segunda-feira, 6 de agosto de 2012

RTP-MADEIRA 40 ANOS


Uma Gala, com G maiúsculo (o espectáculo de ontem não teve o formato de gala) tem de assumir um patamar de indiscutível interesse, tem de ter pompa, tem de surpreender, tem de ter ritmo e alguma ostentação. Não foi isso que aconteceu. Não estava à espera de um acontecimento memorável, mas esperava uma comemoração dos 40 anos com uma elevada dignidade. Dignidade que, em outros momentos, comemorativos ou de homenagem, a RTP soube assumir. A Madeira, repito, tem muito para oferecer e, porventura, a custos aceitáveis. E quando saliento a custos aceitáveis, é porque sei que a RTP-Madeira, em tempos idos, pagava aos grupos que actuavam nas diversas iniciativas, mas que há algum tempo a esta parte, evita suportar encargos ao considerar que os artistas beneficiam com a sua participação em termos de exposição pública. Há grupos na Madeira e artistas que cresceram com a RTP-Madeira. Estranhei, por isso, a ausência de grupos e artistas de reconhecida qualidade.


Ontem foi dia de "gala" no Casino da Madeira. Fui convidado, julgo eu, pela minha participação durante catorze anos como colaborador, mas, agradecendo, tive de declinar o convite porque acabava de chegar do Porto. No entanto, acompanhei o directo da dita "gala". Vi gente aperaltada para a festa solene, vi um desfile de centenas de pessoas, certamente a imaginarem um "grande" espectáculo, tal como foi promovido. Bom, não quero ser deselegante para quem teve a responsabilidade de organizá-lo, não é essa a minha intenção e tampouco domino as limitações que terá enfrentado. Todavia, pelo que acompanhei terei de dizer que foi globalmente muito fraquinho. Com o devido respeito por aqueles (poucos) que actuaram, não está em causa a sua qualidade, repito, globalmente, aquela hora e pouco soube a pouco, muito pouco. A Madeira tem muito mais do que aquilo que foi apresentado. A dificuldade, certamente, será escolher. Dirão os responsáveis pela RTP-Madeira que o cofre está vazio e que houve um corte orçamental de 23%. Compreendo, mas há circunstâncias onde melhor do que um espectáculo fraco é não realizá-lo. Não se expõe a empresa a um certo ridículo.
Não sou especialista em montagem de espectáculos, apenas sou um espectador e, nessa qualidade, dentro das limitações orçamentais, julgo saber observar o que me oferecem. Certamente que houve quem tivesse gostado. Pessoalmente, não gostei. Uma Gala, com G maiúsculo (o espectáculo de ontem não teve o formato de gala) tem de assumir um patamar de indiscutível interesse, tem de ter pompa, tem de surpreender, tem de ter ritmo e alguma ostentação. Não foi isso que aconteceu. Não estava à espera de um acontecimento memorável, mas esperava uma comemoração dos 40 anos com uma elevada dignidade. Dignidade que, em outros momentos, comemorativos ou de homenagem, a RTP soube assumir. A Madeira, repito, tem muito para oferecer e, porventura, a custos aceitáveis. E quando saliento a custos aceitáveis, é porque sei que a RTP-Madeira, em tempos idos, pagava aos grupos que actuavam nas diversas iniciativas, mas que há algum tempo a esta parte, evita suportar encargos ao considerar que os artistas beneficiam com a sua participação em termos de exposição pública. Estou em crer que, para além da banda (mera suposição minha) os restantes terão lá ido a custo zero ou próximo disso. Há grupos na Madeira e artistas que cresceram com a RTP-Madeira. Estranhei, por isso, a ausência de grupos e artistas de reconhecida qualidade.
Finalmente, a apresentação do espectáculo. Já não é suportável uma leitura através de sucessivas fichas. Para o espectador ou colocam um púlpito libertador das mãos, até por uma questão de gestualidade comunicativa, ou os apresentadores utilizam o teleponto. Assim, não. Por outro lado, não é aceitável que a história da RTP-Madeira seja lida, apressada e descontextualizadamente e com brutais saltos cronológicos. Enfim, uma "gala" menor, sem entusiasmo, de certa forma frustrante, talvez concordante com o acentuado declínio que conduzirá, em breve, à abertura da emissão às 17:00 horas, muito semelhante ao que acontecia há 40 anos. Percebo o que está em jogo, inclusive, no plano político, quando um administrador da RTP assumiu, ontem, a necessidade de uma autonomia regional da RTP-Madeira. Mas essa análise fica para depois.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Miguel Pestana disse...

Concordo consigo,

Foi uma vergonha para os telespectadores madeirenses a "Gala". Era preferivel não a terem transmitido. Achei repugnante. Tudo!

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Ligam-me àquela casa alguns laços e, portanto, quando assisto à mediocridade fico constrangido.
A RTP-Madeira é capaz de muito melhor, por isso, lamento o que aconteceu.

Anónimo disse...

A "Gala" não foi grande coisa e o documentário do dia seguinte, foi interessante porque integrou e sistematizou algumas ideias, imagens e depoimentos que fazem a história da RTP Madeira.
Lamentável os saltos cronológicos sobre períodos interessantíssimos da historia da estação e da Região...Uma vergonha foi isso. Era melhor terem assumido aquilo como um documentário com pioneiros da RTP-M... desde os idos de 70 até hoje muita água correu debaixo das pontes e muita gente deu o corpo, a alma e a cara por aquela estação.
Esperemos que "agarrem" no material inédito e façam uma série de documentários como deve ser...porque a RTP Madeira foi, e, é importante para os madeirenses sua diáspora e para todo o País!!!!
Abraço
Gustavo Mendes

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Cheguei a escrever um comentário ao "documentário". Não o publiquei e penso que fiz bem.
É evidente que não é fácil encaixar 40 anos em pouco mais de uma hora. Para o realizador terá sido um trabalho muito difícil.
Considero aquele trabalho como um ponto de partida. Com mais tempo e serenidade, a história poderá ser melhor contada, até porque como diz e bem, assistimos a alguns saltos cronológicos sobre momentos que marcaram um tempo em que, no meio de muitas dificuldades, ainda assim, o Centro Regional, muito produzia.