sexta-feira, 25 de julho de 2014

JORNAL DA MADEIRA INVADIDO? OU SERÁ O JM QUE "INVADE" AS CARTEIRAS DOS MADEIRENSES?


Li: "O Tribunal Judicial do Funchal condenou hoje a penas de 40 e 50 dias de multa ou a 26 dias de prisão os oito elementos do PND por terem invadido o Jornal da Madeira", no decorrer da campanha eleitoral de 2011. No total uma multa solidária de 11.339,80 euros. O tribunal decidiu. Não comento. O que, enquanto cidadão observador, me deixa perplexo, é o facto do Jornal da Madeira, ilegitimamente, ser pago com dinheiros públicos, apresentar um capital próprio NEGATIVO de 48.194.732,00 Euros, não cumprir com o Artigo 35º do Código das Sociedades Comerciais, todos os anos levar mais de três milhões dos impostos dos madeirenses e nada, absolutamente nada acontece. Ah, pois... não chegou nada aos tribunais. As instituições reguladoras e os Órgãos de Soberania estão a assobiar para o lado. Deve ser isso. Aliás, o JM, como todos os madeirenses sabem, é um órgão de comunicação social completamente ISENTO. Basta ler o artigo do dr. Jardim: "(...) A sobrevivência do PSD-Madeira como partido hegemónico, autonomista e independente do poder económico, passa por futuro líder que não se baixe ao propósito de encerrar o Jornal da Madeira".


Há situações tão antagónicas quanto absurdas que são motivo de algum espanto. Juridicamente, alguém dirá que não existe qualquer incoerência entre aquelas duas situações, porque as mesmas terão de ser analisadas cada uma no seu contexto. Ao cidadão a perplexidade existe. No caso em apreço, porque o Jornal da Madeira é, pública e notoriamente, um jornal de propaganda do PSD-Madeira e do seu governo, onde a Região detém quase 100% do seu capital social. E foi este aspecto, agravado na decorrência da campanha eleitoral por uma informação abusivamente parcial, que motivou, não a invasão do JM, mas a presença de membros de um partido na sua sede para chamar à atenção para o desvario, a prepotência e o sectarismo. Digamos que o efeito foi punido segundo a interpretação da lei, porém a causa continua a passar em claro. Quase 50 milhões de passivo, retirados dos bolsos dos madeirenses, três milhões anuais subtraídos às carteiras dos que pagam impostos na Região é assunto de somenos importância, eu diria até, LEGAL, mas a reivindicação do pluralismo, a ousadia de querer ver consubstanciada uma informação equilibrada, essa pode levar à prisão os seus autores, pelo crime, julgo eu, de introdução em espaço vedado ao público(!). Os outros, refiro-me aos que utilizam os dinheiros públicos como querem e entendem, podem "invadir" a carteira dos madeirenses, retirar-lhes dos impostos uma parte para a propaganda partidária e, aí, está tudo bem. 
Parece que os Órgãos de Soberania têm medo, que as entidades reguladoras têm receio de actuar, parece que o mentor de tudo isto é rei e senhor e que ninguém lhe vai à mão. É isso que fica como imagem. Por isso, a pacífica "invasão" é punida, mas quem "desvia" dos nossos impostos, segue em frente impune! Vá lá perceber-se porquê?
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Este é o tipo de comentário "redondinho", bem fatiado, que exprime mas não acalora, que se indigna mas não arrebata, que sentencia mas não castiga, formalmente bem colocado mas consequentemente desinteressante.
O sr andré já tinha idade e condição de vida para ser mais ousado. No mínimo mais arrebatado. Ou desassossegado.
Durma com esta (opinião).

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Exactamente pela idade, tenho o dever de contextualizar os assuntos, sem todavia ser de irreverência chocante. Aprendi muito na vida e se há coisa que não tenho é medo. Dou o meu nome, escrevo, tento gerar desassossego, mas à minha maneira. Continuarei assim, sem necessidade de castigar seja lá quem for. O povo que os castigue nas urnas. Porque ousado tenho sido ao longo da vida.
Agradeço uma vez mais o seu comentário.