quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DA EDUCAÇÃO ESPECIAL À DEFICIÊNCIA DO SISTEMA DESPORTIVO


Os estudos internacionais de prevalência apontam para a existência entre 8 a 12% da população com necessidades especiais. Ora, partindo de um valor intermédio de 10% de prevalência, chega-se à conclusão da existência de cerca de 27.000 pessoas na Região com necessidades especiais (...)
 
 
Duas notas:
Primeira - Educação Especial. O Director Regional de Educação, Dr. João Estanqueiro, divulgou que existem cerca de 3.000 alunos, portadores de "necessidades educativas especiais", enquadrados nos estabelecimentos de educação e ensino da região. A este propósito, desde 2008 que venho a tecer algumas considerações neste espaço, a última das quais em 2011 que pode ser
aqui lida.
A expressão numérica deixa-se um pouco perplexo. Pressupunha que a tendência fosse para uma maior abrangência. E porquê? Os estudos internacionais de prevalência apontam para a existência entre 8 a 12% da população com necessidades especiais. Ora, partindo de um valor intermédio de 10% de prevalência, chega-se à conclusão da existência de cerca de 27.000 pessoas na Região com necessidades especiais, valor este que contrasta com os cerca de 4000 que são gobalmente acompanhados. Nesses 10% incluem-se os portadores de deficiência devidamente diagnosticada, auditiva, visual, os alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, onde se incluem as dislexias, disgrafias, discalculias, dispraxias, as dificuldades de aprendizagem não-verbais, os alunos com problemas intelectuais (deficiência mental), com perturbações emocionais e do comportamento graves, com problemas específicos de linguagem e com desordem por défice de atenção/hiperactividade, todos fazem parte desse mundo de necessidades educativas especiais. Esquecer este pressuposto das duas, uma: revela desconhecimento da realidade ou por clara insensibilidade social do governo.
 
 
No caso do Portosantense, só a dívida pelo consumo de água, se todos os meses o clube pagar € 1.000,00 (o que já deve ser um encargo fora das suas possibilidades) levará 53 anos a pagá-la! Preocupante, porque este caso é apenas um no meio de uma floresta regional de desencantos.
 
 
Segunda - Política Desportiva. José Lino Pestana, dirigente desportivo do Portosantense, assumiu que o desporto, no Porto Santo, "não existe, acabou mesmo". Das suas declarações reproduzidas na edição de hoje do DN-Madeira, subsiste um significativo dramatismo, onde a ausência de meios financeiros para cobrir as despesas, emerge como caminho para a falência. Só a dívida à IGA pelo fornecimento de água já vai pelos 635 mil euros. Este quantitativo espelha as dificuldades que, certamente, se multiplicam por todo sistema, isto é, não apenas pelo clube que José Lino dirige, mas por toda a prática desportiva formal e informal naquela ilha.
Ora, esta posição, repito, de falência, não tem nada de inesperada. Os entusiasmos não sustentáveis em políticas de rigor só poderiam conduzir ao colapso. O caso do Porto Santo é idêntico ao que se passa por toda a Região. Apenas está agravado pelas circunstâncias da descontinuidade geográfica. Apenas por isso. Porque, de resto, a causa está no "monstro" que foi gerado pelos responsáveis políticos do governo da Madeira, como se o cofre estivesse sempre a abarrotar e, portanto, o financiamento garantido. Qualquer pessoa minimamente responsável e criteriosa na gestão do dinheiro que a todos pertence, deveria ser hoje criminalizada pela situação a que se chegou. Não estou a falar do dirigente José Lino Pestana ou de qualquer outro, mas daqueles que fomentaram a situação. Enquanto houve dinheiro foi tempo de regabofe, de desperdício, de gastos (não de investimentos), de promessas, de inversão de prioridades e a questão é esta: e agora? Onde estão a prática física e o desporto a que constitucionalmente as pessoas têm direito? Onde está a representatividade dos povos no quadro do diálogo competitivo, entre concelhos e entre ilhas? Então, os responsáveis políticos não têm de ser julgados pelos comportamentos de negligência, ausência de planeamento e de rigor no que concerne ao financiamento público? Então é lícito que lavem as mãos e responsabilizem os dirigentes desportivos, descarregando assim para outros culpas próprias?
No caso do Portosantense, só a dívida pelo consumo de água, se todos os meses o clube pagar € 1.000,00 (o que já deve ser um encargo fora das suas actuais possibilidades) levará 53 anos a pagá-la! Preocupante, porque este caso é apenas um no meio de uma floresta regional de desencantos.
Ilustração: Google Imagens.

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