 20 de Fevereiro, recomposto, minimamente, o efeito da tragédia, as medidas essenciais foram levadas ao Parlamento, mas para quê? Eles sabem tudo, controlam tudo e chumbam tudo. Oxalá que o Povo olhe para este Polvo!


Aqui não se debateu a Lei de Meios. Foi preciso a Assembleia da República agendar um debate com a presença do governo. Aqui, foi apresentada uma proposta de uma Comissão de Acompanhamento. Resultado: chumbada. Aqui, foi apresentada uma proposta que visava a constituição de um Entidade Independente para a Reconstrução. Resultado: chumbada. Para quê uma Comissão de Acompanhamento e para quê uma Entidade Independente para a Reconstrução, esta formada por uma Comissão Executiva e assessorada por uma equipa técnico-científica. Par quê se eles sabem tudo. Para quê, se o governo quer ficar com o dinheirinho e dele dispor como quer e entende? Para quê, se com eleições à porta, há que fazer os arranjinhos em função dos interesses político-partidários. O exemplo mais acabado é o da utilização do dinheiro para proceder a obras a leste do cais da cidade, no aterro, em detrimento da salvaguarda de pessoas e bens que esperam e desemperam pelos apoios!
Foi preciso a República porque, aqui, o debate não se faz, a discussão séria e frontal não acontece, o Parlamento é um faz-de-conta, a Democracia é uma palavra vazia de significado para esta maioria. Logo a seguir ao 20 de Fevereiro, recomposto, minimamente, o efeito da tragédia, as medidas essenciais foram levadas ao Parlamento, mas para quê? Eles sabem tudo, controlam tudo e chumbam tudo. Oxalá que o Povo olhe para este Polvo!

quarta-feira, 2 de março de 2011

MOÇÃO DE CENSURA: O ESTERTOR DO REGIME



É essa falta de ética e de moral, de responsabilidade, de humildade, de sentido democrático que conduz a que muitos acabem por reconhecer como certa a errada política. É por isso, por esse egoísmo, por essa matriz do poder pelo poder, do dinheiro pelo dinheiro, que hoje nos confrontamos com uma política sem rigor, sem ética e sem moral. Confrontamo-nos com o exercício da política que sobrevive à custa da desordem social, da corrupção material, da corrupção dos princípios e dos valores antagónicos do que seria legítimo esperar da manifestação dos actos políticos.


 Esta manhã esteve em debate, na Assembleia Legislativa da Madeira,  a MOÇÃO DE CENSURA ao governo regional da Madeira, apresentada pelo PCP. Tratou-se de uma sessão ridícula e desprestigiante para o Governo, para o Parlamento e para a maioria parlamentar. Não é assim que se dignifica o primeiro órgão de governo próprio. Desde logo, o presidente do governo faltou, delegando essa tarefa no Secretário Regional dos Recursos Humanos, o Dr. Brazão de Castro; depois, com "todo o tempo do mundo" à sua disposição, massacrou os presentes com três intervenções, repetidas, lendo, tipo "páginas amarelas", obras desde asfaltagens até paragens de autocarros. Ora, o discurso político é muito mais do que ler o rol das obras feitas e das obras que pretendem fazer. É por isso que digo que se tratou de uma sessão ridícula, onde, pelo contrário, se esperaria uma natural defesa do governo e um natural ataque das oposições.
Aqui fica a minha intervenção:
Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados,
Esta Moção de Censura, inconsequente em função do quadro da representação parlamentar, no entanto, traz consigo a importância de aqui serem, uma vez mais, denunciados os aspectos mais relevantes da governação regional.
Denunciados, mas infelizmente não debatidos, já que este Regimento específico foi claramente elaborado, tal como outros, para bloquear as vozes incómodas ao governo da Região e à maioria que o apoia.
Aliás, quem deveria estar aqui sentado a justificar e a debater cara-a-cara com os Deputados de todas as bancadas, era o Presidente do Governo Regional. Mas, uma vez mais prima pela ausência, pela fuga ao debate político, numa manifestação da sua fraqueza e do medo que evidencia em ser confrontado com a realidade económica, social e cultural que ele próprio conduziu ao longo de mais de três décadas.
Ao contrário do que ele pensará, o que ficará para a História, enquanto memória de um período de governação, não serão as inaugurações, os discursos de circunstância, as festas populares e as lavagens ao cérebro daí resultantes. Ficarão na História as graves limitações do Povo no quadro da sua incapacidade para partir à conquista do futuro.
Foi assim durante quarenta e oito anos, onde o regime de então foi pródigo na construção de edifícios emblemáticos, mas absolutamente desconexos com a realidade económica, social e cultural do povo.
Hoje, os tempos são outros, são substancialmente diferentes, porém a matriz continua a ter as mesmas semelhanças. As tais obras emblemáticas ou não, continuam, a obra pública prossegue, a escolarização aconteceu por imperativo constitucional, mas os instrumentos para que a população consiga se libertar e construir o seu espaço de afirmação e de felicidade na vida, continuam, tal como ontem, desfasados do sentido das prioridades e do tempo que vivem.
Basta ter presente o discurso político que nada tem a ver com a realidade sentida. Basta ter presente o trapézio sem rede por onde ontem andou o Secretário do Plano e Finanças, a propósito da Conta de 2009.
E é essa realidade que move esta Moção de Censura política, de censura pelo caminho seguido, de censura pelo egoísmo de alguns mais preocupados com o seu mundo do que com o mundo de todos os outros.
É por isso, por esse egoísmo, por essa matriz do poder pelo poder, do dinheiro pelo dinheiro, que hoje nos confrontamos com uma política sem rigor, sem ética e sem moral. Confrontamo-nos com o exercício da política que sobrevive à custa da desordem social, da corrupção material, da corrupção dos princípios e dos valores antagónicos do que seria legítimo esperar da manifestação dos actos políticos.
A “máfia boazinha” e o repetido apelo aos jovens, sobretudo porque os mais velhos começam a desconfiar, de que é necessário impedir o regresso ao passado, à "Madeira Velha", aos ingleses, aos intermediários, aos monopólios, à escola que não existia e à morte por ausência de cuidados de saúde, que é preciso ir, montanha fora, com o dever da pregação pedagógica, no fundo, exprime a inquietação deste poder, desse poder de um só homem ou de um homem só, mesmo que esse homem, internamente, ganhe sem oposição.
Não há homens providenciais, senhoras e senhores deputados. O que existe são homens e mulheres com visão sustentável, visão prospectiva, humildes e trabalhadores, estudiosos, homens e mulheres de boa-fé, de debate democrático, que aprendem com os outros e com os erros, e que acreditam que o poder temporal constitui, apenas, um instrumento no quadro do crescimento e do desenvolvimento através da Democracia e do trabalho com rigor, mas com regras.
Homens e mulheres que questionam e que se interrogam sobre o que fazem, sobre as suas opções de política de governo. O que existe, em contraponto ao homem só, são homens e mulheres que sabem que repetir o passado significa a estagnação e o empobrecimento.
Quando, ao jeito de uma tábua de salvação, o mentor de toda esta engrenagem, pede aos jovens para pregarem a tal Madeira Nova, é porque tem o sentimento que o poder se esvai mãos fora. Só que os jovens já terão percebido a marosca, as razões que sustentaram as obras construídas na Região, algumas sumptuárias, muitas desajustadas no tempo e que, por leviandade governativa, estão condenados a terem de as pagar, no futuro.
Pedagogia, senhoras e senhores deputados, seria colocar os jovens e os menos jovens a questionarem a monumental dívida pública, questionarem e esclarecerem aquilo que se esconde por detrás das palavras que comprometem o futuro; pedagogia seria perceber quais as razões para tanta pobreza e tanto desemprego; pedagogia seria perceber se os dramas ficam a dever-se à Constituição da República ou à deriva governativa; pedagogia seria levar os jovens e os menos jovens a questionarem-se se desejam uma só voz e um só pensamento para que alguém continue a ser o gestor de todas as mentes; pedagogia, seria questioná-los sobre os quatro milhões anuais entregues de bandeja a um órgão de comunicação social, destinados à propaganda política na subliminar intenção do regime de partido único; pedagogia, seria questionar, após leitura atenta aos documentos existentes, sobre os sectários critérios de atribuição da publicidade institucional; questionar sobre o funcionamento das rádios locais; pedagogia seria colocá-los a questionar toda história, no quadro do abusivo controlo da comunicação social, a história, repito, que envolveu a nomeação do novo quadro administrador e gestor da RTP/RDP, questionar a triste história do Registo Internacional de Navios; sobre as tecnicamente falidas sociedades de desenvolvimento; sobre as concessões quase transformadas em novos monopólios; sobre o vergonhoso e indecente modelo de exploração do Centro Internacional de Negócios, enquanto porta escancarada para a fraude e para a evasão fiscal que conduz a que, infelizmente, a União Europeia e muitos países comecem a olhar de forma enviesada para o que ali se passa, por falta de rigor, de transparência e demissão da tutela. Pedagogia seria exortar os jovens e menos jovens para os porquês da legião de novos pobres, para a falência das empresas e para a angústia dos empresários, para as razões substantivas de quase 17.000 desempregados. Pedagogia seria falar a verdade aos madeirenses e porto-santenses sobre as causas do abandono do projecto do novo hospital, o desnorte político reflectido no panfleto eleitoral sobre o depósito de materiais a leste do cais da cidade. Pedagogia seria falar de um novo estádio de futebol quando estão aí pelo menos 750 idosos à procura de um lar. Pedagogia seria falar das causas que levam a que cada madeirense já deva cerca de € 24.000,00.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, denunciar os problemas reais, pretender que eles sejam debatidos com frontalidade e sentido de responsabilidade é próprio de homens livres e que amam a sua terra. E pergunto, neste contexto, se alguém aqui, neste hemiciclo, admite, considera que isso é obra de "energúmenos”, "parvalhões", "analfabetos", “ignorantes" e "idiotas"?
É essa falta de ética e de moral, de responsabilidade, de humildade, de sentido democrático que conduz a que muitos acabem por reconhecer como certa a errada política.
Senhoras e senhores deputados, há mais vida para além da cadeira na qual aqui nos sentamos. Essa cadeira, que muitas vezes constitui a cadeira da mentira, da opacidade, do discurso oco e irrealista, não se compagina, nem no plano ideológico, com a vontade do povo que, ao eleger, pretende ver a sua vida melhorada e o seu futuro com esperança e confiança.
Senhor Presidente, senhoras e senhores deputados da maioria, sabem que a mentira tem perna curta e que esta farsa que há anos alimentam, apenas porque o poder vos embriaga, tem os seus dias contados.
Numa Região onde a pobreza e a ignorância foram intencionalmente semeados, onde os votos são trocados por cimento, telhas e ferro, onde se assiste à miserável caridadezinha, onde a Educação portadora de futuro é substituída por túneis na cabeça das pessoas e obras sem retorno económico e social, onde o futebol substitui a refeição das pobres crianças, onde a saúde dos madeirenses é substituída por obras a inaugurar a tempo das próximas eleições, onde um jardim de 15.000 m2 e uma praça em Santana é mais importante que um novo olhar para o sistema empresarial, reflecte que o governo foi eleito para servir-se do poder e não para servir o povo. Há uma teia interesses que o próprio poder sabendo que ela existe é incapaz de a combater, simplesmente porque é refém e cúmplice desses mesmos interesses.
E enquanto isto acontece, os capitais começam a ser colocados em lugar mais seguro, porque os que mais têm e os que mais ganharam com esta política, não estão distraídos, Senhores Deputados, sabem e têm acesso a uma informação privilegiada e, portanto, estão a colocar lá fora, por segurança, a insegurança que sabem existir cá dentro.
Nós vamos apoiar esta Moção de Censura. Esta Moção pode ser inconsequente aqui e agora, mas não será inconsequente a prazo. O destino deste governo está traçado. Podem rir, senhores deputados, mas espero que olhem para os ventos de mudança que pelas mais variadas razões estão a acontecer um pouco por todo o lado. O povo tanto aplaude hoje como amanhã se manifesta ruidosamente. Temos exemplos, inclusive, no nosso país. E mesmo aqui. O cordão humano em cima daquele aterro, a total desconfiança que os atingidos pela tragédia de 20 de Fevereiro têm vindo a demonstrar, a angústia dos empresários, a insensibilidade do governo para olhar pelos mais frágeis da sociedade, que deveriam, nesta hora de aflição, contar com compensações que a austeridade implicou, tudo isto e muito mais, não levará tempo, para que os madeirenses e porto-santenses ergam a sua voz e peçam justiça social.
Há um tempo onde é possível enganar o povo. Mas há um tempo que a justiça sobrevém. Implacável, porque não é possível enganar o povo todo o tempo.
Ilustração: Google Imagens.

A CONTA DE 2009... A TRISTE E PREOCUPANTE REALIDADE


Se o Dr. Ventura Garcês fosse um quadro de uma empresa privada, das duas, uma: ou já tinha partido, por decisão própria, em função de um desastrado "patrão" ou, teria sido demitido por um qualquer conselho de administração sério e apostado em resultados.

"Dubai do Atlântico, cheia de betão e totalmente falida", foi desta forma que o Deputado Carlos Pereira caracterizou a Região da Madeira, a propósito da Conta de 2009 que, ontem, esteve em debate na Assembleia Legislativa da Madeira. Uma vez mais assisti a várias intervenções, desde o Secretário Regional do Plano e Finanças ao grupo parlamentar do PSD, todas no quadro de quem quer tapar o Sol com a peneira. Em contraponto, o Deputado Carlos Pereira desmontou, peça por peça, aquela ânsia de justificar o que os números factuais não permitem. Aliás, raras vezes, quando alguém da oposição fala, se assiste a um certo silêncio na sala. E ontem, sobretudo na sua segunda intervenção, vi o Secretário acabrunhado, debruçado sobre os seus papéis, ao jeito de "como saio desta", vi o semblante dos seus colaboradores mais próximos (Directores Regionais, sentados na galeria dos convidados) denunciarem incómodo e vi, genericamente, a bancada do PSD a "engolir" as palavras argumentativas do deputado socialista.
É que o Dr. Ventura Garcês é, porventura, o secretário mais importante deste governo e lastimo que vendo este navio a adornar cada vez mais, não tenha a firmeza e a coragem para impor um rumo, chamando à atenção do presidente do governo para o quadro de falência para o qual ruma esta orientação política. Mantém-se acomodado como se fosse um "funcionário" que cumpre ordens, quando a responsabilidade da sua pasta está muito para além do somar, dividir, multiplicar ou subtrair das contas. Se o Dr. Ventura Garcês fosse um quadro de uma empresa privada, das duas, uma: ou já tinha partido, por decisão própria, em função de um desastrado "patrão" ou, teria sido demitido por um qualquer conselho de administração sério e apostado em resultados.
Não posso aceitar enquanto cidadão no exercício da política que um Secretário das Finanças, quando tem tudo em estado de falência, venha dizer à Assembleia que os activos superam os passivos. Pergunto: mas a quem é que a Região vai vender, por exemplo, a marina do Lugar de Baixo entre tantas obras e património pertença da Região? A política não pode descer a este tipo de discurso de vão de escada, de café ou de natureza familiar, onde as dificuldades são temporariamente resolvidas com a "Ourolux" ou qualquer coisa parecida. Vender o património, vender os activos, mas a quem?
A realidade é extremamente preocupante, mas o governo continua de peito cheio. Tal como me dizia um Amigo que, infelizmente, já partiu, "tudo isto faz-me lembrar o fidalgo cheio de problemas até ao pescoço, mas continua fidalgo". Mas foi assim com o Secretário e foi assim, à noite, na RTP-M, na entrevista com o Presidente do Governo. Os verdadeiros problemas da Região passaram completamente ao lado e tudo aquilo não passou de uma tentativa frustrada de recuperação de imagem. Aliás, neste momento que escrevo, curiosamente, numa sondagem de actualidade, no on-line do DN-Madeira, 74% dos leitores consideram que a entrevista se situou entre o miserável (64%) e o fraco (10%). Está tudo dito. 

terça-feira, 1 de março de 2011

UM DRAMA EM TRÊS ACTOS


Então este governo regional não está a precisar de uma vassourada, por desresponsabilização e má utilização dos dinheiros públicos?

Primeiro Acto. 70.000 pobres, 16.430 desempregados e 15% já perderam subsídio de desemprego, paralisação da economia e empresários aflitos, falências, seis mil milhões de dívidas, turismo em queda com menos um milhão de dormidas em dois anos e centenas com salários em atraso, grave turbulência nos sistemas de saúde e educativo, não receptividade da banca a novos créditos ao governo, desnorte no Centro Internacional de Negócios, 92% das empresas do Porto Santo em insolvência técnica, crescente onda de assaltos.
Segundo Acto. Da imprensa recente: mais seis milhões para o Estádio do Marítimo, mais quatro piscinas, novo hospital suspenso, “desenho” para o aterro considerado “panfleto eleitoral”, economia em pânico, 9500 vivem em famílias sem trabalho, 25% dos restaurantes fecham no Porto Santo, 750 idosos em espera por um lar, pobreza atinge níveis alarmantes, escolas matam a fome, negócio da prostituição prolifera na Madeira, cada madeirense deve € 24.000,00, a velha natureza é muito mais forte que a Madeira Nova.
Terceiro Acto. Os que denunciam são "energúmenos”, "parvalhões", "analfabetos", “ignorantes" e "idiotas". Passos Coelho diz que Guilherme Silva fala demais, deputados do PSD-M correm atrás da oposição para desmentir tudo e todos, maioria impõe míseros 2% de acréscimo à retribuição mínima mensal, governo nega apoio regional aos idosos, pensionistas, abono de família e funcionários públicos.
Pergunta. O governo remete todos os problemas para Lisboa, como se a Região não dispusesse de uma maioria absoluta há 35 anos, Assembleia Legislativa, Governo e Orçamento próprio. Então este governo regional não está a precisar de uma vassourada, por desresponsabilização e má utilização dos dinheiros públicos?
Ilustração: Google Imagens.
Opinião publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

BASES PROGRAMÁTICAS DE GOVERNO

Durante quase um ano, uma vasta equipa trabalhou num documento de relevante importância para a Madeira. Trata-se de um ponto de partida, não de chegada, que reflecte a essência programática para a X Legislatura 2011/2015.