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sábado, 18 de outubro de 2014

ISTO JÁ NÃO TEM MAIS "PONTA POR ONDE SE LHE PEGUE"


Um artigo da Drª Isabel Cardoso, publicado na edição de hoje do DN-Madeira: "Depois da “engenharia financeira” para esconder um escandaloso descalabro orçamental de milhares de milhões de euros, depois de se imporem aos madeirenses sacrifícios brutais, depois de se darem provas de corrupção e malfeitorias com jogos de poder, eis que na Assembleia Regional se decide, unilateralmente, que as propostas legislativas de qualquer dos partidos da oposição terão de passar pela aprovação da maioria parlamentar do PSD. Este regime já não tem mais ponta por onde se lhe pegue!



Era fácil prever que quando a torneira do dinheiro se fechasse e chegasse a hora do ajuste de contas, emergiriam a violência e a prepotência e, sobretudo, ficaria escancarada a verdadeira natureza do poder jardinista definida pelo lema “Com papas e bolos se enganam os tolos”. O descrédito tomou conta de quase tudo e, para isso, muito contribuiu a face inoperante e, por isso, cúmplice do sistema judicial que ratificou a suspeita de impunidade do poder político na Madeira. Sim, vivemos uma crise de valores e das mais graves de que nos dá conta a História recente, nada parece valer. De um lado o saque pelos que estão no pode, do outro a alienação pelos que sofrem as suas consequências.
Não vos vou dar conta da minha indignação e da minha enorme inquietação quanto ao futuro, as informações estão todas aí, cada um tem cabeça para pensar e liberdade para agir. Só encolhe os ombros ou se esconde atrás do argumento “Não há alterativa!” quem é muito ignorante para não perceber que se não agirmos já, as consequências serão sempre mais dramáticas. Na realidade, ninguém pode agir pelos outros porque os momentos decisivos da História mostram que a vontade de mudança tem de ser colectiva para se concretizar. A inacção nunca foi sinal de sabedoria mas sinal de pouca cultura e défice de reflexão cívica.
A Democracia, ainda que muito fragilizada e doente, dá-nos os instrumentos para optar por um caminho de Justiça e Paz, no entanto, temos sempre a possibilidade pôr aquele ar fatalista e triste tão luso e repetir à exaustão ”O que é que se há-de fazer?!” e deixarmo-nos conduzir como cordeirinhos ao matadouro".
Ilustração: Google Imagens.

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