quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SE A PRIMEIRA DECISÃO DE CRATO CORRESPONDEU A UM ATENTADO À DIGNIDADE DOS PROFESSORES, A SEGUNDA, CORRESPONDEU A UMA PATETICE POLÍTICA.


Nuno Crato, ministro da Educação, demonstrou que, politicamente, não sabe o que anda a fazer. É capaz de ser um excelente professor de Matemática, todavia, enquanto governante, é um zero! Para compreender a Escola, a perseguição que move aos professores e a inadequação das suas decisões, deveria cumprir um estágio numa escola de 1º ciclo e realizar um outro, mais prolongado, em um estabelecimento de ensino do 2º, 3º ciclo e secundário. Deveria assistir, sentado num banco, ao trabalho das direcções executivas, disponibilizar-se para as reuniões de departamento, as reuniões dos conselhos de turma, conselho pedagógico e até de assembleia de escola. Deveria acompanhar a preparação das aulas dos professores e as horas de correcção dos testes. Deveria participar na vivência dos clubes e projectos existentes e, finalmente, uma semana a viver o movimento diário dos serviços administrativos, para sentir e perceber a realidade da escola pública, a realidade social que ali chega e o que é fazer das tripas coração para pagar facturas para que a porta se mantenha aberta. Sugeriria, também, uns dias na sala de professores, para sentar-se à mesa do café, durante os intervalos curtos ou maiores, para tomar consciência do que é a vida de muitos professores contratados, das suas famílias e as angústias e dramas que entre contratados e professores a tempo indeterminado vão sendo ali escarrapachados. Talvez ganhasse um outro respeito por uma classe profissional que há muito anda a ser maltratada e que pela inconsciência política de Crato eu diria que atingiu o apogeu. O seu desnorte é total. O dele e o da equipa que o acompanha. Amanhã, frente à Assembleia da República, terá a resposta.

Falta de dinheiro...
ou inteligência política muito pequena

A sua última decisão prova a incompetência para liderar o sistema educativo. Exigiu e mostrou-se irredutível relativamente ao exame que determinou para os docentes contratados, mas anteontem, pela pressão pública, acabou por recuar. Recuou, é certo, deixando pelo caminho dois novos erros: primeiro, o facto de ter possibilitado que os professores com mais de cinco anos de serviço fossem dispensados; segundo, o facto de ter "acordado" tal decisão apenas com o contributo de uma central sindical, a UGT, ao qual pertence o principal sindicato do seu partido político (Sindicato Democrático dos Professores). Não contactou e não reuniu, por exemplo, com a FENPROF onde está sindicalizada a esmagadora maioria dos docentes, nem outros sindicatos: ASPL, SEPLEU, SIPE, SIPPEB e SPLIU
Mas o problema é muito mais vasto e complexo, para além do sectarismo evidenciado que não ajuda nada, rigorosamente nada, a pacificação do sector. Pergunto: por quê os que têm mais de cinco anos de actividade docente e não todos? Qual a diferença entre um professor Licenciado, com formação pedagógica e estágio profissional acompanhado pela instituição formadora e pela escola, com avaliações anuais positivas, com pós-graduações e acções de formação várias e cargos desempenhados em escolas, mas que têm, por exagero o digo, quatro anos e onze meses de actividade? Qual a diferença entre um professor jovem de grande qualidade e, eventualmente, com currículo e habitações superiores, e um professor com muitos mais anos de profissão, mas apenas Licenciado? Daqui concluo que esta prova de avaliação de conhecimentos não faz o menor sentido. Trata-se, portanto, de uma questão de PRINCÍPIO, de respeito pelos professores e pelas instituições formadoras. O exame não faz sentido para todos e não para alguns. Se, a primeira decisão, a que obrigou os professores a se inscreverem para um exame, correspondeu a uma ausência de respeito pelos professores, a segunda, correspondeu a uma patetice política. Não demonstrou bom senso, demonstrou sim, que teve medo e tentou remediar um assunto que ainda dará muito que falar e escrever. Imagine-se só isto: o que será colocar colegas a vigiar o exame de outros colegas! Inexplicável.
Crato, com esta atitude, não ajudou a pacificar, antes acicatou os ânimos de uma central sindical e de outros sindicatos que não lhe vão dar descanso. No meio disto, POBRE FNE/UGT! Se a situação não era boa, agora, piorou. Crato averbou uma colossal derrota política e jamais se aguentará no lugar que ocupa. Apesar da sua idade e formação académica, falta-lhe, claramente, bom senso e tacto político. Os próximos tempos ser-lhe-ão muito difíceis, não apenas por este assunto específico, mas por tantas decisões que, uma vez somadas e compaginadas, ditarão o seu "funeral" político.
Ilustração: Google Imagens.

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