quinta-feira, 23 de abril de 2015

NO MUNDO DA ILUSÃO COM CARTAS VICIADAS


Tenho tempo de vida suficiente, experiência política qb e distanciamento partidário para perceber que aquilo que alguns apresentam na montra não corresponde ao produto em armazém. Mas respeito quem considere que não é bem assim, bem como os que dizem "deixem governar quem ganhou". Aliás, têm de governar. Só que, da mesma forma que a nossa economia não melhora plantando alfaces ou com hortas urbanas, as políticas de governo, desenhadas desde início no que concerne às traves-mestras, possibilitam ao cidadão uma leitura global do futuro. Podemos não concordar, mas está definida. Partido que não apresenta um programa de candidatura mas que ganha as eleições, pelo menos para mim, deixa um enorme rasto de dúvida. Daí que, tudo o resto possa ser considerado entretenimento político "déjà vu", palavras de circunstância que nada adiantam e que apenas permitem um acto de ilusão temporária. Por quanto tempo durará essa ilusão, não sei. 


Aliás, os tempos não são propícios para paleio insustentável. Prefiro quem exprima, sem rodeios, desde a primeira hora, que o desemprego será combatido desta e daquela forma, que a pobreza tenderá para zero com as medidas x e y, que o salário mínimo será corrigido ou não, que os mais vulneráveis beneficiarão ou não de um complemento regional de pensão (tantas vezes proposto e negado na Assembleia), que a política de "monopólio" do transporte marítimo vai acabar ou não, que os pilares dos sistema de saúde e de educação serão estes e aqueloutros, que a política de obras públicas assentará no pressuposto k, que o serviço da dívida e o capital serão assumidos através do processo w, enfim, itens, entre outros, que se enquadram numa folha A4, mas que denunciam para onde desejam seguir. Pintar a "quinta", mudar quadros, andar de mota, mudar de cadeiras, vir de Lisboa de mãos abanar, vender as "datchas" do Porto Santo esquecendo-se que, primeiro, está o Jornal da Madeira, porque distorce as regras de mercado, trololó e mais trololó ou utilizar o BMW da Região para ir a uma reunião do partido, porventura transmite a ideia de "alerta laranja". 
Bom, espero que a poeira assente e que o "programa de governo" não constitua bolas à trave ou para as bananeiras. É que antes de uma candidatura todos sabiam ou deviam conhecer os complexos dossiês da Região. E se assim me posiciono é porque todos sabemos onde estamos, mas ainda não consegui descobrir onde querem chegar, tampouco os passos que vão dar para lá chegar. Perguntas essenciais em termos políticos e gestionários. 
Ilustração: Google Imagens.

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