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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

OS CAMINHOS DA TRAFULHICE


Um certo governo deixou o Banif espalhar estilhaços até à execução orçamental; já a CGD teve de ser reestruturada e o Novo Banco está como estava, por resolver.


Durante meses o país viveu mergulhado numa espécie de sonho orçamental: havia em Portugal um governo que se predispunha a devolver dinheiro dos impostos cobrados às famílias. Era uma questão de dias, talvez semanas, mas estava aí a emergir algo absolutamente inédito e arrojado no nosso país: a devolução de impostos. Ninguém desconfiou de nada. Até porque era uma ideia ternurenta e irresistível: na prática, aquele governo estava empenhado em dar prémios às famílias.
Mesmo com (muitos) rectificativos que desmentiam a convicção das previsões, ninguém neste país ousou colocar em causa, não uma promessa, mas um presente. Uma espécie de consideração personalizada, um miminho, do governo aos portugueses que pagavam tudo o que lhes era pedido, sem dó nem piedade. Mas, convenhamos, devolver impostos era mais do que mostrar boas práticas de política orçamental. Era quase a materialização da doutrina do papa Francisco que, na altura, já agitava a alma de muitos de nós e oferecia aos responsáveis governativos uma aura de bonitos, limpinhos e bons. Mas antes de selar a canonização deste episódio, que prometia lançar girândolas pelo país inteiro, surge o inesperado. Começaram a aparecer, aqui e ali, timidamente, rumores de que as receitas angariadas não chegavam para o presente prometido. Talvez tenha de ser menor a devolução, diziam. Mas menor quanto, perguntava o povo, alimentando a esperança, mas já agarrado ao bolso? Devolver um bocadinho já não era mau, pensavam os portugueses em uníssono. No fim, nem uma parte, muito menos um bocadinho. Ninguém recebeu nada de volta.
Um ano antes desta novela, o mesmo governo, de gente séria e prestável, falava aos portugueses das suas boas acções. Assim, explicaram, bem explicadinho, que os cortes nos salários não eram definitivos e que logo que possível a rapaziada recuperava o que tinha sido cortado. Sorrimos todos, a fazer contas à vida, mas nenhum de nós imaginava que o Sr. Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Ecofin, fazia contas muito diferentes: para ter consequência nos objectivos do défice estrutural, oferecido a Bruxelas, os cortes tinham de ser definitivos. Pronto, que seja, disseram eles, “esquecendo-se” de avisar o país desse pormenor. Assim foi. Estavam apalavrados cortes definitivos e, no ano seguinte, além desses, ainda arrancariam mais 600 milhões às pensões, não fosse uma geringonça meter-se à frente violentamente.
Como isto andava animado entre final de 2014 e 2015, não era preciso adicionar mais entretenimento. E como o povo queria era a saída limpa, ouvia-se isso em todo o lado(?), preferiram, então, caridosamente, esconder uma coisinha sem importância: um banco prestes a explodir em cima dos contribuintes. Meteram no fundo da gaveta o Banif e foram-se entretendo com o falhanço da venda do Novo Banco e a sub-capitalização da Caixa Geral de Depósitos. Como meter lixo debaixo do tapete é pouco prudente, o Banif espalhou estilhaços até à execução orçamental, impedindo a saída do procedimento de défices excessivos e ameaçando, até hoje, o país de sanções; já a CGD teve de ser reestruturada e o Novo Banco está como estava, por resolver.
Nisto tudo, juro que não encontro nenhuma trafulhice. Tudo bons rapazes (e rapariga, já agora!).
NOTA
Artigo publicado no Jornal Económico. O autor escreve segundo a antiga ortografia.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ASSIM VAI A "RENOVAÇÃO"


O PS-Madeira colocou um cartaz. A APRAM - Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira - não gostou e vai daí mandou retirá-lo. A APRAM, isto é, o governo, porque é muito difícil descortinar onde termina um e começa o outro! Não está em causa o local onde foi colocado. A Justiça disso se encarregará. O problema é que se trata de um cartaz assertivo, verdadeiro, simples e politicamente contundente. A APRAM não gostou, mas com a sua atitude, claramente arrogante e prepotente, acabou por possibilitar mais eco do que se lá estivesse. Politicamente, ganhou o PS. A multiplicação da publicidade foi um êxito. Coisa de iniciados na política que apenas seguem os maus hábitos adquiridos durante anos.


domingo, 14 de agosto de 2016

DUAS NOTÍCIAS RELEVANTES: O COMBATE A INCÊNDIOS COM MEIOS AÉREOS E A NÃO COBRANÇA DE ÁGUA NAS ZONAS AFECTADAS


Uma pela sua importância e outra, mais simbólica, no quadro da sensibilidade social. Felicito o Deputado Carlos Pereira (PS) pela iniciativa de levar o governo da República a testar os meios aéreos no combate aos incêndios na Região Autónoma da Madeira. De facto, perante tantos relatórios e tantas posições avulsas e contraditórias, não há como passar à prática. Pedir mais um estudo como sublinhou o Presidente do Governo, Dr. Miguel Albuquerque, constitui pura perda de tempo. Os madeirenses estão fartos que se "empurrem os problemas com a barriga". Importante é, de uma vez por todas, determinar, com rigor científico teórico e experiências no plano prático muito específicas em função do terreno. Dizem os socialistas e bem: "(...) Devem ser efetuados testes com meios aéreos em diferentes contextos (na floresta, nas zonas montanhosas, nas zonas urbanas, em vales) e em diferentes condições meteorológicas (bom e mau tempo) (...)".


As terríveis imagens que tenho acompanhado no que concerne à nossa riqueza florestal, as comoventes caras de desespero de tantas pessoas que perderam tudo ou quase tudo, os relatos, o trabalho incansável dos bombeiros (reconhecido pelo povo), tudo o que todos temos visto determinam um basta a mais estudos e relatórios. 
Por outro lado, quase simbolicamente, a Câmara do Funchal, depois de um trabalho globalmente bem estruturado e determinado, decidiu e muito bem, proceder ao não agravamento das famílias pelos consumos excessivos de água. É capaz de ter algum significado nas receitas, porque a Câmara tem de pagar a água que distribui, mas constitui um acto de bom senso e de respeito pelas pessoas. Elas que foram, também, os grandes combatentes aos fogos que assolaram o Funchal. No meio da desgraça há notícias que são relevantes.
Relevante, não é, com toda a certeza, destacar uma secretária regional porque tratou do realojamento de alguns afectados pela tragédia. Era o que faltava não o fazer.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 12 de dezembro de 2015

A HORA DA VERDADE


O PS-M não é, nem será, a bengala do PSD-M para esconder as insuficiências de governação ou as incongruências políticas que têm norteado os dirigentes reciclados de um PSD-M cheio de vícios e incapaz de se adaptar aos tempos de colaboração e cooperação inter-partidária, em prol da Região, que o PS-M tem construído ao longo dos últimos meses. Não é preciso esperar mais para compreender que o caminho deste PSD-M recauchutado, depressa se cruzará com as práticas conhecidas do PSD-M original. Esta frase, aparentemente surpreendente, nada tem de surpresa. Nunca esperei nada de novo de um PSD-M que escondeu alguns dos seus principais protagonistas, mas manteve a base de apoio que se reorientou descaradamente em direcção ao cheiro do poder, não sem, pelo caminho, aplicar facas nas costas de muitos lutadores sociais democratas por uma autonomia aprofundada e responsável.


Os actuais dirigentes sociais democratas voltaram ao vale tudo. Primeiro, mostraram uma peculiar e anormal vontade de estabelecer plataformas de consenso lançadas pelo PS-M mas, à primeira oportunidade, mataram o trabalho concretizado. Um esforço genuíno, que defendia a Madeira em torno do novo hospital e a forma de o concretizar. Sabemos hoje que a aparente atitude de colaboração e consenso não era uma vontade genuína mas um truque partidário. Mas, os sinais do regresso ao passado não ficaram por aqui. Andaram cegos, surdos e mudos durante um longo período de ajustamento das contas da Região e permitiram que todas as atrocidades fossem cometidas aos madeirenses, incluindo deixar, sem discussão, que a coligação PSD-CDS tenha ficado com 60 milhões de euros da sobretaxa de IRS cobrada na RAM , numa clara violação à filosofia do Estatuto da Região . Estiveram, sobre este tema ( e muitos outros) calados 4 anos, incluindo os 7 meses em que o PSD-M de Albuquerque partilhou a governação com a coligação PSD-CDS, o que representa, só neste assunto, uma perda de quase 9 milhões de euros para os cofres da Região. Mas, de repente, sem mais delongas, e logo que em Lisboa passou a governar o PS, reaparece o PSD-M esquecido mas agora reforçado de energia. Assim, cheios de convicções e idealismos autonomistas, pedem responsabilidades ao PS-M. Querem que seja o PS-M a resolver o que não resolveram, ou sequer colocaram na agenda política. Em 4 longos anos que partilharam a governação com a coligação PSD-CDS só se ouviram desculpas e encolher de ombros, perante as sucessivas acções contra a Madeira. Aliás, os que dentro do PSD-M destoaram desta concordância até tiveram a falta de solidariedade da actual liderança do PSD e total falta de solidariedade.
Na prática pelo que vi e ouvi, querem que o PS-M assuma as responsabilidades do PSD-M e têm a ousadia de afirmar tudo isto num formalismo que tem tanto de anedótico como de descredibilizacão da seriedade política . Mas vão mais longe. Além da sobretaxa também querem que a solução para o hospital fique nos ombros do PS-M. Da parte do PSD-M parece bastar esta dialéctica de passa culpas e responsabilidades, porque nem sequer tentaram disfarçar a convicção, que hoje já tenho, que nada farão para a construção do novo hospital. Se dúvidas existisse, a ausência de referências, ou cabimento orçamental, no orçamento regional, demonstra esta triste constatação. 
Mas ao que vejo a procissão ainda vai no adro. Por isso, estou à espera que o PSD-M apresente o menu completo das exigências: deverão querer que o PS-M resolva a negociação da dívida, o aumento das transferências do Do fundo de coesão, o pagamento da saúde e da educação e por aí fora, numa afirmação displicente e irresponsável.
Posto isto, quero informar, os senhores em causa, que o PS-M estará sempre ao lado dos madeirenses e contribuirá com as suas iniciativas para a defesa dos dossiers que interessam a Madeira. Mas isto não significa que permitimos que o PSD-M se encavalite no PS-M para disfarçar as suas insuficiências e contradições. Não somos o recurso alternativo do PSD-M, não estamos no governo e nem concordamos com o programa aprovado na ALRAM. Por isso, aconselhamos a encontrarem outro poiso para distribuírem a lista de pedidos para Lisboa. Se são incapazes e não têm estratégia de compromisso ou negociação, conforme têm demonstrado, esclareçam os madeirenses que não estão à altura dos desafios.
NOTA 
Artigo de opinião (DN-Madeira), da autoria do Dr. Carlos Pereira, líder do PS-Madeira e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O QUE ESCONDE FRANCISCO ASSIS?


Tinha pelo socialista Dr. Francisco Assis consideração política. Sinceramente, desiludiu-me. Ele que é Eurodeputado eleito nas listas do Partido Socialista, a convite do Dr. António José Seguro, então secretário-geral, independentemente das circunstâncias, deveria assumir um posicionamento político mais cordato com a liderança do Dr. António Costa. Não é que não tenha direito a comentar e até de colocar algumas reticências relativamente à conjugação de entendimentos políticos entre o PS, o BE e o PCP. A forma como o faz é que, em minha opinião, se torna partidariamente reprovável. Assumiu: "(...) Vou reunir-me com militantes de várias zonas do País que discordam do rumo que está a ser seguido". Ele que tem o dever de lealdade para com os órgãos legitimamente eleitos; ele que parecia defender princípios e valores da esquerda, afinal, acabou por denunciar que está mais próximo do PSD do que propriamente da carta de princípios do Partido Socialista. Repito, o dever de lealdade é fundamental em qualquer instituição partidária liderada pelo sufrágio directo dos seus militantes e simpatizantes. Não se trata de uma "agremiação" de bairro, que se pode dar ao luxo de mudar o líder entre uma rodada e outra, mas de uma instituição política da qual dependem, quando governantes, todos os portugueses. Francisco Assis, até pela função que ocupa deveria ser ponderado.


É nos órgãos que se esgrimem posições e é nos órgãos que se votam as políticas estratégicas. Nunca na praça pública sobretudo em assuntos complexos dos quais depende a vida dos portugueses. Quem não considera que este é o rumo certo, obviamente que tem uma caminho: o da demissão dos lugares, não se vinculando às políticas que estão a ser seguidas.
A questão é esta: e se, eventualmente, o Presidente da República der posse a um governo liderado pelo Partido Socialista e com uma base parlamentar acordada com o BE e o PCP, e que esse governo consegue demonstrar, no final do mandato, que melhorou a vida dos portugueses ao mesmo tempo que melhorou o terrível défice que nos persegue? E se esta nova experiência política constituir um exemplo para outros povos europeus? Pergunto, finalmente, em que posição política ficará o Dr. Francisco Assis? Tenho dificuldades em perceber os seus fundamentos quando assume que as "soluções" do acordo inter-partidário terão como "inevitável consequência a albanização" de Portugal. E disse mais, que esta ligação à esquerda constitui a mais "despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder". Ecoam-me palavras ditas por Passos Coelho, por Paulo Portas ou Paulo Rangel, entre outros. Lamento. Falta-lhe a humildade do Santo com o mesmo nome.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

UMA EQUIPA DE QUALIDADE




Assisti à apresentação dos candidatos do PS-Madeira às Legislativas Nacionais. Fiquei maravilhado pela qualidade dos candidatos. Ali pontificam, da esquerda para a direita: Tânia Andreia da Conceição Marques de Freitas, advogada, Luís Miguel Vilhena de Carvalho, arquitecto, Carlos Pereira, economista, Maria Adelaide Ribeiro, professora, Cláudio Filipe Gouveia Torres, biólogo, Joana José Pedra Coelho, advogada. Absolutamente exemplar foi a intervenção do líder da equipa, Dr. Carlos Pereira. 
Isto significa que há muito mais gente para além dos partidos e dentro destes pessoas com idade jovem e capazes de operar novas soluções políticas. E isso é muito bom para a democracia. Uma equipa para vencer.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

CARLOS PEREIRA UM LÍDER PARA GANHAR A MADEIRA DO FUTURO



O Economista Carlos Pereira disponibilizou-se para liderar o PS-Madeira nos próximos anos. Trata-se de uma importante decisão que, como tudo indica, mais do que uma disponibilidade pessoal, corresponde à vontade de uma larguíssima maioria dos militantes do Partido Socialista. Eu apoio o Dr. Carlos Pereira, personalidade que domina, como ninguém, o importantíssimo dossiê da Economia e das Finanças. Do meu ponto de vista tem sido o melhor parlamentar, com uma ímpar capacidade de análise, atitude política e rapidez de raciocínio. Espero, depois do último desaire eleitoral, que Carlos Pereira estabilize o partido e que consiga reunir os melhores quadros só possível com uma total abertura do partido à sociedade.
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

DESILUSÃO E FRUSTRAÇÃO


Confesso a minha desilusão e frustração política face à prisão preventiva do Eng. José Sócrates. Passo ao lado da vergonhosa Justiça tornada em um espectáculo gratuito oferecido nos últimos dias aos portugueses e a todo o Mundo. O recato e o bom senso que deveriam ser apanágio da Justiça, deu lugar à montagem de um circo ao qual ninguém ficou indiferente. Confirmaram-no e condenaram-no tantos comentadores e especialistas do Direito. O que disseram está dito e ponto final. O que me leva a escrever algumas linhas é a desilusão e frustração que me invade, embora sobre o ex-primeiro-ministro apenas existam fortes indícios de um comportamento reprovável. Ele não foi condenado e, portanto, até à sentença, tem de ser considerado um cidadão inocente. Lá mais para a frente se saberá toda a verdade. Também aqui, porque não sou especialista nem conheço o processo, não teço considerações. Agora, não fico indiferente a tudo o que está a acontecer, não apenas neste caso, mas em todos os outros que são do domínio público. Há, penso que se pode concluir, uma enorme trapaça desde a banca aos municípios, até às mais altas figuras do Estado.


E é esta trapaça que nos anda a devorar. Tantos que se apresentam como impolutos, no fundo, andam por aí revestidos de uma capa que esconde as suas verdadeiras motivações. É frustrante quando se esfumam as referências públicas de seriedade e de honestidade. Torna-se decepcionante e provocador de demissão da participação cívica, quando se olha em redor e assiste-se a um salve-se quem puder! Ora, se a Justiça de facto despertou, só espero que vá muito mais longe. Há, com toda a certeza, enriquecimentos de base ilícita, muitas riquezas mal explicadas, muitos milionários de um momento para o outro e muitas situações que podem configurar atitudes de corrupção. Não basta prender meia-dúzia para que tudo o resto continue em águas mornas, aliás, como tem sido sensível aos olhos do povo português. Há muito que sustento, aqui e lá, uma gigantesca operação "mãos limpas" porque os sinais provam que andamos a ser corroídos no direito à felicidade. O Zéca Afonso cantou os "Vampiros"... "eles comem tudo". Pois, eles, banca, as mais altas figuras do Estado e todo o sistema que anda embrulhado em papel de celofane colorido. Não é o regime democrático que está em causa, mas o sistema político que resvalou para uma situação, repito, de desilusão e de frustração.
Cuidado com aqueles que, aproveitando-se da situação, dizem que "os políticos não são todos iguais". Acredito que não sejam. Há muita gente, muita mesmo, honesta e que faz do exercício da política um serviço público à comunidade. Estão na política porque acreditam numa sociedade melhor. Os outros, com rabinhos de palha, que não se aproveitem, porque se hoje, preventivamente, alguns estão privados da liberdade, amanhã, poderão aparecer processos ligados a tanta situação impensável.
Ilustração: Google Imagens. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A PROPOSTA DE MÉNAGE DO PSD-MADEIRA


No plano meramente teórico, dificilmente o CDS/PP consentirá um "namoro" (político) com quem, desde sempre, foi tido como um parceiro rasca, ligado aos interesses da "Madeira-Velha", aos senhorios, aos colonos, aos ingleses e à Maçonaria, entre muitas outras e gravíssimas ofensas no plano individual dos seus dirigentes. Seria contranatura um casamento precedido de namoro parlamentar, uma clara falta de respeito por si próprio e um pontapé naquilo que diz ser o seu posicionamento filiado na doutrina social da Igreja. Juntar os trapinhos e entregar-se nos braços de quem faliu a Madeira, gerou desemprego e pobreza, parece-me arrepiante quanto à dignidade política. Mas, na política tudo é possível, pelas forças que se movem e pelas promessas "sinceras" de um "amor eterno" até que a "morte os separe".

Uma AUTONOMIA
que precisa de uma operação mamária!


É evidente que o CDS/PP está entre a espada e a parede. Daí, na óptica do seu líder, José Manuel Rodrigues, a proposta de uma ménage (moradia a três no significado original) porque "a sociedade madeirense está poluída por um ambiente de conflitualidade, radicalismo e agressividade trazido por agentes políticos" e, por isso, essa necessidade de um "ménage à trois", "inadiável" entre o seu partido, o PSD e PS na Madeira para ultrapassar a situação. 
Apesar das palavras de circunstância ditas boca fora, parece-me óbvio que José Manuel Rodrigues não está para aí voltado, por um lado, porque sabe que isso significaria trazer a raposa para dentro do galinheiro e, por outro, a população não veria com bons olhos uma vida de concubinato entre entes que se rejeitam, se ofendem e com longos anos de injúrias e difamações. Repito, alianças dessa natureza são contranaturas e espúrias. Digamos que José Manuel Rodrigues teve de fazer aquele número político, por duas razões: uma, eleitoralista, pois fica sempre bem falar de qualquer coisa que, pressupostamente, revele desprendimento, interesse pela Madeira e que o povo entenda; segundo, por razões de proximidade à coligação nacional. Ainda hoje, sem surpresa, José Manuel Rodrigues reconheceu que "Portugal precisa de uma profunda revisão da sua Constituição" porque a lei fundamental está "desadequada" e porque constitui um entrave à política do Governo da República. O meu Amigo de longa data José Manuel Rodrigues pareceu-me aquele "padre" de aldeia que dizia: "em verdade vos digo que não acredito no que digo". José Manuel Rodrigues disse e, certamente, bebeu água de seguida. Porque ele, inteligente que é, sabe que não é a Constituição que está em causa, mas quem não soube e não sabe governar. Sempre que o árbitro de futebol erra, e isso acontece tantas vezes, não vamos alterar as regras do jogo! José Manuel Rodrigues sabe que assim é e, portanto, quis passar a mão na coligação nacional e dar uma "esperança" ao pedido de namoro do PSD-M que, todos sabemos, vocifera contra a Constituição. 
Extraordinária foi, entretanto, a posição do Deputado Tranquada Gomes (PSD), depois de mil uma alterações ao Regimento da Assembleia, todas ou quase todas com a sua assinatura e sempre no sentido de coarctar a intervenção dos partidos da oposição, venha agora reconhecer que "hoje não basta um partido maioritário para resolver os problemas da Região" porque necessário se torna "um amplo consenso entre os partidos que podem ser alternativa". Isto é, andou anos a fio a "violar" (os textos, claro), a maltratar, por via disso, o debate político e agora, faz aquela declaração de amor, quase dizendo, queridos, eu passei um tempo conturbado, eu fazia sem saber porque fazia, perdoem-me, eu juro fidelidade! Eu estou num grupo onde fazemos terapia, estamos a exorcizar os nossos demónios, creiam que estamos a caminho da cura. Espantoso!
Para mim a situação é muito clara. Espero que o CDS/PP que diz ter "ideias claras" consiga perceber: primeiro, que uma coligação com o PSD-M, a probabilidade é de ambos se afundarem, porque se trata de uma reedição de uma coligação continental face à qual os madeirenses abobinam; segundo, quem foi e é o fulcro do problema, não pode ser elemento da solução; terceiro, que existem outras possibilidades, mais ou menos alargadas, que a humildade política, desde que prevaleça, poderá garantir futuro à Madeira. Finalmente, no que concerne ao PS-Madeira, enquanto partido fundamental, urge uma clarificação interna, devidamente estudada e que não afugente possíveis interessados em acabar com o jardinismo. 

Ilustração: Google Imagens.

sábado, 7 de junho de 2014

O ERRO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO. E PORQUE NÃO UMA SONDAGEM NA MADEIRA?


Já me pronunciei sobre a decisão do Dr. António José Seguro. Considero-a péssima para o PS e sobretudo para o país. Digo-o, abertamente, apesar de ser seu Amigo há muitos anos. Desde os anos 90! Depois destes três anos de esforço contínuo pela recuperação da credibilidade eleitoral perdida, sublinho, por factores externos ao país, é verdade que António José Seguro, depois de duas vitórias, merecia conduzir o partido até às legislativas. Repito, merecia! Tratou-se de um esforço notável, pela antecipação que fez dos problemas e  pela consecutiva negação das medidas de austeridade que só viriam a tornar mais complexa a situação do país. O tempo passou e deu-lhe razão: a dívida aumentou substancialmente, o desemprego não diminuiu (os portugueses é que emigraram), a economia paralisou e a pobreza atingiu níveis altamente preocupantes. António José Seguro combateu, diariamente, o monumental roubo à carteira dos portugueses, defendeu os reformados e pensionistas e apresentou medidas visando o crescimento. São factos que podem ser demonstrados não só através das propostas, mas também no contraponto do que defendeu relativamente à situação actual. É verdade que não gostei de alguns acenos ao PSD, quando deveria ser a esquerda a levá-los. De qualquer forma, globalmente, dir-se-á que não foi compreendido. As pessoas, influenciáveis que são, formaram uma ideia menos positiva, que ele não era a solução, que outro existia melhor colocado para defrontar e ganhar as legislativas do próximo ano. E sendo assim, apesar de todo o seu labor, eu julgo que deveria ter saído. Constitui um monumental erro pessoal, para o PS e para o país, a sua decisão em querer continuar, pelo menos até Setembro. Estou convencido que perderá as "primárias" para António Costa (as primeiras sondagens são claras) e acabará por sair por uma porta estreita, quando as circunstâncias proporcionaram-lhe a oportunidade de uma saída pacífica, com grandeza e humildade política. Lamento.


Ainda anteontem participei em um almoço de amigos de longa data. Fui convidado e lá estive no meio de trinta pessoas que muito considero. No final, deixei-me ficar em cavaqueira com um grupo restrito. Falaram-me da política regional e a páginas tantas colocaram o problema de quem estaria melhor colocado para responder aos problemas do país. Foi unânime: António Costa. Reconheceram o esforço de Seguro, mas para o confronto político com a actual coligação PSD/CDS e, com possibilidades de ganhar com maioria absoluta, Costa seria o mais indicado. Confesso que joguei à defesa, isto é, não me expus, fui de parcas considerações, exactamente, para perceber o sentimento das pessoas, embora aquele fosse um pequeno grupo e dali não fosse sensato partir para o universo dos eleitores. Mas foi um indicador a juntar a outros.
Daí a minha dificuldade em compreender a posição de António José Seguro, por maiores que sejam as pressões, a correlação de forças internas e a sua mágoa pelas situações criadas após a vitória eleitoral europeia. Para uma figura politicamente experiente, com capacidade para perceber os sinais externos, inclusive, a sua cotação junto dos jornalistas e comentadores, não deixa de ser esquisito que não tivesse colocado o país acima de tudo e de todos. Atrasar o processo, gerar esta história das primárias, permitir que se instale alguma perturbação no eleitorado, consequentemente, admitir algum fulgor(!) na coligação por ausência de uma clara e consistente alternativa, parece-me que constitui já não digo um tiro no pé, mas na própria cabeça. 
Pela amizade e pelo trabalho político gostaria que Seguro chegasse a Primeiro-Ministro, porque se trata de um Homem íntegro e politicamente verdadeiro e honesto, só que as circunstâncias políticas muitas vezes não são aquilo que desejamos. Os ventos (públicos) não estão a seu favor e, sendo assim, melhor teria sido que saísse e mantivesse um estatuto de grandeza que falta a muitos fazedores de política. Para já, nestas circunstâncias, Primárias, NÃO, OBRIGADO.
E, já agora, como gostaria eu de ler uma sondagem, na Madeira, a fim de perceber quem estará melhor colocado no PS-M para ganhar as legislativas regionais do próximo ano na Madeira!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 19 de abril de 2014

A RAZÃO E A LUCIDEZ DO DEPUTADO CARLOS PEREIRA


Apoio sem quaisquer reticências o essencial da posição do Deputado Dr. Carlos Pereira (PS) cujas declarações acabo de ler na edição de hoje do DN-Madeira. Ele está certo quando salienta a necessidade de criação "de um núcleo de trabalho, para dar início a contactos inter-partidários, de modo a retirar todos os obstáculos ainda existentes e assim determinar a definição de uma agenda, com um calendário específico". E complementou ao sublinhar que está na hora da oposição unir esforços para banir, de uma vez por todas, a "gestão caótica, irresponsável e comprometedora para o futuro, realizada nos últimos 12 anos" (...) "O momento não é para ficarmos à espera que o PSD-M dê cabo do que resta de esperança dos cidadãos" (...) "é altura de apressar a saída do PSD-M da gestão dos destinos da Madeira" (...) "que a luta seja intensificada e que o espaço político não seja preenchido por aqueles que sempre disseram que este era o caminho". (...) "Está na hora de construir uma solução a partir da oposição na Madeira" (...) “Os madeirenses precisam de se rever numa alternativa limpa" (...) "com todos aqueles que defendem e sempre defenderam um caminho diferente com olhos colocados nas pessoas" (...) "É o momento certo para começar a limar arestas entre os partidos da oposição", e, neste aspecto "o PS-M deve dar esse passo, tem essa responsabilidade". E assumiu: "Nada pode impedir a construção desta solução, sejam interesses pessoais, sejam de ordem táctica seja partidários". Carlos Pereira não esconde as diferenças entre partidos, mas acredita que "não existem barreiras inultrapassáveis" (...) "Pelo que conheço do trabalho parlamentar as propostas de mudança da oposição estão todas na mesma linha de actuação e há uma espécie de acordo tácito com o essencial, com o que é relevante". Por isso, "ninguém deve ficar de fora".


Os dados estão lançados a partir desta proposta vinda de um membro da direcção do Partido Socialista e líder do grupo parlamentar. Gostei do que li, sobretudo porque estas declarações, no essencial, enquadram-se no que aqui escrevi a 05 de Novembro de 2013. O texto que publiquei sublinhava: "Ninguém poderá esquecer-se que, politicamente, Jardim está morto, mas o jardinismo ainda mexe e de que maneira! É verdade que o polvo estrebucha porque foi ferido com um potente arpão (autárquicas), pode perder vários braços e muitos tentáculos, todavia, há que ter em atenção que continua a largar muita "tinta". Daí todo o cuidado ser pouco. A confusão, os tiros de partida em falso, a ambição que não tenha em conta todas as variáveis, a marcação do terreno que coloque em estado de choque todos os parceiros, pode, entre outros aspectos, tornar-se numa arma de autodestruição. Depois de 43 anos de Abril e 41 após as primeiras legislativas regionais, 2015 poderá ser o ano de uma certa consolidação da democracia, se em conta tivermos que todo este tempo foi de mil e um enganos. Por isso mesmo, estamos a pagar uma dupla e severa austeridade. Entendo que nenhum partido político da oposição deve excluir-se do objectivo central que é o de mudar o governo da Região. Os egoísmos, as atitudes bizarras e incompreensíveis, aliás como aconteceram nas últimas autárquicas, devem ser postas de lado em função de um objectivo maior. E esse desiderato é o de colocar o jardinismo a léguas da responsabilidade governativa. Chega. Portanto, qualquer situação que não parta do pressuposto que a vitória só é possível através da bipolarização e não da fragmentação de candidaturas, penso que, à partida, estará condenada. O jardinismo é muito maior que Jardim. A teia de interesses e a vulnerabilidade cultural pode acabar com o sonho. Significa isto que, primeiro, há que consolidar a democracia e a consequente alternância, para depois, cada partido, no tempo certo, propor e impor-se com projectos próprios. Não seguir este caminho pode significar a entrega de bandeja do poder aos mesmos de sempre".
As eleições legislativas regionais são ali ao virar da esquina. A oposição tem de se juntar, com bom senso e respeito pelos eleitores, tem de fazer um esforço para definir um programa, encontrar uma equipa e um candidato a presidente do governo. Isso é possível e desejável. Constituirá um erro histórico os madeirenses e portosantenses não aproveitarem esta oportunidade, na esteira do que sublinhou o Deputado Carlos Pereira: "temos de impedir que a Região mantenha "os protagonistas do passado, de cara lavada, a ditar as linhas mestras da governação para a Madeira" (...) "Esses candidatos não têm a credibilidade para construir uma alternativa limpa" (...) eles andam por aí em "uma manifesta e desesperada tentativa de salvar o poder, os lugares e os negócios públicos orientados para uma elite oportunista". Tão óbvio, quando, sempre foi para o PS o slogan : "PRIMEIRO AS PESSOAS".
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

APROXIMAM-SE AS ELEIÇÕES EUROPEIAS. UM MOMENTO MUITO IMPORTANTE PARA A MADEIRA.


Confesso, em jeito de nota prévia, a minha profunda amizade por um político de mão-cheia. Já lá vou ao seu nome. Mas tão enorme quanto a amizade é a admiração que nutro pela sua capacidade e inteligência política, alicerçada no conhecimento, no estudo dos dossiês, na argumentação, na rapidez de raciocínio, na frontalidade, tudo em defesa de princípios e de valores que o guiam. Tenho muitos anos de actividade política, pela Assembleia Legislativa passei oito anos e doze pela vereação da Câmara do Funchal, vivi e senti o pulsar do debate político com muitos "utilizadores da palavra", mas nunca vi um político como o Dr. Carlos Pereira. É o tipo de político que todos os dias "inventa coisas" para fazer. Não fica à espera da agenda ou do que a comunicação social vai transmitindo. Não anda atrás dos acontecimentos, antes posiciona-se na dianteira. Não fala por falar, não abre a boca porque tem de dizer coisas, antes estuda e vai direitinho ao âmago dos assuntos. Para mim, nestes seis anos que leva de Assembleia, o Deputado Carlos Pereira foi a figura central do Parlamento. Foi criticado, eu diria miseravelmente bombardeado, ofendido e sofreu alguns assassínios de carácter, tudo porque estudou, como ninguém o tinha feito até então, entre outras, as contas da Região. Determinou o "buraco" financeiro, assumiu que andaria pelos seis mil milhões de euros e pouco tempo depois, confirmou-se a verdade: "a situação da Madeira é insustentável", disse-o Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças. Foi uma questão de tempo e ficou-se a saber da história das facturas não reportadas e, sabe-se lá, o que saberemos na sequência do processo "Cuba Livre". 


O PSD-M não gosta dele, obviamente. Simplesmente porque o Deputado Carlos Pereira olha na cara, olhos nos olhos e enquadra os assuntos com invulgar seriedade e honestidade. Mas, reconhecem o seu indiscutível valor, quando, à mesa do café, longe dos olhares da comunicação social, a ele se referem. Perguntará o leitor: e por que faço este enquadramento desta figura do Parlamento e do PS? É simples. Aproximam-se eleições europeias e estou muito preocupado com as candidaturas e com o resultado.  Alberto João Jardim com toda a certeza que também está. Na sua recente reunião com o líder do PSD, este deve ter sido um dos assuntos em cima da mesa.
A questão que hoje se coloca na Europa, em geral, e para Portugal, em particular, situa-se ao nível da Economia e das Finanças. No caso da Madeira ainda mais face às circunstâncias de todos conhecida. Por outro lado, ao contrário de Durão Barroso que disse que a Europa não tem culpa da crise, defendo a necessidade de uma política de esquerda que coloque fim a este ciclo de uma direita devoradora e insaciável que varreu a Europa sob a liderança complacente do português. E nesta política de esquerda que rompa com os anos de austeridade forçada, necessário se torna a presença de eleitos muito qualificados nesses domínios e respeitados do ponto de vista ideológico. O Dr. Carlos Pereira, do meu ponto de vista, é a figura que interessa à Madeira, porque a conhece, nas fragilidades e potencialidades, porque tem discurso e porque pode ser determinante na construção de benefícios que a Madeira tanto precisa, enquanto região ultraperiférica. Sei que o PS perderá, nas suas fileiras na Região, um excelente Deputado, mas a Madeira ganhará uma voz nos centros de decisão política. E ao dizer isso estou a partir do princípio que o PS-Madeira, desta vez, não será ultrapassado por ninguém, pelos interesses geridos no Largo do Rato. Nem aceito que este madeirense entre em lugar cinzento na lista. Do meu ponto de vista terá de ocupar um lugar claramente elegível. O Dr. Carlos Pereira pede meças a muitos que por lá andam e que nem os conhecemos!  
Apesar de amigo de Carlos Pereira desconheço qual o seu posicionamento sobre esta matéria. Concretamente, se aceitaria ou não um desafio desta natureza. Se escrevo, sem o consultar, é por três motivos: primeiro, pelo reconhecimento da sua qualidade; segundo, pelo benefício para a Madeira; finalmente, porque nesta Europa que espezinha povos, há uma necessidade de políticos que façam o discurso da diferença, o discurso político que interessa à maioria da população desta Europa à procura de rumo. Espero que o PS-Madeira e o PS-Nacional se entendam nesta matéria.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

TOTALMENTE CONTRA O "CENTRÃO" DOS INTERESSES POLÍTICOS


Razão tem o Professor Luís Menezes Leitão, venha o saudável confronto democrático, discutam-se projectos sérios, olhos nos olhos, sem falsas promessas, colocando os portugueses perante a verdade e perante as opções. Depois, competirá aos portugueses escolherem o caminho que melhor entenderem. Não é o "centrão" que deve prevalecer, até porque os portugueses dele estão fartos e cheios. Concordo com o deputado João Galamba, segundo o qual o Presidente da República "tem em mente" o "suicídio político" do líder do PS e discordo do deputado Carlos Zorrinho quando fala do "reforço da centralidade" do partido no processo político português. Se esse for o caminho ninguém aqui me verá criticar a opção (os homens e mulheres passam e as instituição ficam), mas seguirei o meu caminho, obviamente. Mas esta é uma mera especulação da minha parte, pois não acredito nesse "compromisso". Os cortes de 4,7 mil milhões de euros afastarão o PS do PSD nas negociações, ainda por cima quando, de acordo com o "Diário de Notícias", a ministra das Finanças terá afirmado que "o Governo não abre mão dos cortes, que na sua versão original incidem sobretudo sobre salários e pensões". Por seu turno, repetindo a sua posição, António José Seguro já assumiu que nunca colocará "outro interesse acima do que é melhor para os portugueses. Assumo todas as consequências, mas disso não abdicarei".


O Professor Luís Menezes Leitão, Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, disse ao jornal I: "O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém". Subscrevo. Aliás, ainda há dias, aqui postei um texto exactamente sobre esta matéria. Não entendo esta tentativa de "compromisso", esta historieta de tentar juntar pensamentos inconciliáveis. É pura perda de tempo e desgaste, enquanto tudo em redor agoniza. O PS está ali a cumprir uma tarefa sabendo que os ponteiros do relógio "engataram". Se tomarmos em consideração a sequência discursiva do seu secretário-geral e todos os posicionamentos anteriores, não acredito que exista qualquer hipótese de "compromisso", quando em causa está, fundamentalmente, quase cinco mil milhões de euros de corte na despesa pública, despedimentos, mobilidade especial, mais horas de trabalho, diminuição dos apoios sociais, porventura ainda mais agravamentos na carga fiscal. Penso que se trata de uma farsa a participação nesse grupo tripartido. Qualquer posição no sentido de algum "compromisso", politicamente, significará para o PS perda de espaço de manobra e decepção enquanto alternativa. A posição do PS tem de ser claramente de políticas à esquerda e não neste grande "centrão" dos interesses para o qual o querem empurrar. Aliás, tenho para mim que esta proposta de Cavaco visa isso mesmo, desprestigiar António José Seguro e incluir o maior partido da oposição na divisão dos estragos feitos nestes dois anos, pública e notoriamente por ausência de acção do Presidente da República. Deixou o marfim correr, nunca assumiu posições e, agora, tenta encontrar um álibi para sua medíocre postura política. Se o "compromisso" falhar, dirá, certamente, eu tentei, mas eles não quiseram!
Razão pois tem o Professor Luís Menezes Leitão, venha o saudável confronto democrático, discutam-se projectos sérios, olhos nos olhos, sem falsas promessas, colocando os portugueses perante a verdade e perante as opções. Depois, competirá aos portugueses escolherem o caminho que melhor entenderem. Não é o "centrão" que deve prevalecer, até porque os portugueses dele estão fartos e cheios. Concordo com o deputado João Galamba, segundo o qual o Presidente da República "tem em mente" o "suicídio político" do líder do PS e discordo do deputado Carlos Zorrinho quando fala do "reforço da centralidade" do partido no processo político português. Se esse for o caminho ninguém aqui me verá criticar a opção (os homens e mulheres passam e as instituição ficam), mas seguirei o meu caminho, obviamente. 
Mas esta é uma mera especulação da minha parte, pois não acredito nesse "compromisso". Os cortes de 4,7 mil milhões de euros afastarão o PS do PSD nas negociações, ainda por cima quando, de acordo com o "Diário de Notícias", a ministra das Finanças terá afirmado que "o Governo não abre mão dos cortes, que na sua versão original incidem sobretudo sobre salários e pensões". Por seu turno, repetindo a sua posição, António José Seguro já assumiu que nunca colocará "outro interesse acima do que é melhor para os portugueses. Assumo todas as consequências, mas disso não abdicarei". Os socialistas defendem que há outras formas de alcançar as metas do défice, sobretudo se elas forem renegociadas. Perante este quadro, apenas há que aguardar, mesmo quando um conjunto de personalidades se movimentem em "manifesto" dirigido aos líderes do PSD, PS e CDS-PP, apelando a que seja alcançado um acordo de salvação nacional. Sempre os mesmos e sempre com os mesquinhos interesses de sempre!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O POVO, MAIS CEDO QUE TARDE, DIRÁ QUEM SÃO OS "PIROSOS"

 
O Grupo Parlamentar do PS-Madeira realizou uma conferência de imprensa frente à residência oficial do presidente do governo regional. Os deputados fizeram o seu trabalho, com elegância política, denunciaram a possibilidade que está em curso de despedimento de muitas centenas de funcionários públicos. Já que o presidente não dá explicações à Assembleia, os deputados da Assembleia resolveram ir à Quinta Vigia. A resposta veio célere: a presidência do governo "não reage a dirigentes pirosos do PS-M", face a uma conferência de imprensa realizada por "dois indivíduos socialmente desacreditados". 
A ideia que fica, embora esta agressividade política seja normal, é que o presidente do governo dá indícios que anda de cabeça perdida. A um responsável político que não seja, apenas "vigia da quinta", exige-se, perante o dramatismo da situação, compostura e uma atitude de elevação. Penso que deu mais um passo em frente no sentido de, mais cedo que tarde, o povo clarificar quem são os "pirosos".