quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A MAIORIA DOS ELEITORES VOTARAM À ESQUERDA. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NÃO CONSEGUE LER A REALIDADE. ESPANTOSO!


Sejamos claros. O PS negociar com o PSD/CDS uma plataforma de entendimento para os próximos quatro anos? Mas está tudo louco? Então na política vale tudo? Vale vender princípios e valores em nome de uma estabilidade que só existe na ilusão do Presidente da República e dos interesses instalados? Mas alguém já se esqueceu o que Passos Coelho/Paulo Portas fizeram em 2011 para derrubar o governo minoritário dos socialistas, que enfrentaram, na altura, a pior crise dos últimos setenta anos? Alguém já se esqueceu, na decorrência do acto eleitoral de 2011, a total secundarização dos socialistas em matérias de grande relevo para o país? Alguém se esqueceu do que foram os sucessivos ataques políticos ao PS, trazendo sempre em memória que a culpa da austeridade tinha um nome: José Sócrates? Alguém pode ignorar que o "programa" (se ele existe, inclusive, a agenda oculta) do PSD/CDS, naquilo que é fundamental, diverge, substancialmente, das opções programáticas do PS? Então, neste quadro sumário, como pode ser apagada a memória política, solicitando agora acordos que, politicamente, são contraditórios e perversos? Como pode o PS aceitar acordos com uma direita que ofendeu a esmagadora maioria dos portugueses, através de uma estúpida austeridade, uma substancial limitação dos direitos sociais, "expulsão" voluntária de portugueses (mais de 450.000 emigrantes) e um ofensivo esbulho nos direitos dos reformados e pensionistas? 


O PSD/CDS perdeu a maioria absoluta. Dispõe, para já, de 38,5% dos votos equivalentes a 104 lugares no Parlamento. A oposição, formada pelo PS/BE/CDU/PAN, soma 52,5% equivalente a 122 lugares. Sabe-se que os governos de maioria relativa não funcionam, pelo que, tarde ou cedo, acabam por cair. Perante isto, questiono, como pode o PS vender-se à direita? Por causa das presidenciais? Porque as eleições ganham-se ao centro? Porque há que manter as aparências de colaboração para, dentro de um a dois anos, garantir a vitória que, agora, deixou escapar?
Ora bem, volto aqui a sublinhar que é tão legítimo o PSD/CDS governar com apoio minoritário, através de pontuais acordos parlamentares, como é legítimo a maioria de esquerda, liderada pelo PS, governar o País com maioria absoluta, portanto, com a tal estabilidade pedida pelo Presidente da República. O que não entendo, nem quero entender, nem vou entender, é que o PS, filiado na internacional socialista, ceda às pressões da direita política em nome de uma pressuposta estabilidade que, na douta cabecinha do Presidente, só pode ser garantida pelo seu partido (PSD). É perverso, interesseiro, não respeita os dados eleitorais e ofende a maioria dos eleitores. O PS tem uma oportunidade para marcar a sua posição de partido de princípios e de valores. Se deste Presidente da República tudo se pode esperar, pela parte do PS, esta história de deitar-se na cama da direita, aninhar-se com aqueles que têm um projecto de venda do país aos bocados, que se marimbam face às dificuldades sociais, corresponderá à sua total despersonalização e perda de credibilidade perante os eleitores. Não aceito. Ponto final.
Ilustração: Google Imagens.

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