quinta-feira, 19 de abril de 2012

COM QUE ENTÃO... OS JORNALISTAS SÃO OS CULPADOS!


Assembleia não se dá ao respeito, por isso, não é respeitada e não tem qualquer credibilidade.  É aqui que deveriam atuar, nunca sobre os jornalistas. Os representantes da comunicação social apenas fazem eco do que se passa. Não são os jornalistas que geram factos que determinam a suspensão dos trabalhos. Não são os jornalistas que discursam e que votam. A função dos jornalistas é a imagem escrita, falada ou através dos meios de gravação vídeo ou de fotografia, levada junto do grande público. Eles até têm um separador em vidro colocado entre a sua bancada e a dos deputados, para que tivessem dificuldade em escutar alguns "mimos" ditos em voz quase impercetível. Os jornalistas fazem o seu trabalho, não o trabalho dos deputados. Por isso, cuidado, atuem nas causas e não culpem quem é mal pago para informar o desnorte dos melhor remunerados.


Será isto que pretendem?
Não é limitando a informação, não é condicionando a atividade da comunicação social que a imagem do Parlamento da Madeira sairá dignificada. Eu já não discuto, sequer, o caráter inconstitucional de uma qualquer medida que venha a ser imposta na Assembleia da Madeira, no que concerne à liberdade de ação dos jornalistas, quer ao nível de imagens quer de circulação. Esse é um problema para os juristas e para o sindicato dos jornalistas e que será resolvido caso a Assembleia teime em condicionar a sua atividade profissional. 
O que me preocupa é uma outra coisa, é que a Assembleia não entenda que a causa está na atitude que a maioria política tem assumido ao longo de trinta e tal anos. Uma atitude de poder absoluto, de chumbo a todas as propostas, de negação de inquéritos parlamentares ou, quando são realizados, elaboram os textos de acordo com os seus interesses e não no sentido da verdade, as alterações ao regimento sempre que dá jeito, a permanente ausência do governo, o chumbo à esmagadora maioria das propostas de debate de urgência ou não, a governamentalização da Assembleia, o clima de medo que instalaram junto dos funcionários, enfim, tudo isto e muito mais constitui a minha preocupação primeira. A ideia que fica é que à medida que a maioria vai perdendo deputados promovem o cerco, o aperto, no sentido de, por essa via, a maioria mostrar que, ali, mandam eles!
Ora, são esses trinta e tal anos de constrangimentos múltiplos que, a páginas tantas, redundam em casos e situações inapropriadas e absolutamente desfasadas do que deve ser o debate acutilante mas dentro dos limites da boa educação e da responsabilidade. Eu lamento, obviamente que sim, mas tenho de considerar que um sujeito, na vida para além do Parlamento, que todos os dias é massacrado por um outro qualquer, a determinada altura perca a serenidade e dê dois estalos no provocador. Talvez mal comparadamente é isso que se passa na Assembleia. A provocação não conhece limites, não me refiro, apenas, às palavras azedas e às ofensas ditas, à boca pequena ou mesmo diretamente, mas a todas as manifestações e atitudes condicionadoras da atividade dos deputados da oposição e que, em síntese, acima referi, para além, obviamente, da desastrada e provocadora conduta do governo regional da Madeira. É essa forma de poder absoluto, de espezinhamento dos outros, de trabalho em vão, da falta de respeito pela Assembleia quando o poder não prestas contas (na República, de quinze em quinze dias o primeiro-ministro apresenta-se aos deputados), que potenciou o aparecimento de situações contrárias àquilo que deve ser um Parlamento de respeito, respeitado e credível. Esta Assembleia não se dá ao respeito, por isso, não é respeitada e não tem qualquer credibilidade.  
É aqui que deveriam atuar, nunca sobre os jornalistas. Os representantes da comunicação social apenas fazem eco do que se passa. Não são os jornalistas que geram factos que determinam a suspensão dos trabalhos. Não são os jornalistas que discursam e que votam. A função dos jornalistas é a imagem escrita, falada ou através dos meios de gravação vídeo ou de fotografia, levada junto do grande público. Eles até têm um separador em vidro colocado entre a sua bancada e a dos deputados, para que tivessem dificuldade em escutar alguns "mimos" ditos em voz quase impercetível. Os jornalistas fazem o seu trabalho, não o trabalho dos deputados. Por isso, cuidado, atuem nas causas e não culpem quem é mal pago para informar o desnorte dos melhor remunerados.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Na madeira, sempre que algo corre mal, a culpa nunca é do Grande Chefe, como bem sabemos...

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Mas sua luta por uma imagem "imaculada" está com os dias contados. Há dias, passei pela Calheta e ouvi este comentário: "o Alberte é que tem culpa do buraque".
Começa a chegar lá!
Um abraço.