terça-feira, 7 de agosto de 2012

PURO AUTISMO POLÍTICO


O artigo, se àquilo se pode designar por artigo de opinião, pois talvez seja mais um relatório, o Presidente do Governo termina com este naco de "fina prosa": "a conversa, os insultos, as calúnias e as mentiras dos nossos adversários, são fezes. Estamos orgulhosos de ser Autonomistas e Sociais-Democratas"! Orgulhosos de ver gente na miséria, empresários angustiados, uma juventude sem futuro e gente que nunca lhe passou pela cabeça ter de pedir esmola. O Presidente do Governo está orgulhoso desta situação, pelo que resta à Arquitecta Fátima Menezes começar a arrumar a sua secretária e despedir-se. Aquilo que já era há muito conhecido e que foi assumido acabou por ser considerado "insulto e calúnia", "fezes" na expressão mais reles e baixa. Qualquer pessoa com um mínimo de dignidade, ofendida desta maneira, embora sem designação concreta dos destinários, hoje mesmo apresentava a sua demissão. Porque tudo tem um limite!


Veio a Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, de forma esclarecida, assumir que "(...) existem situações dramáticas, nunca antes vividas no Porto Santo. Famílias que perderam a casa para os bancos. Famílias onde os dois cônjuges ficaram desempregados. Há muita pobreza escondida e envergonhada, porque esta é uma ilha pequena onde todos se conhecem. As pessoas batem à porta do meu gabinete a pedir ajuda, são situações muito difíceis que nós encaminhamos para a Casa do Povo, para a Segurança Social e para a Junta de Freguesia. Todas estas instituições, a par de outras privadas, estão a fazer um trabalho magnífico, incansável em ajudar estas pessoas, mas a verdade é que há famílias a passar por muitas dificuldades". Ora, porque há que esconder a realidade, o Presidente do Governo Regional, terá colocado todas as secretarias a procederem ao levantamento das "obras" feitas ao longo dos anos e, hoje, escreve um intragável repositório cronológico de tais obras desde 1976 até 2012. Digamos que se trata de uma inequívoca resposta à Presidente da Câmara. E o Jornal da Madeira, controlado pelo PSD e pago com os impostos de todos os madeirenses, imagine-se, transcreve na edição de hoje, com a devida vénia, tal "artigo" publicado no "povo livre", órgão do PSD-Madeira.
O Presidente do Governo assume, em título, que o Porto Santo é um case study. Dir-se-á que, para ele, não há fome, não há desemprego, não existem famílias em dificuldades, não há empresas em situação de insolvência, os culpados são os portosantenses que não souberam aproveitar a obra feita. Confunde cimento com desenvolvimento, o habitual. Ora, merecedor de estudo, para que jamais volte a acontecer, é a natureza e o desequilíbrio das opções políticas que vieram a redundar no colapso da ilha. E ele não consegue ver isto ou, se consegue, acaba por assumir uma atitude de defesa como se as pessoas comessem cimento! O povo, presidente, come através de uma economia sustentável geradora de emprego e isso pouco ou nada tem a ver com o sentido e a visão inauguracionista dos sucessivos governos.
O artigo, se àquilo se pode designar por artigo de opinião, pois talvez seja mais um relatório, o Presidente do Governo termina com este naco de "fina prosa": "a conversa, os insultos, as calúnias e as mentiras dos nossos adversários, são fezes. Estamos orgulhosos de ser Autonomistas e Sociais-Democratas"! Digo eu, orgulhosos de ver gente na miséria, empresários angustiados, uma juventude sem futuro e gente que nunca lhe passou pela cabeça ter de pedir esmola. O Presidente do Governo está orgulhoso desta situação, pelo que resta à Arquitecta Fátima Menezes começar a arrumar a sua secretária e despedir-se. Aquilo que já era há muito conhecido e que foi assumido acabou por ser considerado "insulto e calúnia", "fezes" na expressão mais reles e baixa. Qualquer pessoa com um mínimo de dignidade, ofendida desta maneira, embora sem designação concreta dos destinários, hoje mesmo apresentava a sua demissão. Porque tudo tem um limite!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Enfim, é mais do mesmo. Jardim é como um deus. Tudo que é bom é feito por ele e tudo o que é mau é culpa dos outros.
Mas o pior é que há gente que acredita nisso.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
O que me choca é o tipo de linguagem, ainda por cima, claramente, contra uma Senhora. Podia ter escrito qualquer coisa com uma perspectiva de esperança para aquele povo, mas não, saca do rol de mercearia, elenca as obras feitas e caceta em quem não tem responsabilidades.