A propósito de uma série de desagradáveis e quase inexplicáveis situações que conduziram à demissão de alguns governantes na república, o presidente do governo regional da Madeira assumiu, no decorrer de uma visita ao campo de golfe do Santo da Serra: "(...) Muito tempo no poder (...) perdem a noção da realidade. É o que está a acontecer".
Mas isso é, para já, impossível. A teia foi urdida durante muitos anos, a malha é, por um lado, extremamente larga o que possibilita fugas imensas ao escrutínio; por outro, as interdependências familiares e muitas outras são tão significativas que ninguém, para além de umas tentativas na Assembleia Legislativa, se atreve a dizer "alto e parem o baile". Porque há medo na população em geral. Há ausência de sentido crítico. Há iliteracia política e há pobreza. E se é empresário pior, ainda, convém manter a serenidade. Neste quadro, é óbvio que não há necessidade de mudar seja lá quem for (até por incompetência), não podem existir escândalos, para mais quando é sabido que uma hipotética denúncia é logo silenciada. Daí o desaforo de quem julga que não tem telhados de vidro.
Não sei até quando os muitos silêncios perdurarão. Se olharmos para a História talvez haja esperança, uma vez que são cíclicas as revoluções. Quando uma delas acontecer será caso para assumir que "(...) por muito tempo no poder (...) perderam a noção da realidade".
Ilustração: Google Imagens.
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