sexta-feira, 25 de maio de 2012

NÃO ME DEMITO


Em 2007 conseguiu, através da mentira e da deturpação dos factos. Agora, de rastos, sem vintém, com razões que transbordam, quer ali permanecer esquecendo-se que ele é o centro do problema. E então fala da hostilidade dos outros, de Lisboa, claro, do "crescimento do peso maçónico no Estado português", da comunicação social pertença do grupo Blandy, onde se vive uma autêntica saga doentia de pré-guerra civil" de "ódios, ataques e rancores contra a minha pessoa"  dos "empresários da «Madeira Velha», políticos e empregados na comunicação social", do "bando socialista, mais os seus cúmplices na política e "do ataque quase mortífero contra a Zona Franca da Madeira". Verdadeiramente hilariante e doentio!


"Se o objectivo é fazer com que me demita, não o farei", assumiu, em artigo de opinião, o ainda presidente do Governo Regional. Ora, só esta frase trazida à colação, por si só explica que o sentimento que lhe invade é que não tem unhas para esta guitarra. Apenas por uma questão de teimosia, de quem não quer dar o braço a torcer face aos problemas que originou, vem dizer que não se vai embora. Razão tem o líder do PS-M, Victor Freitas, quando traz à memória dos madeirenses a sua demissão em 2007, quando nada fazia prever, quando a crise nem despontava no horizonte. Demitiu-se porque sentiu, na altura, um grande crescimento do PS-M (três dos seis deputados na Assembleia da República eram socialistas) pelo que se agarrou à mentira, ao embuste argumentativo que foi a Lei das Finanças Regionais para ganhar mais quatro anos de poder. E conseguiu-o, através da mentira e da deturpação dos factos. A história e o Tribunal de Contas vieram provar isso mesmo. Agora, de rastos, sem vintém, com a Região falida, com razões que transbordam, quer ali permanecer esquecendo-se que ele é o centro do problema. E então fala da hostilidade dos outros, de Lisboa, claro, do "crescimento do peso maçónico no Estado português", da comunicação social pertença do grupo Blandy, onde se vive uma autêntica saga doentia de pré-guerra civil" de "ódios, ataques e rancores contra a minha pessoa"  dos "empresários da «Madeira Velha», políticos e empregados na comunicação social", do "bando socialista, mais os seus cúmplices na política e "do ataque quase mortífero contra a Zona Franca da Madeira". Até a construção civil, escreveu "é propositadamente atacada por uma política anti-Emprego e anti-Crescimento", como se a culpa fosse de outrem que não dele pelos tresloucados investimentos. E termina o seu artigo de opinião, dizendo "Basta"! 
Basta é o que os madeirenses estão a dizer, cansados de uma lengalenga de muitos anos, de serem utilizados e esmagados por um sistema que qualquer pessoa com um mínimo de leitura e experiência dos acontecimentos determinaria como expectável. Basta, isso sim, de falar da maçonaria, do CINM (os Açores não têm uma zona franca, mas pagam aos fornecedores, em média, a 19 dias e não estão dependentes de ajuda externa), do Blandy e da comunicação social entre outros disparates, porque, faço minhas as palavras da Jornalista Raquel Gonçalves, afinal, se assim é, para que serviu ter uma Assembleia e um governo na Madeira? Trata-se, efectivamente, da questão central. Ora, é preciso que tomemos consciência que, na Madeira, do ponto de vista institucional, a estrutura organizacional quase corresponde a um "país". Será legítimo que, perante uma Assembleia, governo, orçamento próprio, direcções regionais, institutos, directores disto e daquilo, no fim de tudo isto o responsável venha dizer que os responsáveis são a maçonaria, o Blandy e todas as invenções que partem daquele prodigiosa e inconsequente cabecinha? Penso, por isso, que deve ir embora quanto antes e devolver ao povo a responsabilidade pelo futuro da Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

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