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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Uma "líder autocrática" que usa o BCE como "trampolim": funcionários do banco central falam mal (e muito mal) de Lagarde


Por
CNN/TVI notícias




Christine Lagarde assumiu a presidência do Banco Central Europeu em novembro de 2019 mas ainda não convenceu os funcionários do banco central, a avaliar pelos resultados de um inquérito aos trabalhadores do BCE. De acordo com o POLITICO, que diz ter tido acesso aos resultados do inquérito, a maioria (50,6%) dos inquiridos classificou os primeiros quatro anos do mandato de Lagarde como "mau" ou "muito mau".

O inquérito, que contou com a participação de 1.159 dos cerca de 4.500 funcionários do BCE, revela uma insatisfação generalizada com a gestão da ex-presidente do Fundo Monetário Internacional, acusando-a de se envolver demasiado nas questões políticas, descurando as preocupações económicas, nomeadamente a subida galopante da inflação, e de utilizar o BCE como "trampolim" para regressar à política.

“Mario Draghi estava lá para o BCE enquanto o BCE parece estar lá para Christine Lagarde”, comparou um funcionário do banco central, citado pelo POLITICO, que assinala o desfasamento entre Lagarde e o seu antecessor, o ex-primeiro-ministro italiano. De acordo com a mesma fonte, na altura em que dirigia o banco central, apenas menos um em cada dez inquiridos classificou Mario Draghi como "muito mau" ou "mau", em contraste com 55% dos inquiridos que classificaram o seu desempenho como "muito bom" ou "excelente".


Entre as respostas dos inquiridos, o POLITICO salienta um dado que considera “preocupante”: o facto de mais de metade dos funcionários admitirem que o BCE poderá não ser capaz de assegurar o regresso à estabilidade dos preços. Um dos funcionários inquiridos acusa o banco central de se “concentrar em temas que ultrapassam as suas competências, num período em que a inflação atingiu o nível mais elevado da história da União Europeia". Outros salientam o facto de o BCE ter tomado partido no conflito armado entre Israel e o Hamas ou denunciam as viagens "excessivas" de Lagarde para fins não relacionados com as atividades do banco central.

Ainda em comparação com o seu antecessor, o POLITICO assinala o facto de Lagarde ter tido uma classificação muito pior do que Mario Draghi em relação às questões internas, com quase três quartos dos inquiridos a manifestarem descontentamento com as condições de trabalho e salariais, nomeadamente o facto de os aumentos salariais não acompanharem a subida da inflação.

“Christine Lagarde é geralmente apontada como uma líder autocrática que não atua necessariamente de acordo com os valores que proclama”, refere-se num relatório do IPSO, o maior regulador independente da imprensa no Reino Unido. De acordo com o POLITICO, o relatório sublinha a insatisfação dos trabalhadores com a aparente dualidade de critérios de Christine Lagarde, apontando como exemplo o facto de encorajar os funcionários a falarem, mas depois repreender os mesmos se partilharem abertamente as suas preocupações.


O POLITICO assinala ainda um outro dado “surpreendente” relacionado com o facto de nem os funcionários do sexo masculino nem os do sexo masculino estarem satisfeitos com os esforços de Lagarde em matéria de diversidade, com ambos os sexos a preferirem as políticas do seu antecessor, que introduziu pela primeira vez quotas de género no banco central. Embora a maioria tenha concordado com os objetivos quando Draghi levantou a questão, a implementação dos mesmos critérios por Lagarde é descrita como “contraditória e discriminatória”. "As questões de género dividiram seriamente o pessoal", observou um dos inquiridos.

Confrontada com estes resultados, uma porta-voz do BCE disse ao POLITICO que as respostas não correspondem à verdade e lembra que a conjuntura atual exigiu outras responsabilidades à presidente do banco central. “A presidente e o conselho de administração estão totalmente focados no seu mandato e implementaram políticas para responder a eventos sem precedentes nos últimos anos, como a pandemia e os conflitos em curso.”

Apesar do descontentamento geral, os resultados mostram que Lagarde conta com o apoio dos funcionários em alguns domínios em específico, como o facto de incluir a proteção ambiental no mandato do BCE.

Ilustração: Google Imagens

segunda-feira, 31 de julho de 2023

A propósito de dois comentários no facebook


Caríssimo Amigo Engº Arlindo Oliveira.
Relativamente ao meu último texto, aqui publicado, li e reli o comentário que muito agradeço. Discutir e debater são dois aspectos distintos. O meu Amigo não discute (isso enquadra-se nas ninharias de café); antes debate, o que implica âmbitos de opinião mais extensos e complexos.



É evidente que o nosso País enferma de um gravíssimo problema estrutural. Não tem existido, em quem governa, nem inteligência nem coragem para ser prospectivo. Trazer o futuro ao presente, desenhando-o e planeando-o, não tem constituído, como vulgarmente se diz, "a praia dos políticos portugueses". Vamos, cronicamente, adiando e adiando, metendo pelo meio discursos que só aparentemente são sensatos. Por isso, a sensação que resta é que, em quase tudo, gostamos mais das "águas mornas", dos interesses e privilégios do que romper com o passado que possibilite traçar um caminho de sucesso. E assim, muitas vezes, o povo, manipulado, até vota contra os seus interesses. E esse caminho, o do desenvolvimento, como sabemos, leva anos, muitos anos para desenhá-lo, elaborá-lo e construi-lo com a necessária solidez. Porém, ficamos com o sentimento que as gerações passam e as múltiplas dependências e atrasos persistem. É um triste facto (ia dizer fado!) que me leva a dizer que muitos dos problemas estruturais que hoje enfrentamos têm razões intencionalmente "escondidas" a montante. É a ordem estabelecida que prevalece. Tem interessado que assim seja. Genericamente, apreciamos e engolimos mais o mediático do que interessados estamos em montar as peças interdependentes do puzzle que vise uma sociedade globalmente decente e feliz.

No sector pelo qual tantas vezes escrevo e tenho opinião (Educação), atente-se, como mero exemplo, no quadro angustiante, conceptualmente paupérrimo em função do que deveria ser uma Educação portadora de futuro, a montante e a jusante do sistema. Não existe um pensamento estrutural sobre a(s) cultura(s) que torne a prazo esta sociedade menos dependente, mais rica e, logicamente, menos assimétrica. Uma coisa é ter o direito constitucional à escolaridade, outra é perceber o que lá se faz e para que aquilo serve na vida! É, assumo, doentia a mentalidade permanentemente indigente na qual vivemos.

Portanto, Amigo, que tudo isto tem uma natureza estrutural, eu sei. O que não posso é admitir, enquanto cidadão português e europeu, que a Banca nos explore até ao tutano. Com o nosso próprio dinheiro, sublinho. E que o BCE estabeleça normas, clara e doentiamente especulativas, como se a nossa economia fosse exactamente igual à dos outros.

Enfermamos de dois males (entre muitos outros, claro): por um lado, de um pensamento estrutural, que nos poderia levar a um patamar de riqueza; por outro, do capitalismo selvagem, de bocarra larga que, ao contrário de gerar desenvolvimento (sentido qualitativo), antes provoca o empobrecimento dos cidadãos.

Por isso, regresso aos milhões da Banca, enquanto uma das partes do processo. A sensação que transporto é que, antes, entrávamos numa instituição bancária para comprar dinheiro, com interesse e respeito bilateral na negociação; hoje, entramos já com os braços no ar porque somos, claramente, assaltados e sem meios de defesa. E nem precisam de cobrir o rosto. É às claras. Até para levantar uma certa quantia do seu dinheiro o depositante tem de pagar!

Depois, Caríssimo Amigo Arlindo, pergunto, tarde ou cedo, não querem que as pessoas se revoltem, seja com coletes amarelos ou de qualquer outra cor? Obviamente que têm de se revoltar. Isto acontecerá quando descobrirem a verdadeira letra da "canção do bandido".

O problema é que quem aufere 1 620,42 € de salário diário (CL) dificilmente tem espaço mental para pensar na vida dos outros, adoptando políticas equilibradas.

Um grande abraço.

Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

CHRISTINE LAGARDE mata a esperança



Há dias terminei um texto com uma frase que escutei de um velho Amigo, o Franklim, que, infelizmente, já partiu: "Se o Al Capone regressasse certamente diria: como é possível fazer tanto sangue sem um único tiro".



Pois é, os tempos são outros e não são necessários os tiros e o gangsterismo de ontem. Christine Lagarde, líder do Banco Central Europeu, representante da direita política europeia, não dá um tiro que seja, mas mata a esperança e os direitos de tanta gente. Sobretudo o direito à habitação. Ela (e o seu grupo que não vou designá-lo de gang), voltou a subir taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, espremendo cada vez mais a débil vida dos portugueses. Sobretudo a dos mais jovens.

E isto passa-se numa Europa que se afirma pela solidariedade. Nem a Europa nem o Estado Português põe na ordem os bancos que desenvolvem a sua actividade em Portugal, os quais, diariamente, lucram milhões com aquelas e outras patifarias, "(...) tiveram em 2022 o melhor resultado dos últimos 15 anos. Os lucros dos bancos em Portugal dispararam 50% no ano passado, para 2,97 mil milhões de euros. Foi o melhor resultado desde a crise financeira global de 2007, de acordo com os cálculos do Banco de Portugal".

Só o BCP, no primeiro semestre de 2023, aumentou os seus lucros em 580%.

Será que ninguém está a ver o filme? Ou é a lógica de um tal banqueiro que impera: "os portugueses aguentam, aguentam..."

Ilustração: Público

terça-feira, 4 de julho de 2023

A insensibilidade de Christine Lagarde


Não gosto de olhar para a folha de salários dos outros. Mas, quando alguns desses outros criam situações que colocam em causa a vida de todos os outros, aí, forçosamente, espreito a insensibilidade, pública e notória, entre aquilo que impõem, gerador de pobreza, e o seu próprio bem-estar. Todas as mais altas funções de responsabilidade devem ser pagas de forma condizente. Não ponho em causa esse aspecto. O que ofende é a exigência de baixos salários, a negação de subsídios que atenuem as dificuldades dos portugueses e os astronómicos lucros da banca alimentados pelos depositantes, esquecendo-se da sua própria folha salarial (2023):



Presidente - the European Central Bank
Data de nascimento: 1956 França
Anual: 421 308,00 €
Mensal: 35 109,00 €
Semanal: 8 102,08 €
Diariamente: 1 620,42 €
Fonte: Wikipedia.

A advogada Christine Lagarde ganha em um só ano o equivalente a 40 anos de trabalho de um trabalhador que aufira € 760,00 por mês. No mínimo chamo a isto INSENSIBILIDADE e falta de respeito pelos outros. "É a vida", diz Lagarde.

"Só em 2022, o BCE desembolsou um total de 3,241 milhões de euros em salários de executivos. Desses, 427 mil euros seguiram para Christine Lagarde, um valor superior ao de 2021 (421 mil euros) e ao de 2020 (416 mil euros), primeiro ano completo de liderança". Fonte: Poligrafosapo.
Por mim ganhe o que quiser, mas não ofenda os portugueses.

Ilustração: Google Imagens

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Oh PS... não resvales!


Duas notas que evidenciam a minha dificuldade em perceber a atitude do Partido Socialista: primeira, o voto favorável a Christine Lagarde para presidir ao Banco Central Europeu; segunda, a não ratificação escrita de um acordo com o Bloco de Esquerda para a presente de Legislatura.


No primeiro caso, fico com a ideia que os socialistas esqueceram, rapidamente, a forma como Christine Lagarde actuou no caso da assistência financeira a Portugal no âmbito da Troika. Foi demasiado evidente que a "receita" aplicada, historicamente baseada em uma severa austeridade, não fazia sentido, o que mais tarde veio a provar-se. O seu passado, inequivocamente explicado no "The Daily Telegraph" e transcrito no Courrier Internacional de Setembro último, demonstra o fracasso da sua perversa orientação política ao serviço da sua matriz política. Durante todo esse tempo, o que me pareceu espantoso, foram as constantes e desnorteadas alterações discursivas da citada Senhora, terminando com um elogio às políticas dos últimos quatro anos, no caso português, influenciadas por partidos à esquerda. Mas mesmo assim esqueceram-se e a Lagarde concederam o benefício da dúvida. Esquisito, muito esquisito, mesmo considerando que o PS integra um grupo no Parlamento e existem concessões, sublinho, face às quais não me revejo. O exercício da política não pode ser um "toma lá dá cá".
No segundo caso, não tendo maioria na Assembleia da República, em nome de alguma estabilidade, é inexplicável um não acordo escrito com o Bloco de Esquerda para toda a Legislatura. O PCP, pelo que deduzi, desde início colocou muitas reservas, o que não aconteceu com o BE, partido exigente, é certo, mas dialogante, aberto e que poderia constituir a base de segurança para uma Legislatura sem grandes sobressaltos. O que irá acontecer nos debates dos próximos orçamentos de Estado poderá  ser muito complicado que, porventura, seria atenuado com negociações prévias.
Oh PS... não resvales! A direita já está ocupada e nessa área ideológica há quem saiba fazer melhor.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Desconcertante


Christine Lagard é uma personalidade politicamente estranha. O jornal britânico "The Dail Telegraph" fez-lhe um retrato que, no final, o leitor questiona-se, mas que personalidade é esta que "saltita com uma facilidade desconcertante entre os cargos de alta responsabilidade, sem nunca ter de se preocupar com os eleitores reais"? Esta questão está no Courrier Internacional deste mês. 


De facto, a escolha para liderar o Banco Central Europeu, segundo o jornal britânico, não está "à altura da tarefa que a espera". Mario Draghi, segundo o que se sabe, é um economista brilhante, que deixou a sua marca à frente do BCE; Lagard é uma advogada "que ignora tudo sobre política monetária", mantendo uma "fidelidade absoluta à ortodoxia dominante". Tenho presente, por exemplo, as suas contradições relativamente à presença da troika em Portugal. Foi ziguezagueante todo o processo. Mas, adiante. Sublinha o jornal inglês que Lagard é "responsável por um dos maiores défices orçamentais jamais registados, quando ela foi ministra das Finanças durante a presidência de Sarkozy (...), pois entre 2007 e 2011 fez o défice orçamental de França passar de 56 mil milhões de euros para 193 mil milhões de euros, sem empreender a mínima reforma (...) foi a responsável pela pior recessão económica de que há memória estatística, a da Grécia, quando ela estava à cabeça do FMI (...) e regista uma condenação por negligência na questão da arbitragem feita a favor de Bernard Tapie", personalidade que "tinha sido acusada de beneficiar de uma arbitragem fraudulenta que, em 2008, proporcionou-lhe a indemnização de 403 milhões de euros". 
Conclui o jornal: estes são "os principais feitos de Christine Lagard durante a sua carreira de alta funcionária. E nada disso impediu de ser designada para uma das funções mais essenciais da economia mundial durante os próximos dez anos".
Aproximam-se tempos de incerteza. O que irá acontecer à moeda única? O futuro dirá. O que para mim é muito estranho é essa habilidade de "saltitar com uma facilidade desconcertante entre os cargos de alta responsabilidade, sem nunca ter de se preocupar com os eleitores reais".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de abril de 2016

OS VAMPIROS ESTÃO DE VOLTA


O Fundo Monetário Internacional, depois de, por diversas vezes, ter assumido que a austeridade foi longe demais, vem agora, através de Christine Lagarde, duvidar da capacidade de Portugal cumprir metas. Défice inferior a 2,9% só com Plano B, diz o FMI. E o que tal plano b) significa é, apenas, mais austeridade, mais constrangimento para as famílias e continuidade do empobrecimento. O resto é conversa fiada em que se especializaram as instituições porta-vozes dos grandes interesses financeiros. Montaram, paciente e obstinadamente, uma complexa engrenagem onde necessário se torna uma inteligência capaz de poder escapar ao redemoinho. Há quanto tempo a direita política fala de um plano b)? No essencial, estão todos umbilicalmente interligados, FMI, União Europeia, agências de rating e seus sequazes.



Christine Lagarde, leio, "não acredita nas metas orçamentais que António Costa traçou para Portugal e pede mais esforço e menos generosidade. Adiar a reposição integral dos salários dos funcionários públicos, manter a sobretaxa do IRS e preparar um plano B que permita cumprir as metas do défice são algumas das recomendações do FMI". Ora, esbater a pobreza, dinamizar a economia assente em um outro paradigma é coisa que não lhes interessa. A receita que definiram é a que se ajusta ao pensamento dominante. Austeridade, privatizações a eito, emprego precário, substancial redução dos apoios sociais, tudo para defesa dos "investidores" e nada em defesa do bem-estar mínimo das populações. Nem se coíbem de "invadir" os países, remetendo, de longe, o discurso desestabilizador de qualquer dinâmica alternativa. Uma vergonha! Tenhamos presente quando o grego Varoufakis quis, na UE, discutir economia, teve como resposta: "você até tem razão mas vamos esmagar-vos mesma". A UE discute Tratados (porquê e com que interesse!) os povos querem que se discuta Economia. Li em uma entrevista a Varoufakis: "O Eurogrupo toma decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém” (...) "Afinal o que temos é um grupo inexistente que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém" (...) "Quando falava nas reuniões, com argumentos económicos preparados, "as pessoas ficavam a olhar para mim, como se não tivesse falado (…) Bem podia estar ali a cantar o hino da Suécia que ia receber a mesma resposta (…) Nem sequer havia mal-estar, era como se ninguém tivesse dito nada", revelou Varoufakis. (...) O que mais impressionou Varoufakis nas reuniões a que assistiu foi a "completa ausência de qualquer escrúpulo democrático por parte dos supostos defensores da democracia". O ex-ministro da Grécia dá um exemplo: "Ter várias figuras muito poderosas a olharem-me nos olhos e dizerem ‘Você até tem razão no que está a dizer, mas vamos esmagar-vos à mesma".
É esta Europa que temos e é neste mundo que o FMI funciona. Entretanto, porque tudo tem um limite começam a surgir alguns movimentos contra esta lógica própria de sanguessugas. "Mário Centeno, ministro das Finanças de Portugal, faz parte de um grupo de oito ministros das Finanças europeus que escreveram uma carta à Comissão Europeia a contestar a fórmula de cálculo do défice estrutural, que serve de base à definição do esforço orçamental que os países têm de fazer todos os anos, para cumprir os tratados europeus. A carta está ser avançada pelo jornal espanhol Expansión, numa notícia sobre um movimento de “rebelião” liderado por Espanha e por Itália. Além destes dois países e de Portugal, assinam a carta Luxemburgo, Lituânia, Letónia, Eslovénia e Eslováquia. A carta é dirigida ao vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis e ao comissário Pierre Moscovici, com conhecimento do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Os governantes apontam para "incoerência" no atual sistema. O principal argumento é que o défice estrutural é calculado em função do PIB potencial – um indicador "desconhecido” e que portanto gera estimativas com “um elevado grau de incerteza”. A utilização do défice estrutural produz assim "diferenças significativas" entre diferentes Estados membros quando se avalia se há ou não cumprimento dos objectivos do défice estabelecidos pela União Europeia. Mário Centeno assina a carta depois de um Orçamento do Estado para 2016 marcado por intensas discussões com a Comissão Europeia sobre o esforço de ajustamento orçamental necessário para este ano. Bruxelas impôs mil milhões de euros de medidas adicionais, face às intenções iniciais do Governo, precisamente com o argumento de que seria necessário reduzir o défice estrutural em linha com as regras europeias" (ionline).
E assim andamos nós nesta embrulhada!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OLHA QUE APANHAS SE VOLTAS A DIZER AQUILO!


Esta nossa Europa está mesmo de pantanas. Jean-Claude Junker penitenciou-se porque ele e todos os outros "pecaram contra a dignidade dos cidadãos gregos, portugueses e irlandeses". O alemão Schäuble, diz exactamente ao contrário e quer um acordo seco e curto. Servil e hipocritamente, Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque pensam como o alemão e estão contra o Presidente da Comissão Europeia. Entretanto, no FMI, confrontamo-nos com a Senhora Christine Lagarde, uma senhora tipo conforme: umas vezes contra a austeridade, outras a favor, mas mandando sempre os seus técnicos apertarem o pescoço, neste caso o dos portugueses. Junker diz que  (...) "é preciso aprendermos com as lições do passado". Durão Barroso anda caladinho. E António Costa veio ontem sublinhar que "(...) A declaração do presidente Juncker é sábia". Sábia em quê? Então ele não foi Comissário Europeu numa pasta que ajudou a impor a troika e a sua estratégia orientadora? Penitenciar-se, agora, depois de ter ajudado a conduzir a Europa para um pântano? Que dirá Christine Lagarde de tudo isto, depois de tantas vezes avisada? Qual a sua posição política, não apenas relativamente à Grécia, mas também junto de todos os povos que têm sido encostados à parede? 

Olha que apanhas se voltas a dizer aquilo!
E não deveria, António Costa, no plano político, exigir uma posição clara do Presidente Cavaco Silva e do Primeiro-Ministro? Há quanto tempo andam tantos a sublinhar que esta austeridade é o melhor caminho para a ruína? E vem Paulo Portas, vice-primeiro-ministro, com aquela conversa de treta, com uma no cravo outra na ferradura, colocar-se ao lado de Jean-Claude Juncker e de costas para o PSD, dizendo que a chegada da troika foi mesmo um "vexame" e que houve "hipocrisia" por parte do FMI? E o que dizer de Passos Coelho que, através do seu porta-voz, Marques Guedes, assume que a posição de Junker foi "infeliz"? Expliquem, no essencial, onde está o sucesso através das políticas de austeridade, quando Portugal passou de 96,2% de dívida pública (2009) para 128,9% em 2014? E a Grécia de 126,8% para 176,3%?
Por favor, desamparem a loja, sejam honestos. Ou a Europa regressa aos princípios pensados por Schuman e Monnet, o que me parece completamente improvável, ou caminha para a sua falência, o que será tragicamente lamentável. Um aspecto parece certo: o cidadão europeu dificilmente aceitará este jogo vergonhoso do grande capital que esmaga sem piedade os mais débeis. Será uma questão de tempo. Porque, hoje, há cada vez mais a consciência que o problema foi criado externamente e que as grandes somas disponibilizadas destinaram-se, não a salvar os povos, mas para salvar a banca desacreditada. Entretanto, tenhamos consciência que Tsipras visitou ontem uma fragata chinesa no porto de Pireu e deixou-se fotografar junto às bandeiras da China e da Grécia. Que significado político terá este quadro?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

POR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL


O FMI sublinhou que os portugueses gastam mais do que podem. O consumo acima das possibilidades estrangula as possibilidades de investimento, dizem. A cantilena dos últimos anos que, de tanto a repetirem, acaba por tornar a mentira em dúvida e, depois, verdade. Muitos não vão nesse jogo, sujo e obsceno que apenas interessa a uns poucos no plano dos seus interesses. Deixo aqui um excerto de um artigo de Miguel Pimentel, publicado no PÚBLICO: "As questões sobre a desigualdade na distribuição da riqueza no mundo são conhecidas mas a frieza dos números dá-nos uma perspectiva mais real e dramática deste tema: as 85 pessoas mais ricas acumulam a mesma riqueza que as 3.570 milhões mais pobres, 46% da riqueza do mundo é detida por 1% das famílias mais ricas, 7 em cada 10 pessoas vivem em países onde a desigualdade na distribuição da riqueza se tem agravado nos últimos 30 anos, 1% da população mundial detém 110 biliões de dólares de riqueza (estou a falar na convenção tradicional, são 110 milhões de milhões) que corresponde a 65 vezes a riqueza detida pela metade da população mais pobre, a percentagem de riqueza detida por 1% da população mais rica em relação à restante população tem aumentado em 24 de cada 26 países entre 1980 e 2012, nos Estados Unidos 95% da riqueza gerada com o crescimento pós-crise, desde 2009, foi captada por 1% da população enquanto que 90% da população ficou mais pobre, uma em cada 3 pessoas vive na pobreza". Será necessário fazer um desenho à Senhora Christine Lagarde? Penso que não. Ela sabe que é assim, que os pobres e todos os que sobrevivem à ditadura dos mercados, não são responsáveis pela pouca-vergonha. 

O povo é culpado! Essa é boa!

E quanto a Portugal, os quase três milhões de pobres, mais de um milhão de desempregados (se em conta tivermos a realidade), os 120.000 por ano que estão a emigrar, estes e outros importantes indicadores, serão os responsáveis pela situação portuguesa? 
Os dados são da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza: "a nova estratégia Europa 2020 visa reduzir em 25% o número de europeus que vivem abaixo dos limiares nacionais da pobreza, isto é, retirar 20 milhões de pessoas da pobreza. No que respeita a Portugal, a meta definida no âmbito dessa estratégia, nos próximos 10 anos, tem por objectivo  retirar pelo menos 200 mil pessoas em situação de pobreza (Só?). De notar que, de acordo com a nova estratégia Europa 2020, o número de pessoas em risco de pobreza e de exclusão será definido a partir de três indicadores: risco de pobreza, privação material e agregado familiar sem emprego. Segundo o Relatório do Comité de Protecção Social sobre a Europa 2020 verifica-se que uma em cada cinco pessoas na União Europeia encontra-se em risco de pobreza e exclusão social e 40 milhões de pessoas enfrentam a privação severa. Na UE, 25 Milhões de crianças estão em risco de pobreza e exclusão social". Será isto culpa dos pobres porque gastam "mais do que podem"?
Vão mas é dar uma curva! Infelizmente, tal é a ganância e a exploração que a revolta dos pobres pode estar a caminho. É verdade que o dinheiro, hoje, não tem pátria, mas uma nova ordem mundial certamente que será estabelecida e muitos dos que espezinham os povos serão visados e punidos. É uma questão de tempo.
Ilustração: Google Imagens.