sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DESABAFO SEM DESTINATÁRIO


Estive na política activa e reconheço o que isso custa. Se já é difícil afrontar um poder colossal, porque tentacular, ainda mais difícil é conjugar essa luta com a daqueles que se dizem próximos e que bombardeiam sem dó nem piedade. As redes sociais tanto promovem como conseguem destruir. Porque o seu efeito é multiplicador. Daí que, no pleno respeito pela opinião diversificada, a forma, o tom e o sentido, julgo eu, deveriam em muitos casos ser diferente. E se assim me posiciono é porque tantas vezes outros li, reflecti e corrigi os meus posicionamentos primeiros. Com todos aprendemos e com todos podemos construir uma Região melhor. Porém, penso ser errado mostrar as cartas, manifestar-se por debaixo da mesa ou trocar olhares perante aqueles que há 36 anos jogam com cartas viciadas.
 

 
Este texto é mais um desabafo do que vou lendo, sentindo e acumulando. Numa terra em ruptura económica, financeira, social e cultural, com um poder esgotadíssimo, que dá mostras de não acreditar em si próprio, com uma imagem desgastada em função dos vários indicadores, mais virado para os seus problemas internos, políticos e financeiros, do que para o povo que governa, incapaz de mostrar um qualquer rasgo de inovação e descoberta de um caminho gerador de um futuro melhor, vou lendo pessoas que, penso eu, desejam o mesmo que eu ambiciono, a se manifestarem contra a oposição, abrindo desta feita caminho aos sequazes que nos trouxeram à miséria que está aos olhos de todos. Manifestam-se, por tudo e por nada, escrevem como se fossem iluminados e tivessem a varinha de condão para aquele toque mágico da mudança. Sinto alguma tristeza, confesso, nessa forma de se posicionarem. Mas, atenção, não que tenham de se subordinar ao pensamento seja lá de quem for, mas entre um olhar crítico para as tropelias do poder que governa e que se governa e as pedras que se atiram para quem nunca foi poder, penso que preferível seria centrar as análises nos que criaram o drama que estamos a assistir. Evidentemente, também, com sentido de análise para o que a oposição faz, mas nunca destruindo-a ou fragmentando-a. É que não faz sentido algum no actual contexto dizer-se oposição e, ao mesmo tempo, combater a oposição pensando que está a ajudá-la. Cada tiro na oposição vindo da oposição constitui um louvor ao poder maioritário. E o que leio por aí, já não sei se terão como causa problemas partidários menos bem resolvidos, a verdade é que mói, desgasta, massacra e concede trunfos a quem não os deveria ter.
Estive na política activa e reconheço o que isso custa. Se já é difícil afrontar um poder colossal, porque tentacular, ainda mais difícil é conjugar essa luta com a daqueles que se dizem próximos e que, subtilmente, bombardeiam sem dó nem piedade. As redes sociais tanto promovem como conseguem destruir. Porque o seu efeito é multiplicador. Daí que, no pleno respeito pela opinião diversificada, a forma, o tom e o sentido, julgo eu, deveriam em muitos casos ser diferente. E se assim me posiciono é porque tantas vezes outros li, reflecti e corrigi os meus posicionamentos primeiros. Com todos aprendemos e com todos podemos construir uma Região melhor. Porém, penso ser errado mostrar as cartas, manifestar-se por debaixo da mesa ou trocar olhares perante aqueles que há 36 anos jogam com cartas viciadas.
Bom, mas este é apenas um desabafo, simplesmente porque conheço o trabalho ciclópico da oposição, as suas lutas e propostas, as dificuldades de penetração das suas mensagens no povo, porque vergado por múltiplos pesos e redes que o condicionam, conheço o trabalho de anos a fio de muitos lutadores por causas justas, gente que foi perseguida e ostracizada, conheço o trabalho sindical de homens e mulheres que estão lá quando os trabalhadores já não têm a quem pedir apoio, enfim, conheço um pouco da nossa História, para que o meu adversário político esteja bem definido. Gostaria que outros, não perdendo o sentido de análise ao que as oposições vão fazendo, se debruçassem sobre esta podridão sistémica que vai da Educação à Saúde, da Economia às Finanças, do Turismo aos Transportes, entre outros, claro.
Apenas um desabafo sem destinatário!
Ilustração: Google Imagens.

5 comentários:

Anónimo disse...

Isso mesmo!
Penso o mesmo!
Mas somos poucos.
Desde o início da humanidade.
(aquela configuração de letras que temos que repetir para o google assumir o comentário (guardar) é um desatino. Não quer retirar essa validação suplementar? Só atrapalha quem quer deixar um comentário, pois as letras são bem disformes e raramente acertamos à primeira. Já vou na 5.ª tentativa....)

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Vou tentar desactivar... pedindo ou não apoio.
Obrigado.

João André Escórcio disse...

Tentei desactivar. Queira fazer o favor de confirmar.
Obrigado.

Anónimo disse...

OK!

Na verdade, nem sei bem porque é que aquilo existe, mas assim fica muito mais fácil para quem quer deixar comentários.
Obrigado.

João André Escórcio disse...

Obrigado. Acertei!
Obrigado sobretudo por me ter chamado à atenção. Não sabia que esse pormenor estava activado.