quinta-feira, 11 de julho de 2013

PRESIDENTE DE MAL A PIOR. O POVO NÃO É BURRO NEM ANDA A TIRAR DOCUMENTOS PARA ESTÚPIDO!


Este Presidente da República não tem salvação possível. Primeiro que o governo substituam-no já. Se isto já estava mal, agora, pior está. A crise política que ele dizia querer evitar, com a intervenção de ontem, precipitou-a. Talvez, irremediavelmente. O Presidente fez uma intervenção que negou, na segunda parte do desenvolvimento da sua análise à situação política, eu diria, infantilmente, o que tinha dito na primeira. Rejeitou a recomposição do governo, humilhando-o, o que deveria conduzir, de imediato, à sua demissão, se houvesse um mínimo de dignidade no governo PSD/CDS, até porque, desde logo, reduzi-lo-á à sua capacidade de mero governo de gestão; tentou empurrar o PS para uma solução governativa, claramente, de iniciativa presidencial, quando sabe que os socialistas dificilmente aceitarão entrar nesse barco, uma vez que o actual memorando com a troika não tem nada a ver com aquele que foi subscrito há dois anos, para além do facto que uma sua integração nesse governo reduziria quase a zero a sua capacidade de manobra no que concerne à sua proposta governativa para o futuro; depois, parece que não se deu conta que, se a sua solução constitui a saída politicamente eficaz até meados de 2014, perguntar-se-á qual o interesse então em sugerir eleições depois da saída troika do processo de reajustamento? Porquê gerar um novo impasse político se parte do princípio que tal solução é a melhor para Portugal até ao final da Legislatura? E quem aceitará integrar um governo de "Salvação Nacional" por onze meses? Esquisito, muito esquisito. O que isto pode significar é que ele, finalmente, não acredita na dupla Passos/Portas, não quer, aos olhos do povo e das restantes estruturas políticas e parceiros sociais, continuar a viabilizar um governo que se mostrou incompetente durante dois anos e, por isso, quer lavar as suas mãos das responsabilidades e, então, vem com esta treta de um governo intercalar, mediado por uma "personalidade de reconhecido prestígio", solução esta que, do meu ponto de vista, apenas agravará a crise. Burlesco!


Ora, Cavaco Silva ainda não percebeu que o povo "não é burro nem anda tirar documentos para estúpido". As pessoas sentem e sabem o que se está a passar. E quando assume que "chegou a hora da responsabilidade dos agentes políticos", questiono que andou ele a fazer até agora? Então, ele não ocupa um lugar político? Esquece-se que já aconteceram moções de censura no parlamento? Esquece-se do sofrimento que este governo impôs aos portugueses sem que eles tivessem objectivas culpas na condução política do País? Esquece-se que todos nós somos vítimas de processos e de engrenagens externas e que há que repudiá-las com lucidez, com arreganho no quadro da independência nacional? Que não podemos ser, tal como outros povos, capachos de directórios selvagens que massacram e trituram os mais frágeis?
Finalmente, aquele paleio enigmático que as jornalistas Inês David Bastos e Ana Petronilho (Económico) bem descrevem do discurso do Presidente: "se não conseguirem firmar o tal compromisso de salvação nacional, cujos pilares traçou, o Presidente recorrerá a outras soluções "jurídico-constitucionais." Quais? Não concretizou, deixando tudo em aberto, ou seja, um Governo de iniciativa presidencial, a dissolução da Assembleia da República e eleições, a demissão do primeiro-ministro ou a exigência de novo acordo entre Passos e Portas. Uma coisa Cavaco Silva quis deixar claro: qualquer uma dessas soluções "não dará as mesmas garantias de estabilidade que permitam olhar o futuro com confiança". Para Cavaco, o acordo de médio-prazo entre PS, PSD e CDS, que prepare um terreno sustentado até Junho de 2014 (eleições) e no pós-troika, "é a solução que melhor serve o interesse dos portugueses".
Enquanto isto, vamos perdendo tempo, quando seria normal e adequada a devolução da palavra ao povo. O Presidente não ajudou a resolver um problema, apenas o agravou. Enfim... cavaquices, que o Financial Times de hoje caracteriza de "caos político".
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio.

É Cavaco no seu melhor. Por este andar ainda vai pedir a Jardim para ser a "personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo."

João André Escórcio disse...

E o assunto ficaria resolvido!!!
Um abraço.