sexta-feira, 12 de setembro de 2014

NESTA AVENTURA DOS CINCO, RESTA SABER QUEM FAZ DE TIM NA "ILHA DO TESOURO"


A dívida andou escondida, quase sempre superior ao que nos diziam. Agora pagamos mais juros do que entregamos à educação ou à saúde. Somos todos juro-dependentes. Trabalhamos para entregar juros financeiros, juros de mora, juros disto, juros daquilo. Já eram mais de 6 000 milhões de dívida há alguns anos, disse-o várias vezes, mas os cinco nunca tinham feito contas e se fizeram perderam o papelinho... e a língua. Ninguém os ouviu!


Os investimentos públicos, pelo contrário, entraram pela casa dentro. Mas afastaram o investimento privado e alimentaram um lobie perverso que cumpriu o papel de amedrontar quem se colocasse à frente. Com o que se gastou, e que ainda se está a pagar, não se criou nada, caiu tudo por terra, porque era quase tudo insustentável, mesmo sendo tudo de betão! Os cinco sempre brincaram com as críticas e aproveitaram esta “Venezuela delirante”. “É o desenvolvimento social” diziam eles. Era fazer pontes e túneis para onde quer que seja, por cima, por baixo, a meio de montanhas, entre ribeiras. Valia tudo para estoirar os milhões e alimentar o poder. Nenhum dos cinco abriu a boca. 
A propaganda falsa de um PIB elevado, superior à média nacional e capaz de retirar a Madeira da estatística das regiões mais pobres da Europa, foi o embuste mais erudito desta governação. Tão erudito e complexo (lembravam os responsáveis da SDM) que ninguém poderia comentar. Era uma espécie de gestão de uma “central atómica”: indecifrável para o pobre ser humano. Éramos ricos, muito ricos e mesmo milionários, diziam eles, os cinco, entre dentes ou mesmo com a boca cheia! Mais de 1000 milhões de euros perdidos de fundos europeus (500 milhões no QREN ainda em vigor e o restante no programa que entrará em curso) serviram o interesse do governo e do grupo Pestana. As notas oficiosas recheadas de argumentos apalermados, capazes de fintar a inteligência de muita gente distraída e embriagada pela vaidade do grande PIB jardinista, nem saíam do governo, mas eram assinadas directamente pelo Presidente de uma sociedade privada e entregues aos deputados, sem qualquer decoro. Numa balbúrdia institucional deliberada e retrógrada. Os cinco abanavam a cabeça e levantavam o rabinho. A UE, demorou 12 anos a esclarecer que o PIB da Madeira não é nenhuma fortuna. Mas nem um comunicadozinho foi recebido na ALRAM. Nem do Governo, nem do tal Presidente, nem dos cinco. Ainda não.
As sociedade de desenvolvimento mostraram o que não se deve fazer numa economia de mercado e muito menos o que nunca se pode fazer com dinheiros públicos. Mas os cinco andavam entretidos. Felizes e contentes, talvez suspirassem de ódio pessoal, mas nunca ninguém lhes ouviu, leu ou pressentiu um incómodo, mesmo que ligeiro. Acabrunhavam-se e lambuzavam-se alegremente. 
A vialitoral e a viaexpresso mostram o cúmulo do desplante de dezenas de anos de governo rasteiro. É o corolário da pouca-vergonha. Mas dos cinco nada. Pagar aos poderosos empreiteiros da Região e aos insuspeitos bancos mais de 120 milhões por ano e, com isso, tirar a comida da boca de crianças esfomeadas, não estremece ou sensibiliza nenhum dos cinco. Coisinhas fofas, com fronteiras delimitadas, de preferência no ataque pessoal, é o limite da intervenção desta meia dezena que parecem “bichos de pêssego”. As discussões acesas num paradoxal e inesperado ímpeto democrático substituí, por enquanto, e aparentemente com razoável suficiência, o vazio, o silêncio e a cumplicidade com os carrascos do nosso tempo. 
Se querem ser mais do que foram, têm de dizer mais do que dizem. Mesmo que delirem sobre o que eram, serão sempre pouco do que deviam ser. A Madeira saberá pagar-lhes com a mesma moeda.
Ilustração: Google Imagens.
Nota: Artigo de opinião publicado na  edição de hoje do DN-Madeira.

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