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sábado, 4 de maio de 2024
(In)Justiça a funcionar (sobre a Operação Influencer)
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No passado dia 17/4 um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa declarou não haver quaisquer indícios credíveis no processo Operação Influencer da prática, por qualquer dos arguidos (e por parte também de António Costa), dos crimes que lhes estavam imputados, tendo por isso julgado improcedente o recurso que o Ministério Público interpusera do despacho do Juiz da 1.ª instância (de instrução criminal) Nuno Costa Dias. Mas este acórdão tem muito mais que se lhe diga do que aquilo que a infelizmente habitual “espuma dos dias”, noticiada e comentada, tem feito crer.
domingo, 28 de abril de 2024
Tudo tem o seu tempo. "Para tudo há uma ocasião certa. Há um tempo certo para cada propósito"
O problema deriva da ausência de percepção desse tempo, o que conduz ao desejo de eternização como se a finitude dos projectos ou da vida não existissem. E ali criam raízes e redes tentaculares que acabam sempre por deixar perniciosos rastos que prejudicam as instituições públicas ou privadas, gerando dano e ruína. Vivem no delírio da figura rara e insubstituível, também porque sabem dos "esqueletos arrumados nos armários", tarde ou cedo tornados públicos. Encontramos isso no exercício da política e no associativismo em geral.
Aliás, a Democracia é vivificante quando alguns pensam que são insubstituíveis, deixando, por isso, de ter a percepção que a tolerância também se esgota e que o voto soberano acaba por convidá-los, compulsivamente, a olhar para os indicadores da porta de saída. É certo que ninguém pode apagar a História e o mérito que, eventualmente, possam ter num dado momento, só que há sempre um tempo em que todos os assumidos insubstituíveis morrem, em todos os sentidos da palavra, porque a gigantesca roda da vida continua imparável com novos personagens e roupagens.
Trago sempre em memória Dom Manuel da Silva Martins, Bispo Emérito de Setúbal: "(...) as alternâncias são sempre boas. Por muito boa que seja a pessoa que está, a partir de determinada altura alternar é bom. Já tive essa experiência na minha vida. Fui professor, saí, entrou outro, foi óptimo; fui vigário-geral, saí, entrou outro, foi óptimo; fui bispo em Setúbal, saí, entrou outro, foi óptimo. A alternância é magnífica a todos os níveis e em todos os sectores porque traz novidade, dá esperança, imprime outro ritmo de vida".
É exactamente isso. Quando, décadas a fio, vejo políticos enredados na sua teia, tudo fazendo para manter uma cadeira e um palco, como se o exercício da política não fosse um serviço à comunidade, antes um emprego para vida, quando assisto, por exemplo, a directores de escola, dez, quinze, vinte e mais anos à frente de um estabelecimento, quando, no associativismo se perpectuam perdendo a noção da própria esperança média de vida, lá vem o dia que, ao contrário de serem lembrados, terminam o seu tempo com baba e ranho convencidos da ingratidão dos outros! Deviam antes ter presente que "para tudo há uma ocasião certa. Há um tempo certo para cada propósito" - Eclesiastes - o sentido da vida.
Ilustração: Google Imagens.
sexta-feira, 26 de abril de 2024
25 de Abril - três notas
1. Miguel Sousa Tavares considerou que o Senhor Presidente da República está "fora de controlo" e com "incontinência verbal", tornando-se um "problema" para o país. Concordo. Nos últimos tempos assistimos a situações que não são fáceis de aceitar, quando se trata da principal referência do País: as declarações sobre o seu filho Nuno, sobre a Procuradora Geral da República, sobre o Primeiro-Ministro, sobre o ex-Primeiro-Ministro e, entre outras, sobre um acerto de contas com as ex-colónias portuguesas. Junta-se a isto aquele injustificável parágrafo do comunicado do MP que fez cair o governo e a complexa instabilidade daí gerada. Situações que criaram um generalizado desagrado quer entre os cidadãos quer do ponto de vista político. Um país a braços com tantos problemas por resolver e com o debate político tendencialmente extremado, ao Senhor presidente da República pede-se recato, bom senso e um extremo cuidado com o que diz.
3. Na passagem dos 50 anos de Abril de 1974, a Região deve um pedido de desculpas ao Padre José Martins Júnior. A Região e a Diocese, melhor dizendo. Durante, salvo erro, 42 anos, ele esteve suspenso "ad divinis" através de um maquiavélico processo perpetrado através dessa "santíssima" união da Igreja (Bispos Santana, Teodoro e Carrilho) e os sucessivos governos. Não foi julgado em Tribunal Eclesiástico por qualquer acto atentatório dos seus deveres, tampouco, julgado e condenado por qualquer "crime" cometido. De onde se conclui a perversidade política de uns e de outros. Repito o que há cinco anos aqui deixei: "(...) Eles conhecem todo o enredo montado, os interesses políticos que estiveram em jogo, as manobras de bastidores no sentido de abafar uma voz verdadeira e dissonante, perigosa para os desígnios do poder absoluto. Inventaram, conflituaram e espezinharam um Homem que utilizou a Palavra no sentido da construção de uma sociedade de justiça social em todos os quadrantes. Não pregou a fé e a caridade, mas as causas e os valores para uma vida feliz com direitos e deveres (...)". Como ele bem disse "(...) Ninguém pode servir a dois Senhores. Ou se serve a Cristo ou se serve o Poder (...)".
quinta-feira, 25 de abril de 2024
Presidente da Comissão Europeia em mar revolto
Von der Leyen está metida num processo de contornos claramente duvidosos, de contratação pela UE de um seu correligionário de partido, o eurodeputado Markus Pieper, a quem atribuiu um alto cargo bem remunerado.
Entre 6 e 9 de Junho, vão ser eleitos os 720 deputados do Parlamento Europeu. A presidente da Comissão europeia, Ursula von der Leyen, manifestou vontade, junto do seu grupo parlamentar europeu –PPE –, de continuar a liderar a Comissão por mais cinco anos.
quarta-feira, 24 de abril de 2024
GUERRA COLONIAL. A HUMILHAÇÃO IMPOSTA PELA DITADURA - MEMÓRIAS DE UM TEMPO
Estava eu na Guiné-Bissau. Um mês depois de ter casado recebi a guia-de-marcha. Em 1972 o mundo parecia desabar sobre os meus sonhos de vida. Imaginam, certamente, o que alimenta e atormenta o pensamento, a todo o momento, a possibilidade de um não regresso. E milhares lá ficaram. No avião militar sentei-me ao lado de um Tenente-Capelão. Inicialmente, desconhecia a sua patente e missão. Falámos sobre a cretina estupidez daquela guerra sem sentido, depois, sobre um Deus que é amor e a função dele, Capelão, face à contradição entre a guerra e o amor aos outros. Recordo-me, na descida para o aeroporto de Bissalanca, com os meus olhos a verter algumas lágrimas de uma saudade que ainda ali começara, ele ter tirado do bolso do camuflado um estilhaço de obus que tinha a configuração de uma Cruz. Com alguma imaginação, ele via ali a personificação de Cristo. Disse-me, apontando para o estilhaço: “vês, não tenhas medo, porque Deus também aqui está”. Mais tarde vim encontrá-lo em S. Luzia. Aos Domingos celebrava a Missa das 19 horas, onde o General Spínola, pontualmente, entrava, em passo vigoroso, capela adentro.
Fui colocado em Guileje, a nove quilómetros da fronteira com a Guiné-Conakry. Dizíamos que, face à extensa floresta, era a coroa na cabeça de um padre! Por ali passava o famoso “corredor de Guileje” que alimentava, através da fronteira sul, as tropas de Nino Vieira, mais tarde presidente da República da Guiné. Comandei um pelotão açoriano, todo ele de Rabo-de-Peixe. Gente pobre, fantástica e amiga. Ainda hoje desconfio que eles percebiam o meu medo e, por isso, protegiam-me. Na nossa relação havia uma cumplicidade em que falávamos não falando! Sobretudo no mato ou nos ataques ao aquartelamento, onde a ameaça e o receio estavam sempre presentes.
domingo, 21 de abril de 2024
A ruína moral do Ocidente
Por
Miguel Sousa Tavares,
A Estátua de Sal
Certamente que todos dormiremos mais descansados se, no seu exercício de “legítima defesa”, Israel destruir as instalações nucleares dos aiatolas. Mas dormiremos mais descansados ou mais pacificados de consciência sabendo a bomba nuclear nas mãos dos fanáticos ortodoxos de Israel, que se declaram “o povo eleito”?
1 de Abril — parece mentira mas não é —, Israel consumou um feito jamais visto, que me recorde, na história diplomático-militar dos tempos modernos: atacou uma instalação diplomática de um outro país na capital de um país terceiro, matando oito funcionários dessa instalação através de um míssil disparado de um avião da sua Força Aérea. Morreram nesse ataque ao Consulado-Geral do Irão em Damasco, na Síria, um comandante do Quds, a guarda revolucionária iraniana, e sete outros agentes da organização, e o edifício ficou destruído. Normalmente ou quase sempre, tais acções de execução de agentes inimigos no estrangeiro são levadas a cabo pelo Kídon, uma secção da Mossad, que as executa após receber luz verde do próprio primeiro-ministro israelita. Mas são feitas de forma tão discreta quanto possível, através de execuções a tiro, por meio de carros armadilhados ou por envenenamento, com cuidado para evitar vítimas civis — a maior parte das vezes com sucesso, mas outras vezes fracassando e até tomando inocentes por alvo. Mas agora tudo foi feito de forma espectacular e ostensiva e nem sequer visando um alvo particularmente importante. Tratou-se, para lá de qualquer dúvida legítima, de um acto de guerra e de um acto de pirataria internacional sem precedentes. Todavia, chamado a condenar o ataque de Israel no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o bloco ocidental opôs-se a qualquer condenação. Imaginem o que aconteceria se Putin tivesse disparado um míssil contra o Consulado da Ucrânia em Varsóvia...
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
quinta-feira, 18 de abril de 2024
Dr. Rui Nepomuceno
Partiu da vida terrena o meu Amigo Dr. Rui Nepomuceno. Por ele sempre nutri uma enorme consideração e estima. Hoje, lamento que as circunstâncias das nossas vidas não tivessem proporcionado uma convivência mais assídua. Muito teria eu aprendido com o homem culto, o advogado de excelência e o historiador que deixa obra para os vindouros. Lamento, repito. Só damos conta disso tarde demais. Infelizmente.
Um dia, a propósito de um julgamento sobre matéria educativa, dei conta que o meu advogado não se encontrava presente. Quase entrei em pânico. Circunstancialmente, passava pelo corredor do Tribunal, o Dr. Rui Nepomuceno. Abeirei-me e pedi ajuda. Não me recordo dos pormenores de há quase trinta anos. Sei que ele pediu ao Juiz um compasso de espera, inteirou-se do problema em causa, leu o processo quase transversalmente e assumiu a minha defesa.
Agradeci-lhe através de carta essa sua atitude. Passados uns dias, respondeu-me. Guardo essa preciosa carta como uma memória e uma referência do Homem bom que ele sempre foi. Aquela desprendida atitude, sem qualquer tipo de exigência, marcou-me profundamente, pelo que hoje, na sua partida, curvo-me perante a sua grandeza de Homem, esse sim, "que se tem afirmado pela firmeza, altruísmo e sinceridade da sua prática como Homem e como político".
Um grande abraço de solidariedade à sua Mulher Drª Aida Nepomuceno (e restante família), distinta Colega com quem tive o prazer de trabalhar na antiga Escola dos Ilhéus.
Obrigado, Dr. Rui Nepomuceno e até sempre.
sábado, 13 de abril de 2024
Será a Agenda Verde Europeia uma das principais causas do declínio económico e social da UE?
A situação está adormecida por algumas cedências e recuos dos Governos nos vários países e alguns subsídios, mas pronta a reaparecer a qualquer momento.
1. A Agenda Verde foi “imposta” aos Estados-membros pela Comissão Europeia, em Julho de 2021. Doze textos, com milhares de páginas e, uma ambição desmedida: “liderar a transição ecológica e energética”, a nível mundial e, transformar-se no primeiro Continente, livre de emissões de CO2 até 2050.
É mais do que um embuste. É enganar os portugueses
"O Expresso errou. Pior, publicou uma notícia falsa. Pelo facto pedimos desculpa aos nossos leitores. A publicação desta notícia seguiu as regras e procedimentos que exigimos antes da publicação de uma notícia. Não contávamos era com o facto do primeiro-ministro ter, no Parlamento, ludibriado os portugueses
Luís Montenegro apresentou uma redução de impostos que não passa de um embuste.
segunda-feira, 8 de abril de 2024
A Justiça está sem controlo
Separação de poderes, obviamente que sim. Porém, no quadro de um regime verdadeiramente democrático, nenhum poder pode ficar em roda livre. Não pode ser "coisa" de alguns, mas uma preocupação de toda a sociedade. O sentimento que tenho é que o poder judicial está em autogestão. Ninguém o controla. É entre os seus pares, grosso modo, que as regras se definem. O poder legislativo tende a não se imiscuir na esfera judicial (a tal história de "à política o que é da política, e à justiça o que é da justiça), porém o que se constata, em vários casos, é a tendência para a Justiça imiscuir-se na esfera política. Não que alguém esteja acima da Lei, mas pela oportunidade e o modo como as situações acontecem. Têm sido tantos os casos mediáticos. Suspeita-se, cria-se o alarme (entre outros, veja-se o caso Dr. Rui Rio), prende-se para investigar, depois ilibam-se, derrubam-se governos legítimos, ignora-se o segredo de justiça e, sem provas concludentes, colocam-se pessoas na lama e com a sua vida, não apenas a política, em suspenso. Apenas porque se "suspeita"! Lamento.
terça-feira, 2 de abril de 2024
segunda-feira, 1 de abril de 2024
O ataque brutal ao PS durante oito anos
Por
Alfredo Barroso,
Este é o sexteto de direita que venceu as eleições legislativas, depois de Marcelo PR ter derrubado o Governo de maioria absoluta do PS. É essa gente que tem a estrita obrigação de autosustentar-se, criando, se necessário, uma aliança do tipo «caranguejola» ou mesmo «dona elvira». Mas ao menos tenham vergonha e não se ponham a "pedir batatinhas" ao PS, lá porque acolheu como deputados o Francisco Assis e o Sérgio Sousa Pinto...
sábado, 30 de março de 2024
Acarinhá-los? Não: enfrentá-los e derrotá-los
Não, eu não tenho a menor vontade de acarinhar os votantes do Chega, sejam eles quantos forem. Quem deve ser acarinhado são os outros.
Despachado como pára-quedista para chefiar a lista da AD no Algarve, o vice-presidente do PSD, Miguel Pinto Luz, teve uma derrota tão previsível quanto humilhante, atrás do PS e do Chega. Talvez a pensar já na desforra a curto prazo, não perdeu tempo a namorar os eleitores do Chega, afirmando que eles têm de ser “acarinhados”. Mas, verdade seja dita, o instinto de compreensão e tolerância para com o milhão e cem mil eleitores do partido de André Ventura contagiou todos ou quase todos os que foram chamados a enfrentá-lo nas eleições de 10 de Março, começando logo por Pedro Nuno Santos. Era preciso, explicaram-nos, entender as razões da sua “revolta”, do seu justo desencanto com a política e o estado do país, de igual forma que a mesma compreensão, e até rendição, era necessária para com a revolta do braço armado do Chega — os polícias de camisas negras, a cantar o hino como patriotas de excepção e a ameaçar um motim público, todavia juntando à solidariedade óbvia de Ventura também a do Bloco de Esquerda ou de comentadores como Daniel Oliveira. Até parece que não perceberam o que têm pela frente: não se trata só de combater ideias “racistas e xenófobas”, como repetem preguiçosamente (e, como se viu, sem sucesso), mas de tentar deter uma onda galopante de demagogia desenfreada e populismo de taberna que tornará o país ingovernável e, por arrasto, a democracia indefesa.









