domingo, 26 de agosto de 2012

PEÇA PERDÃO, SENHOR BISPO


A Hierarquia nem o julga nem lhe permite que se defenda, preferindo mantê-lo no quadro de uma certa “inquisição” dos novos tempos. O que me leva a dizer, na existência de um vazio de culpa formada que, para os três últimos bispos do Funchal, a verdade, o amor e o perdão têm o mesmo significado que o poder político instalado lhes dá. Existe aqui um único cordão umbilical de interesses que os alimenta, uma mútua e controlada subserviência que conduz um padre, amado pela generalidade do seu povo e odiado pelo poder político, manter-se trinta anos em uma situação que qualquer cristão interroga: porquê?
 

Não tem muitos anos, por iniciativa do Papa João Paulo II, a Igreja, através de um extenso documento, expiou, publicamente, os pecados cometidos ao longo de uma História de 2000 anos. Uma História que, muitas vezes se afastou da mensagem de amor para situar-se no espaço da irresponsabilidade, intolerância e da opressão. Coube ao então Cardeal Joseph Ratzinger, posteriormente eleito Papa, elaborar as bases históricas e doutrinárias para o mea-culpa à escala global. Tratou-se de atenuar um peso na consciência. Subsistem, todavia, outros pecados à escala local, que configuram, também, intolerância, opressão e corrupção dos princípios e dos valores doutrinários. A suspensão “a divinis” do Padre Martins Júnior, assumindo uma característica penal, aos olhos do povo cristão, carece de fundamento que, julgo eu, só o Tribunal Eclesiástico poderia clarificar, confirmando ou absolvendo. Mas, não, a Hierarquia nem o julga nem lhe permite que se defenda, preferindo mantê-lo no quadro de uma certa “inquisição” dos novos tempos. O que me leva a dizer, na existência de um vazio de culpa formada que, para os três últimos bispos do Funchal, a verdade, o amor e o perdão têm o mesmo significado que o poder político instalado lhes dá. Existe aqui um único cordão umbilical de interesses que os alimenta, uma mútua e controlada subserviência que conduz um padre, amado pela generalidade do seu povo e odiado pelo poder político, manter-se trinta anos em uma situação que qualquer cristão interroga: porquê?
“In dubio pro reo”, mas nem isso consideram na inexistência de matéria probatória. Daí que entenda que o Senhor Bispo António Carrilho deve expiar o pecado da Igreja madeirense, pedindo perdão ao Padre Martins e ao povo da Madeira, livrando a Igreja deste anátema (deste, entre outros), porque “o Cristianismo é uma inclusão” na palavra do Frei Bento Domingues.
NOTA:
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Está a pedir a uma macieira para dar figos!...

A Igreja Católica, como as demais Igrejas, esteve sempre, está e estará ao serviço do poder). É para isso que elas existem. Quando muito, preparam o terreno para o poder que vier a seguir. Tudo o resto é para disfarçar.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Não se pode pedir tal coisa. Só que, permita-me, eu não escrevi para o Senhor Bispo... tentei escrever ao Povo Cristão.