sexta-feira, 17 de agosto de 2012

REFORMAS ESTRUTURAIS


E lá vão eles, reformando e reformando, segundo os interesses da máfia, ao geito de Maria vai com as outras, porém, apesar das tais "reformas estruturais", aos pobres estão a juntar-se mais pobres, aumentando o grupo daqueles que em cada mês falta mais mês. As margens que eram pobres tornaram-se no grande núcleo central absorvendo os da então classe média. A maioria, tendencialmente, é agora pobre e os abastados passaram para as margens cada vez com maiores índices de riqueza. As "reformas estruturais" estão, assim, em linha com as palavras do primeiro-ministro: "não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo (...)". Como se fosse politicamente demagógico ser contra as políticas que não respeitem a dignidade das pessoas, nos seus direitos ao trabalho, à educação e à saúde, por exemplo. Como se fosse demagógico ser crítico relativamente às políticas que roubam, clara e descaradamente, aos que menos têm para entregar de mão beijada aos tubarões da economia e das finanças entretidos em jogos especulativos. Como se fosse demagógico lutar contra a ruína das empresas por uma excessiva sobrecarga de estranguladores impostos (...)


São anos e anos a falarem de "reformas estruturais". O país precisa delas, dizem, para o seu desenvolvimento. Sem elas não saímos da cepa torta, não nos tornamos competitivos, avisam, docemente, os da máfia internacional. A expressão "reformas estruturais" está na boca de qualquer político, sai com uma fluência e, qual panaceia, dá para todo o tipo de discurso. Basta encaixar bem na arrumação das palavras quando botam discurso. Mas há que anos ouvimos esta cantilena para entreter os da mó de baixo! Hoje, mais do que ontem, é certo, porque serve também para atenuar a incompetência governativa de quem tem responsabilidades de conduzir a sociedade. E lá vão eles, reformando e reformando, segundo os interesses da máfia, ao geito de Maria vai com as outras, porém, apesar das tais "reformas estruturais", aos pobres estão a juntar-se mais pobres, aumentando o grupo daqueles que em cada mês falta mais mês. As margens que eram pobres tornaram-se no grande núcleo central absorvendo os da então classe média. A maioria, tendencialmente, é agora pobre e os abastados passaram para as margens cada vez com maiores índices de riqueza. As ditas "reformas estruturais" estão, assim, em linha com as palavras do primeiro-ministro: "não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo (...)". Como se fosse politicamente demagógico ser contra as políticas que não respeitem a dignidade das pessoas, nos seus direitos ao trabalho, à educação e à saúde, por exemplo. Como se fosse demagógico ser crítico relativamente às políticas que roubam, clara e descaradamente, aos que menos têm para entregar de mão beijada aos tubarões da economia e das finanças entretidos em jogos especulativos. Como se fosse demagógico lutar contra a ruína das empresas por uma excessiva sobrecarga de estranguladores impostos. Como se fosse demagógico criticar o roubo dos bolsos de todo o povo, os subsídios de Natal e de férias que apenas se destinavam, para a maioria, compensar os magros salários ao longo do ano. Como se fosse demagógico criticar as tenebrosas figuras nacionais e europeias, animadas dos mesmos princípios ideológicos, quando assumem que temos de baixar, ainda mais, os salários. Como se fosse demagógico lutar contra um código de trabalho que espezinha e tritura direitos conquistados ao longo de muitas dezenas de anos, em muitos sítios, com sangue e intermináveis sacrifícios. Como se fosse demagógico lutar por horários de trabalho que tenham em conta a família, no quadro de um trabalho com deveres mas também com direitos. Como se fosse demagógico afrontar os grupos sorrateiramente organizados, essa corja sem rosto que  se constituem em lóbis de pressão ideológica e que determinam a subjugação da política aos interesses económicos. Como se fosse demagógico lutar contra o Processo Bolonha conducente ao pensamento único e que joga para a fragilidade dos pais a responsabilidade total pelo 2º ciclo de estudos, na ordem de alguns milhares de euros. Como se fosse demagógico exigir um serviço público de educação universal, com rigor e de qualidade. Como se fosse demagógico exigir tempo para o lazer e para a cultura. Como se fosse demagógico lutar contra as vergonhosas privatizações que delapidam a riqueza nacional em favor de uns quantos. Como se fosse demagógico afrontar as políticas de uma banca implacavelmente exploradora. Ora, se é para protecção de alguns e espezinhamento dos demais a necessidade de "reformas estruturais", não, obrigado.
É óbvio que nada pode ser analisado de forma estática. Tudo deve assentar no dinamismo, na criatividade e na inovação, pressupostos estes determinantes no sentido do sucesso e do bem-estar. O que porém se verifica não é nada disso. Assiste-se, impávidos, ao crescimento de uma máfia internacional, com tentáculos nacionais, que não olham a meios para atingir os seus fins. É a direita política no seu pior. E isso é sensível em todos os sectores e áreas de actividade económica. É cada vez mais verdade que eles "Comem tudo e não deixam nada", como sublinhou o Zéca Afonso, agora de forma mais sofisticada, requintada e científica, actuam de forma organizada e no quadro do facto consumado. Como se não houvesse alternativa. E há ALTERNATIVA.
Era eu adolescente e ouvia-os dizer que éramos "um país em vias de desenvolvimento". Passaram-se várias décadas, outros são os protagonistas, mas o cheiro nauseabundo de certas políticas continuam a ser muito semelhantes. Há gente que me farta até ao tutano, pela mentira dita de forma séria e pela atitude de saque sem que ninguém lhes ponha a mão em cima. Eles não entendem que a sua estabilidade depende da estabilidade de todos os outros. Podem estar no caminho errado. Penso que estão.
Ilustração: Google Imagens.

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