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sábado, 13 de novembro de 2010

"DIA SEM PROBLEMA NA SAÚDE NÃO É DIA"


Do meu ponto de vista, politicamente, este Secretário Regional já não tem condições para governar. Deixou de ser um parceiro politicamente válido com todos quantos tem de institucionalmente lidar. Só o Presidente do Governo não vê. Ah!, está em Instambul...

A irresponsabilidade política
continua de vento em popa.
Leio no DN on-line as declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes: “As condições de formação no Centro Hospitalar do Funchal, em muitos casos tinham qualidade, houve alterações que podem alterar essa qualidade, que tem que ser avaliada e, como não foi possível avaliar, como lhe disse, por responsabilidade total da secretaria regional. A OM cumpre as suas funções por muito que penalize os médicos internos”. De acordo com o Dr. Pedro Nunes, essa avaliação não se concretizou devido a “entraves” criados pela Secretaria Regional dos Assuntos Sociais. Isto é, razão tem o Dr. Bernardo Martins, Presidente da 5ª Comissão Especializada de Saúde e Assuntos Sociais, da Assembleia Legislativa da Madeira, parafraseando o slogan do DN: "Dia sem problema na Saúde, não é dia".
E a irresponsabilidade continua de vento em popa, arvorando-se, agora, o Secretário Regional em vítima quando é sabido, pela boca do Bastonário, que a Secretaria Regional, perante a proposta de avaliação extraordinária, "em vez de apoiar criou entraves". E a partir daí, obviamente, as tensões aumentaram com claro prejuizo para os jovens médicos e para o próprio Sistema Regional de Saúde.
Mas, afinal, o que pretendem? Ainda ontem, a pedido do CDS e do PCP, a Comissão, leia-se PSD (maioritário), chumbou duas propostas que visavam a presença do Secretário, Dr. Jardim Ramos, no Parlamento, a fim de prestar esclarecimentos aos Deputados. O Secretário fugiu às suas responsabilidades políticas, na esteira de outros, entre os quais o Presidente do Governo. 
O caos está instalado em um dos sistemas sociais mais importantes. Ninguém se entende e ninguém assume responsabilidades perante tantas e tantas situações que, se para já, prejudicam os utentes, mais tarde, prejudicarão muito mais. O Grupo Parlamentar do PS-M já pediu a mediação do Senhor Representante da República nesta situação que já ultrapassa a esfera regional para situar-se no plano nacional. Espero que, discretamente, essa designada magistratura de influência esteja a ser concretizada. Simplesmente porque o Sistema não aguenta mais, desde dívidas à falta de recursos, terminando no nas graves desinteligências entre todo o pessoal médico, de enfermagem, técnicos de saúde e administrativos. O Sistema está em completa ruptura. Do meu ponto de vista, politicamente, este Secretário Regional já não tem condições para governar. Deixou de ser um parceiro politicamente válido com todos quantos tem de institucionalmente lidar. Só o Presidente do Governo não vê. Ah!, está em Instambul...
Ilustração: Google Imagens.

QUE O DIÁRIO MANTENHA VIVA A INDEPENDÊNCIA QUE SIGNIFICA ESPERANÇA


O espevitador de conflitos imita a Roma antiga: lança vítimas às feras, na arena, e obriga instituições emblemáticas a digladiarem-se umas contra as outras, sem respeito pelo passado de cada qual - muito menos pelo presente.

Às vezes sinto-me, a par de outros, pregando no deserto, ou, então, no meio do circo parlamentar abafado pela forte presença de uma maioria que o Povo concedeu, em 2007 e, certamente, estará arrependido. Por isso, quando leio textos independentes, de um jornalismo sério, experiente, que não se limita ao toca-e-foge, que vai ao cerne da questão, que afronta com a clareza dos dados a situação política vigente, que não tem medo de meter o dedo na ferida que sangra, para que sangre ainda mais, como alerta que alguma coisa tem de ser feita, obviamente, que tais textos dão-me a entender que, afinal, as minhas convicções e as dos meus pares têm razão de ser. 
O texto do Jornalista Luís Calisto, publicado na edição do DN de hoje, volta a tocar nessa ferida, de forma contundente e de forma irrepreensível. Os da corte são capazes de não gostar, pois bole com os seus interesses, todavia constitui mais uma peça de inegável valor, pelo conteúdo de denúncia e porque vem de um Jornalista que nunca teve nem tem filiação partidária. Não está ao serviço de ninguém. É ele e as suas circunstâncias, na esteira de Ortega y Gasset. Aqui fica um excerto de um texto que vale a pena ler, AQUI.     

Ignóbil cobrança aos reféns do dinheiro público, a que não escapam desporto, jornais, todas as forças vivas, incluindo a Igreja. A teoria do 'ajudei, ajuda-me'.

"Os maquinadores do explosivo modelo - chefe, paladinos e arlequins do regime de arruaça - enfadam a sociedade, denigrem a classe política, envergonham social-democratas sinceros.
Ideia formada: quando o agitador viaja, os ânimos serenam cá nas ilhas. De regresso, com gasolina e lenha na bagagem, reactiva o incêndio e torna a sair para, de longe, gozar a luta fratricida. A esta precisa hora, dedos imperiais  tangem harpa em Istambul.
O espevitador de conflitos imita a Roma antiga: lança vítimas às feras, na arena, e obriga instituições emblemáticas a digladiarem-se umas contra as outras, sem respeito pelo passado de cada qual - muito menos pelo presente. Génio criativo, inventa intrigas que tornam a guerra inevitável. Vibram então as trombetas declarando o circo aberto. E a clique diverte-se, refastelada na tacharia (...). Mas, apesar do insistente aranzel intriguista para virar uns contra os outros, nesta fase negra da vida colectiva, a canga será derrotada. A Madeira teve um 'antes'. Quem sabe se em breve não raiará um 'depois', cheio de esplendor".
Ilustração: Google Imagens.

ODE AO DESPORTO


A ODE AO DESPORTO, de Pierre de Coubertin, constitui uma súmula de valores inatacáveis. Uma leitura aconselhável para dirigentes desportivos  que não o não sabem ser.

Pierre de Coubertin
(1863/1937)
Na semana em que um Jornalista do DN foi agredido por um dirigente do desporto, fui reler o livro "O Desporto e as Estruturas Sociais" do Professor José Esteves. Reli e compaginei a Ode ao Desporto, de Pierre de Coubertin, com um outro notável texto do Professor e meu Amigo Manuel Sérgio (1982), quando, a páginas tantas, sublinha que, infelizmente, o Desporto já não é nada daquilo que a Ode destaca. Porque o capitalismo "unilateriza a visão do Homem, olhando-o como factor de rendimento, como cavalo de corrida. O Deporto já não é Alegria, porque tende a que o Homem seja igual à máquina; já não é Beleza, porque afugenta do belo; não é Justiça, porque o objectivo da estrutura desportiva é manter uma sociedade radicalmente injusta. Talvez, por isso mesmo, surjam as atitudes grotescas que só mancham quem as pratica.
De qualquer forma, aqui fica a ODE AO DESPORTO, numa semana marcada por uma agressão a um Jornalista do Diário. Talvez fosse importante o dirigente em causa passar os olhos e meditar sobre os princípios e os valores inatacáveis que caracterizam o desporto, mesmo na área profissional e mesmo que o tivessem desvirtuado substancialmente.

 
I
"Ó Desporto, prazer dos Deuses! Essência da vida (...)
II
Ó Desporto, tu és a beleza! És o arquitecto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjecto ou sublime, se degrada na vileza das paixões, ou saudavelmente se cultiva no esforço. (...)

III
Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais, estabelece-se, por si própria, à tua volta. (...)
IV
Ó Desporto, tu és a audácia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. (...)
V
Ó Desporto, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor se adquiridos por meios diferentes da lealdade absoluta. (...)
VI
Ó Desporto, tu és a alegria! Ao teu chamamento o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula. (...)
VII
Ó Desporto, tu és a fecundidade! Por vias indirectas e nobres, encaminhas ao aperfeiçoamento. (...)
VIII
Ó Desporto, tu és o progresso! Para bem te servir é necessário que o Homem se aperfeiçoe no corpo e na alma. (...)
IX
Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações  felizes entre os Povos, aproximando-os no culto da força dominada. (...)"
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MADEIRENSES ABANDONADOS À SUA SORTE


Perante a crise a resposta do Governo Regional é sempre a mesma. Trata-se de um Orçamento para alguns, não para um Povo que sofre!

NO MUNDO DA HIPOCRISIA



O jogo da HIPOCRISIA irrita-me, porque nunca se sabe com quem estamos a falar, o que nos leva a esse pernicioso sentimento de alguma desconfiança. O jogo do debate não é totalmente aberto, franco, leal, assumido como a melhor forma de garantia dos interesses colectivos.


Anda muita máscara
à solta.
A HIPOCRISIA
tomou conta dos políticos.
 
Há uma palavra, entre outras, que mexe comigo: a HIPOCRISIA. Alfred de Vigny escreveu que "a vida é demasiado curta para que desperdicemos uma parte preciosa a fingirmos". É o que mais anda por aí. No exercício da política, então, é demais. A HIPOCRISIA tomou conta das pessoas. Falar claro não é propriamente coisa que se note à vista desarmada. Há muito jogo escondido, muita ausência de verdade, muita subserviência, muitos calculismos, muitas trincheiras e muitos olhos colocados nos interesses próprios que não os desta terra que gostamos.
O Parlamento, por exemplo, é a prova acabada disso. Na esteira de Shakespeare, "há rostos enganadores que ocultam o que o falso coração sabe". O jogo da HIPOCRISIA irrita-me, porque nunca se sabe com quem estamos a falar, o que nos leva a esse pernicioso sentimento de alguma desconfiança. O jogo do debate não é totalmente aberto, franco, leal, assumido como a melhor forma de garantia dos interesses colectivos. Aquele metro quadrado que é quanto deve medir o espaço da cadeira e mesa que o deputado ocupa na Assembleia é disputado na base da NÃO VERDADE, da HIPOCRISIA susceptível de garantir a sua manutenção ou assalto. É a hipocrisia do discurso, a hipocrisia do que se diz e, depois, em particular, se reclama o contrário, essa hipocrisia de se dizer o que não se sente, é a hipocrisia de guardar a sete chaves o conhecimento, é a hipocrisia do chumbo, é a hipocrisia de badalar em todos os espaços de comunicação as palavras que enganam. É a HIPOCRISIA de chutar para bem longe os problemas que são daqui e aqui têm de ser resolvidos no quadro da Autonomia. 
Chateia-me este jogo de hipócritas que se mexem não no sentido do que melhor interessa ao Povo, mas no sentido das conveniências, do lugarzinho, muitas vezes sem a noção da sua própria incapacidade. Vivemos, por isso, um tempo complexo, de conflito, de angústia, de meias-verdades, onde se torna difícil acreditar na libertação de um povo que carrega a pobreza como se ela fosse uma fatalidade, carrega o desemprego como se para ele não existisse caminho solucionador, carrega a falência da empresa como se ela fosse determinada por Lisboa, carrega as medidas de austeridade como se a Madeira não tivesse governo próprio, carrega a mentira como se o presidente do governo fosse um homem providencial, carrega o álcool como se a vida se resolvesse com estados patologicamente inebriantes, tudo carrega, pela HIPOCRISIA dos homens (com h minúsculo), incapazes de um pingo de sentimento pelos outros. HIPOCRISIA que os leva, daqui por uns dias, rotineiramente, a desejar Bom Natal. A HIPOCRISIA está a dar cabo do exercício da política, mas ela tenderá para o seu esbatimento, "porque ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão, sem no final confundir qual deles é o verdadeiro" - Nathaniel Hawthorne.
Ilustração: Google Imagens.

O BLOQUEIO DA DEMOCRACIA E DA AUTONOMIA


Politicamente, com esta atitude, o Presidente apenas demonstrou que é fraco, que impõe o medo na sociedade mas tem medo, porque tem má consciência sobre a sua própria governação. Trata-se de um presidente que só ataca de longe, aproveita palcos indevidos, porque no confronto directo foge, porque é um inseguro em matéria de conhecimento dos dossiês.
Sem a presença
do Presidentedo Governo,
principal responsável,
o "debate" será uma farsa.

A inviabilização da presença do Presidente do Governo, no debate do Plano e Orçamento para 2011, nesse frente-a-frente com os Deputados na Assembleia Legislativa, configura que este governo regional não tem presidente. A sua existência é virtual, é de faz-de-conta. É um governo decapitado.
Deve ser caso único na Europa que o líder do governo não se apresente a responder perante os deputados de quem depende. A proposta do PS previa três horas e 30 minutos para o presidente do governo intervir e responder às questões das diversas bancadas, para além de mais dez horas para o PSD, enquanto ao PS estavam reservadas duas horas e vinte e um minutos, mas nem assim conseguimos garantir a presença do Presidente do Governo.Politicamente, com esta atitude, o Presidente apenas demonstrou que é fraco, que impõe o medo na sociedade mas tem medo, porque tem má consciência sobre a sua própria governação. Trata-se de um presidente que só ataca de longe, aproveita palcos indevidos, porque no confronto directo foge, porque é um inseguro em matéria de conhecimento dos dossiês.
O que por aqui se vive constitui um Ensaio de Democracia, um Regime Pré-Democrático, uma situação perfeitamente anómala, imposta por um político que secundariza e desprestigia completamente a função do Parlamento, enquanto primeiro órgão de governo próprio.
As grandes opções do Plano e Orçamento deveriam ter um debate político global na generalidade. Nunca sectorial. Essa tarefa deveria ser competência dos deputados em sede de especialidade. Portanto, na generalidade, duas figuras afiguram-se-nos centrais: o presidente do governo e o secretário do plano e finanças. Ignorar este aspecto, fazendo deslocar o tema central para horas discursivas que não adiantam nem atrasam, discursos copy-past dos anos anteriores, contribuem para o mais completo desprestígio da Assembleia e da sua função.
Estamos perante um intencional bloqueio da Autonomia e da Democracia que tem de ser resolvido pelo Povo. Porque tudo é condicionado e inviabilizado, desde o uso da palavra até às iniciativas. Os inquéritos não funcionam, a fiscalização dos actos do governo não acontecem e, a provar a má consciência, ainda hoje, “chumbaram” uma iniciativa que visava a instituição do Referendo, o que significa que este governo abomina tudo quanto sejam direitos da Oposição e deveres de uma Assembleia.
Ilustração: Arquivo próprio e Google Imagnes.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TOLERÂNCIA ZERO? ENTÃO, EXISTEM RESPONSÁVEIS!


Tolerância zero significa que antes a tolerância era ilimitada. E o que mais me choca é que se assiste a esta impunidade, como se se pudesse, politicamente, brincar ao faz-de-conta, ao jeito de, agora é a sério, vamos lá fazer um apagão na irresponsabilidade e começar de novo!



O Vice-Presidente do Governo, a propósito de um Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira, desenvolvido por especialistas do Instituto Superior Técnico (IST), da Universidade da Madeira (UMa) e do Laboratório Regional de Engenharia Civil, garantiu que, a partir de agora haverá "tolerância zero" para construções em zonas de risco. Sublinhou o governante: "(...) Sabemos que é simpático um casal com poucas possibilidades que vê a filha casar e quer acrescentar um quarto que cresce para dentro de uma ribeira, mas, nesse caso, estamos a ser simpáticos para com essa família e muito antipáticos para com todas as outras pessoas que vivem a jusante". Da mesma forma, leio no DN, que o governante sublinha, "não ser aceitável que se permita, no futuro, qualquer autorização para uma empresa ou fábrica se posicionar em zona de risco, na medida em que existem apoios para a deslocalização de empresas para parques empresariais que existem em toda a ilha".
Estas declarações, compaginadas com outras do Secretário Regional do Equipamento Social, a propósito de toda a zona do "Dolce Vita" e do aterro junto ao mar, compaginadas com as recentes posições do Presidente da Câmara do Funchal e, ainda, com as do Presidente do Governo Regional da Madeira - lembro-me de ter referido que nós temos de conviver com o risco, o que significa uma total ausência de uma cultura de segurança - aquelas declarações, dizia, parecem destinadas a um povo de ignorantes e de imbecis, de pessoas sem memória, como se elas próprias não estejam carregadas de uma enorme irresponsabilidade política relativamente aos actos de governação.
Pergunto, só agora haverá "tolerância zero"? Mas há quantos anos, tantos e tantos especialistas vêm falando do essencial das conclusões que essa douta equipa agora publicou? E o que aconteceu a essa gente que teve a coragem de dizer "alto e parem o baile" porque vamos pagar cara a ignorância e incompetência? Foram enxovalhados publicamente (e continuam), ostracizados e ofendidos até na sua honra.
Tolerância zero significa que antes a tolerância era ilimitada. E o que mais me choca é que se assiste a esta impunidade, como se se pudesse, politicamente, brincar ao faz-de-conta, ao jeito de, agora é a sério, vamos lá fazer um apagão na irresponsabilidade e começar de novo! É isto que me choca, ver uma população tão anestesiada que se torna incapaz de reagir, de assumir, oh meu amigo você canta bem mas não me adormece! Choca-me ver anos a fio a assobiar para o lado, a condescender, a tolerar e até a incentivar e, agora, quando a desgraça se abate, aqui d'el rei que temos de fazer qualquer coisa. Choca-me pelo desplante político e choca-me que nem depois de tantas mortes e de tanto prejuízo de bens e de imagem, seja possível uma série de declarações cuja ideia que fica é que se quer passar entre a chuva sem se molhar.
Equaciono este problema do ponto de vista político, no pleno respeito pelas pessoas enquanto tal. Politicamente, não aceito, até porque passei pela condicção de Vereador da Câmara do Funchal, durante doze anos e lembro-me de tudo quanto equacionei, lembro-me das declarção feitas pela Drª Violante saramago Matos, lembro-me do ficou em acta pelo Dr. Gualberto Soares ou, então, lá mais para trás, pelo Engº Arlindo Oliveira. Tenho isso presente, desde a catástrofe de 1993, e agora confronto-me com uma espécie de "perdoa-me", como se me estivessem a dizer: agora, parou, agora, a tolerância chegou ao fim. Apetece-me suspirar para não dizer uma palavra menos agradável.
Ilustração: Google Imagens.

PROFESSORES QUE VOTAM CONTRA OS PROFESSORES... LAMENTÁVEL!


Os professores mais do que palavras no âmbito desta efeméride precisam de olhar para os políticos e sentirem que os políticos não travam as suas legítimas ambições. Estamos a falar de um Estatuto da Carreira Docente que dignifique a classe e de um sistema de avaliação de desempenho docente justo e adaptado ao tempo do nosso tempo.
CHUMBAR
este Voto de Saudação
demonstra a ausência
de consideração pelos docentes.
 "Todos passamos pela instituição Escola. E todos reconhecemos a importância da função docente. Lembramo-nos dos que nos transmitiram o conhecimento que constituiu a base para atingirmos os patamares de sucesso na vida.
O texto que hoje apresentamos não entra nas palavras bonitas mas ocas, nas palavras que colocam o professor nos píncaros da sua importância social, simplesmente porque essas palavras já pouco traduzem. Estão, senhoras e senhores deputados, gastas, envelhecidas e deixaram de ter significado.
Mais do que as palavras, os educadores e professores esperam respostas adequadas aos problemas que enfrentam nos estabelecimentos de educação e ensino. Respostas ao nível do financiamento, ao nível da co-responsabilização dos encarregados de educação, ao nível da organização do sistema e das condições de trabalho, não só espaciais mas também os de natureza burocrática.
Os professores mais do que palavras no âmbito desta efeméride precisam de olhar para os políticos e sentirem que os políticos não travam as suas legítimas ambições. Estamos a falar de um Estatuto da Carreira Docente que dignifique a classe e de um sistema de avaliação de desempenho docente justo e adaptado ao tempo do nosso tempo.
Mais do que palavras os professores precisam de acções concretas que estão muito para além da construção de edifícios, precisam de sentir que a sua actividade é reconhecida e socialmente dignificada. É por tudo isto que pedimos o voto favorável das Senhoras e dos Senhores Deputados, neste dia que deve constituir o início de uma nova mentalidade política em função da notável acção que os professores desempenham na sociedade". 
NOTA
Voto de Saudação, apresentado pelo Grupo Parlamentar do PS, no dia 29 de Setembro de 2010, a propósito do Dia do Professor, efeméride comemorada a 05 de Outubro, todavia, só hoje discutida na Assembleia Legislativa da Madeira. O PSD votou contra e neste Grupo Parlamentar encontram-se vários professores.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TROLOLÓS PARA ADORMECER


O deputado conseguiu, em vinte e tal minutos, qual apagador de escola, limpar a responsabilidade que advém de 36 anos de órgãos de governo próprio. Aqui nada existiu, aqui nada existe, aqui a irresponsabilidade não pode ser penalizada porque não houve eleições e ninguém tomou posse!

A Assembleia é muito mais
que uma cadeira.
Segui, hoje, com óbvia atenção, na Assembleia Legislativa, uma intervenção de um deputado do PSD-M. A canção foi a de sempre: afastar para longe as questões que deveriam ser equacionadas no âmbito da Região e da sua Autonomia. Foram vinte e tal minutos a falar da República e não me apercebi que, nem uma única palavra de louvor, na sua óptica, tivesse sido feita às políticas do governo regional. Se não falou é porque, certamente, não encontrou aspectos para enaltecer. Voltou-se para o Continente, sede e origem de todos os males, segundo deduzi. Porque, digo eu, com alguma ironia, é lá que se encontra o governador da Madeira e é lá que estão sediados os órgãos de decisão dos interesses da Madeira. Senti-me, por isso, nos anos 60 até os primórdios da década de 70. O período da dependência total, o período do discurso bajulador para conseguir umas tantas benesses e senti-me muito próximo daquela luta que justificou a "Carta ao Governador".
O deputado conseguiu, em vinte e tal minutos, qual apagador de escola, limpar a responsabilidade que advém de 36 anos de órgãos de governo próprio. Aqui nada existiu, aqui nada existe, aqui a irresponsabilidade não pode ser penalizada porque não houve eleições e ninguém tomou posse! Um espanto. Tratou-se de uma intervenção surreal baseada no ataque, segundo escutei, ao bando de irresponsáveis e de aldrabões que governam o País. Admito, porque sou democrata, que na Assembleia da República, os quatro deputados madeirenses do PSD assumam, de forma politicamente contundente, uma posição de grande frontalidade às políticas nacionais. Estão no seu direito. Aqui, na Assembleia, até porque o deputado em causa foi eleito na Região e para defesa do Povo da Região, esqueça o seu círculo eleitoral, esqueça que é deputado na Assembleia Legislativa da Madeira e fuja a sete pés do natural equacionamento dos problemas que a todos afligem. Até para dizer o melhor possível do governo que apoia. Se não conseguiu uma única palavra de apreço pelo governo regional, então, poder-se-á dizer, agora sem ironia, que o deputado terá feito, hoje, a maior crítica porque disse não dizendo.
Eu reconheço o desconforto, sei quanto difícil é argumentar com elementos que escorregam mão fora tipo peixe acabado de apanhar, sei que é complicado falar do tecido empresarial a braços com uma gravíssima crise que vem de há muitos anos, dos novos pobres, da escola que não funciona e que muito antes das medidas de austeridade e dos condicionamentos ao abono de família já aqui tinham colocado os alunos a pagar as refeições e outras coisas, sei que não é fácil uma abordagem aos 15.000 desempregados, sei que fica um nó na garganta quando se aborda a munumental dívida da Região que nos vai asfixiar por muitos anos, mas é aqui, é nestes contextos, que se vê a postura do eleito pelo povo. Se o deputado tem uma canção própria ou se apenas cantarola os registos que convém aos outros. O problema reside aí.
"Remar para terra" é preciso, porque se assim não for esse será o caminho da falência e da perda da Autonomia. Ademais, politicamente, e não só na política, precisamos de duas coisas: atitudes de assunção de responsabilidades e qualidade na intervenção que dispensa trololós sem significado.
Ilustração: Google Imagens. 

COMPARAR A MADEIRA COM OS AÇORES CONSTITUI UM ATAQUE À INTELIGÊNCIA


A atitude do PSD é politicamente inqualificável. Denuncia, por conseguinte, que não olha para a dispersão geográfica de nove ilhas, que a palavra solidariedade é vã e que vale tudo para enganar o Povo, apenas por um objectivo: a manutenção do poder.


Açores: um arquipélago distribuído
por 600 km.

O Governo Regional da Madeira, através do Grupo Parlamentar do PSD, resolveu, agora, no plano orçamental, entrar em comparações com a Região Autónoma dos Açores. Sobre esta matéria, o Grupo Parlamentar do PS entendeu comunicar o seguinte:
1. O problema da Madeira não é de dinheiro a menos, mas de má gestão do dinheiro que é colocado à sua disposição. Não foi por acaso que o Governo, ao assumir-se como Região rica, demonstrável, segundo o Presidente do Governo, através do seu PIB, fez perder 500 milhões de euros e passar de objectivo 1 para objectivo 2 no quadro dos financiamentos comunitários. Não pode o governo, por um lado, colocar a Região no patamar de alguma riqueza para consumo externo, por outro, mostrar-se pobre e dependente, no plano das relações internas.  
2. Ademais, não é minimamente aceitável, porque constitui um atentado à inteligência do Povo da Região, comparar o que é incomparável. A Região da Madeira é composta por duas ilhas habitadas, enquanto os Açores dispõem de nove ilhas, facto que implica maiores encargos a todos os níveis, pela natural multiplicação das funções administrativas e de resposta às necessidades da população.
3. E a verdade é que sempre foi assim, desde o tempo do Dr. Mota Amaral. Esquece-se o Governo Regional, que para a construção do aeroporto da Madeira, o Governo dos Açores aceitou dividir, em partes desiguais, uma verba de 7,5 milhões de contos, do Programa Comunitário REGIS. A Madeira ficou com cinco milhões e os Açores com 2,5, com a promessa da Região compensar os açorianos em outro momento.

3.1. Um acordo, assumido durante uma Cimeira, brindado, no aeroporto, com champanhe e ofertas, mas que nunca, nem nos momentos de catástrofe, os açorianos vieram a sentir a solidariedade do governo da Madeira. Um acordo que teve custos eleitorais para o Dr. Mota Amaral nas eleições autárquicas seguintes.
3.2. Significa isto que para o Dr. Alberto João Jardim a solidariedade não tem reciprocidade. O sentido da sua política esgota-se em utilizar e deitar fora.
4. E anda o PSD numa louca correria para ludibriar a população, quando sabe que a Lei de Meios acordada entre os governos central e regional foi respeitada na íntegra, que a Madeira receberá em 2011 mais 46 milhões de euros que em 2010, enquanto os Açores sofre um corte de 6% nas transferências orçamentais. E esquece-se que a construção do radar meteorológico do Pico do Areeiro, anunciado pelo Ministro Mariano Gago, não consta do PIDAC e custa cerca de 2 milhões de euros.
4.1. Para além desse aspecto, a Madeira apresenta um PIB 21% acima da média nacional, enquanto nos Açores a riqueza per capita é 17% por cento inferior, sendo respectivamente de 83% e de 60% por cento face à média europeia.
4.2. De registar, ainda, que a Madeira tem 245.011 habitantes em duas ilhas, enquanto nas nove dos Açores residem 241.763.
4.3. Consequência da má negociação, 502 milhões de euros é quanto a Madeira prevê perder, devido ao seu elevado PIB, dos apoios do Estado e da União Europeia, entre 2007 e 2013, relativamente às transferências feitas no período entre 2000 e 2006, enquanto os Açores arrecadarão mais 581 milhões.
5.  A atitude do PSD é politicamente inqualificável. Denuncia, por conseguinte, que não olha para a dispersão geográfica de nove ilhas, que a palavra solidariedade é vã e que vale tudo para enganar o Povo, apenas por um objectivo: a manutenção do poder.

5.1. Admitíamos que a luta do PSD fosse no sentido, por exemplo, da defesa da construção de um novo hospital enquanto projecto de interesse comum. Mas compreendemos que não o possam fazer, quando, em primeiro lugar, colocam, como prioridade, 45 milhões dos impostos dos madeirenses para um estádio de futebol.
6. Ao contrário desta insensata comparação com os Açores, deveria o Governo privilegiar o sentido da cooperação visando novas conquistas autonómicas. A atitude de confronto conduz, certamente, a perdas muito maiores e graves para o desenvolvimento de ambas as Regiões.
7. No fundo, o Presidente do Governo manda os Deputados criarem fait-divers, quando deveria estar preocupado com os seis mil milhões de dívida resultantes das suas megalomanias, a incapacidade para gerar dinâmicas empresariais geradoras de emprego, combater o desemprego de 15.000 madeirenses e esbater a pobreza que atinge mais de 70.000 pessoas.
8. Era com isto que deveria estar preocupado, por extensão, com o Orçamento Regional para 2011, definindo as políticas que venham a atenuar as medidas de austeridade. Portanto, deixe da mão os Açores, com este ou qualquer outro governo, apenas copie o que de bom lá se faz, por exemplo, o salário mínimo, o complemento de pensão para os mais desfavorecidos, o suplemento no abono de família e o apoio no pagamento dos medicamentos. Deixe-se de lamúrias e governe.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

EMERGÊNCIA ECONÓMICA E SOCIAL


Expectativas graves para o desemprego e aumento da pobreza em 2011. Exige-se um Orçamento Regional de ruptura.

QUE EXEMPLO AOS JOVENS DESTA TERRA!


O presidente do Marítimo esquece-se dos 45 milhões que vão sair do Orçamento Regional para a construção do Estádio dos Barreiros e que deveriam servir para ajudar a esbater as situações de grave carência que se aproximam em função das medidas de austeridade. Esquece-se que aquela verba constitui um saque ao Orçamento, para gáudio de alguns, quando a fome existe, o desemprego existe, as necessidades hospitalares existem e, nas escolas, há carências de toda a ordem.
É para isto que se entregam
milhões de Euros?
Perguntar-se-á, afinal, o que tem a ver esta agressão com a política? Tem tudo. Não se trata de um desentendimento de natureza clubista, mas de uma agressão que tem, a montante, as relações políticas do agressor com o poder instituído, compaginadas com a independência do DIÁRIO e com a ausência de resultados em função dos milhões que saem do Orçamento da Região para alimentar vaidades pessoais. O problema é esse. Trata-se de uma situação condenável, não só pelo respeito ao trabalho dos jornalistas, mas ainda mais condenável porque perpetrada no âmbito do Desporto. Que triste exemplo para os espectadores e que triste exemplo para os jovens em idade escolar. O presidente do Marítimo esquece-se dos 45 milhões que vão sair do Orçamento Regional para a construção do Estádio dos Barreiros e que deveriam servir para ajudar a esbater as situações de grave carência que se aproximam em função das medidas de austeridade. Esquece-se que aquela verba constitui um saque ao Orçamento, para gáudio de alguns, quando a fome existe, o desemprego existe, as necessidades hospitalares existem e, nas escolas, há carências de toda a ordem. O presidente do Marítimo deveria ter juizinho e comportar-se ao nível de tantos presidentes que por aquele centenário e respeitável clube passaram. Os jornalistas não são os culpados das leviandades.Mas devemos retirar as devidas ilações políticas desta agressão. É que ela consubstancia o mal-estar, o fim de um regime, a angústia, a cabeça perdida, a pressão hierárquica, de quem gostaria de inaugurar um estádio em ano de eleições e de grandes resultados e, pelo andar da carruagem, dificilmente, conseguirá. Torna-se, portanto, necessário que os madeirenses e porto-santenses estejam atentos, não só para este facto, mas para o desequilíbrio emocional que poderá acontecer quando estes senhores, directa ou indirectamente ligados ao poder regional, deixarem de estar. Uma situação deveras preocupante, porque tudo tem um início e tudo principia por situações aparentemente insignificantes. A minha total solidariedade ao Jornalista e ao DIÁRIO.
Foto: DN/on-line com a devida vénia.

AO PONTO QUE CHEGARAM... UM BORDEL!


O Presidente do SESARAM, o Dr. Almada Cardoso, habituado ao silêncio sepulcral, não se deu por ele e o Presidente do Governo, tantas vezes tão rápido a falar, neste longo e complexo processo, meteu a língua no saco e zero de palavras ou de tentativa para resolver os sucessivos diferendos.

O Dr. Marcelino Andrade
deve públicas desculpas à Ordens,
aos Sindicatos, aos Colegas
e aos utentes do Serviço Regional
de Saúde.
O melhor que o Dr. Marcelino Andrade tinha a fazer era estar caladinho perante a greve dos médicos ortopedistas. Autêntico desastre foram as suas declarações de ontem. Por um lado, disse que os assuntos deveriam ser tratados dentro de casa (no Hospital, certamente) e não na praça pública, por outro, avacalha a situação ao vir para a tal "praça pública" dizer que o melhor era "pedir ao Governo que não faça um hospital mas que faça um bordel". Uma declaração sem sentido, absolutamente descontextualizada, imprópria para quem tem responsabilidades, ainda por cima quando faz parte de um grupo de profissionais da medicina. Ouvi aquilo e chocou-me. Uma lástima.
Quando, julgo que dezassete médicos, se juntam e reivindicam alguma coisa, parece-me óbvio que as razões mais substantivas pendem para o seu lado e não dos três que, legitimamente, compareceram ao trabalho, para cumprir os serviços de urgência ou outros.  Só este aspecto merecia da parte do Dr. Marcelino Andrade um certo resguardo. Mas a política falou mais alto e lá teve que dar voz a outros que não quiserem oferecer a cara às responsabilidades que assumiram. O Secretário dos Assuntos Sociais e Saúde, por exemplo, perdeu em toda a linha. Não foi capaz de chegar ao entendimento, de serenar os ânimos, de estabelecer a ponte necessária para o diálogo. O Presidente do SESARAM, o Dr. Almada Cardoso, habituado ao silêncio sepulcral, não se deu por ele e o Presidente do Governo, tantas vezes tão rápido a falar, neste longo e complexo processo, meteu a língua no saco e zero de palavras ou de tentativa para resolver os sucessivos diferendos. Trata-se de uma derrota política para todos e que, a avaliar pelos contextos não ficará por aqui. As tensões vão continuar entre as Ordens, os Sindicatos e poder político.
Sinais dos tempos, da degradação que atinge todos os sectores da governação. Sinais do desconforto, do cansaço de ouvir e assistir sempre às mesmas cantilenas, aos discursos vazios de significado, à desorganização do sistema e à falta de investimento. 
Os médicos, os enfermeiros e restante pessoal que trabalha para o Sistema de Saúde estão a dar um exemplo de cidadania, numa terra onde muitos se vergam. Isto não significa que tenham toda a razão, mas têm, certamente, uma parte da razão que os levam a reivindicar, a explodir e a dizer basta. Necessário se tornaria que os responsáveis soubessem gerir os processos, em profícuo diálogo, em serena negociação onde todos perdessem um pouco para que que todos ganhássemos muito, isto é, um Sistema de Saúde de resposta adequada às necessidades.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEMPRE A IDEIA QUE NOS ESTÃO A ROUBAR!


Nove ilhas dispostas por 600 Km não podem ser comparadas com duas ilhas separadas por 50 km! 

É tempo de começar a fazer
contas, de governar
e deixarem-se de tretas.
Este sim, é um assunto de treta!
"A Madeira tem de tratar de si" e os Açores de "lutar pelo que precisa" para garantir o desenvolvimento económico, afirmou Berta Cabral, a líder do PSD-Açores. Uma posição sensata que coloca em causa as posições que o PSD-Madeira tem vindo a assumir, quando, despropositadamente, compara as duas regiões no que concerne aos montantes das verbas a transferir do Orçamento de Estado. Constitui um absurdo comparar o incomparável. Como salientou a Comissão Permanente do PS-Açores:  "(...) Não é o mesmo governar e viver numa região de nove ilhas, dispostas por cerca de 600 quilómetros, a mais de 1500 quilómetros de distância do continente e com uma multiplicação de micro e pequenos mercados fragmentados, ou viver e governar numa região de duas ilhas muito próximas entre si e face ao território continental, com maiores economias de escala e com menores sobrecustos de insularidade".Pergunto: quem compara o incomparável não tem noção desta realidade? Estas duas mensagens, do PSD Açores e do PS Açores, compaginam-se e deitam por terra argumentações absolutamente falaciosas. Pede-se, mão na consciência.
Ilustração: Google Imagens.

EM DIA DE GREVE DOS MÉDICOS


O quadro de crispação no Sistema Regional de Saúde é muito grave. Ultrapassou a Região. Justifica-se, por isso, a intervenção mediadora do Senhor Representante da República.

A capacidade de diálogo
ao serviço da solução
de um grave problema.
O governo nem ata nem desata no sector da Saúde. Como salientou o Deputado Bernardo Martins, a situação não abona o estado da Saúde na Madeira: "crispação do SESARAM contra médicos e enfermeiros; processos disciplinares, como forma de alegada perseguição; recusa de reuniões da parte do Conselho de Administração; referências à falta de idoneidade técnico-científica dos serviços de saúde; obstáculos à promoção de auditorias externas; abandono do Serviço Regional de Saúde, por vários profissionais; indícios de métodos impositivos por parte da Administração do SESARAM; falta de diálogo entre os dirigentes e os profissionais da saúde; acusações de promiscuidade entre os sectores público e privado; elevadas dívidas às farmácias; continuação do elevado número das listas de espera; aumento significativo das designadas “altas problemáticas”; serviços com falta de camas para internamentos; insuficiência de equipamentos; falta de material clínico; rupturas no fornecimento de medicamentos; falta de médicos, particularmente, os de família e insuficiência de enfermeiros.  
Face à perigosa instabilidade no Sistema de Saúde, defende a intervenção do Representante da República na Madeira. Pretende o PS que esta instituição sirva como mediadora desta insuperável conflitualidade, com o recurso à sua magistratura de influência, de modo a pôr cobro a este turbulento clima.
A mediação torna-se fundamental.
O quadro é, efectivamente, muito perturbador e mesmo dramático. Neste difícil cenário, o diálogo não existe. Há uma clara ruptura, sem pontes de aproximação, de um lado, temos entre as organizações sindicais e profissionais e, do outro lado, o Serviço Regional de Saúde e o Governo Regional. Há um fosso perigoso, que pode agravar, o actual panorama de desestabilização. Considerando que esta situação prejudica, gravemente, a qualidade da prestação dos serviços de saúde aos madeirenses e porto-santenses, reconhecendo-se que este quadro desolador atenta contra a imagem da Região e sabendo-se o seu efeito desprestigiante para uma parcela do Estado Português, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia Legislativa, face a esta perigosa instabilidade, defende a intervenção do Representante da República na Madeira. Pretende o PS que esta instituição sirva como mediadora desta insuperável conflitualidade, com o recurso à sua magistratura de influência, de modo a pôr cobro a este turbulento clima.
Espero que essa mediação aconteça, já que o Governo parece estar a assobiar para o lado.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 7 de novembro de 2010

SARA BRIGHTMAN/ANTONIO BANDERAS - THE PHANTHOM OF THE OPER

MADEIRA E AÇORES: DUAS REALIDADES DIFERENTES!


O dr. Alberto João Jardim não teria a mínima hipótese de ser presidente do Governo Regional dos Açores. A dívida da Madeira é de seis mil milhões, a dos Açores é de 300 milhões. A Madeira é a região com mais pobres e não os Açores!

Uma entrevista que repõe a verdade
entre as duas realidades: madeirense e açoriana.
O DIÁRIO, na sua edição de Sábado, traz uma interessante entrevista com o Dr. Ricardo Rodrigues, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, na Assembleia da República. Aqui fica um excerto.

Muitas vezes foi protagonista de debates aguerridos sobre questões autonómicas, em especial com o deputado Guilherme Silva. Há diferenças entre a autonomia madeirense e açoriana? Estruturalmente não há, mas há de estilo. A Madeira e os Açores são diferentes, quer nos estilo, quer na substância, quer geograficamente. Devemos assumir essas diferenças com naturalidade. Digo várias vezes que o dr. Alberto João Jardim não teria a mínima hipótese de ser presidente do Governo Regional dos Açores.
Porquê?Os açorianos têm outro estilo e outra forma.
Está a dizer que são mais civilizados? Não é isso, pelo amor de Deus. Gosto muito da Madeira, dos madeirenses. Também não quis dizer que o dr. Jardim não era civilizado, mas tem um estilo que não é...e para mal da Madeira. Às vezes é mais a forma que o conteúdo, roça a má educação, não corresponde à forma de ser dos madeirenses. Como o dr. Jardim encontra em Portugal o inimigo público externo tem conseguido tem conseguido unir a Madeira em torno desse inimigo.
Beneficiando da História mais distante do tempo da colonia?Sim, de alguns aspectos do passado. Não me esqueço de uma fotografia do dr. Jardim com o eng. Sócrates quando foi da vossa calamidade última de mãos postas. Bem sei que é um momento... Mas o dr. Jardim foi muito sensível naquela época e ficou reconhecido ao país. Por vezes os exageros e o excesso de linguagem pagam-se. Uma relação difícil e sempre tensa com o Continente é prejudicial aos madeirenses.
Isso seria impensável num líder açoriano? Os açorianos também são muito contundentes nas suas afirmações e são reivindicativos, mas não podemos perder o crédito e pedir o impossível.
A propósito de direitos: os Açores levam um corte nas transferências do Estado para 2011. A Madeira não, devido à Lei de Meios. Ainda assim, os Açores dão parecer positivo e a Madeira negativo a este OE. Isto tem a ver com partidos? Tem a ver com o cumprimento da Lei de Finanças Regionais (LFR). Os Açores vêem que foi cumprida a Lei, estamos a viver um período difícil, nós somos solidários no sacrifício todo que o país tem de fazer, desde que seja relativamente suportável. O dr. Jardim diz que o PSD devia chumbar o OE no plano nacional. Isto é inacreditável, porque é o único português que não tem autoridade moral para querer chumbar o OE. A dívida pública madeirense é muito semelhante à nacional, quando medida em termos de PIB. Bem sei que isso inclui as dívidas das Sociedades de Desenvolvimento, mas toda a gente da Madeira sabe que estas não geram receita e são uma dívida concreta. A obra é manifesta, mas produziu uma dívida praticamente insustentável para os madeirenses.  A dívida da Madeira é de seis mil milhões, a dos Açores é de 300 milhões. Nós temos nove ilhas, o que quer dizer pelo menos nove centros hospitalares, nove centros de produção de energia autónoma.
Está em desacordo com o Governo da Madeira quando este diz-se descriminado em relação ao Açores em termos de PIDDAC?Claro, até porque se analisarmos os momentos históricos verificamos que por vezes a Madeira recebeu mais. Quando teve obras que o justificaram: O aeroporto, o porto do Caniçal. São duas ilhas, nós temos de fazer infra-estruturas em nove ilhas. O estabelecimento prisional que a Madeira fez há meia dúzia de anos, nós não temos nenhum, o Estado terá de fazer três pelo menos e o PIDDAC nacional reflecte essa realidade.
Já foi governante regional. Há diferenças, mas também semelhanças  e problemas comuns, como a pobreza, por exemplo. Na educação,  ambos estão na cauda do país...  Mas também aí convém fazer alguma diferença. A Madeira é a região com mais pobres e não os Açores. O Governo da Madeira conseguiu fazer um truque de ficção metendo o offshore  como fazendo parte do PIB, o que fez com que saísse de região de objectivo I. E a Madeira e o dr. Jardim acham que isso é uma coisa óptima. O que é que isso trouxe? Menos 500 milhões de euros de transferências europeias para a Madeira, mas também menos ao nível da solidariedade nacional. Afinal de contas é uma região rica, porque tem o segundo PIB a nível nacional, mas é a região com mais pobres. Que administração é essa?
Ilustração: Google Imagens.

ESTADO LADRÃO E AS APOSENTAÇÕES


"O senhor governo disse" e, portanto, é "verdade"! E assim se faz a cama da propaganda, assim se semeia a palavra que coloca a população em dúvida. Não é o governo regional que não quer dar € 65,00 de complemento de pensão, mas o "Sócrates" que quer levar a pensão.

Estado ladrão?
(...) tem cem anos de perdão.

Disse o Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, que o Estado português "é um Estado ladrão", porque corta "nas reformas das pessoas", para as quais "não contribuiu". Ora, a declaração é grave a dois níveis: primeiro, porque não centrou o caso em si próprio; em segundo lugar, a interpretação que, em muitos sítios, começa a ser feita a partir daquele frase descontextualizada. Vamos por partes.
Deveria o Presidente centrar o problema no seu próprio "caso" e aí deveria explicar aos madeirenses e porto-santenses que determinadas situações de excepção verificadas na Madeira ficam a dever-se ao facto do próprio líder do PSD não querer alterar o Estatuto Político-Administrativo. Não explicou que o direito à reforma é sagrado, mas apenas constitui uma parte do problema. A Caixa Geral de Aposentações não dá nem um cêntimo a mais nem a menos em função dos dados entregues e dos descontos realizados. Outra coisa é o valor do trabalho prestado que deve ser objecto de reflexão. Concordo e tenho lutado para que não vá além de um terço do valor da aposentação. Discordo que nada seja pago, porque o exercício da política, quer no poder, quer na oposição envolve tamanha responsabilidade que não pode ser concretizado em regime de voluntariado. É justo e correcto que seja encontrado um valor adequado.
Há falta de seriedade
na abordagem das situações.
E neste aspecto, ainda devem ser consideradas duas situações: uma coisa são os cargos ou funções por eleição em sufrágio directo e universal, outra, as nomeações para lugares que retiram a possibilidade de outros, não aposentados, o ocuparem. Portanto, o Presidente do Governo ao dizer que o Estado corta "nas reformas das pessoas", não está a ser sério, simplesmente porque não está a cortar nas reformas mas sim no trabalho em situação de aposentado.
Bastaria que o Estatuto Político-Administrativo fosse alterado. E sobre esta matéria conheço um longo e fundamentado parecer de um Constitucionalista que, nas conclusões, é bem claro: enquanto o Estatuto assim o determinar, manter-se-ão as situações de excepção. Não prescindo da minha aposentação depois de quase 40 anos de trabalho e de ter atingido o topo da carreira docente. É um direito que tenho do Estado "devolver" o que durante todo esse tempo descontei. O outro problema depende de uma maioria de 33 deputados (contra 14) que tem a faca e o queijo na mão para resolver. E, decididamente, não quer. 
Os aposentados ELEITOS, portanto, não nomeados para funções ou cargos, não podem ser todos metidos no mesmo saco. E se alguém os pretende meter, esse alguém é precisamente quem falou do "Estado ladrão". 
Depois, coloca-se a interpretação que as pessoas fazem daquelas declarações. E já corre pela Região que o Alberto disse que vão cortar nas reformas. Parece-me óbvio que assim viesse a suceder, sobretudo junto da população menos esclarecida, menos atenta, menos escolarizada, mais idosa e que acredita nas palavras ditas, desde que não devidamente contextualizadas. "O senhor governo disse" e, portanto, é "verdade". E assim se faz a cama da propaganda, assim se semeia a palavra que coloca a população em dúvida. Não é o governo regional que não quer dar € 65,00 de complemento de pensão, mas o "Sócrates" que quer levar a pensão. Em S. Vicente, esta já corria e devidamente alimentada pelos correligionários. E assim da mentira se gera a "verdade" de alguns. Vale tudo nesta corrida para 2011!
Ilustração: Google Imagens.

A CAMINHO DE UMA NOVA TRAGÉDIA (II)

A CAMINHO DE UMA NOVA TRAGÉDIA (I)


Confesso que senti um calafrio ao ver uma canalização de quatro pequenos ribeiros para um, aumentando, naturalmente o volume de água. Isto a montante. Porque logo a seguir, o que se verifica, é o estrangulamento do curso de água, correndo à beira das casas sem qualquer protecção.


Cada vez que subo às zonas mais altas do Funchal sinto um aperto no coração. Como foi possível, apesar de todas as chamadas de atenção, permitir que o desordenamento chegasse ao ponto que chegou. Ontem, visitei e percorri  toda a zona dos designados "Lombos" na freguesia do Monte. Estacionei no final do caminho do Poço e, com largas dezenas de pessoas, calcorreei a zona. Como se já não bastasse a ausência de qualquer ordenamento sustentável, colocando os edifícios em lugares seguros e de boa acessibilidade, ainda por cima, voltei a constatar os enormes perigos que correm as pessoas que ali vivem. Já não se trata das moradias mas da ausência de defesa em função de uma intempérie.
Confesso que senti um calafrio ao ver uma canalização de quatro pequenos ribeiros para um, aumentando, naturalmente o volume de água. Isto a montante. Porque logo a seguir, o que se verifica, é o estrangulamento do curso de água, correndo à beira das casas sem qualquer protecção. Os acessos às moradias estão em calhau, tal como 20 de Fevereiro deixou. Oxalá esteja eu engando, mas numa situação de chuva intensa o problema será muito grave, restando à população, ao primeiro sinal, fugir, deixando para trás tudo. É pavorosa e angustiante aquela situação.
E uma pessoa olha para aquilo e questiona-se: mas quem autorizou ali construir? E após o 20 de Fevereiro que projecto foi implementado para garantir segurança nas zonas mais sensíveis?
A primeira pergunta fi-la eu a um Senhora, proprietária de uma dessas casas em zona de risco. E ela respondeu-me, mostrando os "papéis", que está tudo autorizado (e assinado) e que inclusive, a laje do seu prédio cobre uma parte do ribeiro e essa é a mesma laje do seu rés-do-chão. Quer dizer, se o ribeiro a levar, certamente que a casa sofrerá consequências na sua estrutura. Mas este é um caso, entre tantos outros, por ali a baixo, com os esgotos lançados, directamente, no curso de água que corre, portanto, a céu aberto. Há, ali, uma sensação de angústia, de gente sofrida, de pessoas que dormem à custa de medicamentos, que olham para aquele quadro e sentem-se impotentes para o transformar. E pergunto, onde está o Governo, onde pára a Câmara para atender aos casos mais dramáticos, mais sensíveis e onde a exposição ao perigo é substancialmente maior? Onde páram? E onde páram os milhões que entraram na Madeira das ajudas vindas da solidariedade?
A história de todo este processo começa a dar razão ao PS e ao seu grupo parlamentar, quando, logo a seguir ao dia da tragédia, propôs a criação de uma Entidade Independente para a Reconstrução, com fins perfeitamente definidos, com um depertamento técnico-científico, capaz de elencar e definir as prioridades e as dinâmicas da reconstrução. O PSD chumbou essa proposta e, agora, a sensação com que fico é que tudo isto está a ser feito ad hoc, consoante a pressão e os interesses da "máquina política do cimento". Ando por aí e vejo canalizações de cursos de água, está aos olhos de quem passa, mas se essas canalizações estão compaginadas com os interesses das pessoas, com a sua defesa e a dos seus bens, pelo que ontem vi, nada disso está salvaguardado. Arrepia quem por ali passa. Fiquei em pânico, o que fará os que ali vivem!
Ilustração: Google Imagens.