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domingo, 24 de outubro de 2010

CIDADES E LUGARES 696. ÉVORA/PORTUGAL

Templo romano de Évora. Património Mundial pela UNESCO.
Foto de uma das minhas passagens por esta cidade histórica.

ESTÃO A MATAR A ESCOLA DA MADEIRA


Uma tarefa absolutamente inadiável é a da profunda alteração das características enquadradoras do sistema educativo regional. São tantas as áreas de intervenção a repensar que só com uma elencagem decrescente de tarefas se conseguirá corrigir e dar rumo ao futuro. Eu diria, sem qualquer exagero, que o sistema educativo está em cacos.

Refere o DN de hoje:
A Madeira está na cauda do país em matéria de educação. Em todos os ciclos de estudo, a Região tem as mais elevadas taxas de insucesso escolar, segundo o relatório "Estado da Educação", apresentado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) na Assembleia da República.





 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Há mais de dois anos escrevi o texto que se segue. O governo, permite que o tempo passe, não consegue perceber os indicadores e os resultados estão aí. Aqui deixo a minha posição:
Estão a matar a criatividade,
a inovação, a missão
 e vocação da Escola
"Uma tarefa absolutamente inadiável é a da profunda alteração das características enquadradoras do sistema educativo regional. São tantas as áreas de intervenção a repensar que só com uma elencagem decrescente de tarefas se conseguirá corrigir e dar rumo ao futuro. Eu diria, sem qualquer exagero, que o sistema educativo está em cacos. Os erros repetem-se e há muito que se entrou na perigosa situação de já não se dar conta da persistência do erro. A rotina tomou conta do sistema. E à medida que ela cada vez mais se enraíza são sensíveis os sinais da multiplicação burocrática e da tendência para tudo centralizar e regulamentar. Eu diria que o peso institucional está a matar a Escola. A lei da Autonomia, Gestão e Administração dos Estabelecimentos de Educação e Ensino tornou-se meramente decorativa. Hoje, tudo passa pelos serviços ditos "competentes"(?). As Direcções Executivas são, por isso, meras executoras de tarefas que outros, muitos que nunca foram professores, que nunca experimentaram a Escola, definem como regras a seguir. São psicólogos, professores e inspectores sem experiência profissional, licenciados em outras áreas do conhecimento, enfim, todos ditam projectos e ordens, todos convocam e lançam directivas que, grosso modo, nada estão a ajudar a (re)construção de uma Escola portadora de futuro.
Já não bastava (estes são simples exemplos) o sistema organizacional interno estar fortemente condicionado pela vontade política externa; já não bastava o "fundo escolar" ser uma miragem; já não bastava a imensidão de actos burocráticos que nada adiantam na valorização dos alunos; já não bastava as refeições servidas no meio escolar estarem padronizadas, hoje, até as matrículas e o número de turmas, isto é, de quem vai para ali ou para acolá, é superiormente definido e regulamentado. Autonomia(?), por favor, não brinquem com o significado das palavras. Uma coisa é definir princípios orientadores fundamentais, outra é querer centralizar e padronizar tudo, roubando e matando a capacidade de cada estabelecimento de educação ou de ensino de definir o seu próprio percurso organizacional e pedagógico. Decididamente, não sabem o que estão a fazer. Uma coisa dou por adquirida em função da vivência do meio escolar e dos relatos que me chegam: estão a matar a criatividade, a inovação e o sentido de escola. Hoje, lamentavelmente, exigem que se repita o que outros já definiram, sem olhar aos contextos. O pior é que pensam que estão certos quando há tantos investigadores a dizerem o contrário".
Ilustração: Google Imagens e DN-Notícias.

sábado, 23 de outubro de 2010

O JAMES BOND DAS ANGÚSTIAS


"Entretanto, a abulia geral que leva os ilhéus a deixarem-se tratar como pacóvios permite ao chefe eternizar-se com a sua mentalidade velha, cristalizada, embrutecida e impermeável às ideias que não lhe cheguem de gatas. Sabe que os que o rodeiam não raciocinam, obedecem. Conta com a sua despersonalização calculista".

PSD em combustão lenta.
O caminho é o da implosão
Numa região normal, os jornalistas é que questionariam Coito Pita, Jaime Filipe e demais membros da comissão inquisitorial acerca das práticas do parlamento que levam 16 milhões por ano ao descarnado povo. Por exemplo o capítulo das incompatibilidades. Perguntar-lhes o que é isso de deputados a trabalhar nos tribunais com leis congeminadas por eles próprios. Como é isso de gestores privados no activo liderarem comissões de economia.
Numa democracia digna, seriam os deputados a responder aos desabafos públicos que sugerem comparações com a Sicília. Casos de empresários, fora do universo laranja, impedidos de fechar um único negócio na sua terra. Cartas anónimas com pressões a companhias exteriores porque o representante escolhido cá desagrada ao cabotino maioral e seus autómatos. Exemplo do ignóbil procedimento deu-se há uma semana: um madeirense que não verga ao regime de crápula recebeu de fora a notícia do fim de um contrato, à conta do instinto de revindicta instalado nas esferas mandantes.
Os inquisidores da comissão deviam também comentar os apertos a administrações de bancos em Lisboa para obrigarem os delegados regionais a rever as 'companhias'. Seria interessante ouvir os comissários do inquérito sobre os tachos que premeiam cabos-de-guerra caídos na aborrecida reforma, mesmo à custa de queimar lugares em vereações. E o linchamento aplicado a críticos internos da maioria que têm preferido desligar-se da 'família'. Como nas organizações secretas.
Os deputados deveriam explicar por que não fiscalizam os suicidas actos financeiros do governo, com o comboio descarrilado tão perto do abismo. Não será certamente por se fiarem na engenharia do auto-intitulado James Bond das Angústias.
NOTA:
Mais um notável artigo de opinião do Jornalista Luis Calisto. Profundo, realista e com alma. Vale a pena ler aqui.
Ilustração: Google Imagens.

POBRE "MODELO" DESPORTIVO!


O que a Deputada afirmou não constitui novidade. Preocupantes, aí sim, são as declarações do Secretário da Educação, claramente em desespero, a falar dos apoios ao futebol profissional, de impostos, do retorno fiscal, como se o desenvolvimento do desporto se quedasse por aí. Que visão tão curta!

Com que então... o modelo evoluiu e garantiu a poupança de 20% nos encargos. Falso. Não evoluiu. Redundou num fracasso. Basta olhar para a Escola que não educa para uma prática desportiva para a vida; basta olhar para o orçamento do Gabinete do Desporto Escolar, de duzentos e tal mil euros, comparados com os milhões destinados ao sector federado; basta olhar para o facto da demografia federada apresentar 16 mil praticantes e o sector educativo escolar, apenas com 4 mil praticantes (sem regularidade); basta olhar para este paradoxo, onde deveria existir muitos praticantes (escola) apresentamos quatro vezes menos relativamente ao sector que deveria ter poucos (federado é "sinónimo" de qualidade); basta olhar para a desproporcionalidade, no sector federado, entre géneros, com 72,9% de masculinos e 27,1% de femininos; basta olhar para a louca existência de 55 modalidades, 180 clubes e 25 associações numa Região de 253.000 habitantes; basta olhar para o estudo europeu (esse é que conta, porque afere, através de um protocolo igual, toda a prática física e desportiva na União Europeia) e verificar que temos 23% de taxa de participação desportiva; basta olhar para o facto de precisarmos de mais de 200 praticantes continentais e estrangeiros, distribuídos por vinte clubes, para a nossa representação nacional e internacional; e basta ter em consideração as declarações do ex-presidente do IDRAM, hoje Deputado Jaime Lucas (PSD), relativamente ao que ainda esta semana sublinhou a Drª Rafaela Fernandes, a sua colega de partido e de bancada parlamentar: "(...) Atendendo à situação de crise financeira que exige redefinição de prioridades (...) a "mania" de todos quererem um espaço próprio com todos os custos daí decorrentes - a expensas do erário público - tem de acabar." (...) há que "ignorar os sonhos megalómanos dos ditos clubes grandes, seja em que modalidade fôr (...) e ignorar as "exigências bairristas" entre freguesias e entre concelhos".
Das duas, uma: ou a Senhora Deputada tem um sermão de encomenda, alinhado com o governo (aflito) ou o Deputado Jaime Lucas tem os dias contados na Assembleia. São dois discursos antagónicos. Mas seja como for, há quantos anos, mais ou menos trinta, que escrevo sobre este sector, perante a negação absoluta do PSD?
O que a Deputada afirmou não constitui novidade. Preocupantes, aí sim, são as declarações do Secretário da Educação, claramente em desespero, a falar dos apoios ao futebol profissional, de impostos, do retorno fiscal, como se o desenvolvimento do desporto se quedasse por aí. Que visão tão curta!
Ilustração: Google Imagens.

MINAS GERAIS AO CHÃO


Esta é a Madeira real, a Madeira onde os seus habitantes têm de falar baixinho, a Madeira anestesiada, sem poder de cidadania, sem capacidade de reagir à irresponsabilidade. Experimenta-se, não deu certo, paga-se e volta tudo ao normal. Entretanto, novas obras, novas inaugurações, novos discursos, novos ataques e a vida continua. Quem paga? O povo, claro!

Porque raio a culpa,
na Madeira,
morre sempre solteira?
Rima e é verdade!
"Minas Gerais ao Chão". E ninguém reage a isto? Sinceramente, esta situação revolta-me. Politicamente, é a cereja que faltava em cima do bolo da irresponsabilidade. O edifício foi autorizado e agora será expropriado por uma "pipa de massa"? Então, meus senhores, onde estão os estudos científicos, da Secretaria do Equipamento Social, do Instituto Superior Técnico, da Universidade da Madeira, do Laboratório Regional de Engenharia Civil, os pareceres técnicos da Câmara Municipal do Funchal, que determinaram a sua viabilização e de todos os edifícios circundantes, caso concreto, do "Marina" e do próprio "Dolce Vita"? Será que tudo aquilo nasceu, espontaneamente, como cogumelos selvagens?
Se os estudos só foram elaborados depois da catástrofe de 20 de Fevereiro, é muito grave, se não existiu planeamento urbanístico, pior ainda. Em um caso ou outro constituia, numa Região de vivência Democrática e com um alto sentido cívico, constituia motivo para que todos os responsáveis já tivessem colocado os seus lugares à disposição ou, então, já tinham sido demitidos. Numa empresa privada, um Engenheiro que cometesse um erro que levasse à perda de muitos milhões, nem ouvido era, tinha um despedimento certo e por e.mail. Mas, por estas banda, o Engenheiro que, "carinhosamente", o Deputado Edgar Silva apelida de "engenheiro da destruição", refiro-me ao Senhor Engenheiro Santos Costa, permanece no governo, imune a qualquer responsabilidade política. E num tempo de crise, de cofre vazio, voarão uns larguíssimos milhões (tenho a informação do quantitativo, apenas por confirmar), que tanta falta fazem a outros sectores da governação. Ao promotor daquela obra terá saído uma espécie de lotaria, pois não acredito que esta operação lhe traga qualquer prejuizo. E no meio disto, diz o Secretário Regional, que os projectos estão a ser realizados com todo o cuidado e com todos os estudos necessários, que envolvem mais de 50 técnicos e outros tantos projectistas, salienta o DN (...), na vertente segurança que assume particular importância em toda a intervenção prevista, permitindo encarar os fenómenos da Natureza com uma maior confiança. Esta posição política, revolta qualquer pessoa, porque nela descobre-se uma clara tentativa de branqueamento das responsabilidades. O ar sereno com que o Senhor Secretário aparece na página 10 do DN, dá a entender aos desprevenidos que nada aconteceu, que nada existe a montante deste problema, que a irresponsabilidade política morrerá solteira e que ninguém autorizou um conjunto de obras que vieram a se mostrar inapropriadas, exactamente contrárias àquilo que tantos lembraram e, por isso, foram enxovalhados na praça pública. Só agora percebeu que terá de existir um percurso de escoamento a céu aberto para aumentar o poder de vazão  das ribeiras.
Ora bem, esta é a Madeira real, a Madeira onde os seus habitantes têm de falar baixinho, a Madeira anestesiada, sem poder de cidadania, sem capacidade de reagir à irresponsabilidade. Experimenta-se, não deu certo, paga-se e volta tudo ao normal. Entretanto, novas obras, novas inaugurações, novos discursos, novos ataques e a vida continua. Quem paga? O povo, claro!.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PARA OUVIR E INTERIORIZAR


"Há duas formas de controlar as pessoas: em primeiro lugar, assustando-as e, em segundo, desmoralizando-as. Uma Nação educada, saudável e confiante é mais difícil de governar. E acho que há um elemento no pensamento de algumas pessoas: "não queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes, porque ficariam fora de controlo."

FALTA DE CORAGEM E OUSADIA PARA MUDAR A MADEIRA


Há valores que são absolutamente escandalosos, não só porque atentam contra as prioridades sociais, mas porque acabam por subverter as próprias regras da Democracia. Ninguém entenderá que havendo uma legião de pobres em crescendo, existindo necessidades básicas por resolver, subsistindo milhares de facturas por liquidar, empresários aflitos, escolas sem dinheiro para cumprirem os seus projectos educativos, que um partido, porque tem 33 deputados, receba quase quatro milhões de euros, limpinhos...

É urgente a
Reforma do Parlamento
3,9 milhões de Euros recebe o PSD-Madeira, por ano, de transferências da Assembleia Legislativa da Madeira. Um valor exorbitante, verdadeiramente obsceno. Empiricamente, não tenho a menor dúvida relativamente a esta matéria: o exercício da democracia, para que ela funcione de facto, tem os seus custos. E neste pressuposto, penso que é melhor a subvenção pública suportar alguns encargos do que o financiamento privado. Julgo que é menor a distorção e maior a transparência. Confesso que nunca me dediquei a estudar as variáveis deste processo, mas é uma convicção baseada na experiência político-partidária. Mas há limites. Há valores que são absolutamente escandalosos, não só porque atentam contra as prioridades sociais, mas porque acabam por subverter as próprias regras da Democracia. Ninguém entenderá que havendo uma legião de pobres em crescendo, existindo necessidades básicas por resolver, subsistindo milhares de facturas por liquidar, empresários aflitos, escolas sem dinheiro para cumprirem os seus projectos educativos, que um partido, porque tem 33 deputados, receba quase quatro milhões de euros, limpinhos, isto é, com todos os seus Deputados pagos e todos os serviços da Assembleia disponíveis sem pagarem um cêntimo. É obsceno no campo das prioridades. Mas há um outro aspecto, o da subversão da Democracia. Numa legislatura, mais de 15 milhões de euros entram nos cofres partidários, o que significa uma abastança que permite,
Dinheiro público ao serviço
da propaganda e da compra
dos silêncios.
depois, faustosas campanhas eleitorais, grandes festarolas por cada sítio da Região, cartazes, comícios pagos a peso de ouro, cabazes, provavelmente cheques, enfim, campanhas que colocam, logo à partida, a força de uns contra a incapacidade dos outros. São "armas" completamente diferentes. Como se não chegasse a existência de um Jornal da Madeira, as rádios locais e a subtil "compra" do serviço público de rádio e televisão, como se isso não bastasse, repito, ainda por cima, no momento de campanha, o dinheiro tudo subverte. É por isso que entendo que a Região deve partir, urgentemente, para uma REFORMA DO PARLAMENTO. Tudo isto tem de ser revisto. Quem tem mais Deputados, obviamente, que qualquer critério destinará mais dinheiro para esses grupos, mas o bom senso aconselhará que os domínios do obsceno não sejam invadidos. O exercício da política no plano da Democracia tem regras. O dinheiro não deve servir para pagar o supérfluo, concretamente, sedes partidárias por freguesia e outras, muitas outras situações que alegadamente existem que apenas servem para controlar e dominar o Povo.
Não sei como é possível (se calhar sei!), ainda ontem, a Fundação Social Democrata ter disponibilizado bolsas de estudo a 300 alunos da Universidade da Madeira. Por um lado, eu diria, óptimo, porque vêm atenuar as gravíssimas vidas que muitas famílias levam, consequência do desemprego e da pobreza a que este governo regional conduziu a Região. Por outro, não deixa de constituir um vergonhoso aproveitamento do dinheiro para fazer uma claríssima acção política. De onde vem o dinheirinho da Fundação? Das doações, certamente. De quem, não sei!
Como habitualmente,
 falou e falou
e ninguém questionou.
Só toca e canta a solo.
O que sei é que têm tudo controlado e sabem onde semear a mensagem e colher os votos. É ali, nos jovens universitários, a maioria com capacidade eleitoral,  que a troco de uns euros, segundo o presidente, "dará para parte da refeição na cantina", que se encena um comício para falar, não dos problemas da Madeira, gerados na órbita das suas responsabilidades políticas, mas do País, do "inimigo externo", pela "falta de coragem e ousadia para mudar Portugal". O problema está sempre fora, está sempre nos outros e não cá dentro, porque aqui sobressaem, apenas, mentes brilhantes.
E os jovens, infelizmente, vão nesta conversa. Enquanto, por todo o lado, a juventude é sinal de esperança, é ela que se apresenta reivindicativa, que vem para a rua e exige comportamentos adequados e defensores do seu futuro, aqui, deixa-se injectar e anestesiar neste ram-ram que serve a alguns. E se pensassem que há "falta coragem e ousadia para mudar a Madeira?" Pensem nisso, meus caros. Recebam a bolsa mas não se demitam nem vendam a sua consciência cívica.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A IRRESPONSABILIDADE DE FAZER CAIR O GOVERNO

 
Corte nas obras que não acrescentam nada, nos organismos que nada produzem, na vergonhosa política de subsídios e esbata as necessidades das pessoas. Aquele sentido de "bombista político", de querer derrubar o governo da República nesta hora dramática, apenas contribui para a desestabilização, para o desnorte e para o agravamento da crise.
 
O Dr. Passos Coelho
não tem noção do País real,
do castelo e da areia.
A sensação com que fico é que há ali uma explicável fome de poder. O Dr. Passos Coelho já se esqueceu que a Drª Manuela Ferreira Leite, na pasta das Finanças,  deixou-nos um défice de 6,83%; que foi o PSD, uma vez mais com a Drª Manuela F. Leite, que criou o famigerado "pagamento especial por conta" que estrangulou os pequenos e médios empresários; que foi a ex-líder social-democrata, entre outras, esteve na origem da ruinosa titularização das dívidas fiscais e contributivas ao Citigroup, e que se a situação não foi pior tal ficou a se dever à política de receitas extraordinárias. Isto para não ir mais longe, ao tempo do Professor Cavaco Silva, enquanto Primeiro-Ministro, onde se verificaram os défices orçamentais mais elevados (em 1993, -8,9% do PIB). O Dr. Passos Coelho já se esqueceu do descalabro dos governos liderados por Durão Barroso/Santana Lopes, e que foi o governo do Engº José Sócrates que diminuiu o défice excessivo para valores de 2,6% (2007 e 2008). O Dr. Passos Coelho esquece-se que tudo isso foi feito sem colocar em causa o apoio social que conheceu, a partir de 2005, um dos maiores e mais consistentes incrementos junto dos mais carenciados da sociedade. Lembro-me, por exemplo, da baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses; o apoio pré-natal; o Salário Mínimo que cresceu 20% nos últimos cinco anos; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% no mesmo período. Tratou-se, aliás, do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social; a Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro.
O PSD esquece-se da conjuntura internacional que arrastou todo o Mundo, uns países mais do que outros, para uma situação deveras complexa com os défices a crescerem e a afogarem as contas públicas. Parece que os olhos estão sedentos de poder e de apenas poder, repito, pelo que não deixam ver que a Espanha chegou a ter um superavit anda, agora, pelos 11,4% de défice; o caso de Inglaterra com 12%, o de França com 7,7% e por aí fora. Não deixa ver todas as medidas de austeridade que estão em curso em todos os países. 
Em 1993, com o Professor Cavaco,
Doutor em Economia
o défice chegou aos 8,9%.
No tempo do Professor Cavaco Silva, que agora tanto fala da necessidade de controlar as contas públicas, nunca se lhe ouviu dizer que os valores que apresentava eram "insustentáveis". Como vulgarmente se diz, penso que falta vergonha na cara a muito político ou, então, trata-se de uma questão de fome de poder. O bom senso aconselharia, neste momento dramático, menos paleio, mais contenção no discurso político, maior sentido de responsabilidade através da negociação entre todas as partes. Está em causa um paulatino regresso à normalidade que possibilite crescer e desenvolver o País e isso só pode ser conseguido, não com uma estérica gritaria política, mas com uma redobrada atenção ao interesse colectivo com o menor  custo possível de todos os cidadãos que estão a pagar por erros que não cometeram. A hora não é de olhar para os desacertos políticos, porque os há, mas para a pressão dos mercados, a pressão dos especuladores, num mundo onde impera a palavra ganância. A proposta de OE para 2011 vem nesse sentido, vem com opções de política fiscal, orçamental e económica que visam esse objectivo de consolidação das contas públicas de modo a devolver a confiança aos mercados financeiros internacionais. Nós temos de estancar o ataque à divida soberana. O problema agora está em saber como é que essas medidas de austeridade, para chegar aos 4,6% do défice, serão aplicadas na RAM.
O governo regional tenta
meter a cabeça na areia.
Presumo que o Povo
já percebeu a sua estratégia.
Ora bem, aqui é que se coloca o problema relativamente à vida dos madeirenses e porto-santenses. Nós temos órgãos de governo próprio (Assembleia, Governo) e Orçamento próprio. Temos capacidade legislativa e é falso que as medidas do governo da República tenham de ser aplicadas de forma cega na Madeira. É politicamente egoísta, por parte do Presidente do Governo, querer aplicar as medidas de forma cega, apenas para ficar com o dinheiro do IVA, do IRS, etc., para encher os cofres, poder pagar as obras, inaugurá-las, fazer a festa e ganhar eleições. E o pobre e o desempregado, que se danem! O Governo Regional que tanto fala do Continente, dos institutos que não servem para nada, do despesismo e do esbanjamento, comece então por dar o exemplo. Corte nas obras que não acrescentam nada, nos organismos que nada produzem, na vergonhosa política de subsídios e esbata as necessidades das pessoas. Aquele sentido de "bombista político", de querer derrubar o governo da República nesta hora dramática, apenas contribui para a desestabilização, para o desnorte e para o agravamento da crise. De resto, há um tempo para governar (este governo foi eleito em 2009 e tem pouco mais de um ano) e há um tempo para prestação de contas. Fazer cair o governo, neste momento, constitui uma evidente irresponsabilidade. As pessoas em primeiro lugar, esse deve ser o lema, apesar dos enormes sacrifícios que todos vão passar. E que fique claro, sobre as causas deste sacrifício tenho uma leitura que isenta o Povo de responsabilidades e culpa os políticos pelo desastre a que chegámos. Mas somos ilhéus e é aqui que temos de resolver os nossos problemas.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

TOCADOS PELO DOM DA INFALIBILIDADE


"Esclareceu" na sua qualidade de Engenheiro Civil, não esclareceu na qualidade de Educador, de Psicólogo, de Sociólogo ou de uma qualquer outra área afim. Defendeu o indefensável chegando ao ponto de assumir, obviamente, "que não faz sentido avaliar o modelo em causa". Para este (des)governo nada deve ser avaliado, porque foi tocado pelo dom da infalibilidade.

O Sistema Educativo precisa
de governantes humildes
e dispensa os que se julgam
portadores de certezas absolutas.
O JM de hoje coloca, em foco, o problema das Escolas a Tempo Inteiro, um assunto que o DN, na sua edição de 15 de Outubro de 2010 equacionou em múltiplas variáveis, num excelente trabalho do Jornalista Luís Calisto. Digamos que o Jornal Oficial, o Jornal Controlado pelo Poder, veio tentar justificar e defender a sua dama. Ninguém estava à espera, certamente, que outra coisa não acontecesse. Para mim não correspondeu a qualquer surpresa. Ademais, o Director Regional de Planeamento e Recursos Educativos da Madeira fez muito bem em "esclarecer" a problemática. "Esclareceu" na sua qualidade de Engenheiro Civil, não esclareceu na qualidade de Educador, de Psicólogo, de Sociólogo ou de uma qualquer outra área afim. Defendeu o indefensável chegando ao ponto de assumir, obviamente, "que não faz sentido avaliar o modelo em causa". Para este (des)governo nada deve ser avaliado, porque foi tocado pelo dom da infalibilidade. É o primeiro sinal que o Projecto do PS será chumbado na Assembleia Legislativa da Madeira, para "contentamento" do governo e prejuízo das crianças, pais e encarregados de educação. Mas o Engenheiro disse mais: que devemos ver a Escola a Tempo Inteiro "muito mais pelos seus efeitos sociais e pelo que deu a ganhar aos seus alunos e famílias, do que pelos seus sucessos educativos". ESPANTOSO! Estamos conversados porque subsiste aqui uma total confusão. 
Ora bem, desde logo, todos os sistemas, modelos, etc., devem subordinar-se a uma avaliação. E essa avaliação implica necessários estudos. E sobre esta matéria tenho dados que a seu tempo serão públicos. Depois, pergunto, quais efeitos sociais, à luz do que especialistas vários assumem como altamente nocivos? Depois, ainda, "deu a ganhar às famílias", pois, através da "escravização dos pais" como salientou o investigador Santana Castilho? Então, para que serve a ETI se o objectivo que subjaz não é o sucesso educativo mas o que dá a ganhar às famílias? Uma vez mais, estamos conversados.
O que o Director Regional não quer ver (mas sabe, porque reconheço-lhe inteligência) é que a Escola a Tempo Inteiro constitui uma resposta certa para um problema errado. E o que está errado é a organização social, o mundo laboral e a capacidade de produzir mais em menos horas de trabalho. O que está em causa é o respeito pela família que implica não termos pais a meio tempo ou avós a tempo inteiro. A defesa da ETI, sublinha o Mestre Paulo Guinote, "é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário".
É aqui que se deve centrar a discussão e não em papel com letras que não adiantam nada. É preciso ir ao âmago do problema, à sua centralidade, à importância da emancipação e reconhecimento da família neste processo. O sistema não pode nem deve responder a absurdas necessidades, porque a missão e vocação da Escola não é a de remediadora social. A Escola encerra um conjunto de objectivos bem definidos e nesses objectivos não cabem certamente as funções de "armazém de crianças" no sentido que o Dr. Daniel Sampaio enquadra. Posso admitir que a ETI tivesse nascido de uma necessidade, eu sublinharia, temporária, para dar resposta às insuficiências da organização social, todavia, é dever de quem governa não laborar no erro e, pelo contrário, dar contributos sérios e consistentes no sentido de uma mudança, graduada no tempo, que corresponda a uma sociedade trabalhadora, empreendedora, geradora de resultados económicos, que possibilite uma melhor distribuição da riqueza e melhor bem-estar às pessoas. 
Esta procissão ainda vai no adro, muito será discutido, porque há relatórios sobre esta matéria. É preciso que o governo não se esqueça desse pormenor.
Ilustração: Google Imagens.

REVISÃO CONSTITUCIONAL? PREFIRO UMA REVISÃO DE GOVERNO!


É por isso que entendo que não há nada a esperar deste governo que se mostra bloqueado, insensível, esgotado por via dos "monstros" que gerou, incapaz de um rasgo gerador de alguma confiança. Este governo regional parou no tempo, encontra-se num labirinto, estonteado por não encontrar a saída para as dificuldades. E ao contrário do que seria expectável, até pela experiência governativa de 36 anos consecutivos, a única coisa pela qual luta é a "revisão constitucional". Como se ela resolvesse o problema dos 15.000 desempregados, dos 30% de pobres, a falência de empresas...

A venda do ouro só acrescenta
pobreza à pobreza
A pobreza está na ordem do dia. Ela cresce a olhos vistos e com sinais muito preocupantes. Não é apenas a fome, o corte nas despesas básicas obrigatórias, mas os sinais de crescente violência que, aliás, a comunicação social tem feito eco. A par disto, multiplicam-se, como cogumelos, as lojas que sacam ouro aos pobres dedos dos cidadãos. Tudo o que lá por casa existe, as recordações deixadas, as memórias sentimentais, tudo vai para cima de um balcão por troca de uns efémeros euros. Os anúncios com os quais somos, diariamente, confrontados trazem no seu bojo qualquer coisa própria de aves de rapina, de aproveitamento ganancioso da miséria e das aflições sentidas. É evidente que em situação de grande constrangimento, lá diz o povo,  "é melhor que se vão os anéis e que fiquem os dedos", todavia, não deixa de ser penosa a constatação da realidade. 
Isto deixa-me constrangido porque significa acrescentar pobreza à pobreza. Os euros vão, em um ápice. Porventura, no momento da venda, o dinheiro já tem destino certo. Parece-me, óbvio. Ninguém se despoja dos seus parcos recursos para as não prioridades da vida. Se entrega é porque a aflição chegou ao extremo, pela via do desemprego, pela via do salário não recebido a tempo e horas, pelo aumento do spread, pelas despesas de educação e de saúde, enfim, por múltiplos aspectos. Num quadro destes necessário se tornaria que a Madeira tivesse um Governo atento às questões de natureza social. E não temos. Um governo que tivesse a coragem de mudar de paradigma económico, gerador de emprego, um governo preocupado em atenuar as consequências das medidas de austeridade, que assumisse as medidas de contenção da despesa pública no sentido de ir ao encontro dos que estão a passar mal. Um governo capaz de dizer não a certos projectos sem retorno económico e social e mais preocupado com os sectores mais vulneráveis da sociedade. Um governo menos preocupado com as eleições seguintes e mais apostado nas pessoas. E não temos.
É por isso que entendo que não há nada a esperar deste governo que se mostra bloqueado, insensível, esgotado por via dos "monstros" que gerou, incapaz de um rasgo gerador de alguma confiança. Este governo regional parou no tempo, encontra-se num labirinto, estonteado por não encontrar a saída para as dificuldades. E ao contrário do que seria expectável, até pela experiência governativa de 36 anos consecutivos, a única coisa pela qual luta é a "revisão constitucional". Como se ela resolvesse o problema dos 15.000 desempregados, dos 30% de pobres, a falência de empresas, o pagamento a tempo e horas das dívidas, a situação dos empresários aflitos, o pagamento à banca (2012) entre 225 e 250 milhões o que significa que mais de 20% do nosso Orçamento anual ficará hipotecado ao pagamento das dívidas. Trata-se da mais pura mistificação, quando não é a Constituição da República que coloca entraves na aplicação de políticas sociais, não é o livro responsável pelo insucesso escolar; pelo desnorte nas políticas de saúde, pela preocupante crise no sector do Turismo, pelo não cumprimento dos instrumentos de planeamento, pela falência das empresas públicas, pela colossal dívida da Região, na ordem dos 6 mil milhões, que coloca as gerações futuras em situação muito complexa.
Sinceramente, quero lá saber da Revisão Constitucional. Precisamos sim de uma Revisão de Governo que consiga olhar para esta terra para que os anéis não tenham de sair dos dedos!
Ilustração: Google Imagens

terça-feira, 19 de outubro de 2010

E O SECRETÁRIO INSISTE


Se uma boa parte das nossas escolas tivesse obtido resultados de topo, certamente que o discurso do governo seria outro. Seria de exaltação pela sua política educativa. Sabe-se que é assim. Quando interessa somos os melhores relativamente aos outros, quando não interessa, conjuga-se o verbo esconder!


A excelência só se consegue
com organização, trabalho,
rigor, autonomia das escolas
e capacidade para
separar o essencial do acessório
Já esperava que o Senhor Secretário da Educação viesse a público tentar esbater a gravidade dos resultados dos alunos madeirenses e porto-santenses nos exames nacionais de 9º e 12º ano. Oh, Senhor Secretário, assuma a realidade, assuma que o sistema falhou, assuma que o sistema precisa de uma profundíssima reformulação. Vamos por partes.
A seriação das escolas através dos “ranking’s” nacionais não é “redutora” nem “enviesada”. Constitui um indicador (apenas mais um) de que o sistema educativo na Região não consegue descolar para patamares aceitáveis. Todos os anos é a mesma, a lengalenga dos responsáveis pela Educação . Mas o Secretário sabe que os exames são iguais do Minho ao Corvo, que os programas são iguais e as avaliações obedecem a critérios rigorosos, com os correctores sujeitos a formação própria no sentido de não se verificarem discrepâncias significativas entre correctores. Já aqui o disse, portanto, Senhor Secretário, basta de enganos!
Não existem "critérios artificiais" e, por isso, nada tem a ver a entrada de alunos nas Universidades com os resultados dos exames. Se entraram X da Madeira, entraram Y do restante espaço nacional. Uma coisa são os exames, outra o acesso ao ensino superior. Da mesma forma que não se deve misturar a avaliação dos alunos em situação de exame com a altíssima taxa de insucesso e abandono escolar entre a Madeira e o restante espaço nacional. Cada análise tem de ser rigorosamente contextualizada. De resto só se pode e deve comparar coisas comparáveis.
Depois, se uma boa parte das nossas escolas tivesse obtido resultados de topo, certamente que o discurso do governo seria outro. Seria de exaltação pela sua política educativa. Sabe-se que é assim. Quando interessa somos os melhores relativamente aos outros, quando não interessa, conjuga-se o verbo esconder!
É por isso lamentável perante este repetitivo indicador que o próprio Presidente do Governo Regional tivesse dito que não está preocupado com a posição da Madeira no "ranking das escolas", uma vez que o mesmo foi elaborado com base em “critérios artificiais”. E disse mais: "Lá se foi o tempo em que nós nos impressionávamos com as coisas feitas em Lisboa". Depois, claro, vem com aquela história de treta, "avisar" o Povo que pelas medidas de austeridade os jovens vão ter de emigrar. Exacto, com políticas destas, do que está o governo à espera?
Enquadrar o problema daquela maneira corresponde a um atentado contra o futuro da Madeira e da sua população, pois sucessivas gerações mal preparadas não poderão responder, eficazmente, aos desafios deste novo mundo onde se exigem qualificações de excelência. E a excelência só se consegue com rigor e qualidade na intervenção.
Mas há mais um aspecto: nas declarações ao DN-M de hoje, o Senhor Secretário acaba por dar resposta aos resultados desta Escola, ao enumerar um largo conjunto de iniciativas que afogam e determinam uma escola claramente apostada no acessório e não no essencial. Daí que, os maus resultados no Ensino Básico prognostiquem, desde já, que nada de bom nos aguarda para a próxima etapa do 12º ano.
O governo que assuma que o desastre educativo não é por culpa da docência e da qualidade da generalidade dos professores. O problema reside na deficiente organização do sistema, no frágil sentido de missão e vocação da escola, na falta de autonomia e no número de alunos por escola e turma. Significa isto que o Secretário continua a confundir os conceitos de escolarização com o de educação. É pena, porque são os jovens que vão pagar a factura da irresponsabilidade política.
Ilustração: Google Imagens.

OS INSULTOS GRATUITOS


E as palavras são ditas, na presença do Senhor Presidente da Assembleia e dos Vice-Presidentes, com a total impotência destes para impedirem que estas situações aconteçam. Diz, ofende, passados uns minutos levanta-se e vai embora. Desrespeito, total, pela instituição e pelas pessoas.

Ser líder implica ser exemplo.
Ser líder implica respeito
por princípios
éticos e  por valores.
 Não suporto a má educação. Como já aqui disse, gosto do debate com entusiasmo, com alma, com ironia e com humor, também, mas não aceito a ofensa. Essa é uma arma própria dos fracos. Aceito, porque a Democracia é assim, a existência de uma maioria, mas não aceito que essa maioria espezinhe o adversário. Estou aqui a dizer isto, porque, esta manhã, um Deputado da maioria, presente na "Conferência de Líderes", foi, como infelizmente é sua marca no Parlamento, grosseiro, eu diria grotesco, para comigo. Estava em causa a evocação, em sessão plenária, do 25 de Novembro. E quando me foi dada a palavra, eu disse ao Presidente da Assembleia, de forma serena, que estaria disposto a considerar essa sessão plenária quando o PSD se mostrasse disponível para comemorar o 25 de Abril. Tenho, exactamente o mesmo direito de assim me posicionar, como alguém da maioria tem o direito de dizer que não aceita a comemoração da "revolução dos cravos". O meu posicionamento é que não pode ser considerado "ignorante" no meio de uma série de outras palavras tão ou mais gravosas. Lembrei-me, nesse momento, de uma mensagem que há tempos recebi que dizia mais ou menos isto: "Senhor dai-me serenidade, porque se me deres força parto-lhe o focinho". Confesso que me apeteceu. E as palavras são ditas, na presença do Senhor Presidente da Assembleia e dos Vice-Presidentes, com a total impotência destes para impedirem que estas situações aconteçam. Diz, ofende, passados uns minutos levanta-se e vai embora. Desrespeito, total, pela instituição e pelas pessoas.
É esta "hipótese de deputado" que faz parte de uma Assembleia que deveria ser a mais alta expressão do debate vigoroso, contundente, argumentativo, mas, simultaneamente, educado. Sem ofensas pessoais. E penso assim, porque sou incapaz de ofender seja lá quem for. Mas também não sou capaz de ficar parado perante a ofensa gratuita. Porque estou na primeira linha da bancada parlamentar, estou farto de ouvir palavras ofensivas da dignidade dos deputados da Oposição. Já por diversas vezes tive de pedir a defesa da honra de camaradas meus. A resposta, normalmente, vem a dobrar. É este Parlamento que o Povo vota na perspectiva da solução dos seus problemas que assim se comporta. O dito cujo que meta isto na cabeça: uma coisa é chumbarem as propostas da oposição, outra, é atentarem contra o respeito e a dignidade. Isso não, porque a paciência tem limites.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

COMISSÃO DE INQUÉRITO PARA ESCONDER A REALIDADE


A comunicação social na Madeira apresenta um quadro que implica ser analisado, avaliado e responsabilizado. Há elementos, há factos, transmitidos ao Conselho da Autoridade da Concorrência e à Entidade Reguladora da Comunicação Social. São públicos os dados da inadequação da atribuição da publicidade institucional. Conhecem-se os despedimentos relacionados com essa ausência de equidade. São públicas as pressões sobre os meios de comunicação social e sobre os jornalistas. Portanto, existe matéria, mais do que suficiente, para preocupar o primeiro órgão de governo próprio. Mas, afinal, qual é a verdadeira intenção do PSD?

POLÍTICA DESPORTIVA. SÓ AGORA DÃO CONTA DO LOGRO?


Nada disto é novo, eu diria que tem barbas. Em 2007, para não falar de outras iniciativas ao longo de todos estes anos, elaborei e apresentei um projecto de decreto legislativo regional subordinado ao título: "estabelece o regime da actividade física, do desporto educativo escolar, do desporto federado e aprova o regime jurídico de atribuição de comparticipações financeiras ao associativismo desportivo na Região Autónoma da Madeira". O projecto foi chumbado pelo PSD.

Milhões gastos sem resultados
no aumento na taxa
de participação desportiva
Tem cerca de um ano, o Senhor Deputado Jaime Lucas (PSD), a propósito de uma proposta sobre política desportiva, apresentada pelo PS na Assembleia Legislativa da Madeira, perante a minha argumentação, arengou qualquer coisa, de sentido crítico, que eu "há trinta anos ando a dizer a mesma coisa". Respondi-lhe que uns dizem ter 30 anos de experiência e outros uma experiência repetida trinta vezes. Ora bem, qualquer pessoa, desde os primórdios dos anos 80, a partir de alguns indicadores, facilmente chegaria à concusão que este percurso definido pelo governo regional só redundaria em um colapso uns anos mais tarde. E aí está, o sistema colapsou! É aquilo que tenho vindo a designar por um "monstro" face ao qual o governo não tem capacidade para o domar. E hoje, acabo de ler no DN-M, que o Presidente da Associação de Futebol da Madeira, Senhor Rui Marote, assume que há que "apostar no desporto regional", o Presidente do Clube Desportivo Nacional, Engº Rui Alves, fala em "extinguir o IDRAM e coloca o futuro na base de três perguntas: "quanto temos para investir no desporto, como vamos investir e onde vamos investir?". E vai mais longe, considera prioritário que o governo assuma "a saída do capital social das SAD's". Finalmente!
O objectivo foi criar um desporto
ao serviço da política e não
do desenvolvimento
Nada disto é novo, eu diria que tem barbas. Em 2007, para não falar de outras iniciativas ao longo de todos estes anos, elaborei e apresentei um projecto de decreto legislativo regional subordinado ao título: "Estabelece o Regime da Actividade Física, do Desporto Educativo Escolar, do Desporto Federado e aprova o Regime Jurídico de atribuição de comparticipações financeiras ao associativismo desportivo na Região Autónoma da Madeira". O projecto foi chumbado pelo PSD. Neste momento, devidamente actualizado, está outro quase pronto para dar entrada nos serviços da Assembleia. Está praticamente tudo escalpelizado nesse documento. Obviamente que não se trata de um documento acabado, antes constitui um ponto de partida, onde necessário se torna outros contributos para que o desporto na Madeira constitua uma peça ao serviço do desenvolvimento e não uma peça ao serviço da política.
As grandes limitações espaciais e orçamentais da Madeira implicam, por isso, um outro tipo de orientação, isto é, um grande investimento nas políticas educativas, neste caso, no desporto educativo escolar, na competição regional, no desporto informal, na actividade física em geral, em uma prática que, a prazo, conduza a Madeira a dispor de uma taxa de participação desportiva superior à média nacional e europeia. Estes pressupostos encontram justificação na análise das taxas de participação desportiva globais (77% não tem qualquer tipo de prática regular), onde são sensíveis substanciais desequilíbrios na relação desporto educativo escolar versus desporto federado, na relação entre géneros (na época de 2008/09 a demografia federada registou 16.593 participantes, dos quais 72,9% masculinos e 27,1% femininos), enquanto o desporto escolar regista pouco mais de 4000 praticantes com alguma regularidade. Um quadro destes nem em uma Região rica e absolutamente sustentável.
O Sistema Desportivo estoirou!
Por outro lado, embora seja inquestionável o direito de participação nas competições nacionais e internacionais, não é sustentável, segundo dados de 2008/09, um apoio directo ou indirecto, junto de 55 modalidades enquadradas por 180 clubes aos quais se juntam 25 associações desportivas. Para além destes dados, não é aceitável em função das limitações orçamentais e das prioridades, que a representação da Região Autónoma da Madeira necessite de 215 atletas (2008/2009) continentais e estrangeiros, distribuídos por 20 clubes, para representá-la àqueles níveis. Tampouco é viável manter, anualmente, mais de 1500 representações individuais e colectivas. 
O Presidente do Nacional sublinha que "o actual modelo está ultrapassado, por proteger a participação nacional de modalidades sem qualquer retorno". Já em 1976, no Encontro Regional do Desporto, ficou assente a perspectiva das modalidades consideradas de investimento prioritário. Ninguém ligou e, agora, estão todos de corda ao pescoço. O que estes senhores vêm agora dizer, há que anos está estudado, analisado e proposto. Só o governo regional não ouviu ou não quis ouvir!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 17 de outubro de 2010

PROFESSOR: UMA ELITE A VALORIZAR, A PROMOVER E A PREMIAR



Os professores estão transformados em máquinas de ensinar ou em agentes que formam pensadores? Até que ponto o contexto sócio-educativo permite a motivação crescente? Afinal, que Escola e que Professores queremos? Porque há uma diferença entre gostar de estudar e gostar de aprender!

Há que operar uma
"Revolução Silenciosa"
Sexta-feira última tive a oportunidade de assistir a uma conferência sobre "A Motivação dos Professores". O convidado foi o madeirense Professor Doutor Jacinto Jardim. Foram quase duas horas a fazer a radiografia da alma dos professores. E começou da forma mais humilde mas de significado profundo: "primeiro, duvidem de tudo o que eu disser; segundo, questionem tudo o que eu disser e, em terceiro lugar, critiquem tudo o que eu disser". Um início de sessão só possível através de uma pessoa humilde, que sabe e que transporta um verdadeiro espírito universitário. Depois, disse que a classe docente "é uma elite a valorizar, a promover e a premiar". Porque são eles capazes de formar "cidadãos livres, responsáveis e felizes", uma vez que "promovem o desenvolvimento cultural" e porque "activam as competências" para a vida. Facto que implica determinar se os professores estão a conseguir, no plano da consecussão dos objectivos, isto é, "se os caminhos são os melhores porque estão devidamente hierarquizados, se suscitamos uma aberta reflexão crítica, se estamos a operar uma transformação consistente". Interrogações para concluir que o professor deve evitar situações que considerou serem de "palpite".
Falta autonomia
e diversidade pedagógica
Ao percorrer a estrutura em que assenta a motivação, o Doutor Jacinto Jardim sublinhou, ainda, que só pode haver motivação e resultados quando "há realização profissional, reconhecimento, estabilidade, relações inter-pessoais, salário digno, participação, prestígio social, trabalho em equipa, sentido organizacional, boas relações com a hierarquia e autonomia profissional". Aspectos estes determinantes e raras vezes considerados na prática, porque no discurso político, normalmente a história tem outros contornos.
E ao falar, especificamente, do contexto sócio-educativo e psico-social, o Professor Jacinto Jardim, acabou por situar a questão da motivação em cinco aspectos: Apatia Social, Individualismo, Crise de Valores, Infelicidade e Insucesso Escolar. Tudo isto devidamente escalpelizado, para chegar à pergunta central: por que razão é que os professores andam desmotivados? A resposta veio célere, mas desenvolvida uma a uma: "por incompreensão das finalidades, formação inicial deficitária, desactualização, concepção tecnocrática, currículos sobrecarregados, burocracias, falta de suporte, ausência de cultura democrática, problemas de comunicação, ausência das famílias, responsabilidade da classe docente, ambiente social de cepticismo, políticas economicistas, falta de incentivos, menor visibilidade dos efeitos".
Um Governo que não quer
aprender
limita-se a repetir
Lá mais para o final, o orador, em jeito de receita, setenciou: há que fazer, por tudo isto, uma "REVOLUÇÃO SILENCIOSA", tocando nas pessoas, nas mentes, nos corações, na vontade inteligente dos professores, através de uma intervenção com lucidez, coragem e manifestamente construtiva e criadora.
Tratou-se de uma excelente intervenção que decorreu na esteira das preocupações do novo Estatuto da Carreira Docente. Enquanto lá estive, na minha cabeça vezes várias pensei que bom teria sido ter ali sentados o Secretário da Educação e os Directores Regionais para aprenderem qualquer coisita. Eu aprendi, mas de que vale, se são os outros que não aprendem nem querem aprender, mas que decidem e infernizam a classe docente? De que vale, parafraseando o Professor, primeiro, porque não têm dúvidas; segundo, porque não admitem que se questione e, em terceiro lugar, não aceitam críticas. Ficam chateados! Até um dia, que o Povo descubra o mundo de enganos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 16 de outubro de 2010

RANKING'S DAS ESCOLAS COM ATITUDE ABSOLUTAMENTE LAMENTÁVEL



Primeiro, porque está a atentar contra o futuro da Madeira e da sua população; segundo, porque, responsavelmente, deveria mostrar-se preocupado e pedir responsabilidades ao Secretário e ao Director Regional; terceiro, porque transmite a ideia de ignorância sob a forma como decorrem as avaliações dos exame nacionais.


A realidade demonstra um
Presidente sem noção
do sistema educativo
pelo qual é responsável
O Presidente do Governo Regional disse, ontem, que não está preocupado com a posição da Madeira no "ranking das escolas", uma vez que o mesmo foi elaborado com base em critérios artificiais. E disse mais: "Lá se foi o tempo em que nós nos impressionávamos com as coisas feitas em Lisboa".
Um responsável político dizer uma enormidade destas deveria ser "demitido". Pelo Povo, claro. E por três razões: primeiro, porque está a atentar contra o futuro da Madeira e da sua população; segundo, porque, responsavelmente, deveria mostrar-se preocupado e pedir responsabilidades ao Secretário e ao Director Regional; terceiro, porque transmite a ideia de ignorância sob a forma como decorrem as avaliações dos exame nacionais.
Atenta contra o futuro da Madeira porque sucessivas gerações mal preparadas não poderão responder, eficazmente, aos desafios deste novo mundo onde se exigem qualificações de excelência. Depois, ao não pedir responsabilidades aos seus mais directos responsáveis pelo sector, denuncia que quer uma população ignorante onde possa semear a sua política e continuar a controlar o povo. Finalmente, era bom que o Presidente do Governo soubesse que os exames são iguais do Minho ao Corvo, os programas iguais e as avaliações obedecem a critérios rigorosos, com os correctores sujeitos a formação própria no sentido de não se verificarem discrepâncias significativas entre correctores.
Depois, claro, vem com aquela história que os jovens vão ter de emigrar. Pois, com políticas destas, do que estamos à espera? Eu que levo uma vida ligada à Educação, sei do que falo e sei, tal como centenas de docentes, onde residem os problemas. Só o Presidente do Governo não sabe. Apenas fala em "critérios artificiais". Mas quais critérios artificiais? O que é que tem a ver a entrada de alunos nas Universidades, como ontem, lamentavelmente, o Director Regional de Educação disse na RTP, com os resultados dos exames? Se entraram X da Madeira, entraram Y do restante espaço nacional. Só se pode comparar coisas comparáveis. Aliás, as declarações do Director Regional (estranhamente, o Secretário não assumiu o desastre) denunciando, pela imagem, um grande nervosismo, são a prova evidente da falência deste sistema educativo politicamente irresponsável.
Voltarei a este assunto, com a análise aos "ranking's" (enquanto um indicador, entre outros), porque é o nosso futuro que está em jogo e porque estão a brincar com os madeirenses e porto-santenses.
Ilustração: Google Imagens.   

GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL (I)


Fundamentalmente porque o que está em causa, não é uma simples questão de direita ou de esquerda, mas uma questão de GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL. No respeito pelos posicionamento ideológicos de cada partido, há questões que são transversais que os políticos com visão e responsabilidade devem, em momentos difíceis quanto este, se unir no essencial em detrimento do acessório.


Na política regional há muito fumo.
A consideração pessoal que tenho por José Manuel Rodrigues, líder do CDS/PP, Amigo de longa data, não me impede de dizer que acaba de desferir um golpe contra a Madeira. Falam, por aí, numa sondagem que, alegadamente, daria, neste momento, 19% ao PS e 14% ao CDS/PP. Vamos partir do princípio que até é verdade. E partamos, também, do princípio que no actual contexto político e na correlação das forças, o CDS/PP não tem qualquer hipótese de chegar ao poder. Basta olhar para a História do processo eleitoral para verificarmos quer lá quer apor aqui, essa hipótese é muitíssimo remota.
Significa, portanto, que percentagens daquela natureza, a um ano de distância das eleições, o bom senso aconselharia que o CDS/PP entrasse na "CONVERGÊNCIA NA ACÇÃO", demarcando-se, claramente, do projecto social-democrata. Fundamentalmente porque o que está em causa, não é uma simples questão de direita ou de esquerda, mas uma questão de GOVERNO DE SALVAÇÃO REGIONAL. No respeito pelos posicionamento ideológicos de cada partido, há questões que são transversais que os políticos com visão e responsabilidade devem, em momentos difíceis quanto este, se unir no essencial em detrimento do acessório.
Ora, o CDS/PP ao demarcar-se da Plataforma - Convergência na Acção, quer dizer duas coisas: por um lado, que fica satisfeito, eventualmente, com mais um ou dois deputados na Assembleia; por outro, no caso de maioria relativa do PSD-M, funcionará como uma bengalinha do PSD. Isto é, mudará alguma coisa (nos votos e na composição da Assembleia) mas tudo ficará na mesma.
Meu Caro Amigo José Manuel Rodrigues, há momentos na vida dos partidos, que nós, lutadores por uma sociedade mais solidária, mais justa e com futuro, independentemente dos posicionamentos ideológicos, não podemos facilitar ao jeito, perdoem-me a expressão, de quem "entrega o ouro ao bandido". Trinta e seis anos é tempo demais de governo de uma cor e a nossa alma de lutares pela Autonomia e pela Democracia não pode ser vendida por um lugar em um eventual futuro governo. O nosso egoísmo acaba por ser a desgraça daqueles que votam nos partidos da oposição. Aqui não está em causa um problema ideológico, está em causa a capacidade de elencar um conjunto de grandes preocupações que nos conduza ao sucesso nas políticas educativas, sociais (a todos os níveis), do emprego, dos empresários, do pagamento da dívida da Madeira, do travão que tem de ser colocado à megalomania das obras faraónicas, de tanto e tanto que há que fazer. E essa mudança não se faz com o PSD. Faz-se com novos actores políticos, com criatividade, com inovação, mobilizando a sociedade, quebrando as amarras do medo, libertando a sociedade para a coresponsabilização do desenvolvimento.
Enfim, o CDS/PP escolheu o seu caminho. Está no seu direito. O PS e outros partidos abdicaram um pouco dos seus projectos individuais e de luta de uns contra os outros para colocar a Madeira em primeiro lugar. Não se trata de frentismo mas de um caminho de acção psicológica sobre o eleitorado, levando a mensagem que é possível a mudança para melhor. O CDS/PP entende seguir o seu próprio rumo. Está no seu direito, mas ficará associado ao PSD-M como um partido coadjuvante da situação. De que valeram e de que valem as lutas feitas, as palavras ditas, os discursos com alma e as críticas à governação? Zero, ou melhor, talvez, mais um ou dois deputados, se tal acontecer.
De uma coisa estou convencido: é que o PS vai crescer e muito a par de outros partidos que querem a mudança de regime e de sistema.
NOTA:
Acabo de reber uma longa e esclarecida carta do Presidente do PS-Madeira remetida ao CDS-PP a propósito da sua posição relativamente à "CONVERGÊNCIA DEMOCRÁTICA". Na parte conclusiva, sublinha:
"A conclusão política, clara e frontal, que é assim que tem de ser, do que fica exposto é a seguinte:

a) O CDS auto-exclui-se da Convergência na Acção, cujo objectivo fundamental é o derrube do regime que governa a Madeira vai para 40 anos;
b) Assim, concluímos ainda que – a menos que reconsidere - o CDS não nos oferece – neste momento! - as condições políticas essenciais para integrar o objectivo estratégico da Convergência na Acção, que é garantir o normal funcionamento das instituições, nas vertentes democrática, autonómica e social, conforme decorre do “Manifesto ao Povo da Madeira” onde se traçam os seus objectivos".