quarta-feira, 13 de março de 2013

FOI À TOSQUIA E SAIU TOSQUIADO


Ora, a situação é muito grave e ele sabe que é. A situação é de falência da Madeira e ele sabe que é. A situação é explosiva por falta de pão e ele sabe que é. A situação é dramática quando o povo enfrenta não só as consequências da insularidade, mas também as consequências de uma dupla austeridade, e ele sabe que é. E não assume, não enfrenta, não propõe medidas que possam, já não digo solucionar, mas pelo menos esbater a crise que está dentro das casas dos madeirenses e porto-santenses. A sua estratégia é a de um Presidente da ex-Junta Geral. A sua estratégia é a de, quando ainda pode, fintar e logo de seguida chutar para longe, para as bananeiras! Está dentro de campo, mas não se descobre uma entrega séria ao jogo, uma intenção honesta, vejo sim um jogador acabado, sem pernas e sem fôlego, que quer a bola longe dos seus pés, que quer estar onde a bola não está. Eu diria que há nele um pouco de António Variações, no "Estou Além". Repare o leitor na letra da canção: (...) "Não consigo dominar; Este estado de ansiedade; A pressa de chegar; P'ra não chegar tarde; Não sei de que é que eu fujo; Será desta solidão (...)". Está politicamente preso, penso eu, não por convicções, mas pela máquina que montou e pelo monstro que criou que o devora a todo o instante. A sua governação está a ser consumida em lume brando e é irreversível. Ficará politicamente só e nem os próprios beneficiários do sistema que implementou lhe darão a mão. Saltarão para outro salva-vidas, aliás, como é recorrente na política.

Eu sou o "Único Importante!"
O Presidente do Governo Regional é um homem perdido no seu próprio labirinto. É um político entregue a si próprio, apanhado na teia que foi tecendo desde há muitos anos. É um homem em delírio, fazendo um último esforço para garantir a sobrevivência política. É um político que esbraceja, interrompe  e ofende quando os seus adversários falam, o que é mau sinal. É um político que se sujeita a uma ida à tosquia para sair, literalmente, tosquiado. De nada valeu o derradeiro número de contorcionismo em função dos gravíssimos indicadores que existem sobre a situação política, económica, financeira e social da Madeira. Um político que, ao longo da manhã de ontem, no decorrer da Moção de Confiança, denunciou total fragilidade ao não tocar nos assuntos fundamentais, nos temas que afligem os madeirenses, na questão do desemprego, na gritante pobreza, na dívida que está por pagar, no drama dos empresários, na situação de dois sectores a braços com problemas muito sérios, a Educação e a Saúde, isto é, não falou nas soluções que todos os madeirenses e porto-santenses, inocentemente, deveriam estar à espera. Foi uma manhã oca, sem conteúdo, desesperante, que não trouxe nada de novo, por isso mesmo repetitiva, com chavões já escutados e com as palavras lunáticas de sempre. No final, eu diria que saiu "fumo negro" na chaminé da Assembleia!
Eu diria que se tratou de mais um regresso ao passado do que uma moção e debate portadores de futuro. A Oposição deu cabo dele, com argumentos advindos da realidade, do sofrimento das pessoas, quer elas sejam empresárias quer sejam apenas trabalhadoras. Da parte do Presidente do Governo assisti a um jogo de permanente defesa, atirando para bem longe a bola das responsabilidades políticas. Durante todo este pseudo-debate assisti a actos de pura ilusão como se a Madeira não tivesse tido, ao longo de 37 anos consecutivos, Autonomia Político-Administrativa, uma Assembleia, um governo, orçamento próprio e milhões vindos da Europa e do orçamento de Estado. Parece que nada disto existiu e existe e, portanto, que não há responsáveis políticos pela situação a que se chegou. Para ele, a responsabilidade pela situação é da família Blandy, da comunicação social, da maçonaria e de uns tipos da República como tentou fazer crer. Só encontrei uma verdade ao longo das intervenções do presidente do governo: a terminar, fugiu-lhe a boca para a verdade. Disse uma coisa certa: "eu não levo estas coisas a sério". A partir daqui penso que estava tudo dito!
Ora, a situação é muito grave e ele sabe que é. A situação é de falência da Madeira e ele sabe que é. A situação é explosiva por falta de pão e ele sabe que é. A situação é dramática quando o povo enfrenta não só as consequências da insularidade, mas também as consequências de uma dupla austeridade, e ele sabe que é. E não assume, não enfrenta, não é sincero, não propõe medidas que possam, já não digo solucionar, mas pelo menos esbater a crise que está dentro das casas dos madeirenses e porto-santenses. A sua estratégia é a de um Presidente da ex-Junta Geral. Com uma diferença: se, naquele tempo, assim se comportasse há muito teria sido chamado a contas. A sua estratégia é a de, quando ainda pode, fintar e logo de seguida chutar para longe, para as bananeiras! Está dentro de campo, mas não se descobre uma entrega séria ao jogo, uma intenção honesta, vejo sim um jogador acabado, sem pernas e sem fôlego, que quer a bola longe dos seus pés, que quer estar onde a bola não está. Eu diria que há nele um pouco de António Variações, no "Estou Além". Repare o leitor na letra da canção:
"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
(...)
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
(...)
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou (...)

O Dr. Alberto João Jardim, na tribuna e fora dela, evidencia estes sinais, este estado de ansiedade, esta perturbação de ver que o povo, de forma crescente, quer vê-lo longe, desequipado, mas não consegue "partir para outro lugar". Está politicamente preso, penso eu, não por convicções, mas pela máquina que montou e pelo monstro que criou que o devora a todo o instante. A sua governação está a ser consumida em lume brando e é irreversível. Ficará politicamente só e nem os próprios beneficiários do sistema que implementou lhe darão a mão. Saltarão para outro salva-vidas, aliás, como é recorrente na política.
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

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