quinta-feira, 31 de maio de 2012

MOMENTO DE AGONIA REGIONAL



Não se trata de gente que não quer trabalhar, trata-se sim de gente que é vítima de um sistema político velho, gasto, moribundo e cheio de oportunistas, de um sistema que a cada legislatura se foi fechando e enclausurando segundo a lógica do pensamento político de um só homem. E perante a legítima pressão em função dos dados, o sistema e o homem que lhe dá rosto, mais se torna casmurro, mais denuncia uma disfunção autista, mais se fecha numa espécie de "torre de marfim", de ostensiva recusa ao que se passa no mundo exterior à "quinta" que ocupa. O seu estado egocêntrico só lhe permite ver fantasmas, atentados à sua presença e ao "paraíso" que a sua imaginação alimenta. O seu ego tornou-se maior que a Região e para ele tudo terá de girar em seu redor. Perdeu, pela longevidade política e pela idade, a noção do tempo certo para estar e para bater em retirada. 

O momento da definição: entre este político,
o vira o disco e toca o mesmo
e um partido que provoque a ruptura
através de pessoas confiáveis e de diálogo.
Vive-se um momento de agonia regional. Não dá mais para disfarçar a realidade dos indicadores, do mal-estar, das palavras e das denúncias que, diariamente, vão sendo produzidas e sentidas. Basta ter presente, finalmente, as lúcidas palavras do presidente da Cáritas Diocesana na Madeira, Dr. José Manuel Barbeito: existe um "sentimento de revolta" latente que só espera "um clique" para explodir (...) "não sei quanto tempo mais isto vai aguentar". Ora, assume estas palavras quem de perto vive a situação deveras angustiante, quem conhece, por dentro, o drama de milhares de famílias. Não se trata de gente que não quer trabalhar, trata-se sim de gente que é vítima de um sistema político velho, gasto, moribundo e cheio de oportunistas, de um sistema que a cada legislatura se foi fechando e enclausurando segundo a lógica do pensamento político de um só homem. E perante a legítima pressão em função dos dados, o sistema e o homem que lhe dá rosto, mais se torna casmurro, mais denuncia uma disfunção autista, mais se fecha numa espécie de "torre de marfim", de ostensiva recusa ao que se passa no mundo exterior à "quinta" que ocupa. O seu estado egocêntrico só lhe permite ver fantasmas, atentados à sua presença e ao "paraíso" que a sua imaginação alimenta. O seu ego tornou-se maior que a Região e para ele tudo terá de girar em seu redor. Perdeu, pela longevidade política e pela idade, a noção do tempo certo para estar e para bater em retirada. Perdeu a noção que até o seu próprio grupo parlamentar se manifesta contra os elementos do seu governo, situação impensável até há relativamente pouco tempo. É um homem em desespero, que diz existirem facadas nas costas por todos os lados, um homem que estrebucha no plano político, mas que atira, ele próprio, areia para os seus olhos. Não quer ver e apenas quer manter a rotina do carro preto que o leva até à "quinta".
No meio desta agonia, desta colectiva morte política, em desespero, pela ausência de argumentos sustentáveis, ele e o seu governo atiram-se para Lisboa, para aquilo que designam por "chantagem" de Lisboa, relativamente às tranches do plano de ajustamento financeiro, quando a causa não está aí, mas nas muitas loucuras assumidas durante trinta e tal anos. É nas causas que temos de  nos situar e actuar. As transferências financeiras, não esqueçamos isto, constituem um empréstimo que dará para tapar alguns buracos, mas não resolvem o problema de fundo. O dinheiro tem de ser desbloqueado, obviamente, para que as empresas possam aliviar a carga e evitar mais despedimentos, mas não podemos ocultar a causa, o porquê de aqui termos chegado apesar dos avisos e das denúncias. Esse dinheiro é um penso numa ferida muito grave e a precisar de outro tipo de intervenção. E neste quadro há políticos desesperados que tentam manter o povo enganado, quando se sabe que temos drama regional para muitos anos por culpa de um homem e de um sistema que esmagou a Madeira, vergou pessoas, permitiu riquezas obscenas ao lado de uma gigantesca pobreza.
Numa aproximação a Charles Dickens, este homem tem hoje "uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada". O que lamento é que haja pessoas que ainda se verguem, o que me leva a questionar sobre os porquês, as razões mais substantivas que os levam a manter o cúmplice silêncio. Não é apenas por amizade pessoal. Os amigos não se comportam assim.  De resto, como tenho vindo a dizer, é tempo de devolver a palavra ao povo. A Madeira terá de ir para eleições antecipadas para que se dê início a uma nova etapa em que o sofrimento dê lugar à esperança. É uma questão de meses e a situação será clarificada. Da mesma forma, politicamente, abomino este Presidente da República, pelo qual não nutro qualquer respeito político, pelo seu silêncio, o seu alheamento, o seu vergonhoso posicionamento que permite passar ao lado do drama de um povo, como se esta não fosse uma parcela do território nacional. No tempo certo também será chamado a prestar "contas"!
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:

REFLEXÃO DO DIA A PROPÓSITO DE SONDAGENS

5,9% de popularidade é semelhante a um jogador de futebol com 50 anos querer jogar na 1ª Liga!

5 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Cavaco Silva, sendo um Presidente muito fraquinho, não é parvo. Ele sabe muito bem que Jardim vai cair de podre mais cedo ou mais tarde. Algo que toda a gente já percebeu, com a honrosa excepção do povo superior.
Assim sendo, o que é que Cavaco tem a ganhar em chafurdar naquilo que "quanto mais se mexe mais cheira"?

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Percebo, mas ele foi eleito como "Presidente de todos os portugueses". Foi eleito para cumprir e fazer cumprir a Constituição. E foi eleito para actuar e não para fazer de figura decorativa. É verdade que já nos habituámos a que nada seja com ele, mas também é certo que aos desmandos espera-se uma atitude, mesmo que essa atitude seja ténue e de significado reduzido.
Todavia compreendo as suas palavras que, aliás, caracterizam muito bem esta triste política portuguesa.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Cavaco silva é demasiado previsível (nunca se compromete) e não serve de exemplo para a teoria que vou tentar resumir.
Sempre que pretendo saber o que se vai passar na política, começo por analisar as pessoas envolvidas e os seus interesses pessoais. O método é falível mas, normalmente, leva a bons resultados...

António Trancoso disse...

Caros Amigos
Tenho cá a impressão que, tanto Afonso Henriques como o Infante das Descobertas,devem estar a dar saltos na tumba de amargo arrependimento...
Em contrapartida, o Botas, deve estar divertidíssimo!
Ironias do destino...

João André Escórcio disse...

Caríssimos,
Hoje, a propósito de tudo isto, senti e sinto uma revolta por toda esta vergonha regional. Oiço a Cáritas, oiço a AMI, oiço as taxas moderadoras, analiso os silêncios, do PR, por exemplo, entre outros, leio as entrelinhas deste bando que quer continuar no poder e penso neste povo que carrega a cruz, penosamente. Que futuro terão este jovens que enchem as nossas escolas?