segunda-feira, 2 de junho de 2014

CONTINUAM A CONJUGAR O VERBO ROUBAR


Ontem foi Dia da Criança. Um dia onde continuam a subsistir mais direitos do que justiça! Trouxeram-nas para a rua, organizaram festas e disponibilizaram convívios de que tanto gostam. Hoje, tudo regressou à enervante normalidade, onde um quarto delas vive e continuará a viver no meio da pobreza. Acompanhei duas excelentes peças na RTP 1 que me tocaram, profundamente, que me deixaram com um nó na garganta e uma pergunta sem resposta: porquê? Porquê tanta miséria, tanta carência, tanto ausência de cuidado por aqueles seres frágeis que apenas precisam de alimentação, amor, carinho e formação? Rostos tristes, não sei se assustados ou se de maturidade fabricada à pressa, dizendo o que presenciam e o que lhes vai na alma: "meus pais, às vezes choram"; "minha mãe está desempregada" (...) "antes era melhor"; "estudo música, mas o meu pai já disse que se ficar desempregado não tenho hipótese de continuar". Quando a jornalista os questionou se sabiam quem era Pedro Passos Coelho, a resposta veio célere: o  primeiro-ministro que "rouba". Pois, rouba aos pobres para dar aos mercados, aos senhores de rosto tapado e sem nome, que por aí andam a infernizar a vida de todos nós e de muitos povos europeus. Vi crianças desalentadas, sem esperança, caras exprimindo sofrimento como o daquela mãe que sobrevive com trezentos euros. Certamente, no meio de muitas cujas receitas mensais nem chegam a esse valor. E eles querem que, neste quadro, as crianças  tenham sucesso escolar, que não abandonem a escola, passem o crivo do Português e da Matemática, não adoeçam e sejam felizes! Politicamente, são uns bandidos!


Perante isto, o Soares da Mota, aquele arregalado que é ministro da Solidariedade esquivou-se, não quis ser ouvido. Ele, Mota Soares (CDS/PP), o responsável por tantos cortes, desde os abonos de família ao subsídio de desemprego, passando por todos os outros, por uma sequência absolutamente obscena,  nada tem a dizer, exactamente, no Dia da Criança. Ele sabe, mas assobia para o lado, que estamos no início da tragédia, da degradação social, de um futuro incerto onde a pobreza será paisagem. Ele sabe que retrocedemos mais de dez anos e  que a recuperação deste tempo levará mais de trinta! Ele sabe que tudo isto está pelas pontas, que são as instituições de solidariedade social que esbatem a fome de muita coisa. Neste fim-de-semana foi o Banco Alimentar, uma vez mais, pedir a solidariedade dos portugueses. Nas próximas semanas serão outros voluntários a tentarem remendar um tecido social completamente esfarrapado. 
Compra-se quatro pães, pagamos a totalidade,
mas um é pertença do Estado!
E no meio disto, vociferam contra a Constituição da República. Ela a culpado dos males. Ela que não deixa ir mais longe. Ela que não permite a felicidade do povo. Não é a incompetência destes senhores que governam ao serviço de outros que está em causa, mas sim a Constituição. E vai daí, certamente, a caminho vem um novo castigo sobre toda a população que atingirá, ainda mais, as populações frágeis. Vão carregar no IVA, vão, certamente, impôr mais taxas extraordinárias sobre aos subsídios de Natal e de férias, enfim, vão continuar a roubar a quem pouco ou nada tem. 
As famílias ficarão mais pobres, a natalidade vai continuar a decrescer, a mortalidade a aumentar, o défice público que já vai nos 130% do PIB tenderá a crescer, o abandono e o insucesso escolares vão ter novas e vergonhosas taxas, a saúde ficará cada vez mais periclitante e esta gente continuará, delirantemente, a dizer que não podemos regressar ao passado. Finalmente, para quê este Presidente da República? Ele que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, perante um governo que, por três vezes, apresenta um Orçamento de Estado INCONSTITUCIONAL, pergunto, de que está à espera? Só poderia demitir o governo, mas não, manterá esta vergonhosa política porque, é farinha do mesmo saco.
Ilustração: Google Imagens.

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